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Full text of "Descipção geral e historica das moedas cunhades em nome dos reis"

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GOVERNADORES DE PORTUGAL 



DESCRIPCiO GERAL E fflSTORICA 



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Pecunia loluni eircumit orboni. 
{Sax moedfut de coire para o lìraziU 



TOMO II 



USBOA 



IMPBKNSA. NACIOÌiAT^ 



1877 




NOV. - 1931 



A SUA MAGESTADE EL-REI 



O SENHOR D. LUIZ I 



CARIA AO k AfflAME lEMLAl 



IH.""» e Ex."» Sr. 

Lisboa, 25 de setembro de 1875. 

No intento de prestar pequena, mas sincera homenagem, offerefo a v. ex/ um 
exemplar do primeiro tomo da Descripfào geral e historica das moedas cunhadas 
em nome dos reis, regentes e govemadores de Portugalj escripta nos intervallos que 
me tem deixado livres o servilo medico militar, sobrecarregado com a regencia de 
urna cadeira na escola-do exercito. 

Ningaem melhor que v. ex/ conhece o pouco interesse que téem merecido e 
coDtinuam a merecer no nosso paiz os monumentos e o seu estudo. A numismatica 
é um dos ramos da archeologia que> talvez por capricho ou vaidade, apresenta mais 
cultores; mas a maior parte limitam-se a accumular moedas sem escolha nem me- 
thodo, mostrando pela especialidade mais visos de avareza que empenho de inter- 
pretarem tao importantes subsidios historicos. 

Comecei a colleccionar, comò disse na introduccao ; o estudo pareceu-me a prin- 
cipio de ingrata aridez; depoìs foi-se tornando agradavel a ponto que de bom grado 
irocava algumas horas de repouso por tao seductoras investigaQoes. Està sciencia é 
attrahente, tem mesmo um nao sei que de paixao ou vicio, podendo attingir a mo- 
nomania . . . Como preventivo à enfermidade, e conhecendo a falta que havia entre 
nos de trabalhos n'este genero, fiz imprimi r a Descripgào das moedas romanas exis- 
tentes na collecfào de Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Luiz, precedendo-a de 
algumas no^oes geraes sobre numismatica. D'està publica(3o tive a honra de enviar 
um exemplar a v. ex/ 

Robustecido por urna vontade energica repeti a tentativa com respeito às moe- 
das portuguezas, e, apesar de obrigado a dividir a attenevo por outros estudos, que 
se nSo coadunam, consegui o poder hoje submetter à apreciacao de v. ex/ o pri- 
meiro tomo da obra. 

Adiando a publicagao, talvez diminuissem os erros; mas era urgente aproveitar 
as boas gracas do Ministro que, annuindo à impress3o por conta do estado, me li- 
vrava de insuperaveis diflficuldades futuras. 

Està circumstancia, que resolvia o problema pela parte economica, incutiu-me 
certos escrupulos de consciencia, pelo receio de ha ver onerado o thesouro com a 
publicacao de um livro superfluo. 



vili 

Conhecedor do caracter de v. ex/, e da dedicafao que constantemente Ihe téem 
merecido estes trabalhos, lembrei-me pedir-lhe o julgamento. pedido é ousado, 
sabendo que nem o escriplo nem o auctor estao a altura de merecer t3o distincta 
honra; mas em compensacao confio no benevolo acolhimento dequem, baseadonos 
documentos coevos, limpou a nossa historia de adulafoes ridiculas e lendas fabulo- 
sas, que so desmereciam feitos, que nem precisavam do exagero para serem 
grandes. 

Sem prelensoes de ir tao longe, diligencieì caminhar pelo mesmo Irilho, em- 
bora escorregadio e tao escarpado, que por vezes se me tornou inaccessivel. 

Asseguro a v. ex/"* que o pedido n3o importa uma vaidade frivola, mas o de- 
sejo de obter a consulta do mestre, que pelo seu juizo recto e illustrado póde re- 
animar abatimento, ou dar um desengano que aproveite. 

Desculpe v. ex.* quem por tao pouco se recommenda, mas que se preza de ser, 
com a mais elevada consideragao. 

De V. Ex.* 
Muito respeitoso admirador e creado obrigadissimo 

* 

A C. Tcixcira de Arcujào. 



RESPOSTA 



Valle de Lobos, dezembro de 1875. 



Nao agradeci desde logo a v. o primeiro volume da Descripcào hislorka das 
moedas portuguezaSj que teve a bondade de me offerecer, porque desejava exami- 
nal-o, senao profundamente, ao menos detidamente, anles de dizer o que penso so- 
bre elle, comò v. me pede. Entro os subsidios historicos a numaria e a numisma- 
tica offerecem aos estudiosos tantas ou talvez mais difficuldades do que a epigra- 
phia. A importancia d'aquellas nao é menor que a d'està, nao so pelo que respeita 
à historia, ainda tao cheia de lacunas, das civilisa^oes antigas, corno tambem em re- 
lacao às origens e ìnfancia das naQoes modernas, para cuja indagagao nao nos sobe- 
jam OS monumentos narrativos, diplomaticos e legislativos. Sem o auxilio da numa- 
ria, as condifoes economicas, ao mesmo tempo complexas e rudimentares, d'essas 
sociedades em via de formacao, mal se podem comprehender e ainda mais diffìcil- 
mente expór. 



IX 

É precìso rx)nfessar que entre nós este genero de estudos, comò quasi todos os 
outros subsidiarios da historia, tem sido assàs imperfeitos. Nao peccam so pelo incom- 
pleto; peccam lambem pelo desconnexo, pela falla de provas e pela superficialidade. 
Evitando com escrupulo estes defeitos capitaes, v. collocou-se a larga distancia 
dos que o precederam, distancia que separa o collector irreflexivo do critico sagaz 
que analysa e synthetisa; que nao se contenta com accumular indistinctos alimen- 
tos, mas que os classifica e qualifica para que se tornem de facil assimilagao. 

Pelo que toca ao estudo das moedas da idade media, epocba acerca da qual é 
possivel que se me attribua alguma competencia, ter-me-ia poupado nao pequeno 
Irabalho o seu livro, se jà existisse quando eu esludava a historia dos dois primei- 
ros seculos da monarchia, e elle sera para mim um poderoso auxiliar» se ainda as 
circumstancias me permittirem delinear a parte mais desconhecida e mais interes- 
sante da Vida social d'aquelles tempos e o complicado mechanismo do nosso primi- 
tivo systema de administragao e de tributos e renda publica, cuja connexao com as 
varia^oes da moeda é tao constante e tao intima. 

Se eu dissesse que n3o encontrava um ou outro defeito ou insulBciencia no 
custoso edificio, de cujo desenho e execucao v. póde gloriar-se, seria menos sin- 
cero. As maculas sao condigao impreterivel das obras humanas. Na minha opiniao, 
livro de v. facilitarla multo mais o estudo comparativo da economia politica na 
idade media, se um traballio que creio facil para v. nao se tivesse ahi omittido, 
qual, todavia, póde dar assumpto a um appendice, ou ser opportunamente inter- 
calado no texto de uma futura edigao. Desejara eu que a descripcao de cada moeda 
antiga de oiro ou prata, de que existissem exemplares que podessem pesar-se e aqui- 
latar-se, se ajuntasse a especificagao do seu valor em relacao à moeda actual, sup- 
pondo que tìnha curso e que a sua bragagem e senhoriagem eram as mesmas da 
moeda moderna ^ Fazia-se assim com mais promptidao e clareza, a vista de outro 
genero de monumento^, uma idea adequada da abundancìa ou raridade das cousas 
em commercio n'aquelles tempos obscuros, facilitando-se por esso modo a aprecia- 
(ao do estado da sua civilisagao material. 

' No firn d'estc tomo cscrcvcmos um cnsaio comparando o valor da moeda porluguoza antig^a com 
a actual, dando-lhe a disposigào de mappa, por julgarmos facilitar mais o confronto nas diffcrentes epo- 
chas. Sei nào ser o bastante para o esludo da economia politica. Se Deus nos der ^ida e animo para lu- 
tar com muitas contrariedades, csbocarcmos um livro nào so com o valor relativo dos mctacs que se 
tèem amoedado em Portugal, mas com a sua equiparacào aos gcneros de primcira nccossidade. difflcil 
està, corno o sabio historiador melhor do que cu conhcce, na inccrteza dos pcsos das moedas, alterna- 
ti vas que solTrcram os pre?os dos metaes prcciosos nos mercados e no proprio dinhciro, e nas varian- 
tcs das medidas de capacidade por onde gcralmcnte se vendiam os generos, nào so nos divcrsos conce- 
ihos, mas atc na mesma povoaQào. Convencido da fatta de habilitacào para arcar com traballio de tal or- 
dem, cscrcvcrci o quo pudcr, e atràs vira quem melhor farà. 



X 

Notei tambem ieves equivocos, que nao escapar3o à perspicacia de v. e que de 
cerio serao ulteriormente corrigidos. Nao me iembra quem disse que a primeira 
edigao de um livro nao passava de urna copia em limpo. V. , por exemplo, attri- 
bue a amoedagao dos quadrati mouriscos aos almohades nos fins do seculo xi. 
É obvio que ou eiles se cunharam sob o dominio dos almoravides, ou so apparece- 
ram no seculo xii. 

Direi em breves palavras o que sinto. V. fez um livro serio. Sao estes livros 
que grangeiam para Portugal um logar modesto, comò cabe a urna na^ao pequena, 
mas sempre honroso, no gremio das nacoes, que pelos trabalhos da intelligencia es- 
t3o à frente da civilisagao. 

Disponha v. da sincera vontade de quem é 

DeV. 



A, Herctdano. 



PARECER LIDO NA REAL ACABEMIA DE HISTORIA DE MADRID PELO ACADEMICO DE MIRO 

Sr, don FERNANDO CORRADI 



Nuestra Real Academia de la Historia recibió con mucho aprecio, segun mani- 
feste a V. S. en comunicacion de veinte y tres de Octubre ùltimo, el ejemplar que 
V. S. remitió en quatro de dicho mes, del tomo primero de su obra titulada — 
Descripfào gercU e historica das moedas cunhadas em nome dos reis, regentes e go- 
vernadores de Portugal, y al reiterar ahora las gracias à V. S. por està muestra de 
afecto bacia una Corporacion que tiene la honra de contarle en el nùmero de sus 
socios correspondientes, no puede menos de felicitarle por el desempeno de su tra- 
bajo y estimularle al proprio tiempo à que prosiga con igual diligencia el curso de 
sus importantes investigaciojies ; habiendo acordado ademas que se remita a V. S., 
comò lo ejecuto, para su satisfaccion, una copia del informe que el Exc."^ Senor 
Don Fernando Corradi, Individuo de nùmero, ha dado acerca del libro, y que ha 
oido la Academia con el mayor agrado. Dios guarde à V. S. muchos anos. Madrid 
veinte y siete de diciembre de mil ochocientos sdenta y siete. =E1 secretano Pedro 
Sa6aw.= Senor Don Augusto Carlos Teixeira de Aragao, correspondiente de la Real 
Academia de la Historia. 



V 

r 

Sello (la Real Academia de la Historia. — Para evacuar con el mejor acierto po- 
sible el informe iluslrativo que la Academia se ha servido encomendarme, he leido 
y examinado delenidamente la obra titulada Descripcion general é histórica de las 
monedas acuUadas en nombre de los Reys, Regentes y gobemadores de Portugalj 
escrìta y dedlcada a S. M. el Rey Don Luis I, por el senor Don Augusto Carlos 
Teixeira de Aragao, director del gabinele numismatico de Lisboa y miembro de va- 
rias sociedades cientificas y literarias. Y si se ha de'juzgar por el contenido del pri- 
raer tomo, que es objeto de este informe, la obra ha de aumentar, a no dudarlo, 
la justa reputacion, de que goza su autor, y ser una precìosa coleccion de datos 
biogràficos, cronológicos y numismàticos para la historia de Portugal. 

El senor Teixeira de Aragao se ha propuesto dividir su trabajo en tres partes, 
cada una de las cuales abraza un periodo de la historia de su patria. 

Contiene la primera las monedas conocidas desde la fundacion de la Monarquia 
liasta el fin del reinado de los Felipes, comprendiendose por consiguiente las dinas- 
tias alfonsinas, asi comò la Regencia y el gobierno de los Reyes de Castilla en 
Portugal. 

En la segunda se trata de las monedas, desde la proclamacion de Don Juan IV 
de Braganza hasta la època presente. 

La tercera se refiere a las monedas acunadas por las colonias portuguesas é islas 
adyacentes, Indias, Brasil y Africa. 

Cada una de estas partes formarà un tomo con documentos comprovativos y sus 
correspondientes grabados. 

Acompanan à las monedas de cada reinado, un bosquejo histórico, con noticia 
de los monetarios de caracter oficial e colecciones particulares que en ellos se for- 
maroD. 

Taoibien el autor ha querido publicar un catàlogo completo de las casas de mo- 
neda que boy existen en aquel Reino y troqueles de que tiene conocimiento, ba- 
ciando mencion tanto de los colectores que cuenta su paiz desde el siglo xvii, comò 
de los autores nacionales y estranjeros que escribieron sobre monedas portuguesas. 

Basta este ligerisimo bosquejo para que la Academia comprenda que la obra del 
senor Teixeira de Aragao, sobre tener una verdadera importancia para la numismà- 
tica por los curiosos documentos y la copia esmerada de las monedas que contiene, 
està concebida y redactada con metodo, orden, claridad é inteligencia, cualidades 
poco comunes en los tiempos que corren. 

Su lectura y exàmen demuestran que pertenece al nùmero de aquellas pocas 
producciones, en que Qompiten el buen criterio para escoger y clasificar con la pa- 
ciencia y perseverancia que conducen à superar las dificultades. La aridez de la 



XII 

materia no ha sìdo motivo bastante para desalentar a] autor en sos eniditas ioves- 
tigaciones. Con el finne proposito de salir alroso de sa empeno, ha interrogado las 
edades pasadas^ recorrìdo los archivos, desentranado el valor t la procedencia de las 
monedas portagaesas, algunas de las cuales parecian olvidadas, y puesto de mani- 
fiesto su verdadera significacion. 

La numismàtica es un ramo del saber humano que no solo sirve, comò declara 
el seiior Teixeira de Aragao, de poderoso auxilio para el estudio de la historia y la 
mejor apreciacion de los sucesos, sino que marca y pone de relieve las varias fechas 
en que se alteraron de un modo sensible las relaciones entre los subditos de un Es- 
tado y los depositarios de la Suprema autoridad. Por la forma de las monedas, por 
el busto ó la efigie que en ellas aparece, por los signos particulares que distingueD 
a unas de otras, por la inscripcion, en fin que llevan, puede formarse una idea 
exacta de los grados de cultura de los pueblos a que pertenecen, de los progresos 
de su civilizacìon, del caracter de su gobiemo y de la indole de sus transacciones 
mercantiles. Como signo de cambio y espresion de la autoridad constituìda, hablan 
à los ojos y serialan las varias transformaciones va politicas, ya económicas, ya so- 
ciales, que han ido esperimentando los Estados en el transcurso de los tiempos. 
Desde los retazos de madera ó de hierro, que sucedieron al cambio reciproco de 
productos en las edades prìmitivas, basta las monedas de oro y piata, acufiadas du- 
rante las épocas de grandeza y prosperidad de los Imperios y naciones que han ejcr- 
cido un influjo decisivo sobre los destinos del mundo, media una distancia que es- 
plica los adelantos sucesivos de la humanidad en su peregrinacion sobre la tierra. 
Los cambios de gobiemo é instiluciones, la substitucion de unas dinastias por otras, 
la dominacion de los poderes de conquista, todo se halla significado en la coleccìon 
de las monedas, que conslituyen el estudio de la numismàtica. 

Fundado, sin duda, en estos principios no ha vacilado el autor en hacer un bos- 
qnejo histórico de cada uno de los reinados à que pertenecen las respectivas mone- 
das de que se ocupa, citando las diferentes leyes monetarias que les dieron forma y 
valor, asi corno tarabien las casas de moneda que fueron sucesivamente establc- 
ciéndose segun las necesidades pùblicas, y el mayor ó menor aumento de poblacion. 

Como era naturai reconoce el senor Teixeira de Aragao que la invasion de los 
Cartagineses, Roraanos, Visigodos y Sarracenos, influyó poderosamente en la exis- 
tencia del pueblo lusitano, por cuyo motivo la legislacion monetaria de ese pais 
paso por las diferentes fases que aquellos conquistadores imprimieron en sus insti- 
tuciones. Unas veces separados, otras reunidos a los espanoles por los vinculos de 
unos mismos intereses y de una comun religion, los portugueses tuvioron en el si- 
glo xn por sistema monetario el que eslablecia el titulo iv del Fuero Juzgo, Codex 



Xill 

legum VisigiHhùrum, y mas tarde el que prevaleció en nuestro territorio, despues de 
la incorporacion de Portugal à la corona de Espana bajo el reinado de Felipe n. 

Es tal la mancomunidad de creencias, costumbres y vicisitudes entre ambos pai- 
ses, por su origen, por su vecindad, por las fraternales relaciones que los han unido 
en dias de prueba y peligro, que el estudio de las monedas de cualquiera de ellos, 
no puede menos de ser en extremo ùtil é interesante para el otro, derramando mu- 
cha luz sobre el horizonte de su comun história. De aqui que la obra de que se 
Irata sea un libro de consulta, que habrà de merecer una gran aceptacion por parte 
de cuantos cultiven en nuestra patria este ramo del saber humano, y busquen en la 
numismàtica una clave de suma importancia para la mejor inteligencia de la histó- 
ria. =F(priMiwdo Corradi=Es copia. =, Sabati. 



PIRECER Di SECdìO DE HISTORIA E ARCHEOLOGIA DA ACADEMU REAL DAS SCMCUS DE LISBOA 

APPROVADO EM SESSÌO DE 28 DE ODTDBRO DE 1876, 
PELOS Srs. I. DE yHlM BARBOSA, THOMAZ RIBEIRO, LDIZ GARRIDO, E R. A. DE BDLHiO PAIO 

Senhores: — No concurso aberto para o preenchimento do logar vago na secfSo 
de História e Archeologia, unicamente se inscreveu o sr. Augusto Carlos Teixeira 
de Aragao, apresentando corno titulos da sua candidatura as seguintes obras : Rela- 
torio (enviado ao governo) sobre o cemiterio romano descoberto proximo da cidade 
de Tavira, em maio de 1868 (opusculo de 20 paginas m-8.^ com o desenho dos 
objectos achados nas sepulturas); Description des monnaies, médailles et atUres ob- 
jets d'art concernant Vhistoire portugaise du travati (opusculo de 170 paginas «n-8."), 
com 5 estampas de moedas raras porluguezas, publicado em Paris para o Catalogo 
geral da exposigào universal de Paris em 1867); D. Vasco da Gama e a villa daVi- 
digueiros bosquejo historico (opusculo de 47 paginas tw-8.®); Descripfào historica 
das moedas romanas existentes no gabinete numismatico de Stia Magestade o Se- 
nhor Dom Luiz /(um volume de 640 paginas i>i-4.°); Descripfào geral e historica 
das moedas cunliadas em Portugal e seus dominios (tomo 1 ." de 462 paginas de 
4.^ com 29 estampas de moedas). 

£ està ultima obra que eu proponho ao jury comò um trabalho digno de ser 
recompensado com a admissao do auctor n'esta Real Academia. 

Consta de tres partes ou volumes. No primeiro, jà publicado, descrevem-se as 
moedas desde a fundagao da monarchia até ao fim do dominio dos Filippes. No se- 
gando, jà impresso, incluem-se as moedas cunhadas desde a acc]amaQ3o de D. Joao IV 
ale ao presente. No terceiro comprehendem-se as das nossas colonias, abrangendo 
as que se lavraram para as ilhas adjacentes. India, Brasil e Africa. 



XIV 

Cada reinado é precedido de um bo^quejo historico, seguindo-se-lhe a descri- 
pcao dos lypos de cada moeda, desenhados pelo auclor i vista dos proprios origi- 
naes, com a indìcaoao dos monetarìos publicos e particulares onde as examinou, e 
a citagao das leis monetarias que se Ihes referem. 

Abre o primeiro volume por um largo estudo preliminar, que occupa 108 pa- 
ginas, onde o auctor disserta com exuberancia de argumentos, auctoridades e di- 
plomas, àcerca do morabitino, moeda sobre cuja origem, peso e equivalentes ainda 
agora andam desavindos os numismographos peninsulares. 

À este exame segue-se o dos pesos e medidas antigas de Portugal, consultando 
consciencioso archeologo quanto o podia elucidar sobre ponto tao obscuro da nossa 
hisloria economica, percorrendo os foraes, os contratos, os capitulos de cortes, 
em grande parte inéditos, e toda a legislagao dos primeiros tempos da monarchia, 
que tudo cita com escrupulosa individua^ao. 

A historia das casas de moeda que tem havido em Portugal e seus dominios, e 
a bibliographia dos auctores nacionaes que escreveram sobre moedas, e dos estran- 
geiros que se léem occupado da numaria portugueza; assim comò a resenha dos 
monetarios publicos e particulares que ha no reino; todas estas seccoes do estudo 
preliminar contéem noticias e averiguagoes inteiramente novas, e patenteiam o ge- 
nio investigador, a persistente e incansavel applicagao de muitos annos, dentro e 
fora do reino, ao estudo das antiguidades nacionaes, dotes hoje mui raros entre nós, 
ainda mal t, que o auctor possue em subido grau, e pelos quaes conseguiu publicar 
urna obra que se avantaja a todas quantas até agora se liaviam escripto sobre a nu- 
mismatica portugueza. 

Depois dos estudos preliminares, comega a descripcao das moedas desde D. Af- 
fonso Henriques até Filippe III, declarando o auctor que a fizera à vista dos exem- 
plares que examinou, pertencentes aos monetarios publicos, ao de Sua Magestade 
El-Rei, mais rico de todos em moedas nacionaes, e aos de muitos colleccionadores, 
cujos nomes menciona com agradecimento. 

Para comprovar as suas asserfoes a respeito dos typos, legendas, peso e valor 
do dinheiro nos differentes reinados das duas primeiras dynastias, junta o auctor 97 
documentos em grande parte inéditos, transcriptos do archivo nacional da Torre do 
lombo, do cartorio da casa da moeda, do archivo da camara municipal de Lislx)a, 
da bibliotheca nacional e da cxAìec^m de cortes, inedito pertencente a està Heal 
Academia. 

Suscitou sobretudo a nossa alten^ao e exame o nolavel capitulo sobre o mora- 
bitino alphonsi, inedito ha pouco descoberto. 

Era corrente entre os nossos antiquarios e historiadores, que a moeda de oiro 



XV 

em Porlugal so havia comecaJo a bater-se no reinado de D. Sancho I, e o proprio 
sr. Teixeira de Aragao na resenha das moedas portuguezas, que imprimiu em Paris 
para o Catalogo geral da exposifào universal d'aquella cidade em 1867, nao se 
abalangou a contestar abertamente està opiniao. Agora porém, a vista do exemplar do 
aureo morabitino alfonsi, que adquiriu o capitalista do Porto Eduardo Luiz Ferreira 
. Carmo, o sr. Aragao assegura que està moeda de oiro, cunhada em Braga, pertence 
inquestionavelmente ao reinado de D. Alfonso Henriques. Para abonar a sua afllrma- 
tiva adduz a citagao de muitos foraes, costumes e posturas coevas, e a confrontafao 
dos typos das moedas lavradas n'aquella epocha em Castella e Franga. 

nao terem as moedas d'aquelle tempo o numero ordinai do soberano, em cujo 
reinado foram cunhadas, e haver mais de um rei do mesmo nome, e todas sem data, 
molivou a duvida em que téem permanecido os nossos numismologos. 

Apesar da erudita dissertagao do candidato, alguem se nao darà ainda por con- 
vencido, o que nao infirma o louvor de ser elle o primeiro que montou o cabo tor- 
mentorio dos nossos descobridores numarios. 

Tinhamos apenas tres escriptores principaes de numismatica: M. Severim de 
Faria, D. Antonio Gaetano de Sousa e o nosso fallecido consocio M. B. Lopes Fer- 
nandes; o candidato refundin e ampliou largamente, corrigindo estas outr'ora prestan- 
tes publicagoes, e conseguiu com os subsidios da sciencia moderna e com o proprio 
estudo de longos annos, escrever a Historia monetaria de PortugaU decifrando, des- 
crevendo e documentando, com perspicuidade e atilada critica, os mais raros typos 
da nossa antiga moeda que nenhum outro tinha alcanfado descobrir ou interpretar. 

Tal é a obra pela qual julgo o candidato merecedor de ser admittido no gremio 
d'està Academia, corno socio effectivo da 2.' Qasse, a cujo logar foi o imico con- 
corrente. 

Lisboa, 12 de outubro de I876.=0 relator, A. da Silva Tullio. 

Està conforme. Seci^etaria da Academia Real das Sciencias de Lisboa, 6 de fe- 
vereìro de 1877. = officiai da secretaria, Ramalho Ortigào. 



A 2.' Classe da Academia Real das Sciencias na sessao de 21 de dezembro 
de 1876 elegeu-me por unanimidade socio effectivo; honra multo superior ao que 
raereco, e que me constiluiu em eterna divida de gratidao para com tao respeitavel 
gremio scientifico. :^^^. C. Teixeira de Aragao. 



DINASTIA DE BRAGANCA 



Durante os sesseitta annos do dominio hespanhol, o gabiaete de Madrid so tratou de re- 
duzir Portugal às condigdes de provincia : a titulo de impoetos de guerra esgotava-lbe os co- 
fres, recrutava-Ihe para fora da paiz os homens mais robustos» levava-lbe os melbores navios, 
e dcixava cm abandono as suas importantes coionias. Està politica mesquinba, junta a outros 
crros de validos e soberanos» conjurou as antipatbias das nagòes europeas, e promovendo 
extcroìinio da famosa monarchia de D. ÀSònso Henriques, fez resvalar em rapida de- 
cadencia o grande imperio de Cark)s V. 

Oé privilegios concedidos por Filippo li em 1581 nas cortes de Tbomar, que davam ao 
reino urna sombra de autonomia, eram por ultimo lei morta, e os queixumes dos portugue- 
zes apeoas acèavam cebo, por iguacs sofErimentos, cm Napoles, Catalunha, Àragào e Va- 
lencia. 

Os tumulto» populares na cidade de Rvora em 16dS foram ppccursores da grande luta que 
Portugal, tao aviltado pelo despotismo dos dominadorcs, preparava para recuperar a sua li- 
berdade. 

Os ministros de Pilippe IV nao cstavam sem rcceios ; o grande poder do duque de Bra- 
gan(;a iiiquietava-os,. e a pretesto de prevenir uma supposta iavasuo de tropas francezas nos 
portos de Portugal o nomearam, a 26 de Janeiro de 1638, govcmador geral das armas, cha* 
mando-o pouco depoìs para juQto do monarcba bespanhol, a6m de ajudar a reprimìr os cata- 
làes revoltados. 

D*esta e d'outras difiBculdades se soubc tirar D. Joào de Bnrganga com a sua irrcsolugào; 
e mostrando-se mesmo indiffereatc aos acontccimentos polilicos, conseguiu adormecer as sus- 
peitas do conde-duque de Olivarcs. 

N'essa epocha o cardeal Richelieu, por iatcrmedio de Saint-Pé, mandou ofFerecer ao du- 

TOMO u i 



2 

quc soccorro, por parie da Franga, de 50 navios, 12:000 iiifaiites t* 1:000 cavallos para os 
portuguczes quebrarcm o jugo castelhaoo. 

clero e a nobrcza, quo em 1580 tanto se deixaram seduzir |)elas mercés e oiro de Fi- 
lippe II, havìam legado aos dcscendentes os tcrriveis fructos das suas illusdos ; tornaDdo-se 
OS mais insoffridos para lìbertar a patria, reuniram-sc prìmeiro eui casa de Jorge de Mello, 
no sitio de Xabregas, e crescendo o numero de conjurados, transferi raofi os concih'abulos para 
casa de D. Antào de Almada. Ahi foram tambem, levados pelo padre Nicolau da Maia e pelo 
inquisidor dr. Estevam da Cunha, alguns juizes do povo, seus escrivàes, oificiaes da Casa 
dos vìnte e quatro e outros populares. 

Nao podemos convir que os nobres fossem os principaes instigadores da restauragào; os 
acontecimentos de Cvora e do Algarve tres annos antes, em que aquelies povos se acharam 
desamparados de chefes, provam o contrario, e que Ihes servlu aterrivelligàopara depois se 
acautelarem, exigindo na dianteira os bomens mais qualiflcados. Os nossos bistoriadores 
n*esta parte nUo sào tao explicitos comò a justiga pedia . . . 

Entrc OS nobres que promoviam a emancipagào do reino avultavam D. Miguel de Almei- 
da, monteìro mór Fedro de Mendonga, Antonio de Saldanba, Jorge de Mello, D. Antào de 
Almada, Joào Finto Hibeiro e outros, que nào cessavam de instar o duque de Braganga para 
que acceitasse a coróa; mas D. Joào rccebia a offerta com a maior reserva, e sempre prazen- 
teiro mudava de conversa com tal indifferenga que às vezes parecia urna recusa. Os mais im- 
pacientes lembraram-se de o substituir por seu irmào D. Duarte, e caso este nào acceitasse, 
formarem uma republica comò a hollandeza. 

duque nào tinba a irresolugào que mostrava; acautelado em extremo procurava coni 
artificios illudir a vigilancia dos partidarios da casa d'Austria, esperando que diminuisse o 
numero dos ìndecisoSi e que o clero, a nobreza e o povo se pronuncìassem abertamcute a seu 
favor, nào querendo, sem as maiores probabilidades de ganbar, arriscar a cabega ao cada- 
falso, comò Gzera D. Antonio. 

Em comegos do anno de 1640 os vexames em nome do governo de Madrid tocaram o ex- 
tremo, esgotando a paciencia aos mais timidos, que por sua vez comegaram a manifestar os 
seus odios contra os oppressores. Aproveitando-se o cnsejc, enviaram-se emissarios a Villa 
Vigosa, e D. JoQo, conbecedor das difficuldades com que lutava o governo de Filippe IV, pro- 
nunciou-se abertamenle. D. Luiza de Gusmào, aindaque bespanbola, ambicionava arealeza, 
e as suas instancias muito contribuiram para resolver o marido a entrar na revolugiio. 

IdentiRcados os interesses e as vontadcs, os cbefes da conspiragào activaram os esforgos 
para o bom resultado da empreza. 

Gorriam as cousas o meihor possi vel, mas nào tao discretas que as denuncias nào che- 
gassem à duqueza de Mantua ^; prevenindo-se o secretarlo de estado, Miguel de Vasconcel- 
los, que mandou vigiar as pessoas indicadas corno suspeitas. Estas prevengóes, que os con- 
federados tambem nào ignoravam, mostravam que qualquer demora podia trazer funestas 
consequencias e mesmo fazer abortar o plano. 

Houve ainda hesitagoes que ameagaram transtornar tudo, mas o bom senso e o patrio- 
tismo de Joào Finto Ribeiro removeu as duvidas e rcfez o animo de alguns. segredo, fazen- 

' D. Margarida de Sabota, vi uva de Francisco Gonzaga, duqoe de Mantua. 



3 

(io-se poblico, lornava o perigo imminente: dislribuirani-se aos principaes coDJurados os seus 
logares, aprazou-se bora aos amigos e parcntes, e o primeiro de dezembro foi definitiva- 
mente marcado para a revolugào. 

dia alvoreceu puro, corno pura era a empreza de remir o reino do despotismo de Cas- 
tella. Achavam-se todos a postos; ao bater das nove horas, disparon-se corno signal um tiro 
de pistola, e saltando os chefes para fora dos seus coches, pozeram-se à fronte de varios gru- 
pos que 08 aguardavam, e ìnvadiram o pago. Vencidas as prìmeiras resistencias com o des- 
armamento das guardas, o velho D. Miguel de Almeida chegando a urna varanda do paiacio, 
desenrolou o estandarte naciooal, dando vivas à liberdade e a D. Joào IV rei de Portugal, 
grito que o povo na praga secundou com grande enthusiasmo. 

A esse tempo era morto em um dos corredores o corregedor Francisco Soares de Alber- 
garìa, que alarmava com os vivas a Pilippe IV. Miguel de Vasconcellos foi encontrado envolto 
cm papeis, dentro de um armario, onde se havia refugiado ao ouvir o tumulto; dispara- 
ram-lhe alguns tiros, e cahindo prostrado por duas balas, que Ibe atravessaram o pescoso, o 
arremessaram por uma janella para a praga. Abi o povo o fez em pedagos, cevando no 
corpo odios velhos, e ninguem se espantou da crueidade; tao grandes cram os crìmes de 
lesa-na^^o que o miscravel bavia commettido. Os seus fragmentos fìcaram abandonados 
nas ruas até ao dia seguinte em que, depois de reunidos no esquifc da Misericordia, foram 
sepultados. 

Com a princeza Margarida bouveram-se corte^ mas energicamente, obrigando-a a reco- 
Iher-se aos seus aposentos, onde Gcou vigiada até ir para os antigos pagos de Xabregas, e 
mais tarde para o mosteiro de Santos. 

arcebispo de Lisboa, D. Rodrigo da Cunba, à frente do seu clero encaminbou-se & casa 
da camara e d'ahi para o terreiro do Pago, seguido de immensa multiddo, a quem reanimava 
com a sua eloquente palavra no santo fervor da independencia. 

Até à chegada de D. Joào IV foi nomeado um governo provisorio, sendo eleitos os arce- 
bispos de Braga e de Lisboa, e o inquìsidor geral D. Francisco de Castro; mas insistindo csle 
na escusa, substituiu-o D. Lourengo de Lima. 

As guarnig5es do castello de S. Jorge, da Torre de Belem, da Cabega Secca (Bugio), de 
Santo Antonio, do castello de Almada e da Torre Velba, à oi*dem escripta da duqueza de 
Mantua renderam-se, mais aterradas que obedientes à princeza. Aos presos que abi se con- 
servavam deu-sc logo a liberdade. 

Uma outra faganba, que prova o maior arrojo, foi Joào llodrigues de Sa e D. Joào da 
Costa cm urna pequena gale irem intimar os trcs galedes bespanboes, ancorados no rio, a 
cntregarem-se, o que fi^seram tomados tambem de grande panico; e boras depois fluctuava 
n'elles a bandeira das quinas em vez dos leOes de Castella. 

As provincias nào tardaram em se reunir à revolugào da capital. 
As temerìdades e os triumphos tornaram inermes os partidarios de Filippo IV. Aquelle 
heroes foram sublimes de bravura ; alguns remiram com os feitos graves accusagOes que escu- 
recìam com mancba vcnal a memoria dos seus antepassados. duque de Braganga identifì- 
caodo-se nos perigos e nos interesses com a liberdade, firmou com acerto n'esta allianga a 
djnastia. 

A restauragào era um facto consummado, restava consolidal-a e crear os meios de resistir 



à Hespanha. A forga nem sempre resolve todos os problemas sociaes; acima do poder bruto 
està muitas vezcs a santidade da causa. 

goverao bespanhol, sacriGcaado ^-um vaidoso orgulbo a sua seguranga, compromet- 
teu-se em coaflictos que Ibe consumiram o oìro e o sangue dos seus concìdadàos. Às ìnjus- 
tigas e tyrannias com que flagellava os estados que Ibe estavam annexos, os fez revoltar; e Pi- 
lippe IV com a sua inepta iodifferenga feria e deixava ferir as susceptibilidades de um povo 
bellicoso, preparando assim os acontecimentos do dia 1/ de dezembro de 1640^ que eleva- 
ram ao tbrono portuguez o ottavo duque.de Braganga, D. JoSo, que ficou sendo o IV rei 
d'este nome. 

A fusào das duas nagóes, Portugal e Hespanba, em uma so tornou-sc desde entào difficii 
de acreditar para quem conbece a dififerenga da sua indole e tendcncias. Se a raia geogra- 
phica as confundc as nacionalidades sdo irreconciliaveis. 



D. JOÀO IV (o restaurador) 



(De t de dezcnibro de 1G40 a 6 de riovcmbro de I65C) 

D. Joao, bisDclo de D. Duarlc, diiquc de Guiniar3es, nono Glho do segando malrimonìo 
de el-rei D, Hanuei, nasceu em Villa Vigosa a 18 de marso de 1604, sondo o primogenito do 
duque de Braganga D. Thcodoslo II e de sua mulber D. Anna de Vclasco, pelo quc foì du- 
que de Barcollos e succedvu a seu pae Da casa e ducado de Bragan^a a 29 de novembre de 
1630. Casou com D. Luiza de Gusmiìo, Glba do duque de Mediuu Sidonia, recebendo aiem 
de avultado dolc muitas honras o mercés de Filìppe 111, effecluando-sc o casametilo em Elvas, 
com grande pompa, a 12 de Janeiro de 1633, contando a duqueza apenas vinte annos'. Es- 
colhido polo seu nascimenlo para occupar o Ibrouo portuguez, hi acclamado rei pelo clero, 
nobreza e povo, a 1 de deiembro de 1640, na cidade de Lialioa, onde entrou muilo vieto- 
rìado Eeis dias depois, e teve logar a sua coroa^ao com todaa as solemnidades a 15 do mesmo 
Dicz, fazendo e Icndo o auto do juramenlo o descmbargador dos aggravos, o dr. Francisco 
de Andrade Lcìlao *, 



< Manuel de Gallogos, para solemnisar esle consarcio, cscrevcu o seu poema Tempio da 
im[H«sso em Lisboa no anno de 1G3S. 

■ Està ora^o fot impressa em Lisboa na officina de Antonio Alvares no anno de 1G4I. Francisco 
de Andrade Leitao foi donlor em diretto clvil pela Univcrsidadc de Coimbra e dcsembargador do PafO. 
Kascen nos Bns do secalo ivi no lugar de Condeixa e morreu em Lisboa a 17 de marco de 1G55. 
D. JOBO IV conflavB multo no seu saber e pmdencia, nomcando-o seu ministro pieni polcnclarìo a va- 
lios estados, onde se houve com extrema Daura diplomatica, mcrecendo louvores e sympatbias. Na 
HoUanda olTereceram-lbe. a segulnle raedalha, da qual coatiecenios so o esemplar em prata da coUec- 
;so de Sna Magestade El-Itei o Senbor D. Luìz, e por aos nao constar que esteja publicada, aqui a cs- 
tatnpamos: 

FRANC . DE ANDRADA LEIT . R . PORTVG . CONS . ADTR . PAC . LEG 
PLEN o EXTR. Busto barbado, vcstido com annadura, à direita; ao peito o babito de Cbristo pen- 
dente. So córte do braco està um V e por balio C « PR « S o C o M. 

i; MELIOR EST TVTA PAX QVAM SPERATA VICTORIA. Escudo bipartido com 
as annas dos Andrades e Leitòcs, em cima um capacele entre variada ornamentagao, tendo por Umbre 
doas scrpes enlacadas. 




Deixon manuscripto: Obwvagòei de Francisco de Andrade leilào, Ires tomos Col. e hmbaixada 
di Francùeo de Andrade Leilào em dois tomos fol.; cstcs uUlmos, quc llvcmos occasiào de ver na li- 
Traria da Ajuda, conléem as suas correspondcncJas Irocadas com varìas aucloridades desde o comedo 



6 

N'aquelies dìas por loda a parte soavara mnsicas, h noìte illuminavam-se os edifìcios, os 
campanarios repìcavam incessantemente^ e dos templos saiani as procissdes, solemnisaDdo 
com devota pompa, conforme o espirito da epocha, a inauguragào do novo reinado. Mas 
D. JoàoIV nao se deixava embalar com fcstas; conbecedor das difficuldades que o apertavam, 
tratou de organisar o governo com a prudencia que o Caracterisava, e se na escolha dos ho- 
mcns attendeu algumas vezcs mais aos compromissos que à propria capacidade, os factos 
provaram posteriormente que quasi todos se tornaram dignos da confianga do monarcha. 
Preparando a defeza do reino, aproveitou a experiencia e conhecimentos na tactica militar 
que tinham Mathias de Albuquerque e os condes da Torre e Castello Melhor, a quem incum- 
biu a repara^ào das pragas e o adeslrameuto dos novos tergos. 

Nas cortes reunidas em 28 de Janeiro, foi D. Jodo IV jurado pelos tres estados rei de 
Portugal, e successor à coróa o seu fìlho primogenito D. Theodosio. novo monarcba des- 
pacliou logo em seguida embaixadores para Franga, loglaterra, Suecia, Hollanda, Dinamarca 
e Roma, solicitando d*estas potencias soccorros contra a Hespanha. Excepto a Dinamarca, 
que se conservou neulral, e a curia de Urbano Vili, que, por suggestoes do raarqucz de Vcl- 
Ics, se ncgou a receber o bispo de Vizeu^ D. Miguel de Portugal, todas as mais nagoes o re- 
conheceram, enviando tropas, navios e munigóes de guerra de que tanto se carecia. 

A fortuna sorria t causa da independencia; as ìlhas, as nossas possessOes da Africa, Asia 
e America, que estavam pelo governo de Hespanha, reconheceram successivamente o duque 
de Braganga comò soberano legitimo. 

Muitos portuguezes, que se achavam fora do paiz, alguns nas terras do dominio caste- 
ibano, dcsprezando interesses e perigos da propria vida, alentados pelo fogo sagrado do amor 
patrio, vieram defender a independencia nacional. 

Tao nobre exemplo nào o pòde seguir o infante D. Duarte, irmào de D. Joào IV i. 

do seculo xvii, incluiiido alguos sobsidios importantes para a historia d'aqnella epocha. l.« tom. é de 
523 folhas e o 2.^ de 380, numeradas so pela frente, sendo contadas as brancas, e dispostos os docu- 
mentos sem ordem chronologica nem de assumptos. Nas lombadas de pergaminho téem escrìpto; 
L.o DA EMBAXADA, E MINISTRARIA DE FRAN.co DE AND de LEITAÒ— Consta que 
estes manuscriptos foram comprados à casa do conde de Redondo no tempo de el-rei D. José para 
a lìvraria real, onde nào podémos cncontrar os tres tomos das Observofdes.. 

' Do que se passera em Portugal houve demora, descaminho ou ma direc^ào no aviso envìado ao 
infante, que servìa com boa fama na guerra da Allemanba a favor do imperador Fernando \U, e està 
fataiidade deu tempo a antecipar-se o conde-duque de OHvares, mandando secretas instnicgdes ao mi- 
nistro de FiUppe IV em Vienna d'Austria, para a todo o transc obter ahi a deten^io de D. Duarte. Acba- 
va-se entào n'aquella córte, corno embaixador de Castella, D. Francisco de Me Ilo, ainda parente da casa 
de BraganQa, portuguez degenerado, que na mira da honra e proventos que Ihe podiam resultar, se 
realisasse o empenbo do valido, se houve com o maior zòio diplomatico, e valendo-se de um misera- 
Ycl frade, confessor da impcratriz, conseguiu que està mulher induzisse o marido a quebrar as leis 
da hospitalidade, ordenando a prisào do infante, que se effectuou a 15 de junho de 1642. 

A serie de factos que d'està data em diante se praticaram com o infante D. Duarte sào de uma dcs- 
lealdade incrìvel. Fernando III, por qucm clic liavia combatido oito annos arrLscando a vida, depois de 
trazer illudido com promessas de libcrdade,. vendeu-o aos seus inimigos por 40:000 rixdalcrs (appro- 
ximadamente 40:000 cruzados) ; fazendo de Judas, arrastou a purpura pelo lodagal do interesse. 

Os hespanhoes, conlieccndo o bom negocio que haviam feito, levaram a presa bem escoltada para 
Milào, e encarcerando-a no castello, instauraram-lhe uma especle de processo com o supposto crime 
de lesa-magestade! A venda, patenteando a sordida cubica do vendedor, denunciou tambem os vis prò- 
jectos do comprador; a Austria fez coro na indignagao com o resto da Europa, e a Franca, cstimulada 
por nobres sentimentos humanitarios, cmpregou activas diligencias para libertar o infante. Baldados 
esforgos! Filippe IV, nào podendo vingar-se nos que Ihebaviam tirado das garras o reino de Portugal, 
martyrisou com cobarde despotismo aquclla innocente victima até faileccr em 3 de setembro de 1G49, 
com quarenta e quatro annos de idadc, pois havia nascido em Villa Vinosa a 30 de margo de 1605. 

Ha dias recebemos do sr. conselheiro José Silvestre Ribeiro a dclicada oITerta de um exemplar 
do seu precioso Esbopo fiislorico de D. Duarte de Draganga^ irmào de d-rei D. Joào IV, onde, com 
a erudigào do illustrado escrìptor, se acham coordcnados os factos da vida de tao desditoso comò sym- 
patliico principe. Entro tìwXvns mui fiirio.<as noticias sào ahi narradas a.s duvidas quo liveram os car- 



Entrctanto as opiniòes nào se ligavam lodae, como.eru preciso cm crisc tao mclindrosa ; 
conde-duque deOlivarcs, minando pela intriga a nova córte, conseguiu semear o desanimo 
e arranjar scrios elemcntos (lara urna contra-revolugao quc planeàra. Alguns nobres deserta- 
rain para Castella e pouco depois seguiu-sc a conspiragào, que teve por niotor principai o ar- 
cebispo de Braga D. Sebasliào de Maltos de Noronba. Dcscobcrto o trama, foram prcsos os 
coojurados, quc confessaram o crime, pcdindo perdào ao rei ; seguiu-se o juJgamento, e o tri- 
bunal condemnou à morte o marquez de Villa Real, seu filho o duque de Caminha, o condu 
de Àrmamar Ruy de Hattos de Noronba, e D. Agostinho Manuel de Vasconcellos. Estes qua- 
tro fidalgos subiram ao patibulo, sem mostras de terror, na praga do Rocio em 29 de agosto 
de 1641 , pela urna bora da tarde, sendo decapitados com as honras dcvidas às suas diversas 
precminencias, eslando a cadeira em que se sentou o duque de Caminba sobrc trcs degraus, 
a do marquez em dois, a do conde em um u a de D. Agostinho no pavimento. As massas 
popuiares apinbadas em roda do cadafalso bradaram durante a execugdo vivas a D. Joào IV. 

A raesma bora os plebeus Fedro Baega, Diego de Brito Nabo, Manuel Valente e Belcbior 
Correla da Franga soffriam o supplicio infamante na forca, e igual sorte tìveram cm frente 
da cadeia do Limoeiro, a 9 de setembro seguinte, Cbristovam Gogominho e Antonio Correla. 

arcebispo de Braga e o inquisidor geral D. Francisco de Castro, valcndo-lbe o fòro sa- 
grado, conservaram-se rcclusos na Torre de S. Jullào, onde o primeiro morrcu no mesmo 
anno de 1641, e o segundo saiu solto a 5 de fevereiro de 1643 com resti tuìgdo de todos os 
scus antigos cargos e bonras! . . . As mais pessoas, compromettidas ou suspeitas de entrarem 
na conspiragao, umas falleceram nas prisoes, e outras, provada a innocencia, foram postas 
em liberdade. 

severo castigo imposto aos traidores, e os soccorros vindos de Franga, Inglaterra e Suc- 
cia, fizeram perder a espcranga aos partidarios de Castella e fortaleceram os restauradores. 
As tropas enlretidas no comego em corrcrias pelas fronteiras, conseguiram, na batalba dada 
nos campos do Montijo a 26 de maio de 1644, debaiko das ordens de Matbias de Albuquer- 
quc, derrotar o exercìto bcspanbol, commandado pelo barào de Molinguem, que Ibe era su- 
perior cm numero. Estc feito, dando ao bravo general portuguez o titulo de conde de Ale- 
grcte, fìrmou a indcpcndencia tao patrioticamente acclamada em 1640. 

A 27 de outubro de 1645 recebeu D. Tbeodosio os titulos de principe do Brasil e duque 
de Braganga. 

Nas cortes de 1646 D. JoSo IV tomou por padroeira do rei no e scus senborios a Nossa 
Scnhora da Conceigao, na fórma dos breves de Urbano Vili ^ 

gabinete de Madrid, conbecedor das difficuldades em vencerna luta, procurou facilitar 
a solugào da causa erapregando melos traigoeiros, comò antes fizera com o prior do Crato. 
Para tao vii acgào acbou um Domingos Leitc, que se prestou a assassinar o rei de Porlugal ao 
passar acompanbando a procissao de Corpus Christi, no dia 20 de junho de 1647; mas na 
occasiào fraquejou-lbe o animo. Foi preso por denuncia, quando passados alguns mezes vol- 
tava de Madrid para novo attcntado; por sentenga sofTreu no patibulo as màos dccepadas, e 
depois de enforcado, reduzido o corpo a quarlos, que ficaram expostos ao publico cm teste- 
munho da sua infamia. 

A 15 de maio de 1653 niorreu em Lisboa o principe D. Tbeodosio, e cm outubro do 
fncsmo anno rcuniram- se as cortes para jurarem herdeiro e successor da coróa ao infante 
D. Affonso. 

cereiros sobre a legalidade do testamento do martyr, e dos cuidados que houvc na sepultura do seu 
cadaver! Diz tambem, que no anno de 1871, a pedido do governo portuguez, o ministro do reino de 
Italia manderà proceder a minuciosas invcstìgacdes na igreja do Castello de Milào para descobrir o 
caixào com as cinzas do infante, mas que foram baldadas todas as ditigencias. Provavelmcnte cstas in- 
vestigagdes tinham por firn satisfazer a vontade de D. Quarte, manifestada nas ultimas palavras quc ar- 
ticulou: Quero scr scpuUado na minlia terra. 
* DriTcto do 2 li <!(' marco de tf/iG. 



8 

Bm 20 de inarco de 1654 D. Joag IV rcjiovou o tilulo de duque de Beja em seu fllho o in- 
fante D. Pcdro, dotando-o coni os bens sequcstrados ao marqucz de Villa Real e ao duque de 
(ìaminba, inslituindo por està fórma a grande casa do infantado ^ 

D. Joào IV soiTria bavia annos de gota e de pedra; em fìns de outubro de 1656 aggrava- 
ram-se os acbaques, de luaneira quc logo fizeram receiar pela sua vida. proprio monarcha 
tambera o conheccu, tratando de concertar e approvar o seu testamento, recommeudou aos 
filbos que vivessem unidos e obedientes a sua màc, e entregou-sc depois a exercicios reli- 
giosos, até que falleceu na manbà de urna segunda feira, 6 de novembro do dito anno de 1656. 
seu cadaver foi depositado na capella mór da igreja de S. Vicente, e aclualmente acba-sc 
no jazigo da casa de Braganga, no mesrao ex-mosleiro. 

D. Luiz de Mcnezcs, que o conbeceu pessoalmente, diz^: scr de meà estalura, formoso 
de rosto antos de ter as bexigas, olhos azues, cabello loiro e a barba mais clara; corpo grosso 
e robusto; pouco amigo de galas, muito reservado, prudente e justo. Tinha prcsenga agrada- 
vel e intelligente; dava-se muito às praticas religiosas; amava a caga e a musica, cuitivando 
està còm muita distincgào '. Parco nas bebidas, abusava dos alimentos, o que bastante proju- 
dicou a sua saude. 

D. JoàoIV morreu malquislado com a inquisigao, por nao consentir no conGsco dos bens 
dos condemnados, e o seu cadaver, scgundo alguns dizem, leve de passar por varias cere- 
monias para o absolverem das censuras ecclesiaslicas. 

Os bistoriadorcs nào téem sido conformes na apreciagào dos actos dasuarealeza; impar- 
cialmente, observara-se na sua vida corno rei claros oscuros bastante pronunciados. As prin- 
cipacs accusagóes sào: a dcsconfianga que o levou a proceder contra fieis servidores, comò 
Matbias de Àlbuquerque, o marquez de Montalvào, Francisco de Omellas e oulros, julgados 
depois innocentes e restituidos aos seus cargos; a falta de generosidade havida com o infeli^ 
duque de Gaminha, tao digno de indulgencia; ^ injusta decapitagào de Francisco de Lucena^ 
seu secretario de estado; e a dùreza com que tratou o principe D. Theodosio por ir sem sua 
licenga animar as tropas que militavam no Alemtejo, devendo, pelo contrario, ser elle o pro- 
prio que devia mandar, jd que a sua extrema prudencia o afastava tanto das batalbas. 

Sào eslcs OS maiores erros e que mais escurecem a sua memoria. Vejamos com outra luz. 

A elevagào do duque de Braganga ao tbrono portuguez nào Toi tao geralmente acceita, quc 
imo bouvesse no proprio pago um grupo de descontentes, movendo a intriga, a qual durante 
OS dezeseis annos do seu rcinado foi inseparavel da córte; e justo se torna o langar na conta 
d'esses falsos palriotas um boni quinhào em tacs crueldadcs. conde da Ericeira, insuspeito 
em tudo qu'e possa diminuir a grande aptidào governativa do soberano, Ihe attenua a respon- 
snbilidadc quando diz * : Nào leve valido que o governasse, mas deixava-se governar dos mL 
nistros em quem reconhccia mais virtuosa direcgào. A D. Joào IV ninguem poderà negar certa 
Gnura politica, que mostrou em conjuncturas difficeis. A liberalidade coni que soccorreu seu 
irmào D. Duarte durante o captiveiro em Milào, e o procedimento bavido em 1650, quando 
garanliu o asylo no Tejo aos dois principes palatinos, Mauricio e Roberto, perseguidos pela 
esquadra britannica, bonram o seu caracler cavalbeiroso. Nem as ameagas do governo repu- 
blicano quc entào regia a Inglaterra, nem o parecer dos seus consclbeìros, descrevendo-Ibe 
as niolindrosas circumslancias em que se acbava o reino com a guerra de Hespanba, poderam 
demovol-o a deixar de proteger os principes, que so pela sua magnanima energia consegui- 
ram saivar-$e» 



' A casa do inrantado rei extincta em 18^ e os seus bcas encorporados na fazcnda nacional. 

' Portugal rcstaurado, tom. 1, pag. 905 da edigào de 1710. 

" Prorcria a musica sacra, de quc dcixou varias produccòcs, e publicou em ca.^^telhano: Defensa de 
la Musica, contra la errada opinion del Obispo Cyriìlo Franco, impresso em Lisboa no amio de 1649. 
4.«— (Imioceiicio da Silva.) 

* Portugal rciitaurado, tom. I, livro IO, pag. 906. 



Filhos haYidos do malrimonit 

D. Tbcodosio: nasceu cm Villa A^igosa a 8 de fevereiro de 1634, foi jurado principe de 
Porlugal em 28 de Janeiro de 1641, e a 25 de Janeiro de 1652 o nomeou seu pae generalis- 
simo das armas de todo o reino com piena e superior jurisdicgào em todas as cousas niilita- 
res. Ao passar por Extrcmoz fez o voto de mandar levantar um tempio no logar d'aquella villa 
cm que fallecéra a rainha Santa Izabel, e antes do seu passamento pediu a el-rei seu pae Ihc 
cumprisse a promessa '. Morrcu a 15 de maio de 1653, sendo o seu corpo depositado na ca- 
pella mór da igreja dos Jeronymos em Belem, onde ainda se conserva! D. Theodosio era 
inslniido, de presenta agradavel, e gosou de grandes sympathias entre a córte e o povo, quc 
denominava « Delicias de Portugal ». 

D. Anna: nasceu em Villa Vigosa a 21 de Janeiro de 1635 e falleceu horas depois. Jaz 
no còro das religiosas das Chagas da mesma villa. 

D. Joanna: nasceu era Villa Vigosa a 18 de setembro de 1636 e morreu em Lisboa a 17 de 
novembro de 1653. Foi depositada na capella mór da egreja dos Jeronymos em Belem, e abì 
se conserva. 

D. Catharina: nasceu em Villa Vigosa a 25 de novembro de 1638. Casou com Carlos II 
de Inglaterra, saindo a barra de Lisboa a 25 de abril de 1662, levando em dote, alem de dois 
milhOcs de cruzados portuguezes, na Africa a cidade e a fortaleza de Tangcr, com tudo quc 
Ihe pcrtencesse, e na India a ilba de Bombaim tambem com todas as suas pertengas e senborios, 
e livre dominio do porto de Gale, se cbegassemos a recuperar a ilha de Ceylào. Em compen- 
sagào obrìgava-se a Gran-Bretanba a auxiliar-nos contra os nossos inimigos, tanto com forgas 
maritimas comò terrestres. A doagào das duas colonias portuguezes nfio foi geralmente bem 
acceita; arainba regente, que a ultimou a todo o transe, fez estc consorcio na esperanga de 
com tal alliado tornar firme o throno de seu filbo. D. Catbarina soffreu em Inglaterra varios 
desgostospelofervorcatbolico; enviuvando,semlbeficarem filhos, em 16 de fevereiro de 1685, 
rcsolveu-se annos depois a voltar para Portugal, e entrou em Lisboa em 20 de Janeiro de 
1693. Mandou edificar o palacio da Bemposta para sua residencia; em 1704 governou o reino 
durante o tempo que el-rei seu irmao foi percorrer a provincia da Beira, e no anno seguinte, 
cm quanto durou a enfermidade do mesmo D. Fedro II. A ex-rainha de Inglaterra falleceu de 
urna colica, às 10 horas da noite do dia 31 de dezembro de 1705. Foi depositada na igreja 
dos Jeronymos em Belem, e depois mandada para o jazigo de Braganga cm S. Vicente. 

D. Manuel: nasceu cm Villa Vigosa a 6 de setembro de 1640 e durou apenas horas. Jaz 
Da egreja do convento de Santo Agostinho da mesma villa. 

D. Àffonso: successor. 

D. Fedro: succedeu a seu irmào. 

Fora do matrimonio bouve uma filha naturai, D. Maria, que viveu sempre rccolhida no 
mosteiro de Santa Thereza das carmelilas descalgas em Carnide, onde falleceu a 6 de feve- 
reiro de 1693 e ahi jaz no còro debaixo, com epitaphio. 

Atlribuem-lbe tambem um outro fìlho naturai, Alfonso de Fayào, quc foi abbade de Bal- 
lar, e quc nào chegou a scr reconbecido. D*elle se dizem desccndentes os Bragangas da pro- 
vincia do Minbo. 

* seguinte documento é uma prova de quc D. Joào IV nào se descoidou cm satisfazcr a ultima 
Tontade de seu Albo: «Condc amigo. Eu cl-rci vos envio multo saudar comò aqucUc que amo. Por 
outra carta minfaa vos inandeì ordcnar fizesseis reconhecer o sitlo de um cubello do castello de Es- 
Ircmoz, em que dizem falcceu a Rainha Santa Isabcl, porqne mandou o prìncipe D. Theodosio, roeu 
sobrc todos multo amado e prczado tlUio, quc Deus tem, cdiflcar nelle huma capella, de cuja obra 
qucro mandar tratar, e porque se nào reccbcu até agora resposta vessa, vos encommcndo muito man* 
deis fazcr aquella diligcncla, e ma rcmettais. Escripta cm Lisboa a 3 de setembro de 1C83 — Rcy. (Ata- 
nuscriplo da colL chr. da le/jislacào pori. fcUa por F. J. Pereira e Sousa). 



10 



Moedas de D. Joào IV 

Pre^o estimativo actnol 

Mocda da Conceigào ? 

jMoeda de qoatro cruzados 20^00 réis 



• • • ' 



I Mocda de dois cruzados 25JO0O » 

Moeda de cruzado 25i^000 » 

Moeda da Gonceigào 13|^500 • 

Cruzado de 2^000 a 4^000 » 

iMeio cruzado ou dois tostOes G. a Ij^OOO » 

Tostàa C. a 8 JiOOO » 

Meio tostào C. a 1^400 » 

Quatro vinlens C. a 1^500 » 

'Dois viiitcns C. 

Vintem C. a JiGOO »> 

Dez réis G.^000 » 

Ginco réis G. 

Ceterc/Trcs réis G. 

Real e meio C. 



1. o> IOANNES mi D G REX PORTVGALI. Armas do reino. 

^ 0^0 IN HOC SIGNO VIN o CES. Cruz de S. Jorge cantonada com a 
data de 1652. Pesa 240 graos. Qt(a4ro cruzados, N^ — 20|?000 réis. 

Outro exemplar que tambem existe na collecgao real, com tres contramarcas, 
pesa 230 graos. 

2. oSo IOANNES mi D G REX PORTV. Armas do reino. 

^ o} IN o HO., o SIGNO o VIN CES. Cruz de S. Jorge cantonada pela 

data , de que se ve apenas o millesimo, achando-se as outras tres Ictras apaga- 

das pelas contramarcas, a saber: urna esphera coroada; um 2 com uma coroa por 
cima; e 2200 tambem com uma pequena coróa na parte superior. Pesa 121 graos. 
Dois cruzadoss S — 25^000 réis. 

3. 0% IOANNES mi ..EX PORT. Armas do reino entre duas cruzetas. 
Qr o> IN HOC SIGNO VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada com o anno 

1642; millesimo apagado pela contramarca de um I coroado. Pesa 62 graos. Crn- 
zadoj N — 25j5ìOOO réis. Este exemplar pertence a colleccao do sr. José Lamas. 

4. o> IOANN. . . . mi D G REX PORTVGA. Armas do reino. 

13. oINoHOC ....GNO VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada pela data 
de 1642. Pesa 60 graos. Cruzado, .¥—25^000 réis. 

5. ai IOANES o 4 DEI Armas do reino no meio dos quatro nume- 

ros do anno 16-41, que estao entre dois floroes. 

^ V IN HOC SIGNO VINCES. Cruz de Christo no meio de quatro pon- 
tos e cantonada por outros quatro em cada angulo; contramarca de 120. Pesa 161 
graos. TostàOj M^ — 8??000 réis. Pertence a collec(;ao do sr. Judice dos Santos. 

' Em Portugal, da dyiiastia de firaganca cm diantc, oiro araocdado foi sempre na lei de 22 qui- 
]a(es. 

' A prata amoedada em Porlugal, deste roinado em diante, foi eonstantemente decrelada na lei de 
1 1 (linheiros. 



II 

■■ 

6. mesmo anverso. 

Qr |# IN HOC SIGNO VINCES. Cruz de Christo cantonada em cima 
por duas cruzetas, e em baixo pela data do anno 16-41. Pesa . . . Tostào, JR — 
6}$000 réis. Perlence este exemplar a collecQao do sr. Antonio Ribeiro Neves e vem 
citado por Lopes Fernandes na Memoria das moedas correntes em Portugal (pag. 1 87). 

7. •« IOANNES mi D G REXo PO LIE. Armas do reino, a es- 

querda L (Lisboa), e à direita C (inicial do nome do abridor de cunhos Cypriano 
do Conto). 

Qr V IN o HOC SIGNO o VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
em cima por duas cruzetas, e em baixo pelos numeros do anno 16-41. Pesa 126 
graos. TostàOs JR — 6^000 réis. 

8. 0% IOANNES mi . . . I . . . PORTV. Armas do reino entro duas cni- 
zetas. 

Qr V I HOC SIGNO VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada em 
cima por duas cruzetas, e em baixo pelos numeros do anno 16-42. Pesa 123 Va 
graos. TostàOy JR — 800 réis. 

9. mesmo anverso. 

Qr V IN HOC SIGNO VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada pe- 
los quatro numeros do anno 1-6-4-2. Pesa 125 */« graos. TostàOs JR — 800 réis. 

10. V IOANNES mi D G REX P. Quinas cantonadas por quatro cruzetas. 
Qr •« IN o HOC o SIGNO oVICES. Cruz de S. Jorge cantonada em cima por 

dois pontos, e em baixo pela data do anno 16-41. Pesa 70 graos. Meio tastao, 
.41— 400 réis. 

11.0 mesmo anverso. 

^ V IN HOC SIGNO VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada pelas qua- 
tro letras numericas do anno 1-6-4-1. Pesa 61 graos. Meio tostào, JR — 400 réis. 

12. mesmo anverso. 

^ V IN HOC SI. . . VI. . . Cruz de S. Jorge cantonada pela data do anno 
1-6-4-2. Pesa 62 graos. Meio lostào, JR — 400 réis. 

13. IOANNES o mi o D o G o PORTVGALIìE o ET o ALGARBI^ o REX 
Armas do reino assentes sobre a cruz da ordem de Christo. 

^ TVTELARIS REGNI. Imagem de Nossa Senhora da Conceifao sobre o 
globo, que tem a serpente enroscada e a data de 1648, e em cima a meia lua; a 
escjuerda o sol, a casa de oiro e o horto, e a direita o espelho, a arca do sanctua- 
rio e a fonte sellada. Pesa 864 graos, sendo em oiro, e 576 graos as de prata, am- 
bas com o mesmo cunho. Conceifào. So temos visto estas moedas em prata, e o seu 
valor no mercado regula por 13^J500 réis. 

14. ^ IOANNES mi D G REX . . . .RTVGALIE. Armas do reino; à 
escjuerda quatro pontos, e à direita 400, designagao do valor. 

^ o} INoHO NO o VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada 

[)or quatro pontos. Pesa 446 graos. Cruzadoj Ai — 2}J000 réis. 

15. V lOANNESoIIIIoDoGoREXoPORTVGALIE. Armas do reino, a 
es(juerda qualro pontos, e a direita 400, designafao do primitivo valor. 



12 

1^ %o INo HOCoSIGNOoVINGES. Cruz da ordera de Christo cantonada 
por quatro PP (Porto). Este exemplar tem o carimbo de 5oo com urna coròa por 
cima. Pesa 446 graos. Cruzado, JR. — 2^000 réis. 

16. oSo IOANNES mi D G REX . . ..RTVGALIE. Armas do reino, à 
esquerda quatro pontos, e k direita 400, designacao do valor. 

^ 0% IN HOGo SIGNO oVINGES. Cruz da ordem de Christo com um 
ponto no centro e cantonada por quatro EE (Evora). Pesa 434 graos. Cruzado, 
^_4^000.réis. 

17. IOANNES D • G REX RTV Armas do reino, a esquerda 

dois pontos, e à direita 200, indicacao do valor. 

^ V INo HOC o SIGNO ....NC..S. Cruz da ordem de Christo cercada 
por oito pontos e tendo um outro no centro. Pesa 226 graos. Meio cruzado ou dois 
tostòes, JR — C. 

18. 0% IOANNES» mi oD.Go REX. PORTVGALIE. Armas do reino, a 
esquerda dois pontos, e à direita 200, indicativo do valor. 

Qr 000 ..NoHOCoSIGNOoVINCES. Cruz da ordem de Christo com um 
ponto no centro e cantonada por quatro PP (Porto). Pesa 210 graos. Meio cru- 
zado ou dois tostòesj JR — C. 

1 9. §€ IOANNES mi D o G PORTVGto ET o ALG . REX. Està le- 
genda foi posta com a nova orla e sarriiha sobre a moeda, conforme a lei de 1 4 de 
junho de 1688, apagando parte do escudo do reino e a indicagao do primitivo valor. 

^ ^ IN ^g HOC ^g SIGNO ^^VINGESo Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro PP (Porto); contramarca de 250. A legenda em nova orla e com 
sarriiha comò no anverso. Pesa 213 graos. Meio cruzado ou dois tostoes, M — C. 

20. 0% IOANNES IIIIoDoGoREXoPORTV.. .. Armas do reino; a es- 
querda dois pontos, e é direita 200, indicativo do primitivo valor. 

^r \o IN HO.. SIGNO oVINCES. Cruz da ordem de Christo com um 
ponto no centro e cantonada por quatro EE (Evora); contramarca de 25o. Pesa 
213 graos. Meio cruzado ou dois tostoeSs JR — IjJOOO réis. 

21. SS IOANNES mi o DEI oGRATIAoPORTVGo ET ALG o REX. 
Legenda posta com a nova orla, e sarriiha comò no n.** 19, apagando parte do es- 
cudo do reino e a indicagao do primitivo valor. 

Q. Sg IN ^ HOC §g SIGNO §§VINCESo Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro EE (Evora) e contramarca de 25o. Orla e sarriiha posta na 
moeda comò no anverso. Pesa 200 graos. Meio cruzado ou dois tostùcs, M — 
IfJOOOréis*. 

22. o\ IOANNES mi oDGo REX oPORTVGA. Armas do reino. 

^ 0% IN0HOC0..IGNO0VIN0GES. Cruz de S. Jorge entre oito pontos, 
e um outro no centro. Pesa 112 graos. Tostao, JR — C. 

23. o\ IOANNES IIII D o G » REX PORTVGALIE. Armas do reino 
entre dois anneis. 

' Na nova orla posta n'cstas mocdas houve por vczos engano, lìcaiuìo IN HOC SIGNO VIN- 
CE S do lado das armas, e o nome do monarcha da parte da cruz. 



13 

^ •> INoHOC-SIGNOoVINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quali o 
PP (Porto) e um ponto no centro. Pesa 410 graos. Tostào, JR. — C. 

24. •> IOANNES IIII D G REX PORTVGALI. Armas do remo. 

^r V IN HOCoSIGNOoVINoCES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
Iro EE (Evora). Pesa 104 grSos. Tostào, JR — 600 réis. 

25. 0*0 IOANNES mio Do Go Quinas cantonadas por quatro ponlos. 

Qr IN HOCoSIGNOoVINoCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 

pontos, e um outro no centro. Pesa 52 graos. Meio tostào, JR — C. . 

26. 0% IOANNES • mio Do GoREXo POR. Quinas cantonadas por quatro 
anneis. 

^ •:- INoHOCoSIGNOoVINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro PP (Porto) e um ponto no centro. Pesa 54 graos. Meio tostào, JR — C. 

27. 0% INoHOCoSIGNOoVINCES. Quinas cantonadas por quatro anneis. 
^ A mesma legenda. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro PP (Porto). 

Pesa 49 graos. Meio tostào, JR — 1^000 réis. 

28. 0% IOANNES IIII D G REX POR. Quinas cantonadas por quatro 
pontos. 

^ o> IN HOCoSIGNO VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro EE (Evora). Pesa 53 graos. Meio tostào, JR — C. 

29. 0% IOANNES IIII D G REX PORTVG. No campo encimado pela 
corùa real IO IIII, por baixo LXXX representando o valor. 

^ V IN HOC oSIGNOo VINCES Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 
anneis. Pesa 91 graos. Qtiatro vintens, JR — C. 

30. No campo encimado pela coróa real IO» IIII, por baixo Lo XXX, indi- 
cativo do valor, e na orla DoGoREXoPORTVGALIEo ETo A. . . 

^ •; INoHOCoSIGNOoVINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 
* PP (Porto). Pesa 78 grSos. Quatro mntens, JR — C. 

31 No campo encimado pela coròa real IO IIII, por baixo LXXX, indicativo 
do valor, e na orla REX PORTVGALIE ALGARB. 

Qr 0% IN HOCoSIGNOoVINoCES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro EE (Evora). Pesa 79 graos. Quatro vintens, JR — 1 f{!500 réis. 

32. oj. IOANNES IIII D G REX POR. No campo encimado pela coroa 
real IO mi, e por baixo XXXX, indicativo de valor. 

i ^r o\ IN HOCoSIGNO VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 

! anneis. Pesa 47 graos. Dois vintens, JR—C. 

33. No campo encimado pela coròa real IO olili, por baixo oXXXXo indi- 
cando valor, e na orla o% Do G «REX PORTVGAL. 

^ V IN HOC oSIGNOo VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro PP (Porto). Pesa 46 graos. Dois vintens, JR — C. 

34. V IO A.... D G REoXoPOR. No campo encimado pela coròa real 
IO olili, tendo por baixo XXXX, indicativo do valor. 

^ V IN HOC SIGNO VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 
EE (Evora). Pesa 41 graos. Dois vintens, JR — 600 réis. 



14 

35. Variante ém typo do n.^ 33, tendo a mais a contramarca SO (50) dentro 
de um pequeno quadrilongo coroado. Pesa 40 graos. Dm vintens, JR — C. 

36. lOANNESoIIII^DoG. Armas do reino entre dois anneis. 

^ IOANNES III D G R. No campo entre dois pontos I, inicial do nome 
do monarcha, e por baixo, separado por tres pontos, XX, indicativo do valor. Pesa 
25 graos. Vintem, JR. — C. 

37. mesmo anverso. 

^ No campo, encimado pela corèa real e entre duas cruzes formadas por cinco 
pontos, I; inicial do nome do monarcha; por baixo, separado por pontos, um P 
(Porto) entre dois XX, indicativo do valor; e na orla REXoPORTVGALIA. 
Pesa 26 graos. VirUem, M — C. 

38. mesmo anverso. 

^ No campo, entre quatro pontos, um I, inicial do nome do soberano; por 
baixo dois XX, indicativo do valor, tendo no meio dois ponlos, e um E (Evora) ; 
na orla • ALGARBIORV. . . . A. Pesa 25 graos. VifUem, A— 600 réis. 

39. IOANNES IIIIoD GoRE-P. Quinas. 

^ IN HOC SIGNO VINC • Cruz de Aviz cantonada por quatro pontos. 
Pesa 13 graos. Dez réis, M — 6^000 réis. 

40. oSo IOANNES mi D G REX PORTVGALI. Armàs do reino. 

^ ooc»^>tK>a REX c<io=^^ X o Vili. No campo um V, indicando o valor, 
com um ponto no centro. Pesa 316 graos. Cinco réis, M — G. 

41. oSo IOANNES mi D G REXoPORTVGA. Armas do reino, 

^r. o^cj XVIII éy^^!><^ REX. No campo, entre dois pontos, um 3, indi- 
cando valor. Pesa 148 graos. Tres réis» M — C. 

42. ojo IOANNES IIII ....RTVGALI. Armas do reino com dois pontos 
de cada lado. 

Qf ^C^ REX aj^o XVIII. No campo i|, indicando o valor. Pesa 88 graos. 
Real e meio, M — C. 



D. Joào IVreuniu cortes em Lisboa nos annos de 1641, 1642 e 1645, e emThomar 
no anno de 1653. 

A ralla de dinheiro embarapou muito o reinado de D. Joào IV, que se viu obrigado, 
para acudir aos grandes dispendios da guerra, a elevar o prepo da moeda, o que des- 
pertou a cubica de particulares, nacionaes e estrangeiros ; e apesar das leis repressivas 
que se promulgaram, nào se logrou impedir a fraude, principalmente com a moeda de 
prata * . 

duque de Braganpa no coraepo do seu governo decretou a continuapào do sys- 



< À crise monetaria em Hespanha no tempo de Filippe IV nào foi mellior; mr. Heiss assim a des- 
creve: «En ningun reinado se cambiò mas à menudo qne en el de quevamos habiando el valor de la 
moneda de vellon, y era tal la abundancia, asi de la fabricada en Segovia corno de la falsa traida de 
fuera, y tanta en proporcion de la escacez de oro y de piata que los cambios se bacian a precios ex- 
cesi vos en favor de eslos metales.» (Descripcion general de las monedas HispaTUhcrislianas, lom. i, 
pag. 188.) 



15 

tema monetario usado pclos Filippes; a lei de 27 de marpo de 1641 determina apenas 
a mudan{;a no nome do monarcha ^ Nunca vimos exemplar algum d'estas moedas, 
pois OS n.®' 1 a 4 jà téem marcado o anno do lado da cruz, conforme o decreto de 29 
de raarfo de 1642 ^ : os qualro cruzados n.° 1, no valor de 3^51000 réis, pesavam comò 
OS dos Filippes 246 Va graos, entrando 18 ^/^ pepas em marco; os dois cruzados n.° 2, 
no valor de 1^500 réis, pesavam 123 Ve gràos, fazendo 37 7» pepas um marco; e o 
cruzado n.*** 3 e 4, no valor de 750 réis, pesava 61 ^^75 gràos, e entravara 75 pepas 
cm marco. Està lei mandava recolher toda a moeda antiga de oiro, pagando-se por 
cada qualro cruzados 2:500 réis, e assim proporcionalmente as fracpoes. oiro em 
barra, cm pepas ou em pasta tinha o prepo de 660 réis a oitava, dando-se mais às 
partes tres por cento, com o intuito de as interessar a vender. As moedas fabrica- 
das por tal disposipao sào os n.°" 1 a 4, encontrando-se em quasi todas contramarcas 
que posteriormente Ihes imprimiram. A 9 de abril -do mesmo anno foi prorogado por 
outros 40 dias ^ o praso para a entrega do dinheiro antigo. Em 25 de abril se ordenou 
que as moedas de quatroy dois e v/m cruzados, em vez de se fundirem, se recu- 
Dbassem, por se julgar este processo mais breve e economico, nào se descontando n'este 
caso oitavo em beneficio da fazenda; e para maior igualdade se obrìgassem os donos 
aaGnar o oiro, à sua custa, em 22 quilates, levando as barras a marca do centraste, 
para logo se cunharem as moedas e com ellas se Ihes pagar com a reducpào do oitavo. 
mesmo alvarà permilte que as moedas de oiro — portuguezes, de duas caras *, e 
oulras.grandes dos reis antigos, possam, querendo os possuidores, deixar de ser fun- 
didas, visto se estimarem mais comò" objectos historicos e raros do que comò dinheiro 
corrente * . A 30 de maio do mesmo anno de 1 642, para melhor execupào da lei de 29 
de marpo, determinou-se que toda e qualquer moeda de oiro que se levasse a casa 
da moeda, devia ser pesada e posta em lei de 22 quilates, para depois se lavrar nas 
moedas de qualro, dois e um cruzados, do tamanho e peso dos anteriores, mas com o 
valor de 750 réis cada cruzado. oiro do mesmo quìlate, sem ser amoedado, pagar-se- 
hia a 660 réis a oitava, re ver tendo a differenpa a favor da fazenda; acab ava-se, com os 
3 por cento em beneficio do vendedor, e dispunha-se que o oiro em pasta, barra ou moe- 
da, depois de verificado o toque, se reputarla em relapào ao prepo estabelecido para o oiro 
de 22 quilates^. Nàopodémos achar o alvarà de 12 de juiho de 1642, citado em outro 
de 26 do dito mez e anno, relativo ao prepo por que deviam ser pagas, nas casas de 
cunhar, as moedas de S. Vicente; pois o prepo de 1:300 réis que se havia estabele- 
cido, era inferior àquelle em que se reputavam outras moedas de oiro, determinando 
se pagassero d'ali em diante as moedas de S. Vicente a ìfiiSfi réis e o meio S. Vicente 
a 690 réis, em todas as terras do reino, excepto em Lisboa; exceppao que nào pode- 
roos explicar '^. 

No anno de 1643, a 22 de s^lembro, permilliu-se a entrada no reino aos dobrdes 



* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. r, fot. 201. Doc. comprovativo n.« 99. 
' Idem, fol. 21G v. Doc. coraprovalivo n.» 106. 

' Parece li aver engaiio iia rcferencia de 40 dias, pois a lei de 29 de marco de 1642 marca apenas 
um mez. Vid. doc. comprovativo u.° 106. 

* Talvez as moedas de Fernando e Izabel. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 218 v. Doc. comprovaUvo n.* 108. 

* Ideai, fol. 219 V. Doc. comprovativo n.» rti9. 

» Liv. de Provìsdes e cap. de cort. da camara de Coimbra, fol. 185. Coli, de cortes da Academia 
rcal das scicacias liv. v, fol. 123. Doc. comprovativo n.» 110. 



16 

caslelhanos, e quo corressom pelo valor extrinseco dado ao oiro mandado cunhar, isto 
com firn de augmenlar a moeda èm cìrculacao *. 

receio era geral, e no raercado cada vez se sentia mais a falla de numerario. A 
29 de fevereiro de 1644 decretoa-se que a moeda antiga de quatro cruzados valesse, 
corno as fabricadas de novo, a 341000 réis *, e a 5 de marpo, que os dobròes castellianos, 
de peso e toquo legai ^, corressem a 1 ^600 réis, e quando faltos, se lomassem comò o oiro 
em barra ^. Em 29 de maio do mesmo anno se ordenou pelo conseiho da fazenda aos 
officiaes da casa da moeda, assistentes no Porto e Evora, cunhassem, pela maneira e 
prepo que o faziam os de Lisboa, o oiro que havia n'aquellas cidades, e seus donos 
nào queriam trazer a Lisboa, pela despeza e risco ^ 

No anno de iG45, a 14 de Janeiro, se estabeleceu o prepo de lj$900 réis às moedas 
de oiro de S. Vicente, e 950 réis aos melos S. Vicentes; ao poriuguez 9^5300 réis, e ao 
calvario em oiro 880 réis, para assim ficarem equiparadas às novas moedas ^. al- 
varà de 4 de marpo diminue os direilos da pedraria, ambar e aljofar vindos da India, 
de 28 a 9 por cento, ficando incluido n'estes 9 o 1 por cento para a obra pia, e os 3 
do consulado; aggravando as penas ao contrabando d'estes generos e a salda do reino 
da moeda de oiro e prata ^. 

augmento progressivo de valor na moeda caminhava com as difllculdades pecu- 
nìarias trazidas pela guerra com a Uespanha; D. Joao IV por este meio procurava prò* 
ventos e fazer affluir ao mercado, nào so o dinheiro antigo, que exislia nos coHres dos 
parliculares, comò tambem o oiro e a prata para a cunhagem. A 15 de fevereiro de 
1 646 juiz e Ihesoureiro da casa da moeda recebeu ordem de pagar o oiro que ali 
levassem por mais 32 f réis em oitava do prepo até ali estabelecido, ficando assim o 
marco a 48/51960 réis. Este excesso devia ser abalido a fazenda sem a mìnima alterafao 
na moeda, que se coatinuariaa fabricar na rasào de 56j5ì250 réis por marco ®. Pelo pre- 
mio que tinha a moeda de oiro chegou o prepo dos dobroes. a 2^000 réis^ o que moti- 
vou alvarà de 19 de maio reduzindo-os ao valor decrelado de 1<51600 réis; por essa 
occasiào se permittiu que as moedas de quatro cruzados de SfJOOO réis corressem a 
3?Si500, e n'esta proporpào as mais moedas de oiro que circulavam no reino ®. A di- 
versidade de prepo, estabelecido entro estas moedas, em relapào ao valor intrinseco, 



' \rcli. da casa da moeda de Lisboa, registo grcral, liv. i, fot. 225. Impresso avulso. Doc. compro- 
vativo n.° 115. 

' Idem, fol. 226 v. J. P. Uìbeiro. Ind. chr. e crit. part. iv, secgào 2.*, dos addii, pag. 197. Doc. com- 
provativo n.* 1 18. 

' Cliamavam-sc dobròes às pe^as de dois escudos, come^ados a lavrar pela ordcnanga de FUìppe II, 
de 23 de novembro de 156C, cm oiro de 22 quilates, entrando 34 em marco; o escudo que até cntào 
vatia 350 inaravedis subiu a 400, devendo por isso os dobròes de novo creados valerem 800 marave- 
dis, e assim se conscrvaram até 1608. Fiiippe tV nào decretou alteracào no toque da moeda de oiro, 
mas nos ensaios feitos por Bonneville (Traile 4cs monnaies d'or el d'argerU, Paris, 1806), deram em re- 
suUado a media de 21 A qu'lates (908 millesimos) cm vez de 22 (917 millesimos) corno tinliam a dos 
seus antecessores. N'este reinado e nos seg:uintes em Uespanha nem sempre se observaram as leis na 
parte que respeitava ao valor por que deviam correr as mt>cdas de oiro, scndo de ordinario alterado 
no commercio. 

* Ardì, da casa da moeda de Lisboa, resisto geral, liv. i, fol. 226 v. Doc. comprovativo n.® 1 19. 

* Manuscriplo authentico. — J. P. Ribeiro— Ind. chr., e crit., part. 3.*, pag. 12. 

" Arch. da casa da moeda de Lisboa, regìslo geral, liv. i, fol. 230 v. Doc. comprovativo n." 126. 
' Arch. nac, liv. IV das leis, fol. 157 v. — J. P. Ribeiro. — Ind. chr. e crit. part. !.•, 11. 138. 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i. fol. 237. Sousa, Hisl. gen., tom. iv, pag. 
439. Doc. comprovativo n.» 130. 

• Idem, fol. 2'iO. Sousa, Hisl, gm., tom. iv, pag. .358. Doc. comprovativo n.« 132. 



17 

fez concorrer a casa da moeda grande quantìdade de dobrdes hespanlioes para se fun- 
direm e cunharero em moedas portuguezas, com o que lucravamosparticulares. juiz 
e thesoureiro da mesma casa, Francisco Guedes Pereira, prevendo a especulapào, pro- 
curou trocar as vantagens em beneflcio do estadu, e, sostando a execufào, propoz ao 
conselho da fazenda o pagarem-se os dobrdes so a peso, a 800 réis a oilava, isto é, 
mais 35 réis do estipulado para o oiro em pasta; fazendo a seguinte demonstrapào e 
34^ dobrdes pesam um marco, que vale, a IjjBOO réis o dobrào, 55}{1200 réis; e a 800 
réis a oitava, 51^200 réis, deixando por este ultimo processo 4^000 de sobras. Repu- 
tando-se marco do dito oiro nas moedas de 3^000 réis conforme a lei de 19 de maio 
e uso da casa, ganham os particulares em cada marco 8j$500 réis, narasào de 500 réis 
por moeda de quatro cruzados, o que junto aos 51^200 réis do marco de oiro a 800 
réis a oilava, somma 59^700 réis, interessando 4iJ500 réis; os quaes 59^5(700 reparlidos 
pelos 34 1- dobròesy que fazem o marco, dà a cada dobrào 1^51730 réis, pelo motivo de se 
fabricarem de cada marco de oiro 187i moedas de quatro crnzados^ cabendo às partes^ 
no prepo de 800 réis a oitava e de 3^000 réis por moeda, 17 moedas e 200 réis. Para 
os direitos de el-rei fica 1 ^ji moeda de qUfOtro cruzados, ou 5^050 réis, e com 
acresccntamento dos 500 réis em cada moeda de quatro cruzados, sao 5^925 réis, 
que é correspondente a i Vi moeda, menos 200 réis. As partes interes?am 130 réis 
em cada dobrào, o que basta para preferirem leval-os a casa da moeda a exportal-os. 
Està proposta foi approvada e mandada executar por despacho do conselho da Tazenda, 
e carta regia de G de junho de 1646 *. A subida no prepo do oiro dos dobrdes hespa- 
oboes trouxe reclamapoes e deu origem à carta regia de 4 de dezembro, que manda 
elevar a oilava do oiro a 765 réis, isto é, mais 32 -j réis do que estava, de vendo sair 
està dìQerenpa dos direitos reaes ^. 

A 22 de abrìi de 1648 passou-se nova lei para se continuar a registar o dinheiro 
que fosse para o Brasil, precedendo iicenpa do conselho da fazenda ^. 

As moedas com a imagem de Nossa Senhora da ConceipàO; n.^ 13, téem gravado 
1 648, anno em que foram abertos os ferros, pois so a 3 de dezembro de 1 649 o con- 
selho da fazenda auctorisou a casa da moeda a receber o engenho vindo de Franpa, 
em que depois as cunhou ^. As moedas de oiro e prala com a dita imagem de Nossa 
Senhora da Gonceipao foram mandadas lavrar, por ordcm do conselho da fazenda, em 
5 de dezembro de 1650 5, dizendo: faca lavrar lego as dilas moedas, na forma e ma- 
neira quejd se lavraram, assim de oiro corno de prata. Poucos deviam ser os exem- 
plares cunhados n*este anno de 1650; provavelmente alguns ensaios, distribuidos 



^ Àrch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto goral, liv. i, fol. 240 v. e 243 v. Dog comprovativos 
n« 133 e 134. 

* Idem, fol. 245. Doc. comprovalivo, n.» 135. 

* J. Fedro Ribeiro, iQd. chr. e crii, part. 1.*, pag. 157. 

* Diz Gaspar Pacheco, Juiz e Thesoureiro da caza da moeda desta cidade, que Ihe he necessario 
barn despacho para que na dita casa se Receba o engenho que Troise Antonio Routier de franca Para 
a fabrica da dita caza, e que todas as despezas e custtos que lizer com o dito emgenlio Ihe faQam as 
despezas com os Escrivàes da caza, os quaes Ihe leuaram os comtadores em conta. E acim Mais trcs 
mU reis que gastou em mandar Abrir hum ferro para A imagem de nossa senhora da concepQào. E. 
R. M. Gaspar Pacheco. 

Despacho— supplicante trate de Recoiher este emgenho, e os escrivàes fagam a despeza na forma 
qne pede, e das ordens de Sua Mg.<>« em Lix.* a tres de dezembro de 1649. Gom trcs rubricas dos me- 
nistros do conselho da fazenda. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. i, fol. 256 v.) 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 258. Doc. comprovativo n.« 139. 

TOMO ir 2 



18 

corno medalhas ; pois so a 9 de oulubro de 1 65 1 se decretou o seu valor monetario, 
Bendo 12^000 réis para as de oiro e 600 réis para as de prata *. 

Eni poder do sr. Silvestre Polycarpo Correia Belem vimos o seguiate eosaio em 
cobre : 

IOANNES'ini'D'G"P»ET'ALG'>REX* Busto laureado do monarcha a 
dìreita com a courapa e o manto. 

^ .INoHOC'SIGNO'VINCES'i65o. Armas do reino assente» na Cruz da 
ordem de Cbrìsto. 




Parece-oos ser prova de cunho para alguma moeda de biro, que nào diegou a 

adoptar-se. 

Em 1 1 de marco de 1652 publicou-se um outro decreto prohibindo a salda do di- 
nheiro do reino '. 

A moeda de prata n'estc reioado leve ainda maiores allerac5es que a de oìro. 
A lei de 14 de fevereiro de 1641, a mais antiga que encontràmos, com respeito 
a este monarcha, maada Tazer tostòes e meios toslòes na rasào de 2|9600 réis por 
marco, devendo pesar cada pepa de tostSo 1 64 ^ graos, e assim proporcionalmente os 
meios tostòes ^. Nào conhecemos exempiar algum d'eslas moedas ; ìgnoràmos se chega- 
ram a cunhar-se. alvarà de 27 de marco, alero dos tostòes e meios tostòes, maoda 
tambem lavrar rfots vintens e vintens *. Em 1 de juiho do mesmo anno delerminou-se 
que do marco de prata de ti dinheìros se fabricassem 34 pepas de tostào, devendo 
pagar-se na casa da moeda a prata em pasta da dita liga a 2S900 réis o marco em vez 
de 2/S700 réis, corno até ahi se pagava, e de cada marco de tostòes antigos para se fun- 
direm, se entregariam às parles SflOOO réis. No cunho dos tostòes, meios tostòes, quatro 
vintens, dois vintens, vintens, melos vinlons e cinquinhos, se devia acrescentar do 
lado da cruz o anno em que se lavravam, concedendo o praso de seis mezcs para cir- 
colar a moeda antiga, continuando a correr os reaes castelhanos de olio e quatro, ex- 
cepto OS que tiaham na legenda PLVS VLTRA, e no campo jugo e setlas. Para atte- 
nuar a perda aos possuidores de reaes cerceados, vintens navarros, e bambas manda- 
ram-se pagar sem lucro algum para a fazenda, saindo os custos do fabrico dos Tebres ". 
Os n."' 5 a 10 sào OS tostòes e meios tostòes lavrados por està lei, a qual nào especiQca 
se devia marcar-se o anno sómeole n'estas moedas ; e nao o havendo nós encontrado 
nas outras especies, nào poilemos distiogui-las das feitas posteriormente. A dilTerencial 

< Arch, da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. [., fol. 258 v. Arcb. nacional, lìv. iv dos Icis. 
Doe. comprovatlvo n." 142. 

• J. Pedro Ribeiro. Ind. dir. e crii., pari. I.* pag. 171. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, regìslo geral, liv. i, fol. 200. Doc. comprovalivo n,° 98. 

' Idem, foL 201. Doc. com provali vo n.° 99. 

' Idem, foL 201 v. Ilocumenlo comprovatlvo n.° 100, o qual prova tambem a impossibilidadc de faa- 
ver moeda de D. Joao IV com o anno de 1640, devendo-se considerar o meio loslào, visto pelo nosso 
ami^ ar. dr. Mirabeau cm poder de um colleotor de Beja, uma contrafacao, erro, ou anles, quo 
scudo do anno de Idi!, a ulliraa Idra, por mal cuiiliada, ligure uma cifra. 



19 

DO peso é multo difDcil de apreciar, pois as moedas d'esle reinado do mesmo typo e 
anno dào immensas variantes, devido ao cerceio e às irregularidades com que se fa- 
bricaram. n.** 39 é o meio vintem raandado lavrar por està lei. Nào consta a existen- 
cia de cinquinho algum com o nome de D. Joào IV, e lalvez se nào chegasse a cunhar, 
por haver subido pouco tempo depois o prego da prata. n.° 5 apresenta de singular 
anverso ser comò o usado nos (ostòes de Filippo II e HI ; é provavel se servissem até 
(lo proprio cunho. n.° 6, que pertencia a collecpao de Ribeiro Neves e vem descripto 
na Memoria de Lopes Fernandes, traz o anno inscripto tanto do lado das armas comò 
do lado da Cruz. n.° 7, unico exeraplar que conhecemos, tem à esquerda um L (Lis- 
boa) e àdireita, a inicial do nome do ensaiador, C (Cypriano do Conto). Em 19^ de ju- 
Iho do dito anno foi encurtado o praso concedido pela lei anterior para o curso da 
raoeda antiga de prata, reduzindo-o a um mez para a cidade de Lisboa, e conservan- 
do-se OS seis mezes para os outros lugares do reino *. 

Os alvaràs de i e 3 * de fevereiro de 1642, pela impossibilidade de se fundir e cu- 
nbar toda a moeda de prata circulante no reino, e procurando impedir a sua saida para 
oeslrangeiro, mandam contramarcar os tostòes, melos tostdes, quatro vintens, dais vin- 
tene da moeda portugueza de fabrica antiga, com os algarismos correspondentes, para 
OS tostdes passarem a valer seis viìitens, os ineios iostòes tres vintens, os oitenta réis um 
tostào e os dois viìitens meio tostào, ficando este 1 ucro de 2 por cento para as despezas da 
guerra ; e para a sua execu{^ào se deviam estabelecer casas de cunho no Porto para a pro- 
vincia de Entro Douro e Minho ; em Miranda, para Traz os Montes; em Trancoso e Castello 
Branco, para a Beira; em Coimbra e Tbomar, para a Estremadura; em Evora e Beja, 
para o Alemtejo, e em Tavira, para o Algarve ^. mesmo regimento concedia aos mo- 
radores das ditas provincias o levarem o seu dinbeiro a contramarcar a qualquer das 
terras raencionadas, que melhor conta Ihes fizesse, embora nào fossem do seu districto. 
A raaneira corno se havia de por em pràtica, constitue o documento n.® t02, onde veem 
inscriptas graves penas aos que nào entregassera ao carimbo as moedas portuguezas 
de prata, com exceppào dos tostdes e mreios tostdes novosy offerecendo a vantagem de 
dois por cento, sem perda nas que eslivessem cerceadas, que ficava a conta da fazenda, 
assim corno as despezas da cunhagem. Poucos dias depois, a 19 de fevereiro, augmen- 
tou-se a penalidade aos que conscrvassem a moeda antiga sem a contramarca ^ en- 
conlrando-se està nos tostdes, melos tostdes, quatro vintens e dois vintens lavrados desde 
D. Jlanuel até D. Joào IV com o seguinte desenho : 






mm 



» Arch. nacional, liv. iv das Icis, fol. 54 v. Doc. compro vativo n.« 101. 

' .N'este documento faz-sc rcfcrcncia a urna lei de 27 de junho do anno de 1641, que dcbaldc 
procuràmos; parcce-nos pelo assumpto ser a de 1 de jullio (doc. n.*> 100), e haver erro na citagào 
<ia data. 

' A pesar <^e nào vìt indicado na documento; em algumas outras terras se fmidaram as offlci' 
oas de contramarca, poisque em 1642 participou a camara de Setubal a Diego Mendes Godinho Tava- 
res e Scusa qoe estava eleito para ir comò procurador às cortes que Sua Magestade queria celebrar 
a 15 de setembro d*aquelle mesmo anno, respondendo o eleito, em 1 1 de agosto : que eUe se acbava 
eiìlào assislindo por superintendente do cunho da moeda que n'essa villa se estava cunbando por conta 
de Sua Magestade, e por isso e outros privi legios nào podia acceitar o cargo (Hist. de Selubal, Manu- 
scripto de J. C. de Aimeida Carvalho. Doc. do archivo da camara municipal de Setubal). 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, reg. geral, liv. i, fol. 215 v. Impresso avulso. Doc. compro- 
vativo n.- 104. 



20 

A lei de 26 do mesmo mez e anno desen voi vendo as providencias decretadas para 
se levar a cffeito a contramarca, que devia ser sempre impressa do lado da cruz, na 
moeda nacìonal de prala, declara que nas de quatro vinteiis e dois vintens caslellia- 
nas * nào se poria cunho, e quando cerceadas, se entregassem na casa da moeda, onde, 
comò indemnisapào, se pagariam para fundir a 3^400 réis cada marco, confornae o 
cap. 17.** do citado redimento *; e a 9 de abril prolongouse o praso para a entrega do 
dinheiro por mais quarenta dias ^. Em 12 de julho parcce que saìu um alvarà sobre o 
novo cunho (contramarca?) das moedas de prala, do qual so teraos nolìcia por vir ci- 
tado na carta regia de 15 do mesmo mez *. 

Para evitar a salda da moeda hespanhola, o alvarà de 26 de fevereiro de 1643 




mandou contramarcar as patacas com o carimbo de l &r ■ T e as meias patacas com 

de ^i£===^ , devendo-se pagar nas casas da moeda, para se Ihes por o cunho, as pri- 

meiras a 400 réis e as segundas por metade, flcando os 20 por cento a favor da fazenda. 
As ofilcinasparaestascontramarcas, alem da de Lisboa, seriam estabelecidas no Porto, 
Evora, Faro, cidade do Salvador da Bahia de lodos os Santos, Rio de Janeiro, Maranhào, 
Ilhas de S. Thomé, Cabo Verde, Terceira, S. Miguel e Madeu-a '. Nào se conseguìndo 
assim evitar a salda do reino da moeda de prata, ordenou-se em lei de 22 de maio 
que se procedesse conlra os que compravam prata lavrada para a exporlarem ^, e na 
mesma data se mandou tambem tirar devassa e processar os auctores da moeda Talsa ^. 
Provavelmente a falsiOca^ào era nas contramarcas, que pela suasimplicidade multo se fa- 
cilitavam à contrafapào. A 8 de junho do referido anno de 1643 mandou-se desfazer loda 
a moeda de prata, para depois se lavrarem de cada marco, em lei de 1 1 dinheìros, 40 tos- 
tdeSy ou 80 melos tostdes, e na mesma proporpao as moedas dobradas de crt^ja^ou quatro 



' Em Hespanha o augmcnto de prego na moeda coincìdia muitas vezes com o da de Portugal. Em 
23 de dczcmbro de 1642 ordenou-se que o escudo de oiro de 440 maravedis corresse por 550, passando 
tambem o dobrào a l:luO maravedis. Nos primeiros annos do reinado de Filippo IV cunbou-se a prata 
em 11 dinheìros e 4 gràos (931 millesimos), entrando em marco 67 pegas de reales, e n'esta conformi- 
dade se fabrlcaram em Iles panila e America os reales de oilo (paLacas)^ reales de qaaJ.ro (meias pata- 
cas) e as suas fracQóes. k referida lei de 23 de dezembro de 1642 mandou que d'aquella data em 
diante se tirasse do marco de prata da mesma lei 83 'A reales^ dando 81 'A aos donos da prata em vez 
dos 65 que antes recebiam, e o restante ficaria para feitio, etc. Com estas medidas se procurava impe- 
dir a salda da moeda castelhana, mas so conseguiram fazer subir o prego a todos os generos. '(Heiss, 
Descripcion general de las monedas hisparuhcrislianas, tom. i, pag. 186.) 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 215 e 216 v. Doc. comprovativo n.^ 105. 

• Idem, fol. 216 v. Doc. comprovaUvo n.*> 107. 

• J. P. Ribciro, Ind. chr. e crit., part. 1.», pag. 122. 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 222. Impresso avulso. Doc. compro- 
vativo n.<> 113. Com respeito à ilha de S. Miguel, consta-nos, pela informacào que leve a bondadc de 
nos enviar o sr. Ernesto do Canto, que a camara nomeou t/usoureiro da casa da moeda Francisco de 
Moraes; escrivào, Miguel Correla d'Avila, e para guardar a casa onde se cunhava a moeda Sebastiao 
Barradas — (L.» das vereagóes respectivo aos annos de 1639 a 1644, fol. 102 v.). 

• J. P. Ribeiro, Ind. chr. e crit., part. vi, secg. 2.*, add., pag. 9. 

' Tcuho entendido que em varias partes d'estes meus reìnos se tem cunhado muita moeda com 
cunho falso, principalmente no Porto, Aveiro e mais lugares xdtramarinos ; e porque convém averi- 
guar que nisto lia, e que havcndo culpados se castiguem multo, conforme as leis do reino; o des- 
embargador do Pago ordene que do referido se tire devassa, em particular nos logares apontados, e 
do que se achar me darà conta para se proceder contra as pessoas, que se acharem comprehendidas 
nesle crime comò parecer, e for justiga. Era Alcantara a 22 de maio de 1643 — REY. (Manuscripto da 
colleccào chr. de leg. port. colligida por F. J. Pereira e Sousa. — J. P. Ribeiro, Ind. chr. e crit., part. vi, 
secg. 2.*, addit., pag. 9. 



21 

tostòeSj meios cruzados ou dois tosioes, moedas de oUoy quatro^ dois e iim vinl&m, fa- 
bricadas nas offlcinas de Lisboa e Porto, devendo-se estabelecer n'esta ultima cidade o 
pessoal preciso e de conGanpa. Os possuidores da moeda de prata Qcavam obrigados 
a entregal-a para se fundir, pagando-lh'a a 3i$620 réis o marco, e a lavrada e em pasta, 
posta na lei de 1 1 dinheiros, a 3^^600 réis. Os n.°' 14 a 16 sào os cruzados lavrados 
nas tres ofRcinas monetarias de Lisboa, Porto e Elvas; os n.*^* 17 a 21 os meios cru- 
zados; OS n.*** 22 a 24 OS tostdes com a cruz de S. Jorge em vez da de Chrislo, diffe- 
renpando-se os meios iostocs n.®* 25 a 28 em^ terem, corno os antigos, as quinas em 
legar do escudo coroado. Dos oUo vhUens nào temosnoticiade exemplar algum; talvez 
se nào cbegassem a cunhar. Os quatro vintens n.°' 29 a 3 1, dois vintens n.®* 32 a 35, 
e tinlem n.^ 36 a 38, soffrerara pequenas alterafoes no typo. No periodo de seis me- 
zes devia estar teda a moeda antiga fundida e so correria a nova ^ A repetipào da 
legenda no anverso e reverso do n.® 27 deve reputar-se erro; corno corapensapào vi- 
mos outro exemplar com o nome do monarcha de ambos os lados. documento n.® 1 1 4 
nào menciona a officina de Evora, talvez por ser resolvida posteriormente a sua crea- 
(ào. Està casa de moeda e a do Porto comeparam a funccionar pelo anno de 1643, e 
fecharara-se no firn d'este reinado de D. Joào IV ^. A 30 de juiho prohibiu-se aos ou- 
rives comprar prata por menos de 3j5l440 reis ^. A contramarca nas patacas e meias 
patacas nao surtiu as vantagens que se esperavam, e lungo de impedir a salda do 
reino, pelo contrario a activou, originando o alvarà de 22 de setcmbro, que manclou 
estabelecer o mesmo curso às marcadas e por marcar, e bem assira aos dobròes hcs- 
panhoes, que tambem ficarìam correndo pelo valor ultimamente dado a moeda de oiro 
nacional; e com estas modiOca{;des se pretendia Tacilitar asuaaffluenciaaomercado^. 
A 13 de fevereiro de 1644, o conselho da fazenda recommendou se observasse a 
resolucào de se fundir toda a prata, excepto as patacas chamadas reoes casiellianos 
de otìo e quatro, ainda que nào fossem marcadas '. levantamento do prejro das pa- 
tacas trouxe a circuiamo grande quantidade d'ellas cerceadas, publicando-se por isso 
' a lei de 26 de fevereiro, tornando obrigatoria a recepfào das patacas que tivessem o 
devido peso ou pelo menos proporcionado ao valor da nossa moeda ^. Em 18 de abril 
mandaram-se affixar e apregoar editaes'para os tostdes, meios tostdes, quatro e dois 
vintens por marcar, valerem comò os marcados, disposipào identica à que se havia 
praticado com as patacas ^; e a 8 de julho e 26 de setembro do dito anno tornou-se a 
determinar que todas estas moedas, carimbadas e por carimbar, se levassem a casa 

' Arcb. da cosa da moeda de Lisboa, rag. geral, lìv. i, fol. 223. Impresso avulso. Doc. comprova- 
livon.» 114. 

* Vide tom. I, pag. 60. 

' Aos 30 dias de julho de 1643 se assentoa em Meza que de oje em diaute nenhum ourives da 
prala seja tao ousado a comprar prata por menos de tres miJ quatro ccntos e quaronta réis, que he o 
prego, por que vcndem na fórma da nova lei de Sua Magestadc, e o que constar, ou for achado que 
mercou por menos preco, perderà a prata que mercar, ou seu valor em caso que se nào ache; e as> 
stm mais pagarà duzentos cruzados, de que terà a metade a pessoa que o accusar, e nào usarà mais 
do dito offlcio. Està postura sera apregoada na dita rua para que vcnha à noticia de todos, e os alcai- 
des, e meirinhos d'està cidade terào a mcsma parte que se dà aos homens do povo^ com declaragào 
que este assento se nào modiflcarà. Rebeilo, etc. (Manuscripto da collec. chr. de leg. port. collegida por 
F. J. Pereira e Sousa). 

* Àrcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, fol. 225. Impresso avulso. Doc. comprovativo 
n.» 115. 

* Collcccào de cortes da Academia real das sciencias, tom. xii, pag. 24 v. Doc. comprovativo n.<^ 116. 

* Impresso avulso. Doc. comprovativo n.« 117. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. i, Tol. 228. Doc. comprovativo n.** 120. . 



22 

da moeda para se fundirem, cessando o seu carso, assim corno o das moedas hespa- 
nholas de settas e columnas ^. praso para terminar de todo a circu)a{;ào da antiga 
moeda nacional de prata foi, em duas ordens do conselbo da fazenda, prorogado por 
mais dois mezes ^. 

Em 2 de setembro de 1645 decretou-se que toda a pessoa que tivesse moedas 
antigas portuguezas de prata, marcadas ou nào marcadas, e bem assim as de tostdes 
e meios tostdes lavradas nos annos de 1641 e 1642 (n.®* 5 a 12), as fosse trocar por 
moedas de novo cunho, deixando aquellas de correr da data da lei em diante, impondo 
graves penas aos que nao as entregassem na casa da moeda no praso de tres mezes ^. 
A 9 de agosto mandou-se que so se flzessem de febres 100 réis em marco *• 

A 15 de fevereiro de 1646, repelindo-se as disposipoes legislativas sobre a prò- 
hibi^o de correrem as moedas velbas, mandou-se pagar estas a rasào de 3^100 
réis marco, isto é, mais 80 réis do que se achava estabelecido ^. A 9 de setembro 
permittiu o conselbo da fazenda a venda dos ferros de marcar o dinheiro, balanpas, 
pezos, martelos e mais utensilios que os cunhadores levaram às comarcas, por nào se- 
rem precisos na casa da moeda, devendo antes serem destruidas as marcas dos cu- 
nbos ^. Em 5 de outubro passou-se ordem ao juiz e thesoureiro da casa da moeda para 
pagar a Luiz Jardim a prata de 1 1 dinhejros e 22 gràos que entregasse na dita casa, 
a 3:900 réis, e assim se faria a todas as mais pessoas que ali mettessem prata da mesma 
qualidade ^. 

alvarà de 13 de novembre de 1647 declara haver noticia de se fabricarem pa- 
tacas castelhanas fallidas no peso e lei, introduzindo-se em Portugal no prepo das an- 
tigas ; e para atalhar tao grande mal, ordenou-se que ninguem recebesse moeda com 
fatta no peso, e sendo de oiro, inferior a 22 quiiates, e de prata de menos de 1 1 dinhei- 
ros; devendo toda a que entrasse no reino, ser examinada pelos oificiaes da casa da 
moeda, e nào tendo o verdadeiro toque e peso, seria fundida e cunhada por conta de 
seus donos, que so pagariam as despesas do fabrico ; e achando-se na lei poderia cor- 
rer livremente ^. 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, iiv. i, fol. 228 v. e 229 y. Doc. comprovati- 
vos n^* 121 e 123. As moedas de settas, pcrtencentes a Isabel I e Feniando V, eram de prata de 11 
dinheiros e 4 gràos, de 8, 4, 2, 1, V. e */« reales; e as chamadas de columnas, por terem as columnas 
de Hercales, foram cunhadas no mesmo metal desde o rcinado de Joanna e Carlos I. 

' Idem, fol. 230. Doc. comprovativos n.^ 124 e 125. 

• Idem, fol. 235. Doc. comprovativo n.« 128. 

• Idem, fol. 234 v. 

• Idem, fol. 237 v. Doc. comprovativo n.«> 131. 

• Idem, fol. 250. 

' Juiz e Thesoureiro da casa da moeda desta cidade Rcceba toda a prata que na dita casa me- 
ter Luiz Jardim de onze dinheiros e vinte e dous gràos reduzida à lei de onze dinheiros, e reduzindo 
a moeda faga conta do que mais vem a montar, o que vai do mais que se manda dar por ley a tres 
mil e novecentos réis por marco; porque do que mais montar Ihe faz Sua Magestade mercé, para se 
Ihe pagar do procedido da mesma prata na propria casa da moeda, e darà conta neste conselbo do 
que importa està mercé para se Ihe passar Provisào dela^ tendo entendìdo o dito Juiz e Thesoureiro 
da moeda que està mercé he servido Sua Magestade se fa^ a todas as mais pessoas, que metterem na 
dita casa da moeda prata d*esta mesma qualidade, de que as póde fazer sertas, e de que se Ihes pa^- 
rào as provisdes comò ora se ordena se passe a de Luiz Jardim, ficando assy a Ley em seu vigor sem 
se derrogar senào por mercé particular por a maneira referida. Lix.' 5 de outubro 646. A quoal ordem 
tem coatro rublicas dos snrs. Ministros do conselbo da fazenda. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, 
livro 1.*' do reg. geral, fol. 242 v.). 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, Iiv. i, fol 251 v. Arch. nacional, Iiv. rv das leis> 
fol. 197, J. P. Ribeiro, Ind. chr. e crit, part. i, pag. 155. Doc. comprovativo n.« 136. 






23 

conselho da fazenda em 3 de Janeiro de 1 649 renovou a prohibipào de sair 
do reino a moeda nacional ^ 

A 1 6 de Dovembro de 1 650 mandaram-se affixar editaes chamando outra vez a 
allenfào publica sobre a falsifìcapao das patacas, reproduzindo as providencias ante- 
riormente decretadas *; e a 5 de dezerabro foi delerraìnado o lavramento, noengenho 
viado de Franca, das moedas de prata com a imagcm de Nossa Senbora da Gonceipào, 
n.^ 13 \ 

Occasionaram n'aquella epocha as maiores precau^òes as palacas castelhanas. A 
carta regia de 26 de maio de 1651 manda entrcgat* todas na casa da moeda, pagan- 
do-se pelo seu valor intrinseco, para serem fundidas e lavradas em cruzados *. Conti- 
nuando a passar pela raia e portos do reino muitas patacas falsas^ fabricadas no Perù, 
prohibia-se por decreto de 6 de junho ^ que circulassem, devendo entregar-se nasca- 
sas da moeda de Lisboa, Porto ou Evora, para se lavrarem em moeda portugueza, pa- 
gando-se a seus donospelo prepo da prata. Està lei annullou as de 13 de novembre de 
1647 e de 25 de fevereiro de 1651 ; declara tambem que as palacas cunhadas em Se- 
govia, Sevilba e Mexico continuarìam em curso Corrado, e traz no flm os seus dese- 
nhos, gravados por Joào Baptista Coelbo, abrìdor de cunhos na casa da moeda de Lis- 
ina ^ e assim os copiàmos no documento ^. A 9 de outubro foi determinado o curso às 
moedas de prata com a imagem de Nossa Senhora da Conceipào, noprepo de 600 réis, 
devendo ter o peso de uma onpa e pondo-se pelo molde mais grosso ®. 

Em 1 1 de marpo de 1652 tornou-se a probibir a salda do dinheiro para o estran- 
geiro ^; e a casa dos vinte e quatro conformou-se a 1 8 de maio com a consulta do con- 
selho da fazenda soÈre as patacas *<^; consulta que provavelmente precedeu alguma 
das leis relativas às mesmas moedas. 

Para favorecer a importapao da prata publicou-se o alvarà de 9 de outubro de 
1652, mandando pagar às pessoas que a levassem à casa da moeda, sendo superior à 
lei de 1 1 dinheiros, a 3:900 o marco; e para simpliQcar o expediente dispensou para 
este effeito qualquer outra provisao **. 

Veriflcando-se pelo ensaio que as novas po/aca* e mete pa/acew lavradas no Perù, 

' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, foi. 256. Doc. comprovativo n.« 137. 
' Idem, fot. 257 y. Doc. comprovaUvo n.« 138. 
' Idem, foi. 258. Doc. comprovativo n.<» 139. 

* Arcb. da camara municipal de Lisboa, liv. iii de D. Joào IV, foi. 59. Doc. comprovativo n.» 140. 

* Impresso avulso. Doc. comprovativo n.« 141, onde vem citada nma lei de 6 junbo de 1651 sobre 
mcsmo assmopto, que nào acbàmos. 

* Yid. tom. I, pag. 73. 

' Arcb. da casa da moeda^ registo geral, liv. i, foi. 262. Impresso avulso. Doc. comprovativo n.« 141. 
As casas de moeda bespaobola uà America eram no Mexico, Potosi, Lima e Perù. A ordenanc^a de 1 de 
OQbibro de 1650 di2 com reiagào à ultima: «mandamos que toda la moncda falta de lei, que bubiere 
del Perù, se reduzca a las Gazas de Moneda de estos reinos para que aUi se funda, aflne é ponga a la 
ler que deve tener, probibiendo desde luego el uso de ella con las calidades e penas» etc. (Heiss, Des- 
cripdon general de las monedas hispaiyHTÌ3ltanas,tom. i. pag. 187). 

' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, Uv. i, foi. 258 v. Arcb. nacional, liv. iv de leis- 
Doc. comprovativo n.» 142. 

* J. P. Ribeiro, Ind. cbr. e crit, part. 1.*, pag. 171. 

** Pratiquei na casa dos 24, cbamados todos os 24 della à consulta do conselho da fazenda sobre 
as patacas, e lendosse, e considerando-se a cousa J)e comò negocio de tanto peso requere, foi por to- 
dos acordado que se conformavad c5 a ditta consulta do conselbo da fazenda, e para constar, disso se 
fes esse termo peUo escrivào de nesso cargo, e assinado por todos nós em Lx.' na ditta casa em os 18 
de malo de 1652. (Arcb. da camara municipal de Lisboa, liv. 3.« de D. Joào IV, pag. 58). 

" Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. l.«, foi. 259. Doc. comprovativo n.« 143. 



34 

• 

com as duas columnas no cuoho, eram de boa lei e justo peso, decretou-se a 17 de ju- 
nho de 1 655 o seu curso forpado '. 

Nas cortes de 1641 representaram assim os povos: 

oPedimos a V. Magestade maode com brevidade bater moeda de cobre em copia, e 
de toda a sorte, polla muita fatta qoe della ha, que he grande a oppressào que se pa- 
dece no comprar e vender pollo miudo ao Povo, e tambero perecem os pobres noeodi- 
gos por està muita Talta. 

«Que se fapa praticar com efleito e rigor a pena da ordenapào liv. v lit. xii § 1 .• 
sobre quaesquer pessoas que desfizeré, e fundìrem moeda de ouro, prala ou cobre, 
por quanto se ve manifestamente, que a rezào de faltar a de cobre, foi porque os cal- 
deireiros a foram desfazeudo, e fundindo, pelle grande proveito que tinhào, e se ala- 
Ihe, por que a moeda nào va pera fora do reino'.» 

B sobre està ultima parte tambero representou o estado da nobreza no cap. xiii. 

É de 9 de dezembro de 1642 a consulta regia ao desembargo do pape sobre a no- 
cessìdade de se fabricar moeda de cobre ^. 

senado tambem foi consultado, respondendo a 3 1 de Janeiro de 1 643 , que jul- 
gava conveniente procederle ao lavramento da moeda de cobre, mas de modo que 
nào fosse tao fraca que convidasse os falsìQcadores a importal-a, nem tao pezada que 
OS caldeireiros ganhassem em a fundir; que o mesmo senado comprerà urna porpao 
de cobre vindo da Succia, jà prompto a receber o cunho^ o qual existia na alfandega ; 
e concluia por pedir a el^ei que oste metal destinado ao fabrico da moeda fosse isento 
dos direitos, e que os ofllciaes da casa da moeda o cunhassem com a brevidade possi- 
vel*. 

A 22 de setembro de 1644 fez o mesmo senado um relatorlo do que se passara a 
respeito da moeda de cobre, da iropossibilidade em que estava de a mandar cunhar 
pelas suas-rendas, e que suspendéra as dìligencias sobre oste assumpto, visto discu- 
tir-se no conseiho da fazenda a conveniencia de fabricar moeda de estanho. A respeito 
da proposta de Jorge Lopes de Negreiros, ofTerecendo 50:000 arrateis de cbapa para 
moeda de cobre, 10:000 em cada anno, ponderava o senado sobre està nova consulta, 
depois de ouvir pessoas competentes, que julgava tal pretto muito subido, e arriscado 
a promover o desenvolvimento da moeda falsa; e attendendo às conveniencias publicas 
se resolvéra por maioria preferir-se o cobre que Joào Hals ofTerecia, igualmente em 
estado de cunhar-se, a 1 1 réis o arratel, e que ficaria mais barato ainda com os 8 ou 
10 réis, importancia da cunhagem, sem dispendio algum para a camara, dando-se 
pequena differeni^a entro o valor da moeda e o custo do cobre, podendo interessar 



* Arcli. da casa da moeda de Liaboai registo goral, liv. i, foi. 280. Impresso avulso. Dog. comprovativo 
n.* 146. A lei pnblicada em Madrid a 23 de setembro de 1653 faz suppor que se melliorou a moeda de prata 
conhada no Perù, pois diz: «Por quanto en oumplimiento de ordenes i resoluciones mias se balabrado 
en ci Perù moneda de piata de toda lei y valor intrinseco, à la qual se ha puesto nuevo cuno, qne por 
una parte tiene mis Armas neàles, y por etra las dos columnas con el Plus Lìlra y ano que se fabri- 
co en mcilio de ellas, de la qual ha venido cantidad à cstos reinos; y porque ninguna persona, de 
cualquicr estado ó condicion que sea, ponga duda en la bondad e oalìdad de la moneda, e sea usuai 
y corricnte comò la demàs piata cq cstos Reynos . . . (Heiss, Descripoion de las monedas hispano-cris- 
lumas, tom. i, pag. 187) 

* Cortes de 1641, oap. xlvii e xLvm. 

" Manuscripto da coli. chr. da legisla^ào portugueza colligida por F. J. Pereira e Sousa. J. P. Ri- 
beiro, Ind. chr. e crìt., part. vr, foi. 8 da 11.* secQào dos additamentOF. Doc. comprovativo n.« 111. 

* Arch. da camara municipal de Lisboa, liv. i de D. Joào IV, foi. 235. Doc. comprovativo n.« 112. 



25 

mais a fazenda quando o mandasse vir de fora por sua conta; e acabava instando pela 
solu{ao de tao importante negocio para attenuar a escacez da moeda minimal 

A 24 de marpo de 1645 ordenou-se ao thesoureiro da casa da moeda flzesse cu- 
nhar o cobre de Joào Hals, saindo prompto cada arratel a 120 réis^, o que indica ha- 
ver sido approvado o parecer do senado de Lisboa. A 6 de novembre repetiu-se a or- 
dem para a cunbagem de outra partida de cobre do mesmo negociante ^. 

Os cunbadores da casa da moeda, havendo cunbado 1 8 barris de cobre, perten* 
cenle ao dito Joào Hals,/equereram se Ibes pagasse o seu trabalbo; e o conselho da fa- 
zenda, em 15 de marpo de 1647, mandou que no caso de se nào encontrar o regi* 
mento antigo do lavor do cobre, se Ihes pagassem quatro réis por cada arratel ^. Em 6 de 
maio determinou o dito conselbo que a casa da moeda recebesse o cobre de Jorge Lo- 
pes Negreiros, pelo mesmo prepo que o comprava a Joào Hals, e se cunhasse tambem 
em moeda ^. 

A 4 de novembre de 1648 conflrmou o conselho da fazenda o centrato feito com 
Francisco Guterres Estoche e Fedro Starpt, que se obrigavam a fomecer todo o cobre 
preciso^ jà cortado em chapas com os diametros conforme as amostras, para se cunha- 
rem as diversas moedas, sondo isento de teda e qualquer contribuipào, e pagando-se* 
Ihe em prata, pelos pesos do reino, a 130 réis cada arratel, no praso de dois mezes 
depois da entrega. Caso este se nào acceitasse um mez depois de chegar a Lisboa, fi- 
caria o direito aos contratadores de o cunbarem por sua conta na casa da moeda, pa- 
gando aos officiaes da dita casa comò se fosse moeda para el-rei, e exigindo oito mezes 
para a entrega da primeira partida de 200 quintaes. Emquanto estes se cunbavam, de- 
viam chegar os outros 200, e com aviso previo viria mais, se fosse necessario. Dos 400 
quintaes entào contratados estipulava-se que 100 seriam em chapas para as moedas 
de 5 réis^. 

Provavelmente o governo creou na fabricapào da moéda de cobre mai$ uma fonte 
de receita, dando legar em 6 de novembre de 1653 a interessante consulta do senado 
de Lisboa^, que, dissertando sobre a historia monetaria desde antigos tempos, de- 
moDstra o perigo do excesso de valor estimativo da moeda portugueza de cobre em 
rela^o ao intrinseco, propondo, comò jà se havia feito no reinado de b. Sebastiào, 
que os 5 réis se reduzissem ao prepo de 3, os 3 a 1 Va? e este a 1, e indica o exem- 
plo de varios monarchas estrangeiros que assim o praticaram. documento prova 
tambem que até & sua data, no reinado de D. Joào IV, so se tinbam fabricado n'este 
metal as tres especies de moeda citadas, e que taes reclamafoes apenas podiam ser 
baseadas, comò anteriormente expendemos, na diminuifào do peso estipulado, cir- 
camstancia que se verifica no confronto dos muilos exemplares aìnda existentes. 

Nào foi so senado que reclamou contra taes abusos, que deviam acarretar de 
futuro maiores embarapos. Nas cortes de 1653 a 1654 representaram os povos, no 
cap. xviii, seguirne : «Temos justiflcados rcceios que os estrangeiros meltam n'este 
reino multa moeda de cobre de cinco e tres réis, que Vessa Mageslade mandou bater 

' Àrcb. da camara municipal de Lisboa, liv. i de D. Joào IV, pa^. 288. Doc. comprovativo n.*" 122. 
' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. i, foL 248 v. Doc. comprovativo n.» 127. 
■ Idem, fol. 248 v. Doc. comprovativo n.» 129. 
• Idem. fol. 249. 
' Idem, fol. 248 v. 
' Idem, foL 262 v. 

' Arch. da camara municipal de Lisboa, liv. i dos rcgistos de consultas e dccrctos do D. Joào iv 
e D. AffoDso VI. fol. 126 a 128 v. Doc. comprovativo n.» 144. 



26 

de novo, e deixando-as no reino, e tirando d'elle a prata, resuite o damno qua jà se 
experi mentou. Pedimos a Vossa Magestade que para se atalhar a este receio mando 
abater as moedas, a saber: as de cinco réis a Pres, e as de tres réis a real e meio, 
que é valor das moedas antigas». 

rei mandou responder : «É de tao grande importancia a materia que me prò- 
pondes, e de tao prejudicial consequencia para o reino, pelas rasoes que apontaes, 
que por me constar da diligencia que mandei Tazer, nào haver utilidade alguma na 
fimdipao d'este genero de moeda, antes, em rasao de seus prepos e excesso, ser de 
gravissimo danmo. Hei por bem de mandar que de hoje em diante se nao fat^a mais 
moeda alguma de valor d'està que ultimamente se fez, e a que està feita se reduza a 
seu antigo e costumado valoi*, e a que se mandou fundir e cunhar seja outro si comò 
antes se fazia ^e reaes e reaes e maio e moedas de tres réis, e nào de outra fór- 
ma. . .*» 

Apesar da resposla dada em cortes ser positiva, o monarcha ainda mandou, por 
decreto de 20 de julho, ouvir o conselho da fazenda, o qual informouregularnomer- 
cado prepo do cobre manufacturado em qualquer obra entro 160 a 170 réis, e na 
moeda era reputado a 140, nao podendo perisse interessar aosmoedeiros falsos; que 
nào havia receio da exporta(^ào da moeda de prata pelo seu excessivo prefo corrente; 
e que tendo subido o cobre nas terras do norte mais tres percento, suspeitava que nào 
se encontraria quem o quizesse fomecer mesmo pelo prepo de 1 40 réis o arratel. pro- 
curador da fazenda, baseando-se n'estas rasSes, opinou tambem centra a reduc^^ào no 
valor da moeda de cobre, o que irla prejudicar muito os possuidores ; e quando fosse 
indispensavel diminuir-lhe o prepo, seria preferivel empregal-a na fundipào da arti- 
«Iheria. conselho da fazenda recapitula depois o que se passàra com os contratado- 
res de cobre Joào Hals, Jorge Lopes de Negreiros^ Francisco Gulerres Estoche e Fedro 
Starpt'. Mandando os dois ultimos vir 500 quìntaes de chapas promptas a receber o 
cunho de real, real e meio, tres e cinco réis, a prepo de 130 réis o arratel, que com 
OS 10 da cunhagem Scava por 140, e examìnadas na casa da moeda as ditas chapas 
que deviam servir para as diversas especies de moeda, veriflcou-se que algumas 
nào estavam exactas com o peso que devia corresponder ao valor; por isso se cunha- 
ram so as que se acharam conformes com a lei, e as restantes fundiram-se para a arti- 
Iheria. Termina a consulta demonstrando o infundado receio de ser falseada a moeda 
de cobre, pelo baixo prepo em que està em relapào ao valor intrinseco, achando-se 
em Franpa, Uollanda e outras napoes do norte mais subida do que em Portugal, comò 
se conOrmàra pelo esludo feito sobre tao importante assumpto^. 

D'està consulta foi enviada copia ao senado em 14 de outubro, inclusa no decreto 
sobre a baixa da moeda de cobre,- conforme a resolupào de Sua Magestade, para o 
mesmo senado a fazer executar na parte que ihe dìzia respeito^. 

' No final das respostas tem: Lisboa 23 de fevereiro de 1654. Coli, de cortes da Àcademia real das 
sciencias, tom. xi, pag. 175 a 211. Lopes Feraandes, Mem. das moedas correnles em Poriugal, pag. 194. 

' doc. di£ Stalparte; pareceu-nos adultera^ de appellido, e adoptàmos Starpt por o acharmos 
assim escrìpto em outros documentds. 

• Doc. comprovativo n.» 145. 

* Veja-se no senado da camara d'està cidade a copia da consalta do conselho da fazenda, que 
sera inclusa n'este decreto sobre a baixa da moeda de cobre, e na conformidade da resolupào, que 
n'eUa tornei a fa^a executar o senado na parte que Ibe toca. Em Lx.' 14 de outubro de 1654— Rey. 
(Manuscripto da coli. chr. de legislacào portugueza, colligida por F. J. Pereira e Sousa, que a copiou 
do liv. I das cons. e decr. de D. Alfonso vi, foL 82.) 



2 



rf 



Talvez as chapas rejeitadas, de que falla o documento n.° 145, fossem as que de- 
viam servir para se cunharem as rnoedas de real, das quaes se nao tem encontrado 
exemplar algum, sendo alias vulgarissimas as de 5 réis (n.° 40), de 3 réis (n.® 41) e 
de 1 Va (n.° 42). Se calcularmds pelaleitura dos documentos, correspondem, pouco mais 
ou menos, a cada moeda de real 65 graos de cobre, à de 1 Vs real 98, aos 3 réis 
196, e aos 5 réis 328^/28, tornando o arratel em 9:206 graos. Mas estas rnoedas nao 
guardavam proporfào entre si; o mesmo conselho da fazenda, na bypotbese de se 
effectuar a reducpao da moeda de cobre, o declara*: iUanto mais em breve se extingui- 
ria de lodo està moeda, na fundi^ào que os caldeireiros fardo della, pelo grande 
avanzo que tem^ pois ficdo comprando um arratel de cobre de rnoedas de sinco réis 
por oiterUa e quatro réis, e de rnoedas de tres réis por seterUay>. 

Nos exemplares mais bem conservados temos acbado o peso entre 264 a 3 1 6 graos 
nos5rtìs;nos3 réis 148 a238 graos, enos 1 Va 'ii'gclgs 88 a 124 graos. Seriamasrecla- 
ma^^oes devidas a estas irregularidades, ou ellas importariam urna diminuipào inten* 
cional no peso para augmentar os lucros da fazenda? Assim o suspeitàmos. 

A differenza de toque, peso e pre{;o entre a moeda portugueza e a hespanhola 
constituiram n'este reinado phases irregulares no systema monetario, aproveitadas 
pelos especuladores na exporta^ào ou importapào da especie em que mais lucravam ; 
e juntando-Ibe a multiplicidade de leis repressivas e os successìvos augmentos de va- 
lor, temos explicado a difficii situapao economica. 

Francisco da Costa Solano, tbesoureiro da casa da moeda de Lisboa, escreveu em 
1734 uma Relacdo do dinJieiro que se fabricou no reino de Portugal desde o tempo de 
D, Jodo IV até D. Joào V. Abi menciona as moedas cunhadas nos tres metaes, sem 
fallar nas frequentes alterapoes que soflfreram no seu peso e valor ; e no que diz com 
relapao a este reinado, é alem de deficiente pouco exacto '. 



• Àtch. da camara municipal de Lisboa, liv. lxvii de D. AfTonso VI, pag. 83 a 84 v. Doc. compro- 
valìvo n.« 145. 

' Scusa, tìisl. gen. dn casa real pori., tom. iv, pag. 286. 



28 



D. AFFONSO VI 



(De 6 de novemhro de 1656 a 22 de novembro de 1667 *) 

D. Affonso VI nasccu cm Lisboa a 21 de agosto de 1643, foi jurado principe successe • 
do rcino, por morte de seu irmao primogenito, em 22 de outubro de 1653, e subiu ao Ihronc 
pelo fallecimento de scu pai, a 6 de novembro de 1656, sendo acclamado com os festejos d« 
costume nove dias depois. Durante a sua menoridade regeu os negocios do estado, conformi 
testamento de D. Joào IV, a rainha D. Luiza de GusmSio. 

Alentados os hespanhoes com estas cìrcumstancias, e com a tomada de algumas pragas 
secundarias na fronteira, resolveram apoderar-se de Eivas, famoso baluarte que juigavam ina- 
porlar a conquista do reino, entSo bastante enfraquecido por uma guerra tao prolongada e 
pelo man exìto do cerco de Badajoz, onde foram victimas de uma terrivel epidemia grande 
numero de ofHciaes e soldados portuguezes. exercito castelhano, composto de cinco mil 
cavalleiros e quinze mil infantes, às ordens de D. Luiz Mendes de Baro, marquez del Carpio, 
entrou soberbo a raia do Alemlejo em outubro de 1658; depois de tornar pequenas povoa- 
góes, que nSo tinham meios de rcsistencia, achou-se no dia 22 do dito mcz cm frentc da 
praga de Elvas, e rompendo logo um fogo intenso contra as muralhas, estabelcceu rigoroso 
cerco. 

Os sitiados lutavam com docnga epidemica, faltas de comestiveis e de munigGes; mas 
D. Sancho Manuel, que governava a praga, soube incutir no animo de todos a suprema reso- 
lugao de se dcfenderem a todo o transe, sacrificando a vida à independencia da patria. 

N'esla conjunctura a rainha regente encarregou, a 2 de novembro do refendo anno de 
1658, ao conde de Gantanhede a organisagào do exercito que havia de ir soccorrer Elvas; e 
tao galhardamente se soube sair o conde da ardua empreza, que antes de dois mezes conse- 
guiu organisar um exercito de oito mil homens, sendo apenas dois mil e quinbentos de prì- 
meira linha, e igual numero de cavallos e eguas. Estes reforgos, que estavam longe de cono- 
petir no garbo e disciplina com os castelbanos, atacaram no dia 14 de Janeiro de 1659 as trin- 
cbeiras dos sitiadores com tal denodo, apesar de bisonhos, que conseguiram romper as filei- 
ras hespanbolas, e coadjuvados pelos da praga derrotaram o exercito invasor, causando^ìhe 
perdas tuo consideraveis em mortos, feridos e prisioneiros, que se disse subirem a dez mil, 
alem de immenso material de guerra^. 

' N'esta data foi julgado incapaz de governar o reino e privado da liberdade, deixando a moeda 
de sor cunhada cm scu nome. 

' Pouco distante da prega de Elvas, junto à estrada de Barbacena, existe n*uma pequena altura o 
padrào commemorativo d'està famosa batalha: é uma coiumna de marmorc branco, da ordem toscana, 
assente n'um pedestal, para o qual sobem tres degraus, tendo o todo de alto vinte e um palmos. So- 
bre capitcl acha-se a coròa rcal e cm tres faccs do pedestal a seguinte inscripgào: No anno de 1659, 
remando ein Porlugal D. Alonso o sexlo, em ier^ (eira 14 de Janeiro do mesmo anno, D. Antonio Luiz 
de MenezeSf Marquez de Marialva, capHào general d'esla provincia do Atemf.ejo, inlroduzio soccorro 
na praga e cidade d'Klvas, que eslava siliada por D. Luiz de llaro, capilào general d'Eslremadura, 
primeiro ministro d'el-rei Filippe o quarto, alacando, rompendo, dcsnumlelando e ganhando a circum- 
valagào inimiga, arlilharia, bagage, munipòes e secrelaria e tomaìuio muUos cabos e prizioneiros. Està 
memoria se poz para qtte os morlaes deem gragas ao senlior dos exercilos e vidorias, roguem pelas 
ahnas dos que se acharào, e derào as vidas em lào singular e profiada batalha, que durou dcsde as 
nove horas da nìanham ale se garrar a noile. 



29 

As nossas pcrdas, aindaquc multo ìnferìores, forani bastante sensìveis, entrando n'cssc 
numero a morte do bravo general de cavaliaria, André* d'Àlbuquerque Ribafria, alcalde mór 
de Gintra. 

Os effeilos moraes d'està Victoria) tanto no paiz corno no estrangeiro, foram importantes. 
Portogal recuperou a antigatconsideragao; despertando brios, tornava provavel o triumpho. 
A regente, sem se deixar adormecer com os hymnos vencedores, instava o cardeal Mazarino^ 
por intermedio do conde de Soure, D. Jodo da Costa, para Ihe mandar soccorros de trop^ 
francezas; mas os vebementes esforgos do embaixador nào poderam impedir o tratado dos 
Pyrcnéos, ultimado a 20 de novembro de 1659, em que a Franga e a Hespanba, fazendo o 
casamento de Luiz XIV com Maria Thereza, fìrmavam em um artigo a declaragào do governo 
franccz retirar toda a protccgào a Portugai^ 

Està allianga acobardou alguns animos menos resolutos, tornando-se notaveis, por deser- 
larem iogo para o partido de Castella, o duquc de Aveiro D. Raymundo de Lencaslre, e Fer* 
Dào Telles de Menezes, que se achavam na embaixada de Hollanda. 

A rainha D. Luiza de Gusmào, ajustando o casamento da infanta D. Catharina com Car- 
los Il de Inglaterra^, prolongava a entrega do governo a seu filbo, que bavia completado os 
dczoito annos a 21 de agosto de 1661, o que levou D. Alfonso VI, aconselhado pelo conde de 
Castello Melbor, a rctirar-se para o palacio de Alcantara, d'onde assumiu a auctoridadc real, 
que apesar da ma vontadc Ibe foi entregue por sua màe com todas as solemnidades a 23 de 
JQoho de 1662. Este incìdente, augmentando a predilecgào da rainba pelo infante D. Fedro, 
cflgrossou numero dos descontentes, jà bastante consideravel pela intolerancia do valido, 
a quem o novo rei cegamente confiava todos os negocios publicos. 

governo de Madrid, livre da guerra com a Franga, fez invadir a provincia do Alemtejo 
por outro poderoso exercito, capitaneado por D. Joào de Austria, que facilmente conseguiu 
entrar no reino até ao campo do Ameixial, onde Ibe tomou a frente D. Sancbo Manuel com 
as tropas portuguezas e auxiliares. Empenbada a luta a 8 de junho de 1663, depois de beroi- 
cos fcitos de bravura, o exercito invasor foi posto em debandada, com perdas ainda superio- 
rcs às soffridas quatro annos antes na celebre batalba das linbas de Elvas^. 

N'am monte fronteiro a Elvas mandou tambem D. AfTonso VI levantar urna ermida com a invo- 
ca^ào de S. Jorge, dotando-a com a renda precisa para missa diaria e responso por alma dos que mor- 
rcram n'aquclla batalha. Ila annos cessou a pratica d'estes actos rciigiosos. 

' Mazarino cliegou a mandar a Lisboa o marquez de Chouppcs com a proposta de Portugal voltar 
ao dominio do rei Calìwlico, corno eslava anles do ÌJ" de dezembro de 1640, oflTerecendo em compen- 
sagào a D. AflTonso VI o vice-reinado cm Portugal, ou o reino do Drazil! . . . Com dignidadc e energia 
foram rcjcitadas tao estultas offertas. No thesouro da casa rea! existe umà medalha originai em oiro, 
com 28 centimctros de diametro e 6 millimetros de espessura; dìz no anverso PHILIPP VS IIII tt 
D o G o HISPANIA » RUM, ET INDI S( ARVM REX, i66o — Armas de Hespanlia com os 
escados de Castella, Lcào, Aragào, Granada, Sicilia e no centro o de Portugal; em volta corno 
ornamento o coUar do tosào de oiro. 

i$f Escudo coroado, com as armas de Castella e Leào, entre duas columnas tambem coroadas e 
coro fachas enroladas, lendo-se na da esquerda PLVS e na da direita VLTRA. Por baixo tcm o mar, 
e a orla é acompanhada por uma serie de folhas. Na espessura aprescnta cm diversos pontos trcs ca- 
rimbos identicos, podendo-se apenas distinguir = XXI — LPS. = Superiormente està o medalhào 
Torado e com argola para suspensào. Pesa 2 kilos e 160 grammas. No mesmo tbesouro acham-se duas 
caixas iguaes, o que faz desconflar haver ainda uma outra medalha das mesmas dimensòes. Na casa 
real Ignora-se a procedencìa d'està pega, e parece-nos ter side feita por occasiào do casamento de Maria 
Thereza com Luiz XIV. 

" centrato estipulava alem de dois milhoes de cruzados, a praca de Tanger na Africa e a ilha de 
Bombùm na Asia, recebendo-se em compensacao de tacs sacrilicìos o auxilio da Gran-Dretanha para se 
recuperarem as possessóes do ullramar e sustcnlar a guerra da indepcndencia. Portugal entregou re- 
ligiosamente dote, mas à Inglaterra nào cumpriu o tratado. 

' As forgas de D. Sancho Manuel eram 11:000 infanlcs e 3:000 de cavallo, e as de D. Joào de Aus- 
tria 12:000 inTantes e 6:500 de cavallarìa. Para se avaliar o rcsultado d'està batalha basta saber que os 
hcspanhoes deixaram no campo, entro mortos, fcridos e prisioneiros, 12:500 homens e 1:400 cavallos, 
alem de riquissimos despojos, incluindo entre doze estandartes o do proprio D. Joào de Austria. 



30 

A 7 de julho de 1664, Fedro Jacques de Magalbaesi dcrrotou o duque de Ossuna, quando 
sìtiava Castello Rodrigo, entào guarnecido por tropas portuguczas. 

Estes desastres nào fizeram desistir da empreza os ministros de FìlippelV. À D. Jodo de 
Austria succedeu o marquez de Carracena, que avangou dcnodadamente pela provincia do 
Alemtejo com um novo e aguerrido exercito; eoi Montes Claros saiu-lhe ao encontro o mar- 
quez de Marialva, e ferindo-se a batalba, a 17 de junho de 1665, as armas portuguezas co- 
briram-se mais urna Tez de gloria, destrogando o inimigo'. Os despojos de bandeiras, caval- 
los, artilberia, armamento e mais petrecbos de guerra foram iraportantissimos. 

Tornando-se cada vez mais notaveis as desintelligencias entre arainba màe e el-rei, estc, 
aconselhado pelo conde de Castello Melhor, a fez sair da córte, e recolber-se à sua casa no si- 
tio do Grillo, onde viveu isolada quasi tres annos, morrendo a 27 de fevereiro de 1666. 
seu cadaver foi depositado na igreja de Corpus Christi, no bospicio dos carmelitas descalgos 
em Lisboa, até se acabar o convento das religiosas descalgas de Santo Agostinbo ao Grillo, 
que havia fundado, fazendo reformar a mesma ordem, e para onde foi trasladada, conforme 
seu testamento, a 17 de junbo de 1717. 

Concluido tratado de casamento de D. Afifonso VI com a filba do duque de Nemours, 
D. Maria Francisca Izabcl de Saboya, veiu està princeza a entrar em Lisboa a 2 de agosto do 
dito anno de 1666; e em vez de ser o anjo da paz eotre as desavengas da córte, pelo contra- 
rio, favorecendo o partido do cunhado centra o esposo, antecipouodesfecbodeacontecimen- 
tos que até entào estavam duvidosos. 

A conspiragào princìpiou a combinar-se mui secretamente em casa de D. Joào da Silva, 
nào Ibe sendo o infante estranbo. Quando o conde de Castello Melbor o soubc, tomou no pago 
algumas precaugOes militares, que muito aggravaram a D. Fedro, corno em seguida fez publico 
n'um manifesto com os motivos da sua queixa; mas este procedimento exasperou el-rei; e o 
ministro, para evitar maiores males ao paiz, saiu da córte, e pouco depois do reino. 

A intriga palaciana tinha concluido a mina, e a explosào nào se fez esperar. A rainba em 
21 de novembro de 1667, fugindo para o convento da Esperanga, protestou tambem contra 
seu casamento, declarando o rei impolente ! Dois dias depois o infante D. Fedro, apoiado 
por grande numero de nobres e pelo juìz do povo, tirou o poder real a seu irmào, dando-o 
por incapaz de exercer a soberania, e prcndcndo-o no seu proprio quarto. Em 1669, annuindo 
mesmo D. Affonso VI, foi transportado para o castello de Angra, onde o foram buscar pas- 
sados seis annos, com receios de que o governo bespanbol o mandasse libertar; e conduzido 
ao palacio de Cintra, ahi continuou caplivo ató a um domingo, 12 de setembro de 1683, em 
que, estando a ouvir missa, falleceu de uma apoplexia. Nào deixou testamento'; o seu cada- 
ver amorlalbado no babilo de S. Francisco, tendo ao pescogo em fita encarnada a cruz da or- 
dem de Cbristo, veiu com pompa real para o mosteiro dos Jeronymos em Belem, onde se cod- 
servou coni pouco resguardo atràs do aitar mór até 29 de setembro de 1855, em que el-rei 

• General de arUIheria na provincia do Àiemtejo, e depois govcrnador das armas na Beira. Tomou 
parte nas principacs batalhas terrestres e navaes do seu tempo, sendo pelos seus grandes servigos feito 
visconde de Fonte Arcada. Morrcu, com descendencia, a 8 de dezembro de 1G88. 

' numero de soldados portuguezes era de 15:000 infantes e 5:500 de cavallo; os bcspanhoes ti- 
nkam igual numero de infantes, mas de cavallo eram 7:G00. 

' '.N'aquella epocha correu o boato de que D. Affonso VI, antes de expLrar, emprazàra sua muUier 
para compareccr antes de anno e dia no tribunal da Justi^ divina, a dm de responder pelos aleives 
que Ibe havia levantado. Joào Baptista de Castro transcrevc a seguinte sextilba, que apparecea anonyma 
iogo depois da sua morte : 

Eu fuy livre, fuy rcy e fuy marido, 

Sem reino, sem mulbcr, scm libcrdade, 

Tanto importa nào ser, corno baver sido: 

A Portugal so deixo està verdadc, 

A meu irmào so deixo estc memento; 

Estc é de AfTonso scxto o testamento. 



31 

seahor D. Fedro V o maadou trasladar para o jazigo da casa de Bragaaga no ex-mosteiro 
de S. Virente ^ 

D. AffoQSO VI era de estatura regular, pelle multo branca, olhos azues, cabello e barba 
loura, presenta agradavel e franca. Quando creanga soffreu grave enfermidade, dequelhefi- 
cou a paralysia incompleta do lado esquerdo. Multo senhor da sua vontade, se o contrarlavam, 
cxasperava-se gritando pragas e ameagas; presumìa de valente, o que Ihe valeu n'uma das 
suas cxtravagancias nQcturnad urna estocada. Possuia grande memoria; mas nào tendo rece- 
bido instrucQào ncm educagào, entregava-se às corri das de tòiros, onde praticava actos teme- 
rarios; e de noite, acompanbado por um magete demulatos, cbamados osvalentóesdeel-reij 
promovia nas ruas da cidade desordens e escandalos. 

irmào conservou-o prisioneiro quasi dezesels annos, e apesar do conde da Ericeira no 
seu Portugal Restaurado dizer : sendo em lodo o tempo que Ihe diirou a vida, servido, e 
respeitadOy corno era justo, e com tam finas attengóes do cuydado de Principe^ que he diffi- 
di poderem-se exprimir, e por universalmente notorias, deyxamos de eocpressallas, a boa 
critica sobre alguns factos bistoricos leva a suppdr o contrario. Àlem da lìbcrdade tiraram- 
Ihe a coróa e a mulber; e està, promovendo o monstruoso processo de annullayào do casa- 
meato', tao attentatorio ao pudor, mostrou bem a corrupQào d'aquella epocba. 

Das bondades do coragào de D. Afifonso VI ba multo para duvldar, assim corno do bom 
estado das suas faculdades Intellectuaes; mas as batalbas ganbas durante o seu governo, com 
a aclividade e acerto do seu escrivào da puridade, o conde de Castello Melhor, Luiz de Vas- 
coQcellos e Scusa, foram gloriosas e decisi vas para a independencia nacional. 

Estes feitos tao conbecidos e a serie de iofortunìos por quepassouodesditosomonarcba, 
se Duo fazem esqueccr as suas faltas e ìncapacidade para gerir os negoclos do reìno, sao de 
certo as attcnuantes por que a bistoria hoje o deplora mais que o accusa^. 

' Emquanto esteve na igreja dos Jeronymos, foi por vezes abcrto o caixào, observando-se o corpo 
n'um admiravel estado de conscrvaQào, devido ao perfeito emJsalsamamento, faltando-ibe apenas parte 
da pelle da face, que uns barbaros Ihe tiraram a titolo de curiosa reUquia! . . . Ao lado tìnha o capa- 
cete, mas existia uma so espora, k esquerda, entrando a mesma igreja dos Jeronymos, exlste mn tu- 
mulo de mannore, vaziOf que dizem fora feito para receber o corpo de D. Affooso VI. 

' Impresso em Lisboa no anno de 1843, 8.» de iv, 136 pag. 

' Na livrarìa da Àjuda existem duas cartas assignadas por D. Affonso VI, que provavelmcnto Ibe fo- 
ram ioterceptadas: urna é para o papa e outra para sua irmà 0. Catharina, mencionando-se n'esta uma 
terceira para seu cunbado Carlos 11 de Inglaterra, que desappareceu. Apesar de Jà publicadas por F. 
A. Martins Baslos nas Memorias para a hisloria de el-reì fidelissimo o senhor D. Fedro V (pag. 222), 
julgàmos util transcrevel-as tambem n'este logar. 

Beatissimo Padre.— Lan^ado aos pez de Vossa SanUdade, e depois de tomar Sua Santa Bcn^ào, hu- 
. mildem.'^ pe^o ponha os olhos no estado deste prezo, e affligido fiUio, q mais fala com o sentimento 
dalma, q com a lingoa da boca, e Se Vossa Santidade se nào mouer a compaixào pcllo q amim me toca, 
mouasse ao remedio pedo q ihe pcrtcnce; q deus Irmaus nào caibam em bum so Imperio, nào é nono, 
pori] OS primeyros q ouoc no mundo, nào couberào nelle, quando este ainda cstava vazio : mas que a 
mesma molher esteja cazada com ambos, sendo ambos vmos? be cxemplo aibeio da Igreja Catholica, 
e oem berodez o cliegou a dar. Feyto pacto de cazamenlo entre os deus, se retirou do Passo a bum 
conuento, e para q eu nào puzesse remedio a isto me tirarào a liberdadc, e com ella tudo o mais; 
(ieyxaodo-me nestc carcere com tres criados p.» me seruir, e com companhias a uista p.* me goardar; 
e com tanto rigor q ncm bum comfessor p.* tratar de minba consciencia admitcm a me falar, nem Sa- 
cerdote (] cbegue a recomciliar o capellam q me diz missa, assim viuo Sepullado corno se fora mor- 
to. Depois de prezo com promessas de lego me pòrem em minba Libcrdide, me pedirào bum papel, 
q ihe comuinba a seu intento, o qual dey p.* me ucr na liberdadc q se me pormetia, q com ella eu 
remediaria tudo; este papel e os mais q dey foi com uiolencia p.* remir minba vexagào e lego os anu- 
lev todoà. Àuidos os papeis q desejauào me deyxarào na mesma prbsào, e com mais aperto q dantes. 
Tratando da sentenza do dìuorssio pedi se flzesse uistoria, q cu sedia de minba autoridade, o q nào 
admitirào, nem procurador meu q asistice a nada; com medos, e ameassas ilzerào q as testemmibas 
dicessem o q elics qucriam, e nào o q sabiam, e as q nào podiam Leuar a seu intento; nào cbamauào 
a testcmunbo: aos Juizes da ditta sentenca lizerào promessas de Bispados, e outras dignidades p.* q 
julgacem em seu fauor, e em dctrim.'' da comciencia, e justi.ssa; saindo a cenlenca comò perlendianj 



•tr«.^ 



d2 

Moedas de D. Affonso Vi 

Pre^o estimativo aotacd 

Moeda de quatro cruzados 80^1000 réìs 

Moeda de dois crozados 80^000 » 

Moeda de cruzado < ? 

Moeda de quatro mil réis. 40^000 

Moeda de dois mil réis. 40^000 

Moeda de mil réis 40j|;000 

Cruzado de 6^000 réis a 15^000 

Meio cruzado de 600 réis a 2^500 

Tostào G. a 3j;000 

Meio tostào G. a 3^000 

Quatro vintens G. a 2^000 

Doisvintens G. a ZSÙOO 

Vintem de 500 réis a ^600 

Dez réis de 1^000 réis a 2#000 

Cobre . . -Real e meio 4^000 

1. ALPHON.-VSoVIoD.... Armas do remo. 

Qr 0% INoHOC.IGNOoVINCES. Cruz de S. Jorge cantonada pelas qua- 
tro letras do anno 1-6-6 . . Està moeda tem tres contramarcas. Pesa 224 graos. 
QucUro cruzados. N. Nao conhecemos oulro exemplar. SO/JOOO réis. 

2. ..LPHO..SVS0VI0DG.POR....L. Armas do reino. 

Qr ..NoHOCoSIGNoO VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada pelas qua- 
tro letras designando anno 1-6-6.. Este esemplar, unico que conhecemos, tem 
duas contramarcas. Pesa 115 grSos Dois cruzados. N Pertence à collec^ao do 
sr. Eduardo Carmo. 80^5(000 réis. 

3. oSo ALP. . .SVS» VIoDoG REX. . .ORTVGAL. Armas do reino, à es- 
querda quatro pontos, e é direita (40)0 indicativo do valor. 

^ o) INoHOGoSI. .. .0 V. .IGES. Cruz da ordem de Christo cantonada 



em sabado vespora de domingfo de ramos, se Jurào uà ter^a fr.* seguinte, e logo no dia seguinte f Tgi- 
rào chegar breues de Vossa Santidade, em q despengaua do impedim/' da publica oncstidade, e se re- 
ceberào em quinta fr.' de emdoensas, cazo q tem pasmado a todos meus vassalos q se perni rào 
empedìriào. Està he a uerdade deste sucesso nunqua uisto, nem ouuido, e de tudo se podc Vossa San 
tidade mandar secretamente emformar pelle tribunal da Inquisi^ào, e mandar remeter todos os papeis 
que sairào sobrc està materia p.* se mandarem uer por uia de Vossa Santidade nessa Curia: dep^o ou- 
tras circunstancias por que sey tem ja chegado a noticia de Vossa Santidade aquem peso corno a Pay, 
aplique os remedios a estes danos, q se eu estiuera em minha Liberdade Azera. Na Santa benoào de 
Vossa Santidade m.** me encomédo. Lx.» 12 de Agosto de 668. F.« ELREY • : • de Portugal. 

Serenissima Rainba Irma minha. — Do estado em q estou, poderaV. Mag.^ tirar, sem grande em- 
carecim.***. os motiuos que tcrey de sentim.^, pena, magoa, e desconsola^^o, pois me uejo sem Liber- 
dade, honrra, fama^ e estado, e sedo sem uida: se V. Mag.<i« me nào Socorcr, q he Vnico bem q te- 
nho p.* donde possa appellar nesta estrema fortuna. Da carta que escreuo a El-Rey men Irroào (Carlos 
Il de Inglaterra) sera prezente aV. Mag.<^ minha perten^ào; e fio de sua grandeza, e da beneuolencia 
q V. Mag.<>« sempre me mostrou, comò de mim sobre tudo m.^» amada, e prezada Irma, que bey de lo- 
grar Logo a Liberdade de que me tem priuado, e de tudo mais quem se gouerna por conselhos de 
quem nào teme a Deus, elle darà premio comforme meressim.^, q eu Ihe nào pesso Justi^a, mas 
mizericordia: a Carta cmcluza, q com està vay para Sua Santidade me farà V. Mag.<^« remeter com bre- 
uidade, q me cmporta m.*"*, asìm a minha conciencia comò ao mais, e Siruasse V. Mag.''* de se nào mo- 
lestar, por q nào tcnho outro (r)efugio e emparo. Lx.» 12 de agosto de 668. I.' ELREY • : • de Por- 
tugal. 



33 

por quatro pontos e iim outro no centro. Este exemplar que pertence i collec(ao 
da bibliotheca nacional de Lisboa, unico que conhecemos, pesa 454 grSos. Cru- 
zado, JR—ÌHOOO réi&. 

4. ••• ALPHONSVS.VIoD GoPORToREX. Armas do reino, a esquerda 
dois pontos e i direita 200, indicativo do valor. 

fJ: oU IN.HO..0SIGNO0VINGES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro pontos e um outro no centro. Pesa 222 gr3os. Meio cruzado ou dois 
tostdes, M — 2^500 réis. 

5. V ALPHONSVS.VI.D G«REXoPORo Armas do reino. 

^: V IN HOCoSIGNOoVINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 
pontos e com outro no centro. Pesa li3 graos. Tostào, JR — 3^000 réis. 

6. V ALFONSVS o VI o D G Quinas cantonadas por quatro pontos. 

R V !•• HOCo GNOoVINoCES. Cruz de S. Jorge cantonada por 

quatro pontos. Pesa 52 gr3os. Meio tostóo, JR — 3^000 réis. 

7. ALPHONSVSoVIoDGoREXoP No campo encimado pela corfia 

real AL «VI, e por baixo LXXX, indicativo do valor. 

^: •> IN HOC-SIGNOoVINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 
aoneis. Este exemplar tem a contramarca de 1 00. Pesa 82 gr9os. Quatro vitaens, 
A— 2^000 réis. 

8. o% ALPHONSVS«VIoDG»RoPo No campo encimado pela coróa real 
AL «VI, e por baixo XXXX, indicativo do valor. 

^: •> IN HOGo SIGNO VINC. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro pon- 
tos. Pesa Dois vintens, JR — 3^000 réis. Pertence i collecc3o Lopes Femandes. 

9. V ALPHONSVS«VI.DoG«PORT. No campo A (inicial do nome do 
monarcha) entre dois pontos, tendo por baixo dois XX (indicativo do valor) no 
meio de tres pontos. 

^: ET «A ARBIORVoREX. Armas do reino. Pesa 25 graos. Vinteni, 

Ai—GOO réis. 

10. «00 ALPHONSVS*VI«D*GoREX«PORTVGA. Armas do reino, 
tendo i esquerda anno i663 e à direita valor 4000. 

^r •;• IN o HOCo SIGNO «VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro anneis. Pesa . . . Moeda de quatro mil réis, N — 40i$000 réis. Este 
exemplar vem desenhado na Hist. gen., tom. iv, est. P — 115, d'onde copiàmos. 

11. ••• AL..ONSVS«VIoDGoREXoPOR....G. Armas do reino; à es- 
querda anno 1666 e à direita valor 2000. 

^: «IN HOC SIGNO oVINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada por 
quatro anneis. Este exemplar tem a contramarca de 2200. Pesa 108 grSos. Moeda 
de dois mil réis, AT— 40^51000 réis. 

12. ALPHONSVS.VIoD XoPORT. Armas do reino; à esquerda 

anno 166 . . e a direita valor 1000. 

Qr INo HOC • SIGNO o VINC E.. Cruz da ordem de Christo cantonada por 
quatro anneis. Tem duas contramarcas, urna de 1 1 00 e outra de uma esphera co- 
roada. Pesa 59 graos. Moeda de mil réis^ S — 40^000 réis. 

TOMO II 3 



34 

13 - o A . . FONSSVS VI • D G o REX PORT VGAL. Armas do reino ; a 
esqueinia quatro pontos e à direila 40C0 . cunho d'este lado resaltou mais dupli- 
cando algumas letras e parte do escudo. 

^ > INoHOCoSIGNOoVINCE.. Cruz da ordem de Christo cantonada 
pelas qiiatro letras do anno 1666. Pesa 390 grSos. Cruzado, JR — 6f5000 réis. 

14. ALPHONSVSoVIoDoGoPORTVGoEToALGoREX. Amas do 
reino; à esquerda vestigios dos quatro pontos e i direita valor 400. 

Qr §g IN §§ HOC ^€ SIGNO ^ VINCES. Cruz da ordem de Christo canto- 
nada pelas quatro letras do anno 1664. Este exemplar é do cunho do anterior, 
mas lem a nova orla e sarrilha mandada por pela lei de 14 de junbo de 1688, 
conservando nome do soberano que bavia feito lavrar. Pesa 352 grios. Cruza- 
do, A— 6^000 réis. 

Na collecfao do sr. Francisco José da Silva Torres exisle um cruzado tendo a 
nova orla e a cruz cantonada por quatro PP, indicando por isso ser lavrada no 
Porto, mas foi engano do cunhador que estampou a orla com o nome de D. ASbn- 
so VI, pertencendo cruzado a D. Jo5o IV, pois durante reinado de D. Affòoso 
VI nSo funccionou a casa da moeda do Porto. 

15. oSo AL..HONSVS0VI0D0G0R.... PORTVGALL Armas do rei- 
no; à esquerda dois pontos e à direita indicativo do valor 200- 

^ IN0HOC0SIG..O.VIN..ES0 Cruz da ordem de Christo cantonada 
pelas quatro letras do anno 1666. Pesa 156 graos. Melo cruzado ou dois tostòes, 
^—600 réis. 

16. oS^»ALPHONSVS«VIoDoGoPORTVGoEToALG*REX. Armas 
do reino ; é esquerda apenas se ve um ponto e à direita a indica^So do valor ficou 
apagada pela nova orla. 

Qr sg oiN sg HOC ^§ SIGNO §g VINCES. Cruz da ordem de Christo canto- 
nada pelas quatro letras do anno 1663. Este exemplar apresenta a nova orla e sar- 
rilha conforme a lei de 14 de junho de 1688, comò deixàmos dito no n.® 15. Pesa 
1 75 graos. Meio cruzado ou dois tostdes, JR — 600 réis. 

17. ojo ALPHONSVS • VI • D • G • REX <> POR. Armas do reino entre dois 
omatos com a fórma de SS. 

Qr ojo IN HOC SIGNO VINCES. Cruz da ordem de Christo. Pesa 85 
grSos. Tostóo, JR — C. 

18. oSo ALPHONSVSoVIoDoGoREX*P. Armas do reino entre dois or- 
natos com a fórma de SS. 

J^ OS» IN HOC SIGNO • VINCES. Cruz da ordem de Christo. Pesa 42 
grSos. Meio tostào, JR — C. 

19. „:, ALPHONSVS VI oDGo REX oR No campo LXXX, indicativo do 
valor, tendo por cima um ponto e uma coròa e por baixo outro ponto. 

Qr olo IN HOC SIGNO «VINCES. Cruz da ordem do Santo Sepulchro 
cantonada por quatro pontos. Pesa 72 graos. Quatro vintens, JR — C. 

20. 0^0 ALPHONSVS • VI o DG » R. No campo XXXX, indicativo do valor, 
por rima tem uma coròa e por baixo um ponto. 



35 

Qr K- IN HOCoSIGNOoVINCES. Cruz da ordem do Santo Sepulchro, 
cantonada por quatro pontos. Pesa 31 graos. Dois vintens, JR. — G. 

21. lOANNES^IIIIoD G R. No campo um I, (inicial do nome domonar- 
cha) entre dois pontos e por baixo XX, indicando o valor. 

^ ALPHONSVSoVIoDoG. Armas do reino, cortando a coróa a legenda. 
Pesa 18 graos. Vintem, A. — Este exemplar tem o anverso de um vintem de 
D. Joao IV e reverso de outro de D. Alfonso VI, similhante ao n!^ 9. 

22. ojo ALPHONSVSoVJoDGoR. No campo entre ciuco pontos XX, in- 
dicativo do valor. 

Qr •:• IN HOC SIGNO VINCES. Cruz da ordem do Santo Sepulchro can- 
lonada por quatro pontos. Pesa 14 graos. Vintemy M — 500 réis. 

23. mesmo anverso. 

^ •:• IN* HOC SIGNO VINGES. Cruz de Aviz. Pesa 17 grSos. Vintem, 
ìR— 500 réis. 

24. ojo AL. . . .ONSVS» VIoDG; Quinas cantonadas por quatro pontos. 

^ <• IN HOC «SI « VINC. Cruz de Aviz cantonada por quatro pontos. 

Pesa 13 graos. Dez réis, JPl — 1?J000 réis. 

25. ojo ALPHON VI oDG. No campo, entre quatro pontos X, indicando 

valor. 

^ (RE)XoPORTVGALI.... Cruz de Aviz. Pesa 14 graos. A— yOOO 
rèis. 

26. mesmo anverso. 

Qr «Jo IN HO»S. . . .VINCS. Cruz da ordem do Santo Sepulchro. Pesa 13 
graos. Dez réis, JR. — 2f5lOOO réis (variedade inedita). 

28. V ALPHONSVS» VI Armas do reino entre duas cruzetas. 

^ . . . .R. . . .X. No campo i^, indicando o valor, tendo por cima e em bai- 
xo urna cruzeta. Pesa 96 graos. Real e meio, M — 4?5IOOO réis. Ainda nao vimos 
outro exemplar nem nos consta que exista. 

Durante este reinado nao chegaram a reunir-se cortes. 

D. AQbnso VI no comedo do seu governo continuou coni o systema monetario usado 
ultimamente por seu pae^ mudando apenas o nome nas legcndas. Os n.^'^ 1 e 2 sao 
as suas raoedas de quatro e dois cruzados assim lavradas, devendo tarabem ler-se 
cuDbado cruzado, do qual nunca vimos exemplar ou desenho. 

Para evitar a exportapào do oiro era pasta e em barra, ordenou o conselho da fa- 
zenda, a 9 de dezembro de 1659, que se pagasse na casa da moeda, quando na lei 
de 22 quilates, authenticados por certidào de ensaiador, a 800 réis a oitava, nas mes- 
mas moedas que d'esse oiro se fabricassera, e comò se praticava com os dobrOes 
bespanhoes*. 

immenso dispendio na guerra com a Hespanha augmentava de dia para dia as 
diffìculdades finaneeiras, e para as attenuar, projectou-se, corno era costume antigo, 
subir prefo a moeda. Està medida, considerada uma verdadeira calamidade, moveu 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. i, fol. 286. Doc. comprovativo n.* 147. 



36 

juiz do povo e a casa ilos rinie e qiuitro a represenlarem ao senadu osinconvenien- 
tes que adviriain ao commercio e ao eslado, no abaslecimento das muni(oes para o 
exercito, se se realisasse tal augmento, exempliflcando as suas ponderapocs com o 
succedido em outros reinos nas mesmas circumstaDcias. A camara secuadou o juiz do 
povo contra o crescimenlo da moeda, dcscrevendo tambem os males que se seguiriam, 
e a reluctancia dos povos a levar o seu dinheiro a casa da moeda para se Ihe por 
a marca, e receberem depois a mesma moeda com tao excessivo valor. Deoionstrava 
quanto era erronea a esperanpa da receita para a fazenda, pelo augmento que ne- 
cessariamente haviam de ter os productos importados, correspondendo jà n'aquella 
epocha 100 réis em Inglaterra a 160 réis em Porlugal; e concluia pedindo se no- 
measse uma pessoa de cada comarca, para consultar juntamente com os ministros, 
sobre os melos mais adequados de compensar o equivalente da maior quantia que se 
poderia tirar do acrescimo da moeda, porque o povo de Lisboa e o das proviocias 
nào se escusaria a qualquer sacriflcio para defender o reino. Està representapào tem 
à margem um despacho, datado de 13 de outubro de 1663, e assignado pelo rei, de- 
corando ser a grande necessidade da defeza do reino que o obrigava a laofar mào 
de tal expediente, apesar de Ihe reconhecer os graves inconvenientes*. 

So a 20 de novcmbro de 1662 se levou a eOeito o augmento na moeda de oiro, 
imprimindo-se-lhe uma contramarca, para as rfe quatro cruzados, que valiam 3^500 
réis, passarem a 4^000 réis, e assim proporcionalmente a meia moeda e o quarto. 
Ainda hojc se encontram em alguinas (n.^^ 1 e 2) estas conlramarcas representadas 




^^2^ liS^ .. Dos cinco iostòes de acrescimo em cada 



moeda de quaVro cruzados dava-sc ao dono a quinta parte, e as quatro ficavam para 
as despezas da guerra, devendo os possuidores da moeda antiga de oiro leval-a a offi- 
cina monetaria, onde Ihes seria paga de prompto ; e da terminapào do dito praso em 
diante nào correria, procedendo-se contra as pessoas a quem Tosse encontrada, comò 
se praticava com a moeda falsa. Em rela{:ào às moedas lavradas de novo ordena, 
que depois de feitas se marquem, dando-se a quem tiver fornecido o oiro para a sua 
cunhagem, o mesmo interesse de 100 réis por moeda de quatro cruzados^. Por estas 
disposifòes nao deve admirar o encontrar-se alguma moeda de oiro do anno de 1663 
contramarcada segundo a lei de 1662. marco de oiro amoedado flcava valendo réis 
74i>926 'V*i- A 24 do mesmo mez o conselho da fazenda delerminou ao juiz e thesou- 
reiro da casa da moeda nào levasse quantia alguma às pessoas que ali fossem entre- 
gar dinheiro para marcar, e para abreviar o expediente nomeasse dois empregados de 
conflanpa durante o tempo da contramarca nas moedas^. A 22 de dezembro o dito 
conselho mandou apregoar e aOTixar editacs para ningucm dar ou receber moeda de 
qìiatro cruzados, sem contramarca, por mais de 3f$500 réis, e passados os dois mezes 
nào podesse assim mais correr, impondo aos infractores a pena de perdimento da 
moeda e a multa de 200 cruzados *. 

Os n.°' 10, 11 e 1 2 constituem o lypo do novo cunho adoplado para a moeda de 
oiro a 28 de junho de 1663 ; o valor e o peso nào foram allerados. No anverso lóem o 

* Arch. da camara muoicipal de Lisboa, iiv. Lxxn, fol. 439. Doc. comprovativo n.* 148. 

' Ardì, da casa da moeda de Lisboa, registo geraì, Iiv. i, fol. 295 v. Doc. comprovativo n.» 150. 
■ Idem, fol. 295. Doc. comprovativo n.* 151. 

* Idem, fol. 297. Doc. comprovativo n.» 152. 



37 

anno e a indicai^ào do prepo, 44^000 réis, deixando d'ahi cm dianle de se Ihe por a 
contraraarca; e no revei'so a Cruz de S. Jorge foi substituida pela de Christo. No docu- 
mento deixam de denominar-se quadro, dois e um cruzados, dìzendose unicamenle 
nwedas de oiìv, meias moedas e quartos^ denomiaa^ao que ficou prcvalecendo ^ A 
1 de jalho o juiz e thesoureiro da casa da moeda receberam ordem de pagar os dobróes 
liespanhoes, para se lavrarem na moeda portugueza, a 870 réis por oitava, pagos em 
nioedas de 3<$000 réis, corno se fazia com o oiro em pasta, nào se permittindo tal 
prece fora da casa da moeda *. A especiflcapào da moeda de tres mil réis n'esle docu- 
mento nào se póde entender corno valor n'aquella epocha, pois o vimos jà elevado a 
4)$000 réis, devendo antesser tomada pela desìgnafào por qiie taes moedas eram co- 
nliecidas volgarmente, comò ha pouco tempo se dizia uma pepa de 6f$400 réis, quan- 
do va1Ì3 jà 7j>500 réis', ou mesmo 8^5(000*. A fazenda lucrava, pagando um marco 
de Ciro de 22 quilates por 56(9t680 réis em moedas do mesmo (oque ; reputava-o, de- 
depois de recunhado, em 74^926'*/** ''^'s, flcando-lhe de saldo 19^246 'Vu ^^is, uni- 
camente captivos das despezas do fabrìco e dos fretes. A 20 de agosto Toi prorogado 
por mais dois mezes o praso para se levar o dinheiro nacional anligo a pur a contra- 
marca'. A 17 de dezembro ordenou-se que o oiro lavrado pelos ourives seria de 22 
quilates e do pre^o de 940 réis a oliava^. Reputava-se assim o marco, manufacturado 
em obra pelos ourives, em GOfJlBO réis, ou menos 14^766 'V^i réis que o oiro amoe- 
dado. 

Em 19 de Janeiro de 1665 o conselho da fazenda mandou que a casa da moeda 
pagasse em inoedas de 3^000 réis o oiro em pasta de 22 quilales, na rasào de 870 
réis a ottava, à similhanpa do que se praticava com os dobròes hespanhoes^. 

Com a moeda de prata praticou-se o mesmo que se fez com a moeda de oiro ; no 
Qome(o do reinado conservou-se-lhe o typo, peso e valor que tinha nos ultimos Icm- 
pos de D. Joào IV, mudando apenas o nome no de Aflbnso VI. Os n.^'^ 3 a 9 desenham 
estas moedas, hoje bastante raras, principalmente o cruzado^ de que apenas conhe- 
cemos um exemplar no gabinete da biblìotheca nacional de Lisboa. marco de prata 
amoedado valla entào 4f$000 réis. 

A representapào dirìgida pelo juiz do povo ao senado em 1660®, de que anterior- 
mente fallàmos,* diz tambem respeito ao projectado augmento da moeda de prata. 

Em 24 de julho de 1662, havendo falta de numerario, mandou-se que a casa da 
moeda comprasse a prata em pasta, depois de aflnada em 1 1 dinheiros, a 4iJ000 réis 
marco, prefo quo nào poderla ter fora da dita casa^. 

Havendo nolicia de que o exercito castelhano se preparava para invadir de novo 
reino, e necessitando-se acudir com grandes despezas aos melos de resistencia, e 
bem assim difficultar a exportapao da moeda de prata, decretou-sc, a 22 de marpo de 
1663, augmento de 25 por cento sobre o scu valor, k^patacas, que corriam por 
480 réis, passaram a 600; os 400 réis a 500, os 200 réis a 250, os qualro vintcns 

' Arch. da casa da luoeda de Lisboa, rcgisto gcral, liv. i, fol. 315 v. Doc. comprovatiTO n.° I5G. 
' Idem fol. 301 V. Doc. comprovativo n.» 157. 
' Dea-lhe este valor a lei de 6 de marco de 1822. 

• Idem cm 3 de mar^o de 1847. 

' Impresso avulso. Doc. comprovativo n.« 158. 

• Arch. da ca.sa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol, 309. Doc. comprovativo n.« 159. 
' Idem, fol. 313 v. Doc. comprovativo n.® 160. 

• Arch. da camara municipal de Lisboa, liv. lxxii, fol. 439 e 440. Doc. comprovativo n." 148. 

• Arcli. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. i, fol. 294. Doc. comprovativo n.» 149. 



38 

a 100 réis, os dm vintens a 50 réis, e assim respectivamente a mais moeda de prata. 
Por està alterapào os tostdes deviam valer 125 réis, os melos tostòes 62*/s réis, o 
vintem 25 réis, e o meio vint^m 12 */« réis. Por nào ser conta regular em moeda, 
foram todas eslas fracpoes mandadas fundir, para depois se cunharem de novo com o 
peso correspondente ao pre(o eslabelecido. 

Os seis vintens e tres, mencionados no documento, sào os tostdes e nieios tostdes 
contramarcados n'este valor pelo alvarà de 3 de fevereiro de 1642*, e nào moeda 
especial. 

As moedas lavradas pela lei de 22 de margo sào os n.*** 13 e 14, cruzados; 15 e 
16, Tìieios cì^zados (os n.^* 14 e 16 téem a nova orla e sarrilha raandada por por 
D. Pedro li); 17, tostào; 18, meio tostào; 19, quatro vintens; 20, dois vintens; 22 e 
23, vintens; e 24 a 26, melos vintens. As contramarcas encontradas nas moedas de 
prata lavradas antes d'està lei téem o seguinte desenho : 






Nos tostòes anteriores a D. Joào IV, que tinham a contramarca 120, conforme a lei 




de 3 de fevereiro de 1642, foi posta tambem està n^^. \ ^ ^^^ m£ios tostdes com 
carimbo 60, imprimiram-Ihe outra de \f^) ,.augmentando-lhe no valor os 25 por 

cento. Tambem temos observado nas mesmas moedas de tostào as marcas de 



P 

; a ultima existe igualmente n'um exemplar de oUenta reaes de Filìppe II 




ou III (descripto no tom. i, pag. 318, n.°* 8 e 9) e no melo tostào ^^n ; nào co- 



nhecemos a lei que as mandou pur, nem achàmos proporpào com valor posterior- 
mente decretado para a prata araoedada; talvez fosse para correrem Ror tal prefo nas 
ilhas ou em alguma das possessoes ultramarinas. 

Às vezes 5 representado n'estas contramarcas confunde-se com um S. 

marco de prata amoedado passava assim ao prepo de 55000 réis, applicando-se 
interesse resultante do augmento da moeda para os gastos da guerra*. 

Os n.®* 19, 20, 22 e 26 téem urna cruz no reverso, a que pelo feitio chamàmos do 
Santo Sepukhro, apesar de nao encontrarmos documento que auctorisasse tal substi- 
tuipào às de Aviz e S. Jorge. Nào poderaos attribuir isto a imperfeipào, pois ainda que 
n'aquella epocba os cunhos eram toscos, véem-se em outras moedas d'este monarcha 
as cruzes das ordens de Christo, Aviz e S. Jorge bem dislinctas; é preferivel admittir 
em ultima instancia um capricho do abridor em ornar assim as pontas da cruz, sem 
intenpào de Ibe mudar a ordem. Em algumas moedas de prata que D. Pedro mandou 
depois lavrar, no comepo do seu governo comò principe, encontra-se a cruz do mesmo 
feitio. 

• Vid. doc. comprovalivo n." 103. 

' iVrch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, Uv. i, fol. 303, 297 v. e 299 v. Doc. compro- 
vativos n." 153, 154 e 155. 



39 

thesoureiro da casa da moeda, Joào Froes de Aguiar, ponderou, em 30 de abril, 
qua, pagando-se o dinheiro miudo de prala, para se fùndir e cunbar de novo, a 4($400 
réis, fallava declarar, corno era costume, quantos tostóes se deviam lavrar de cada 
marco, e quaes os lucros da senhoriagem. conselho da fazenda, na mesma data, 
deliberou se flzessem do marco 50 tostOes^ livres dos febres, o que correspondia aos 25 
percento de augmento, pois anteriormente entravam 40 tostóes era marco. thesou- 
reiro replicou que, entregando 4^^400 réis aos donos do dinheiro, restava para os di- 
reitos reaes 600 réis em cada marco, equivalente de 15 por cento; e para 20 seria 
preciso fazer-se do marco 5^280 réis. Parece que o cooselho confirmou, comò era 
justo, primeiro despacho ; é o que presumimos de algumas linhas que se acham no 
im do documento, cuja continuapao passava para outra' foiba que fatta no livro do re- 
gisto*. 

A differenza de 25 por cento a mais na moeda produziu a diminui{;ào no seu peso, 
que facilmente se observa conferindo os exemplares n.°^ 3 a 9 com os n.®' 13 a 23, 
cunhados jà pela lei de 22 de marpo de 1663. 

Em Moncorvo existiu casa de contramarca ; constitue prova a reclamapào do juiz 
da casa do cunho da dita villa, feita cm 21 de agosto de 1663, centra o mestre de 
campo general, por este nomear para servirem no exercito da frontelra, que entào 
se estava organisando, os ofTiciaes do ciinho, escrivào, thesoureiro, ilei e contador ; 
e pedido para que estes homens fossem isentos de tal servipo emquanto ali durasse 
cunho *. 

A 18 de agosto do mesmo anno ordenou-se nova fornata, e que se fizesse metade 
em dinheiro miudo e outra metade em dois tostóes e cruzados^, A 20 do dito mez pro- 
rogaram-se por dois mezes os prasos estabelecidos para se marcar a moeda de oiro e 
prata, e findo este tempo seria tomado para a fazenda todo o dinheiro encontrado sem 
carìmbo, alem de outras penas em que incorriam os seus possuidores. As patacas 
ficavam fora d'està condemnas^ào, por serem moedas estrangeiras, continuando as que 
nào tinham marca a correr por 480 réis, e as carimbadas na casa da moeda, por 600 
réis; sendo 5 por cento d'este augmento para o possuidor do dinheiro *. decreto de 
21 de novembre determina que as patacas que Joào Pouler entregasse na casa da 
moeda (provavelmente para marcar) pagassem unicamente de direilos para a fazenda 
10 por cento'. 

Em 25 de marpo de 1665 resolveu-se que so fosse permittido o embarque para a 
lodia das patcìcas com carimbo e da moeda corrente no reino ^. Està disposi^^ào tinha 
por Dm evitar a saida das patucas e da moeda nacional sem deixarem o lucro dos 15 
por cento. 



' ktcìì. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, iiv. i, fol. 209 v. Doc. comprovativo ii.^* 155. 
' iiaoQscrìpto da livraria da Ajuda, Iiv. dos conselhos da fazenda, decrctos e coiisultas, fui. 7G, 
est E, III. 

' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, Iiv. i, fol, 305 v. 

* Impresso avulso da mesma epocba. Doc. comparativo n.» 158. 

* Joào Froès de Aguiar, Juiz e Thesoureiro da caza da moeda, teiiba cntendido que as vinte niil 
patacas que neUa entregou Joào Pouler Fem (?) hào de pagar semente de direitos para minha fazenda 
a dez por cento, por convir a meu servigo; e os contadores que Ihe tomareni conta Ibe levarào cm 
despeia a dita quantia por este decreto somente, em Lx.« a vinte e bum de Novembro de soisscntos 
scsscQta e tres. Com rubrica de S. Magestade, o qual decreto tresiadey eu Maimel Correia do proprio 
a que me reporto &. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, Iiv. i, fol 30().) 

' Manuscrìpto auUienlico. J. P. lUbciro, Iiid. cbron. e crit., part. iv, pug. 23C. 



40 

À 24 de juiho, pelos servifos que havia preslado Manuel da Cosla Diais, fez o sobe- 
rano a mercé de Ibe mandar pagar 2:500 marcos de prata de i i dìoheiros a 4)$600 
réis marco, mais 200 réis do que estava determinado ^; e a 20 de setembro, a 
exemplo do que se havia concedido, foi permittido a qualquer pessoa que levasse pa- 
tacas a contramarcar, deixar 1 2 Vs por cento em vez de 15'. 

conselho da fazenda ordenou, em 2 de marpo de 1 667, que d'està data em 
diante se lavrassem em prata sómente tostóes, melos tosiòes^ vintens e meios vintens^^ 
provavelmenle pela falla que havia de moeda miuda. 

Nos archivos que consultamos, nào descobriroos vesligìos de se haver cunhado 
moeda de cobre n'este reinado; o sr. Rodrigo de Almeida encontrou ha annos o real e 
meion.^ 27, que oflereceu para a collecfào de Sua Magestade; e se^ào é ensaio, é por 
certo uma falsìflcai^ào. 



' Havendo respeito a bum servigo particular que me fez Manuel da Costa Dias, e em (fuercr met- 
ter na caza da moeda desta cidade dous mil e quìnlientos marcos de prata^ posta na ley, Juotando-os 
nesta cidade e Reyno, Hey por bem que elies se Jbe saUsfacào a razào de quatro mil e seis sentos réis 
o marco, sem embargo de ordem em contrario, athé à quantia de dous mi( e quinbentos marcos, o 
Tbesoureiro e officiai da caza da moeda o fagào asy executar, em Lx.* a vinte e quatro de Julbo de 
mil e seis sentos sessenta e slnco. Rey. — qual decreto tresladei eu Manuel Correia, escrivào da caza 
da moeda &. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liy. i, fol. 317 v.) 

* Por quanto tenbo concedido a algumas pessoas em particular que podessem meter patacas na 
moeda com doze e melo por cento de direitos para roinba fazenda, para por este meio se facilitar a 
entrada dellas e convir que isto se uze geralmente daqui em diante na caza da moeda desta cidade, 
conseibo da fazenda ordene asy ao juis e tbesoureiro da mesma caza, nào se Ihe offerecendo a isso 
inconveniente, por que tendo-o mo representarà o conseibo; em Lx.* a dezanove de setembro de mil 
e seis sentos sessenta e slnco — Rey— &. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i. fol. 
317 v.) 

' Arcli. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, tiv. i, fol 323 e 324 v. 



41 



D. FEDRO II 

(De 22 de novembro de 1667 a de dezembro de 1706) 

Nasccu em Lisboa a 26 de abrii de 1648, sendo o ultimo filho de D. Joào IV e de sua 
mulher D. Luiza de Gusmao. Quando seu irmao foi obrigado a renunciar a corda era 23 de 
novembre de 1667, comegou a governar o reino com o titulo de principe regeiUe, e assira 
foi jnrado pelas cortes em 27 de Janeiro do anno seguirne, conservando o mesmo titulo ale 
12 de selembro de 1683, era que, por morte de D. Affonso VI, foi acclamado rei. 

Seu pac havia-lbe creado, a 11 de agosto de 1654, a casa do infantado, coni o ducado 
deBeja, doagao d'està cidade e seu termo, e tambem das propriedades conRscadas ao raar- 
qaez de Villa Aeal e ao infeliz duque de Caminha, alcm de outras muitas mercés, em que 
entrava a quitfta de Queluz com todas as suas pertengas ^ 

D. Fedro II casou a primcira vez com sua cunhada, divorciada de seu irmào, celebran- 
do-se Gontrato matrimoniai a 27 de margo de 1688, dispensando o impedimento de pu- 
blica honestidade o cardeal de Vendome, tio da rainba, pelo breve de 15 do mcsino mez, 
data anterlor à sentenza de annullando do primeiro matrimonio; mas està e outras irregula- 
rìdades foram em seguida pienamente sanadas por Clemente IX (!). 

No mesmo anno, a 13 de fevereiro, assignou-se em Lisboa o tratado de paz com a Hes< 
panba, depois de immensos embaragos suscitados pelo governo francez. 

A mudanga de monarcba ndo acabou com a intriga dos cortez9os; està apenas tinba por 
variante preparar alliangas com as na(;Oes estrangeiras, para garantir aos aulicos uma vida 
de pacificos gosos. rei tambem os nao contrariava; combinando a politica da Europa, jo- 
gava sempre pela paz. 

A 27 de dezembro de 1683 falleceu a rainha D. Maria Francisca, deixando por unica 
descendencia a princeza D. Izabel, motivo por que instaram muito coni D. Fedro 11 para ca- 
sarsegunda vez; e resolvendo-se, annos depois, escolbeu D. Maria Sophia IzabeP, fìlha do 
eleitor palatino do Rbcno, Fìlippe Guilbermc. Assignou-se o contrato matrimoniai em Heidel- 
berg a 22 de maio de 1687, e a princeza cbegou ao porto de Lisboa, a bordo de uma esqua- 
dra ioglcza, no dia li de agosto. 

Parece que em 1674 o governo hespanhol pensou em repòr no tbrono de Portugal^a 
D. Affonso VI. Descobertos os planos, foi transfcrido o prisioneiro do castello de Angra para 
OS pagos de Gintra, e procedendo-se a devassa, safu implicado n'ella, entre outros, Antonio 
Cavide, que, posto a tormento, morreu depois na prisdo. A està conjuragao nào foi estranbo 
representantc da Hespanba em Lisboa, nem os insultos fcitos pela plebe ao marquez de 
Gouveia, nosso ministro em Madrid. Acrcsciam os boatos de que ali se pretendia dar 
corno nullo o tratado de paz, assignado entre as duas nayóes em 1668. Os animos revolta- 
ram-se, e Portugal comcgou a preparar-se para as evcntualidades de uma guerra proxima. 
Carlos II nào dissimulava as suas intcn^Ocs; e no brazao hespanhol continuou a figurar o cs- 
codo das quioas, comò se observa em parte das suns mocdas de prata lavradas de 1675 a 
1683. 

Estes proccdimentos attentatorios da lealdadc motivnram, [K)uco Icnipo depoiS; uma 

' Seciucstrada ao marquez de Castello Itodri^o. 
' >la.scida a G de agosto do 166G. 



43 

piena salisfa^o da llespanba a Portugal, quo reatou, pelo nienos appareuteineute, as rela- 
gOes de amisadc. 

D. Maria Sopbia fundou o collegio dos padres jesuìtas na cidade de Beja, e falleceu a 4 
de agosto de 1699, sendo deposllada no mo3tcìro de S. Vìccutc. No mcsino anno cbegaram 
na frota do Brazil 150:000 cruzados em oiro pertcncente ao quinto das minas de S. Paulo; 
foi a primeira vez que veiu tao avultada por^ào, comegaodo-se n*esta epocha a cunbagem es- 
pecial de moeda de oiro para aquella colonia, existiudo ja a de prata desde 1695. 

Carlos II morreu, sem deìxar descendencia, em 1 de novemi»ro de 1700, legando era tes- 
tamento a corda a seu sobrinho Filippe de Franga, duque de Anjou, que tambem cbegou a 
mandar abrir o escudo de Portugal nas armas reaes de Hospanba. Estes acontecimentos per- 
turbaram o accordo politico entre as duas nagóes até 18 de junho do anno seguinte, em que 
se concluiu um tratado de alliaoga com Filippe V, ratiQcaudo os anteriores, e garantindo por 
urna liga defensiva as disposiyOes testamentarias do Glbo de Filippe IV. 

Em 1701 Leopoldo I da AUemanba, allegando preferencia de direitos t coróa de Hespa- 
nba, aprescntou comò legitimo pretensor seu filbo segundo o arcbiduque Carlos, apoiado 
pela Hollanda, Saboya e Inglatcrra; e em 1703, por instigagòes d'està ultima potencìa, asso- 
ciou-sc tambem Portugal ù. cbamada gratide allian^a ^ D. Pedro li obrigou-se a fomecer à 
sua custa 15:000 bomens, sendo 3:000 de cavailaria, e mais 13:000, a quem o imperadór 
da AUemanba pagarla annualmente com um milbào iepatacaSy entregue em preslagOcs mcn- 
saes, cmquanto durasse a guerra. Para compensar estes sacrificios baveria Portugal algunias 
povoagOes do territorio bespanbol, situadas na raia das provincias da Extremadura e Galliza. 

arcbiduque^ inlitulando-se Carlos HI, cbegou ao Tejo em margo de 1704 acompanbado 
pelas esquadras da Inglaterra e Hollanda, e foi recebido pela familia real portugucza com to- 
das as bonras de soberano. Declarada a guerra, as tropas alliadas marcbaram em direcgào à 
praga de Almeida, em cujas proximidadcs acamparam, fazendo sortidas centra algumas lerras 
de Hespanba, mas com pequenas vantugcns. El-reì D. Pedro, enlregando a regencia do reino 
a sua irmà D, Galbarina, acompanbou o exercito, voltando d capital no comego do iuTerao, 
seguido pouco depois pelo arcbiduque. 

conde das Galveas, Diniz de Mello e Castro, governando as armas no Alemtejo, tomou 
em 1705 as pragas de Valenga de Alcantara e Albuquerque e poz o cerco a Badajoz. Os ingle- 
zes a 24 de junbo conquistaram Gibraltar, e n'esse mesmo mez fìzeram embarcar n'uma es- 
quadra, commandada pelo conde de Peterborougb, o arcbiduque, e navegando para a Cata- 
lunba, foram sitiar Barcelona, que se reudeu a 9 de setembro'. 

> Para soicmnisar a juncg&o de Portugai, cunhou-sc na Àllemanlia, no dito anno de 1703, uma me- 
dallia, publicada na coUecgào de Bouch, e cstainpada por Lopes Fernandcs na sua Mein. das niedalhas 
e condecoracóes pori., pag. 17, est. vm, n.» 22. 

• ' Lopcs Fernandcs, na Mem. das meddlhas e condecoracóes pori, (pap: 19, est. vm, n.» 23) traz 
utna medalba quadrada de prata, com legenda allemà em referencia à tomada de Barcelona, e que 
parece ter sido dada comò recompensa de servìcos ali prestados. 

Wermulh mandou abrir pelo gravador Gii urna scric de medaUias de prata, com o diametro de 
18 milUmetros, representando o imperadór do Austria, os scie cleitores, D. Carlos II de Hespanlia e 
D. Pedro II de Portugal. A que dlz respeiio a este ultimo monarcha exisle na colleccào de Sua Mages- 
tade el-rei o Scnhor D. Loiz, e por nào liaver sido publicada entre nós, aqui a deixàmos desenbada 
e descrìpta. 





PETRUS e II o D e G o PORTUGAL « REX. seu busto laureado, à direita, com a coirà 
«ra, por baixo GIL (nome do abridor). 

ij!. SIC - SE - NO VISSE = JUVABIT. No campo o sol e a lua. 



43 

Bm 1706, 40:000 homcns do tropas portuguczns, ÌDglezas e hollandczas» às oi-dons do 
marqucz das Minas, ìnvadiram a Hespanha, derrotando em Brogas o marechal de Bnrwick; 
tomaram yarìas pragas, scndo as princìpaes Alcantara, Gidade-Rodrigo, Salamaoca e Tole- 
do, entrando era Madrid a 26 de junbo, onde acclamaram Carlos III. A demora do arcbiduquc 
em chegar à capital, e o avullado numero de forgas bespanholas e francezas obrigaram os 
alliados a retirar*se para Portugal, onde entraram com perdas consideraveis. 

D. Fedro li tratava de reforgar o seu exercito com um contingente de 11:000 bomens,. 
quando se sentiu multo doente, e cince dias depois, a 9 de dezembro de 1706, falleceu no 
poiacio de Alcantara, safndo o cadaver no dia 11 pela meia noite para o jazigo da casa de 
Draganga em S. Vicente de Fora. 

successor de D. Affonso VI era de boa estatura, grosso e bem proporcionado, pelle tri- 
gueira, nariz aquilino, olhos grandes e pretos, cor de que igualmente linba os cabellos. Do- 
tado de bastante forga physica, jogava as armas com mestria, e tornava-se nolavei a sua pe- 
ricia na equitagdo e na tauromacbia, divertimentos em que muito folgava. A sua educagào 
tinba side a mesma de seu irmao, e na instrucgao pouco o excedia, scndo comtudo mais re- 
serrado e intelligente. Na mocidade deu-se tambem a correr aventuras nocturnas, promo- 
vendo brigas para se vingar dos seus advcrsarios, quando os n5o mandava corrigir por ou- 
Irem. Poi propenso ao despotismo, procurando sempre cercear as regalias do povo ; e n5o 
attendendo ùs boas rasdes, sacrifìcou a industria nacional n'um tratado com os inglczes em 
1703, e envolveu o reino n'uma guerra impolitica, geralmente mal recebida, entrando na 
grande allianga, cujos resultados, cntao faceis de prever, foram depois dolorosamente senti- 
dos em Portugal. 

Teve grandes affeigOcs às mulberes. Da maneira comò procedeu com o seu rei e irm5o, 
apesar do muito que se escreveu para o justi6car, nunca conseguiram attenuar a immorali- 
dade dos factos. Na mesa foi parco, entregando-se devotamente a repetidos jejuns, desejan- 
do, comò diz D. Antonio Gaetano de Sousa * : « Emendar pela fé e obras boasy o que talvez 
pela fragilidade da natureza corrupta se desordenava 9 , ^ 

Filha do primelro matrimonio 

D. Izabel: nasceu em Lisboa a 6 de Janeiro de 1669, e foi jurada princeza successora do 
reino em 27 de Janeiro de 1674. Estcve dcsposada com Victorio Amadeu, duque de Saboya*, 
e raorreu a 21 de outubro de 1690, sendo deposilada no convento de Santo Ghristo de capu- 
cbas francezas, que sua m&e fundàra. 

Filhos havidos do segando matrimoDÌo 

D. Joao: nasceu em Lisboa a 30 de agosto de 1688; viveu apenas dezoito dias; jaz no 
cx-mosteiro de S. Vicenle de Fora. 

D. Joao : successor. 

D. Francisco : nasceu em Lisboa a 25 de maio de 1691, foi grao-prior do Grato, duque 
de Beja, e berdou a casa do infautado, com a clausula de que està nunca se poderia encor- 
porar na coròa. Morreu de um volvo nas Galdas da Rainba a 21 de julho de 1742, e jaz no 
ex-roosteiro de S. Vicente de Fora. 

• Uisl. gen., tona, vn, pag. 667. 

• Por esse motivo se cunhou urna medaiha de oiro, descripla e estampada na liisL gen,, (lem. iv, 
pag. 490, tab. EE, n.» 3) e em Lopes Fernandes, Mem. das medaUxas e condecorapdes pori, (pag. 15, 
est VI, n.« 17). A. Pereira de Figueiredo, nos Elogios dos reis de Porltigal (pag. 21) a menciona com a 
inscrip^o traduzida em portuguez. Um exemplar d'està rarissima medaiha pertcnccu à collecgào Famiu, 
e hoje exjste no gabìnete da Ermitage Imperiai em S. Petersbourg. 



44 

D. Antonio : nasccu cui Lisboa a 15 de roar(;o de 1695, e faileceu na mesma cìdade a 20 
(le outubro de 1757. Foi dcpositado no rcal jazigo de S. Vìcente de Fora. 

D. Thereza : uasceu no pago de Córte Real a 24 de fevcreiro de 1696, e niorreu em Lis- 
boa a 16 de fevereiro de 1704, sendo tarabem deposìtada em S. Vicente. 

D. Manuel : nasceu em Lisboa a 3 de agosto de 1697 ; tomou a primeira tonsura a 14 de 
abrii de 1704, e na noite de 4 de novembro de 1715 embarcou-se clandestinamente com di- 
i*ecQào à Hungria, onde tomou parte na guerra centra os turcos, distinguindo-se pelo seu va- 
lor em varias batalbas, principalmente na de Peterwardin em 5 de agosto de 1716. Dcpois 
de visitar algumas cortes da Buropa, rccolheu a Lisboa no anno de 1722, e faileceu a 3 de 
agosto de 1766, pelas nove horas e quarenta e cince minutos da manhà. Os seus restos mor- 
taes acbam-se no ex-mosteiro de S. Vicente de Fora*. 

D. Francisca: nasccu em Lisboa a 30 de Janeiro de 1699, e morren na mesma cidadc u 
15 de juiho de 1736. Jaz no ex-mosteiro de S. Vicente de Fora. 

Fera do matrimoDlo leve 

D. Luiza : nasceu a 9 de Janeiro de 1679 (dizem ter sido sua màe D. Maria da Cruz Mas- 
carenbas); foi legitimada, e casou a primeira vez a 14 de maio de 1695, com D. Luiz de 
MelJo. Enviuvnndo a 13 de novembro de 1700, tomou a casar, a 16 de sclembro de 1702^ 
com seu cunbado o duque D. Jay .ne de Hello; faileceu scm geragdo a 23 de dczembro de 
1732, e foi sepultada na capciia mór do mostciro de S. Joào Evangelista em Evora. 

D. Miguel : nasceu em Lisboa a 15 de outubro de 1699 (dizem ter sido sua màe D. Ànnu 
Armauda de Verge, franceza, Glba de uma aia da rainba D. Maria Francisca de Saboya) ; 
foi-lbc dado o tratamento de alteza em 1714; casou a 30 de Janeiro de 1715 com D. Luiza 
de Sousa, marqucza de Arronches, e faileceu a 13 de Janeiro de 1724, afogado no Tejo, por 
se haver voltado o escaler que o conduzia de uma cagada na outra banda. Deixou descendcn- 
eia, rccebendo o primogenito o titulo de duque de LafOcs, por caria passada a 5 de novem- 
bre de 1718. Foi sepultado no mosteiro de Santa Gatharina de Ribamar. 

D. José: nasceu a 6 de maio de 1703 (dizem ter sido sua màe D. Francisca Clara da 
Silva) ; foram-lbe conferidas pelo seu nascimento as mesmas bonras e preeminoncias que a 
seu irmào, a quem aconipanliava na occasiào de se afogar no Tejo, escapando milagrosa- 
mente sobrc a quilba do escaler voltado. Dedicando-se à vida ecclesiastica, doutorou-se em 
tbeologia na unìversidade de Evora a 26 de julho de 1733, e foi nomeado arcebispo de Braga 
a 11 de fevereiro de 1739. Faileceu em Ponte de Lima, andando em visita pastora!, a 3 de 
junbo de 1756, e o seu cadaver, conduzido para Braga com grande pompa, foi sepultado eni 
campa raza na capella mór da sé. Seu sobrinbo o duque de LafOes niandou-lhe por uma in- 
scripgào, errada emquauto ao tempo em que governou o arcebispado2. 

Parece que D. Pedro H, de uma lavadeira do pago, tivera uma fillia, que foi recolbida no 
convento de Carnide. 

• Vej. Ignacio Barbosa Macbado, Parugyrico Hislorico do Serenissiìm Senhor Jnfanle D. Manuel, 
no qual se cscrevem as gloriosas acgòes que lem abrado na paz e na guerra, depois que satiiu do reino 
de Porlugat, ale ao fini da vicloriosa campanfia da Hungria, do anno il 16, e de corno foi tralado em 
diversas cortes da Europa. Lisboa, 1717. 4/ D. Francisco de Figueiredo da Gama Lobo, Elogio Hislorico 
do mais perfeUo Infante, o Serenissimo Senhor D. Manuel. Lisboa, 1744, 4.« 

' Emquanto à sua biographia pòde-se ver: Macào da enlrada que o Serenissimo Senlior D. José 
de Bragan^a, Arcebispo Primaz, fez na cidade de Braga, aos 23 de julho de 1741. 4.<> de 19 paginas. 
Tbadeu Luiz Antonio Lopes da Fonseca Carvalho e Camòes, Breve Narrapào da enlrada e progressos 
que Serenissimo Senhor D. José, Arcebispo e Senhor de Braga, Primaz das Hespanhas, fez na muùo 
nolavel villa de Guimaràes, desde o dia 10 de dezembro de 1746. (Vem inciuido no livro ìntitulado : 
Guimaràes agradecido, etc). Joào Luiz de Magaihàes, Obelisco augusto; Thealro tragico na morte do 
Serenissimo Senhor D. José, Arcebispo de Braga: relagào da sua morte e enlerro. Goimbra, 1756, 4.» 
Serie Chronologica dos Prclados conhectdos da fgrrja de Braga^ desdc a fundacào da mesma Jgrrja 
o(r ao presente tempo, vU\ Coinibra. 1830, 8." 



45 



Moedas de D. Fedro II 



Pre^o estimativo actual 



eiro. 



Csbrc. 



Moeda G. a 

Meia moeda G. a 

Quarto de moeda 3^000 a 

/Gnizado G. a 

Gnizado novo G. 

Méio cruzado ou dois tostOes G. a 

Doze vintcns G. 

Tostào G. a 

Meio tostào G. a 

Seis yintens G. 

Tres vintens ^ G. 

Quatro Yintens . . . .* G. a 

Dois Yintens G. a 

Vintem 

Meio Yintem 

Dez réis G. a 

Cinco réis : G. a 

Tres réis C a 

Real e meio G. a 



30^000 réis 

3G|0OOO » 

36^000 » 

9^000 » 

10/000 » 

3/000 » 

3|M)00 • 



2/000 n 

3/000 » 

/eoo - 

4/000 » 

6/000 » 

6/000 » 

6/000 » 

6/000 » 



i . • : o PETRVS o D • G o P • PORTVGALI AE • ET • AL. Annas do rei- 
no, à esquerda o anno 1669, e à direita 4400, indicaQ3o do valor. 

^ %• IN • HOC • SIGNO • VINCES. Cruz da ordem de Christo dentro 
de cpiatro arcos. Pesa 240 grSos. Moeda de quatro mil e quatrocentos réis, N — 
30^000 réis. 

2. •:• PETRVS • D o G » P • PORTVGALIAE • ET • A. Armas do reino, 
i esquerda o anno 1 668, e à direita 2200, indicando o valor. 

i ••• IN • HOC • SIGNO • VIN «> CES. Cruz da ordem de Christo dentro 
de quatro arcos. Pesa 120 graos. Moeda de dois mil e duzentos réis, N — 36^51000 réis. 

3, .% PETRVS o D • G • P o PORTVGALI. Armas do reino, à esquerda 
as quatro letras do anno 1668, e à direita 1100, indicac3o do valor. 

^ .So IN • HOC • SIG. .O VINCES. Cruz da ordem de Christo dentro de 
<luatro arcos. Pesa 95 graos. Moeda de mil e cem réis, N — 36^000 réis. Este 
exemplar tem por contramarca uma esphera. 

3. ••• PETRVS • D o G » P • PORTVGALI E. Armas do reino, a esquerda 
dois pontos, e à direita 200, designac3o do valor em réis. 

B^ •:. IN • HOC • SIGNO «VINCES. Cruz da ordem de Christo cantona- 
da pelo anno de 1676. Meio cruzado, ou dois tostoes, M — lOiJOOO réis. Vem de- 
senhado este exemplar, unico de que temos noticia, na Numisnuxtica portugueza. 

4. •:• PETRVS • D • G • P • PORTVGALI. No campo LXXX, indicativo 
do valor, tendo por cima uma corca entro dois pontos e por baixo um ponto. 

l^r •:• IN • HOC • SIGNO «VINCES. Cruz da ordem do Santo Sepulchro 
cantouada por quatro pontos. Pesa 65 graos. Quatro vintens, M — 400 réis. 

5. -r PETRVS « D « G - P « PORTVG. Armaj^ do reino entro dois orna- 
montos om fórma de S. 



46 

IV »:- IN - HOC = SIGNO 'VINCES. Cruz da ordera de Christo cantona- 
da por quatro pontos e entre outros quatro. Pesa 42 gràos. Meio tostào, M — 
eoo réis. 

6. «:• PETRVS • D • G P • PORTVGA. No campo XXXX, indicativo do 
valor; por cima urna corda entre dois pontos e por baixo um ponto. 

^ •:• IN • HOC • SIGNO • VINCES. Cruz da ordem do Santo Scpulchro 
cantonada por quatro pontos. Pesa 34 graos. Dois vintem, ìR — 400 réis. 

7. .% PETRVS • D • G • P • PORTVG. No campo XX, indicativo do va- 
lor, tendo um ponto no centro, outro em cima e outro por baixo. 

IV •:• IN HOC • SIGNO VINCES. Cruz de Avis. Pesa 5 graos. Vintem. 
m— 600 réis. 

8. .% PETRVS • D • G • P • POR. No campo X, indicativo do valor. 

Qr •:• IN HOC . . .O VINCE. Cruz de Avis. Pesa 8 graos. Dez réis. JR. 
(Inèdita)— 4(J000 réis. 

9. »:• PETRVS • D • G • PRINCES. Armas do reino, de cada lado quatro 
|)ontos. 

Qr • PORTVGALIAE <• E • 1677. No centro entre quatro anneis X, indica- 
tivo do valor em réis. Pesa 420 graos. Dez réis, JE — C. 

10. .2. PETRVS . D . G « PRINCEPS. Armas do reino, de cada lado dois 
pontos. 

^ PORTVGALIA • ET • 1676. No centro, entre quatro anneis e cinco pon- 
tos, V, indicativo do valor em réis. Pesa 202 graos. Cinco réis, JE — C. 

H. »:• PETRVS o D o G o PRINCEPS. Armas do reino, de cada lado dois 
pontos. 

^ PORTVGALI. . . AL « 1676. No centro, entre dois anneis e seis pontos, 
3, indicativo do valor em réis. Pesa 196 graos. Tres réis, ìE — C. 

12. PETRVS o D o G o PRINC. . Armas do reino entre dois pontos. 

Qf PORTVGALIAE o 1670. No centro, dividido por cinco pontos, i^, in- 
dicativo do valor em réis. Pesa 64 graos. Real e meio, ìE — 500 réis. 

13. PETRVS o D • G o P o PORTVGALIìE. Armas do reino com a coróa 
de principe, a esquerda 4000, indicativo do valor em réis, e à direita quatro floroes. 

I> IN HOC o SIGNO «VINCES o 1680. Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quatro floroes. Pesa 206 */2 graos. Moeda de ouro, — 18;$000réis. 

14. PETRVS o D • G o P o PORTVGALI. Armas do reino, com a coróa 
de principe, a esquerda 2000, indicacao do valor, e à direita quatro floroes, 

Qr IN HOC • SIGNO o VINCES « 1681. Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quatro floroes. Pesa 96 graos. Meta mocda de ouro. — 12^000 réis. 

15. PETRVS o D o G o p • PORTVGAL. Armas do reino com a coróa de 
principe, à esquerda 1000, indicagao do valor, e à direita quatro floroes. 

I^' IN HOC o SIGNO « VINCES m68i . Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quatro floroes. Pesa 50 graos. Quarto de vìoeda de ouro. — 12-^000 réis, 
Este exemplar pertence a coliecfao da casa da moeda. 

10. PETRVS o D - G o P o PORTVGALIiE * ET o ALG. Armas do rei- 



47 

no coni a corùa de principe, a esquerda enlre dois florocs 4000, indicacSo do valor 
em réis, a dircila, tambem no meio de dois floroes, 1681. 

^ S? e IN ^ HOC §g SIGNO 5^ VINCES. Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Pesa 34 graos. Cruzado, M — OjJOOO réis. 

17. PETRVS o D • G o P o PORTVGALIìE. Armas do reino com a coròa 
de principe, à esquerda 200, indicativo do valor, e à direita anno 1679. 

^ §g IN HOC o SIGNO - VINCES. Cruz de Christo cantonada por quatro 
floroes. Pesa 165 grSos. Meio cruzado, ou dois tostòes, ìR — 4}5i500 réis. 

18. PETRVS o D o G o P o PORTVGALIìE. Armas do reino com a coròa 
de principe, de cada lado tres floroes. 

Qr IN HOC o SIGNO • VINCES <- 1681. Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quatro floroes, TostàOy ìR-^SjJOOO réis. Este eiemplar pertence a coUocgao 
do sr. Judice dos Santos. 

19. mesmo an verso. 

15. §g IN o HOC « SIGNO o VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro floroes. Pesa 74 graos. Tostào, M — 2f?000 réis. 

20. PETRVS • D o G o P PORTVG. Armas do reino entre quatro pontos. 
^ S€ IN HOC o SIGNO o VINCES. Cruz da ordem de Christo dentro de 

um circulo de perolas, e cantonada por quatro pontos- Pesa 36 graos. Meio tostào, 
A — SfJOOO réis. Variedade bastante rara. 

21. PETRVS o D o G o P o PORTVGALI. Armas do reino com a covò^ 
de principe, de cada lado uni florao entre dois pontos. 

^ 8€ IN HOC o SIGNO o VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro floroes. Pesa 43 graos. Meio tostào. Ai — C. 

22. • PETRVS o D • G • P o PORTVGALIìE ^ ET. No campo LXXX, 
indicativo do valor, tendo por cima entre dois floroes a coròa de principe e por baixo 
um florao. 

^ §g IN HOC o SIGNO o VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 
floroes. Pesa 73 grSos. Quatro mntens, J^ — 2j51000 réis. 

23. PETRVS o D - G o P o PORTVGAL. No campo, dentro de um ornato 
e encìmado pela coróa de principe, XXXX, indicativo do valor. 

Qr IN HOC* SIGNO o VINCES « 679. Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Pesa 31 graos. Dois vintens, JR — 3^000 réis. 

24. PETRVS • D « G o P o PORTVGAL. No campo XXXX, indicativo do 
valor, tendo por cima a coròa de principe entre dois floroes e por baixo um florao 
entre dois pontos. 

^ S€ IN HOC o SIGNO -VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 
floroes. Pesa 33 graos. Dois vintens, JR — C. 

25. PETRUS o D • G o p . PORTUGALIìE. campo com um ornato 
tendo no centro, dentro de uma coròa de louro, as quinas, e por cima a coròa rea!. 

IV - ANNO o REGENS « DESSIMO » QUINTO « 1682. campo orna- 
mentado tendo no centro um X, indicativo do valor. Dez réis, jE — 6;5000 réis. Este 
exemplar pertence ao sr. José Lamas, 



48 

26. PETRVS o D « G o P o PORTVGALIìE « Armas do reino omamenta- 
das. 

Q. ANNO • REGENS • DESSIMO • QVINTO. No campo dentro de quatro 
arcos ornamentados V, indicativo do valor. Cinco réis, JR — 6^5(000 réis. 

27. PETRVS « D o G - P • PORTVGALIìE. No centro de um ornato P 
(Fedro) tendo por cima a coròa real. 

^ ANNO REGENS » DESSIMO QVINTO « 1682. No centro de quatro 
arcos ornamentados III, indicativo do valor. Tresréis^ M — 5^000 réis. Jlste exem- 
plar e anterior pertencem hoje à coUec^ao do sr. Eduardo Canno. 

28. PETRVS o D o G • P o PORTVGALIìE. Armas do reino ornamenta- 
das. 

^ ANNO SEXTO DECIMO REGIM « SVI o i683. No centro de quatro 
arcos ornamentados e de quatro floroes X, indicativo do valor. Pesa 307 gr3os. Dez 
réis, ìE— 2^000 réis. 

29. PETRVS o D o G o P o PORTVGALI^E. Armas do reino com orna- 
mentagao. 

^ ANNO SEXTO DECIMO REGIMINIS SVI o i683. No campo, entre 
quatro arcos ornamentados e quatro floroes, V, indicativo do valor. Pesa 1 92 graos. 
Cinco réis, M — 2^000 réis. 

30. PETRVS • D o G » P « PORTVGALIìE. Armas do reino com oma- 
mentagao. 

^ ANNO SEXTO DECIMO REGIMINIS SVI» 1 683. No centro de 
quatro arcos ornamentados e entre quatro florSes, III, indicativo do valor. Pesa 97 
gr3os. Tres réis, ìE— 2000. 

31. PETRVS • D o G o Po PORTVGALI^E. Armas do reino com oma- 
mentaQ^o em volta do escudo. 

^r o ANNO SEXTO DECIMO REGIMINIS SVI -1683. No centro de 
quatro arcos ornamentados e entre quatro floroes, 1 1 , indicativo do valor. Pesa 68 
graos. Real e meio, M — 6^000 réis. 

32. PETRVS A II A D & G A PORT a ET & ALG & REX. Armas do 
reino, a esquerda 4000, indicativo do valor, e a direita quatro floroes. 

^ & ^ IN ^^ HOC 8e SIGNO ^ VINCES 38 & 1689. Cruz da ordem de 
Christo cantonada por quatro floroes.* Moeda de auro, — C. 

33. mesrao anverso. 

^ A ^ IN Sg HOC §§ SIGNO §g VINCES Bi a i 706. Cruz da ordem de 
Christo cantonada por quatro RR. (Rio de Janeiro). Moeda de ouro. — C. 

34. PETRVS • II • D o G • PORT « ET « ALG » REX <> Armas do reino, 
a esquerda 2000, indicativo do valor, e a direita quatro floroes. 

Qr §g IN §§ HOC ^ SIGNO §g VINCES ^ A 1691 a Cruz da ordem de 
Christo cantonada por quatro floroes. Meia moeda de ouro. — 3f5l600 réis. 



' D'està epocha cm diante as moedas sào multo mais regulares, e eocontram-se geralmente em boa 
consorvacào, por isso julg^àmos desnecessario mencionar peso dos exemplares. 



49 

35* mesmo anverso. 

Q. §§ IN §g HOC ^g SIGNO ^S VINCES ^^ ^ lyoS ^ Cruz da onlom ile 
Christo cantonada por quatro R R (Rio de Janeiro). Meia moeda de oiro. — 3j^600 réis. 

36. PETRVS o II o D o G • P o ET o ALG • REX. Armas do reino, a es- 
querda looo, indicativo do preco, e à direila quatro rosetas. 

Qr Sg IN §g HOC §g SIGNO Sg VINCES §6 «s. 1691 <& Cruz da ordem de 
Christo cantonada por quatro floroes. Quarto de moeda de oiro, — 2^000 réis. 

É muito provavel que se cunhassem tambem os qiiartos de moeda de oiro, com 
as marcas da officina monetaria do Rio de Janeiro, mas nao tivemos occasiao de ver 
um exemplar para fazer desenhar. 

37. PETRVS o II o D o G o REX « PORTVGALIìE. Armas do reino com 
a coròa de principe, i esquerda entre dois floróes, 400^ indicativo do valor, e à di- 
retta, tambem entre dois floroes, 1684. 

^ §€ - IN 8g HOC ^g SIGNO Sg VINCES * Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado, J^ — 3^000 réis. 

38. PETRVS • II o D o G o PORTVG « ET • ALGA « REX. Armas do 
reino, à esquerda entre dois floroes, 400, indicativo do valor, e à direita tambem 
entre dois floroes, 1686. 

I^ mesmo da anterior. Cruzado, M — C. 

39. PETRVS o II o D » G o REX « PORTVG - Armas do reino, a esquerda 
entre dois floroes, 400, e a direita tambem entre dois floroes, 1689. 

Qr ^ o IN SS HOC 3g SIGNO §g VINCES « Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro PP (Porto). Cruzado novo, JR — C. 

40. PETRVS o II » D o G o REX » PORTVGALIìE. Armas do reino com 
a coròa de principe, à esquerda entre dois pontos, 200, indicativo do valor, e à di- 
retta tambem entre dois pontos, 1684. 

^ 3€ IN o HOC o SIGNO o VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro floroes. Meio cruzado ou dois tostòes, M — 2)^1000 réis. 

41. PETRVS o II o D o G PORTVG - ET • ALG « REX. Armas do 
reino, a esquerda entre dois floroes, 200, indicativo do valor, e a direita tambem 
entre dois floroes, 1686. 

^ mesmo da anterior. Meio cruzado ou dois tostoes, JR — C. 

42. o PETRVS • II o D o G o REX e PORTVG - Armas do reino, à es- 
querda entre dois floroes, 200, e à direita tambem entre dois floroes, 1688. 

^ §g o IN Sg HOC SS SIGNO §g VINCES « Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro PP (Porto). Doze vintens, JR—C. 

43. PETRVS • II o D o G o REX • PORTVGALIìE. Armas do reino com 
a coròa de prìncipe, de cada lado tres floroes. 

^ §g IN o HOC o SIGNO o VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro floroes. Tostào, JR — li5000 réis. 

44. PETRVS o II o D o G ^ PORTVG » ET ALG - REX. Armas do 
reino, de cada lado tres floroes. 

IV mesmo da anterior. Seis rinlem, A\. — C. 

TOMO II f 



50 

45. PETRVS • II » D o G ^ REX » PORTVG. Armas do reino, a esquerda 
entre dois floroes, loo, e à direita tambem enirc dois floroes, 1689. 

Qr ^^ o IN ^i HOC ^^ SIGNO o§ VINCES « Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro PP (Porto). Seis vintens, JR. — C. 

46. PETRVS o II . D o G • REX o PORTVGALIìE. Armas do reino com 
a coròa de principe, de cada lado tres floroes. 

Qr S€ IN o HOC - SIGNO «VINCES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro floroes. Meio tostào, M — 500 réis. 

47. PETRVS II D G PORT o ET ALG REX. Armas do reino, de cada 
lado tres florSes. 

Qr mesmo da anterior. Tres vintens, A — C. 

48. PETRVS • II D o G REX PORTVG. Armas do reino, de cada lado 
tres florOes. 

^ SS o IN §g HOC §€ SIGNO ^ VINCES • Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro PP (Porto). Tres vintens, jR — C. 

49. PETRVS II • D G • REX • PORTVGA • No campo LXXX, indica- 
tivo do valor, por cima entre dois floroes a corèa de principe, e por baixo um fiordo. 

Qr §g IN 3g HOC ^S SIGNO ^i VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Quatro vintens, JR. — lj5000 réis. 

50. PETRVS o II o D • G PORT o ET o ALG o REX. No campo LXXX, 
indicativo do valor antigo jà elevado a um tostào, por cima entre dois floroes, a 
coròa real, e por baixo um florao. 

Qr mesmo da anterior. Tostào, JR — C. 

51. • PETRVS II o D G o REX • PORTVG o No campo LXXX, indi- 
cacao do valor antes da reforma de 1688, por cima entre dois floroes a coi'óa real, 
e por baixo anno 1690. 

^ ^g oIN 2^ HOC ^ SIGNO ^g VINCES • Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro PP (Porto). Tostào, JR — C. 

52. PETRVS o II o D o G • REX • PORTVG o No campo XXXX, indicando 
valor, por cima entre dois floroes a coròa de principe, e por baixo um florao. 

Qr §§ IN HOC • SIGNO o VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro floroes. Dois vintens, JR — 500 réis. 

53. PETRVS • II D G P ET ALG REX. No campo XXXX, indicagao 
do valor antigo, por cima entre dois floroes a coròa real, e por baixo um florao. 
Meio tostào, JR — C 

54. PETRVS • II o D o G • REX • PORTVG. No campo XXXX, indicando 
valor antigo, por cima entre dois floroes a coròa real, e por baixo um florao no 
meio de dois pontos. 

Qr ^g IN 9g HOC §g SIGNO §§ VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro PP (Porto). Meio tostào, JR — C. 

55. PETRVS II • D • G • PORT o ET • ALG REX. Armas do reino 
com uma coròa de loiro cercando escudo. 

^ QVARTO 5g ANNO Sg REGNI Sg 1688 §g No campo entre quatro floroes 



51 

e dentro de quatro arcos ornamentados, X indicando o valor. Dez réis, JE — 
5^000 réis. 

56. PETRVS • Il • D • G PORTVG o ET o ALG REX. Armas do reino 
CODI urna coròa de loiro cercando e escudo. 

^ QUARTO ^ ANNO ^ REGNI 5€ i688 §€ No campo enlre quatro floroes 
e dentro de quatro arcos ornamentados, V indicando o valor. Ciuco réis, M — 
3^000 réis. 

57. PETRVS • II o D G PORT • ET • ALG o REX o Armas do reino 
com escudo cercado por uma coròa de loiro. 

^ QVARTO SS ANNO o S§ o REGNI ^ i688 §S No campo, entro quatro 
floioes e dentro de quatro arcos ornamentados, III indicagao do valor. Tres réis, 
M—UOOO réis. 

58. . PETRVS II D • G PORT o ET . ALG • REX • Armas do reino com 
o escudo cercado por uma coròa de loiro. 

5r §^ i688 SS QVARTO 8€ ANNO §S REGNI. No campo, dentro de qua- 
tro arcos ornamentados, I j, indicando o valor. Real e meio, M — 8^000 réis. Nao 
consta que exista outro exemplar. 

59. No campo P o II (Fedro II), encimado pela coròa real, por baixo lun florSo, 
e na orla D • G . PORT • ET . ALG o REX. 

^ VTILITATI ^ PVBLICiE §5 1699 ^ No campo, entro dois floroes e 
dentro de uma coròa de loiro, X, indicando valor. Dez réis, JE — C. 

60. No campo P II (Fedro II), encimado pela coròa real, por baixo um florao 
e na orla D • G . PORT ET ALG . REX. 

^ VTILITATI PVBLICiE ^ 1699 S^ No campo, dentro de uma coròa 
de loiro, V, indicacao do valor. Ciuco réis, M — C. 

61. No campo P II (Fedro II), encimado pela coròa real, por baixo um florao 
e na orla D • G . PORT ET ALG REX. 

Qr VTILITATI PVBLICiE ^€ 1699 2^ No centro de uma coròa de loiro, 
III indicando valor. Tres réis, M — C. 

62. No campo P:II (Fedro II), encimado pela coròa real, por baixo um florao 
e na orla D G PORT o ET ALG REX. 

^ VTILITATI PVBLICiE ^ 1 699 §§ No centro de uma coròa de loiro, 
Ij, indicando valor. Real e meio, M — C 

Durante a regencia e reinado de D. Pedro II, reunìram-se cinco vezes as cortes, e 
todas ellas em Lisboa, nos annos 1668, 1674, 1677, 1679 e 1697. 

As moedas de D. Pedro II marcam duas cpochas distinctas: comprehende a pri- 
meira as que se cunharam durante a sua regencia com titulo de principe, e a segunda 
as qoe fez lavrar, depois da morte de seu irmao, revestìdo com titulo de rei. 

A consulta de 27 de fevereiro de 1668 para se levantar prepo à moeda de oiro, 
em proporpào com a de prata^, deu em resultado a lei de 12 de abril do mesmo anno, 

* Manuscrìpto da Golleccào chr^ de Icgislacào port. coUigida por F. J. Pereira e Sousa. Doc. com- 
provativo n.« 162. 



52 

na qual as vioedas de oiro de 4}S000 réis passaram a valer 4^400 réis, e assim pro- 
porcionalmente as suas fracfocs, interessando tres partes d'este augraento o cofre da 
fazenda e urna parte o dono da moeda. No periodo de dois mezes deviam ser entregues 
na officina monetaria todas as moedus de oiro, meias moedas e quartos, a firn de so 
llies imprimirem as novas marcas, seni as quaes so correriam pelo antigo valor du- 
rante praso estabelecido, e Ondo elle, nao seriam admittidas na cìrculapào. Os carim- 

bos tinhara o seguinte feitio |^^S)| nas mcedas de 4^51000 réis; ]^f55|j nas meicts 




moedas, e (pig%|} nas de quarto, corno se observa no n.° 2 de D. Joào IV, e n.®* 1 , 2, 

Ile 12 de D. Alfonso VI*, 

Ordenou-se a 10 de outubro que o oiro dos dobrdes hespanhoes, e era pasta, sendo 
de lei de 22 quilates, se pagasse nas casas de moeda a 1^51200 réis a oitava, para ser- 
vir no fabrico das moedas de 4j5ì400 réis (n.° 1), meias moedas (n.° 2) e quartos (n.® 3) *. 
A 26 do mesmo mez raandarara-se abrir novos cunhos era nome de D. Fedro principe '. 

Em 25 de fcvereiro de 1669 foi prohibido aos ourives do oiro que vendessero pe- 
pas d'este metal de toque inferior a 21 quilates, nao podendo oseu prepo exceder a 
IjJlOO réis a oitava; e na mesma lei se impunhafh graves penas aos infractores *. 

Conhecendo-se que os possuidores do oiro e da prata, tanto cm moeda corno em 
barra, lucravam mais em o negociarem para o estrangeiro que em o venderem para o 
fabrico e recunhagem da moeda, decretou-se, em 5 de abril de 1672, o pagamento do 
oiro em pasta de 22 quilates e dos dobrdes a 1?5250 réis a oitava^. 

favoritismo especulava muitas vezes n'estas medidas flnanceiras; por isso veraos 
decretada, depois de expirar o praso, a contramarca de certo numero de moedas de 
oiro, entregando ao dono do excesso tres partes, em vez de uma que se achava esta- 
belecida ^. 

Na ilha de S. Miguel tambem se organisou officina para contramarcar as moedas. 
sr. Ernesto do Canto possue o originai de um padrào de tenpa passado no anno de 
1691, concedida pelos servifos prestados por um seu ascendente, citando-se entre ou- 
tros ter sido, sem salario, juiz superintendente do cunho da m^eda naquella ilha 
ru) anno de 1677; e no registo geral da camara municipal de Penta Delgada^ acha-sc 
transcripta a caria regia, mandando a mesma camara nomear o escrivao da casa da 
moeda d'aquella ilha; e mais adiante^ està lanpado o termo de quìtafao a favor dos 
herdeiros de Francisco de Moraes, thesoureiro da moeda cunhada (contramarcada) 
n'aquella cidade. 

' Impresso avulso. Arcb. nac, liv. v das Icis, fol. 8G v. Doc. comprovalivo n.« 163. 

' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv i, fol. 329 v. Doc. com provati vo n.* 165. 

• Idem, fol. 329 v. Doc. comprovativo n.« 1C6. 

• Idem, fol. 451 v. Doc. comprovativo n.* 167. 

• Idem, fol. 335. Doc. comprovativo n.« 168. 

' conselbo da fazenda ordene ao Juiz e offlciaes da casa da moeda marcpiem com a ultima marca 
de quatro mìl e quatro sentos réis, para que corram com ella as sinco mil moedas de ouro, que nella ha 
de meter a pessoa que apresentar cste decreto, das que ualìào de antes quatro mil reis, pagando dos 
direitos de cada huma bum tostào tao somente, e por que asy o bey por bem, sem embargo da ley e 
ordens em contrario, por me ser presente que vierào de fora do Reyno, aonde as bauiao leuado deste, 
com declaraoao que nao farà exemplo a outra pessoa alguma està premisào, em Lx.* a 28 de Jnnho de 
1673— Principe. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 338 v.) 

' Liv. II, fol. 32 V. 

• Idem fol. 34. Esles apontamentos forara-nos enviados pelo sr. Ernesto do Canto, a quem Inbutà- 
mos agradocimentos. 



53 

A ordeiii ilo consolilo da fazcnda de 10 de outubro de 1668 * sobre o lavramcnlo 
da moeda de oiro, foi alterada por urna outra de 24 de marpo de 1677 domesmocon- 
st»lho, determinando quc na nova fundipào as moedas de oiro tivcssem o valor de 4^000 
réis, e assira proporcionalmenle as mdas moedas e quartos *. Por esla lei se cunharam 
OS n." 13 a 15, entrando no marco 21 '/a pefas de 4^000 réis, devendo pesar cada 
urna 216 gràos; as meias rtìoedas 108 gràos, por fazerera 42 '/a uro marco; e os qv^r- 
tos pesavam 54 gràos cada um, entrando 85 73 no marco. 

É a partir d'està epocha que se nota na moeda grande aperfeipoamento, contri- 
buindo multo para elle a illustrapào do conde da Ericeira, e Roque Francisco, abridor 
de cunhos e artista multo distinclo ^. engenho, que acabou com uso do martelo na 
cunhagem da moeda, lem a data de 1678, jà devia servir no fabrico d'esles exem- 
plares *. 

Havendo Jorge Ferrao Ribeiro terminado tempo por que arrematàra os direitos 
da moedagem ', fez-se novo contrato, em 21 de maio de 1684, com Gaspar da Silva e 
Alexandre Pimenta, que se obrigaram tambcm ao fornecimento do oiro e da prata, 
scado estes metaes lavrados pelos ofliciaes da casa da moeda e conforme seu regi- 
mento, comò se fosse por conta da fazenda ^. 

A 28 de setembro de 1683, logo em seguida a morte de D. Affonso VI, ordenou 
conselho da fazenda a abertura de novos cunhos, intitulando D. Pedro rei de Por- 
tugaP. 

cerceamento da moeda (ornàra-se uma calamidade; todas as medidas para im- 
pedir tinham sido infructiferas; a propria moeda nova nao escapava à cubipa; e a 1 7 de 
outubro de 1685 publicou-se outra lei prohìbindo carso às moedas de oiro e prata 
que nao tivessera peso legai ®. 

decreto de 26 de maio de 1 686 manda que das moedas de oiro e prata, entradas 
na ofGcina monetaria em pagamento dos padroes de juros, fossem apartadas as da fa- 
brica velba, que so seriam recebidas com devido peso; e depois de se Ihes pur cor- 
(lào e a marca, entrassem outra vez na circulapào ^. 

cordào^^ e marca nas moedas das fabricas anteriores adoptaram-se para obstar 
ao cerceio; e se depoìs de assira authenticadas se encontrassera faltas no peso, aspes- 
soasaquem fossero apprehendidas, soffreriara as penas decretadas para os cerceadores 
da moeda da nova fabrica**. Esla lei é datada de 8 de julho de 1 686; e decreto de 9 
de agosto do raesrao anno raandou se enlreguera no praso de 1 5 dias todas as raoe- 
(las de oiro das fabricas antigas, cerceadas ou por cercear, para Ihes ser posto dito 
cordào e raarca, loraando-se pelo peso, e resti tuindo-se assira, depois de carirabadas, às 



• Yid. dee. comprovati vo n.» 165. 

*Àrcb. da casa da moeda de Lisboa, registo g^cral, tiv. i, fol. 345 v. 

• Vid. tom. I, pag. 73. 

• Idem, pag. 62. 

*Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, foJ. 411. 

• Idem, fol. 422 a 424. Doc. comprovativo n.*> 173. Apcsar do contrato ser bastante extenso, julga- 
mos otil transcrevel-o na integra, para mellior se conhccer espirito quc presidia a taes arrematagòes. 
Pela resolu^o de Sua Magestade de 14 de Janeiro de 1686 Ibc foi dado por lindo contrato. (Arch. da 
casa da moeda de Lisboa, registo geral, Ut. i, fot. 434.) 

' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 417 v. Doc. comprovativo n.'' 174. 

• Idem, fol. 430-A. Impresso avulso. Doc. comprovativo n.» 175. 

• Idem, fol. 436. Doc. comprovativo n." 176. 

*' Cordào ou sarriiha, invencào de Manuel Rodrigues da Silva. Vid. toni, i, pag. 74. 

•• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. i, fol. 437. Doc. comprovativo n.» 177. 



54 

pessoas a quem pertencessem, sem dispendio algum. Depois de acabado o dito praso, 
todas as moedas de cunho antigo que se achassem sem sarrilha e inarca, serìam con- 
fiscadas ^. À lei manda marcar tanto as que tinham o justo peso corno as faltas, procu- 
rando miicamente impedir a continuaiao do cerceio; mas estabelecendo o corso for- 
pado com o mesmo valor a moedas de differente peso, augmentava por certo os abn- 
SOS, que por tal medida procurou evitar. 

A carta regìa de 20 de agosto, remettendo a lei anterior ao conselho da fazenda, 
para a dar a execupao, diz que os quinze dias se deviam contar de quando se pozessem os 



editaes, e nào da publicapào da lei '. Urna esphera por este modelo (gB^ foi entào a 




marca impressa na moeda de oiro, comò se observa nas de D. Joào IV, n.° 2, de 
D. Affonso VI, n.°" 1 e 12, e nas primeiras que D. Fedro fez lavrar, quando principe re- 
gente, n.*^ 3. 

regimento da casa da moeda, datado de 9 de setembro de 1 686, diz no capi- 
tulo XXXVI : «No cap. v deste Regimento se tem dado a fórma em que se ha de pagar 
às partes o ouro, e prata que for da Lev ; e assim se darà o pezo a Moeda de ouro a 
respeito do valor porque mandar pagar o marco, e na conformidade delle serao os 
padroes porque os Juizes da Balanpa proverao as moedas de ouro. Assim comò valendo 
ouro a mil duzentos e cincoenta reis a oytava, huma moeda de ouro de quatro mil 
reis terà de peso tres oytavas, a de dous mil reis oytava e mela, e a de quarto de va- 
lor de mil reis, mela oytava e dezoito gràos; e virào a caber nesta forma em bum 
Marco de ouro vinte e buma moedas^ e bum quarto, que fazé pezo de sessenta e tres 
oytavas e meya, e dezoito graos, que valem setenta e nove mil seis centos oytenta e 
cìnco reis e meyo, em que vem a fallar para as sessenta e quatro oytavas que entram 
em cada Marco, dezoito gràos, que valem ao dito respeyto trezentos e dezoito reis e 
meyo. E importarà quando se compre o Marco de ouro por oytenta mil reis o que Oca 
para a fabrica, e despezas, ciuco mil trezentos e doze reis e meyo ^ em cada Marco, 
sem entrarem dezoito gràos que ficào por lavrar, e respectivamente tem rendimento; 
e valendo o ouro mais, ou menos, se farà a Moeda a este mesmo respeito». No 
cap. Lxvii manda-se continuar com o typo usado na moeda de oiro e prata, eicepto 
nos virUens *. 

A reducpào da moeda e a crea{^ào das ofllcinas provisorias em diversas terras do 
reino para a contramarca obrìgou a grandes despezas, que se suppriram com os encar- 
gos dos padrSes de juros '. 

Em 21 de abril de 1687 mandaram-se entregar os novos modelos para a moeda, 
com a recommendat^ào de que aquella que saisse irregular, se fundisse e cunbasse ou- 
tra vez, caso n'isso conviesse o provedor •. Os n.®** 32 a 36 foram cunhados conforme 

* Impresso avulso. Arch. da casa da moeda, registo geral, liv. i, fol. 439. Doc. comproyattyo n.* 178. 
' Idem fol. 449. noe. comproyativo q.« 179. 

' Està errada està yerba deve ser 5^31 4 )( réis. 

* Vid. doc. comprovativo n.» 180, cap. 36.» e 67.» 

* A 4 de maio de 1686 mandaram-se vender qoatrocentos mil crusados, pagando de jnros annual- 
mente vinte mil (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, Jiv. 1.*, fol. 435); e em 26 de setem- 
bro do mesmo anno emittiram-se mais trezentos mil cruzados. (Gollec^ào chr. da legisla^o port., col- 
lìgida por F. J. Pereira e Sousa.) 

" respectivo documento irà transcripto em nota, quando fallarroos das moedas de prata feitas na 
mesma occasiào. 



55 

esla lei, produzindo a officina monetaria de Lisboa os n.^' 32, 34 e 3 G, e a do Rio de 
Janeiro os n.^' 33 e 35. É provavel que ahi se fabricasse tambem o quarto, que nunta 
vimos, motivo por que nao o flzemos gravar ^ 

A 23 de julho determinou-se que o tbesoureiro da casa da moeda pagasse aos in- 
teressados as moedas de oiro que se haviam quebrado ao pur o cordào e a coutra- 
marca^. A carta regia de 23 de agosto concede, tambem por grapa especial, o encor- 
doamento de 482 ^4 moedas de oiro, apesar de jà baver flnalisado o praso ^. 

A pratica nào tardou em demonstrar que o processo de sarrilhar a moeda de oiro 
ainda nào bastava para impedir o cerceìo, mandando-se recolber, em li de marpo de 
1688, todas as de fabrica velha jà circuladas, para na casa da moeda se marcarem no- 
vamente junlo ao cordao ^ ; ordenando-se na mesma data a faclura dos engenbos pre- 
cisos, mas que nao excedessem a vinte ^. 

Com intuito de augmentar as peias ao cerceio da moeda, decretou-se em 22 de 
abril que aos incursos n'este crime se nào admittisse carta de seguro, conservando-os 
presos até final sentenza ^. 

Nos roercados do reino sentia-se bastante a falla de numerario, exislindo multa 

' Resenràmos descrever as offlcinas de moeda no firazil no 3.« tomo; mas convem saber, para me- 
ibor comprehensào das letras monetarias encontradas em alguns exemplares de oiro do reino» desde 
D. Fedro lì até D. Joao VI, que a casa da moeda da Bahia foi creada por decreto de 8 de mar^o de 
1694, conservando-se ahi até 1698, anno em que a transferiram para o Rio de Janeiro, onde come^ou 
a fiinccionar em 17 de mar^^o de 1699; e a 13 de outubro do anno scguinte passou para Fernambuco. 
Toroou a ser mudada para a capital do estado pela carta regia de 9 de mar^o de 1702, principiando a 
traballiar em 12 de outubro do mesmo anno. A crea^ào d*estas offlcinas, que comegaram por uma exis- 
tencia provisorìa, coincidiu com o desenvolvìmento explorador das minas de oiro no BraziI, lavrando- 
sc ahi primeiro so a moeda proTincial, e depois bateu-se grande quantidade para a metropole. As mar- 
cas especiaes so foram abertas nos cunhos, quando aqueUas casas se estabeleceram deflnitivamente, 
nào se podendo distinguir as fabricadas em diversas locaUdades até essa epocha, e conrundindo-se 
mesmo com algumas das feitas no reino, d'onde muitas vezes iam os ferros, identlcos aos usados na 
casa da moeda de Lisboa. Depois de organisada a do Rio de Janeiro em 1702 é que apparcceram os 
qoatro RR cantonando a cruz de Christo, seguindo depois o exemplo as outras offlcinas no reinado de 
D. Joio V. 

* provedor da casa da moeda ordene ao thesoureiro della que do rendimento da roesma casa 
pagne com dinheiro usuai o valor das moedas de oiro que se quebrarào na manufactura do òordea- 
mento, sem embargo das ordens contrarias, por Sua Magestade assim o resolver em desasseis do cor- 
rente mei em consulta deste conselho. Lisboa vinte e tres de Julho de mil seiscentos e oitenta e sete. 
Com tres rubricas dos ministros do conselho de fazenda. E eu Joseph Ribeiro Rangel, escrivào da casa 
da moeda, tresladei, etc. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ii, fot. 4 v.) 

* Idem, fol. 7 v. Doc. comprovativo n.» 185. 

* Arch. da camara municipal de Lisboa, Uv. x de D. Fedro 11, foL 17. Provavebnente foi a nova 
orla. 

* conselho da fazenda ordene que na casa da moeda se facao os engenbos de por cordao que 
forem necessarios, até o numero de vinte, os quaes estarào promptos até nova resoluoào minha, com 
declaragio que na casa da moeda flcarào os engenbos que parecerem necessarios para o espediente e 
fabrica da dita casa; e tambem se farào da mesma sorte marcas correspondentes ao trabaiho dos vinte 
engenhos; e nos mais que flcarem nesta, e para as mais fleùras e instrumentos da fabrica da casa da 
moeda estarào prevenidos todos os sobrecelleutes de que se possa necessitar para continuar o lavor, 
quando for conveniente. Lisboa 11 de marco de 1868. Gom a rubrica de Sua Magestade. (Arch. da casa 
da moeda de Lisboa, registo geral, liv. u, fol. 9 v.) 

* Por ser conveniente à boa administra^ao da justi^a que no prejudicial deiicto do cerceio da 
moeda se castiguem os delinquentes com toda a severidade, e que nào andem soltos depois de conhe- 
cidamente serem culpados, com escandalo da republica a quem tao gravemente téem offendido, por 
se livrarem com cartas de seguro : bei por bem que de hoje em diante se nào possào passar neste 
crime, e que todos os reos que nelle forem culpados se livrem presos. regedor da Justiga o tenha 
assim entendido, e o farà executar inviolavelmentc na casa da supplicaoào, sem embargo de qualquer 
resoluoào ou lei em contrario. Lisboa 22 de abril de 1688. Gom a rubrica de Sua Magestade. (Rewrt., 
tom. I, |»ag. 153 ila 1.* cdirìio. J. P. Rilwiro, //ir/, chr. e crìi, part. 1.*, pag. 253.) 



5G 

moeda da fabrica aaliga por cercear, quc os possuidores negociavam clandestìDamenlc 
por mais do seu valor nominai; e para obstar à continuapào do abuso, repetiu-se a 13 
de maio a ordem de se entregar lodo o dinbeiro que estivesse n'estas circumstancias, 
na casa da moeda, onde seria logo pago em moeda nova; e depois de se Ibe por o cor- 
dào, enlraria outra vez no giro ^ A 20 do mesmo mez prohibiu-se comprar ou vender 
moeda de oiro ou prala por mais do valor decretado, incorrendo os infractores nas 
penas imposlas aos que cerceavam moeda ^. 

alvarà de 9 de junho de 1 688 creou a casa da moeda da cidade do Porto, por 
pedido da mesma camara^, arbitrando-se n'esta data a José Ribeiro, emquanto esti- 
vesse ahi em commissào, 1 50($000 réis de ordenado ^. Os ferros e engenhos destina- 
dos a montar a dila casa partiram para o seu destino a 16 na caravella de José Dìas 
Rocha, a quem a fazenda pagou de frele 34^000 réis ^ 

De 1 8 do mesmo mez é a carta regia parlicipando a camara da cidade do Porto o 
acbar-se creada a casa da moeda, e encarregado da sua superintendencìa o dr. Sebastiào 
Cardoso de Sampaio, devendo a camara nomear o thesoureiro ^. Este documento induz 
a acreditar que a nova casa nào tinha a missào de lavrar moeda de oiro, nem consta 
fizesse durante este reinado, o que depois (1712) Ihe foi permillido. 

E}(iste um termo Teito e assignado pelos ofCciaes da casa da moeda de Lisboa, do 
qual se poderia tirar cerlidào, declarando que no dia 30 de junho de 1868 se prohi- 
bira por edilaes o curso da moeda cerceada^, 

' Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, Uv. ii, fol. t3 v. e 14. Ooc. comprovallvo 
n.» 188. 

* Impresso avulso. Doc. comprovaUvo n.® 189. 

' alvarà aclia-se jà copiado no tom. i, pag. 62. 

* Por convlr a meu servilo que José Ribeiro va senir na casa da moeda quc mando abrir na ci- 
dade do Porto, para que nella fa^ ludo o que for necessario e conveniente à boa expedigào della, bey 
por bem que emqnanto se detiver nesta occupaQào naquella cidade ven^ cento e sincocnta mil réis 
de ordenado. consciho da fazenda o tenba assim cntendido e ihe mandarà passar as ordens neces- 
sarias. Em Lisboa a 9 de junbo de 1688. Gom a rubrica de Sua Magestade. (Arch. da casa da moeda 
de Lisboa, regisfo geral, liv. ii, fol. 15 v.) 

' Idem fol. 16 e 16 v. 

' Juìz, vereadores e procuradores da camara da cidade do Porto. £u El-Rey uos enuio milito 
saudar. Vendo o que me rcprezentastes sobrc se haver de abrir casa de moeda nessa cidade, e dese- 
jando em ludo fazenios mercé, e dar o mayor aliuio que for possivel aos pouos dessa provincia, e das 
mais circunuesinbas uà reduc^ào da moeda de prata nacional das fabricas antigas, fui seruido ordenar 
que nessa cidade se abrisse e assentasse casa de moeda, para cujo etTeito pelo conselho da fazenda se 
tem passado as ordens necessarias; e por flar da pessoa, prudencia e capacidade do dr. Sebastiào Car- 
doso de Sampayo, chanceller dessa relagào, que nesta materia me seruirà multo corno conucm a meu 
semino, e ao mayor bem dos meus vassallos, o tenbo encarregado da superintendencìa dessa casa da 
moeda, para que nella fa^a executar tudo o que Ibe parecer mais conueniente e acertado. E porque 
precisamente se necessita de thesoureiro para o cabedal, e recebimento dessa casa de moeda, nomea- 
rei s logo pessoa capaz e abonada que nella baja de seniir de thesoureiro, asy pera o cabedal que a 
cUa se remete, comò para loda a moeda cerceada, que se ouuer de comprar nessa cidade, e comarca, 
e em todas as mais dessa provincia do Minlio, Beira e Traz os Montes, corno tambem loda a moeda 
por ccrciar que se Icuar a essa casa para se encordoar e cunbar com nona orla, na fórma que se de- 
clara nbs editaes, a qual pessoa sera nomeada à satìsfa^ào do dito superbi tendente Sebastiào Cardoso 
de Sampayo; e sondo nomeada a obrigareis a quc sirua sem embargo de quaesquer embargos com 
que venha a seruir o dito offlcio, e ainda que de vós interponha appella^ào, ou aggrauo, pelo grande 
prejuizo, quc resultarla de qualquer dUla^ào. Esenta em Lisboa a 18 de junho de 1688. Rey. (Liv. vii 
das Proviiòes dulcamara do Porlo, fol. 23. Collecpào de córles da Aoademia real das scìencias, voi. ni 
foL 242.) 

' Aos vinte dias do mez de mayo de mi! e seiscentos e oitenta e nove annos, nesta casa da moeda 
e na do despadio della, pcrautc o preveder e desembargador, Antonio Roiz de Araujo e mais ofRcIaes 
(la nienza abaixp assiiiiados, ciitre todos se assenlou que para que constasse o dia em que Sua Mages- 



57 

A lei de 19 de julho manda correr a peso as moedas, meias rìioedas e quartos em 
Giro, das fabricas antigas e com cerceio, a rasào de SOjjOOO réis o marco, ou 1^200 
réis a oilava; valendo no mercado as rnoedas de oiro com o peso de Ires oitavas e 
vinle e quatro gràos 4«J400 réis, e assira relativamente as meias rnoedas e quartos, 
que nào estivessem cerceados. Os juros vencidos nas casas de Braganpa, infantado, 
juDta do commercio e tabacos, no dia annunciado por editaes, iriam pagar-se a casa 
da moeda de Lisboa, recebendo-se ahi as rnoedas de oiro, cujo cerceio nào excedesse 
a 10 por cento, a 4jJ400 réis, e de igual modo as meias rnoedas e quartos; e quando 
a falta fosse maior, se pagariam a peso com os 10 por cento de vantagem*. Amplia- 
ram-se estas disposig^des pelo editai de 22 do mesmo mez, que estabeleceu o curso 
forgado a peso da moeda antiga cerceada e por cercear a 1^320 réis cada oitava, o 
que fazia 84i5480 réis o marco '. 

A lei de 4 de agosto de 1688 levantou 20 por cento ao valor corrente da moeda 
de prata e oiro; por isso as rnoedas da fabrica nova de 4^000 réis, n.® 13, subiram 
a 4(J800 réis; as meias rnoedas de 2^000 réis, n.° 14, a 2f5!400 réis, e os quartos 
de 1^000 réis, n.® 15, a 1^5(200 réis. As da fabrica antiga, correntes a peso, passa- 
ram ao valor de lfj500 réis cada oitava (96^000 réis o marco). Beando o oiro nova- 
mente amoedado por mais 100 réis em oitava, d'onde devia sair o feitio e senhoria- 
gem, sommando em cada marco 6f$400 réis. lima onpa de oiro de 22 quilates flcou 
equivalendo a dezesseis de prata de 1 1 dinheiros. Para fazer cumprir tao sensivel su- 
bida no valor da moeda, aOixaram-se editaes em todas as comarcas do reino, e recom< 
mendou-se ao senado de Lisboa que, petos melos que julgasse mais convenientes, re- 
gulasse na devida proporpào os quilates e dinheiros que convinha ao oiro e à prata 
lavrada pelos ourives, e qual o prepo por que se deviam vender esles metaes em re- 
lapào ao valor intrinseco ^. refendo decreto de 4 de agosto, com o intuito de obstar 
a quesloes nos pagamentos dos contratos anteriores, declara que todos os ajustcs e 
dividas contrahidas antes da publicapào da lei se deveriam entender comò se fossem 
fellas depois, flcando a favor dos devedores a vantagem do levantamento da moeda*. 
Cm outro decreto datado de 21 do mesmo mez exceptuou d'eslas disposipoes as le- 
iras de cambio, pelo grande translorno que d'ahi provinha ao commercio*^. 



(ade, que Deos guardo, ouvc por bem prohibir nào haver de correr o dinheiro nacionai ger^eado, se 
devia de fazer ascnto nestc livro, para às partcs que rcqucressem ccrtidocus, haycr clarcza para se Ibe 
pagarem; em observancia do que se declara que addita prohibicào se publicon ncsta cidade por edi- 
taes, em trìnla de junho proxìmo passado, que foi dia de Sào Marcai ; e para constar a todo o tempo 
do refendo se fez està declaraoào asinada pelo provedor, tbesoureiro, escrivào da reccita, e feita por 
mim escrìYào da conferencia Malbeus Lopes Parto, que tambem asinei. Lisboa 20 de maio de 1689. 
Antonio Rodrigues de Àraujo, — Ignacio liibeiro de Sampayo. — Matbeus Lopes Farto. BeHfabó Car Ri- 
beiro. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. ii fol. 36 v.) 

' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ii fol. 21 v. Doc. comprovatiYO n.* 102. 

* Idem foi. 22 v. Doc. comprovativo n.» 193. 

' Pela iey que fui seruido mandar publicar sobre o levantamento da moeda terà o senado da ca- 
mara cntendido os quilates e dinbeiros que dcue ter o ouro e prata que se laurar nas ruas dos ouri- 
ves desta cidade, e os preQOs por que se deue pagar o ouro e a prata a rcspeito do seu valor intrinseco. 
K para que està minba resolugào se execute infallivelmente, determinarà o senado os meios que llie 
parecerem mais conuenìentes; e quando nesta materia tenba que representar-me, o farà por consulta, 
inlerpondo o seu parecer. Em Lisboa a 6 de agosto de 1688. Com a rubrica de Sua Magestadc. (Arcb. 
da camara municipal de Lisboa, liv. x de D. Fedro II, fol. 95.) 

* Impresso avulso. Aroh. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ii, fol. 25. Doc. compro- 
vativo n.« 194. 

' Impresso avulso. Doc. comprovativo n.« 1%. 



58 

senado propoz a 6 de setembro de 1688, em virtude da consulta que Ihe havìa 
sido dirìgida um mez antes *, a nomeapào vitalicia de contrastes, pelos inconvenientes 
que apresentava achar-se o exame do oiro e da prata a cargo dos juizes dos oflicios de 
ourives, que eram de eleipao annuale e por isso dependentes dos proprios individuos 
que tioham de flscalisar '. 

À primeira disposipao legislativa sobre a moeda de prata que enconlràmos da re- 
gencia de D. Fedro II, foi urna ordem do conselho da fazeada de 25 de agosto de 1 668, 
determinando o Javramento de dois mil marcos d*este metal em por^^des iguaes de 
meios tostoes, dois vintens, vintens e meios virUens; devendo ser a prata fornecida pe- 
los fundidores, dando-se-lhes por cada marco 4^9700 réis, iicando os 300 réis para a fa- 
zenda; e se por qualquer motivo os ditos fundidores nào entregassem a prata a que se 
haviam compromettido; no praso de oito mezes, pagarìam os 300 réis de direitos, comò 
se a tivessem fabricado ^. Se a cunhagem nào teve demora, deveria ser ainda feita 
em nome de D.Aflbnso VI, pois so a 26 de outubro foi determinada a abertura de cu- 
nhos em nome do principe regente ^. Estas moedas téem um typo igual às lavradas nos 
ullimos tempos do governo do monarcha deposto, e vào desenhadas nos n.^' 5 a 8. 

Em 5 de abrìl de 1672, elevou-se, comò se fez com o oiro, o prepo estabelecido 
para a compra da prata, pagando-se na casa da moeda cada marco, posto na lei de 1 1 
dinbeiros, por 5^000 réis, fabricando-se so tostoes, meios tostoes, dois viìitens, virUens 
e meios virUens. Da prata assim amoedada flcavam apenas 200 réis de febres para as 
despezas do feitio. Dos tostoes que aqui dìzem se deviam cunbar, nào conbecemos exem- 
piar algum, encontrando-se em seu legar moedas de quatro vintens, n.° 4, que o de- 
creto nào designa ^. A fatta que havia de moeda miuda motivou a ordem de 27 de ou- 
tubro do mesmo anno, em que se ordenava ao juiz e thesoureiro da casa da moeda 
fizesse lavrar com urgencia 42 marcos de prata, pertencentes a Manuel Hendes, em 
vintens e meios vintens, indemnisando-se os oificiaes do augmento de trabalho bavido 
no seu fabrico; podendo, pela conveniencia publica que d*ahi resultava, acceitar-se ao 
dito Manuel Mendes mais 200 ou 300 marcos de prata, para se Ihe dar igual destino ^ 

escrivào da casa da moeda representou, em 2 de junho de 1673, as duvidas 
que tinha em fimdir uma partida de quinze marcos de prata em vintens velhos, para 
se fabricarem outros novos ; ponderando que anteriormente nào se recebiam n'aquella 
casa as ditas moedas, mesmo misturadas com outras maiores, pela escassez que sem- 
pre havia de dinheiro miudo, pelo pouco interesse que deixava à fazenda na despro- 
porfào do tamanho com o feitio, e tambem para nào despertar o desejo de os juntar 
na mira do ganho, prejudicando assim as transacpoes. conselho da fazenda acceitou 

I Vide*luiteriormcntc-a nota 3 da pag. 57. 

' Àrdi, da camara muDicipaL de Lisboai lìv. x deD. Fedro II, foi. 133. Doc. comprovativo n.* 197. 

' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, regìsto geral, liv. i, foi. 329. Doc. comprovativo n.° 164. 

* Idem, foi. 329 V. Doc. comprovativo n.« 166. 

* Idem, foi. 335. Doc. comprovativo n.*^ 168. 

' juiz e thesoureiro da caza da moeda tenha enteudido que os sento e doze marcos de prata 
que nella meteo Manuel Mendes ha de mandar laurar, com toda a brevidade, em vintens e meios vin- 
tens, e ao capataz ha de satisfazer na mesma forma em que ultimamente se mandou satisfazer por 
este conselho o feitio de outro dinheiro miudo, posto que a despeza importe mais que os febres da dita 
prata, e metendo mais o dito Manuel Mendes duzentos ou trezentos marcos, se procederà na mesma 
forma, em rezào da conveniencia que o Reino tem nesta Moeda. Lix.* vinte e sete de outubro de mil 
seiscentos setenta e dous. E as mais pessoas que meterem prata para o dito elTeito ...(?) Com trcs ru- 
bricas dos ministros do consolilo da fazenda. (Àrch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. i, 
foi. 342 v.) 



59 

estas rasdes, determinando que os vintem velhos se nào fundissem, para se nào cunha- 
rem oulros novos à custa da fazenda ; e que so se poderiam assim fabricar por conta do 
dono da prata ^ 

mesmo conselho da fazenda fez publiear por editaes a 20 de abril de 1676 que 
as pcUacas por marcar flcavam correndo a 600 réis, porque Sua Alteza assim o havia 
resolvido '. A 22 de julho do dito anno foi concedida uma casa na ofiScìna monetaria 
de Lisboa a Manuel Leitao ourives, para afinar diversas pepas de prata em 1 1 dinbei- 
ros, durante um anno, a comet^ar no 1.° de agosto, fornecendo mensalmente 400 mar- 
cos, que deviam ser logo lavrados em moedas de cruzados e meios cruzados, na rasao 
de SfjOOO réis o marco, corno se acbava determinado ; e por crescerem os gastos na 
cunbagemi, se tirariam de cada marco 300 réis em vez de 200, recommendando nào hou- 
vesse excesso notavel; e havendo-o, se fundisse novamente o dinbeiro. Dos 5^000 réis 
e f^es (300 réis) pagar-se-iam ao refendo Manuel Leitao 5^200 por marco de 
prata de 1 1 dinbeiros ^. Entregando-se ao ourive^ 5f$200 réis, flcavam a fazenda 100 réis 
dos febres, tirados do valor intrinseco do marco de prata assim amoedado, o que nos 
leva a desconfiar que Manuel Leitao Azera algum contrato prèvio com rela^ao ao for- 
necimento da prata e ao seu Javor. meio cruzado n.° 3-A, pelo anno de 1676 com 
que està cantonada a cruz, foi cunbado por essa occasiào, e sabemos da sua existencia 
pelo desenho que o sr. José do Amarai nos offereceu. Nào couhecemos o cruzado de 
igual typo. 

Os n.^' 16 a 25 de cunbos perfeitos foram lavrados pela mesma lei; alguns sào 
tambem extremamente raros e parecem ensaios monetarios, corno o tostdo, n.^ 1 8, com 
anno 1 681 gravado por cima da cruz, e os dois vintens, n.° 23, faltandolbe um R no 
nome do monarcba, dizendo PETVS, tendo os quatro XX, indicativo do valor, cer- 

cados de varia ornamentapào, e no reverso o anno (1)679. ^^ ^'^' ^'^ ^ ^^ ^^^ ^^'^^^ 
depois de D. Fedro se intitular rei, igualmente amoedados a 5^300 réis marco, 
corno OS anteriores, apresentando os n.*" 37, 40, 43, 46, 49 e 52 a coròa ainda de 
principe; està variedade é rara. Os n." 39, 42, 45, 48, 51 e 54 pertencem à officina 
da cidade do Porto, e sào, comò os cunbados em Lisboa, n.^ 38, 41, 44, 47, 50 e 
55, muito communs. 

A 17 de outubro de 1 685 adoptaram-se providencias contra cerceio das moedas no- 
vas, prohibindo se acceitassem, quando cerceadas, tornando os criminosos no cercea- 
mento incursos nas penas dos moedeìros falsos; e aquelles em poder de quem fossem 
encontradas, sofireriam degredo para Attica por quatro annos, alem da multa, perdi- 
mento da moeda, etc. Os que as possuissem cerceadas, deveriam entregal-as no pcaso 
de oito dias depois da publica{^ào da lei, recebendo valor do seu peso^. 

A 8 de julho de 1686 revogou-se a disposipào de 26 de maio anterior ', mandando 
que em vez de se marcar e encordoar a moeda antiga, se fundisse, para se cunbar a 
nova, procurando diminuir, quanto possivel, cuslo do feitio •. No regimenlo de 9 de 
seteoQbro do mesmo anno com relapào a moeda de prata, dìz cap. 37 : «De cada mar- 
co, valendo 5^100 réis, se ha de fazer em dinheiro 5^(300; a saber^ em moedas de 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fot. 336 v. 

* Idem, foi. 344. 

' Idem, foi. 343 y. Doc. comprovativo n.» 171. 

* Impresso avulso. Doc. comprovatiTO n.* 175. 
' Vid. doc. comproyatìTO n.« 176. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcrai, liv. i, fuL 437. Doc. comprovalivo u.'» 177. 



60 

cruzado 13 pefas e 1 quarto, pesando cada cruzado 347 gràos; era moedas de tneia 
cruzado, ou dois tostòes^ 26 pepas, com o peso cada urna de 173 graos; de tostào 53 
pepas, pesando cada urna 86 graos; de quairo vintens 66 */4 pepas, com o peso cada 
urna de 69 graos; de meios tostdes 106 pepas, pesando cada urna 43 graos; de moedas 
de dois vintens 132 Va pepas, com o peso cada uma de 34 graos; e dos viniens, que 
ora a moeda mìnima de prata, se fariam do marco 265 pepas, pesando cada uma 17 
graos» ; e termina: «Nesla forma virao a flcar por repartir alguns gràos por quebrados 
de meyos oytavos, ou desaseis avos, de que havendo nome nao ha pezo; e succedendo 
valer a prata por mayor ou menor prepo, se farà a Moeda respectivamenle, seguindo 
està formalìdade conforme eu ordenar, comò fica ordenado no capitulo v ». regìmento, 
comò se ve, nao altei-ou o que se achava estabelecido com relapào à moeda de prata^ 
entrou apenas em especlalidades. À respeito dos vintens declara no cap. lxvii que os 
seics cimhos tenam sòmente d esphera em vez dos amxas do reino; devendo conside- 
rar- se a cunhagem d'este typo desde o anno de 1686, continuando assira nos reinados 
seguintes, sem signal algum differencial nos diversos monarchas, e por isso os ìncluì- 
mos nas moedas de D. Joào v, com os n." 52 e 53. Os outros cunhos foram conserva- 
dos sem alterapào alguma^ 

Nao enconlràmos descripto o novo invento que Antonio Rodrìgues da Costa se pro- 
punha a introduzir no fabrico da moeda, mencionado no decreto de 24 de selembro ^, 
e que nos parece ser no processo da fundipào. 

A pataca bespanbola circulava multo nos nossos mercados; era moeda quasi uni- 
versai, e apparecia tao cerceada, que às vezes linha metade do valor intrinseco que 
devia ter. A carta regia de 26 de outubro procurou atalhar tao pernicioso abuso, or- 
denando que as patacas com o peso inferior a 7 Ys oitavas nao fossem admittidas na 
circulapao, excepto as de Segovia, quando nao cerceadas, que continuariam a correr 
sem se attender ao pezo ^; de igual modo se considerariam as fracpoes, de vendo as 
patacas e meias patacas de menos de 7 Ya oitavas ser entregues na casa da moeda, 

' Doc. comproraUvo n.« 180. Vid. cap. 37 e 67. 

• Fui seruido resolucr que em quanto se dìUata a fabrìca da noua fundigam, e innento de Antonio 
Rodrìgues da Costa, nào pare a fundi^m da prata; o conselho da fazenda ordene ao Prouedor da casa 
da Moeda mando entregar a Manuel Rodrìgues, flel da prata da ditta casa, a que for precisa pera se 
fundir, em quanto dura o impedimento do nono inuento da fundigam, com a arrecadagam necessaria 
na l'orma proposta peUo ditto Manuel Rodrìgues. Lisboa vinte e quatro de seteml)ro de seiscentos oo- 
tenta e seis. Rubrica de Sua Magestade. Prouedor da caza da moeda de execugam ao decreto acima 
etc. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, lìv. i, fol. 448 v.) 

Provavebnente a seguinte ordem lem relagào com o mesmo individuo, apcsar de ter o nome tro- 
cado, que fundamenta mais a nossa suspeita: preveder da casa da moeda mando logo fazer por 
conta da Fazenda de S. Magestade bua fornalba com seus aparelbos, obrada pela disposissào que apon- 
tar Antonio da Costa Roiz, para nella obrar por tempo de bum mez a fundigào da prata por melo tos- 
tào cada marco, fazcndo per sua conta todos os gastos e falbas, na forma que se Ibe tem ordenado por 
despaclio de seis do corrente mez. Com declaracào que mostrando o dito Antonio das Costa Roiz nas 
expericncias e obras que fizer no dito mez as utllidadcs qùe tem offerecido, se Ibe pa^arà carta da 
propriedade do officio de fundidor da prata pelo dito mcio tostào por marco, por S. Magestade o or- 
denar assim por rcsolucào de onze do corrente mez em consulta deste conselbo. Lx.* 12 de setembro 
de 686. Com sinco rubricas dos mmisbros do conselbo da Fazenda. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, 
registo geral, liv. n, fol. 41.) 

Parece que nào satisfez ao que havia promettido, pois nào encontràmos trasladada no livro a carta 
da nomeagào de propriedade, nem o seu nome figura nos roes de propinas que se deram pelos autos 
de fé, paz com Castella, festa de ^'ossa Senbora das Candcias, etc, onde vem sempre comò fundidor 
Joào Macbado. 

' Kào podemos attingir os raotivos da preferencia às patacas de Segovia, quando as de Sevillia es- 
tavam nas roesmas circnmstancias do valor intrinseco. 



61 

onde se pagariam, a titulo de indemnisapao, as que pesassem de 4 7^ oitavas para 
cima, a 600 réis cada urna, e as que nào chegassem a este peso seriam reputadas so 
pelo valor iatrinseco daprata^. Pagando-se diSpatacas cerceadas por seis tostoes quando 
livessem pelo menos 4 Va oitavas, suppoe-se facilmente que os especuladores nào 
(leixariam ir ali as de superior peso, sem Ihe tirar primeiro a prata excedente, dando 
à faienda um onus, que para se solver foram precisos grandes sacriQcios*. Està rae- 
dida foi mal estudada; seria de certo mais economico e equitativo augmentar, pela 
tal indemoisapào, o prefo do marco de prata em patacas, tornando o beneflcio mais 
geral e menos dispendioso para a fazenda; pois 600 réis por 4 Vs oitavas de prata de 
1 1 dinbeiros e 4 gràos curresponde a mais de 8^600 réis o marco, quando o regimento 
de 9 de selembro dà ao marco de prata de 1 1 dinbeiros^ para amoedar, o valor de 
SjiOOO réis. 

A lei tambem creou outra fraude ; faltando muito pouco às patacas para as 4 y^ 
oitavas, introduziam-lbe um grao de .prata ou de outro qualquer metal; completando o 
peso e garantìndo assim o beneficio dos seis tostóes '. 

A execu^ legislativa acarretou vexames às classes menos abastadas, encontran- 
do-se pelos archivos varias representapOes; basta a carta do arcebispo D. Joào de Sousa 
ao conde da Briceira, para se avaliarem as difficuldades que appareceram ^. 

Para dar expediente a |[rande quantidade de moedas que afiluiram a officina de 
Lisboa, a fim de umas se marcarem e outras reduzirem-se a moeda nova, ordenou-se 
a 10 de marpo de 1687 a fattura de novos engenhos ^; e a 2 1 de abrii, o conde da Eri- 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, foi. 452 y. Dog. comprovativo n.^ 181. 
' Vide que disscmos a pag. 54, nota 5. 

' Doutor Antonio de Basto Pereira, dcsembargador da casa da supplicacào, conheccrà privativa- 
mente de todas as causas dos culpados em meterem nas patacas Imm grào de prata ou chumbo ou de 
outro qualquer metal, para Ihe acrescentarem o pezo que n&o tinhào e licarem com esse dolio e fraude 
com de quatro oltauas e meya, para effeito de serem reccbidas na casa da moeda, e pagas por seis 
tostùcs, quando sem o dito grào por falta de pezo Ibe auiam de ser pagas semente pelle que pezagc, e 
com OS Jaizes que o Regedor da Justi^a Ihe nomear para as causas do scrceyo e moeda falca na forma 
qoe Ihe tenho ordenado, sentencearà tambem estas breue e summariamente: em Lisboa a des de Feue- 
rciro de 1687. Com a rubrica de Sua Magestade. (Manuscripto da coHec?ào dir. da legisla^ào port. col- 
ligida por F. J. Pereira e Sousa.) 

* Meu S.' nào escrevo a V. S. por valla, mas comò procurador dos pobres, que na pledade de V. S.* 
achào lodo o refugio, e nesta occazi&o espero tenhào o seu remedio : Nesta cidadc se mandou publicar 
a ordcm de S. Mg.*** para se recolherem as patacas, de que tem rezultado o que se nào vio à muito 
tempo, que he quererem os devedores pagar, e os credores resestirera ao receber; os ricos nào tem na 
ordem de S Mg.*» nenhum damnO; os pobres sào so os prejudicados, porquc comò o seu cabedal ape- 
nas chega para comprarem os usoaes, se Ihe nào quizerem accitar urna ou duas patacas que tiverem 
de seu, morrcrào de fome, e està nào espera a dila^ào de mandarem à caza da moeda, e se eu repartir 
com alguns, Ihe flca inutil o meu socòrro, porq se nào podem aproveitar delle: Nesta cidade se achào 
de moeda nova quatorze mil cruzados, creio seria servilo de S. Mg.** e caridade com a pobrcza, man- 
dar dito S.** se reparticem com os pobres, e gente humilde, acceitando-se as patacas que elles des- 
ini, e remanecentc desta quantia com o mais povo a respeito de tanto por cento, para que assim 
honvesse dinheiro que corresse para os usoaes que nào podem parar. Os Vcreadorcs desta cidade es- 
crevem a S. Mg.*"* sobre està materia, e eu o fago a V. S.» pela cauza referida, pedindo a V. S.* queira 
obrtr nìsto o que Ihe for possivel, e quando se encontre o servilo de S. Mg.<*« ter-me-ha V. S.* segredo 
neste partìcular^ para que eu de qualquer sorte fique sempre devedor a V. S.% ja que nào sou digno 
de V. s.* me occupar em ludo o que Ihc posso obedecer. Cuja pessoa D.» g.»"' Porlo 6 de Janeiro de 1687. 
(Manuscripto da bibliotheca da Ajuda.) 

* Por ser conueniente que na caza da moeda h«ja bastantes engenhos, para com breuidade se la- 
urar o dinheiro da nona fabrica, ordene o conselho da Fazenda que de mais dos que ao prezente se 
acliào nella, se faoào os que se poderem acomodar na caza que de nono se fes para o recebimento das 
patacas: em Lx.* 10 de Marco de 1687. A rublica de S. Mag.'»* (Arch. da casa da moeda de Lisboa, re- 
^slo goral, liv. i, foi. 446 v.) 



62 

ceira recommendou ao provedor da casa da inoeda que o dinheìro que nào eslivessc 
exaclo no peso, se fundisse, caso se Ihe nào apresentasse duvida^ Nao encontramos 
contestapao ; mas a ordem de 9 de maio determinou se acceitasse ao fiel da prata o dì- 
nbeiro da nova fabrica, ainda quando em algumas moedas bouvesse excesso ou falta de 
4 ou 5 gràos umas das oulras, compensando- se no marco: està permissào era so em 
quanto durasse a dita fabrica', ficando depois em inteiro vigor o cap. xxxv do regi- 
mento, que diz : «Toda a Moeda que proverem assim de ouro, comò de prata, se pezarà 
buma por outra pelos seus padroes, té a de tostao; e a de quatro vintens para baixo 
se pezarà por Marcos, sem que se admitta a opiniào de que se pode compensar a mayor 
com a menor ; porque isto so se deve entender n*aquella pequena parte que sendo im- 
perceptivel em cada Moeda, vem ao depois a sobresabir, ou a faitar em muita quanti- 
dade, e nào em cada huma das pessas, que deve ser tao ajustada, comò se nào Azera 
outra ; e a que nào for desta sorte, se cortarà logo » ^. 

No reinado de Carlos li de Hespanba a prata amoedada continuou em 1 i dinheiros 
e 4 gràos ; mas a ordenanpa de 1 4 de outubro de 1 686 diminuiu a quarta parte do peso 
à moeda, conservando-lhe o valor nominai, e assim se cunharam patacas em Segovia 
e Sevilha; conhecidas pelo nome de MariaSy por terem gravado no reverso o mono- 
gramma da Virgem. Està alterapào obrigou em Portugal ao alvarà de 2 de julho de 
1687, ordenando que as ditas patacas^ nào estando cerceadas, corressem a 500 réis, 
e na mesma conformidade as suas fracpoes ^. 

Nenhumas das providencias decretadas para acabar com o cerceio da moeda deu 
resultado satisfactorio; com a intengào de esludar e propur os melos mais proficuos 
para Sua Magestade impedir aquelle damno, principalmente na moeda nacional de 
prata, reuniu-se na secretarla d'estado, a 25 de julbo de 1687, uma junta presidida 
pelo duque de Gadaval, onde serviu de base o balancete da reducpào das patacas 
fello pelos ofliciaes da casa da moeda ^. As diversas opinioes ahi emittidas mostraram 
a transcendencia do assumpto, apresentando pareceres por escripto o conde da Ericeira, 
Manuel Lopes de Oliveira, Fernào Nunes Barrelo e Roque Monteiro Paim; e verbalmente 
dr. Paulo Carneiro de Araujo, Benlo Teixeira de Saldanha, Joào Vamvecem, Joào de 
Roxas de Azevedo, Joào Pinheiro, Mende de Foios e o duque de Cadaval. Resolveu-se, 
por maioria, que Onda a reducfào das patacas, e pagas as obrigapoes passadas pela 
casa da moeda ^, se deveria tambem tratar de reduzir a moeda nacional de prata, fi- 
cando teda de igual fabrica e peso proporcionado, pois de contrario tornava inutil o 
sacrificio do milhdo despendido com as patacas, e continuarla a confusào nas moedas 



' Sinra-se Vm « de mandar entregar a M.*^ Rodiigues noaos padrois para ir fazendo dinbeiro por 
dles na forma do regimento, de que tanto se necessita. Sua Mg>, que Deus guarde, foi seruido resol- 
ver que dinheiro que se acha feito com alguà dezigualdade, se entregne ao tbesoureiro do congu- 
lado, contos e outros Thesourciros pera que na ultima fundigào que se flzer se possa tornar a fundir 
parecendo, Y. m.<" o farà assim executar. Deus Guardo a V. M « muitos annos. Do Conselho vinte e ha 
de Abril de seis centos e outenta e sete annos. conde da Ericcira. P.* Fernào Nunes Barreto. (Arch. 
da casa da moeda de Lisboa^ registo geral, liv. i. fol. 449 v. 

' Àrcb. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. ii^ fol. 7. Doc. comprovativo n.* 182. 

■ Doc. comprovativo n.* 180. 

« Impresso avulso. Doc. comprovativo n.« 183.) 
Doc. comprovativo n.« 184, appendice A. 

• Pela falta de numerario ordenou-se, a 22 de mar^o de 1687, que os vales, ou recibos passados 
pela casa da moeda, do dinheiro antigo para reduzir a moeda da nova fabrica, ahi entregue pelos 
particulares, se recebessem corno moeda corrente. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, 
liv. I, fol. 447.) 



63 

da mesma denominapao, mas de diverso valor intrinseco; que o cofre da casa da mocda 
deveria n'osse caso achar-se habilitado a pagar de prompto o dinheiro antigo que ali 
entrasse, podendo em parte servir as sobras de cincoenta mil cruzados dos juros ultima- 
mente vendidos, e corno ajuda a tao grande gasto faria Sua Magestade honras e mercés 
aos vassalos que para elle quizessem contribiìir ; e que a moeda ìnferior a tostào se con- 
servasse para servir de trocos, por ser insignificante a perda e o cerceio menos frequente, 
e a superior se fundisse toda, mas por partes, nao so pelo empate de capital, corno tam- 
bem para nao faltar nos mercados, comepando pelas moedas mais grossas e passando 
successivamente às menos pesadas. A junta foi tambem de parecer que se augmentasse 
pre(o ao marco de prata em moeda antiga, impedindo que os estrangeiros a expor- 
tassem e attenuando a perda aos possuìdores^. 

Apesar de haver expirado o praso, ainda em 23 de agosto de 1687 se ordenou que 
a casa da moeda de Lisboa recebesse 3i8-^ patacas, em meias pcUacas, excedendo 
todas peso, as quaes seriam pagas a 600 réis por pakica; e mais 238 patacas em 
patacas e meias pcUacas, que por multo cerceadas se pagariam so pelo prepo da prata ^. 
A 10 de dezembro foi permittìdo que as pakuxis com o peso de 7 oitavas corressem 
por seis tostdesy e as meias patctcas e reaes singelos proporcionalmente ^. 

Estas oscillapoes sobre o valor da moeda semeavam a desconflanga, e difficultavam 
a reforma do systema monetario. 

alvarà de 9 de junho trata especialmente das despezas a fazer com a reducpào 
da moeda antiga de prata nacional cerceada, e com a nova orla nas que conservassem 
peso, assiro comò em montar a officina monetaria na cidade do Porto, e nas ferra- 
inentas, engenhos e outras cousas que fossero necessarias, devendo sair os fundos do 
principal applicado a reducfao da moeda de prata cerceada, separando-se porém a es- 
criptarapao da das patacas^. Na mesma data se mandou que se construissem ciuco en- 
genhos para encordoar e cunhar nova orla nas moedas de prata das fabricas antigas 
(de D. Joao IV em diante) nao cerceadas, para serem enviados às cidades do Porto, 
Coimbra, Guarda, Evora e Lagos ^. 

Em resultado da opìniào da junta reunida sob a presidencia do duque de Cadaval 
prohibiu-se, a 14 de junbo de 1688, o curso das moedas de prata da fabrica antiga de 
500, 400, 250 e 200 réis, cerceadas ou nao cerceadas; entregando-se as primeiras 
nas casas da moeda de Lisboa, Porto, ou nas estabelecidas para tal effeito nas cabepas 
das comarcas, onde seriam logo pagas a 6^000 réis cada marco; e as nao cerceadas 
levar-se-iam igualmente às ditas officinas de Lisboa e Porto, ou às cidades de Goimbra, 



* À acta e os pareceres originaes existem actualmcntc cncadcrnados, com outros manuscrìptos do 
secalo xvn, em um livro pertencente ao sr. Julio Firmino Judice Bicker, o qual da melhor yontade 
po'mittiu se copiasse a parte qae dizla respeito a este interessante processo, qne constitue o doc. 
comproTatÌTO n.* 184. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, lìv. ii, fot. 7 v. 

' Manuscripto da GolIecQào chr. da Legislagào port. colligida por F. J. Pereira e Sousa. Doc. com- 
proTatiTO n* 186. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ii, foi. 19. Doc. comprorativo n.* 190. 

* Por ser conveniente que à caza da moeda que mando abrir na cidade do Porto, e às cidades de 
Coimbra, Guarda, Evora e Lagos se remetào engenhos para se encordoar e cunhar com nova orla as 
moedas de prata das Tabrìcas antigas, a que nao ti ver chegado o vicio do cerceio: conselho da fa- 
zeDda mandarà logo fabricar cinco engenhos de encordoar e cunhar com nova orla, para se levarem 
às cidades referidas, sendo pagos por conta do principal da casa da moeda applicado à rcducQào da 
moeda de prata nacional cerceada. Em Lx.* a 9 de junho de 1688. Com a rubrìca de S. Magestade. 
fArch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. n, foì. 17 v.). 



64 

Guarda, Evora e Tavira, para se encordoarem e cunharera com a nova orla, ficando 
assim valendo comò moeda nova: se depois fossem cerceadas, seriam condemnadas, e 
OS individuos incursos n'esta fraude sujeitos às penas impostas no alvarà de 1 7 de ou- 
tubro de 1685 aos fabricantes de moeda falsa; e as mesmas penas se applicariam 
àquelles em poder de quem se encontrstssem as moedas cerceadas *. 

documento menciona moedas de 500 e 250 réis; as primeiras sao os cruzados 
n.^ 14 a 16 de D. Joao IV e n.® 3 de D. AflTonso VI, com o peso de 460^ graos; e as 
segundas as de dois tostóes dos mesmos reinados, n.^"^ 17 a 21 de D. Joao IV e n.^ 4 de 
D. Affonso VI, as quaes, pela lei de 22 de mar^ de 1 663 ^, foram mandadas carìmbar 
n'aquelle valor, e por elle ficarara sendo designadas. As moedas de cruzado e dais tos- 
tóes, de que falla o refendo decreto de 14 de junho de 1688, sào as mesmas moedas, 
que conservam o primitivo valor por falta da contramarca, e as lavradas posterior- 
mente, comò OS cruzados de D. AflTonso VI, que tinham 368 graos, e os cunhados por 
D. Fedro que pesavam apenas 347, e n'esta propor^ao os dois tostòes. 

A lei de 4 de agosto de 1688, sem alterar o peso, toque e cunho da moeda de oiro 
e prata, levantou-lhe 20 por cento no valor, passando as moedas antigas com a contra- 
marca de 500 a 600 réis, as de 250 a 300 réis; as que valiam 400 réis a 480, as de 
200 réis a 240, as de 100 (tostóes) a 120 réis, as de 80 a 100 réis, asde 50 (meios tos- 
tóes) a 60 réis, as de 40 a 50 réis, conservando os vintens o prepo que tinham ; e as 
patacas de peso inferior a 7 oitavas correriam a rasào de tostao a oitava. Na casa da 
moeda pagar-se-ia a 6}5000 réis o marco de prata de 1 1 dinheiros, e nos ourives seria 
està de 10 dinheiros e 6 graos, a predio de 5^600 réis. As dividas, contratos e letras 
anteriores a publica^o d'este decreto vigorarìam, comò jà dissemos, quando fallàmos 
da moeda de oiro '. 

Para se avallar a irregularidade que algumas vezes presidia a estas computapoes, 
basta reparar que, bavendo em giro cruzados em prata de D. Joao IV com 460 ^/lo 
graos, de D. AflTonso VI com 368, e de D. Fedro com 347, a lei apenas distingue os 
primeiros, que jà tinham o carimbo de 500 réis, dos segundo e terceiros, deixando a 
estes igual valor, sem attender a que os de D. AflTonso VI pesavam mais 2 1 graos, cir- 
cumstancia que explica hoje a sua raridade. 

Desde entào conservaram-se nas moedas de oiro e prata algarismos indicando um 
valor de 25 por cento de menos daquelle por que corria a moeda; o ci^zado passando 
a 480 réis, chamou-se d'ahi em diante cruzado novo; os dois tostóes, doze vintens; 
OS tostóes e ineios tostóes, seis e tres vintens; e os quatro e dois vintens, tostóes e 
melos tostóes. Sem se poder explicar a rasào, durou està absurda rotina até 1835, epo- 
cha em que, reformando-se o systema monetario, se marcou o valor corrente na pro- 
pria moeda. 

A 6 de agosto do mesmo anno de 1 688 determinou D. Fedro II que se distratassem 
e vendessem os bens da coróa que se achassem vagos, para coro o seu produclo se 
amortisar o deOcit proveniente da reducfào da moeda ^. consclho da fazenda orde- 
nou a 6 de outubro que os vintens de prata se lavrassem na rasào de 6^^000 réis cada 

' Impresso avulso. Doc. comproyativo n.» 191. 

■ Vide doc. comprovativo n.« 153, cil. no reinado anterior. 

* A pag. 57. (\rch. da casa da moeda de Lisboa, regìsto geral, liy. n, fol. 25.) Doc. comprovatiYO 
n.» 194. 

* Regìsto da fazenda, liv. l, fot. 127. Gollecoào chr. de legislagào port colligida por F. J. Pereira 
e Sousa. Doc. comprovativo, n.« 195. 



65 

marco*, recomrocndando na mesma data a urgencia na cunhagcm do dinheìro miudo, 
pela falla que d'elle havìa*. editai de 22 de dezembro declara nao ser obrigatorìo o 
acceitar a moeda da fabrica antiga, quando fallida, mesmo tendo a nova orla e cordilo, 
pagando-se n'esse caso so pelo que pesasse, e pesando-se moeda por moeda ^. 

As patacas chamadas de Maria, com seis oitavas, foram admitlìdas na circula^ào 
pelo alvard de 2 1 de agosto de 1 702, no valor de 600 réis cada urna, e n'esta confor- 
midade as meias patacas e quartos ^ Havendo difficuldades era cstabelecer o seu giro, 
provedor da casa da moeda propoz, em 7 de agosto de 1703, qne se determinasse 
seu curso so pelo peso, resolvendo-o assira o conselho da fazcnda na mesma data, 
e publicando-se por editai ^. 

apparecìmento de cruzados novos e moedas de doze vinlens Talsas motivou as 
providencias exaradas no alvarà de 26 de agosto de 1706, que mandando confiscal-as 
onde se encontrassem, ordenou às auctoridades, principalmente às dos portos mariti- 
mos, procedessero a rigorosas syndicancias ^. ^ 

Nao podemos saber quando foi cunhado na ofDcìna raonetaria da cidade do Porto o 
seguinte ensaio de cruzado novo, que o auctor da Hisloria genealogica ^ diz ser era 
prata, tendo nós visto apenas uraa prova em cobrc na coilec{^ao do sr. dr. Justino Cu- 
mano. 

PETRUS • II • D — G • REX • PORTU • Armas do rcino cortando a legenda ; à 
esquerda, entro dois florues, 4, e à direìta, tambem cntre flordcs, 00, indìca^'ào do 
valor. 



' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. 11, fol. 30. Doc. comprovati vo n." 193. 

' provedor da casa da moeda fa^a toda a possivel deligeacia para que se lavre nella a mayor 
quantìa de dìnlieiro mindo que puder ser, por a grande utilidade que disso se segue ao Rcyno, nào se 
fallando ao espediente da mais moeda, que se llie ba por multo encarrcgado. Lix.* 6 de Outubro de 
1688, com tres RabUcas dos menistros do consellio da Fazenda; a qual ordem euMatbeus Lopes Parto, 
escrìvao da casa da moeda trasladei aqui da propria, etc. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, re- 
gisto geral, liv. n, fol. 30). 

' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ii, fol. 35. Doc comprovati vo n.» 199. 

' Idem, fol. 103 v. 

* V. Mag."^ foi seniido mandar por ley pubricada uà cbancellaria, que neste Rcino corrcsem as pat- 
tacas de Maria da fabrica noua, tendo de peso seis 8.** e a esse respeito as mcias patacas, e 4.<* da mesma 
fabrica; agora me chega à noticia que pouo duuida aceitar uzo deste dinbeiro, entcndendo que 
aqnella Icy foi somente promulgada para correrem as pattacas Segouianas da fabrica noua, e nào as 
Siuilhanas, por tcrcm estas muita equiuocagào com as de sette 8.^ e mela que até agora correrào; e 
come mandando-se correr a pczo, e tendo a deuisa de Maria parece que cessa cscrupolo do pouo; 
e nào be justo que se falle nelle à execugào da ley; don conta do Rcferìdo a V. Mag.<*« para ser seruido 
mandar-me declarar se a dita lei comprebende todo genero de pattacas de Maria, para na forma da 
declaragào mandar por editaes, e se poder obrigar que todos aceitem uzo deste dinbeiro. V. Mag.<>* 
determinarà o que for seruido. Lx.* 7 de Agosto de 1703. Seb.»" Leite de Far ia.— Ordem do conselho.— 
Provedor da casa da moeda mande por Editaes em que declare assim as pattacas e i.^ segouianas 
chamadas Maria, comò as de outra fabrica do mesmo pezo, sào comprehendidas na ley de S. Mag.<<* 
eque todas deuem correr igualmente, tendo dito pezo. Lx.* 7 de agosto de 1703.— Com rubricas 
dos ministros do conselho.— EditaL— Sua Mag.^ que D.' g.^ foi seruido mandar declarar que na ley 
por que mandou que corressem as pattacas e 4.^ de pataca de fabrica de Maria, se incluiào asim as 
da fabrica Segouiana, comò as de outra fabrica, tendo as patacas seis S.^ de pezo para ualerem seis 
tostdes, as meias patacas tres 8." para valerem tres tostOes, e os 4.<» de pataca 8.' e mela para uale. 
rem cento e sincoenta reis, e que assim deuem correr igualmente; e para que chegue à noticia de to- 
dos e ningnem duuide aceitar uzo das ditas patacas de toda a fabrica de Maria pelos pesos e prcgos 
sobredittos, se pos aqui este editai, e outros semelbantes nas partes publicas desta corte. (Ardi, da casa 
da moeda de Lisboa, registo geral, liv. 11, fol. 102 v. e 103.) 

' Impresso avulso. Doc. compro vati vo n.** 202. 

» Tom. IV, pag. 476, est. 132. 

TOMO II D 



66 

^ IN HO — G-SIG— NOVI — NCES» Cruz da orilem de Chrìsto cortando 
a legenda, Dcaado qiiatro letras em cada ìQlervallo dashastes, porbaixodaspootasda 
mesma Cruz ; em cada augulo um P, correspondeodo para o lado de fóra a um llorào. 




D. Pedro II mandou reproduzir corno medalha, provavelmente pelo abrìdor Roque 
Francisco, a moeda ilaConceicOo, conservaodo-lhe o lypo docunho primitivo, mas multo 
mais perfeito, o qual ainda se aclia archivado na casa da moeda. Nào existc a mais in- 
significante noticia d'està reproducpào se haverfeilo para correr comò dinheiro; mesmo 
a que se lavrou no relnado de D. Joào IV esteve pouco tempo em circulafào: assim se 
dcduz das leis posteriores que augmentaram o valor à raocda de prata, onde, citando se 
todas as nacionaes da fabrica anliga e nova, nenhuma allusào se faz às moedas da 
Conceicdo de oiro ou prata, o que nos convencc haverem-se cunhado poucas, e essas 
conservarem-se em poder dos parttculares corno curiosidadc ou devopao. 

A disposilo mais antiga sobre a moeda de cobre que encontràmos,_durante o go- 
verno de D. Fedro II, foi urna ordcm do conseiho da fazenda, datada de 3 de junho de 
1676 *, mandando fazer moeda de cobre fundida, debaixo da direcpao de Marcos de 
Abreu, officiai de latoelro; estas moedas, n."' 9 a 12, sào ainda boje communs pela 
grande quantidade que se fabricou, tomando-se notavets por serem muito toscas e 
irregulares. A ordera diz que deviam entrar duzenlos réìs em cada arratel, o que cor- 
respoode a 20 pe^as de rfe; réis, ou 40 de cinco n'is, ou 66 de U-es réis, ou 132 de 
real e meio, que sào as qualro especies que se moldaram. Temos visto duas variantes 
nas lependas do anverso, dizendo umas PRINCES, n." 9 e 12, e oulras PRIN- 
CEPS, n." IO e 11. 

Nào se nos deparou ajgum oulro vestigio de se haver rabricado moeda de cobre 
até 1682, anno em que se lavraram os n." 25 a 28, exempjares muito raros, que con- 
sideràmos ensaios monetarios, seodo provavel se cunhasse o real e meio, lioje desco- 
nhecido. Os n."' 28 a 3 1 que diversiflcam no desenho, parecem-nos igualmente ensaios 
feitos no anno (le 1683; sao menos raros, exceptooiea^em^to, doqualsabemosapenas 
existir exemplar da coHecpào de Sua Magestade, que està à fior do cunho, e um outro 
pertencenle ao sr. dr. Justino Cumano. 

Atlribuimos estes perfeitos trabalbos ao burli de Roque Francisco, que multo conlrì- 
buiu para os melhoramenlos Introduzidos n'aquella epoclia na gravura dos cunhos'. 

regimento da casa da moeda de 9 de setembro de 1686 dìi nu cap. Lxxviii : 



' Arch. da casa da moeila de Lisboa, rcgislo gcral, liv. i, fol. 343. Dtic. comprovnlivo n.* 170. 
' Vili. lom. 1, pftg. 7.1. 



67 

a riavendo de se tditér dirthciro de Cobrc na Gaza da Moeda, se nao obrarà nas Offìcinas 
em que se lavre ouro, ou prata, e se darà para isso Gaza separada, covcniente para se 
obrar e cunhar o Cobre; e as em que se fabricar o ouro ou prata, farà o Provedor, 
ainda no caso que cessar o exercicio dellas, que estejào correntes, com todos os instru- 
mentos coni que se obrar o dìnheiro » * . 

Os cunhos dos n.*^^ 55 a 58 deviam ser abertos pelo gravador Roque Francisco em 
1 688, sendo jà D. Fedro rei de facto e de direito : sào bastante raros, e nào havendo lei 
que Ihes de curso, os tomàmos tambem corno ensaios monetarios. A 3 de juiho do mesrao 
anno em que se fabricarara, representou o provedor da casa da moeda, Antonio Rodri- 
gues de Araujo, os inconvenientes de nào pagar pequenas quantias às pessoas que ali 
levavam moedas de prata para reduzir, pela falla de dinheiro em cobre; e exislindo na 
dita casa tres arrobas e meia de moeda nova de cobre, pedia permissio de se servir 
d'ella para trocos, o quo Ihe foi concedido em vista das rasoes allegadas*. 

Estas moedas deveriam ser de algum dos tres ensaios de 1682, 1683 ou 1688. 

Os n.®^ 59 a 62 sào communs e lavrados conforme o alvarà de 1 7 de fevereiro de 
1699, que declara nào se poder faxer com tal moeda pagamento superior a um tostào '. 



• Doc. compro vatìvo d.» [80. 

' As pessoas que vam às casas destinadas para a reduQào do dinheìro cerceado, sam muito proju- 
(iicadas na satìsfaQào de algama conta limìtada que nie dà o pezo e nào se Ihe podc satisfa^cr por 
falla de cobre, e sena embargo de eu querer acudir a este dagno, mandando procurar moedas deste 
^pneronào se achào, comtudo, ao qrie sào necessarias; e neste aperto me aduertirào (lue ncsta caza 
lM?ia tres arrobas e mela de cobre nono reduzìdo' a moeda, coni que se pofdìa acudir a està necessi- 
dade tao preciza, de que me pareceu dar conta a Y. Mag * para que, sendo sòruido, me ordenc e mando 
repartìr. Li.* 8 de JuIho de 1688. Antonio UoisJ de Arauja. — Desta se déu vista aO' procuratlor da fa- 
zenda, que respondeu era de parecer se vaieCem deste cobre, visto a necessidade prezente ; e por carta 
<Jo secretano de estado, S Mag.**, que Deos tìnardc, ha por betìi qiie se possa uzàr deste cobre na oca- 
«iào prezente, para os trocos, de que fago este aifisor a V. S., para que^ se passoni as ordens necessa- 
rias. Deus guardo a V. S. nnritos annos, do Pago 3 de juftio de 1688. Mendof de foyos Pereira. — Sr. conde 
^ Erìsseira. (Arcrli. da ca$a da moeda de Lisboa, régisto' goral, liv. n, fol. 23.) 

' Arch. nacional, liv. vh das leis, fot. 39 v. Doc. comprovativo n.« 200. 



US 



D. JOAO V 

ilJf U de dozombro de 170C a 31 de jullio de 1750) 

Nasrcu cslc principe a 22 de outubro de 1689; foi jurado herdeiro da coróa em 1 de de- 
zembix) de 1697, subindo ao throno por morte de seu pai a 9 de dczembro de 1706; e teve 
iogar a sua acclamagào coni us maiorcs solemnidades no dia 1 de Janeiro seguirne. 

Casou com D. Marianna de Austria ^ fiiha do imperador Leopoldo I e de sua mulber 
D. Leonor, a 9 de julho de 1708, effccluando a nova rainha a sua entrada em Lisboa enlre 
esplendidos fcstejos a 27 de outubro. 

joven monarcha, adoplando a politica de D. Fedro II, sem ouvir cortes nera conselhos, 
mandou em 1707 que o exercito invadisse a Ilespanha, sendo os portuguezes comraandados 
pelo marquez das Minas e os alliados por lord Gailoway. As tropas atravessaram quasi loda 
a provincia de Valencia até aos campos de Almanza, onde, a 25 de abrii, o duque de Berwick 
the deu urna fumosa bataiha e as derrotou completamente. Tivemos perdas consideraveis, e 
apesar do conde da Atalaia e D. Fedro de Almeida com o conde de Slaremberg entrarem 
triumpbantes em Madrid tres annos depois, Fortugal so coiheu de guerra tao louca desastres 
e terriveis desenganos. Os inglezes que a haviam promovido, quando melhor Ihes conveiu 
flzeram a paz de Utrecbt, a 11 de abriI de 1713, abandonandonos ù. sorte; e so à generosi- 
dade da Franca devemos as vantagens que ali nos concederam, mas continuàmos em iuta 
com OS bespanhocs, e 21 6 de fevereiro de 1715 obtivemos fìnalmente a terminando das bos- 
tilidades^. 

Em Fortugal a publicagào dos tratados de paz foi acolhida com o maior regosijo. Todos 
comprehendiam que a guerra da suceessào, originando a grande allianca, ti vera por alvo a 
rivalidade de poderio entre duas nagOes, entrando nós comò comparsas nos lucros^ mas car- 
regando com os principaes sacrificios. Foi uma verdadeira calamidadc que esgotou osrecur- 



' Nascida em Luitz, a 7 de setcmbro de 1683. 

* Por morte do imperador de Austria José I succedeu-lhe, em 1711, seu irmào o archidaque Car- 
los, que se intituloa o IV. tratado de Ramstadt, em 1714, negou-lhe os direitos à coròa de Hespaoha 
e conOrmou-Ilic a posse dos reinos de Napoles e Sardenha. Atò este anno se conservoa Barcelona pelo 
preteiisor Carlos HI, cunhando mocda em seu nome dorante sete annos. Em 1725 o tratado de Vienna 
apenas deixou à Austria na Italia os ducados de Parma, Placencia e Milào. Carlos IV falleccu em 1740. 

Varias foram as medalhas que os estrangeiros flzeram cunbar, solemnìsando as pazes celebradas 
em Utrecht nos annos de 1713 e 1715. Alem dos tres exemplares estampados na Mem. das medalhas 
pori. (n.«" 24 a 2G) por Lopcs Fernandes, exlste uma nutra no gabinete de el-rei, bastante interessante, 
gravada 25 annos depois; diz: 

V. LUSTR. FOED: BELO: PACE STABIL. No campo, à esquerda, o tempio de Jano; sen- 
tada nos degraus, pisando uma espada, a Paz,. tendo na mào direita o capacete sobre a langa e a pal- 
ma e o ramo de oliveira cruzado na baste; e sobre o joeiho um livro aberto, onde se le: .a. 




evaTigelium; no melo o leào coroado segurando um feixe de settas; à direita Marte sentado com as màos 
presas atràs das costas e corrente aos pés; por cima a Fama embocando duas tubas embandelradas, len- 
do-se em uma lUBILATE e n'outra XXV: no exergo: XI. APRIL— MDCCXXXVIII. (No friso 
divisorio tem N. V. SWINDEREN. F.) 

^ ORBIS CHRISTIAN: QUIETE INTER SE No campo, ligados por la^os de flta, sete es- 
cudos das principaes nagOes qac assignaram o tratado, Austria, Franca, Ilespanha, Portugal, Inglatcrra, 
etc. É uni linlio e perfeilo cunho. 



69 

SOS ao reino, e dcìxou o excrcìto e a marinha ero circumstanciu de mal poder acudir às colo- 
Dias, onde as vicissitudes da guerra tìnhara reflectido. 

Àinda mal reparada a nagào de tao sensiveis pcrdas, a pedido de Clemente XI, mandou 
D. Jodo V urna esquadra contra os turcos, que havendo-se apossado da Moréa, ameagavam a 
ilha de Corfù e varios portos da Italia. soccorro composto de seìs naus e tres navios peque- 
nos, tendo por commandante o coDde do Rio Grande, Lopo Furtado de Mendonga, safu do 
Tejo a 5 de julho de 1716, recoUiendo a 25 de novembro do mesmo anno, sem haver en- 
coDtrado os turcos. 

Constando novas tdstatìvas dos turcos contra as forgas maritimas da Italia, teve outra 
vez ordem o dito almirante de sair a barra, levando sete naus, quatro embarcagOes de infe- 
rior lote, e corno immediato o conde de S. Vicente. Està esquadra foi unir se à dos alliados 
em Corfù, e nayegando proximo ao cabo de Matapan, a 5 de julbo, avistaram a armada otto- 
mana, a qual receiando as esquadras cbristds, se afastou. Passados quatorze dias tornaram-se 
a avistar, vindo os turcos reforgados com mais seis navios, contando-se ao todo quarenta e 
cito. 

As naus portuguezas com duas de Malta e uma fragata veneziana formaram logo em li- 
nha de batalba, e sobre elias caiu a furia musulmana. Atacadas por dezeseis dos melbores 
navios da esquadra turca, responderam denodadamente ao fogo dos seus canbòes; e apesar 
da superioridade numerica, o conde da Ribeira, por um arrojo de alentada bravura, cooseguiu 
romper a lìnha do inimigo, incutindo-lhe tal confusào e terror que o poz em rapida fuga com 
perdas enormes. 

A Dossa esquadra bouve-se com extremo valor; assim o confessaram os alliados, que so 
tinbam conservado quasi na espectativa, e que nào duvidaram prestar-nos a bomenagem de 
vencedores. Os navios portuguezes com grandes avarias e faltos de mantimentos vieram en- 
trar porto de Lisboa, a 6 de novembro'. 

Foi està a maior faganba militar do reìnado de D. Joào V; os restantes trinta e tres an- 
nos da sua vìda foram passados principalmente a pensar e a mandar cxecutar sumptuosida- 
des religiosas, para o que tinba à sua disposigdo as minas do Brazil. Como mais notaveis te- 
mos roosteiro de Mafra, de que se langou a primeira pedra, n'uma solemne festividade, a 17 
de novembro de 1717, em cumprimento do voto feito para o rei haver successSo'; a ign»ja 



' Por este tempo Uog, celebre abridor succo, dedicou a seguintc medaiha à muniflcencia do mo- 
uarcha porttìguez — IOANNES V o D o G o PORTUGAL o ET ALG o REX o No enxergo 
ROG « FEC — Rev. Metade do globo terrestre, por cima o sol coberto de nuvens, e a legenda 
ET LATET, ET LUCET. No exergo o anno MDCCXVI. Vem desenhada na^ Memoria dos me- 
dalhas e condeooragòes portuguezas por Lopes Femandes, est. 9, n.« 28. 

' Para soleronisar tao heroico feito naval, cunhou-se em Roma uma medaiha; e em Lisboa Antonio 
Meogio foi incumbido de abrir os ferros de uma outra. Ambas t6em o retrato de D. Joào V, e acham-se 
estampadas na Uisloria genealogica, tom. iv, est. oo, n.^ 2 e 3. No liv. ni do archivo da casa da 
moeda, foi. 9 e 19, existem registados os officios a que deu logar a questào de Bfengin, nào querendo 
rcceber as noventa moedas que Ihe davam comò salario de abrir os cuniios, e exigindo ccm, corno por 
firn se Ihe roandaram pagar em 24 de abrii de 1723, principiando em scguida a cunhagem das meda- 
ibas em oiro, prata e cobre. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgislo geral, liv. iii, foi. 25.) 

' No alicerce deilaram-se dozc mcdalhas: quatro de oiro, quatro de prata e quatro de cobre Em 
unia havia de um Jado os rctratos do rei e da rainha com a legenda IOANNES • V • PORTVGA- 
LliE ET ALGABRIORVM o REX ET MARIANNA DE AVSTRIA CONJVX.-Rev. Pianta 
do convento e a leti a D. ANTONIO LVSITANO o MAFRA o 1 7 1 7. Nào lemos noticia de existir 
cxemplar algum d'està medaiha. Outra reprcscnlava Santo Antonio em uma nuvcm sobre um aitar, 
estando rei de joelbos e com a màos postas, ctc. A tcrccira tinba busto de Clemente XI; e a quarta 
de D. Thomas, primeiro patriarcha de Lisboa. (Acham-se minuciosamcnte dcscriptas por fr. Joào de 
S. José do Prado no Monumenlo sacro da fabrica de Mafra, etc. 1751.) Sobre a pedra foram lan^^adas dozc 
^noedas de oiro, doze meias moedas, e doze quarlinhos; cm prata deitaram tambem uma duzia de cada 
cspecic, cmzados novos, doze vinlcns, seis vinlens, Ires vinlcns e vinicns; e cm cobre igual numero de 
dez réis, cinto réis, Ires rèis e real e meio. 



70 

e hospìcio de Nossa Scnbora das Nccessidades; a capciia de S. Joào Baptista cm S. Roque'; 
a patrìarcLal ; os riquissimos paramentos e joias de subido valor que ofTcreceu para o culto 
da ìgreja; as caDonìsagóes de santos, que solemnisou coni a maxima pompa; as duas embai* 
xadas ao papa, que pela osteatagào fizeram ruido no orbe catholico; as dignìdades cecie- 
siasticas que requereu e obteve para o reioo, etc. eie. 

Os brilbaotcs e o oiro vindo do Brazìl mal dayam para os ^eus dcvotos caprìcbos e prc- 
tensOes ,de tornar Lisboa mais cbristà que a propria Roma. 

A santa sé qucria-lbe corno a filbo prcdilecto; presenteou-o com Indulgencias e bullas a 
troco de sommas enormes, que se calculam em cento oitenta e oito milhOcs de cruzados; e 
Benedicto XIV, em reconbecimento de tanto zèlo e dedica^ào pela igreja, conferiu-lhe, a 21 
de abrll de 1749, o litulo de fidelissimOy para si e scus successores. 

As sciencias, as Ictras e as artes tambem Ibe devem alguma protccgào, e sào attcnuantes 
à sua beata prodigalidade. Em 1720 instiluiu a Academia real da historia porlugiteza eccle- 
siastica e seciilar, onde floresceram distinctos escrìplores, com quem despendeu grossas quan- 
tias na ìmpressào das suas obras; entre ellas foi a mais uotavel a Historia genealogica dei 
casa real'. As livrarias das Necessidades, de Mafra, da univcrsidade de Goimbra e do Pago da 
Hibeira, deveram-lbe a priqcipal iniciativa. 

A colossal obra do aqueducto da agua livre, come^<ida em maio de 1731 ^, aindaque 
reità à custa do povo, eternisa o sou nome, por conseguir dotar a capital com um monumento 
tao util, projeclado e tentado desde o secalo x\u 

As fabricas da Covilbà, das sedas ao Rato, de vidros na Marinha Grande, dapolvora, das 
armas no arsenal do exercito e outras induslrias, foram creadas no seu reinado. 

Pelo fallecimonto do secretano de estado Diogo de Mendonga Córte Real, em 1736, de- 
cretou-se a 28 de julbo que da unica secretarla que entào existia, se orgauisassem tres: 
marinha e tdtramar, eslrangeiros e reinOy accumulando-se n'esta os qegocios da fazenda, jus- 
tiga, ecclesiaslicos, obras publicas, etc. 

D. Joào V por esse tempo comegava a sentir o corpo alquebrado dos prazeres munda- 
nos, e mais do que nunca tratava de limpar a alma dos peccados da carne; por isso os con- 
scHieiros intimos do monarcba foram sempre escolhidos no gremio da Igreja; mereceu pri- 
meiro a sua conljanga o cardeal D. Joào da Motta, e por sua morte em 1747, fr. Gaspar da 
Encarnagào, preceptor dos reaes bastardos. 

D. Joào V, em 10 de maio de 1742, tornou-se paralylico, com o lado esquerdo e os ex- 
tremos inferiores scm movimento, spedo obrigado a transportar-se em cadeirinba e a ir todos 
OS annos procurar allivios às Caldas da Rainba, cujo hospital mandou reconslruìr. Nos pri- 
meiros dias de julbo de 1750 aggravaram-scrlhe os padecimentos, e seni a medicina Ibe po- 
der obstar, falleccu no dia 31, pelas sete boras e ciuco minutos da tarde, no palacio da Ri- 
beira, acbando-se prcsenlcs a rainba sua mulher e seus filhos D. José, D. Fedro e D. Antonio. 

No dia 3 de agosto ili noite foi conduzido com grandioso acompanbamento ao mosteiro de 
S. Vicpi)tp c)e Fora, onde jaz. 



• Px;la njiedida que pe remptteu de Portugal, se fez cm Roma a famosa capei la. É urna obra prima, 
onde àc admiram as combina^igòcs de lapis lazuli, amethystas, porliro, alabastro e coralina, com oiro. 
prata^ bronzo, marmores de Carrara e de Sicnna, e granito orientai, formando lindos matlzes, e sobre- 
saindo tres quadros de finissimo m9sai£0, que sào verdadeiras maravillias. A sua dcscrip^ào minu- 
ciosa e das alfaias e paramentos, que vieram juntos, faria um livro. Està joia artistica ficou armada 
no iogar cm que existe, na igreja de S. Roquc, em 1751, e custou ao paiz quatorze milhòes de cruzados. 

' Em 22 de outubro de 1721, anniversario do monarcha, offereccu-lhe a Academia de Historia a 
medalUa que Ihc havia dedicado pela instituic^o da mesraa academia. Vem estampada na [list, gen., 
lab. ce, n." l, tom. iv, e por Lopes Femandc^, i)a Mem. das medalhas e condecoracòcs pori., est. 10, 
n.» 31. 

' Pianta do brigadciro Manocl da Maya e d^ sarg^c^tQ-n^r Cuslodio Vieira. 



71 

* 

Durante os ullimos dias da doenga fizcram-sc immensas procissóes de peuitcncìa pelas 
suas melboras, e quasi todas as irmandadcs e confrarias da cìdade foram ao pa^o com pro- 
messas a Deus para conservar tdo preciosa vida. Ndo consta que soberano algum tivessetan- 
tas e tao esplendìdas cxequìas, feitas nào so no reino e colonìas, mas em Roma e Hespanha, 
scodo eborado desde o ciiefe da Igreja catbolica até ao mais bumilde leigo friinciscauo. Pré- 
garam-se e cscreveram-se numerosos clogios funebres, e se os seus auctorcs nao coaseguiram 
saotifical-o, provaram o bom quinbdo quo Ibes coube na prodigalidade do real defunto. 

D. Joào V era intelligente, pouco instruido, amigodasgrandezas; e procurando rivalisar 
com Luìz XIV de Franga nos faustos monumentaes de Versailles, esbanjou enormes riquezas 
em pompas religiosas. seu governo foi verdadeiramente absoluto, e nem sequer, comò fizera 
scu pae, convocou um simulacro de cortes. Folgava com os galanteios palacianos e as entrevis- 
tas mysteriosas aos mosteiros, andando de noite embugado pelos cantos das mas, desencami- 
ubando as filiias do povo; d'estas fragilidades purificava-se beatamente nos confessionarios, 
cu algumas vezes ao fogo sagrado dos autos de fó. 

infante D. Francisco e os fidalgos, à sua parte, commettiam crucis toi*pezas, tornando 
por divertimento juntarem-se de noitc aos bandos, atacando-se para experimcntar a valentia 
eviogarem rivalidades; e comò variante cspancavam os burguezes, e roubavam-lbes as mu- 
Ihercs e as filhas. 

Os crimes e os vicios praticados de noite cobriam-se de dia com a capa da santidade; por 
isso os lauspcrennes e septenarios extravasavam devotos. Os conventos do religiosas torna- 
ram-se em arena de seducgào, e as virgens do Senbor, quando se ndo revoltavam contra os 
poderes do estado^, acccitavam sem recato o galanteio da nobreza, do clero e do povo. 
peccado acbava-se limitado às faltas de jejum e de cilicios. 

Estes cxcessos escandalisaram el-rei, e do seu retiro de Odivellas mandou em 1725 e 
1736 renovar os decretos que puniam os freiraticos. Para em tudo ir conforme aos seus pri- 
vilegios, em duas pragmaticas condcmnou tambem o luxo dos seus vassallos, que apenas o 
imitavam! 

Estc reioado foi um mixto de riqueza, ostentagao, fanatismo e immoralidadc, com o pi*e- 
dominio da nobreza e do clero sobre as leis e o povo. Sebastiào Josó de Garvalbo cstava pre- 
deslioado para mais tarde combater energicamente tanta desmoralisagào, por melos que che- 
garam muitas vezes à crueldade; mas o proverbio ji dizia: Para (frandes males grande re- 
mdios, 

Klhos havidos do malrìmoDio 



D. Maria Barbara: nasceu em Lisboa a 4 de dezembro de 1711 , casou a 9 de Janeiro de 
1729 com principe das Asturias^ depois Fernando VI, rei de Hcspanba (em 9 de julho de 
1746), e morreu no real palacio de Aranjuez, sem geragào, a 27 de agosto de 1758. Jaz no 
convento da Visìtagào de Nossa Senhora em Madrid, que havia fundado. 

D. Pedro: nasceu em Lìsboaa 19deoutubrodel712, e falleceu a 29 de outubro de 1714; 
foi depositado no mosteiro de S. Vicente de Fora. 

D. José, que succedcu na coròa. 



' Como o flzeram as de Odivellas, saiudo de cruz algada cm dircccào a Lisboa, a firn de solicita- 
rem do rei contra ordem para nào recebercm no convento urna religiosa, processada pela inquìsicào, 
qac as ina empestar: as anctoridades que Ihes sairam ao caminho, debaldc tentaram fazel-as voltar à 
sua clausura; foi preciso emprcgar a forca, chegando as servas de Deus a apedrejar a tropa, consc- 
guindo-se a final mcttel-as cm coches, e beni escoltadas as Icvaram para o mosteiro de Odivellas. As 
de Sant 'Amia tanibcm se rebcllaraui contra o poder secular. 



72 

D. Carlos: nasceu cm Lisboa a 2 de maio de 1716, e inorreu a 30 de maryo de 1736. 
Jaz no mosteiro de S. Vìccnte de Fora. 

D. Fedro: nasceu em Lisboa a 5 de julho de 1717, casou com a rainha sua sobrinha, a 
senhora D. Maria I, a 6 de junho de 1760, tornando o titulo de Fedro III, e morreu com ge- 
ragào,. corno direraos adiante, a 25 de maio de 1786. Foi sepultado no ja2Ìgo de S. Yicente 
de Fora. 

D. Alexandre : nasceu em Lisboa a 24 de setembro do 1723, e falleceu a 2 de agosto de 
1728. Jaz em S. Vicenle de Fora. 



Filhes haYidos fora do matrimonio 



Em 6 de agosto de 1742 mandon D. Jodo V escrever o seguinte: 

«For cntcnder quc sou obrigado, declaro que tenho trcs fìlhos illegitimos de molberes 
limpas de todo o sangue infeto, bum se cbama D. Antonio, outro D. Gaspar que se pbamou 
no baptismo Manuel, outro D. José que no baptismo se chamou Manuel. A sua educagào en- 
carregueì a fr. Gaspar da Encarnagào, rcformador dos conegos regulares, o que executon 
com tanto cuidado e zello, que tenbo muito de que me agradar, e que Ibe agradeser pelo qac 
me consta a respeito dos ditos meus Gibos. Encomendo ao principe Ibes d<3 aquelle estado, 
quc mais for conveniente às suas pessoas comò irm5os seus : Eu sempre quiz que fossem en- 
camìnbados para o de Ecleziastico e espero que o Principe os favorega e ajude, de sorte que 
tendo a abundancia competente nào necessitem de outra proteggo mais que a sua; Mandei 
fazcr està declaragdo pelo Bene6ciado Antonio Batista, a qual a entregarà ao dito fr. Gaspar 
da Euearnagào, que a apresentarà no tempo que Ibe* tenbo declarado. Villa das Caldas da 
Rainba, 6 de Agosto de 1742. Com a rubrica de S. Magcstade^ > 

D. Antonio de Braganga: nasceu em 1 de outubro de 1714; foi reconbecido com seus ir- 
maos por el-rei D. José, a 18 de Janeiro de 1755, recebendo d'està data em diante as honras 
que Ihe competiam ; foi deportado com seu irmao D. José para o Bussaco, a 21 de julho de 
1760; e soltos pela sonbora D. Maria I, voltaram para o palacio de Falbavà em 1778. Falle- 
ceu D. Antonio a 14 de agosto de 1800, e foi enterrado nacapellada Senbora da Encarnagao, 
no claustro do mosteiro de S. Vicente de Fora, onde bavia sido depositado o coragao de 
D. JoaoV. 

D. Gaspar de Braganga: nasceu a 8 de outubro de 1716; nomeado arcebispo de Braga 
em 1756, recebeu depois ordcns sacras, e a 25 de julbo de 1758 foi sagrado, particularmente, 
na capella do palacio de Falbavà. Fez a sua entrada solemne em Braga com luzido acompa- 
nbamento a 28 de outubro de 1759, e abi falleceu a 18 de Janeiro de 1789. Jaz na sé da 
mesma cidade. 

D. José de Braganga: nasceu a 8 de setembro de 1720; foi nomeado inquisidor geral a 
24 de setembro de 1750, logar de que o demittiu o marquez de Fombal, em 21 de junho de 
1760, para o mandar desterrado para o Bussaco com seu irmào D. Antonio, cuja sorte seguiu. 
Morreu no palacio de Falbavà, a 31 de agosto de 1801, e jaz tambem na capella da Encarna- 
gào no claustro do mosteiro de S. Vicente de Fora. 

Estes filhos bastardos de 0. Joào V eram vulgarmente conbecidos pclos meninòs de Pa- 
lliava. 



' Manuscrìpto da CoUecfào clironologica da legislacào porlvrfucza, coUigida por F. J. Pereira e Scusa. 



73 



Hoedas de D. Joao V 



Pre^o estimativo actual 



•irò. 



€«kr«. 



Dobrdes de cinco moedas G. 

Dobrdes de quatro moedas (ensaio monetario) 

Dobrdes de duas moedas e meia G. 

Dobrdes de duas moedas (ensaio monetario) . . 

Moeda C. a 8^^000 

Meia moeda G. a 5^K)00 

Quartinho G. a 3^000 

Gruzado novo G. a 8JÌ000 

iDobra de vinte e quatro escudos (ensaio mo- 
netario) 200^000 

Dobra de dezeseis escudos (ensaio monetario) 90|i000 

Dobra de oito escudos G. a 18JÌ000 

Dobra de quatro escudos (Pe^a) .\ G. a 50|i000 

Dobra de dois escudos (Meia pe^a) C. a 30^000 

Kscudo G. a 6^000 

JMeio escudo G. a 2j;500 

*GnuEadinho G. 

Gruzado novo G. a 4JM)00 

Doze vintens G. a 4i^000 

Seis vintens G. a 2|^000 

Trcs vintens G. a j(300 

Tostào G.a l^JOOO 

Meio tostào . . . ^ G. a 2^000 

Vintem G. 

Dez réis G. 

Cinco réis G. 

Tres réis G. 

Real e meio G. 



réis 

» 



» 

2» 
1» 
• 

a 
» 

» 

9 

» 

9 

» 



1. IOANNES • V D • G • PORT ET ALG o REX. Armas do reino, à es- 
querda 16000, à direita quatro flor5es. 

^ « IN » HOC « SIGNO « VINCES » £. 1 7 1 8 & Cruz da ordem de Chrislo 
caotonada por quatro floroes. Moeda de dezeseis mil réis, ou quatro moedas de oiroj N. 
N3o consta que exista exemplar algum; desenho é copiado do proprio cunho que 
se conserva archivado na casa da moeda. 

2. IOANNES V D G PORT ET ALG REX. Armas do reino, a es<iuerda 
8000, e à direita quatro floroes. 

]5r ^ IN se HOC Sg SIGNO SS VINCES SS .•. 1 7 1 1 & Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro floroes. Moeda de oito mil réis, ou duas moedas de oiro, X. 
Apenas conhecemos um exemplar na collec^ao do sr. Eduardo Canno. Tanto està 
corno a anterior sao ensaios monetarios. 

3. IOANNES o V • D o G PORT o ET . ALG o REX. Armas do reino, a 
esquerda 4000, e a direita quatro floroes. 

^ Sg IN SS HOC 2€ SIGNO SS VINCES SS A 1 7 1 9 ^ Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro floroes. Moeda de oiro, N, Valia 4^800 réis, — C. 

4. mesmo da anterior. 



74 

^r ^^ IN ^^ HOC ^^ SIGNO ^ VINGES ^«2,1719^ Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro BB, indicagao de haver side lavrada na officina monetaria da 
Bahia. Moeda de oiro, N. Valia 4,5800 réis.— 7,51000 réis. 

5. mesmo anverso do n.*^ 3. 

Qr 3§ IN §€ HOC ^^ SIGNO ^ VINGES ^ à 1 722 A Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro RR, indicando ser cunhada na officina monetaria do Rio de 
Janeiro. Moeda de oiro, S. Valia 4,5000. — 7,5000 réis. 

6. mesmo anverso do n.*^ 3. 

Qr ^ IN ^S HOG 5§ SIGNO ^ VINGES ^^ & 1 7 1 4 A Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro PP, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria do 
Porto. Moeda de oiros N. VaHa 4f51800 réis.— 7,5000 réis. 

7. mesmo anverso do n.° 3. 

Qr ^g IN §€ HOG ^ SIGNO SS VINGES ^i A 1 726 A Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro MM, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria 
de Minas Geraes, M. Valia 4,5800 réis.— 7,5000 réis. 

8. IOANNES Vo D o G PORT o ET ALG REX. Armas do reino, à 
esquerda 2000, e à direita quatro florSes. 

Qr ^^ IN ^ HOG §^ SIGNO ^ VINGES ^ & 1 72 1 & Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro floroes. Meta moeda de oiro, N. Valia 2,5400 réis. — 3,5600 
réis. 

9. mesmo anverso da anterior. 

]^ ^ IN ^ HOG ^g SIGNO ^^ VINGES d^&ijibS. Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro BB, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria da 
*Bahia. Meia moeda de oiro, JV. Valia 2,5400 réis. — 3^600 réis. 

40. mesmo anverso do n.** 8. 

Qr ^g IN ^g HOG ^i SIGNO S€ VINGES ^ à 1 726 <& Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro RR, indicagSo de haver sido cunhada na officina monetaria do 
Rio de Janeiro. Meia moeda de oiro, N, Valia 2,5400 réis. — 3,5600 reis. 

il, mesmo anverso do n.*^ 8. 

I^ ^g IN ^^ HOG 2g SIGNO ^^ VINGES ^ » 1714 Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro PP, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria do 
Porto, Meia moeda de oiro, N. Valia 2,5400 réis. — 3^5600 réis. Este exemplar 
pertence à coUec^So da casa da moeda. 

12. mesmo anverso do n.° 8. 

Qr ì^ IN ^^ HOG ^ SIGNO ^% VINGES §§ A 1 726 à Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro MM, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria 
de Minas Geraes. Meia moeda de oiro, JV. Valia 2^400 réis. — 3,5600 réis. 

1 3. IOANNES o V D o G P ET ALG o REX. Armas do reino, à esquerda 
1000, e a direita quatro floroes. 

^r ?^ IN ^ HOG ^^ SIGNO 2^ VINGES c^ «5» 1 709 & Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro floroes. Quarto de moeda de airo, S. Valia 1,5200 réis. — 
2^000 réis. 

14. mesmo anverso da anterior. 



75 

]^ §€ IN §g HOC ^ SIGNO ^ VINGES 9g a i 72 3 & Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro BB, indica^ao de ser cunhada na officina monetaria da Bahia. 
Quarto de moeda de oiro, N. Valia 1(5(200 réis. — 2^000 réis. 

15. mesmo anverso do n.** 13, 

^ ^ IN ^ HOC ^ SIGNO ^ VINGES ^S & 1 726 ^ Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro RR, indicando ser cunhada na officina monetaria do Rio de 
Janeiro. Qtmrto de moeda de oiro, N. Valia 1^51200 réis, — 2^5(000 réis. 

16. mesmo anverso do n.*^ 16. 

Qr ^ IN ^ HOG ^ SIGNO ^ VINGES ^ <& 1 7 1 3 à Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro PP, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria do 
Porto. Quarto de moeda de oiroj M. Valia 1^200 réis. — 2^000 réis. Esteexemplar 
pertence a collecQao da casa da moeda. 

17. mesmo anverso do n.° 13. 

i^r 3€ IN ^ HOC §€ SIGNO X VINGES ^ A 1 724 «?o Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro MM, indicando de haver sido cunhada na officina monetaria 
de Minas Geraes. Quarto de moeda de oiro, N. Valia lf$200 réis. — 2fJ000 réis. 
Este exemplar pertence a collec(ao da casa da moeda. 

18. No campo, em duas linhas e entro quatro floroes IOAN — V, por cima a 
coròa rea], em baixo duas palmas sobrepostas, e no exergo 400. 

^ IN o HOC SIGNO VINGES ^g 1 72 1 ^ Cruz da ordem de Christo can-^ 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, N. Valia 480 réis. — C. 

.19. mesmo anverso da anterior, 

15r IN o HOC SIGNO VINGES ^ 1 73o §g Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro RR, indica(;ao de haver sido cunhada na officina monetaria do 
Rio de Janeiro. Cruzado novo, N. Valia 480 réis. — 4^000 réis. Este exemplar 
pertence a collecgao do sr. Silvestre Belem, e existe outro na do sr. José Lamas. 

20. mesmo anverso do n.° 18. 

15r IN HOC SIGNO VINGES 1725. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro MM, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria de Minas 
Geraes. Cruzado novo, N. Valia 480 réis. — 5^000 réis. Nao conhecemos outro 
exemplar. 

É provavel que se cunhassem tambem cruzados novos em oiro nas casas da 
moeda do Porto e na Bahia, mas nao temos visto exemplar algum. 

21 . IOANNES V D G PORT ET ALG • REX. Armas do reino, à es- 
querda 20000, e a direita sete florues. 

^ §€ IN ^ HOC §g SIGNO S€ VINGES 5^ A 1 726 à Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro MM, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria 
de Minas Geraes. Dobrào. N. Valia na primitiva 24^^000 réis. — 32^000 réis. 

22. IOANNESoVoDoGoPORToEToALGoREX. Armas do reino, a es- 
querda loooo, e a direita sete floroes. 

5r ^§ IN §b HOC ^S SIGNO ^€ VINGES ì^ & 1 724 s. Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro MM, indicagao de haver sido cunhada na officina monetaria 
de Minas Geraes. Meio dobrao, N. Valia na primitiva 12r5iOOO réis. — 16?5000 réis. 



76 

23. IOANNES VoDoGoPORToETo-ALGoREX, Busto do rei a dìreita 
com cabelleira e coróa de loiro, por baixo o anno lySi. Orla muito ornamentada. 

Qr Àrmas do reino tornando todo o campo da moeda com a orla igual a do an- 
verso. Ensaio monetario para urna dobra de vinte e quatro escudos (correspondia a 6 
pecas ou 38^5(400 réis). N. Nunca vimos outro exemplar authentico senao o da 
collecfao real que nos cuslou 200^000 rèis. 

24. IOANNES o V o D o G o PORT • ET o ALG o REX. Cabefa do rei a direita 
com cabelleira e coròa de loiro; por baixo o anno 1731. 

]^ Armas do reino com escudo ovai cercado de omamentacao enchendo todo 
campo da moeda. Ensaio monetario para urna dobra de dezeseis esa(dos; deveria por 
isso valer 25f>600 réis. S. Alem d'este exemplar da collecfao real conhecemos outro 
em poder do sr. José Lamas, que comprou por 90^000 réis, e um outro na casa 
da moeda, onde se conservam os seus cunhos, assim comò os da anterior. 

25. IOANNES o V . D • G o PORT ET ALG o REX. Cabefa do rei a direita 
com cabelleira e coròa de loiro, por baixo M, indicac5o de ser cunhada em Minas 
Geraes, 1732. 

Qr Armas do reino entre duas palmas, tomando todo campo da moeda. Dobra 
de otto escudos. Valor primitivo 12^51800 réis, N — 18^000 réis. Variedade pouco 
commum, pertencente a collec^ao do sr. José Lamas. 

26. mesmo anverso da anterior. 

IJr Armas do reino, variedade da antecedente. Dobra de oUo escudos. Valor pri- 
mitivo 12^800 réis, AT— C. 

27. IOANNESoVoDoGoPORToEToALGoREX. Cabecadoreiàdireita 
com cabelleira e coròa de loiro, por baixo anno 1722 e um L, indica^ao de ser 
cunhada na officina monetaria de Lisboa. 

Qf IN HOC o SIGNO o VINCES Armas do reino com escudo ovai oma- 
mentado. Dobra de quatro escudos, conhecida vulgarmente por pe^a. Valor primitivo 
6/51400 réis, N — SOjJOOO réis. Sabemos apenas da existencia de um exemplar na 
colleccao do sr. Jayme Couvreur. 

28. IOANNESoVoDoGoPORToEToALGoREX.CabecadoreiàdìrciUì 
com cabelleira e coròa de loiro, por baixo L, indicagao de haver sido cunhada na 
officina monetaria de Lisboa, e no exergo anno 1722. 

I^ IN HOC SIGNO VINCES Armas do reino com cscudo ovai orna- 
mentado. Dobra de dois escudos, conhecida vulgarmente por meia peca. Valor pri- 
mitivo 3^5(200 réis, A^ — 30^)000 réis. Alem d està conhecemos urna outra na col- 
lecfao do sr. Adelino Arthur da Silveira Finto. 

29. IOANNES V o D G PORT ET ALG REX o Cabeca do rei a direila 
com cabelleira e coròa de loiro, por baixo L, indicafao de haver sido cunhada na 
officina monetaria de Lisboa, e no exergo anno- 172 2. 

Qr IN HOC SIGNO VINCES » Armas do reino com escudo ovai ornamen- 
tado. Escudo, conhecido vulgarmente por quarto depefa. Valor primitivo 1 ^600 réis^ 
A' — 6?5000 réis. 

30. IOANNES V o D o G PORT « ET ALG » REX Cabeca do rei à direita 



77 

com cabelleira e coma de loiro, por baixo L, indicacao de haver sido cunhada na 
officina monetaria de Lisboa, e no exergo o anno 1722. 

^r IN o HOC SIGNO VINGES » Armas do reino com escudo ovai ornamen- 
lado. Meio escudo, conhecido vulgarmente por aitavo de pega ou oito tostòes, seu valor 
primitivo, N — 2^500 réis. 

3i. IOANNES0V0D0G0PORT0.ET0ALG0REX. Cabecadorei com ca- 
belleira e coròa de loiro, por baìxo B, indicando ser cunhada na oiTicina moneta- 
ria da Bahia, e anno 1 745 . 

^ Armas do reino enchendo campo todo da moeda. Dobra de quatro escudos 
ou pefa. Yalia 6^400 réis, S — G. 

32. IO ANN ES V o D . G PORT - ET ALG REX • Cabeca do rei à direita 
com cabelleira e coròa de loiro; por baixo M, indicapao de haver sido cunhada na 
officina monetaria de Minas Geraes, e aimo 1723. 

^ Armas do reino. Dobra de dois escudos ou mela pega. Valla 3^200 réis, 
A— C. 

33. IOANNES V» D» GoPORT» ET» ALG REX. Cabega do rei à direita 
Cora cabelleira e coròa de loiro, por baixo anno 1 724. 

^r Armas do reino. Escudo ou quarto de pega. Valla lj5(600 réis, N — C. 

34. IOANNES V o D o G PORT o ET ALG o REX. Cabega do rei a direita 
com cabelleira e coròa de loiro, por baixo M, indicando ser cunhada na officina 
monetaria de Minas Geraes, e anno 1734. 

^r Armas do reino. Meio escudo ou oitavo de pega ou oito tostOeSs que era seu 
valor, A^ — C. 

35. Cabega do rei a direita com cabelleira e coròa de loiro, por baixo « R » , 
marca da officina monetaria do Rio de Janeiro. 

^ IOAN « Vo D G P o REX. No campo anno 1733 com a coròa real por 
cima. Cruzadinho, Valla 400 réis, X — C. 

36. Cabeca do rei a direita com cabelleira e coròa de loiro, por baixo M « , 
marca da officina monetaria de Minas Geraes. 

^ mesmo da anterior. Crii^admAo. Val ia 400 réis, N — C. 

37. IOANNES o V D G o PORT ET » ALG REX. Armas do reino, à es- 
querda entro dois floroes 400, e a direita, tambem entro dois floroes, anno 1707. 

Qr ^§ o IN S§ HOC §g SIGNO 2^ VINGES « Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro floroes. Cruzado novo. Valìa 480 réis, JR — 4jJ000 réis. 

38. IOANNESoVoDoGoPORToEToALGoREX. Armas do reino, a es- 
querda entro dois floroes 400, e à direita, tambem no meio de dois floroes, anno 1 7 17. 

^ + 5€ IN 2^ HOC §^ SIGNO 2^ VINCES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, Valia 480 réis. JR. Nunca vimos exemplar 
algura, por isso tivemos de nos servir do desenho que vem na Historia genealogica. 

39. IOANNESoVoDoGoPORTaET.ÀLGoREX. Armas do reino, à cs- 
querda entre dois floroes 400, e à direita, tambem no meio de dois floroes, anno 1 760. 

^ O ^g IN §§ HOC §g SIGNO Sg VINCES 2^ Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por qnalro floroes. Cruzado novo. Valia 480 réis, A{ — C. 



76 

40. IOANNES*VoD«G«PORToEToALGoREX. Armas do reino, & es- 
querda entre doìs florSes 200, e à direita, tambem entre dois floroes, anno 1707. 

^ O o IN ^^ HOC ^ SIGNO ^ VINGES • Cruz da ordem de Christo cantona- 
da por quatro floroes. Doze viritensi Valia 240 réis, M — 4<5(000 réis. 

41. IOANNES • VoDoGoPORT^EToALGoREX. Armas do reino, a es- 
querda entre dois floroes 200, e à direita, tambem no meio de dois floroes, anno 1 7 1 7. 

Qr # IN 3^ HOC §g SIGNO ^ VINGES • Cruz da ordem de Christo cantona- 
da por quatro floroes. Doze vintens. Valia 240 réis. JR. So os conhecemos pelo exem^ 
piar desenhado na Hisloria genealogica. 

42. IO ANNES • V « D • G « FORT • ET • ALG • REX. Antias do reino, i es- 
querda entre dois floroes 200, e a direita, tambem no meio de dois floroes, anno 1 747. 

^ mesmo dos antecedentes. Doze vintens. Valia 240 réis, A — C. 

43. lOANNES'VoDoG'PORToEToALGoREX. Armas do reino, à es- 
querda tres floroes entre dois pontos, e à direita anno 17 17 entre dois pontos. 

Qr * IN ^ HOC ^g SIGNO 5g VINGES » Cruz da ordem de Christo cantona- 
da por quatro floroes. Seis vintens. Valia 120 réis. JR. Copiado do desenho que 
vem na Historia genealogica. 

44. IO ANNES o V» D- G« PORT ET* ALG» REX. Armas do reino, de 
cada lado tres floroes, sendo do centro maior. 

^: mesmo da anterior. Seis vintens, JR — C. 

45. IOANNES . V« D • G • PORT « ET « ALG • REX. No campo LXXX, 
tendo por cima a coròa real entre dois floroes, e em baixo um florao entre doìs pontos. 

Qr ^ IN S^ HOC ?€ SIGNO ^^ VINGES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro florSes. Tostào, JR — C. 

46. IOANNES •VoDoG-REXoPORTVG* No campa LXXX, tendo por 
cima a corèa real entre dois floroes, e por baixo anno 1707 entre dois pontos. 

^ ^ IN ^^ HOC ^€ SIGNO ^S VINGES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro PP, marca da casa da moeda da cidade do Porto. TostdOj JR — l^SOOO réis. 

47. IOANNES V D G P ET ALG REX. Armas do reino, de cada lado 
um florao entre dois pontos. 

Ijr ^ • IN ^ HOC ^€ SIGNO ^ VINGES <» Cruz da ordem de Christo cantona- 
da por quatro floroes. Tres vintens, JR — C. 

48. IOANNES • V» D » G* REX » PORTVG. Armas do reino, de cada lado 
tres floroes. 

Qr 2i IN SS HOC ^^ SIGNO ^g VINGES. Cruz da ordem de Christo cantonada 
por quatro PP, marca da casa da moeda da cidade do Porto. Tfes vintens, JR — 
300 réis. 

49. IOANNES • V « D • G • P ET ALG « REX. No campo XXXX, tendo 
por cima a coròa real entre dois floroes, e por baixo anno 17 17 entre dois pontos. 

Qr ^g IN « HOC • SIGNO VINGES. Cruz de S. Jorge cantonada por quatro 
floroes. Meio tostào, JR — 2,4000 réis. 

50. IOANNES . Vo D o G o P ET «ALG » REX. No campo XXXX, tendo 
por cima a coròa real entre dois floroes, e por baixo um ponto. 



79 

^ mesmo anverso da anterior. Meio tosiào, M — C. 

51 . IO ANNES « V D o G o REX o PORTVG. No campo XXXX, tendo por* 
cima a coróa real eotre dois flor5es, e por baixo um florao entre dois pontos. 

^ ^ IN §€ HOC ^% SIGNO ^ VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
Irò PP, marca da officina da cidade do Porto. Meio tostao, M — 300 réis. 

52. Cruz de Christo cantonada por quatro floroes. 
^ Esphera. Vintem, M — C. 

53. Cruz de Christo cantonada por quatrò PP, marca da officina monetaria da 
cidade do Porto. 

^ Esphera. Vintetn, JR — C. 

5i. No campo entre tres floroes J V(Joao quinto); por cima, cortando a le- 
genda, a coròa real, por baixo um florao entre dois pontos, e na orla D » G • PORT • 
EToALGoREX. 

Qr O VTILITATI O PVBLICiE 171 3. No campo dentro de uma coròa de 
loiro um X, indicando valor, entre dois floroes. Dez réis, M — C. 

55. No campo entre tres floroes J V (Joao quinto); por cima a coròa real, por 
baixo um florao entre dois pontos, e na orla D * G « PORT « ET • ALG » REX. 

Qr O VTILITATI O PVBLIC. .EO 1713. No campo dentro de uma coròa 
de loiro um V, indicando valor, tendo um ponto no centro. Ciuco réis, JE — C. 

56. No campo entre tres floroes J V (Jo3o quinto); por cima a coròa real, por 
baixo um florao no meio de dois pontos, e na orla D » G « PORT « ET » ALG • REX . 

Qr O VTILITATI O PVBLICiE <5» 17 12. No campo dentro de uma coròa de 
loiro III, indicando valor. Tres réis, M — G. 

57. No campo entre tres floroes J V (Joao quinto); por cima a coróa rea!, por 
baixo um florao, e na lOrla D • G PORT « ET « ALG « REX. 

5r VTILITATI o PVBLICiE • 1712 • No campo dentro de uma coróa de 
louro l|o, indicando valor. Real e meio, JE — C. 

58. iOANNES'VoDEIoGRATIA. Armas do reino. 

Qr g^ PORTUGALIiEo ETo ALGARBIORUMoREX. No centro dentro de 
uma coròa de carvalho e entre dois floroes um X, indicando valor; por baixo o 
anno 1723. Dez réis, JE — C. 

59. IOANNESoVoDEIoGRATIA. Armas do reino 

^c ^^ PORTUGALIiE « ET» ALGARBIORUM REX. No campo dentro 
<le uma coròa de carvalho e no meio de dois floroes um V, indicando valor ; por 
baixo anno 1723. Cinco réis, JE — C. 

60. IOANNESoVoDEIoGRATIA. Armas do reino. 

Qr O PORTUGALIiE « ET « ALGARBIORUM « REX. No campo dentro 
de uma coròa de carvalho e no meio de dois floroes III, indicando valor; por 
baixo anno 1724. Tres réis, JE — C. 

61. IOANNESoVoDEIoGRATIA. Armas do reino. 

^c §g PORTUGALIiE « ET» ALGARBIORUM « REX. No campo dentro 
de uma coròa de carvalho e entre dois floroes um X, indicacao do valor; por baixo 
anno 1736. Dez réis, JE — C. 



80 

62. IOANNES • V . DEI • GRATI A. Armas do reino. 

Qr O PORTUGALIiE . ET. ALGARBIORUM • REX. No campo dentro 
de urna coròa de carvaiho e entre dois floróes um V, ÌDdica^ào do valor; por baixo 
anno lySy. Cinco réis, ìE — C. 

63. IOANNES oVo DEI oGRATIA. Armas do reino. 
QrOPORTUGALIiE* ET •ALGARBIORUM» REX. No campo dentro 

de urna coròa de carvaiho e no meio de dois floroes III, indicando o valor; por baixo 
anno 1732. Tres réis, M — C. 



Este monarcha no principio do seu reinado continuou com systcma monetario le- 
gado pelo seu antecessor, mudando apenas nome do imperante; assim se fabricaram 
as moedas de oiro pesando 3 oitavas e na valia de 4^5800 réis, n.°* 3 a 7 ; as m^ias 
moedas n.°" 8 a 1 2 ; e quartos ou quartinhos n.°* 13 a 1 7, com peso e valor na mesma 
proporpao. Pelas differentes marcas monelarias se conhece terem sldo cunhados em 
Lisboa OS n.®' 3, 8 e 13; no Porto 6, 11 e 16; no Rio de Janeiro 5, 10 e 15; na Bahia 
4, 9 e 14, e em Minas Geraes 7, 12 e 17 *. 

consellio da fazenda em 27 de fevereiro de 1 708 prohibiu curso às moedas c^r- 
ceadas ou falsas, determinando que os possuidores as fossem entregar na casa da 
moeda, onde seriam corladas, e pagas pelo seu valor intrinseco *. 

Nem so pelas grandes solemnidades, ou por novo padrào de moeda, os empregados 
das ofGcinas monetarias recebìam propinas; os autos de fé, considerados verdadeiras 
festas nacìonaes^ davam-lhes egualmente direito a uma gratiflcapao conforme as suas 
calegorias '. 



* As moedas com as marcas R (Rio de Janeiro), B (Bahia) e M (Minas Geraes) parece que deverìam 
pcrtencer à serie do Brasi!; mas os cunhos foram abertos em Lisboa, e com destino de correr a moeda 
em Portugal, havendo outra especialmcnte feita para aqueile estado; rasdes que nos levaram a incluil-as 
na serie da metropole. A officina da Babia foi restabelecida peJa provisào do conselho ullramarìno de 
18 de msLTQO de 1714, e a de Minas Geraes ìnstituida pela carta regia de 19 de margo de 1720. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, reg^isto gerai, liv. n, fol. 120. Doc. comprovativo n* 204. 

' Rol das propinas que venceram Provedor e mais orficiaes da casa da moeda desta cidadc pela 
occasiào do auto publico de fé, que nella se celebrou junto à Inquisicào, em 30 de Janho de 1709, a 
que assìstirào as pessoas Reais que Déos g^uarde. 

Ao Provedor Sebastiào Leite de Paria, des mil reis 10^000 

Ao Thesoureiro Diogo Gomes Peixoto, cinco mil reis 5^000 

A Pedro Mìz de Carvaiho, escrivào da receita, mesmo 5^000 

A Joseph Rabello de Figuèiredo, escrivào da conferencia, mesmo 5#000 

A Diogo de Figueircdo Dorta, Juiz da balan^a, mesmo 1 5^000 

A Joào de Sousa Pereira, juiz da balanga do ouro, mesmo 5^000 

Ao guarda livros, o mesmo Si^OOO 

A Joào de Andrada, ensaiador aposentado, dous mil e quinhcntos reis 2^500 

A Roque Francisco, ensaiador, o mesmo 2^500 

A Antonio da Sylva, ensaiador, mesmo 2^500 

A Roque Francisco, corno abridor de cunhos, mesmo t 2^00 

A Antonio MIz de Almeida, flei do ouro e prata, quatro mil reis 4X000 

A Joào Machado, fundidor do ouro, dous mil e quinlientos reis 2^S00 

A elle mais corno fundidor da prata, mesmo 2iJ[500 

A Joào de Barros, porteiro da caza do despacho, o mesmo 2ÌJ500 

G1ÌS500 



81 

Augraenlando a proclucfao da prata e oiro nas mìnas do BraziI, aflluiu, principal- 
meale do ultimo metal, grande quantidade ao reino em moedas, em barras e em pò. 
No intuito de impedir a sua salda para o eslrangeiro, delerminou-se pelo decreto de 9 
de setembro de 1710, que lodo o oiro vindo d'aquellc estado entrasse na casa da 
moeda, onde, querendo o dono vendel-o, se pagarla logo pelo seu juslo valor, fazen- 
do-se n*este caso, estando em barra ou em pò, os ensaios à custa da fazenda; prolii- 
biu-se aos contrastes e ourives o ensaiar ou passar certiOcados de avalia(;des, a nào 
ser em pepas do seu officio; e recommendou-se ós justipas do reino que obslassem pc- 
los melos ao seu alcance a exporta^ào dos dois metaes preciosos^. provedor pon- 
derou as difliculdades no cumprimento d'està complicada ordem, pela falta de pessoal 
para fazer tantos milhares de conhecimentos e registos, lembrando varias modifica- 
pCes: conselho, acceitando-as, ordenou n'este sentido, a 3 de outubro, que se conti- 
nuasse a relacionar a prata e oiro vindos em cada navio, em vez de fazer um termo 
para cada individuo ; nomear-se-iam os moedeiros precisos para brevidade do expe- 
diente e seguranpa dos depositos, permittindo aos donos levar o oiro a fundir onde Ihes 
conviesse, visto nao ser possivel na casa da moeda dar aviamento a tantas porpoes, 
devendo n'este caso escripturar-se o nome da pessoa e o peso do oiro; os ensaios, 
quando requeridos, seriam sempre pagos pclos donos, e depois de ensaiado o metal, 
Gcarìa prohibida a sua salda, comprando-se todo para o fabrico da moeda '. 

Em 15 de junho de 1712 foi concedido a officina monetaria da cidade do Porto o 
lavramento do dinheiro em oiro, escolhendo para esse efTeilo pessoal habililado^. 

Apparecendo no mercado algumas moedas cerceadas, publicou-se a 16 de tmxQO 
de 1713 urna nova lei que prohibia o seu curso, e mandava confiscar as que se ea* 
coDtrassem com Taltas no peso ^. 

A ordem de 9 de fevereiro de 1718 manda lavrar cinco porluguezes em oiro; pela 
coincidencia da data parece seriam Teilos com os cunhos, ainda existentes na casa da 
moeda, do exemplar cilado por Lopes Fernandes ^ A 2 de agosto ordenou-se ao prò* 
vedor que fizesse precisar por oificiaes da sua confian^'a a quebra que havia pela cu- 
nhagem em cada marco de oiro ^. Nào encontràmos o resuUado do exame a que se man- 
dou proceder. 

No mesmo anno lavraram-se dozc amoslras de pequenas moedas da oiro para 600 



• 



Transporte GÌ^500 

Ao coDtinuo Francisco da Costa, o mesrno 2 Ji500 

Ao dito, conio apontador da casa do ouro, o mcsmo 2^500 

Ao meyrinho Antonio Uibciro da Silva, o mesmo 2|i500 

Ao cscrivào do di<o mejTiiilio, o mesmo 2^500 

A Francisco Ribeiro, aflnador do ouro, o mesmo 2^500 

A Francisco da Costa, guarda do cunlio do ouro, o mesmo« .^ 2i^500 

Ao gnarda do cunho da prata, o mesmo 2i^500 

Ao-caixeiro do Thesgurciro, o mesmo* 2^500 

8lig500 

(ArcU. da casa da moeda de Lisboa, regìsto goral, liv. ir, foi. 122.) ' 

' Idem, foi. 123 v. Doc. comprovativo n.° 205. 

' idem, foi. 124 v. a 126. 

• Idem, foi. 130 V. Doc. comprovalivo n.* 206. 

' idem, foi. 147. impresso avulso. Doc. comprovativo n.» 207. 

' Memoria dos niedalhas e corukcoragòes portiiguezas, pag. 26, est. i I, n.« 32. Vide o que dissemos 
■0 toro. I, a pag. 67. Doc. comprovativo n.» 208. 

*Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ii, foi. 198 v. Doc. comprovativo n.» 209. 
TOMO n 



82 

réis e 480 (cnizado noro): preforindo-se as segundas, delorminou-se que fossem ou- 
vidas pessoas pralicas sobre o peso e toque que deveriam ter. conselho da fazenda 
consullou a respcito d'estes qucsitos e tambem da convcniencia de se cunharem moe- 
das de 960 réis em oiro (dois cruzados novos). aviso de 28 de outubro de Diogo 
de Mendonpa Curie Heal inandou receber seis arrobas de oiro para fundir em banras 
no valor de seis mil cnizados, e que o restante se lavrasse nas ditas moedinhas no- 
vas. No dia 29 resolveu o conselho que estes cruzados fossem de toque e peso cor- 
respondentes às oulras moedas de oiro, publicando-se o editai para o seu curso for- 
pado a 22 de novembro do refendo anno de 1718 *. Os cruzados cunhados por estas 
disposii'oes sào os n.^^ 18, 19 e 20, nào tendo marca monetaria os da ofTicina de 
Lisboa; e os pertencenles às do Rio de Janeiro e Minas Geraes difTerenpam-se pelo R 
ou M. Ignoràmos se as casas do Porto e Bahia fabricaram estas moedas. 

Do mesmo anno e o ensaio da pepa de quatro moedas em oiro (19f5200 réis) n." 1, 
cujos ferros ainda se conservam na casa da moeda; e corno araostras, flzeram-se dez 
exemplares *, que nào se approvaram. 

Em selembro de 1719 recommendou-se a probibifao da salda do dìnheiro para 
Castella 3. 

Os dobrOes de etneo moedas (24j5000 réis) n.*^ 21, eos^meiosdohrGes[\^^^{SO réis) 
n.° 22, foram mandados lavrar em 22 de marpo de 1720 na nova casa da moeda de 
Minas Geraes, tendo no reverso a marca dos MM canlonando a cruz de Chrislo, fa- 
zcndo-se para amoslra um modelo em eslanho^. 

A academia de historia portugueza inaugurou os seus trabalhos, pedindo a conser- 
vapào dos monumentos que Ihe haviam encarregado de estudar; a petipào dizia res- 
peito a todas as reliquias legadas pelas gerapdes passadas, verdadeiros compendios da 
arte e brasoes da gloria do paiz. governo acudiu-lhe com o decreto de 20 de agosto 
de 1 72 1 ', e se nao conseguiu estorvar o vandalismo, ao menos dotoii a legislapào por- 
tugueza com um documento que Ihe faz honra. 

A mudanpa da casa da moeda para o edificio que actualmente occupa, elTecluou-se 
a 1 6 de setembro d'esse anno ^. 

Os seus primeiros trabalhos foram os escudos de oiro n.® 29, lavrados pela lei de 
4 de abrii de 1722, entrando 64 pepas em marco, com o peso cada uma de 72 graos e 
valor de If5i600 réis, sendo 100 de feitio e senhoriagem. N*esta proporpào de 

< Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. ii, fot 201 v. Doe. comprovativo n.* 210. 
A 17 de novembro tinham sido abonadas 23 propinas pelo novo cunho dos cruzados em oiro, sendo 
quatro verbas de 20^000 réis e dezenove de 1 0^^000 a altos funccionarìos do cstado, fazendo um total 
de 260j^000 réis. Aos officiaes da casa da moeda Toi distribuido pelo mesmo motivo, a 1 1 de dezembro, 
a qaantia de 118JÌ0OO réis em differentes verbas, e igual somma receberam pelo auto de fé que tevc 
logar em 16 de junbo de 1720. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. ii, fol. 201 a 203, 
221 V. e 249.) 

• Sua Magestade, que Deus Guarde, lie servido que as dez moedas de ouro de quatro cada bila, 
que ultimamente se lavraram, se entregucm ao Marquez de Abrantes. Deus guarde a V. Ex.* PaQo tres de 
Janeiro de mil setecentos e dczanove. Diogo de Mendonga Corte Real. (Arcb. da casata moeda de Lis- 
boa, registo geral, liv. n, foL 205 v. e 218.) 

• Blanuscrìplo da collcc. cbr. de Icg. port. coUigida por F. J. Pereira e Sousa. Doc. comprovativo n.« 2 II . 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ii, fol. 244 v. Doc. comprovativo n.* 212. 

• Impresso avulso. Doc. comprovativo n.<» 213. Em 1875 nomeou o governo uma commissào para 
propòr projeclo da re/orma do emino dos bellas arles, da conservacào dos nionumenlos e da creagào 
de museus archwlogicos e induslriaes. que a commissào produziu està impresso, e parece que a isto 
flcarào limitados, por cmciuanlo, os seus bons descjos. 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. n, fol. 247 e 253 v. Vide tom. i, pag. 05. 



83 

102^400 réis o marco de oiro amootlado se fabricaram junlamente os meios escuduSj 
800 réis, n.^ 30; 'àS(hbras da iloLs cscudm, 3^51200, n.^ 28; 'àsdohras do quatro escu- 
da% 6j5400, n.® 29; e riecrelaram-se as dobras de oUo escìuloSy 12^800 róis *. 

Eslas moedas téern todas no anverso o retrato de D. Joào V, desenho de Vieira 
Lusitano, na orla o nome e tilulos, e no reverso as armas do reino coro a legenda IN 
HOC SIGNO VINCES. Os punpoes forara abertos por Antonio Mengin. 

Em 6 de fevereiro de 1723 mandou-se continuar olavramentodasctoèra^ e escudos 
com os ferros coro que se liaviam feito no anno anlerior; que Mengin abrisse logo novos 
cunhos com o anno de 1 723 ; e que se adiasse a fabricapào das dobras de oUo escudos *. 

A 22 de raarfo recebeu o provedor urna amostra do escudo em oiro e a ordem de 
mandar fazer por elle uns poucos de railheiros ^. A 6 de abril resolveu-sc, era vista de 
novos ensaios das dobras de oito escudos e de quatro escudos^ que se comepasse logo 
lavramcnto do oiro pelos escudos, seguindo-se-lhe as dobras de dois escudos, cruza- 
dos, ineìos escudos^e dobras de quatro escudos, conforme os modelos juntos; ficando 
para ultimo logar as dobras de oUo escudos, mas por outro cunho, pois SuaMagestade 
tinha rcprovado o da amostra *. 

Os primilivos cunhos das dobras e escudos soffreram logo alterapào no seu dese- 
nho, sendo eliminado o L, marca monetaria de Lisboa, que tinham por baixo do busto, 
e a legenda IN HOC SIGNO VINCES, que se julgou impropria para as armas 
(lo reino: osta ou outra emenda foi cncarregada em 26 de abril a Joào Frederico Lu- 
dovice, com a ordem de se suspender immediatamente a cunhagem do oiro ^ A 2 de 
maio revogou-se està ultima disposipào, para se fabricarem os escudos e dobras, ser- 
vindo OS cunhos reprovados, cmquanlo se nào acabavam os novos ; e para maior ex- 
pediente lembrava-se que houvesse trabalho aos domingos^. 



* Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto goral, liv. in, fol. 212. Impresso avulso. Doc. compro- 
vali vo n.« 214. 

' Sua Magestadc que Deus Guarde, he seruido que V. Ex.* ordcnc ao Provedor da caza da moeda 
que lego mandc continuar a fabrica della nas especies que Sua Magestade mandou laurar o anno pas- 
sado, c^nrorme a nona Icy que se publicou, exceplo porcm os escudos ou dobras de doze mil e outo 
contos reis, porque destes nào qucr que se laure por bora algum, pois que està sua resolugào be so 
para remediar a falta que ha de satisfagào às partes; e no mesmo tempo Antonio Mengin fabricarà logo 
OS cunhos conforme o debuxo que se Ihe darà para a fabrica dos Escudos, que se hauerào de laurar, 
com a hera do anno prezenle, porque as asima digo levarào a do anno passado. D." guarde a V. Ex.* 
Paco 6 de Fevereiro de 1723. Sur. Marquez de Fronteira. Diego de Mendon^a Corte Real. (Arch. da casa 
(la moeda de Lisboa, regislo geral, liv. ni, fol. 7 v.) 

' Ào ficl Antonio Marlins de Almeida entreguei huma amosb-a dos escudos, pella qual quer Sua 
Magestade, que Deos Guarde, se fac^m até quinta feira huns poucos de milheiros de moeda pelle ditto 
canho; queira Deos que se possa conseguir, e guarde a V. m.<^ muitos annos. De caza 22 de margo de 
1723. Sr. Joze Hamos da Silua. Marquez de Fronteyra. (Arch. da casa da moeda, registo geral, liv. in, 
fol. 9 V.) 

* Prouedor da Gaza da moeda me entregou ante hontem tres dobras de outo escudos de euro 
cada huma, e seis de quatro escudos, que todas remetto a V. Ex.*; e fazendo-as prezentes a Sua Mages- 
lade, foy seruido rezolver que logo se laurcm em primeiro lugar Escudos de ouro, depois dobras de 
tres mil e duzentos, cnizados de quatro centos e outenta, meios escudos de outo centos reis, dobras 
de seis mil e quatro centos, na conformidade das (|ue agora remcto a V. Ex.*; e que para o ultimo lu- 
gar fiqucm as dobras de outo Escudos, que nào hào de ser corno as que mando, porque Sua Magestade 
a< reproua, mas diferente cunho, cujo dcbucho se tem mandado fazer : o que parUcipo a V. Ex.* para 
<|ue com a breuidade possivel se execute o refcrido. D.» guarde a V. Ex.* Pago a 6 de Abril de 1723. 
Snr. Marquez de FrontejTa.— Diego de Mendon^a Corte Real. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, re- 
gisto geral, liv. in, fol. 10.) 

* Idem, fol. 10 v. Doc. comprovativo n.» 2 IO. 
■ Idem, fol. 5. Doc. comprovativo n.' 217. 



84 

Em 9 de novembro encommcndaram-se mais cinco moedas de oiro, de quairo 
moedasy ou 19^200 réis cada urna *, corno as que se fiaviara feilo no anno de 1718. 
Deviam ser pelo valor marcado e pelo cunho o n.® 1 , ou o exeraplar que citàraos an terior- 
menlc (a pag. 81) com o raesrao anno gravado, e que poderia ter de valor intrinseco 
as quatro moedas de oiro. 

A modiflcaf ào nos cunhos dos escudos e dohras achava-se concluida cm 26 de fe- 
vcrciro de 1724, mandando-se por essa occasiào lavrar o oiro que estava na casa da 
moeda, e que sendo possi vel se flzesse raaior numero de escudos e dobras de dois es- 
cìulos^. Os typos que entào se adoplarara e se conlinuaram com pequenas alleracScs, 
principalmente nas armas do reino, vào represenlados nos n.*** 31 a 34. 

As novas amoslras das moedas de oito escudos, n.°* 25 e 26, foram approvadas a 1 3 
de marfo de 1725, ordenando-se logo a sua cunhagera ^. 

Muìtas vpzes, paranào parar o lavor da moeda, delerminou-se que continuassem a 
servir os cunhos com o anno anterior marcado; assìm o dizem os doìs avisos do secre- 
tano de eslado Diego de Mcndonpa Córte Real de 18 de Janeiro de 1726 e 23 de dezem- 
bro de 1727, que se acham registados no archivo da casa da moeda ^. 

Os n.®* 35 e 36, chamados cruzadinlios^ foram mandados cunhar em 7 de feve- 
reirode 1730 nas ofBcinas monetarias do Rio de Janeiro e Minas Geraes, diflercn^an- 

■ 

(lo- se, conforme a casa em que se fabricavam, com a lelra M ou R; e por essa occa- 
siào se Dzeram escudos e melos escudos, n.° 34. Os ferros para eslas moedas abrirara- 
se na casa de Lisboa '. 

n.^ 23 pesa 24 oilavas menos 12 gràos, e o n.^ 24, 16 oitavas menos 6 gràos. 
Sào ensaios de dobras de 24 e 16 escudos, a que Lopes Fernandes impropriamente 
chamou medalkas, sem Ihe enconlrar a parte commemorativa, caracteristico de taes 
pepas: bastaria a identidade de desenho e a proporpào no peso com as dobras de 8, 
4 e 2 escudos, para as considerar mais dois multiplos. Os 12 gràos que faltam na pri- 
meira e os 6 na segunda, devem ser os febres, 

systema monetario adoptado por D. Joào V para a moeda de oiro em 1722 foi 
copiado do hespanliol, que tinha tambem por unidade o cscudo desde o reinado de 

* Ardi, da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. iii, foi. 2G . 

* Sua Hagestadc he scruido que V. Ex.* ordeoe se laure o ouro que se aclia na caza da moeda 
pellos uttimos cunhos que vierào à prezensa do dito Senhor, e que se fasa o dinheiro na forma que se 
costuma pcUo que respeita à quantidade de bua e outra moeda; porem, se poder ser, se fasào mais dos 
escudos e dobras de trinta e dois, nào prejudicando a hordem costumada. Deos g:uarde a V. Ex.* Paco 
a 26 de fevereiro de 17*24. Dìogo de Blendonga Corte Real. Snr. Marqucz de Fronteira. (Arch. da casa da 
moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. in, fot. 30.) 

' Remetto a Y. S.* duas moedas de doze mil e outosentos cada huma, que se fabricarào com o cu- 
nììo nouo, pera que V. Ex.* as ponha na real prezensa de Sua Magestade, e saiba do dito senlior se 
quer se continue oste traballio com o mesmo cunho. Deos Guarde a V. S.* muitos annos: de caza 12 de 
Margo de 1725. Sr. Diogo de Mendonga Corte Real. Marqnez de Fronteira.— Puz nas reaes màos de Sua 
Magestade as duas moedas de doze mil e outocentos, que torno a restituir a Y. Ex.*; he o mesmo Se- 
nbor seruido que se continue na fabrica dcllas. Deos guarde a V. Ex.* muitos annos. Pago 13 de Margo 
de 1725. Diogo de Mendonga Corte Real. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. in, foi. 59.) 

• Liv. m, foi. 81 e 11)2. 

• El-Rey meu senlior he seruido que assim pera a casa da moeda do Rie corno das Minas se re- 
metào nesta ocaziào consideravel numero de cunhos para cruzadinbos, escudos e melos escudos, e 
que nestes se pouhào as marcas de R ou de M, pera que nos emsarramentos se desUngào adonde fo- 
rào cuiihadas as moedas que se laurarcm destas especies ; vossemercé o tenha assim intendido e o 
faga executar, comò Ihe for possivel em tao pouco tempo. Deos Guarde a vossemercé. Pago sete de Fe- 
vereiro de 1730. Snr. Francisco de Seixas. Marquez de Abrantes. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, 
regislo goral, Tv. 3 • foi. U5.) 



65 

Fernando e Izabel. Carlos I mandou-os fabricar de 22 quilates, entrando 08 pef as em 
marco, pesando cada urna 68 Ves gràos, e em prepo de 350 maraveJis. Filippe II, 
alem dos escudos, fez os dobroes de 2 e 4 escudos^ coro os mesmos quilales e pesos 
correspondentes. Seu filho, Filippe III, continuou as dilasespecies demoeda, lavrando 
mais a onca ou oUo escudos, sem llie alterar o loque nera o peso, e elevou cada^scudo 
a 440 maravedis. Filippe IV, alem d'estas variedades, mandou fabricar em Segovia, 
no amio de IGGl, algumas pepas de 100 escudos, ou 12 V^ onpas^ 

Em prata mostraram a sua grandeza Filippe 111 e IV e Carlos II com as pepas de 
50 reales ou 5 dv/ros. Estas moedas e as de oiro de 1 00 escudos lornavam-se pelo ta- 
manho diSiceis no commercio, e serviram de preferencia para presentes a embaixa- 
dores na sua receppao, nos baptismos das pessoas reaes, etc. 

Em Portugal n'estas circumstancias costumava-se brindar com bàrras de oiro. Ao 
embaixador de Veneza, em 6 de agosto de 1718, deu-se uma barra com as armas do 
reino irapressas, e do peso de 750^^000 réis*; outros muitos exemplos encontràmos em 
varios documento?. Talvez os cunhos dos n.°* 23 e 24 fossem deslinados a dar às mas- 
sas de oiro um typo de moeda com valor determinado. A iniciativa partiu do monar- 
cha, incumbindo particularmente d'està missào o del da casa da moeda, Antonio Mar- 
tios de Almeida, comò se observa da seguirne correspondencia : 

«Sua Mage^tade manda Antonio Martins de Almeida à casa da moeda a huma de- 
ligencia do seu real servilo, e ordena que V. Ex.* mande aos oiBciaes da mesma casa 
Ihe deichem fazer e Ihe dem o que for necessario para o mesmo effeito. Deus guardo 
aV. Ex.* Papo a 14 de marpo de 1731 — Sr. Marquez de Angeja. — Diogo de Mendon- 
ca Córte Real.» 

Cona rapidez se deu cumprimento à ordem, pois Antonio Martins, por alguns es- 
torvos que encontrou, escrevia na mesma data : «Senhor Provedor, fui advertido que 
mandasse fazer logo humas amostras de moeda para Sua Magestade ver, e que em 
quanto nào vinha o aviso, puzesse por obra està deligencia; e vindo exerutar o que se 
me ordenou, entre o mais que he preciso, sào os ferros para se cuuharem, e ter-me 
dito Antonio Mangen que nào tem duvida em fazellos, mandando-lhe v. m. ordem para 
isso: sirvasse v. m. por servisso de Sua Magestade mandar-lhe a ordem, para que exe- 
cute que eu Ihe disser se fapa para as referidas amostras. Deos guardo a v. m. Casa 
da moeda 14 de marpo de 1731 . Sr. Joseph Ramos da Silva. Multo criado e servidor 
de v. m. Antonio Martins de Almeida. ^y 

provedor, vendo que a fórma da ordem sala das praxes e attentava centra a 
lei expressa no regimento, oITiciou no dia seguinle ao vedor da fazenda n'estes ter- 
mos: ccEx."® Senhor: Meu Senhor me ordena execute o aviso do secretarlo de estado 
em que se contém o mandar Sua Magestade, que Deus guardo, que Antonio Martins de 
Almeida va a casa da moeda fazer nella huma deligencia, para a qual se Ihe de o que 
for necessario, e se Ihe deixe fazer o dito Antonio Martins de Almeida, que he Gel da 
mesma casa; e logo, antes de me ser en tregue o dito aviso, mo enviou dizendo Ihe 
mandasse fazer os ferros para se tirarem duas amostras do dinheiro, o que logo Gz 
pella vitolla de dobroes de vinte e quatro mil réis, e de trinta e seis mil réis, por 



* Rao foi ama innovaci; em CasteUa, desdc Fedro I, alguns soberanos, comò Joào H e Hcnrique 
IV, ordenaram o lavramento de grandes moedas de òiro. Vid. A. Heiss., Descridon general de las mo- 
nedas hispan<hcrislianas, tom. i. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto gcral, liv. n, fol. 199 e 215. 



86 

assim (lizer de palavni ao abrkior Anlonio Mengem ; mas, porém, esles ferros nào 
se podem entregar, nem se póde abrir a fabrica para se eunhar este dinheiro, sem qua 
expressamente se me ordene, porquanlo me nào he permiltìdo obrar cootra a Tórma 
do regiraenlo, que he conlraria a esle expedienle, e por esla razào o fapo presente a 
vossa excellencia para que se me ordene que sem embargo do que o regimento dis- 
poe haja cu de proceder pollo referido aviso. Deos guardo a V. Ex.' Lisboa e casa da 
moeda, 15 de marpo de 1731.— Ex."° Sr. Marquez de Angejameu senhor.— Criado 
de V. Ex.*, José Ramos da Silvan. 

Para tirar os escrupulos ao preveder baixou oulro aviso do secretano d'estado, 
dizendo: «Recebi o aviso de V. Ex.*, com a replica do preveder da casa da moeda, e 
he Sua Magestade servido que V. Ex.* Ihe ordene que, sem embargo do regimento, 
deìxe executar a Antonio Martins de Almeida tudo o que o mesmo senhor Ihe tem or- 
denado, assim a respeilo de abrir os cunhos, e do mais que elle pedir. Deus guarde a 
V. Ex.* Pape, 15 de marpo de 1731. — Snr. Marquez de Angeja. — Diogo de Mendoncu 
Cor le Reah. 

Na mesma data o veder da fazenda, marquez de Angeja, o mandou lego cumprir^ 

Nos esouilos e dobras de D. Joào V, alem das marcas monetarias, nota-se variedade 
no feilio e ornamentapào das armas do reino, tendo os abridores ordem de assim as 
allerarem todos os annos em que se faziam cunhos novos^. No periofio desde 1722, 
anno em que se comeparam a eunhar eslas moedas, até 1 732, em que se mandou aca- 
bar com similhante pratica, houve immensas mudanpas de desenho nos omatos 
das quatro especies nas diversas oiDcinas monetarias; e é diffidi reunir teda a sua col- 
lecpào. A casa da moeda que tem juntado grande numero de exemplares ainda està 
longe de a completar. 

Continuando o cerceamento na moeda de oiro, decretou-se, a 29 de novembre de 
1 732, que cessasse a cunhagem das dobras de oilo escudos, ou 12^800 réis, ou de ou- 
tras quaesquer de valor superior a 6??400, e bem assim das de 4fj800 ; que os cunhos do 
dinheiro era oiro tivessem typo certo e invariavel para cada especie, distinguindo-se as 
moedas de cada officina pela letra inicial da terra onde Tunccionassem; que as dobras 
de 8, 4 e 2 escudos se dessem ao manifesto nas casas de moeda ou nas cabepas de co- 
marcas, pagando-se de prompto as cerceadas pelo seu valor intrinseco, e as de peso 
legai seriam trocadas por outras sarrilhadas, a fim de soffrerem a mesma operapao'. 
Para se execu larem estas providencias mandou-se que se flzessem engenhos apropriados 
para as casas de moeda do reino e Brazil, e para as cidades de Coimbra, Guarda, Evora e 
Tavira; declarando-se por edilaes, a 13 de Janeiro de 1733, que as moedas cerceadas 
entregues nàó teriam o desconlo de feilio e senhoriagem (o que correspondìa a 1 00 réis 
por escudo); e às pessoas a quem jà se houvesse levado, se Ihes restituisse. De 30 de 
Janeiro 6 datada a nomeapào dos officiaes incumbidos de sarrilhar as moedas, e dos 
moedeiros que os deviam acompanhar com o dinheiro preciso para comprarem as 
moedas fallas de peso, indo os ditos moedeiros escoUados por piquetes de tropa, e 
vencendo de ordenado, durante aquella diligencia, 1^600 réis diarios*. 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. iii, fol. 163 v. e 164. 
' Idem, fol. 175. Doc. comprovati vo n.* 218. 

■ Idem, Tol. 212, onde vem com a data de 26 do novcmbro de 1732. Impresso avulso. Doc: com- 
pro valivo II.» 219. 

♦ Idem, fol. 219 a 225, 



87 

Em 7 de fevereiro deu-se ordera ao provedor da casa da raoeda para continuar o ia- 
vramento do dinheiro com o cunho do anno que havia findado, nào se fabricando moeda 
superìor a 6^400 réis, conforme a lei de 29 de novembro do anno anterior*; e em 28 
de abrii foi prorogado por mais um mez o praso estabelecido para a sarriliia e troco 
da moeda. Com relapao às ilhas dos A^ores e Madeira julgou-se conveniente sobreslar 
na execupao d'està lei^ emquanto se nào tivesse cumprido no Brazil'. 

Os punQoes de retratos gravados em 1 733 nào agradaram, mandando-se tirar prò- 
vas dos que se haviam feito anteriormente, para se confrontarem^. 

D. José de Aldama Ayala no seu Compendio geogrdfico-estadistico de Portugal y sus 
posesiones uUramannas^ diz (a pag. 485), sem declarar d'onde copiou a nolicia: 
«Cuando la creacion del patriarcado de Lisboa hizo acunar el rcy D. Juan V, 200 pie- 
zas de oro (moedas) del valor cada una de 96^000 réis, de las que remilió al Papa 
100, distribuyendo las restantes entre sus cortesanos. Estasmonedaspor conseguiente 
no estan en circulacion, pero se conservan comò una rareza por las pocas que las pò- 
seen». 

Huitas vezes temos ouvido citar estas moedas, mas até hoje ainda nào podémos 
ver alguma, nem acbàmos escripto o mais pequeno indicio de se haverem cunbado, 
mesmo comò ensaio. Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Luiz, visitando a casa da moeda. 
Da direc^ào de Belamio de Almeida, mandou ali tirar com os cunhos do n.° 23, mas com 
diversa sarrUha, dois exemplares de peso correspondenle a vinte moedas d'aquella 
epocba (60 oitavas), o que poderà no futuro servir para autbenticar a tradipào. 

Urna d' estas pepas trocou-se com outros duplicados por um punbai, de cabo e 
bainha lindamente cinzelados, attribuido a Benvenuto Cellini, e que El-Rei ficou 
possuindo. 

Inclinàmo-nos a crer que as taes moedas nào passam de uma confusào com algumas 
medalbas de oiro com igual peso^ que hoje desconhecemos ; e em apoio d'està opiniào 
temos aviso de 30 de agosto de 1735 mandando abrir a Mengin um cunho de meda- 
Iha conforme o desenho que se )he havia entregue^. 

A 28 de fevereiro de 1 73 6 ordenou-se que o oiro em pò, folhela, barra, ou lavrado 
era pepas grosseiras, ou de tosco feitio, diamantes e outras pedras preciosas, so vics- 
sem do Brazil dentro dos cofres das naus do comboio, que ao descmbarcar no porlo 
de Lisboa seriam entregues na casa da moeda, onde Sua Magestade poderia mandar 

* Provedor da casa da moeda tenha entendido que Sua Magestade por auizo do seu secretarlo 
de estado, de seis fevereiro do anno presente, foi seruido ordenar que se va laurando moeda com os 
cirnhos do anno passado, com deciaracào que se oseniarà a ley de uiutc e noue de Nouembro do dito 
anno passado, em que manda se nào laure moeda que elseda o valior de seis mil e quatro sentos reis, 
r^ulando-se pella dita ley nesta materia. Lisboa occidental 7 de feuereiro de 1733. Com sete rubrìcas 
dos minìstros do conselbo da fazenda. Gumpra-se. . . (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gerai, 
liy. ra, foi. 222 v.) 

* idem, foi. 227 e 235. 

* Mande v. m.«* lego que dos cunhos antigos se cunbem todas as efflgies, para que subindo k Real 
presene de sua Magestade se examinc se alguma dellas he melbor que as que agora se flzerào. Deus 
goarde a vossa merssé, de casa 13 de outubro de 1733. Sr. Joseph Ramos da Silva. Marquez de Ale- 
grete. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ni, foi. 237.) 

' Madrid 1855, 8.* de 639 pag. 

* Sua Magestade tem ordenado que o abridor dos cunhos da casa da moeda Magen abra o cunho 
de hùa mcdalha de que jà se Ihe entregou o risco della, e he o mesmo Senhor seruido que o Conse- 
^ho ordene ao Provedor da casa da moeda quo fa^a lego abrir o dito cunho pelo refendo Magen. Deos 
Guarde a V. M. Pa(?o 30 de agosto de 1735. Sr. Pcdro de Uoxitó de Azevedo. Diego de Meudouga Còrtc- 
ReaL (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ni, foi. 305.) 



88 

tomar o que conviesse para o fabrico de dinheiro, pagando-o pelo seu valor, restrio- 
gindo-se assira a lei de 24 de dezembro de 1734*. 

Uma nova lei se publicou em 29 de julbo de 1 745, para lodo o dinbeiro cerceado 
ou falso ser entregue na casa da moeda, no praso de dois mezes, onde se pagana pelo 
seu valor intrìnseco; e findo o dito praso, seria confiscado o que se encontrasse^. 

Em 1707 e 1708 fez lavrar este monarcha, pela ultima lei monetaria de seu pae, 
as moedas de prata n.°^ 37 e 40 na casa de Lisboa, e 46 na do Porto. É provavel que 
algumas das frac{;òes, n.^* 44, 45 e 47 a 53, sejam da mesmaepocha; mas continuando 
typo sem anno marcado, e apenas com uma pequena diminuìfào no peso, nào as 
podemos hoje distinguir. 

Em 1717 fabricaram-se os n.®* 38, cruzado novo; 41, doze virUens; 43, seis 
vintens; e 49, meio tosldo: as tres primciras s6 as conhecemos pelos desenhos 
gravados na est. v da IRsloria geìiealogica. Parece-nos ter sido este cunho espe- 
cialmente aberto para as moedas que deviam depositar-se no alicerce da capella 
mór da igreja do convento de Mafra. Frei Joào de S. José do Prado' entro as cinco 
variedades ero prata, que diz ahi se baverem deitado, cita os tres vintens em vez do 
meio tostcìo n.® 49, copiado do exemplar da collecf ào de el-rei, igual a um que possue 
sr. Eduardo Carme. 

A abundancia do oiro fazia considerar secundariamente a moeda de prata. A probi- 
bipào do seu cerceamento e falsiflcapào publicava-se incluida nas leis que diziam res- 
peito as moedas de oiro. 

Em 21 de junho de 1718 mandaram-se lavrar 125 marcos de prata em miudos 
para Irocos *, e a 8 de maio de 1 73 1 fabricou-se em tostdes, melos tostùes e tres mntens 
uma porpào de prata do cardeal da Cunba ^. 

thesoureiro da casa da moeda, Francisco da Costa Solano, representou em 7 de 
Janeiro de 1734, que, havendo subido o pretto do marco de prata a 6^800, e nào pò- 
dendo amoedar-se este metal por mais de 6f$000 réis, conforme a lei de 4 de agosto de 
1 688, havia uma perda de 800 réls, dando iste legar a exportajào do dinheiro, e a que 
OS ourives o fundissem, por ser o seu prepo inferior ao valor intrinseco; eempresenpa 
de taes cìrcumstancias propunha se alterassero os padroes da moeda de prata. Ouvidos 
OS empregados da mesma casa, concordaram unanimes com o relatorìo apresentado 
pelo del Antonio Martins de Almeida, para o marco de prata em moeda subir nao so a 
6f5l800, valor que linha em pasta, mas a 7^200 réis. Beando os 400 para feitio e se- 
nhoriagero, imped indo-se d'estc modo que a moeda saisse do reino, ou fosse destruida 
pelos ourives. conseiho da fazenda preferiu a media, mandando, a 10 de fevereiro, 
lavrar o marco de prata a rasào de 7^000 réis *. 



< Ardi, da casa da moeda de Lisboa, rcgisto g-eral, liv. lu, Tol. 362. 

* Impresso avulso. Doc. comprovativo n.» 221. 

' Monumento sacro da fabrica, e solemmssiìna sagrai da Santa Basilica de Mafra, etc., pag. 8. 

* Escrivào Fedro Martins de CaraaUio, que serve de Pronedor da Gaza da Moeda, mande iaurar 
em miudos os sincoenta e sinco marcos de prata em dinheiro velfao, e Juntamente os sessenta e outo 
marcos laurada, sizaihas e barretas. Lx.> occidental 2i de Junho de 1718. Com outo rubrìcas do con- 
seiho da fazenda. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. n, fol. 198 v.) 

* Sua Magcstade he seruido que V. Ex.* ordene que na caza da moeda se reduza a prata que o 
Cardeal da Gunha mandar a eUa, em moeda de tostào, tres vintens e meyo tostào, e depois de redo- 
zida se Ihe entrcgue. D,« g.^« a V. Ex.* Paco 8 de Mayo de 173 L Snr. Marquez de Alegretc. — Diogo de 
Mcndonca Corte Real. (Idem, liv. ni, fol. t7G v.) 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. in, fol. 245 v a 249 v.) 



89 

A 10 de selembro de 1735 pcdìram-se à.casa da moeda mais 10:000^5(000 réis 
em miudosde prata'. 

Tornando-se cada vez mais scnsivel a falla da moeda miuda para trocos, mandou- 
se, em 3 de maio de 1745, cunhar 1:600^000 réis nas moedas de meio ioslào em pra- 
ta*. A 10 de marpo de 1746 ordenou-se ao provedor da casa da moeda quefizesse re- 
duzlr a dinheiro raiudo mais trinla e tantos raarcos de prata pertencentes ao cardeal 
da Cunha ^. 

Em 7 de agosto de 1747 determinou o conselho da fazenda se continuasse o lavra- 
menlo dos miudos de prata, incluindo tambem as moedas de 240 réis, n.° 42; e que 
pela grande alterapao havida no valor d'este metal, nào correspondendo 15 marcos a 
valia de um de oiro, se cunhassem na relapào de 1 3 */« marcos de prata de 1 1 dinheiros 
para um de oiro de 96jj000 réis; fabricando-se cada marco de prata amoedada em 
prefo de 7^500, incluindo o feitio e senhoriagem ^. 

Em 1750 cimharam-se os cruzados novos n.® 39, na mesma proporpao. 

Era data de 14 de dezembro de 1707 encontràmos um decreto para se fabrica- 
rera I2:000i5l000 réis em cobre, com declarapào de ser na mesma fórma que se 
lavrou nas occasides passadas ^. A maneira por que se acha redigido o documento, 
e nào constar a existencla de moeda de cobre de D. Joao V anterior a 1 712, leva-nos 
a suspeitar que a cunhagem, se chegou a fazer-se, foi com os cunhos de D. Fedro II, 
D.^* 59 a 62. 

A lei de 17 de fevcreiro de 1699 continuou durante este reinado a vigorar no la- 
vramento da moeda de cobre : alem da mudanpa de typo, achàmos apenas pequenas va- 
riantes no peso, devidas, talvez, às irregularidades de espessura das chapas, forneci- 
das por arrematapào feita perantc o conselho da fazenda e em condipoes quasi sempre 
idcDticas. metal vinha do estrangeiro em chapas cortadas conforme os padroes das 
moedas para que haviam de servir, sendo branqueadas e postas nas olBcinas, em um 
praso que nào excedia a um anno, por conta do arrematante, que apenas pagava o di- 
rcito do consulado. 

Desejavamos dar nolicia circumstanciada d^estes contratos ; mas nos livros da casa 
da moeda, onde se deviam achar, nào estào todos, constando alguns outros por cita- 
fOes nos que exislem registados e pelas ordens do conselho da fazenda para o prove- 
dor annunciar a arrematapào. Os apontamentos que podemos colher sào os seguintes: 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto gcral, iiv. iii, fol. 305 v. Doc. comprovativo n.« 220. 

* Sua Magcstade he scruido que se mando lo^o Tazcr na caza da moeda a qoantia de quatro mil 
cruzados em moedas de meyo tostào, e ordcna que logo se mando comprar a prata da ley de onze di- 
nheiros, fazcndo-se a dieta compra com o comodo, que for possivel, e mandando V. M. observar na 
factura deste dìnliciro o mesmo que se praticou em outra simiUiante occasiào; executando V. M. logo 
sobredìto com brevìdade, e me darà conta corti a mesma de cstar prompto. Deus Guarde a V. M. Pa^o 
3 de maio de 1745. Fedro da Motta e Silva. — Snr. Prouedor da casa da moeda. (Arch. da casa da 
moeda de Lisboa, registo geral, Iiv. vi, fol. 50.) 

' Sua Magestade he seniido que na caza da moeda se fa^a em dinheiro meudo de prata triota e 
tantos marcos, que tcm o Cardeal da Cunha, e o que delles rezultar se Ihe entregue, fazcndo-se os ditos 
mcudos na forma que forào os antecedentes^ que se fabricarào na dita caza. Deus Guardo a V. M. Pago 
10 de marQO de 1746. Snr. Mathias Ayres Ramos da Silva Doga. Antonio Guedes Pereira. (Arch. da casa 
da moeda de Lisboa, registo geral, iiv. vr, fol. 83 v.). 

* Idem, Uv. vi, fol. 124 v. Doc. comprovativo n.» 222. 

* conselho da fazenda ordenc que na casa da moeda desta cidade se iaurem trinta mil cruzados 
cm moeda de cobre, na mesma forma quo se laurou nas occasi5es passadas. Lix.* 14 de dezembro de 
1707. Com a rubrica de Sua Magcstade. (Arch. da casa da moeda, registo goral, Iiv. n, fol. 134 v.). 



90 

A 15 de marco de 1716 afiìxaram-se editaes para se arrematarem 8:800^^000 réis 
de cobre em chapas cortadas conforme os padroes das moedas de 1 0, 5, 3 e 1 Va réis •. 

Os typos das primeiras moedas de cobre de D. Joao V sào os n.^* 54 a 57, tendo os 
exemplares desenbados os annos de 1712 e 1713; ese nào houve cunhagem antes 
d'està arrematapao, é porque se serviram de cunbos abertos n'estes annos, o qua por 
vezes acontecia. 

Em 21 de maio de 1717 mandou-se apregoar o fornecimento de 12:000^000 réis 
em chapas de cobre para moeda ^. 

Pediram-se por editaes outros 12:000^9(000 réis a 15 de junho de 1718, devendo 
ter legar a arremata^o perante o conselho da fazenda a 25 do mesmo mez ^. 

Joao Alves Cabedais tomou em 13 e 14 de Janeiro de 1721 duas arremalapoes 
para fornecer chapas de cobre cortadas conforme os padroes da moeda; sendo urna de 
12:000$000 réis por 286 réis cada arratel, nas condìpoes de Joao Femandes Mendes: 
e outra tambem de 12:000($000 das ditas chapas, pelo prepo de 290 réis o arratel ^. 

Em 1 2 de dezembro do mesmo anno, Joao da Costa Silva centra tou apresentar réis 
12:000^000 em chapas de cobre para moeda de 10, 5 e 3 réis, que Ihe deviam ser 
pagas a 285 réis o arratel \ 

Em 13 de fevereiro de 1723 suspendeu-se o fabrico da moeda de cobre ^, que o 
aviso de 10 de julho mandou continuar com mudanpa de cunho, recommendando que 
antes da cunhagem fosse uma amoslra à presenpa de Sua Magestade ^. Assim se cura- 
priu, sendo devolvida e approvada no dia 19, com a recommeudapao de se reservar 
um terpo das chapas existentes no deposito, a firn de fabricar moeda especial para as 
ilhas; e consultava sobre a conveniencia de augmentar a eslas o prefo para compen- 
sar as despezas do transporte ^. 

Os n.®* 58 a 60 sào d'este novo cunho, lavrados em virtude das ordens que acabà- 
mos de citar, e mandados correr em 7 de junho de 1 724 ^. 



• Arch. da casa da moeda de Lisboa, regìsto geral, liv. ii, fol. 324 v. 
' Idem, fol. 188 V. 

' Idem, fol. 198. 

• Idem, fol. 325. 

• Idem foL 303 v. Doc. comprovativo n.^* 215. 

• Fiz prezente a S. Magestade que Deus guarde, do avizo de V. Ex.*^ e as moedas de cobra, e me 
ordenou avìsasse a V. Ex.* mandasse suspender na fabrica dellas atlié noua ordcm. Dcos guarde a V. Ex.* 
PaQO 15 de fevereiro de 1723. Snr. Blarquez de Fronteìra. Diego de Mcudoii^ Corte Ucal. (Arch. da ca?a 
da moeda de Lisboa, registo goral, liv. ni, fol. 8.) 

' Fazcndo prezente a Sua Magestade que Deus Guardo, o escripto que V. Ex.* sobre a moeda de 
cobre, foy seruido resoluer que està se fabricasse pelo cunho nono, mas que antes de se cunliar se Ihe 
fassa huma amostra. D.' g.^ a V. Ex." Pago 10 de Julho de 1723. Snr. Marqucz de Fronteira. Diogo de 
Mendonga Corte Real. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. lu, foL 13 v.) 

• Prouedor da caza da moeda na forma da amostra do cobre, que se Ihe remete, fassa cunliar 
duas partes das trez do cobre em chapa que se acha na mesma Caza, reservando a tcrca parte para a 
seu tempo se cunhar e correr nas Uhas; e a respeito desta terga parte intrepOna o seu parecer, de* 
clarando se sera conveniente aumentar-se-lhe o valor extrinseco para compensar as despezas da con- 
dugào deUe às dittas Uhas, e quanto, o que ludo executarà promptamente, por Sua Magestade que Deos 
Guardo assim o ordenar. Lisboa occidental dezanove de julho de 1723. Com cince rubricas dos Minis- 
tros do Conselho da Fazenda. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. ni, fol. 1 3.) 

• Sua Magestade que Deos guardo he servido que V. Ex.» ordcne que corra o cobre, e se fasa com- 
forme o ultimo cunho que se acha feyto, pondo-se o cunho em tosco na forma que na casa da niooda 
se fez bua amostra, e que pode lego correr o que estiucr cunhado e se for cunìiaudo. Deos guardc a 
V. Ex.* Pago, 7 de jmiho de 1724. Diogo de Mendoiira Corte Ueal. Sur. Marqucz de Fronteira. (Arch. da 
casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. in, fol. 30.) 



91 

On.''^ GÌ a 63 nào consliluem um novo lypo, mas téeni evidenlemenle o lalho 
mais grosso que os de 1723 e 1724; n'estes o cunho està mal impresso, defeilo que 
accusam quasi todos os exemplares ; e talvez està circumstancia explique a sua substi- 
luifào, e a interrupfào no lavor do cobre que parece ter havido ale 1 9 de julho de 1 726, 
em que se mandou continuare 

A 1 1 de maio de 1731 arrematou o conseiho da Tazenda a Marcos Burrel 12:000^000 
réis de chapas de cobre para moeda, a prepo cada arratel de 269 réis^. 

Barlbolomeu Vianna obrigou-se em 4 de marpo de 1733 a prover a oRicina mone- 
taria de Lisboa com 1 2:000^000 réis de cobre em chapas, a 285 réis ca^da arratel, sendo 
8:000^000 para moedas de 10 réis, 3:200^000 para as de 5, e 800)9000 réis para 
as de 3 ^. 

Em junho de 1733 deu o conseiho da fazenda de arrematapào a Noè Iloussag réis 
12:000j5i000 de chapas de cobre para moeda, que seriam pagas a 274 réis o arratel, 
devendo serw dois terpos da dita quantia para moedas de 10 réis, 3:200^000 réis 
para as de 5, e o resto para as de 3 ^. 

Em julho de 1735 arrematou o conseiho ultramarino a Bartholomeu Miguel Vienna 
(deve ser o do contrato de 1733) 12:000^5000 réis de chapas de cobre para se cunhar 
moeda destinada a circular em Angola ^. Estas moedas oram iguaes às usadas em Por- 
tugal, pois so no reinado seguinte se abriu cunho especial para aquella colonia. 

A 3 de outubro de 1735, perante o conseiho da fazenda, obrigou-sc Bartholomeu 
Miguel Vianna a fornecer 12:000^5000 réis de chapas de cobre, proprias para moeda, a 
270 réis cada arratel, sendo dois terpos para servirem às moedas de 1 réis, 3:200^000 
para as de 5, e o resto para as de 3 réis ^. 

Em 10 de fevereiro de 1736 arrematou o mesmo conseiho a Manuel de Sousa ViUela 
OQtros 12:000?5iOOO réis de chapa de cobre para moeda pelo prepo de 260 réis o 
arratel; e a 28 do dito mez e anno Antonio Comes Figueiredo, comò procurador d'este 
arrematanle, assignou novo termo, em que se obrigou a apresentar as chapas conforme 
OS padroes, sendo dois terpos para moeda de 10 réis, devendo entrar 34 pepas em 
arratel; 3:600^000 para as de 5, pesando 68 uro arratel, e 400^5000 réis para a moeda 
(le 3, fazendo 113 o mesmo arratel, licando este cobre amoedado no valor nominai 
de 340 réis cada arratel ^ 

Joaquim José Bermen (?) assignou um contrato em 1 1 de dezembro de 1741 para 
fornecer 12:000^000 réis de chapas de cobre a 265 réis o arratel, sendo 10:000^000 
para servirem em moedas de 10 réis e 2:OOOf5iOOO para as de 5 ®. 

mesmo Joaquim José Vermuel (?) em 26 de novembre de 1742 lornou a contra- 



' cobra que se acha em chapa nessa caza da moeda mandarà V. M. cunhar, e corno ha muito 
tempo se recebeu, podcrà cstar inarcado, e sendo assiin mandarà V. H. branquear na forma que se 
pratica em semclhantc cazo. Guardo Deos a V. M. Armazem 19 de jullio de 1726. Snr, Francisco de 
Seixas. Marquez de Fronleira. (Arch. da casa da moeda de IJsboa, resisto goral, liv. in, foi. 84.) 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. ni, fol. 211. 

• Ideip, liv. V, fol. 18 V. 

* Idem, liv. ni, fol. 251. 

* idem, fol. 294 v. 

• Idem, fol. 310. 

' Idem, fol. 318 v. e 319. 
' idem, liv. v, fol. 231 v. 



92 

tar igual quantia de cobre em chapa, pelo prepo de 256 réis o arralel, sondo dois ter- 
mos para moedas de 10 réis e um terpo para as de 5 ^ 

Em 23 de Janeiro de 1743 o dito Vermuel Qcou outra vez arrematante do cobre 
em chapa, obrigando-se a fornecer 12:000^000 réis a 269 réis o arratel, sendo 
igualmente dois terpos para as moedas de 10 réis, e um para as de 5 ^. No mesmo anno 
a 1 1 de marpo tomou outro encargo com o fornecimento de mais 16:000ì$000 réis de 
chapas, que Ihe seriam pagas a 280 réis cada arratel, para se cunharem moedas de IO 
e 5 réis, e 400f$000 réis para as de 3 réis, e d'estas se deviam fazer 120 pepas em 
arratel, conforme os padroes ^. 

Todas as moedas de cobre d'està rcinado cunhadas para correrem em Portugal, sao 
muilo communs. 



' Arch. da casa da mooda de Lisboa, rogìsto gcral, Jiv. vi, fol. 22 v. 
' Idem, fol. 21 V. 



• Idem, fol. 24. 



93 



D. JOS£ I 



(De 31 de julho de 1750 a 24 de fevcreiro de 1777) 

Kasccu succcssor de D. Joào V em Lisboa a 6 de juiilio de 1714; casou coni D. Ma- 
rianna Victoria, ìnfanla de Hespanba ^, celebrando-se os contratos matrìmonìaes a 10 de Ja- 
neiro de 1728, e os desposorios no dia seguinte. Um anno depois os reis de Portugal e Cas- 
tella foram enconlrar-se no Caya, onde se effectuou a troca das duas fuluras rainbas, rcce- 
bendo D. JoSio V a esposa do filbo, e cntregando D. Maria Barbara, quc tanibcm bavia casado 
com principe das Asturias. 

D. José subiu ao tbrono, por morte do seu pae, em 31 de julbo de 1750; passados dois 
dias nomeou para secretarios de estado a Diogo de Mendonga Córte Real e a Sebasti^io José . 
de Carvalho e Mello^. novo rei foi acciamado a 7 de setembro, e a 10 um incendio destruiu 
hospital de Todos os Santos. 

Gm urna quarta feira, 14 de agosto de 1754, pelas quatro horas e tres quartos da tarde 
falleceu, no palacio da quinta de baixo em Belem, a rainha mUe D. Marianna de Austria, 
sendo depositada na noite de 16 no bospicio de S. Joào Nepomuccno, dos padres Carmelitas 
di'scalgos allemàes, fuodado pela niesma scnbora ^. coragào, por disposigSio testamentaria, 
foi mandado para o jazigo dos seus antepassados em Vienna. 

Kg l."" de novembro de 1755, pelas nove boras e tres quartos da manbà comcQou o grande 
t^Tremoto quc rcduziu a capital a um montào de ruinas^. A Hespanba, a Franga e a Ingla- 
terra, principalmente a ultima, enviaram importaiites soccorros aos bubitantcs que escapa- 
ram da terrivci catastropbe. Entre aquclles destrogos fumegantes é que Sebastiào José de 
Carvalho e Mello se mostrou grandioso; e aproveitando-se de circumstancias tao extraordina- 
rìas, comegou a desenvolver os seus principios reformadores e a reedificar a capital. 

A 23 de fevereiro de 1757 a plebe da cidade do Porto amotinou-sc contra a Companhia 
geral de agricultura dos vinhos do Alto Douro, o quc deu logar à odiosa algada dos juizos 
Joào Pacheco Pereira de Vasconcellos e seu fìllio José Mascarenbas, que condemnaram 478 
pcssoas, sendo 26 a morte, das quaos se executaram 17 no dia 14 de outubro. 

Na noite de 3 de setembro de 1758 leve logar a tentativa de assassinato contra el-rei 
D. Jo^é, que se diz ter sido no sitio onde boje està edificada a igreja do Livramento^. Os jul- 



* Nascida a 31 de maio de 1718, filha de Filippe V e de sua segunda mulhcr Izabcl de Farnesio. 
' Nasccu em Sourc a 13 de maio de 1G09; cursou a universidade de Coimbra, servia no excrcito 

<* rcpresentou Portugal nas còrlrs de Vienna e Londres, onde mostrou quanta liavia a espcrar do seu 
energico caracter. D. José, entro oulras rauilas mcrcòs, clevou-o a conde de Oeiras a 15 de junbo de I7ò9, 
e a maniuez de Pombal cm 18 de setembro do 17G9. Luiz José de firito dcdicou-lhe urna medaliia, que 
lem raarcado o anno 1772, e vcm na Memoria das medalhas, ctc., por Lopes Fcrnandes n.* 49. 

' Os seus rcslos mortaos Irasladaram-se ha poucos annos para o jazigo da casa de Craganca cm 
S. Yjccnle de Fora, e o ri co tumulo fui para o museu da Rcal associacdo dos ardtUeclos e ardicologos 
ì^rlnguezes eslabolecido nas ruinas da igreja do Carme. 

* No eslrangeiro cunharam-se varias medalhas commemorando o desastroso acoutccimento. Lopes 
Feniaiules, na Memoria das medalfms e coiidecoracòcs porluguezas, des^creveu e fez desenhar tres 
exoniplares, possuìndo a collcc(;ào ile el-rei o n." 40. 

* Vulgarmente conliecida pela igreja da Memoria, pianta do architecto Joào Carlos Bibiena. Com- 
memorando tambem o cl-roi escapar com vida aos liros de bacamarte disparados contra a sege que o 



94 

gados prÌDcipacs auclores <lo ullenlailo soffrcrara, no àia i'i tlu juDeìmilc I7ÌJ9, vcnbiloìru 
martyrìo n'um patìbulo armado na prafa de Belem", e osmcoos implicados Gcarani iioscar- 
cerea, d'onde os que sobrevivcrdrn lograram sair cm 1777. 

A carcadè lei de 3 de sctembro de 1759, prìnieiro aonìversario dosTerimentosqucroce- 
bcu D. José na emboscada, expulsou de PorlugnI e seus dominios os padros da companliin 
de Jesus, corno perìgosos aos povos e traidoiee ao rei *. 

conduzia, cunharam-se por aviso do 23 de maio de 1760 tres medalhas de varios Ifpos, e àr. cada om 
dojs modclos, sendo os Terros aberlos por Antonio Mengin e scu fillio Taulo Aureliano Mengin. lArcli 
da casa da inceda, liv. ix, fol. 39 v.l Lopea Femandes, na Memoria dta malalluu e condecorofóa pori.. 
descrcTCU as trcs varicdadea, scndo os n." 42 e 43 dos modclos mais poijuenos. 

' Os supplìciados foram, pela ordem cm quc vào inscriptos— D. Lconor de Tavora, sens lilhos. 
José Maria e Luii Hemardo; 1). Jeronyino de Alaude, condc da Atougula; Manuel Alvares Ferrcira, 
guarda roupa do duquc de Aveiro; Braz José Romciro, cabo de csquadra da companliia de José Maria 
de lavora; Francisco de Assis, marquez de Tavora; D. José Mascarcnlias, duque de Aveiro; Antonio 
Alvares Fcrrelra, irmào do guarda roupa do duquc; e José Folycarpo, quc conse^ìu fug-ìr, Toi Jusii- 
pado eoi estalua. A senlenga mandou que os réus Tossem dcsnaturalisados, e exaulorados das snas lion- 
ras e prìvilcgios ; quc os scus licns fossem cnnnscados, e as halil(ac6cs arrazadas, para d'ellas oào llcar 
vestigio atgum, scndo depois os terrenos salgados. Ein Belom, no logar cm que cxlstiu o palacio do du- 
que de Avciro, conserva-se urna columna de marniore tendo cscriplo na base: Aqui foram as easas 
arraz'idas, e salgadas de José Mascarenhas, exauiorado dtu honras (le duque de Aveiro, e oulros, e 
condemnado por senlenca proferida em 12 de Janeiro de I7!)0, Jtulifado comò ut» dos cliefet do Ixir- 
baro e esecrando desacaio, que na norie de 3 de selembro de 1758 je havia commellido conira a rea! 
e sai/rada pessoa de el-rei nossù Senhor, Dom José Primeiro. N'esle terreno infame se nào podere edi- 
ficar em tempo olgum. A ullima delerminagào n&o se lem cumprido, achando-se o terreno quasi lodo 
cobcrio de pcquenas barracas, que cscondem cm parte o pa<trào da crueldade assoluta. 

' Os seus bens foram todos scquestrados, e os edidcios quc possuiam em (,i:<boa livcram o sc- 
guinle destino: a casa de S Roquc para rccolhìmento das donzcllas orplias; o collegio de Santo Anito 
para liosjiìtal com a ìnvoca^ao de S. José; a casa do noviciado de Arroìos para moslciro das Treiras 
da Conccicao; e na do allo da Colovia Toi Jnslitnido o Real Collegio dos !4obres, onde cram admillidos 
100 alumnos quc livesscm pelo mcnos o fòro de mo;o Odalgo. Usavam comò dislinclivo uma medallia 
de prala dourada. pendente ao pescoso, de flta azul e branca, dcscrìpta por l.opcs Fcrnandes na tìe- 
mnria das medalhas. n.' 45. Em 9 de abrìl de 1874, foram vcndidas no Banco de Porlugal, dosbrnsdo 
eilinclo Collegio dos ?!<)lircs, 82 d'eslas medalbas, cnmpradas pclos ourivc.-:, quc cederam algumas una 
amadorcs e fundirara a malor parte. Clemente XIV ottinguiu em lodo o orbe catholico a companliia de 
Jesus pelo breve de 21 de juiho de 1773, aconlecimcnto qnc l'orlugal Boicmnisou com Te Amnt nas 
igrejas, luminarias e oulras feslas. Por està epocha cunliaram-se em Roma varias meda III as ruimìnando 
ns Jesuilas: alem da cslampada na obra de bopes Fcrnandes, possuc acoIIec<;àodcSua Magestadc mai.>: 
dois inlcressanles cxemplarcs em prata, que julgAmns devcr tornar conliecidos. 

CLEMENS XIVoPONT.MAX.A~V. Busto do papa à direita. 

B- SALVS GENERIS HVMANI. A fé scntada sobrc o globo com a cnw e o ramo de olivcira, 
vollada para a direila onde apparcce o f^pirilo Sanlo n'um scmicirculo raiado; no oxcrgo em ire» li- 
nlias JF.SVITARUM SOCiET — DELETA — M DCCLXXiil. So frizo quc separa o e\erKi) 
T. V, BERCKEL. F. 





CLEMENS XIV PO OPTI MAXIMUS. ...^.. ....,„., 

GANGANELLl — N. D. V. OCT. F7o5 — CREATVS - 



95 



As desinlclligeitcias havMas com u SaaLa Sé deram logar A salila do nuncio Acciajuoli, 
prujrclando o condc de Ociras um concilio qiie rcslringissc a auclorìdadc ponlilìcia, a quc 
otistoa a morte de Clemente XIllc a elevando A cadeira de S. Fedro do cardeal GangoDclli, que 
lodo conciliou:. 

A cDorte do imperador Carlos VI da AllcmaDba cDVolveu a Europei n'uma guerra quasi 
geral nas prctcnsOes A partiiha do imperio auslriaco, triumphando por firn Maria Tlicrcza, 
qac conseguiu recuperar os eeus cstados. Maia Iarde a mesma imperalriz tomou a ofTensiva: 
tentando apodcrar-sc da Sìlesia, quo bavìa cedtdo ao rei da Prussia, origìnou a denomiuuda 
'luerra dos «(e aiinas, era que a Franga e a Hcspanha formaram o celebre paclo de famUia, 
e Portugal, por se njìo prestar a hostiiisar a Inglatcrra, teve as suas fronleiras invadidas, cm 
abril de 1762, polas tropas de Carlos III e Luiz XV. Escolliido o eonde de Lippe para L-oni- 
inandanle em chefe do exercilo portupez alliado ao dos inglezes, suslentou o intrepido ma- 
rci'lial general uma guerra defensiva centra forgas muìto superiores; e conseguindo mos- 
Irar-lbe as difBculdades de o supplantarem, foi proposto o armistìcìo quc precedei! a paz as- 
signada em Fontainelilcan a 3 de novembro de 17C2 ». 

A mesa censoria foi instituìda em 17GK; quatro annos depois reformou-seaunivcrsidade 
de Coimbra, elevando-se ò. altura dos primciros estabelccimentos scicDliGcos da Europa ; e ao 
mesnio tempo fundaram-sn em quasi todas as lerras do reino ^escolas menoresgralinlas, e 
crcou-se para o seu custeio o aubsidio lillerario. 

grandioso monumento a cl-rei D. José foi dcscnhado e modctado pelo insigne csculplor 



1769 — DENATVS— D. XXII. SEPT— [774. Sobre arco busto de Clemente XIV entrc dois 
Bijo!, tendo o da esquerda a tiara e a cruz papal, da diretta as cliavcs e a btisilics e por cima a pomba; 
lu twse do arco eentadas quatro llguras, qne nos parece represenlarem Commercio, a Lavoira, as 
Itìits e as Artes. 

f REPELLIT EXAUDIT. No centro um pedestal com a inscripcào em seis linhas PRAICLA- 
RVM -CERT AMEN— ORBI— CHRISTIANO — STREN VE— CERTAT. ilm cima Clemen- 
le XIV de tiara, rcpettìndo da Araerìca, com a cruxpapal, ailypocrisiaeaDiEcordiB; asculado umanjo 
com a croi e a ttaian;^, tendo em r.ada urna das conchas um papel dobrado pendendo para a dirclla 
wilc, em plano inferior, os reis de Franca, llespanba e l'ortugal, coroados e juntos aos respectivos 
<^uil03, cnlrog'am pcdldo para a cxllngao da Companliia de Jesus; superlor ao HcI da balanga està 
» s)Tnboto da ITovidencia e no exei?o L. C. REICH. FÉ. 




Pela reconciliafào gravou-se em floma urna medalha, tendo no aoverso busto do papa, e no re- 
'«so Ctenicnte X)V abragando o genio de Porlugal, e ao tado as armas d'esle reino seguras por um 
ar^ew). (Lopes Fernanrlcs, Memoria dos medaihax, n.» 48.1 

' IJTTOii-sc urna medalha solemnisando csto Iratailo de paz entro a llospanlia, Franca, Porlugal e 
WalCTia. Lopes Kemandcs copiou-a na sua Memoria com n.' 4fi, e a collcccào de el-rci pnssue um 
ìk'IIii wpDiplar em prata. 



96 

Jouquìm Machado de Castro i. brigadciro Harlholomeu da Costa consoguiu fundir de um so 
jacto a cstatua, a 15 de outubro de 1774, cmpregando 2:62G arrobas de bronzo; e fez eoa- 
stniir um engenhoso apparclho para a tirar para o carro de conducyào. A eslatua veiu doar- 
senal do cxercilo com grande acompanbamento, occupando o prìmciro logar os representan- 
tes do povo, e effcctuou-se a ìnauguragào na praga do Commercio a 6 de junbo de 1775 com 
tres dias de feslas csplendidas. So na cela publica despcndcram-se mais de 40:000 jlOOO réìs, 
correndo todas as dcspezas à conta do senado de Lisboa e junta do commercio, que demons- 
traram assim a sua gratidào pelos innumeros beneBcios recebidos. No pedestal para o lado 
sul foi collocado um medalhào com o busto do ministro rcformador^. 

A 4 de fevcreiro de 1777 soffreu el-rci D. José um ataquc apoplectico, circumstancia que 
fez apressar o projectado casamento do scu nelo o principe D. José com a infanta D. Maria 
Francisca Benedicta, e que se efTecluou no dia 21. monarcha, sentindo-se peiorar, deu ao seu 
confessor um papel lacrado, contendo as suas ultimas vontades, para depois da sua morte o 
entregar à filha successora; e perdidas as esperangas da vida, cuidou so nos confortos da re- 
ligiào. Recebidos os sacramentoseabengùo apostolica, expiroun'umasegundafeiraaos vinte 
e tres minutos da madrugada de 24 de fevereiro. cadaver foi deposìtado com todas as pom- 
pas funebres na noitc de 27 no real jazigo de S. Vicente de Fora. 

successòr de D. Joao V era de animo irresoluto, compassivo e pouco instruido: a cega 
conGanga que dcpositou em Sebastiào José de Carvalho e Mello, deve o seu reinado o sor um 
dos mais notaveis da nossa bistoria. 

E sabida por lodos a prepond erancia do ministro sobre o animo do rei, apesar das inlri- 
gas e cnrcdos de um clero intolerante e poderoso, e de uma Gdalguia dissoluta com visos 
abeatados. 

A luta foi vigorosa, mas as represalias foram terriveis. valido n<^o perdoava: a sombra 
do tbrono cortava os abusos da Igreja e da córte, esmagando desapiedadamente os que ousa- 
vam bostilisal-o. Ao mesmo tempo protogia as artes, as sciencins, a industria e o commercio, 
e procurava emancipar o paiz da tutela estrangeira. 

Nilo podia toierar as preeminencias damnosas estribadas nas tradigdes e pergamiahos; 
alem da realeza so acceitava o nivelamento das classes perante a lei. Limitando o poder eccle- 
siastico, decretou que os julgamentos da inquisig(io Gcassem dependentes da confirmagào re- 
gia; probibiu OS exorcismos, as distlncgòes entro christào velho e christào novo, e creou ao 
terceiro estado uma existencia social, politica e economica independentc. povo applaudiu a 
obediencia communi corno justa compensagao à sua condigdo, que comegava a deixar de ser 
servii. 

marquez de Pombal foi um grande estadista, reformador intelligente e energico, mas 
despolico e sanguinario. A algada do Porto, o processo dos Tavoras, a condemnagào do ge- 
novez Pele e outras atrocidadcs, depóem muito contra os seus sentimentos humanitarios. Os 
réus quasi indefezos no julgamento, foram condemnados a suppliclos espectaculosos, onde a 
morte era a parte menos atroz que se impunba ds viclimas. Mas a epocba nào se prestava a 
governar com branduras, e as grandes reformas em todas as nagOes sào quasi sempre 
feilas pela exlrema sevcridade. 



» Fez ìraprimìr a sua descripgào em 1810. 

' No anno 1775 a requisigào do senado lavraram-se na casa da moeda medalhas commemoraUvas 
da inauguragào da estatua equestre, scndo 260 em oiro, 1 :200 cm prata e immensas de cobre, que se 
espalharam com profusào. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgtsto geral, liv. x, foi. 4t.) Bartho- 
lomeu da Costa descobriu por essa epocha uma especie de porcelana, em que se tiraram varios re- 
tratos de pessoas reaes, por uns cunhos gravados por Joào de Fìguelredo, e a perspectiva da machina que 
levantou a estatua, com a legenda descriptiva no reverso. Lopes Femandcs a fez gravar na sua Me- 
moria, n.» 54. 



97 



Pilhes hafidos do matrifflooif 

D. Maria, quc llie succedeu. 

D. MariaoDa: nasceu em Lisboa a 7 de outubro de 1736, e morreu sem geragào no Rio 
de Janeiro a 16 de maio de 1813. seu cadaver veiu para Portugal em 1821, sendo depo- 
sitado na igreja do convento de S. José de Ribamar ; e no dia 3 de Janeiro de 1822 foi trasla- 
dado para o rea! convento do desaggravo do Santissimo Sacramento, a Santa Clara, fundado 
pela mesma senhora. 

D. Maria Prancisca Dorotbea: nasceu em Lisboa a 21 de setembro de 1739, e fallcceu a 
14 de Janeiro de 1771. Jaz era S. Vicente de Fora. 

D. Maria Prancisca Benedicta: nasceu em Lisboa a 25 de julho de 1746; casou a 21 de 
fevereiro de 1777 com seu sobrinho o principe D. José, filho de D. Maria 1; foi a fundadora 
do asylo de invalidos em Runa, que inaugurou no dia 25 de julbo de 1827; e morreu sem 
gera^o a 18 de agosto de 1829. Jaz em S. Vicente de Péra. 



•Irò. 



. Moedas de D. José I 

Pre^o efltimAtivo actaal 

/ Dobra de quatro escudos cu pe^a C. 

>l)obra de dois escudos cu meia pcga G. 

' Escado ou quarto de peca C. 

iMeio escudo C. 

'Quartinho C. 

\Cruzado novo C. 

Cnizado novo C. 

,Doze vintens C. 

[Seis vintens G. 

iTres vintens G. 

[Tostào , C. 

^Meio tostio C. 

Dez réis G. 

C*lire..^Gìnco réis C. 

Tresréis C. a 5ji>000 réis 



1. JOSEPHUS.I^DoG.PORTeET.ALG.REXoCabecadoreiàdireita 
com cabelleira e coròa de loiro; por baixo R, indicagao de ser cunhada na officina 
monetaria do Rio de Janeiro, e o anno 1755. 

Qr Àrmas do reino occupando campo da moeda. Dobra de quatro escudos ou 
pega. Valia 6f5400 réis, N—C. 

2. JOSEPHUS . I . D G . PORT • ET p ALG REX. Cabeca do rei à direita 
com cabelleira e coròa de loiro, por baixo anno 175 1. 

^ Armas do reino. Dobra de dois escudos ou meta pepa. Valia 3($200 réis. N — C. 

3. JOSEPH US 1 D . G PORT . ET ALG REX. Cabeca do rei à direita 
com cabelleira e coròa de loiro, por baixo anno 1776. 

^ Armas do reino. Escudo, Valia l<5ì600 réis, N — C. 

4. JOSEPHUS . I o D p G PORT ET ALG REX. Cabeca do rei à direita 
com cabelleira e coròa de loiro, por baixo anno 175 1. 

TOMO n 7 



98 

^ Armas do reìnò. Meio escudo oii oito tostòes, qiie era o seu valor, N — C. 

5. JOSEPHUS 1 D • G P o ET • ALG • REX. Armas do reino, à esquerda 
entre dois pontos looo, e à direita quatro floroes, tambem entre dois pontos. 

^c ss IN c^ HOC ^^^ SIGNO ^i VINCES ^ à 1768 A Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro floroes. Quartinho. Valia lf5200 réis, S — C. 

6. No campo encimado pela coròa real e por cima de duas palmas lOSE I; 
no exergo 400. 

15. IN o HOC SIGNO «VINCES §g 1762 ^^ Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quatro floroes. Cruzado novo. Valia 480 réis, N — C. 

7. JOSEPHUS -loDoG-PORT» ET oALGoREX. Armas do reino, a es- 
querda 400 entre dois floroes, e a direita anno 1 766, tambem no meio de dois 
floroes. 

5r O ^^ IN S^ HOC ^^ SIGNO ^ VINCES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo. VaHa 480 réis, A— C. 

8. lOSEPHUS 1 o D o G o PORT • ET ALG » REX. Armas do reino, a es- 
querda entre dois floroes 200, e à direita anno 1763, tambem no meio de dois 
floroes. 

5r O §€ IN Sg HOC ^^ SIGNO ^5 VINCES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Doze vintens. Valia 240 réis, J^ — C. 

9. JOSEPHUS 1 D G PORT • ET • ALG • REX. Armas do reino, tendo 
de cada lado tres floroes. 

^ O ^ IN ^g HOC ^ SIGNO §1 VINCES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Seis vintens. Valia 120 réis, JR — C. 

10. JOSEPHUS 1« D«G»P»ET« ALGoREX. Armas do reino, tendo de 
cada lado um flor3o entre dois pontos. 

5r O • IN ^S HOC So SIGNO ^ VINCES • Cruz da ordem de Christo cantona- 
da por quatro floroes. Tres vintens. Valia 60 réis. Ai — C. 

11. JOSEPHUS» IoD*Go PORT oEToALGo REX. No campo LXXX, 
por cima a coròa real entre dois floroes, e por baixo um florSo entre dois pontos. 

IV O • IN 5^ HOC ^ SIGNO ^^ VINCES • Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro floroes. Tostào. Valia 100 réis, Ai — C. 

12. JOSEPHUS 1 D • G- P ET ALG* REX. No campo XXXX, por 
cima a coròa real entre dois floroes, em baixo um florSo entre dois pontos. 

Ji^r O » IN ^^ HOC ^ SIGNO ^ VINCES • Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro floroes. Meio tostào. Valia 50 réis, JR — C. 

13. lOSEPHUS'I'DEIoGRATIA. Armas do reino. 

5c O PORTUGALIiEo EToALGARBIORUMoREX. No campo, dentro 
de uma coròa de loiro X, indicativo do valor, tendo de cada lado um florao, e por 
baixo anno 1751. Dez réiss Xé — C. 

14. lOSEPHUSoIoDEIoGRATIAo Armas do reino. 

^ O PORTUGALIiE ET « ALGARBIORUM « REX* No campo dentro 
de uma coròa de loiro V, indicativo do valor, tendo de cada lado um florao, e por 
baixo anno 1751. Cinco réis, JR — C. 



911 

15. lOSEPHUSo Io DEI o GRAFIA. Armas do reiiifi. 

Q. # PORTUGALIiE-EToALGARBIORUMoREX. No campo dentro 
de urna corta de loiro III, indicativo do valor, tendo de cada lado um llorao, e por 
baixo anno ijbi. Tres réis, M — C. 

Moedas para os A^ores 

16. lOSEPHUS 1 o D G O - PORT « ET » ALG « REX. No campo I _^c^ 1 
(Josephus pritnus) ; por cima a coròa real, à esquerda 1 7 e a direita 5o marcando 
anno; em baixo X, indicativo do valor, entre dois floroes que servem de lennina- 
c9o a dois semicirculos de pontos que acompanhara a legenda da orla. 

^ PECUNIA INSULANA. Quinas dentro de duas palmas, tendo por cima a 
coròa real entre dois florSes. Dez réis, JE — C. 

17. lOSEPHUS o Io DoG §f §§ PORT» ET» ALGoREX. No campo I §^ I 
(Josephus primus); por cima a coròa real, é esquerda 17 e à direita 5i marcando 
anno; em baixo V, indicativo do valor, entre dois floroes que servem de termina- 
rao a dois semicirculos de pontos acompanhando a legenda da orla. 

^ PECUNIA INSULANA. Quinas dentro de duas palmas, tendo por cima a 
coròa real entre dois floroes. Ciuco réis, M — C. 

18. lOSEPHUSoI-Do+oGoPoEToALGoREX. No campo l^\ (Jose- 
phus primus) ; por cima a coròa real, a esquerda 1 7 e à direita 5o marcando anno ; 
em baixo III, indicativo do valor, entre dqjs floroes que servem de terminafao a 
dois semicirculos de pontos que acompanham a legenda da orla. 

^ PECUNIA INSULANA. Quinas dentro de duas palmas, tendo por cima a 
coròa real entre dois floroes. Tres rHsj M. (Inèdita) — 5^000 réis. 



Este monarcha continuou a cunhagem da moeda de oiro pelas leis decretadas nos 
dois reinados anterìores, substituindo-lhe apenas nome pelo de D. José I. A dobra de 
quatro escudos cu peca, n.® 1; a de dois escudos ou mela peca, n.° 2; escudo cu 
dezeseis toslòes, n.*^ 3 ; meio escudo ou oUo tostoes, n.® 4 ; quartinho, n.® 5, e cru- 
zado novo, n.® 6, sao inleiramente conformes às leis de 4 de agosto de 1688, 13 de 
oulubro e 22 de novembre de 1718, 4 de abrìl de 1722 e 29 de novembro de 1732 *. 

inarco de oiro assim amoedado tinha prepo de 102^400 réis. 

Nào encontràmos regislada a ordem para se inscrever nome de el-rei D.José nos 
cunhos: a 24 de Janeiro do 1752 providenciou-se com relapào ao quartinho e aocrii- 
zado novo^y mas a estatistica da casa da moeda, que comepa n'este anno^, Iraz comò 



' Doc. comprovativos n.*« 194, 210, 214 e 219. 

• UL"* e Ex."* Sr.— Sua Magesladc lic seniido que Coiisclho ordene ao provedor da caza da 
moeda se fa^ào nouos cunhos com nome de Sua Magcstade para quartinhos de mil e duzentos réis 
e cniKados nouos de ouro, que V. Ex."* farà prezcnte ao Consci ho da fazenda, para que assìm se exe- 
PDte. Deos Guarde a V. Ex."* Salualerra de Magos, 24 de Janeiro de 1752.— Snr. Marquez de Ahranlcs. 
Wogo de Mendonca Corte ^QSil—José Pacs de Vasconcellos. {Arcii. da casa da moeda de Lisboa, registo 
gcrai, IÌY. VII, fol. 73.) 

" Vid. no firn dos dor. comprovativos. 



100 

cunhadas lodas as moedas de olro d'este reinado jà mencionadas, liavendo-as raesmo 
do anno antecedente, n.®* 2 e 4. 

regiraento dos ordenados dos vedores, conselheiros, procuradores e mais offi- 
ciaes do conseiho da fazenda, e de todas as casas, juizos e noesas da sua repartipao, 
datado de 29 de dezembro de 1753, diz no cap. xxxviii, ao estipular os vencimentos 
dos empregados da casa da moeda : 

«XIV. abridor geral da casa, que actualmente exislc, bavera de seu ordenado 
seiscentos mil réls; e do dia que principiar a vencer, Ibe ficarà cessando o salario de 
huma pataca por dia, que Ihe tenho concedido por Alvarà de fora; e por cada hura 
cunho que abrir de novo para dinheiro de ouro, levarà tres mil e duzentos réis; e 
para dinheiro de prata dous mil réis ; e para dinheiro de cobre mil e seis centos réis ; 
e por cada um ponpao de Retrato levarà vinte e quatro mil réis. E porque com este 
ordenado e salarios vay bastantemente soccorrido com excesso de seu merecimento: 
Ordeno, que se ponha em silencio perpetuo a causa, que o dito Abridor geral faz no 
juizo dos Feitos da Fazenda ao Procurador della, pelo augmento das propinas e pre^o 
das aberluras. Este ordenado porém nào continuarà para os mais Àbridores geraes da 
casa, que Ihe succcderem ; porque sendo outro algum provido depois do actual, se me 
ha de fazer prezente, para Ihe constituìr novo ordenado pela medida do seu mereci- 
mento. 

«XV. Abridor dos Cunhos bavera de seu ordenado duzentos mil réis, e os mes- 
mos emolumentos das aberturas que fizer, e vào concedidos ao Abridor geral. 

«XVI. segundo Abridor da Moeda antiga e moderna^ bavera de seu ordenado 
duzentos mil réis, e os mesmos emolumentos de abertura concedidos ao primeiro Abri- 
dor, excepto nos pouf oes de Retrato para moeda, por cada huma das quaes levarà so- 
raente nove mil e seis centos réis; e sendo para barra de ouro, dous mil e quatro cen- 
tos réis. 

«XVII. Para se evitarem as contendas, que ha entre os Àbridores, querendo cada 
bum para si as aberturas: sou servido, que daqui em diante se fa^tào todas por destrì- 
buipào, as que forem de cunhos, principiando pelo Abridor geral, e correndo pelos ou- 
Iros igualmente, a qual destribulpao farà o Provedor, e della terà bum livro; e as que 
forem de Relralo, encommendarà o conseiho da fazenda ao Abridor que for mais pe- 
rito em altrahir a semelhan{^a do originai, sem que haja destribuipào, salvo se todos 
tiverem igual pcricia, de que o mesmo conseiho mandarà fazer o exame necessario *.» 

decreto de 15 de Janeiro de 1755 mandou observar escrupulosamente o regi- 
mento da casa da moeda, com especialidade o cap. lvi^, que se refere aos ensaiado- 
res e fundidores, pelos graves inconvenientes que do contrario resultavam à fazenda 
e aos particulares ^. 

Pelo aviso regio de 3 de dezembro de 1755 determinou-se que na casa da moeda 
se recebessem todos os cofres, que ali se fossem depositar, pertencentes à fazenda real 
e às tres ordens militares, devendo escrever-se exteriormente as respectivas marcas 
para bem se distinguirem ^. 

' Ghamava-se moeda moderna a que tìnha o retrato do rei; e às de outro typo, jà lavradas ante- 
riormente, moeda antiga. 

* Impresso avulso da Collecoào chr. de Icgislacào port. coUigida por F. J. Pereira e Sousa. 

* Vid. doc. comprovativo n.» 180, cap. 5C.^ 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. viii, fol. 1. 
' Idem, fol. 29 v. 



101 

Em 2 1 de dezembro mandou-se trocar na casa da moeda lodo o dinheiro denegrido 
que ali levassem tirado das casas incendiadas, branqueando-se as partidas graodes, 
liavendo lodo o cuidado para nào se acceitar moeda falsa ou diminuta no peso; e en- 
contrando-se, seria inutilisada e paga pelo valor do metal. N'estas transaepoes so se 
admilUrìam pessoas conhecidas ou bem aflan^tadas^ 

A 15 de maio de 1756 foi ordenado que todos os domingos e dias santos se cele- 
brassem duas missas no aitar que se havia levantado na sala da audiencia da casa da 
moeda, sendo urna a bora de terpa e outra à bora de nua, para satisfazerem a esse 
preceito os empregados da mesma casa, e os cabos e soldados que ali estivessem de 
guarda *. 

oiro e dinbeiro vindo do Gran-Para e Maranbào, pertencente a companbia do 
mesmo eslado, foi, em 9 de marpo de 1758, ìsento de pagar o 1 por cento de cofre^. 

Na moeda de prata tambem nào bouve alterapào de typo, peso ou valor: o cru- 
zado novo, n.^ 7, lem 294{55^ràos, e proporcionalmente as subdivisoes de doze virir 
tenSy n.® 8, seis virUenSy n.^ 9, tres vintens, n.® 10, tostdo, n.® 1 1 , e melo tostào, n.® 12, 
lavrados a rasao de 7^500 rcis o marco. 

Observa-se na cilada eslalislica que nem todos os annos bouve cunbagem nos tres 
melaes, falbando allernadamenle, sendo quasi constante a fabricacào da moeda de 
oiro. 

Em 3 de abrii de 1751 mandaram-se recolber, ale ao firn do mesmo anno, à. casa 
da moeda todos os miudos de prata com o cu ubo apagado e faltas no peso, observan- 
do-se a resolufào de 2 de agosto de 1747 ^, em que 13 Va marcos de prata de 1 1 di- 
nheiros, reputando-se cada um a 7j5l 10 réis, prepo por que se pagariam os ditos miu- 
dos de prata, devia corresponder a um marco de oiro de 22 quilales, no valor intrin- 
seco de 96^000 réis. Findo o referido praso, as moedas miudas de prata que se encon- 
trassem gastas, linbam pena de perdimento para a fazenda'. 

D*esta prata fabricaram-se moedas de doze, seis e tres vinteiis, tostùes e meios tos- 
tòes^. 

Pelo aviso do 21 de novembre de 1755 ordenou-se que na casa da moeda se com- 
prasse lodo oiro e prata que os moradores podessem salvar das suas casas incendiadas 
ou desmoronadas, procedendo-se com as maiores cautelas, e pagando-se esles melaes 
conforme os toques e prepos estabelecidos. Um outro aviso datado de 7 de dezembro, 
attendendo as grandes perdas soITridas pelo povo na occasiào do terremoto, determina 
que a dita prata seja fundida por conta da fazenda, e conhecidos os seus dinheiros, se 



* Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto goral, liv. viii, foi. 30 v. 
'• Idem, foi. 40 V. 

' Idem, foi. I4C v. 

* Idem, liv. vi, foi. 124 v. Doc. comprovativo n.» 222. 

' Idem, liv. vii, foi. S6 e 57. Doc. comprovativo n.** 226. 

* lU.** e ex."** sr. Por osta secretaria se ordenou ao Thesoureiro desta icaza) da moeda mandasse 
fandir toda a prata de trocos e dinheiro uzado, e que nào despuzesse della sem nona ordem; e comò 
motivo della se acha desvanecido, ordena Sua Magestade se cunhe com os nouos cuahos do nome 
<lc Sua Magestade em trocos de doze vintens, seis vintens, tostdes, tres vintens, meyos tostdes, comò 
mesmo Seohor ja tlnlia rezoluto em dezanove de margo do anno passado, observando-se nesta re- 
<lu$io a rezoluto de dous de Agosto de mil settecentos e quarenta e sette; o que participo a V. Ex."* 
para que fazendo prezente no conselbo, se passem as ordens necessarias para que assìm se execate. 
Deos Goarde V. Ex."* Salvalerra de Magos, 16 de marso de 1752. Sr. Marquez de Abrantcs. Diogo de 
Mciidonga Corte Real. José Felix Rebello. (Arcii. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. vii, 
foi. 89 V.) 



102 

regulc prepo de cada marco, dando-se alem d'islo mais oito lostoes; continuando a 
pagar-se o oiro sómenle pelo estabelecido na lei*. 

Quando se deu o terremoto de 1755, os cofres da casa da moeda de Lisboa conli- 
nham 2.000:000 cruzados em dinheìro cunhado*. 

A estatistica das moedas de oiro, prata, cobre e bronze que se cunliaram na offi- 
cina de Lisboa, diz haverem-se lavrado, no anno de 1769, 31:300 pepas de vintens 
em prata, na imporlancia de 626^000 réis; mas sendo feitos pela lei e cunho dos de 
D. Joào V, torna-se iioje impossivel o distinguiUos. 

As moedas de d^z, ciuco e tres réis, n.*** 1, 2 e 3, sao as primeiras de cobre que 
conhecemos d'esle raonarcha. 

A collecpao de el-rei o senhor D. Luiz possue dois exemplares de dez réis, tendo 
um nome de D. Joao V da parte das armas do reino e no reverso o anno 1751, e en- 
tro nome de D. José e na face opposta 1749. Deve considerar-se erro, por se servi- 
rem do anverso de um cunho com o reverso de outro, do que ha casos analogos nos 
reinados precedentes '. 

No registo da casa da moeda achàmos com relapào a cunhagem do cobre para o 
continente, que o provedor, accusando a fatta de trocos n'aquella reparlifao, propoe 
em 19 de Janeiro de 1754, fazer lavrar o resto da chapa que flcàra dos 12:000^000 
réis fabricados para as ilhas, ao que o conseiho da fazenda deferiu na mesma data^. 

A 4 de marpo de 1756 arrematou Joaquim JoséVermuel 12:000f5[000 réis de co- 
bre em chapas, dois terpos das quaes para moedas de dez e o resto para as de ciuco 
réis, obrigando-se a fornecel-as a 312 réis cada arratel, e com as mais clausulas do 
costume *. 

conseiho da fazenda contratou com Jacob Fedro Straus, negocìante da prapa de 
Lisboa, fornecimento das chapas de cobre que fossem precisas para a cunhagem na 
casa da moeda, a 280 réis cada arratel, livres de direitos, conforme os padroes, e 
nas mais condipoes dos contratos anteriores; devendo o estipulado comepar a ter 
vigor desde 14 de maio de 1759. Està concessào foi depois prorogada por mais um 
anno®. 

Em 16 de maio de 1760 mandou-se pagar por 280 réis cada arratel um resto de 
chapas de cobre (3:200j5(000 réis), que o antigo arremalante Filippe Hoclhel, nego- 
ciante na prapa de Lisboa, conservava em deposito nos armazens da casa da moeda, 
ficando à conta da junta da companhia geral de Fernambuco e Farahiba^. 

De 21 de fevereiro de 1771 a igual dia de 1775, flcou fornecedor da chapa de 
cobre Rodrigo Brandenburg e Wagner, lambem negociante da prapa de Lisboa : para 
a macuta de 50 réis deviam entrar doze pepas em arratel, pesando cada urna 768 
graos, e assìm proporcionalmenle as suas fracpoes. A chapa destinada a moeda de 
dez réis do reino precisava ter o peso de 256 gràos, fazendo 36 pepas um arratel, 
e na devida relapao os cin-co e tres réis, arratel da chapa foi justo por 275 réis, e sendo 



' Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. viii, fot. 29. 

• Vid. tom. I, pag. 66. 

• Temos visto moedas de D. Manuel com o reverso de D. Joào li, de D. Joào HI com o de D. Ma- 
nuel, etc. Vid. pag. 35 d'este tomo, n.* 21. 

• Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. vii, foi. 167 v. Doc. coraprovativo n." 227. 

• Idem, liv. vili, foi. 71. 

• Idem, fot. 181 e liv. ix. foi. 137. 
^ Ifloni. liv. IX, foi. 3^. 



103 

em sìzallia para liga^ a 220; nas mais clausulas nào houve difTerenpa das arremala- 
goes anlecedentes*. 

Com dito Rodrigo Brandenburg renovou-se em 2 1 de agosto de 1775 o contrato 
por outros quatro annos^. 

Moedas para as ilhaa 

No reinado de D. Joao V pensou-se na cunhagem de urna moeda especial de cobre 
para circular nas ilbas dos A{;ores e Madeira, e se deveria ter augmento no valor em 
relapào à do continente ^. 

conselho da fazenda, por despacho de 19 de agosto de 1750, mandou lavrar 
12:000^51000 réis em moeda de cobre para servir unicamente na Madeira e ilhas adja- 
centes, com diverso cunho, e deterrainou que o provedor ouvisse sobre o assumpto 
OS oflBciaes compelentes, informando depois o conselbo do que se passasse, e re- 
mettendo- Ihe OS padroes que tinham de eslar patentes no acto da arremata^ao do 
cobre *. 

provedor em 2 de setembro enviou tres desenhos para os cunhos da nova moeda 
provincial, feilos pelos abridores Mengin, Bernardo Jorge e Amaro Marques; e salisfa- 
zendo às exigencias do conselho, apontou os inconvenientes de Ihe augmentar o valor 
cu diminuir-lhe o peso, comò se havia feito na moeda de cobre para o Maranhao, pelo 
perigo de ser importada do estrangeiro; e entendendo que devia preferirse o mesmo 
systeraa do dinheiro de cobre para o reino, remetteu os respcctivos padroes n'esta 
coQformidade, e outro mais pequeno, caso fosse resolvido o contrario. Com a opiniào 
do provedor concordavam todos os officiaes da casa da moeda ^ 

Como prevenpao arrematou-se a Joaquim José Vermuel, em 23 de setembro, o for- 
necimento de 12:000^000 réis de chapas de cobre, a prefo de 320 cada arratel, 
sendo 9:600^000 réis para servirem às moedas de dez; 2: lOOjJOOO para as moedas de 
cincoy e 300^000 réis para as moedas de tres réis^. 

Apesar do procurador da fazenda se inclinar ao acrescimo de 25 por cento no 
valor do cobre para as ilhas, o conselho conformou-se pienamente com o parecer do 
provedor e oiGciaes da casa da moeda, mandando em 26 de setembro cunhar as 
amostras, as quaes Ihe foram entregues a 9 de outubro acompanhadas da conta do liei ^. 

conselbo da fazenda mandou lavrar a nova moeda conforme indicàra o fiel An- 
tonio Martins de Almeida; devendo entrar em arratel 38 pepas de dez réis, n.® 16; 76 
de dncOf n.^ 17, e 127 de tres réis, n.® 18. desenho preferido foi o de Bernardo 
iorge *. 

A camara do Funchal requereu que os 12:000 cruzados que Ihe estavam destina- 
dos, se cunhassem com a maior brevidade, pela falta que havia n'aquella iiha de moeda 
de cobre, podendo fabricar-se do metal existente no deposilo da casa da moeda, in- 



' Àrdi, da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. ix, fol. 215. 

* Idem, liv. x, fol. 37 v. 

' Vid. que dissemos anteriormente a pag. 90. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. vu, fol. 20 v. Doc. comprovativo n.o 223. 
' Idem. fol. 21 v. Doc. comprovativo n.» 224. 

* Idem, fol. 28 v. 

' Idem, liv. vii, fol. 24. Doc. comprovativo n.» 224. 
' Idem, fol. 24 v. 



104 

demnisando-se depois com o que se havia arrematado para a dita moeda provincial ; 
e assim foi deferido pelo conselho da fazenda em 22 de outubro^ 

Pela resoluf ào tomada em 29 de dezembro do dito anno, mandou o conselho da 
fazenda em 13 de fevereiro de 1751, que na quantia de 7:200^000 réisemcobredes- 
tinada para as ilhas dos Apores, se cunhasse a divìsa de um A, inicial do nome da sua 
capital Angra*. 

Nao ach&mos mais disposipào a similhante respeito, e nunca vimos està marca em 
moeda alguma de cobre do reinado de D. José ; talvez nao chegasse a imprimir-se, por 
se conhecer a sua inutilidade. 

Nas ilhas da Madeira e A(ores, pela sua posipao geographica e commercio com os 
estrangeiros, tem sempre corrido e corre muita variedade de moeda, principalmente 
ingleza e hespanhola; e està ultima tao cerceada, que tem causado embarapos em me- 
Ihorar ali o systema monetario. 

alvarà de 19 de julho de 1766 prohibiu o curso, nas ilhas dos Afores, da moeda 
tanto nacional corno estrangeira que nao tivesse o devido peso ^. 

nome de el-rei D. José encontra-se nas suas moedas umas vezes escripto com I 
e outrascom J. 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. vii. fol. 27. 

* ProTedor da casa da moeda mande cmibar os dezouto mil cruzados de moeda Provincial de 
cobre, qae estào destinados para as Ilhas dos Àssores, coro a divisa de bum A^ que mostre que o di- 
nbeiro que a tiver so be Provincial naquellas Uhas dos Assores, de que a cidade de Àngra be a Capi- 
tal, por Sua Magestade assim o ordenar, por sua real rezoluQào de vinte e nove de Dezembro proximo 
passado em consulta deste conselho; declarando por ella que o dinheìro sobredìto sé tenha valor nas 
Ilhas para que he destinado, e achando-se em liba differente, sera conflscado para a fazenda real, e que 
a penna da extra^am seja a mesma que ha neste reino; e para que assim se observe, se passarlo as 
ordens necessarìas para as dìtas Ilhas. Lisboa, 13 de Janeiro de 1751. Com sete rulHicas dos ministros 
do concelho da Fazenda. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. vii, Tol. 37 v.) 

• J. Pedro Ribeiro, Ind. chr. e ccit., pari, ii, pag. 75. 



105 



D. MARIA I 

(De 24 de fevereiro de 1777 a 15 de Juiho de 1799) 

Nasceu em Lisboa a 17 de dezembro de 1734; casou a 6 de junho de 1760 com o infante 
seu tio, e succedeu no throno, por morte de seu pae, em 24 de fevereiro de 1777, intitulan- 
do-se entào o esposo, de quem havia jà descendencia, D. Fedro IH. A acclamagào leve logar 
com OS festejos do costume a 13 de maio, e a rainha, querendo que o marido participasse de 
todas as honras ìnherentes à realeza, fez inscrever nas moedas depois do seu nome o do novo 
rei ; e nos escudos, suas divisOes e multiplo?, gravaram-se a par os retratos dos dois soberanos. 

Um dos primeiros actos do seu governo foi exonerar de todos os cargos publicos a Se- 
bastiào José de Carvalho e Hello, assignando-se a 3 de margo o decreto que o demittia 
e desterrava para a villa do Pombal ; e no mez seguinte arrancaram do pedestal da estatua 
equestre o busto do grande politico ^ D. Maria I, satisfazendo a odios ìnveterados dos inimigos 
do ex-ministro, ordenou em 16 de agosto de 1781 que fosse processado; os juizes julgaram-no 
criminoso; mas a naturai clemencia da soberana apenas o condemnou a conservar-se afas- 
tado da córte vinte leguas, sem quebra de direito aos ofiTendidos de o demandarem e aos 
seus hcrdeiros pelos prejuizos recebidos. NSo foi longa a expiagào; em 5 de maio de 1782 
morreu com oitenta e tres annos de idade o valido de el-rei D. José. A posleridade, apre- 
ciaodo-lhe imparcialmente o talento e caracter energico, cheio de virtudes civicas, tem nobi- 
litado a memoria do estadista, apesar de conhecer as vingangas despoticas com que perseguiu 
OS seus inimigos. 

Quatro dias depois da morte do rei abriram-se as prisdes de estado, e mandaram-se re- 
colher ao reino os desterrados, calculando-se approximadamente em oitocentas as pessoas com- 
prehendìdas n'este indulto. 

Em 11 de outubro de 1780 conccdeu-se a revisSo do celebre processo dos Tavoras e dos seus 
cumplices, sendo declarados innocentes muitos dos chamados conspiradores, sem comtudo 
se Ibes dar uma reparagào completa. 

A rainha viuva D. Marianna Victoria falleceu hydropica a 15 de Janeiro de 1781, pelas 
sete boras da manhà, sendo depositada na igreja do convento de S. Francisco de Paula, que 
bavia fundado, e ahi se conserva em grandioso monumento sepulchral. 

D. Maria I, imitando seu avó,^zera o voto, para ter successSo, de edificar um tempio ao 
Santissimo Coragdo de Jesus, e assim o cumpriu, comegando as obras em 24 de outubro de 
1779: concluidas a 15 de novembro de 1790, tomaram logo posse do convento as reli- 
giosas carmelitas descalgas de Santa Thereza. sumptuoso monumento architectonico, um 
dos mais notaveis da capital, foi construido no largo do mostcirinbo de Nossa Senhora da 
Bstrella, e custou dezeseis milhOes de cruzados^. Por essa occasi5o leve a piedosa rainha a 

' D. PedrO) duque de firaffanga, regente do reino em nome de sua Alba a rainba a Senhora D. Ma- 
ria |], mandou em 12 de outubro de 1833, collocar novamente o busto do marquez de Pombal no seu 
prìmitiyo logar. A 16 de junho de 1856 vleram os seus restos mortaes para a capella de Nossa Senhora 
^ Mercès, por iniciativa do seu representante, prestando-lbe o governo as devidas honras funebres. 

' Commemorando a edificagào da famosa basilica, ordenou a rainha cm 12 de agosto de 1779, que 
José Gaspar e Amaro Marques, abridores da casa da moeda, flzessem tres cunhos para medalhas, des- 
pendendo-se em cento e cìncoenta exemplares de oiro e seiscentos de prata a quantia de 4:899Ji552 réis? 
fora mala seiscentas em cobre que tambem se lavraram. (iVrch. da casa da moeda de Lisboa, registo gc- 
^^ liv. X, foi. 130 e 130 v.) Lopes Femaiides na sua Memoria traz cstampadas estas tres variedades de 
roedalhas, que sào comrauns, com os n.»» 56, 57 e 58. 



106 

inteDQào de crear urna nova ordem militar do Coracdo de Jesus; mas obstando algumas consi- 
dcragOes à realisagao d'cstc pensamento, reformou as de Cbristo, Aviz e S. Tbiago, augniea- 
taodo-lbes a classe de gran-cruzes; e ordenou que às suas veneras e às dos commendadores 
8C juntassc um coragao, ìmpondo a todos estes dìgnitarios a obrìgagào de assìstir n'aquelle 
tempio à festa annual do Santissimo Coragào de Jesus. 

A instancias do duqvr^ de Lafóes, D. Joào de firaganga, fundou-se a academia real das 
sciencias de Lisboa, approvando-se os seus estatutos em 24 de dezembro de 1779. A mesma 
academia, em sìgnal de reconbeciraento, fez gravar cm 1783, por Joao de Figueircdo, urna 
bella medalba, que o£fereceu à rainba sua protcctora e instituidora i. 

D. Fedro DI morrcu de uma apoplexia a 25 de maio de 1786 ; e a 11 de setembro de 1788 
falleccu de bexigas o principe D. José, de quem todos esperavam um reìnado auspicioso pc- 
las suas virtudcs e ìnstrucgào. 

A rainba, manifestando sempre tendencias religiosas, comprometteu-se em novo voto de 
lev(intar um tempio a Santo Antonio, para que do casamento de seu filbo D. Joao coni a prioceza 
D. Cariota Joaquina bouvesse successào. Por aviso de 26 de agosto de 1701 cbegou>se a or- 
denar ao provedor da casa da moeda de Lisboa, que fornecesse ao marecbal de campo, Bar- 
tbolomeu da Costa, as porgòes de oiro e prata, que elle julgasse sufficientes para se fabrica- 
rem no arsenal do exercito as medalbas que tinham de ser depositadas debaixo da pedra 
fundamental da igreja e convento dos religìosos menores reformados da provincia da Arra- 
bida, junto a Mafra^. As medalbas foram fundidas. tempio ficou apenas projectado. 

N'este reinado instituiu-se a academia de marinba, a escola de desenbo, a academia mi- 
litar de fortificagào, a casa pia no Castello, e em 1796 a bibliotbeca publica de Lisboa. 

D. Maria I era uma senbora de bellas qualidades e bastante instrucgào; mas entregue ex- 
clusivamente à mistica, eivou-se de escrupulos religìosos, tornando-se indecisa e timida na 
resolugào dos mais importantes negocios do seu governo. clero e a nobreza, esperangados 
em recuperar o antigo poderio, procuravam destruir as instituigòes do marqucz de Pombal ; 
a rainba nào desejava contrarial-os, mas nào se prestava a atacar tao profundamente os 
interesses do estado, derrubando as reformas que considerava a gloria do reinado de seu pac. 

D. Fedro III, incapaz de a aconselbar, dedicava todos os actos da sua vida à religiào. 

Em conjuncturas tao difQceis o animo fraco de uma senbora nào podia arcar com as intri- 
gas dos partidos. N'estas luctas, que a interrompiam por instantes dos conlinuos excrcicìos 
religiosos, valeu-Ibe de multo o seu confessor D. Fr. Ignacio de S^ Caetano, que a amparou 
sempre com bom conselbo e sem fanatismo. A morte d'este prelado trouxe para o cargo de 
confessor o bispo do Algarve, D. José Maria de Meilo, inimigo das reformas feitas pelo minis- 
tro de D. José, e que aproveitando-se da fraqueza de espirito da rainba, Ibe foi impondo A con- 
sciencia certa responsabilidade das injustigas paternas, infundindo-lhe tal terror, que Ihe trans- 
tornou de todo a rasào, impossibilitando-a de reinar de facto. Tomou conta dos negocios do 
reino, em seu nome, o principe D. Joào a 10 de fevereiro de 1792, e em 15 dejulbode 1799 
assumiu o titulo de regente, que conservou até 20 de margo de 1816, cm que falleccu a rai- 
nba D. Maria I, no Rio de J&neiro. geu cadaver veiu para Lisboa em 1821 na fragata Princeza 
fìeal, sendo dcpositado no dia 7 de julbo na igreja de S. José de Ribamar, onde se conservou 
até se concluir o mausoléu, de que se encarregou o arcbitecto Luiz Chiari pela quantia de 
4:000jl000 réis, fazcndo-sc a trasladagào com pompa para o tempio do Santissimo Coragào 
de Jesus, a 18 de margo de 1822: no dia seguinte bouve matinas, e a 20 officio de corpo pre- 
sente. A musica foi de Domingos Bomtcmpo, e o epitapbio do padre Antonio de Castro, com- 
missario dos estudos. Todas as despezas do funeral foram auctorisadas pclas cortes e pagas 
pelo tbesouro. 



• Lopcs Fernandes, Memoria das medalhas e condecoracóes porluguezas, n.« 59. 
- Ardi, da casa da moeda de Lisboa, rcgisto goral, liv. xi, foi. 111. Lopcs Fernandes na obra et* 
tada fez desenliar cstas medalbas, n." G5, 66 e 67. que sào todas raras. 



107 



Filhos bafidos do matrimonio 

D. José, principe do Brazil, nasceu a 21 de agosto de 1761; casou em 21 de fevereiro de 
1777 com sua tia D. Maria Bencdicta, e morreu no pago da Ajuda, sem gerag&o, a 11 de se- 
tembro de 1788. Jaz em S. Vicentc de Fora. 

D. Joào: nasceu a 26 de setembro de 1763, e morreu a 10 de outubro do mesmo anno. 
Jaz em S. Vicente de Fora. 

D. Joào, que succedeu na coróa. 

D. Marianna Victoria : nasceu a 15 de dezembro de 1768; casou em 1785 com D.Gabriel, 
infante de Hespaoha, e morreu em Madrid em 1788^ 

D. Maria Clementina: nasceu a 9 de junbo de 1774, e morreu a 26 de junho de 1776. 
Jaz em S. Vicente de Fora. 

D. Maria Izabel: nasceu a 22 de dezembro de 1776, e falleceu a 14 de Janeiro de 1777. 
Jaz em S. Vicente de Fora. 



Moedas de D. Maria I 



Pre^o estimativo aotual 

Dobra de quatro escudos ou pega C. 

iDobra de dois escudos ou mela pega 4|i500 réis 

[Escudo ou dezeseis tostdes 3|MX)0 réis 

iMeio escudo ou oito tostdes 2jSióQ0 réis 

'Ouartinho C. a 2)1500 réis 

^Cruzado novo li^500 réis 

'Cruzado novo C. 

Tres tostóes C. 

iDoze viotens C. 

Icento e cincoenta réis C. 

Praia . . < Seis vìntens G. 

Tostào C. 

fSetenta e cinco réis C. 

Tres viotens C. 

iMeio tostào C. 

'Vinlem C. 

|Dez réis C. 

jCinco réis C. 

Tres réis C. 



•ìw. 



Cobre . 



i. MARIAo I o ETo PETRUS o III o DoGoPORToETo ALGoREGES » 

Bustos laureados da rainha e do rei, à direita; por baixo 1786. R (Rio de Janeiro). 

?f Armas do reino ornamentadas. Dobra de quatro escudos ou pega, N — G. 

2. MARIA o I ET PETRUS III D G PORT ET ALG RE- 
GES*. Bustos laureados da rainha e do rei, a direita; por baixo 1786— R (Rio 
de Janeiro). 

^ Armas do reino ornamentadas. Dobra de dois escudos ou meia pega, N — 
*5500 réis. 

'0 scgundo E do REGES aclia-sc na mooda em parte apagado, que fez gravador copiar 



108 

3. MARIA « I . ET o PETRUS o III o D o G o PORT o ET o ALG o REGES. 

Bustos laureados da rainha e do rei, à diretta; por baixo 1784. 

^ Àrmas do reino ornamentadas. Escudo ou dezeseis tostoes, N — 3j$000 réis. 

4. MARIA I ET PETRUS III D G PORT ET ALG REGES. Bustos 
laureados dos dois monarchas, a direita ; por baixo 1 784. 

^ Àrmas do reino ornamentadas. Meio escudo ou otto tostòesy N — 2^5(500 réis. 

5. MARIA 1 ET • PETRUS III • D G P ET ALG REGES. Armas 
do reino tendo na altura da base da coròa, estando duas letras de cada lado, 
IO — 00. 

Q. ^g IN S^^ HOC X SIGNO ^ VINCES ^ 1784. Cruz da ordem de Christo 
cantonada por quatro floroes. Quartinho, N — 2t$500 réis. 

6. No campo em duas linhas, entre duas palraas, MARIA 1 » ET P o III ; por 
cima a coròa real, e em baixo 400. 

^c ^g IN HOC SIGNO VINCES ss 1778. Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro flor5es. Cruzado novo, N — IjJlSOO réis. 

7. MARIA 1 • -E PETRUS III D G PORT « T: ALG o REGES. 
Armas do reino, à esquerda entre dois floroes 400, e à direita, lambem no meio de 
dois floroes, anno 1 784. 

^c O ^g IN ^ HOC ^ SIGNO ^ VINCES §^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado now, JR — C. 

8. MARIA 1 o -E PETRUS III D o G o^PORT « -E o ALG REGES. 
Armas do reino, a esquerda entre dois floroes 200, e à direita, tambem no meio de 
dois floroes, anno 1782. 

^c O ^ IN .^ HOC ^'^ SIGNO ^€ VINCES ^^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Doze vintens, JR — C. 

9. MARIA 1 -E PETRUS III D G PORT o -E o ALG - REGES. 
Armas do reino, tendo de cada lado tres cruzetas. 

Qr O ^HN ^g HOC SS SIGNO ^ VINCES SS Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Seis vintens, JR — C. 

10. MARIAoIo-EoPETRUSoIIUDoGoPo-EoALGoREGES. Armas 
do reino tendo de cada lado uma cruzeta entre dois pontos. 

I^ OoIN SS HOC ?g SIGNO SS VINCES* Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quatro floroes. Tres vintens, JR — C. 

H. MARIA • I o-E • PETRUS III o Do Go PORT o-Eo ALG o REGES. No 
campo LXXX, tendo por cima a coróa real entre dois floroes, e por baixo um florao 
entre dois pontos. 

Q. S^ oIN Sg HOC SS SIGNO SS VINCES» Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Tostào» JR — C. 

12. MARIA «lo-E PETRUS olii» Do G-Po-Eo ALG REGES. Nocannpo 
XXXX, tendo por cima a coróa real entre dois floroes e em baixo um florao no 
meio de dois pontos. 

^ O IN SS HOC SS SIGNO SS VINCES. Cruz de S. Jorge cantonada por qua- 
tro floroes. Meio toslCw, JR — C. 



109 

13. MARIA • I • ET« PETRUS III «DEI «GRATI A. Armas do reino or- 
namentadas. 

^c 9 PORTUGALIiE » ET • ALGARBIORUM » REGES. No centro, 
dentro de urna corda de loiro X, indicativo do valor, tendo de cada lado duas ietras 
do anno 17—77 e por baixo um florao. Dez réis, JE — C. 

14. MARI A ol. ET PETRUS IIIoDEI*GRATIA. Armas do reino orna- 
mentadas. 

^r m PORTUGALIiE » ET • ALGARBIORUM « REGES. No centro, 
dentro de urna coróa de loiro V, indicativo do valor, tendo de cada lado duas Ietras 
do anno 17—85. Cinco réis, M — C. 

15. MARIANI* ET* PETRUS Ilio DEI «GRATIA. Armas do reino or- 
namentadas. 

^r @ PORTUGALIiE • ET • ALGARBIORUM • REGES. No centro, 
dentro de urna coróa de loiro III, indicativo do valor, por cima uma cruzeta e por 
baixo anno 1777 e outra cruzeta. Tres réis, JE — C. 

16. mesmo an verso. 

I^ Identica a anterior tendo a mais um carimbo de 5 a firn de correr nas ilhas 
por cinco réis, JE — 500 réis. 

17. MARIA» I«D«GoPORT«EToALGo REGINA. Busto da rainlia à 
direila com vèu de viuva pendente para as costas; no emergo anno 1788 e a 
marca da officina monetaria R (Rio de Janeiro). 

^ Armas do reino ornamentadas. Dobra de quatro escudos ou pefa, N — C. 

18. MARIAoI.DoGoPORToEToALG-REGINAo Busto da rainha à 
direita com penteado adornado de joias e fitas; no exergo anno 18000R. 

1^ mesmo da anterior. Dobra de quatro escudos ou pega, N — C. 

19. MARIA 1 . D oG • PORT « ET- ALG» REGINA. Busto da rainha à 
direita com penteado adornado de joias e fitas; no exergo anno 1789. 

^ Armas do reino ornamentadas. Dobra de dois escudos ou meta peca, N — 
5^000 réis. 

20. MARIA o I . D oG . PORT » ET» ALG» REGINA. Busto da rainha à 
direita com penteado adornado de joias e fitas; no exergo anno 1790. 

^ Armas do reino ornamentadas. Escudo ou dezeseis tostdes, N — 2^500 réis. 

21. MARIA «I. Do Go PORT ET ALG» REGINA. Busto da rainha à di- 
reita com véu de viuva pendente para as costas; no exergo anno 1787. 

^ Armas do reino ornamentadas. Meio escudo ou oito tostòes, N — 2^500 
réis. 

22. MARIA 1 • D • G PORT ET • ALG » REGINA. Busto da rainha à di- 
reita com penteado adornado de joias e fitas; no exergo anno 1789. 

^ Armas do reino ornamentadas. Meio escudo ou oito tostòes, N — 1 ^500 réis. 

23. MARIA I • D G • PORT ET • ALG « REGINA. Armas do reino or- 
namentadas, tendo na base da coròa numero 10—00, duas Ietras de cada lado. 

^r ìi IN ^§ HOC .5.^ SIGNO ^^ VINCES 6^ 1792. Cruz da ordem de Christo 
fantonada por quatro floroes. Qttartinho^^K — G. 



110 

24. No campo entre duas palmas MARIA ^ I ^ , por cima a corca rea! e no 
exergo 400. 

Q. ^^ IN • HOC oSIGNO- VINCESSE 1790. Cruz da ordem de Chrislo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, N — ifJlOOO réis. 

25. MARIA 1 D G PORT • ET • ALG « REGINA. Armas do reino, 
tendo a esquerda entre duas cruzetas 400, e à dìreita anno 1 798 tambem no meio 
de duas cruzetas. 

^c O ^ IN Sg HOC ^ SIGNO ^^ VINCES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, JR — G. 

26. MARIA 1 D G PORT • ET ALG REGINA. Armas do reino, 
tendo é esquerda entre duas cruzetas 200, e à direita anno 1793 tambem no melo 
de duas cruzetas. 

Qr O ^^ IN ^ HOC ^ SIGNO ^ VINCES SS Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Doze vintens, JR — C. 

27. MARIA 1 D G PORT ET ALG • REGINA. Armas do reino, 
tendo de cada lado tres floroes. 

^c O S€ IN ^S HOC ^ SIGNO ^ VINCES ^ Cruz da ordem de Chrislo can- 
tonada por quatro floroes. Seis vintens, JR — C. 

28. MARI Alo 1 D G POR T ET ALG REGINA. Armas do reino teji- 
do de cada lado um florao entre dois pontos. 

J^ O IN 3g HOC ^ SIGNO 2S VINCES Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quatro floroes. Tres vintens, JR — C. 

29. MARIA . 1 DoGo PORT ET ALG» REGINA. No campo LXXX, 
por cima a . coróa real entre dois floroes, e por baixo um florao no meio de dois 
pontos. 

Qr Oo IN ?^ HOC SS SIGNO 8€ VINCES • Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Tostào, JR — C. 

30. MARIA Io DoGoPORToEToALGo REGINA. No campo XXXX, 
por cima a coròa real entre dois floroes, e em baixo um flor5o no meio de dois 
pontos. Meio tostào, JR-r-C. 

31. MARIAoIoDEIoGRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

ì^ «PORTUGALI^.EToALGARBIORUM REGINA. No campo, 
dentro de uma coròa de carvalho X, indicativo do valor, estando no meio das qua- 
tro lelras do anno 17—91. Dez réis, M — C. 

32. MARIA* Io DEI GRATI A. Armas do reino ornamentadas. 

IJr m PORTUGALIiE ET « ALGARBIORUM « REGINA. No campo, 
dentro de uma coròa de carvalho V, indicativo do valor, estando no meio das qua- 
tro letras do anno 17 — 99. Cinco réis, JE — C. 

33. * PO RTUGALIiE* ET ALG ARBIORUMo REGINA. Omesmoda 
anterior. 

Qr mesmo typo da antecedente, tendo no centro carimbo io, para Ihe duphcar 
valor, JE. 

34. MA RIA 1 DEI GRATIA.^Armas do reino ornamentadas. 



Ili 

^r m PORTUGALIiE o ET o ALGARBIORUM o REGINA. No campo, 
dentro de urna coròa de carvalho III, indicativo do valor, tendo por baixo o anno 
1797. Tres réis, JR — G. 

Moedas para os Agores 

35. MARIA» I o DoGoPORTo ET oALGo REGINA. Armas do reino, à 
esquerda entre dois floroes 3oo, indicativo do valor, à direita tambem entre dois 
floroes anno 1797. 

^c O §g IN §S HOC ^ SIGNO 88 VINCES X Cruz da ordem de Christo can- 
lonada por quatro floroes. Tres tostóes, JR. — C. 

36. MARIA 1 DoGo FORT ET» ALG» REGINA. Armas do reino, à 
esquerda entre dois floroes 1 5o, indicativo do valor, à direita tambem entre dois 
floroes anno 1795. 

^c O §0 IN di HOC 8g SIGNO X VINCES S^ Cruz da ordem de Christo can- 
lonada por quatro floroes. Cento e cincoenta réis, JR—:C. 

37. MARIA o 1 DoG o PORTo ETo ALG» REGINA. Armas do reino, à 
esquerda entre dois floroes 75, indicativo do valor, a direita tambem no meio de 
dois floroes anno 1 799. 

i^r O • IN 8g HOC §8 SIGNO Sg VINCES Cruz da ordem do Cliristo canto- 
nada por quatro floroes. Setenla e cinco réis, JR — C. 

38. MARIAoIoDEIoGRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

^c PORTUGALIiE ET ALGARBIORUM REGINA. No campo, dentro 
de urna coróa de carvalho 20, indicativo do valor, tendo por cima uma estrella e 
por baixo anno 1795. Virìtem, JE — C. 

39. MARIAoIoDEIoGRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

ì^ » PORTUGALIiE ET o ALGARBIORUM REGINA. No campo, 
dentro de uma c^róa de carvalho i o, indicativo do valor, tendo por cima uma es- 
Irella e em baixo anno 1796. Dez rèis, JE — C. 

40. MARIAoIoDEIoGRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

IV » PORTUGALIiE ET ALGARBIORUM o REGINA. No campo, 
dentro de uma coróa de carvalho e entre dois floroes 5, indicativo do valor, por 
cima uma estrella e em baixo anno 1798. Cirico réis, JE — C. 

Durante relnado da filha primogenita de cl-rei D. José, as moedas de oiro, prata 
e cobre para continente, nào soffreram alterapào no valor, peso e toque, tanto as 
que se lavraram em seu nome e de seu esposo D. Pedro IH, corno as que se cunharam 
depois da morte d'este soberano, contendo so nome da rainha. 

conselho da fazenda ordenou, em 29 de abril de 1777, a abertura de novos cu- 
nhos, que deviam depois de promptos ser submetlidos a escolha e approvafào re- 
gia*. Os tres abridores José Gaspard, Amaro Marques e Paulo Aureliano Mengin flze- 
rain cada um seu ensaio da dobra de quatro escudos, os quaes foram enviados ao 

Arch. da casa ria mocda do LLsboa, registo geral, liv. x, fol. 59. 



112 

marquez de Angeja, a 1 4 de julho, mostrando o provedor da casa da moeda a urgeii- 
eia de se fabricarem os punpoes e matrizes, tanto para as officinas de Lisboa, corno 
para as do Rio de Janeiro e Bahia, carecendo estas dos modelos para os abridores pò- 
derem fazer os cunhos, corno se costumava praticar; tornando-se igualmente indis- 
pensavcl providenciar-se com relapào a moeda de prata e cobre, pela demora qua 
haveria com o fabrico dos punpoes e matrizes*. 

aviso de 28 do mesmo mez, devolvendo as amostras das pepas de 6^400 réis, diz 
ter Sua Magestade achado os tres ensaios bem executados, escolhendo o que remettia 
em separado, por onde se devìam fabricar os punpoes necessarios; e quanto a moeda 
de prata e cobre se continuasse comò a do reinado anterior, apenas com a mudanpa 
da legenda. 

involucro com as amostras voltou sellado com as armas reaes, e no dia 29 foi 
aborto perante os officiaes da casa da moeda, verificando-se ser o ensaio preferido o 
que Azera José Gaspard'. 

As dobras de quatro escudos, n.® 1; de dois escvdoSy n.® 2; o escudo, n.* 3, e o 
meio escudo, n.® 4, sào as moedas de oiro fabrìcadas pelos ditos punpoes, servindo os 
retratos tirados pelo pintof Domingos da Rosa^. Pouco depois lavraram-se os n.®* 5, 
quariinho, e 6, cruzado twvo, tambem no mesmo metal. 

Em 9 de novembre de 1777 ordenou o presidente do real erario, conforme a pro- 
posta do provedor da casa da moeda, que os ferros para se abrirem os cunbos fossem 
forjados e temperados no Arsenal do Exercito, por a experiencia haver mostrado se- 
rem OS que saiam de boa qualidade ^. 

decreto de 21 de agosto de 1778, para acabar com o infomie dos livrosdacasa 
da moeda, por onde se nào podia conhecer bem a receita e despeza d'aquella repar- 
tipào, determinou que ali se adoptasse o methodo de escriptura{^ao usado no real era- 
rio, e que precisando-se de certas habilita{^oes para satisfazer regularmente a seme- 
Ihante servif o, se considerasse extincta a propriedade dos offidos de provedor e escri- 
vào da receita e despeza da casa da moeda de Lisboa, devendo estes empregos ser 
providos em pessoas com os conhecimentos precisos para o cabal desempenho de taes 

cargos *. 

alvarà de 20 de outubro de 1785 prohibiu se acceitasse no reino a moeda es- 
trangeira, e que so se podesse negociar comò mercadoria, pagando-se, precedendo 
ajuste, pelo seu valor intrinseco *. 

Do erario foram remettidas, em 15 de setembro de 1787, para a casa da moeda 
varias pepas do oiro e prata, a firn de serem archivadas ou fundidas, conforme o seu 
merito artistico ou bistorico^. 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, Uy. x, fol. 65. 
' Idem, fol. 64 Ooc. comprovativo n.« 228. 

• A Raiaha miaha Senhora he servida que Vossa mercù mando entregar a Joaquim Machado de Cas> 
tro Perfll que Domingos da Roza fez para o Dinhciro novo. Deos Guarde a Vossa mercé. Junqueira 
em 3 de Janeiro de 1778. Marquez de Angeja.— Snr. José Gomes Ribeiro.— Recebi do snr. ProTedor da 
Gaza da Moeda o Pcrfll de que o Aviso retro fas men^ad. Lisboa 3 de Janeiro de 1778. Joaquim Machado 
de Castro. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. x, fol. 77.) 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. x, fol. 76 v. 

• Idem foL 98 v. J. Fedro Ribeiro, Ind. chr. e crii., part. ii, pag. 129. 

• J. Fedro Ribeiro, Ind. chr. e crii., part. ii, pag. 152. 

' Alem de differentes objectos de ourivesaria vem rclacionadas : 
Pecelas castelhanas de prata 9 marcos, 1 onga e 3 oitavas. 



113 

Depois da morie de el-rei D. Pedro fll fez-se oulro cunho, so com o busto da rai- 
nha; as provas desagradararn, por ter o retrato falla de parccenpa, de relevo e de per- 
feipao; e com este julgamento foi devolvido por aviso de 18 de selembro de 1786. 
provedor mandou que José Gaspard procedesse às emendas indicadas*. 

Em 4 de novembre envlaram-se oiitros ensaios da poca de 6j?i00, ponderando o 
provedor que, apesar de se lavrarem poucas vezes nas ofTicinas do Rio de Janeiro o 
Bahia as raoedas de retrato de 3^200, l^G^OO e ^800 róis, era costume mandarem-se 
estes cunhos para aquellas casas, e perguntava se assim o devia continuar ^r 



Harn embrulho contendo 19 luizes e 5 meios luizes de oiro, pertcncentes a uin Trancez, quo se di- 
sia marqoez Bninis, fanccido na cadeia do Castello, e pezavam 1 marco, 4 oncas, 1 citava o 30 gràos. 

Moedas antigas de prata, tiradas do cofre dos orfàos do Balio do Lessa da comarca do Porto, coni 
3 marcos e 6 j( oitavas. 

Em 128 moedas antigas de prata, acbadas em uma escavacào feita proximo do Vianna, 7 marcos, 
3 on^as e 1 oitava. 

Patacas antigas cncontradas n*um alicerce na pra^a de Estremoz, 60 marcos, 6 oncas e 5 oitavas. 

Moedas arabes remettidas pelo jaiz de fora da villa de Lagoa, com o peso de tC marcos e 3 oi- 
tavas, avaluadas em 98|^476 reis. 

Bum embrulho com 207 moedas portuguczas antigas de 480, 240 e 100 réis, de prata, pezando 
marcos, 8 ongas e 2 oitavas. 

Em 8 moedas antigas de oiro, de 4j^800 róLs, 3 ongas, 2 oitavas e 36 gràos. 

Em 79 raedalhas de oiro do imperador Honorìo, achadas no silio de Mariro, termo de Faro, 1 
inarco, 4 on^as e 60 gràos. 

Hum outro embrulho contendo varias moedas do oiro, prata e cobre, casteihanas e provinciaes da 
America, que se disse valcrem 4J1200 réis. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. xi, fol. 
44 V. a 45 v.) 

Em 4 de abril de 17.13 foram entregues das moedas de Honorio quarenta e sete exemplarcs a Fran- 
sisco José da Horta Machado (vid. tom. i, pag. 105) por Ihe pertenccfem e a seus irmàos corno herdei- 
ros de seu pai; as quacs pesaram 7 ongas, 1 oitava e 45 gràos de oiro de 23 quilates e 3 gràos, ava- 
liadas em 93,1310 réis. (Idem, fol. 129 v.) 

outro dinheiro anligo foi pela maior parte rcduzido a moeda nova, reservando algumas pccas 
qae pareceram mais raras, e que em I8G6 se encorporaram na collecgào numismatica da mesma casa 
da moeda. (Vid. tom. i, pag. 101.) 

* Remetto a V. m.<^ o Retrato da Raiuha Minha Senhora, por onde se abriu o novo Cunho das Amos- 
tras, on pessas de 6J[400 réis, que llz derigir & Prezenga de Sua Magestade: E a mesma Senhora nào 
flcou satisfeita, por achar que o cunho nào he perfeitamente comò o retrato por onde se abriu, espc- 
rando se faga deligencia por se emendar, fazendo-sc o mais similhante que sor po.ssatio dito Retrato: 
tambem pareceo a Sua Magestade que o sobredito Cunho nào estava bem acabado, por nào flcar a of- 
flgie da Moeda com bastante rclevo e perfeigào; em cujos termos V. m.«^ farà trabalhar nesta oppcra- 
^ de modo que Sua Magestade fique inteiramente salisfeita. Deos Guardo a V. m.«< Junqucira 18 de 
setcmbro de 1786. Marquez de Angeja.— Snr. José Comes Ribeiro.— Cumpra-se, registe-se e se dò a co- 
pia deste Avizo ao mostre abridor José Gaspard, para Ihe dar inteira e completa execucào na forma que 
Soa Magestade ordena. Lisboa 19 de s»:tcmbro de 1786.— Ribeiro. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, 
regislo gerai, liv. xi, fol. 22 v.) 

" IH."' e Ex."* Sr.— Em cumprimento da ordem de Sua Magestade, em Avizo deV. Ex.» de 18 de se- 
tcmbro proximo passado, fiz executar ao Abridor Geral desta Gaza José Gaspard o que a mesma Senhora 
foi sennda ordenar; e depois de aborto o novo Pon^ào, e os cunhos que por elle se imprimiram, flz tam- 
bem cunhar por amostra as moedas de 6M00, que ponho nas màos de V. Ex.» para dcllas passarem às 
de S. Magestade, para que no caso de merecercm a approvando da mesma Senhora, se continuar na 
abertura dos cunhos precizos para o euro desta caza; e tambem se apromplarem os Pon^oeiis, Matri- 
«es, e os Cunhos que se devem remettcr para as cazas da Moeda da Bahia e Rio de Janeiro, na confor- 
midadc do que se tcm pratìcado em todas as occasioens em que tem havido mudanoa na manufactura 
da moeda. Devo porem ponderar a V. Ex.* que supposto nas referidas Cazas da Moeda da Bahia e Rio 
raras vczcs se coslumcm cunhar as moedas de Retrato de 3200, 1600 e 800 réis, comtudo sempre no 
principio deste e do antecedente Reinado se mandaram tambem para as mesmas cazas Poncoens de to- 
das aa referidas moedas; e se servirà V. Ex.* declarar-me se tambem nesta occasiào se devem remetter 
As dilas cazas os Pongoeus para as moedas miudas, para assim o fazcr executar depois que os mcsmos 
Ponijoofis se abrircm para o uzo desta, o que ainda se nào fez, e se prcciza para isso de mais dilatado 

TOMO II a 



114 

Os ensaios foram approvados, e dcvolvidos em 8 de novembre, coni a ordcm de se 
continuar a abrir os cunhos pelo raesmo punfào, tanto os que haviam de servir na casa 
da moeda de Lisboa, conio os que se deslinavam para as do Rio de Janeiro e Bahia, de- 
tcrminando-sc tambem que depois de promplos os da dobì^a de quatro escudos, se fi- 
zessem os das suas fracpoes*. 

As moedas de oiro cunhadas com estes punpoes téem o busto da soberana ornado 
com véu de viuva. Desenhàmos apenas a dobra de quatro escudos ou peca, n.® 17, e 
meio escudo ou oilo tostoes, n.® 21: é provavel que de igual typo se lavrassem a do- 
bra de dois escudos e o escudo, que ainda nào viraos. 

Em 21 de maio de 1788 ordenou-se a factura de novos cunhos para a moeda de 
oiro com a effigie da rainha, sendo o reirato conforme o desenho do pinlor Tróne ^. 
Os punpoes feitos por José Gaspard foram adoptados em 26 de novembro^, e com el- 
les se fabricaram os cunhos dos n.°' 18, dobra de quatro escudos; 19, dobra de dois 
escudos; 20, escudo, e 22, meio escudo. Por esse tempo se baterara tambem os n.°* 23, 
quartinho, e 24, cruzado novo. 

As moedas de prata n.°* 7, cruzado novo; 8, doze vintem; 9, seis virUens; 10, 
tres vintens; 11, tostào, e 12, melo tostào, nada tcem de especial, sendo lavradas na 
rasào de 7^500 réis o marco, conservando a denominapao, typo e liga das descriplas 
no reinado antecedente, com a modiflcapao apenas nas legendas. Pela morte de D. Fe- 
dro HI, 25 de maio de 1 786, eliminou-se o seu nome das moedas, comò se observa nos 
n.^* 25 a 30. 

Em 22 de agosto de 1781 perguntou o thesoureiro mór do real erario, se poderia 
resultar prejuizo para a fazenda de recel)er dispatacas hespanholas por 800 réis, corno 
geralmente corriam. provedor da casa da moeda informou em 15 de novembre, 
que das tres variedades circulantes no mercado, as antigas de 7 */2 oitavas e as colu- 
mnarias, no seu peso e liga, eram ainda superiores a oito tostoes, havendo vanlagera por 
tal prefo em se receberem, mesmo para se reduzirem a dinheiro nacional; emquanto 
às modernas, que tinham o busto do rei catholico, sendo inferiores na prala, nào 
convinham, pela perda que dava a sua afinapào em 1 1 dinheiros*. 

Em 3 de outubro de 1781 fez-se nova consulta fundada na represenlafào do juiz 



tempo; na5 se devendo porcm demorar a rcmessa dos da moeda de C;$400, por ser a que contìnuada- 
mente se cunlia naquellas cazas. Lisboa 4 de novembro de 178G.— Provedor da Gaza da Moeda, Josó 
Comes Ribeiro. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, regislo goral, liv. xi, foL 24.) 

* Idem fol. 24 v. Doc. comprovativo n.* 229. 

* Sua Magestade he servida que V. m.^ ordene ao Àbridor dessa caza da Moeda Gaspard, que com 
a possivel deligencia comecc a abrir os novos cunhos para a moeda effigiada; entcndendo-se e confc- 
rindo sobre està abertura com o pintor Tróne, que Ihe bade communicar os Pcrfis, quo se achara ap- 
provados para scrvirem de originaes aos mesmos cunhos. Dcos Guardo a V. m.^ Villa das Caldas cm 
21 de Mayo de 1788.— Yiscondc de Villa-nova da Cerveira.— Sr. Antonio Silverio de Miranda. (Arch. da 
casa da moeda de Lisboa, regislo goral, liv. xi, fol. 58 v.) A provisào da Junta do commercio, de 5 de 
selembro de 1793, promovendo e auxiliando as invesligacòcs mincralogicas de Joào Franco IVrcira na 
provincia de S. Paulo (Brazil), menciona uns camapheus fabricados de terras do paiz, a maneira das 
obras de Sàxonia e Scvres, enviados pelo dito Joào Franco Pereira; e pergunla se ali existiam argillas 
ou barros simples ou compnstos, similhantes aos conhecidos na Europa e no Japào, em abundancia 
que se podcssc fabricar apparelhos para louca de mesa, ou ao menos para chà. (Impresso avulso. J. P. 
Kibeiro, Ind. dir. e crit., part. v, pag. 231.) Tcmos visto varios camapheus, que cilàmos apag. 96 nota, 
com o busto de D. Maria I feitos n'uma especie de porcelana, e outros em barros differenles, que tal- 
voz sejam dos descobertos por Joào Franco Pereira. 

» Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xr, fol. 70. Doc. comprovativo n.« 230. 

* Idem, liv. x, fol. 146 v. 



115 

de Torà de Messejana, que altribuia a abundancia dos pcsos duros ao lucro qiic tiravam 
OS hespanhocs na troca comasraoedas de 6^51400, dando-os a 750 réis, e promovendo 
depois OS especuladores o seu curso a 800 réis, o que devia produzir no futuro a esca- 
cez do nesso dinlieiro em oiro. preveder da casa da moeda, nào parlicipando dosre- 
ceios do juiz de fora, denionstrou a rasào da importapao da moeda hespanhola no reino, 
e a perda que resultava de se trocar em patacas a prepo de 750 réis pelas pepas de 
6^400, pois corapradas a 800 réis, para se reduzirem a moeda portugucza, ainda a 
Tazenda lucrava. 

Suscitaram-se n'esta epocha rauitas duvidas cera relapao ao curso das pata- 
cas hespanholas, ale o governo resolver que se acceilassem, nao sondo falsas ou cer- 
ceadas, a 800 réis cada urna, e que fossem reduzidas a dinheiro nacional, conforme a 
opiniao do preveder e ofliciaes da casa da moeda ^ 

Quanto ao feitio das moedas de cobre aconteceu o mesrao que com as de prala, 
lavrando-se priraeiro os n.°* 13, dez réis;M^ ciuco réis, e 15, tres réis, em nome de 
D. Maria I e D. PeJro IH; e depois da morte d'csle soberano os n.*'* 3 1, 32 e 34, so em 
nome da rainha. 

marquez de Angeja requisitou era 25 de fevereiro de 1778 do provcdor da casa 
da moeda uma relapào de todas as arrematafoes de cobre que constassem nos livros 
da dita casa, com os differentes pref os por que se havia pago cada arralel d'aquelle 
melai ; e determinava-lhe tambem que chamasse separadamente Rodrigo Brandemburg, 
Jacob Pedro Straus e Alberto Mayer, acceitando de cada um de per si propostas para 
fomccimento de cobre, e dando conta do que se passasse, a fim de ser conveniente- 
mente resolvido. Brandemburg, que tinha o fornecimento do cobre conlratado ale agosto 
de 1779, fez valer os seus direitos, continuando a dal-o por 275 réis cada arratcl*. 

Em 28 de setembro de 1779 tornou a ir à prapa o fornecimento do cobre, arre- 
raalando-se ao mesmo Rodrigo Brandemburg por 238 réis cada arralel de chapa, por ser 
dos tres concorrentcs o que ofTereceu melhores condipoes a fazenda^. 

Era seguida apenas enconlràmos, a 30 de marpo de 1799, a encommenda feila pelo 
preveder a Jacinlo Femandes Bandeira, de 45:000 arrateis de cobre em chapa, nao 
se referindo a centrato previo*. 

Moedas para as illias 

Para obslar ao curso da moeda falsa que apparecia em quanlidade na ilha da Ma- 
deira, publicou-se alvarà do 19 de agosto de 1 794 ^. 

' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. x, fol. 1G3, 170 ?. a 17G v. 
' Idem, fol. 82. 

• Idem, fol. 1 19 v.» 120 v., 124 e 125. 

• Por ordcm do IH."* e Ex."** Sr. Marquez Mordomo Mor, e Presidente do Rcal Erario, cncomenda 
Provcdor da Real Gaza da Moeda desta Cidade, Antonio Silverio de Miranda, ao Sr. iacinto Femandes 
Bandeira quaronta e cinco mil arrateis de cobre em Chappa de boa qualidade para se cunbar a moeda, 
na conforroidade dos PadrOes que se entrcgào ao dito sr., e se ihe recomenda a mayor brcvidade da 
dita remessa, que deve vir na maneira seguinte; a saber: 

2ó:000 Arrateis de cobre em chappa para moedas de 10 réis, de que devera entrar 36 chappas em ar- 

ratei. 
iVOOO Ditos para moedas de 5 réis, de que devem entrar 72 chappas em arratel. 
5:000 Ditos para moedas de 3 réis, de que devem entrar 120 cliappas em arratel. 

Lisboa 30 de Marco de 1799. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rogisto goral, liv. xi, fol. 197 v.) 

• J. P. Hibeiro, Ind. dir. e crit., part. ir, pag. 193. 



Nos Aporos circulavam umas pequenas moedas esirangeiras de prala, na maior 
parte bespanholas, informes, irregularissimas era peso e liga, sendo alguraas ali mesmo 
fabricadas e prestando-se a grandes especulagoes : para acabar com tao nocivos abu- 
sos, alvarà de 8 de Janeiro de 1795 prohibiu o seu giro, assira corno de outra qual- 
quer moeda eslrangeira, que apenas se poderia negociar pelo valor intrinseco. Aos 
particulares, que se quizessera aproveitar, foi pcrmittido entregar està prala nos co- 
fres da fazenda, onde Ihe seria pago o seu peso era moeda nacional, era bilhetcs com 
curso no mcrcado, ou era cautelas relacionadas era nome dos possuidores, sera tres- 
passe, e quo deviara sér resgatadas era terapo corapetente*. 

Estes pedapos de prata, vulgarraente designados por cascalho, fagulhas e oulros 
muitos nomes, forara uraa calaraidade monetaria que caia nas ilbas dos Apores, cor- 
rendo por um prepo superior a 80 por cento do seu valor. 

Na casa da moeda de Lisboa, corno consta pelos registos, receberara-sc dos Aporos 
por difTerentes vezes desde 1795 a 1799: 

Era dinheiro de prata cerceada 37:749jj450 réis 

Barras produzidas pela fundipao das raesmas raoedas 38:988;{I053 » 

76:737^503 » 



Para calcular a perda que tiverara aquelles povos com semelhante reducpào, basta 
citar uraa das remcssas, era que 29:464?J850 réis da tal moeda cerceada produziram ape- 
nas pelo valor intrinseco 7:527jj561 réis. 

Durante os annos 1795, 1798 e 1799 cunharara-se era Lisboa cora destino paraos 
Apores e Madeira 8:764 raarcos, 7 onpas, 7 oitavas e 40 graos de prata era 167:375 
raoedas de 300 réis, n.°35; 136:361 de 1 50 réis, n.*» 36; e 156: 100 de 75 réis, n.^ 37, 
na importancia de 82:374)5150 réis. 

Alguns exeraplares apparecera, corno o n.® 37, tendo raarcado o anno de 1794, o 
que attribuimos a haverera sido cunhados com os ferros abertos para araostra antes 
da proraulgapào da lei de 1 795. 

Na moeda de cobre procurou-se era parte compensar o prejuizo havido com a re- 
ducpào da de prata, coraraettendo-se o grande erro econoraico de a elevar ao dobro do 
valor nominai da que se fabricava para o continente, recunhando-se mesmo as de dez 
réis era vintem, n.® 38 ; as de cinco era dez, n.° 39 ; e as de tres era cinco réis, n.® 40. 
As ultiraas, que deixavam proporcionalmente menos vantagens a fazenda, nào se la- 
vrarara no anno de 1796. 

Cora este destino flzerara-se 7:905 arrateis de cobre era 133:61 1 raoedas de viiUe 
réis, 1 16:238 de dez, e 300:788 de cinco, na iraportancia de 5:348/5540 réis. arralel 
de cobre assira araoedado saia, nas moedas de 20 e 10 réis, a 760, e nas de 5 réis 
a 635; e custando as chapas do metal a 238, flcava para feitio e senhoriagera nas pri- 
raeiras 522 réis, e nas segundas 397 era cada arratel. 

Na intenpào de abreviar o expediente imprimiu-se, corno ensaio, na moeda de cinco 
réis do continente a contramarca de 1 0, assira representada no n.® 33, e na de tres réis 
a de 5, n.® 16, para corrcrem com este accrescirao nas ilhas. É provavel que se fizcsse 
racsrao era relapào a moeda de dez réis do rcino, pondo-lho o carirabo de 20 com o 

' Impresso avulso. Doc. comprovàlivo n.» 231. 



117 

raesmo destino; mas nunca vimos exemplarcs assim marcados. Parece liaver-se desis- 
(ido de tal pratica, pela fadlidade com que se podiam falsiflcar. 

Papel moeda* 

No rcinado de D. Fedro II, quando se tratou de tirar da circulap ào a mocda cerceada, 
para a fabricar de novo com o peso legai, crearara-se os padrdes de juros, que podiam 
ser negociados convencionalmente ; e ordenou-se era 22 de raarfo de 1687 que osvales 
ou recibos passados pelo thesoureiro da casa da moeda aos particulares que ali levas- 
sem dinheiro veiho, corressero no mercado comò moeda effecliva^. 

Pelo notavel cerceamento que appareccu nas moedas estrangeiras de prata cor- 
rentes nos Apores, mandou o alvarà de 8 de Janeiro de 1795, que taes moedas deixas- 
sem de correr, a nào ser pelo valor intrinseco, fixando-se para a entrcga o praso de 
um mez em cada ilha. A commissao encarregada d'este servilo devia dar comò ga- 
raotia aos possuidores do dinheiro bilhetes com valores determinados de 24<J000, 
12^000, 9<J600, 7^200, 4f5(800 réis, ou de quanlias menores que sejulgassemncces- 
sarias, para facilitar o commercio; os quaes bUh^ìtes leriam valor nas illias, comò se 
fossem dinheiro ^. 

decreto de 29 de outubro de 1796 annunciou o emprestimo de dez milhCes de 
cruzados em apolices de 100^000 réis para cima, vencendo 5 por cento de juro; os 
que dessero o capital por roais de quinze annos, leriaro 6 por cen(o, e aos contribuin- 
tes de capital superior a 40:000^000, com desistencia dos juros, scriam conferidas mer- 
cés honoriflcas. Estas medidas nào peccaram pela novidade; jà cm 1687 havia sido 
proposto um alvitre quasi semelhante *. 

alvarà de 13 de roarpo de 1797 elevou os dez milhoes a doze, igualou lodo o 
juro a 6 por cento, isento de decima, mas por tempo illimitado, nào podendo as apo- 
lices ser inferiores a 50fj0O0 réis; e permittiu que se entrasse com ellas comò di- 
nheiro effectivo, no pagamento dos direilos ao estado. 

Estes titulos nào tinham curso Tornado, mas constituiam uma verdadeira transipào 
para o papel moeda, comò se havia praticado em Franpa, depois da revolupào, com o 
papel municipale mais tarde chamado assignados. 

A adminislrapào que havia esgotado sero proveito as avultadas sommas que o mar- 
quez de Pombal deixàra nos cofres publicos, nào tardou era lanpar mào de tao infeliz 
expediente financeiro. alvarà de 13 de juiho de 1 797 determinou que dosdoze milhSes 
do emprestimo se Ozessem tres em apolices inferiores a 50^000 réis, para lerero curso 
forpado, sendo acceitas pelo valor nominai em melade dos pagamentos, nào so nas re- 



' >ao (cntàmos uma dissertagào economica administrativa sobrc o papel moeda; o assumpto, ain- 
(la qoe recente, é vasto, pelo numero de leis a que deu origeni, e complicado, pelas irregularidades e 
crises por que passou: esbo(;àmos apcnas com estes apontamentos a sua liistoria, e rcservàmos a indi- 
cac^o dos docomentos legislativos para os reinados em que se decretaram. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 447. 

• Impresso avulso. Doc. comprovativo n.» 231. Os bilhetes que se emittiram foram apenas de 7|;200 
e 4^800 réis, sommando 62:400^000 réis; e resgalando-se até 1820 na Junta de fazenda 62:025^600 réis, 
ficaram na circulagào e extraviados 374^400 réis. Em 1823 e 1824 tomou-se a fazer nova emissào na 
impoTtancia de 12:004]^800 réis, que se resgataram nos quatro annos seguintes. 

* Vid. a pag. 03 d'este tomo e o doc. comprovativo n.» 186. 



118 

cebcdorias da fazenda, mas entre os particulares, confi as pcDas impostas aos qae ea* 
geitavam moeda metallica*. 

governo coraecou a abusar da lei, pagando muilasvezesaosfunccionariosdoes- 
tado dois terfos dos seus venciraenlos com lai moeda, 

Este emprestimo sem garanlias, representado nominalmente n'um bocado de pa- 
pel, emitlido em crise flnanceira, introduziu logo a desconflanpa, augmentada pela ir- 
rcgularidade com que se pagavam os juros e se faziam as amortisafoes. 

A eraissào comepou em 1 de agosto de 1797 pelos bilheles de 1 0,J000 réis, seguio- 
do-se a 26 os de 5^000; a 25 de novembro os de 20^000; a 19 de dezerabro os de 
2r5l400; a 23 de novembro de 1798 os de 1^200; a 3 de julho de 1799 os de 12^00, 
e finalmente a 10 de julho do mesmo anno os de 6jj400 réis. total emittido de 1797 
a 1799 foi de 1.943:876 apolices peqv^iias, sommando 16.5 13:720f5000 réis. Quei- 
maram-se durante este praso 665:973 bilhetes de 20,JOOO, 10^000, 5j5O00 e 2^5400 
réis, representando nominalmente 5.820:243^000 réis. Conlinuaram em circulapào no 
principio do presente seculo 1.277:903 bilhetes, na importancia de 10.693:477^000 
réis; e advirta-se que a auctorisapao foi so de 1:200 contos! 

Como compensapào o aviso de 4 de abril de 1799 raandou que consolilo da fa- 
zenda vendesse os bens que tinha em administrapao, livres de siza, podendo ser pa- 
gos em papel moeda. 

al vara de 24 de Janeiro de 1800 providenciou a creafào de uma caixa de des- 
conlos, e o proprio governo ahi agiotou o papel moeda a 6 por cento, moralisando o 
facto com a preferencia aos portadores de menor numero de bilhetes. As perdas resul- 
tantes à fazenda do encargo dos juros; o prepo a que haviam subido todos os gene- 
ros; OS descontos que pesavara nos pensionarios do estado, e outros muitos inconve- 
nienlcs commerciaes do papel moeda, so foram reconhecidos pelo governo do principe 
regente, quando mandou cessar a sua emissào, pelo alvarà de 31 de maio, consignan- 
dO'lhe por dez annos o subsidio nos vinhos*, o rendimento das lolerias que se fizessera 
em Lisboa e Porto, e as dividas à real fazenda anteriores a 1797 e que se pagassero nos 
tres annos successivos. Estes recursos destinavam-se, alem dos votados no decreto de 
29 de outubro de 1 796, para pagamento dos juros e amortisapào das apolicesgrandes, 
e comprehendiam a decima do rendimento das commendas, do quinto dos bens da co- 
rua e das contribulpoes ecclesiastìcas. A permissào era so para se fabricar o papel 
moeda preciso para trocar o que se dilacerasse no giro. 

decreto de 23 de Janeiro de 1801 mandou inutilisar as apolices pequenas que 
enlrassem no erario, para nao continuarem em circulapào ; e no dia seguinte publicou-se 
um outro decreto ordenando que se vendessem os predios e fóros administrados pelo 
conselho da fazenda, e o seu producto se pagasse no erario em apolices pequenas ^ que 
seriam queimadas publicamente no paleo da moeda. 

editai de 31 de Janeiro de 1801 traz as seguintes providencias a respeilo do 
papel moeda: pagamento dos seus juros no erario, sondo parte em metal; a venda 
de alguns bens da corua em apolices, que depois seriam destruidas pelo fogo; e pro- 
mover a Iroca dos bilhetes grandes pelos pequenos, e o curso d'estes ultimos nas prò- 
vincias. 



' Impresso avulso. Doc. comprovalivo n.» 232. 

• Por decrcto de II de dezembro de 1809 foi prorogado este praso por mais cinco annos. (J. P. Ri- 
Jiclro, Ind. chr. e crit. part. v, pag. 310.) 



119 

alvarà de 23 de margo dcterminou quo as dividas anleriores ao papel moeJa 
fossem pagas era melai, ou com o respectivo rcbate, sendo em papel^. 

A 7 de marpo de 1801 una outro alvarà declarou que no emprestimo dos doze mi- 
Ihoes entrarla em partes iguaes o metal e as apolices pcqucìias, eslabelecendo para 
pagamento dos seus juros novos impostos sobre o assucar, chapéas, manufacturas na- 
cionaes, predios urbanos de Lisboa e Porto, creados e cavalgaduras. 

emprestimo de 1797 mandou-se fechar em 24 de Janeiro de 1803, e tratando-se 
da sua amortisapào, crearam-se bilhetes de credito com a natureza de letras de cambio 
com hypolheca especial nos mesmos escriptos*. 

alvarà de 2 de abrìlde 1805, considerando excessivoo juro Ao papel moeda, que 
nào estava em proporpao com o das apolices grandes, ordenou a sua reducf ào de 6 a 
5 por cento, ficando captivo à decima; que se fizessera novos bilhetes, nào excedendo 
a èco contos os de lf$200 réis, e a 300 contos os de 2^400 réis, para substituipao dos 
que andavam no mercado em mau estado; e que visto as apolices de tao diminutas 
quantias apenas servirem de trocos, passasscm a nào vencer juro, devendo todas as 
aotigas dar entrada no real erario, para se trocarem por outras com a referida de- 
clarapào. desenho da est. xlix foi feito n'esta conformidade, sendo todos estes bi- 
lhetes de 1^200 e 2^400 réis fabricados na casa da moeda, vindo o papel, que era es- 
pecial, da fabrica de Alemquer^. Aos ofBciaes encarregados d'essa fiscalisapào foi ar- 
bilrada a ajuda de custo de 25^000 réis mensaes a cada um, e ao porteiro o salario 
de um cruzado diario, emquanto durasse a manuractura ^. 

Os emblemas e allegorias dos bilhetes variavam nào so em relapao as quantias que 
representavam, mas tambem nas diversas emissocs que sé flzeram. 

pretexto da substituipào das pequenas apolices dilaceradas scrviu para se emit- 
tirem mais 124:998 bilhetes de 2j$l400 réis e 166:666 de 1^200, na importancia de 
499:994f$400 réis, pois a amortisapào indicada no alvarà nào consta se chegasse a 
fazer, elevando-se assim o total Ao papel moeda a 1 1. 193:47 Ij5l400 réis. 

De 3 de julho de 1806 é o alvarà de beneplacito às letras apostolicas, regulando 
acobranpa do amio de morto de todos os beneflcios ecclesiasticos que vagassem, sem 
excepfào das renuncias in favorem ou pensoes com que estivessem onerados, man- 
daado que do producto da arrematapào dos fructos d'esses beneflcios vagos se com- 
prasse pelo cambio, com o dinheiro em metal, apolices, e que tanto estas comò as que 



' Liv. de registo da secret, de fazcnda. (J. P. Hlbciro, Ind. dir. e crit., pari, v, pag. 249.) 
' Às apolices que entraram no erario para amortisa^ào, tomaram a sair pelo decreto de 27 de abrU 
de 1804, com pertences assignados para correrem assira endossadas. Os seus juros foram reduzidos a 
novos titulos de rendas pennanentes, pelas porlarias de 17 de margo e 7 de abril de 1811. 

' Principe Regente Nosso Senhor Ile scrvido ordenar, quo dentro da Casa da Moeda, e de baìxo 
da lospec^ào de Yossa Mercé, se eslampcm as Apolices que sào precizas para se renovarcm as que se 
achào dilaceradas, nas porcoens que determina o Alvarà de dous de Abril do presente anno; recebendo 
da Pabrìca de Alemquer o papel proprio quo para este effeito se tcm mandado fabricar; e entrcgando 
no Roal Erano, naò so as Estampas que se flzcrcm, mas tambem qualquer porgad, que do mesmo pa- 
pel sobejar: E outro sim Ordena o mesmo Senhor, que para tornar conta de todo o papel, chapas e es- 
taroparia, e conservar ludo na mais rigorosa arrecadagào, Vessa Mercé possa servir-? e dos Offlciacs do 
Real Erario, e da Gasa da Moeda, que Ihe forem necessarios, fazcndo teda a Despèza pela mesma casa: 
que assira executarà. Dcos Guarde a Vossa Mercé. Pago enr20 de maio de 1805. — Luiz de Vasconcel- 
los e Scusa.— Sr. Antonio SUverio de Miranda. (Arch. da casa da moeda daLisboa, registo geral, liv. xii, 
foi. 55 Y.) 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, regi.sto goral, liv. xii, foi. 60 v. 



120 

eiitrasscin na metade do prepo da arrematapào, depois de inulilisadas com dois gol- 
pcs, fossem remetlidas ao erario. 

alvarà de 2 1 de outubro de 1 807 alDda auctorisou a emissào de mais 4OO:000j$00O 
rcis, para substituir o papel moeda que se tinha queimado e se havia de queimar* ; 
por està concessào. apenas se fabricaram 58:475 bilhetes de 2|9I400 réis e 18:982 de 
1;$200, na importancia de 163:1 18/51400 réis. 

Parece que nào houve mais emissào de papel inoedu, Os alvaràs de 13 de feve- 
rciro e 23 de marpode 1812 providenceiarasobreo pagamento do seujuro; e ale 1816, 
ultimo anno cm que se fez tal abono, montaram os bilhetes pagos a 4.030:500^446 réis^. 

A portarla de 8 de juiho.de 1817 augmentou os direitos de Importapào a certos 
gcneroSf para serem applicados ao.s juros e amortisapào das apolices ou acpoes do ul- 
tima empreslimo. 

A amortisapào, alem de se fazer lenta e irregularmente, prestava-se, por falla de 
fiscalisapào a immensas fraudes. Em alguns termos que se lavraram, menciona-se 
apeuas o numero de sacos de tantos alqueires, que se clizia irem cheios de bilhetes 
emmassados, e assim eram queimados, portando por fé os assistentes, apesar de se 
murmurar centra tao irregular processo. 

Como é facil de suppor, no mercado appareceu grande quanlidade ùQpapd nweda 
falso, fabricado no estrangeiro e no reino, e que muilas vezes difficilmente se dlstinguìa 
do verdadeiro. Malheus Pereira Pacheco imaginou duas marcas para impedir a sua falsi- 
ficapào, pedindo um conto de réis pelo invento e despezas que com elle fizera. pre- 
veder da casa da moeda, informando em 13 de novembre de 1821 sobre o merito e 
valor da obra, declara compór-se de dois sinetes, um de oiro e outro de apo, avallando 
metal e a parte artistica em 38j$745 réis; e emquanto ao mais deu-se por incompe- 
tente para o apreciar ^. 

decreto de 26 de setembro de 1826 mandou pur nos bilhetes um carimbo a 
tinta encarnada, o qual n'um circulo radiado incluìa o nome do reinante D. FE- 
DRO, encimado pela corùa real e por baixo o anno 1826, comò se observa no esem- 
plar copiado na estampa xlix, tendo por fim principal conhecer a quantia em cìrcula- 
pào, e poder propur-se às cortes a sua regular amortisapào. A crise do banco e a quéda 
do systema representativo destruiu esles projectos. 

Os avisos de 7 e 20 de agosto de 1 828 mandaram continuar com um carimbo iden- 
tico ao anterior, tendo nome de D. MIGUEL e anno 1828 (est. xlvui), renovan- 
do-se a ordcm no decreto de 30 de Janeiro de 1830, e prohibindo cursonopapel moeda 
sem adita marca; disposipào que foi derogada, em 23 de dezembro de 1833, logo de- 
pois do restabclecimenlo do legitimo governo. 

Com exaclidào nào se póde saber a quantia de papel moeda que se cmittiu; o pro- 
prio erario ignorava pela ma escriplurapào dos seusllvros: em 1820, um calcolo ap- 
proximado dava nove mil contos, e actualmente ainda se avalla em porto de tres mil. 
decreto que delerminou a sua extincpào, admittiu-o em metade de quaesquer pagamen- 



' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. zìi, fol. ^0 v. e 81. 

* Em 5 de novembro de 1818 representou provedor existirem ali tres maquinas de cstampar, que 
flcaram sem uzo desde a ultima emissào de papd ììweda; as quaes em porlaria de 10 do mcsmo mez 
foram transfcridas para larario (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. .\ii, fol. 222 v. 
e 224). 

■ Ardi, da casa da moeda de Lii^boa, iTf,'iì^to arerai, liv. xin, fol. 112 v. 



121 

tos nas reparlipoes da fazenda publica, o que fez diminuir bastante o numero dos bi- 
Ihetes. Hoje nào técm applicapao alguma. 

Muitos contratos feitos na epocha do papel moeda ainda subsistem com a clausula 
na forma da lei, promovendo embarapos e demandas, que muitàs vezes os tribunaes 
decidem arbitrariamente, pela falla de urna medida legislativa que reduza taes encar- 
gos a um equivalente na moeda corrente. 

agio do papel moeda dependia de meia duzia de homens, argentarios, pela maior 
parte estrangeiros, que o monopolisavam à sua vontade, sem que o governo podesse 
ou quizesse procurar os melos de o estorvar. Seria tarefa dìfficil determinar com pre- 
cisào rebate que soffreu desde 1797, em que foi creado. 

No comepo reputa va-se ofllcialmente a 6 por cento; mas no mercado descontava-se, 
termo medio, a 20. 

Na invasalo franceza chegou a 60 por cento, descendo depois da restaurapào a 12; 
e passando por variadissimas oscillapoes, achava-se a 22 em 1820. 

A lei de 3 1 de dezembro de 1821, creando o banco de Lisboa, impoz-lhe o onus de 
coadjuvar o governo na amortisapào das pequenas apolices, o que cumpriu abrindo o 
desconto a 13 por cento, e entregou, para se queimar, a somma de quasi tres milhoes; 
por isso agio conservou-sc ale 1826 entro 1 1 e 14 por cento. 

A crise do banco em 1827 obrigou-o asuspender o rebate do papel moeda, o que 
elevou desconto a 30 ; e assim se conservou, com insignificantes alternativas, ale fins 
de 1833, em que attingiu uma perda de 72 a 75 por cento. 

Desde 23 de julho de 1834, em que foi extincto, com a promessa de ser pago em 
melai com desconlo de 20 por cento, o que se nao póde cumprir ale hoje, lem sof- 
frido sempre depreciafào, chegando a offerecer-se com a prejuizo de 95 por cento. 

A creapào do papel moeda foi uma operapào absurda, um tributo oneroso, ou me- 
Ihor um emprestimo forpado e designai, que, dando logar a immensos abusos, so con- 
seguiu desenrolar mais o triste sudario das nossas flnanpas. Tao faci! em romper-se 
corno em falsiflcar-se^ serviu de tropepo ao commercio, e pelas oscillapoes do seu agio 
prestou-se a grandes especulapoes. Nào podendo entrar nas compras inferiores a réis 
2^400, pesou mais na classe pobre, que so se surte por miudo, e estas circumstancias, 
juntas à faciiidade que o governo tinha de deitar para o mercado tal especie de moeda, 
iocutiram no pubiico a desconflanpa, que o futuro demonstrou nào ser infundada. 

prepo dos generos anelava sempre em relapào com a subida e descida no rebate 
dos bilhetes. 

A maneira e a epocha da sua extincpào nào foram bem escolhidas; acabava-se de 
uma guerra civil, que havia consumido sommas enormes, sondo urgente pagar os gran- 
des encargos contrahidos no estrangeiro ; e està medida precìpitada veiu augmentar os 
embarapos, que se esperava solver com os bens das ordens religiosas extinctas. Infe- 
lizmente o governo nào pude cumprir o que promelteu, e hoje todos consideram uma 
juslipa consolidar em litulos de divida publica esses restos de papel moeda, que sào 
um allestado da iuepcia administraliva do governo que o emiltiu. 



122 



D. JOÀO VI 



(De 15 de julho de 1799 a 10 de margo de 1826) 



Nasceu oste prìocipc no pago de Queluz, a 13 de maio de 1767; casou a 25 de abril de 
1785 com D. Cariota Joaquina de Bourbon ^ Blha do principe das Asturias, depois Carlos IV, 
e de sua mulher D. Maria Luiza de Parma. Na mesma occasìào effectuou-se o casamento da 
infanta D. Marianna Victoria com D. Gabriel, filbo de Carlos in, fazendo-se na raia a troca das 
princezas, com grandes fcslejos, a 8 de maio do dito anno de 1785*. 

Pela molestia de D. Maria I o principe D. Joao comegou em 10 de fevereiro de 1792 a go- 
vernar rcino em nome de sua màe. 

À Europa prepahava-se militarmente contra os principios proclamados na revolugao fran- 
ceza. Porlugal, nào podendo conservar-se neutral, entrou na liga, enviando a 13 de setembro 
de 1793 comò auxiliar uma divisào de seis mil homens, entregues ao commando do general 
Fcgrbes, e de que tambem fizeram parte o marquez de Alorna e Comes Freire. As tropas por- 
tuguezas foram desembarcar a Rosas no dia 1 de novembro, dando principio à celebre cam- 
panha do Roussillon, onde prestaram relevantes servigos pela sua bravura e disciplina. Em 
22 de julbo de 1795 assignou a Hespanba, scm nos incluir (!), um tratado de paz com a 
Franga, o que deu motivo a rctirar para a patria a divisào auxiliar confiada ao general For- 
bes. Tentando o governo do principe Gcar em completa neutralidade na grande luta que se pre- 
parava, entabolou em 1796 ncgociagOes com o directorio; mas os partidarios da Inglaterra 
conseguiram transtornar todo o accordo, dando logar à invasào das nossas frontciras pelas tropas 
francezas, alliadas ùs de Carlos IV (!), que nos obrigaram a acceitar tratados bastante onero- 
sos, comò de Badajoz de 6 de Janeiro de 1801, pelo qual tivemos de ceder à Hespanba di- 
venga com sessenta mìlbas de territorio no Guadiana, alem da indemnisagào de alguns mi- 
Ibóes que pagàmos à Franga. 

Para acudir ùs immensas despezas da guerra abriu-se um grande emprestlmo em 7 de 
mafgo de 1801, e mandou-se recolber em deposito na casa da moeda as pratas das igrejas, 
sondo as primciras que ali deram entrada as dos conventos de Palmella e Tbomar e da ma- 
triz de Oeiras; as quacs, depois de feita a paz, se restiluiram ùs rcspcclivas igrejas pelo aviso 
de 23 de fevereiro de 1802 ^ 



' Havendo nascido em igual dia e mez de 1775, por isso so se juntou com o esposo em 1790. 

' coiìde Fernan Nunes, embaixador extraordìnario de Sua Magestade Gatholica, para assignar o 
tratado matrimoniai com os plenipotenciarios portuguezes, mandou cmihar uma medalha commemo- 
rando estes dois matrimonios, a qual Lopes Fcmandes traz estampada na sua Memoria^ com o n.« 63, 
pareccndo-lhe ter sido fabricada em Madrid. No liv. xi do registo geral da casa da moeda de Lisboa 
(a fol. 3 e 4 V.) acham-se transcriptos dois avisos, datados de 6 de junho de 1785, concedendo um que 
abridor José Gaspard cunbasse n'aquella casa uma medalha, a pedido do embaixador de Hespanba; 
e outro auctorisando ao preveder a vender ao dito embaixador o oiro preciso para a factura das mes- 
mas medalhas. 

' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xi, fol. 214 a 228. 



123 

A prolongagào do mau eslado de saude da rainba, e as criticas circumstancias em que se 
acbava a Europa, levaram o principe D. Joào, em 15 de julho de 1799, a assumir a regencia 
do reinoi. 

genio de Napolcào nao permittia treguas : Portugal foi intimado para expulsar dos seus 
dominìos os subdìtos da Gran-Bretanha e declarar-lhe a guerra. governo do regeote, co- 
nhecendo a gravidade da situagào, procurou gaohar tempo com evasivas; e o esercito francez, 
eoa) este pretexto, entrando por Castello Branco a marchas forgadas, chegou quasi desper- 
cebido a Àbrantes a 24 de novembro de 1807, e a'29 acampou em Sacavem. 

Estas noticias espalbaram a confusào em Lisboa; o regente dccretou no dia 26 a sua re- 
tirada e da sua famiiia para o BrazìJ, e embarcando precipitadamente na esquadra, safram a 
barra no dia 29. Na Princeza recU, de oitenta pegas, foi a rainha D. Maria I, o regente com 
seu filbo primogenito e o infante de Hespanba D. Pedro Carlos; a Rainha de Portugal levou 
a princeza D. Cariota Joaquina de Bourbon com os infantes; o Principe do Brazil conduziu 
as irmas da rainba; na Medusa, D, Joào de Castro, Alfonso de AUniquerque e Conde D. Henri- 
qucy fa ministerio e os grandes do reino. Em outros navios de guerra e mercantes trans- 
portaram-se numerosas famiiias, caiculando-se em perto de quinzemil pessoas, que levaram 
immensas riquezas. A esquadra foi eslacionar dois mezes na Babìa, navegando depms para 
Rio àe Janeiro, onde a famiiia real descmbarcou a 8 de margo de 1808. 

Em Lisboa ficaram nomeados corno govcrnadores do reino o marquez de Àbrantes, Fran- 
cisco da Cunba Menezes, principal Castro, Pedro de Melio Breyner, D. Francisco Xavier de 
Noronba, e comò supplente o conde de Castro Marim. Às sete boras da manbà de 30 de no- 
vembro entrou na capital o generai Junot, tendo atravessado o reino sem disparar um tiro, 
com moslras pacifìcas, e dizendo-se até protector de Portugal, No 1.° de fevereiro de 1808 
coDstituiu nova regencia em nome de Napoleào I, de que se fez presidente, conservando dos 
da primitiva o principal Castro. 

Imposta urna contribuigào de quarcnta milbOes, comegaranpi a entrar nos cofres pu- 
blicos dinheiro e as jpias dos parliculares, e na casa da mocda as pratas das igrejas e do 
ihesouro real, que o novo duque de Àbrantes (Junot) mandou amoedar; merecendo excepgào 
as alfaias da capeila de S. Joào Baptista, na igreja de S. Roque, e uma cruz de oiro que scr- 
via de relicario, pertencente ao convento de Tbomar*. 

Os invasorcs em breve principiaram a fazer sentir o efifeito das suas violencias; a cidadc 
do Porto revoltou-se, e outras povoagOes Ihe seguiram o exemplo. exercìto anglo-luso ven- 
ceu as tropas francezas na Roliya e no Vimeiro. Junot, prevendo os resullados, ordenou a 8 
de agosto que se fundisse na casa da moeda o resto das pratas das igrejas, fazendo barras ap- 
proximadamente de lOOjlOOO réis cada uma, marcando-as depois de ensaiadas e entregando-as 
logo ao recebedor das rendas, Felix Berthelot. A mesma ordcm mandava suspender a refinagào 
dos metaes, o trabaiho das fieiras e a cunhagem, quando se acabassem as cbapas que estavam 
preparadas ^. Està providcncia foi a tempo, pois a 30 de agosto teve logar a convengào de Cin- 
^, que obrìgou os soldados de Napolcào a evacuar Portugal, d'onde levaram muitas precio- 
sidades. 

Libcrtado o reino, reconslruiu-se, em nome do principe regente, uma nova regencia pre- 
sidida pelo bispo do Porto. 

A Hespanba pronunciou-se abertamentc centra os francezes, e o marechal Soult invadindo 
em 1809 as provincias do norte, cbegou a entrar na cidade do Porto a 24 de margo; mas a 
acjSo de li de maio o fez voltar para Galliza. 



' K cidadc do Porto por essa occasiào dedicou uma medalba ao prmcipe regente, concedendo-se 
» licenza para este firn, pelo aviso regio de 20 de sctembro de 1799. Lopes Fernandes descreveu-a e 
i-a na sua Memoria, com o n.» 69. 
* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, Hv. xii, foi. 82 e 87. 
' Idem, foi. 92 v. 



124 

Uffl novo exercito coannandado por Vassena, trazendo às suas ordeDs o marecbal Ney e 
general Junot, eotrou a raia em agosto à&>1810; depois da desastrosa capitulag&o da praga 
de Almeìda, marchou na direcgao de Ck)iinbra, e parou ante as serras do Bussaco, Hondego e 
Hurcella, que achou guamecidas pelas tropas aliiadas. No dia 27 de madrugada foram ata- 
cados OS dois cxtremos da linha pelas tropas de Masscna, sendo estas repellidas com perdas 
saperiores a dois mil mortos, alem de grande numero de fcridos e prìsioneiros, em que entra- 
vam alguns geueraes. Da parte dos aliiados os prejuizos foram relativamente ìosignificantes. 

Na noitc de 28 às brigadas francezas tentaram tornear as fortes posi^Oes de Wellington, 
que, nào podendo estorvar a tempo este movimento, teve de recolher-se ùs linhas de Torres 
Vedras, onde o prìncipe d'Bssling, o filho querido da Victoria, depois de varios reconbeci- 
mentos e ataques, viu a iusufficiencia das forgas que commandava para vcncer as fortifica* 
Qòes; retirando-se para Santarem, que foi foi*gado a abandonar qo dia 5 de mnrqo de 1811, 
e perseguido vigorosamente pelas tropas aliiadas, entrou em Hespanba nos comegos de abril. 
Expulso exercito de Massena do territorio portuguez, a guerra continuou contra a Fran^-a 
até a abdicagào de Napoleào I. 

A carta de lei de 16 de dezembro de 1815 elcvou o Brazil à dignidade e preemineDcia 
de reino, devendo, junto com o de Portugal e Algarves, formar d'aqueila data em diante um 
so, denominado Reino unido de Portugal e do Brazil e Algarves, intitulando-se D. Jofio principe 
regente do reino unido de Portugal e do Brazil e Algarves, 

Em virtude d'està resolugdo o alvdtà de 9 de Janeiro de 1817 determinou que o principe 
herdeiro conservasse o titulo de duque de Braganga, substituindo o do principe do Brazil pelo 
de principe real do reino unido de Portìigal e do Brazil e Algarves, 

Fallecendo no Rio de Janeiro D. Maria I, a 20 de margo de 1816, tomou o principe re- 
gente titulo de rei, fazcndo-se a sua acclamagào com a costumada pompa em 6 de fevereiro 
de 1818. 

A 20 de Janeiro de 1817 uma divisào portugueza occupou territorio be^panbol de Hon- 
tevideu, na margem orientai do rio da Prata. 

Terminada a guerra com a Franga, acbou-sc Portugal debaixo do dominio inglcz, o que deu 
logar, tanto no civil comò no militar, a manifestagdes de descontentamcoto, cbegando mesmo 
a tcQtar-se pela revolta do exercito sacudir Uio odioso jugo. A alliciagao foi descoberta e jul- 
gada comò crime de lesa-magestade, ficando condemnado à morte na forca o infoliz tenente 
general Comes Freirc de Andrade, executado na explanada da torre de S. Juliào da Barra, 
onde se achava preso, aos 18 de outubro de 1817 1. No mesmo dia padeccrnm mais onze ci- 
dadàos igual sorte no campo de Sant'Anna. 

Este triste e repugnante procedimento, augmentando a anlipalbia conlra os inglczes, dcs- 
pertou patriotismo e proparou a revolugào liberal na cidadc do Porto na noite de 23 para 
24 de agosto de 1820. Em breve adberiu todo o paiz ao pronunciamento; os officiaes ingle- 
zes spiram de Portugal; as cortes gcraes, extraordinarias e constiluintcs, foram convocadas 
e abertas em 26 de Janeiro de 1821 ; e D. Joào VI, embarcando no Rio de Janeiro a 26 de abril 



' Nasceu este illustre portuguez cm Vienna de Austria, a 27 de Janeiro de 1757, onde seu pae se 
achava corno nesso cmbaixador. Senlou praca no rcgimento de Feniche, sendo promovido a alfcres 
em 1782 ; passou para a marinha no posto de tenente, e voltou depois para o exercito corno sargento- 
mór. Em 1788 distinguiu-sc na guerra contra a Turquia, combatendo a favor de Catharina ÌI da Russia; 
e no regresso à patria tomou parte uas campanhas da Catalunha e Roussillon. Quando os francezes se 
asscnhorearam de Portugal, nomearam-no immediato ao marquez de Alorna, para marchar com a le- 
giào portugueza que foi incorporar-se no exercito de Napoleào 1. Ennobrecido por uma serie de feitos 
{^loriosos, voltou cm 1815 a Lisboa, saindo llUbado o seu procedimento por andar em servilo da Franca. 
Pouco depois de sor eleito gran-mestre da magonaria cm Portugal, foi preso comò chcfe da coospira- 
Qào tramada para acabar com a excessiva inOuencia de lord Bcresford. Sem Ihe provarem a accusagào, 
condemnaram o bravo e intelligente general a morte ignominosa na forca, pelo crime de nào synipa- 
ihìsoj com a ìngerencia ingleza na adrninistracào da i^ua patria! 



125 

de 1831, cbegou a Lisboa com a familia rcal a 3 de julho do anno seguintc. No dia inmiR' 
dialo, depois de assislir ao Holcmne Te Dmm, dirigtu-se o rei ao palacio das Nccessidades a 
ratificar o juramento is bases da constituÌ£ào, qtie depois de coDcluìda jurou no 1.° de ou> 
laiiro. 

JoSoTeixetradeMcllo, negoeiantedacidadedoPorlo, offereceu, em 28 do inarco de 1821, 
ao soberano congresso cento e urna niedalhas de prata dourada, para os deputados usarem 
suspcQsaa ao pescoso em (ita amarclla e rerde ; aendo 100 de um modelo mais pequeoo ■ para 
aerrirem nas sessOes ordinariasdacainara, e urna outra com odobro do diametro, queoffcrecia 
corno padrùo para as que deviam usar nos dias soleinnes. As cortes tomaram ern considera- 
(ào OS patriotìcos sentimcotos do benemcrìto cidadfto, mas d3o adoptaram o uso da medaiha, 
por priadpìo de modesiia, e ordenaram se Ihe enviassc um officio de agradecìmcnto *. 

Para commemorar a implantasao do sjstema constitucìonal em Portugal, mandaram as 
cortes que se levantasse na pra^ do Bocio um grandioso monumento com estatuas allego- 
rjcas; e no dia 15 de setpmbro de 1821 fez-se a festa da inauguralo, depositando o rei nos 
aliccrces um cofrc com as moedas eniao corrcntcs e urna chapa du prata, tendo inscriplo: 
Àos 27 dias do mez de agosto de 1821 , decrelaram as cortes ^eraes extraordinarias e cmsti- 
liùnlti da nafdo porlugueza, que se erigisse n'esla praga do Rocio este monumenlo da nossa 
regeneracào potilica , feila nos dias 24 de agosto e i5de setembro ei." de oulubro de 1820. 
Xo rcTerso : Ei-Rei D. Jodo VI, primeiro rei constUucional, lan^ou, a primeira pedra d'este 
mmìtmento, em o dia\B de selembro de 1821. 



' No Kabinetc nunùsmalico de Sua Mageslade El-nd o Scnbor D. Luiz eiistc um exciriptar d'està 
rara mcdaltia. 

-SALUS POPULI SUPREMA LEX ESTO. No campo radiado urna balanoa, tendo era 
nnia conctiB uma espada e na outra unt livro; cntrcla^da no Del o no brago uma pequcna corda de 
loim e por cima o olito da provìdencìa dentro de um Iriangulo, parlindo de cada angulo a legenda =- 
PATRIOTISMO - RAZAO — VERDADE. 

» DEPUTADO DA NAgAO PORTUGUEZA EM CORTES. Escripto em seìs linlias. 
dentro de uma corda de loiro e carvaliio. 





' Para Joao Te se ra do Mollo A Cortei fleraes e Eitraordinarias da Na^ao Portugiicza, tendo-thes 
■ '^ aprcscntadas em sc^'vio de do prcncote mcz aa cento e Imma medallias que v. in. dìrigìu a este 
^■^crano congresso cm data de 28 do pa.ssado, para que ìs cera fossera dislrìbuìdas por scus lionra- 
<ti*s Ucmbrod, e huma ma or scrv ssc de modello p^a as que se uzasscm nos dias Nacionaes, nào so 
ordenàrio se Bzessc mencio I onrosi na Veto da sua palriolica otTerla, mas conslderando-a corno cvì- 
ili'nlc ar^iticnto de sua adlicrcncia à sagrada causa da Patria, em conronnidadc io parcccr da com- 
wiisjo rc^pccliva, constante U» copia inclus-i, quo foi approvado n'osta data, Maiidào partieipar a v. m. 
> distinta maneira por que lem sidn acolblda a sua lemliranga. e que de nào scrcm as mcdalbas ado- 
Pt^ilas para uso. segundo \. m. proponila, de ncnlium modo so deve cntcuder dctreliido o apreco e 
i^insidcracào com que forào rccebìdas. Dcos gnanle a v. m. Pago du cortes, cm 24 de Abrìl. Joao Ba- 
lata Fclgiipiras. (Nas aclas das mcsmas rOrti's.| 



126 

Oitonado de LJsbon laTrou nulo da ccrcmonia. 

Na cidade do Porto foì raandado levanlar outro monumenlo, om porlariu de 23 de dczcni- 

bro de i820, recommcndado depois pelas cortes gcracs, extraordinarias e consliluintes da 
najSo porlugueza cm 11 de julliO(!el821 e pela portarla do governo do mcsmomez e anco. Ao 
concurso aprcseatou-se um projecto de Joao Francisco Guimariìos, e doìs de Joaquim Ita- 
pfaael, Bendo approvado um d'csle habil pinlor, quc havia tido a cooperagao do cntalLador 
Manuel Moreira e do insigne modelador eoi barro Joao José Braga. A inaugurafjo fez-se na 
praga da conslitui^o, no dia 24 de agosto de 1822, deltando-sc no alicerce um cofrc de prala 
contendo as moedas entào corrcntos e duas mcdatlias alicgoricus'. 

Destniidos os aliccrces quc se haviam lan^ado para os doia monumentos, 03 mocdas e 



< Nào cnconlràmos descriplas as medalliBs, quc foram depois dcslruidas; mas rate esemplar do ^- 
l)inelc Oa Ajuda, com as mainres proba Ili lì dailes, pù<Ic scr considerado urna amostra submotlida i apre- 
cia(;ao do sobcrann, e quc o araso salvoii das iras polilicos. 

— PORTO XXIV D'AGOSTO DE MDCCCXX- CORTES GERAES, E POR ELLAS 
A CONSTtTUI^AO. A Liberdade cm pé scgurando sobrc a langa o bonct, e calcando duas ni*Ho- 
polas; com a mào dircila sustem um livro abcrlo salire um pcduslal, tendo cscriplo : MANTIDA A 
RELIG. CATHOL. E A DYNASTtA DA GAZA DE BRAGAN^A. No pedeslal tcm, cn oilo 
linhaa NA PRA^A ONDE SOOU O PRIMEIRO BRADO DA REGENER. PORTUG. 
SE LEVANTE HUM MONUMENTO: PORTARIA DA J. PROV. DE a3 DE XBR. DE 
1830. 




B- NO ANNO DO SENHOR MDCCCXX!!, XXIII DO PONTIFICADO DE PIO VII. 
REINANDO D. JOAO VI, PRIMEIRO REI CONSTH UCIONAL DO REINO UNIDO 
DE PORTUG., DRASIL, E ALGARVES, ANNO II- DA 1* LEGISLATURA EM XXIV 



medollias foram mandadas rccolhcr à casa da mocda para sercm fiiadidas, e aproveilados oh 
mducs nacuiìLagemi. 



D'AGOSTO FOI LAN^ADA ESTÀ PRIMEIRA FEDRA. Escriplo em nove linbas. Està mc- 
dalha foi fundiiJa e depois a|)orrei(oada com o burli. 




' El-Re; Nosso Scnlior Uantla rcincllcr ao Provcdor ila casa da mocda, para se fundir e rcduzir a 
™wda corrente, huma calia de prata, huma lamina com dlvcrsas inscripcOes, o dezoito mocdas dos 
Mercnics mclaes, qne aclualmcnle correm nesle Rej^io, e (jne im|)orlào cm vinte e dous mil Irpzenlns 
fiilfnla e cinco riils, o quc ludo se cilraliiu do alieorcc do Monumenlo do Rocio : dando cntrada da sua 
importaneia no competente livro da flcccila, e conia de assira o liaver e:(ccntado. [>cus Guardo a V. M. • 
l'sl«io in Dcmposta cm 22 de sclemliro de 1823 --Conile da Povoa = Sr. Trovcdor da Casa da llocda. 
ilfeh. (Ji (asa ja mneda de Lisboa, rcKisto gcral, liv. 14, fol. 16.) 

£l-flev Nusso Scnhor Manda remcticr a V, M." para so Tundii' e reduzìr a mocda correnlc os cffci- 
i)s do Prau, constantos da rclacào junla, asslgnada pelo ofilcial mayor desta sccrclaria d'Eslado dos 
■^'Kiit s da Fazenda, os quaes forao cnconlrados na cscavagào do monumento quo se erigio na cidadc 
|> Toric, e quc forào rcmcUidos à mesma secretarla d'cslado pela camara da dita cidade, dando cn- 
j[*^ ilo ludo no competente livro de recoita; e conia de assim o liavcroicculado, Dcos Guardo a V.JI." 
"Kio da Bemposla em 3 de oulubro de 1SÌ3 » Conde da Povoa ^ Sr. Luii da Silva Jlousinlio e Al- 
■^IMrqne. 



^a calia do prata, contundo duas Mcdallias lamtjcm allcsorlcas ao dito monuincnlo. 



"urna ca 

^"nu mocda de oiro do valor de ^ 

^Biadila . . 33750 

i'iimi dili de prata . > ilSO 

114730 



128 

aviso de 22 de jalho de 1825 mandou inntilisar urna chapa da coastituigSo, feitapelas 
cortes, viada de Franca ^ 

prìncipe D. Fedro havia ficado corno regente e logar-tencntc de seu pae no governo 
provisorio do reìno do BraziI, onde a idèa da independencia tomou grande incremento, re- 
bentando a revolugào em 12 de outubro de 1822 com a acclamagào de D. Fedro corno Impe- 
rador e defensor perpetuo do Brazil 

A rainha D. Cariota Joaquina havia-se recusado a jurar a constituìgao. Em principios do 
anno de 1823 o conde de Amarante proclamou cm Traz os Hontes o restabelecimeoto do go- 
verno absoluto, e nSo vingando os seus projectos, viu-se obrìgado a emigrar para Hespanha. 
Em 26 de maio o infante D. Miguel, tambem na intensSo de derrubarosystcmarepresentativo, 
foi para Santarem, onde se Ihe reuniram os corpos da guarnigào da capital; e a 30 partiu 
el-rei para Villa Franca, aprcsentando-se-lhe ahi o filho com as tropas que o tinham seguido. 
Demittido o minìsterìo e promettida urna nova constituigdo, veiu entrar o monarcba em Lis- 
boa entre enthusiasticas acclamagOes populores '. 

rei, refugiando-se a bordo da nau ingleza Windsor Castle, fez abortar o golpe do. ps- 
tado de 30 de abril de 1824 : o infante D. Miguel foi exonerado do commando em cbefe do 
exercito e mandado viajar, safndo do porto de Lisboa a 13 de maio '. 

Estas desagradaveis occorrencias difBcultavam qualquer tentativa sèria para submcUer 
Brazil; e o tratado de 29 de outubro de 1825, reconhecendo a sua independencia, cedeuno 
principe real e nos seus successores a soberania do dito imperio, tomando D. JoSo VI, du- 
rante a sua Vida, o titulo honorifico de imperador e reiy que ilftnca usou nas moedas^. Adoe- 



Transporle 11*730 

Homa mocda de praU no valor de ^40 

Huma dita » » » j(120 

Ruma dita » » » *100 

Hama dita » • » *060 

Huma dita • » » *050 

Huma dita de bronze de i^040 

Hama • de cobre de ^010 

12*350 

Secretaria d*Bstado dos Negocios da Fazonda em 3 de outubro de 1823.— Joaquim Antonio Xavier 
Annes da Costa. (Arch. da casa da mocda de Lisboa, registo geral, liv. 14, foi. 16 v.) 

• El-Rey Nosso Senbor Manda reraetter a Y. M.<* o caixotc, que com este Ihe sera entregue, con- 
tendo huma chappa da constituigào, feita peias dcnomìnadas cortes^ mandada vir de Franca pelo go- 
verno intnizo, para se tirarem Edigòens Stereotypas; e lie servido que na mcsma Gasa da Moeda, se 
iuutilize logo a dita chappa, lavrando-se o autto competente, e cmpregando-sc o metal no que poder 
ter prestimo: o que V. M."* assim executarà. Deus Ouarde a V. M.<» Palacio da Bcmposta cm 22 de jii- 
Iho de 1825. D. Miguel Antonio de Mcllo. Sr. Provedor da Casa da Moeda ou quem seu cargo servir. 
(Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. 14, foi. 48.) 

' Para memoria de tanta dedicagào foi creada, por decreto de 24 de junho de 1823, uma medalha, 
vulgarmentc chamada da poeira, pendente de flta azul orlada de encarnado. As cores da fita solTrcram 
depois modiflcagdes conforme os condecorados haviam seguido o rei, o infante, o conde de Amarante, 
ou se pronunciaram pelos incontcstaveis direitos. Estas medalhas, espalhadas com profusào^ foram cu- 
nhadas na casa da mocda de Lisboa. (Arch., registo geral, liv. xiv, foL 12 a 40.) Lopes Fernandes a 
traz desenhada na sua Memoria, debaixo do n.<> 93. 

> aviso de 14 de jnnho de 1824 manda abrir na casa da moeda de Lisboa uma medaUia para 
serem condecorados os offlciaes inglczes da nau Windsor Cosile e das mais embarca^des de guerra 
da mesma nacào, que se achavam no porto de Lisboa, quando el-rei rcsidiu a bordo da dita nau. (Arch. 
da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiv, foi. 28 v.) 

• Na collecoào real exLste a seguintc mcdallia, que tcm rclacào com os acontccimcntos poUlicos 
dos ultimos annos d*este reinado, devendo, pelo titulo de imperador, ter sido cunhada de 29 de outubro 
de 1825 a 26 de marco de l 26. esemplar, unico que tcinos visto, ó de prata dourada, e tcm argola 
para suspender-sc em fita. 



i^nJo gravcmcnlu a 4 tle margo ilu IH2G, notneou umii rc^uncia pani ^'ovcniur, cmquajilD nùu 
rwiipcrava a saude, e nocasodefallecimento, ale osiìusuccessorprovidcnciar corno julgasse 
mclhor: verìlìcou-sc a scgunila bypolLese no dia 26 do mcsmo mez e anno no palacio da 
Bcmposla; e o cadavcr do rei, dcpoJs de cmLalsamado, foi dcpositado no l'eal jazigo de 
S. Vicenle de Fora, 

U Riho de D. Maria I era de eslalura mediana, grosso, roslo comprido, tendo de saliente 
kiso inferior descafdo, de carafler bondoso, irresoluto por muilo desconfiado, e coni certa 
Giiura, quefaiia valer pela disslmuiaciio. OmarquezdePombal, quc tanto se esmcrou ero bem 
educar o principe D. José, dcixou D. Joao aos ruidados do pae, quc apcnas o fez conviver 
com OS fradcs, recrcando-se no caniocliao, e desciivolvendo-se-lhe o goslo pclas Testi vidades re- 
lì^osas, que sempre conservou sem funatismo. 

A inslancias de sua esposa D. Cariota Joaquina, instiluiu, por decreto du 4 de novembro 
de 1801 , a ordem de Santa Izabel para us damas nobrcs, dando-lbe estatuios pelo alvarù de 
Ì5 de abril de 1804. Por decreto de 6 de fevereiro de 181S, dia em que leve logar a sua 
acclama^ao, creou, seguindo o exemplo de Carlos III dcKespanlia.aordcindcJVosjaSc'i/iora 
da Conceifào de Villa Vi^sa. 

genio de contradicgùo da rainba, quo ambiciosa pelo poder conspirou sempre contra a 
auctoridade do esposo, originou-lho inuitg7<a9`|֛MLM'pg1v~v*sv{Uw"@?VD"NfjS_ڒf+_g+!a1GW
jWRQAsQ%OZLCC	2aDD,
b\*ﭟ8>[=CV\+@g%o7Y&>͎xKCt;h
R};GL;,Vӊz:%;40NmؖDasp~H	}aGcP~
a%x;1|.cB6gݽbC,Xosғd ΋"ahs?=/]:찞F#zҧm$\Z^֫' rX~>2;:ܥ9*WWB*v"6E6mWiԫDEBͲgc[TgiܦoS­}:>S4jyl*틮;nI·$
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tĤ!L/mܹh^k)sBy-mm\FcxDfᲵoo:<͜-at%ZۙC—?o9^C˖ԥ:@ݾVˆ=pQ %W%Dы?=w=#ыӻ8DSFkH{fXUcUMI&Yy9jI0䝙DI;m:$CkDo}O';G'Cu$Ayo@tY|/ĘKb$^Yg:t;	h 9i(yNF)o}7({Y\zjAHY([!j5{:d^V_7u[AF
Hqqi{s9P?te@ofy:TԪouR잜[k[(6BT'zxܱ7UY_?Xd+}e	Vmkp<oE'c'kk{i	u4:~$fMJ;ֹU6*|Ɯd_NtSPgHVyHNGڴNͽ182N =irZQ`#+~W7I |-&{1H⹁dA/"UO{znw6uh7P?ےW͛=-QA;^FjDN@tʋ̻WӝKEvwFy;7MWbk{nlf~n"6`$F3}pC<EL3x^sMP琊
 
>yK2e =0ХP&%X,S5=Ò4'wsfFYu9"1?p>T51^KFS=7HT?ҜW01BRoS-0(jD"L<1k<eM%s06/^+zNHZbiZ}Mo:!CII׮\AF=wfp11Z^ɯޙV_=	v[=?^I/6k\5:&d~{D'`i>Yn3'Pt
`gQc} ?$KEy刺9C,5v,e>@D,]JQ9ȐS.pɊM	lU"pT2%Ծ؇UTYdf`~km}^'(F29+wn7sCX5{Ýp1kex~31IŨB}b?ZAӲ5V.R\=:
\im-06Tϵ$	e;"p{Ytzh=?@2캧,+sY^`]LEjl2,1n*VUӥMEm˰uC܎Sq7/d+\+#v蒮n+$#U5gYc@jdՄE%vH)^*T:O{ۻEzo޲bi8Q<OluQ+Ӯ]e\{>;dXw[C6̚"g n@ԠE4
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3Z3ʹq'iP6y͏;y-o}<<܀7"7]a$@ta|lڌVajMu!EHw"kd	5"uhݞaP* cZ;L0KfCO
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-k&ЃxR,_E0zd2,QGv=8xG2@s[OTq.6YU?1#-6gEbyf

լ.mk"ZohKWq:v_ɥM0<6s	v1vyR0GTr quatro floroes. Seis vintens. Ai — C. 

3. JO ANNES D G o P • PORTUGALI^E » ET • ALO- Armas do reino, 
tendo de cada lado um florao entre dois pontos. 

^ O • IN §o" HOC §g SIGNOR VINCES « Cruz da ordem de Chrislo canto- 
nada por quatro floroes. Tres vintens, M. — C. 

4. JOANNES D o G P o PORTUGALIìE • ET « ALG « No campo LXXX, 
tendo por cima a coròa real entre dois floroes, e em baixo um flor5o entre dois 
pontos. 

^ O • IN S5 HOC ì^ SIGNO SS VINCES» Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Tostào, M — C. 

5. JOANNES D G o P PORTUGALIìE • ET . ALG • No campo XXXX, 
por cima a coròa real entre dois floroes, e por baixo um florao entre dois pontos. 

Q. ^ IN §S HOC S€ SIGNO §g VINCES « Cruz de S, Jorge cantonada por 
quatro floroes. Melo tostào, JR — C. 

6. JOANNES» DEI oGRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

^ m PORTUGALIiÈ ET ALGARB » PRINX:EPSo No campo, dentro 
de urna coròa de carvalho XX, indicativo do valor, e por baixo o anno 1 8oo. Vintem, 
.E— 1^500 réis. 

7. JOANNES DEI oGRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

^ m PORTUGALIiEo ET ALGARB oPRINCEPS» No campo, dentro • 
de urna coròa de carvalho e cortando o anno 18—00, um X, indicativo do valor. 
Dezréis, iE—liJ 500 réis. 

8. JOANNES DEI • GRATI A « Armas do reino ornamentadas. 

Qr W PORTUGALIiE « ET • ALGARB PRINCEPS» No campo, dentro 
de urna coròa de carvalho e cortando anno 18— 00, um V, indicativo do valor. 
Cinco réis, JE — 2^000 réis. 

9. JOANNES «D G «PORTo ET» ALG* P» REGENS. Busto do principe 
regente à direita com a coròa de loiro, por baixo anno 1 802 . 

^ Armas do reino com um ornamento que se assemelha às azas de uma jarra, 
e por isso é vulgarmente conhecida pela peca da jarra. Dobra de qiuUro escudos 
oupcfa. A'— 10;$000 réis. 

10. JOANN..SoDoGoPORToEToALG«P«REGENS. Busto do prin- 
cipe regente à direita com a coròa de loiro, por baixo anno i8o3. 

Qf Armas do reino com escudo ovai e dentro de um circulo floreado. Ensaio 
monetario da dobra de qiiatro escudos ou pega. 

ì ì . JOAN NES • D o G PORT • ET ALG » P REGENS. Busto do prin- 
cipe regente à direita com a coròa de loiro, por baixo anno 18 io e a marca da 
officina monetaria R. (Rio de Janeiro). 



132 

Br Armas do reino ornamentadas. Dobra de qtiatro esctidos ou pega^ N — C. 

12. JOANNESoD»GoPORToEToALG«PoREGENS,BustodoprmGÌpe 

regente à direita coroado de loiro, por baixo o anno 1806. 

^ Armas do reino ornamentadas. Dobra de dois escudos ou mela pe fa, N — C. 

13. JOANNESoDoGoPORT-EToALGoPoREGENS. Busto do prin- 
cipe regente a direita com a coròa de loiro, por baixo anno 1807. 

^ Armas do reino ornamentadas. Escudo ou dezeseis tostdes, N — 3^000 réis. 

14. JOANNESo Do G-PORT«EToALGoP« REGENS. Busto do prin- 
cipe regente à diieita com a coròa de loiro, por baixo anno i8o5. 

^ Armas do reino ornamentadas. Meio escudo ou oilo tostòes, A — 2^000 réis. 

15. JOANNES—P»Ro Escripto no campo em duas linhas dentro de duas 
palmas sobrepostas, por cima a coròa real e por baixo 400. 

^r §gINoHOC-SIGNOoVINCES^S 1807. Cruz da ordem de Christocan- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, N — 4f§000 réis. 

16. JOANNESoD^GoPORTo TE oALGoPo REGENS. Armas do reino, 
tendo à esquerda entre dois floroes 400, e à direita tambem entre dois floroes o 
anno 1816. 

IJr C» ^ IN ^i. HOC ^^ SIGNO ^ VINCES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, JR — C. 

17. JOANNESoD*G.PORT«'EoALGoPoREGENS. Armas do reino, a 
esquerda entre dois floroes 200, e à direita tambem no meio de dois floroes anno 1806. 

Q. O §€ IN ^^ HOC 9Ì SIGNO ^^ VINCES S^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Doze vinlens, M — C. 

1 8. JO ANNES o D • G PORT • TE • ALG • P • REGENS. Armas do reino, 
tendo de cada lado tres cruzetas. 

Qc O ^ IN 5g HOC ì^ SIGNO ^ VINCES ^§ Cruz da ordem de Christo can- 
lonada por quatro floroes. Seis vinlens, JR — C. 

19. JOANNESo Do GoPORTo-EoALGo Po REGENS. Armas do reino, 
tendo de cada lado um florao entre dois pontos. 

Qr O • IN ^5 HOC ^^. SIGNO ^2 VINCES • Cruz da ordem de Christo canlo- 
nada por quatro floroes. Tres vintens, JR — C. 

20. JOANNES D G PORT lE ALG P REGENS. No campo 
LXXX, tendo por cima a coròa real entre dois floroes e por baixo um florao no 
meio de dois pontos. 

^r O » IN ^^ HOC ^^ SIGNO .^^^ VINCES» Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes Tostào, M — C. 

21. JOANNES • D • G • PORT • T. « ALG « p « REGENS. No campo 
XXXX, tendo por cima a coròa real entre dois floroes e por bpixo um florao no 
meio de dois pontos. Meio tosiào, M — C. 

^ O • IN S^ HOC Sg SIGNO SS VINCES Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Tostào, M — C. 

22. JOANNES « Do G oPORTo ET» ALG Po REGENS. Busto do prin- 
cipe regeiite a direita com coròa de loiro, por baixo anno 181 1. 



133 

IJr UTILITATI— PUBLICiE » Armas do reìiio com o escudo ovai, por 
baixo 40, indicativo do valor. Dois vinlens ou pataco, B R. 500 réis, ostando à flor 
do cunho. 

23. mesmo da anterior. 

^r • PORTUGALIiE » ET » ALGARBIORUM REGENS • Armas do reino 
com escudo ovai, tendo por cima 3o, indicativo do valor, e por baixo BRONZE. 
Trinta réis, ensaio monetario, BR. 2}5iOOO réis. 

24. mesmo anverso do n.° 22. 

^ OPORTUGALIiE- ET -ALGARBIORUM» REGENS O Armas do 
reino ornamentadas, tendo por cima 3o, indicativo do valor, e por baixo BRONZE. 
Trinta réis, ensaio monetario, BR, Inedita. 

25. mesmo anverso do n.® 22. 

Qr oPORTUGALIiEoET»ALGARBIORUx\loREGENS« Armas do rei- 
no com o escudo ovai, por cima 20, indicativo do valor, e por baixo BRONZE. 
VirUem, ensaio monetario, B R. 2^5000 réis. 

26. JOANNES • D • G • PORT ET ALG • P • REGENS. Busto do prin- 
cipe regente à direita com a coròa de loiro, por baixo anno 181 1. 

^ UTILITATI — PUBLICiE Armas do reino com escudo ovai, tendo 
por baixo 20, indicativo do \alor. Vintenis B R. Inedita. 

27. JOANNES» DEI oGRATIA. Armas do reino oniamentadas. 

Qr ©PORTUGALIìEoT:. ALGARBIORUM oP» REGENS. No campo, 
dentro de uma coróa de loiro um X, indicativo do valor, tendo de cada lado duas 
lelras do anno 1802, e por baixo um florao. Dez róis, ìE — C. 

28. JOANNES» DEI oGRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

^ ®PORTUGALIiEo 'E «ALGARBIORUM «Po REGENS. No campo, 
dentro de uma coròa de loiro um V, indicativo do valor, tendo de cada lado duas 
letras do anno 1812. Ciuco réiss ìE — C. 

29. JOANNES DEI «GRATI A. Armas do reino ornamentadas. 

^ ®PORTUGALIìEoT:oALGARBIORUMoPo REGENS. No campo, 
dentro de uma coròa de loiro III, indicativo do valor, por cima um florao e por 
baixo anno 1804 e outro florao. Tres réis, ìE — C. 

30. JOANNESoVIoD.G«PORToBRASIL«EToALG«REX. Bustodo 
monarcha a direita com a coròa de loiro, por baixo 1822. 

^ Armas do reino assentes sobre a espilerà do BraziI e cercadas por dois ramos 
de loiro e carvalho. Dobra de quatro escudos ou pega, N — C. 

31. JOANNESoVI«D»GoPORT«BRASIL'EToALG»REX. Bustodo 
rei à direita com a coròa de loiro, no exergo 1822. 

IJf Armas'do reino assentes sobre a esphera do BraziI e cercadas por dois ramos 
Je loiro e carvalho. Dobra de dois escudos ou meia pega, K — C. 

32. JOANNES»VI»D-GoPORToBRASILoEToALGoREX. Bustodo 
monarcha a direita com a coiòa de loiro, no exergo 181 8. 

^ Armas do reino uuido de Portugal e BraziI, cercadas por dois ramos de loiro 
e carvalho. Escudo ou dezeseis tostòvs, X — 3 ^000 rris. 



134 

33. JO ANNES VI D* G» PO RTo BRASILO ET oALG-REX. Busto do 
rei a direita com a coròa de loiro, no excrgo i8i8. 

I^ Armas do reino unido de Portugal e Brazil, cercadas por dois ramos de loiro 
e carvalho. Meio escudo ou oìto tostòes, N — 2?5000 réis. 

34. JOANNESoVIoDcG«PORToBRASIL«EToALG«REX. Armas 
do reino unido de Portugal e Brazil, tendo de cada lado duas letras do numero 
IO — co. 

I^ S^ IN §S HOC ^^ SIGNO ^§ VINCES 5^ 1819. Cruz da ordem de Chrislo 
cantonada por quatro floroes. QuartinhOj A" — GjJOOO réis. 

35. JOAN — c^ VI c^ No campo dentro de dois ramos de loiro e carvalho, 
cscripto em duas linhas, tendo por cima a coròa real, no exergo 400. 

Qr ^SlNoHOCoSIGNO'VINCES^^ 1819. Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, N — 4^000 réis. 

36. JOANNES » VI D « G » PORTUG • BRASIL • ET » ALGARB « REX. 
Armas do reino unido de Portugal e Brazil, tendo à esquerda entre dois floroes 400, 
e à direita tambem no meio de floroes anno 1823. 

l\r ^ .^5 IN ì^ HOC ^^ SIGNO 'è^ VINCES ^S Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, M — C. 

37. JOANNES VI • D » G PORTUG • BRASIL « ET « ALGARB • REX. 
Armas do reino unido de Portugal e Brazil, tendo à esquerda entre duas cruzetas 
200, e a direita tambem no meio de cruzetas anno 181 8. Dozc vintens, ìR — C. 

I^ O -^S IN r. HOC ^r: SIGNO 5^ VINCES ^cg Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, ìR — C. 

38. JOANN ES VI Do GoPORTo BRASILO ET oALGo REX. Armas 
do reino unido de Portugal e Brazil. 

]5r 4& §^ IN r. HOG 24 SIGNO 25 VINCES ^§ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Seis vintens, M — C. 

39. JOANNES VI o Do G PO RTo BRASIL- ET oALGo REX. Armas 
do reino unido de Portugal e Brazil. 

Q. O <» IN ^o^ HOC 2^ SIGNO se VINCES « Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quati'o floroes. Tres vintens, JR — C. 

40. JOANNESoVIoDoGoPORToBRASILoEToALGoREX. No cam- 
po LXXX, tendo por cima a coròa real entre dois floroes e por baixo um florao no 
meio de dois pontos. 

^ C» IN Sg HOC ^^^ SIGNO 55 VINCES Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Tostào, JR — C. 

41. JOANNES VI Do Go PO RTo BRASIL oEToALGo REX. No cam- 
po XXXX, tendo por cima a coròa real entre dois floroes e por baixo um florao no 
meio de dois pontos. 

ì]c O • IN SS HOC SS SIGNO 2i VINCES o Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Afeio lostào, JR — C. 

42. JOANNES « VI » D « G « PORT BR • ET ALG R Busto do monarchi 
a diroita com a coròa do loiro, por baixo anno 1822. 



In - 
00 

IJr UTILITATI PUBLICiEo Armas do reino unido de Portugal e Brazil, 
por baixo 40, indicativo do valor. Dois vintens ou pataco, BR — C. 

43. JOANNESS€VIo?SoDEI§gGRATIA. Armas do reino unido de Por- 
tugal e Brazil. 

^ O PORTUGALIiEo BRASILIiEo ÈToALGARBoREX. No campo, 
dentro de urna coróa de loiro e carvalho um X, indicativo do valor, tendo de cada 
lado duas letras do anno 1818. Dez réis, JE — C. 

44. JOANNES <> VI DEI GRATIA. Armas do reino unido de Portugal 
e Brazil. 

^ O PORTUGALIiE • BRASILIìE » ET ALGARB « REX. No campo, 
dentro de urna coròa de loiro e carvalho um V, indicativo do valor, tendo de cada 
lado duas letras do anno 181 8. Cinco réis, JE — C. 

45. JOANNES VI » DEI « GRATIA. Armas do reino unido de Portugal 
e Brazil. 

Qr OPORTUGALIiEoBRASILIiEo ET ALGARB REX. No campo, 
dentro de uma coròa de loiro e carvalho III, indicativo do valor, por baixo anno 
1818. Tres réis, ìE— 2^000 réis. 



As moedas cunhadas era nome do fliho da rainha D. Maria 1 formara pelas legen- 
das Ires grupos distinctos, nos quaes se intitula priraeiramentc PRINCEPS, n.®* 1 
a 8, depois PRINCEPS REGENS, n.°' 9 a 29, e ultimamente REX, n.°* 30 a 45 ; 
e assim os dispozemos nas estampas. Para nào alterarmos cstabelecido, continuare- 
mos a descripf ào pelos metaes. 

Durante a sua regencia e reinado, apcsar das calamidades da guerra centra a 
Franca e das intrigas partidarias que depois se desenvolveram no reino, alguma cousa 
se fez em beneficio das bellas artes. Em 12 de dezcmbro de 1801 foi estabelecida urna 
aula de docimastica na casa da moeda*; e por decreto de 25 de Janeiro de 1802 
creou-se a aula de gravura, regida por Bartolozzi e Gregorio Francisco de Queiroz, 
conlratando-se tambem celebre abridor de pedras flnas José Antonio do Valle para 
a casa da moeda, e gravador Joào Gaetano de Rivara para Jardim botanico*. 

Em 12 de Janeiro do mesmo anno mandou-se que a reparti^ào das obras publicas 
Ozesse os armarios para monetario e mais pef as antigas do gabinete da rea! biblio- 
llieca, com fim de tornar publico ^; e a 4 de fevereiro decretou-se a formafào de um 
museu archeologico junto a mesma bibliotheca, recommendando a observancia do al- 
varàde 20 de agosto de 1721, mas transferindo as attribuipoes ahi consignadas ao se- 



* Arcb. da casa da mocda de Lisboa, rcgisto gcral, liv. xi, fol. 224 a 225. 

• Idem, Uv. xii, fol. l v. 

' Manda Prìncipe Regente Nosso Scnhor, que Gonseliieiro Fiscal das Obras Publicas dò as pro- 
ndencias necessarias para se fazercm logo os Almarios, e mais preparo competente para Gabinete 
(io Monetario, e de outras Pcssas de Antiguidade da Rcal Bibliotheca desta Corte, de modo que se possa 
classiflcar, e arranjar em scus dcvidos Lugares, e cxpór ao PubUco; mandando juntamente guarnecer, 
e resguardar com grades de ferro as duas janeUas do dito Gabinete, e outras duas da sala immediata, 
para que Mestre das mesmas Obras Publicas birà conferir com BiblioUiecario Mayor da dita Real 
Bibiioliicca tudo quanto fòr necessario a b m da perfeicào, e economia das mesmas obras. Lisboa 12 
'le Janeiro de 1802. — Luiz do Vasconccllos e Souza. (Manuscripto authwitiro.) 



I31Ì 



crelario da academia de liisloria para o bUiliolliccario mOr, quc deveria rcquisilar pelo 
minjslerio da Tazenda a compra de medalhas e outros quaesqitcr objeclos que servìs- 
sem para esludo das aoliguidades sagradas e polilicas, e illusirafào das arles e das 
scieocias'. Esle decreto nào llcou so no papel: lego no anno seguinlelratou-sea com- 
pra do monetario de José Fonlenelle, comprt'liendendo dei mìl e vinte e urna pefas an- 
tigas, da idade media e modernas, entrando, além das mocdas e mcdalhas, alguns mc- 
dalhòcs e figuras de bronze. prefo ajuslado foi de 20:000 pesos duros {16:0005000 
réi-s) pagos pelo erario em prestacfios, no praso de cince annos. Nas conditòcs escri- 
ptas em 9 de maio estào ìndicadas as cautetas com que a collccfào devia vir de Ma- 
drid a Lisi)oa, onde seria examinada por urna cotnmiss3o de pessoas competentes, pre- 
sidida pelo bililiolliecario mór Antonio Riheiro dos Santos*, compareceado odosi'm- 
bargador Joào Vidal da Costa e Sousa, procurador do dito José Fonlenelle. Di£Bcil se 
ha vìa de tornar a escolha dos individuos para rormarcm a commissào, sabendo-se em 
Portugal pouco das sciencias archeologicas ; e por este motivo acccilapwn grande nu- 
mero de moedas e quasi lodas as estattielas conli'afeitas, apesarda rec^mmeiida^ào 
exarada nos arligos 8." e 9-°^ 

Em 1802 descobriu-se urna falsificacào curiosa, consistindoemtransformaras raoe- 
das de prala de doze e seis vintens nas mocdas de oiro de 4i5800 e 2,5400 péis, mu- 
dando em 4000 os 200 inscriplos aum ìado do escudo, e no oulro subslituindo com qua- 
Iro floròes o anno, Iransfcrindo esle para o reverso no iogar dos Ires Horòes que estao 
supcriorcs à Cruz da ordem de Christfl. Apenas com a differenca das letrasqueiadica- 
vam n anligo valor da mela moeda de oiro, procediam com os scis vintens. As letras, 
feitas de lamina nnissima de cobre, eram soldadas na moeda e coberlas depois coro 
uma douradura gcral. A contrafac^ào às vezes praticava-se nas moedas de doze e seis 
virucìis de D. José, que nào mandou cunliar mocdas e nieias moedas de oiro. aviso 
de 3 deabril denunctou a fraude eordenouàsjuslifasqueprocedessemàsyndicaQcia, 
para se descobrirem os faisificadores *. 



' Impresso avubo. Uoc. co ni prò vali vo n.° 235, 

' Vid. tomo I, pag. 95. 

' Manuscriplo authcniico. Doc. coro provali to n.° 236. Deve corrigir-sc o que ilissenios a pag. di 
liu lomo I, por assim nos haverem [nfonnado, pois a compra cIFectiiou-sc cm 1802 e nào cm I8U7, e 
numero de pecas foi de Wmì e nào de 20:000. 

* Acbando-se (pie circulaO aclualmcnlc varios moedas de prata dourada, contraJazendo com pe^as 
du 120 réis as de ouro de 22400 réis, e com pc^as de 240 r(^is as de 4^800, na forma da quc aqui ìo- 
cluo, Ite Sua AItcza real scrvido que V. S.° fa^a proceder às maìg aclivas averiguai^és, para se desco- 
tirirem os aggrcssores d'i somcltianlc falsiilade, a flm de quc o publico naO seja enganado, a ci|jo firn 
lambein V. g.> Tara puliticar na Gazeta o annuncio necessario. Dcos giiarde aV. S.* Pago de Quc^'ui cm 
:'. de AbriI de 180!.— D. Dingo (le Sousa Coutiiilio — Sr. Dìogo Ignacio de l'ina Maniquc. lìlauuscriplo da 
Colloreào de Icglslacào pori, colligida por K. J. l'ereira e Sousa.) 




rcal da Ajuda, iudieaiido na gravura as klra:; prela^ u Iogar da 



137 

A porlaria de 24 de abril Tez entrar oa casa da moeda tres pepas antigas achadas 
no logar das'Rossadas, termo da villa de Lardes, pesando 4 marcos, 6 onpas, 5 oitavas 
e 3 gràos, oiro de varios quilates, avaliado em 420^733 réis*. Infelizmente nào foram 
descriptas nem podemos saber o destino que tiveram. A 25 de outubro mandou-se 
tambem que se recebessem na dita casa 18 marcoS; 3 onpas e 6 oitavas em moedas de 
prata anligas do tempo de D. Joào II e D. Manuel, encontradas na herdade do Mclào, 
proximo da cidade de Evora, por Izidoro Callado, roaioral da quadrilha de Roque 
Morezzi '. 

N'esle anno comepou-se a lavrar moeda de oiro em nome do principe regente, ap- 
provando-se em 5 de novembre o punpào aberto por Francisco Xavier de Figueiredo'; 
e foi entao que se cunhou o n.° 9 (pefa da jarra). 

Em 1804 modiOcou-se o cunho pelo aviso regio de 18 de junho, ordenando-se 
tambem que se fabricasse logo a moeda e os mais puni^oes e malrizes necessarios 
para a oOTicina de Lisboa e para as do Brazil^. Parecehaverem-se suscitddo duvidas na 
sua execu(ào, mandando-se em 3 de agosto que José Gaspard e Cypriano da Silva Mo- 
reira fizessem novas provas para serem submettidas à apreciapào de Sua Magestade ; 
e a 8 do mesmo mez suspendeu-se até segunda ordem o determinado no avlso de 18 
de junho. Os obstaculos foram em breve removidos, continuando a 28 de setembro a 
abripao dos cunhos^ que se havia suspendido em 8 de agosto ^. 

n.® 10 é um ensaio rcprovado da peca: e os n.°* 1 1, dobi^a de quatro escudos; 
\2y dobra de dois escudos; 13, escudo; 14, meio escudo, e 15, cruzado novo, foram 



' Àrdi, da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xii, fol. 2 e 9 v. 

' proYedor da Gaza da Moeda niande receber pelo Thesoareiro da mesma Gaza dezoito marcos, 
trez oncas, e seis oitavas em moedas de Prata antigas do tempo dos Snr.' Reys D. Joào H e D. Manoel, 
que se acbaraO na Herdade do Meiad por Izidoro Calado, Maioral da QuadriHia de Roque Morezzi, termo 
da Cidade de Evora, as quaes vem remettidas da mesma cidade pelo corregedor da Comarca MaDoel 
SimocDS da Roza Moreira, em virtnde da Provizad do Erario Regio de vìnte e nove de Marco proximo 
passado, de cuja entrcga mandare passar os competentes conhecimentos cm forma do seu valor e to- 
que, que enviarà à Meza do Erario Regio. Lisboa 25 de outubro de 1802. Gom a rubrica do Presidente 
do Real Erario. (Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral. liv. xii, fol. 18.) 

* Termo de abertura = Aos seis dias do mez de Novembro de mil oitocentos e dous aimos nesta 
Meza da Gaza da Moeda em resulta do Àvizo antecedente foi aberta pelo Provedor da mesma caza An- 
tonio Silverio de Miranda, perante os offlciaes da dita Meza abaixo assignados, a bolsa de setim car- 
mezim fechada e lacrada, que continha dentro as amostras do cunho mencionado no rcferido Avizo; e 
tiradas as ditas amostras se acbarad ser as que se baviad cunhado no cunho aberto pelo Pongaò feito 
pelo Àbrìdor desta caza Francisco Xavier de Figueredo : E para constar o refendo, mandou elle Prove- 
dor fazer este termo, que assignou comigo Escrivào da confcrencia e Registo, com os mais Escrivaens 
da dita Meza, e com o referido Abridor, a quem foi participada a dita approvagào. Lisboa dito dia. Mi- 
randa—Antonio de Garvaiho — Domingos dos Santos Elvas — Francisco Xavier de Figueredo — Antonio 
iosé Ferreira. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xii, fol. 17 v.) 

* Idem, foL 38 v. 

* Prìncipe Regente Nesso Senhor He servido que V. M.«* passe ordem, que José Gaspard, Abridor 
geral da Gaza da Moeda, que este cunhe Imma da nova fabrica^aO, para que està junta à que fabrìcar 
Cypriauo da Silva Moreira venhao ambas à Prezcnga do Mesmo Senhor. Deos Guardo a Y. M.^ Pai^o de 
Queioz 3 de Agosto de 1804 — Conde Monteiro Mor.— Sur. Provedor da caza da Moeda. (Idem, fol. 39.) 

Suspenda V. M.'^ athé segunda ordem a obra da abrlcaò dos Pon?oeiis e cunhos, que em obser- 
vaocia do Avizo de 18 de Junho do corrente anno se Ihe havia ordenado praticasse. Deos guarde a 
V. M.«* Caza da Moeda em 8 de Agosto de 1804 — Antonio Silverio de Miranda.— Snr. Gyprianno da Silva 
iloreira. (Idem, fol. 39 v.) 

Pode Y. M.<^ continuar na abrìgaO dos cunhos que em observancia do Avizo de 18 de Junho pro- 
limo passado se Ihe havia ordenado, e que pelo Avizo de 8 de Agosto se tinha mandado suspender. 
neos Guarde a Y. M.«* Gaza da Moeda em 28 de Setembro de 1804 — Antonio Silverio de Miranda.— Sr. 
Cypriaimo da Silva Moreira. (Idem, fol. 43.) 



138 

— ■ - ■ — ■ 

OS typos adoptados para a moeda de oiro do reino. A cstatistica da casa da moeda dà 
Tabricado em 1807 e 1809 o quartinho, de que nio vimos ainda exeifiplar algum, 
nem nos consta que se conserv^em os respeclivos cunhos. 

Em 19 de novembro participou o provedor que eslavara promptos os punfòes, nia- 
trÌ7.es e cunhos còm a effigie do regenle, deslinados para a officina naonetaria do Rio de 
Janeiro * . 

dcsenho que serviu para se abrir o retrato do principe regenle nas raoedas de 
oiro e de bronze foi feilo por Domingos Antonio de Sequeira*. 

Para a casa da raoeda de Lisboa foram mandadas, em 15 de fevereiro de 1805, to- 
das as pe^as de oiro, prata e cobre, incluindo umaporpao de moedas, medalhas e reslo 
de alfaias que se achavam no erario, pertencentes ao sequestro feito aos jesuitas, a firn 
de se conservarem os objectos dignos de aprepo artistico e historico, e reduzir omais 
a moeda corrente '. 

Em portarla de 25 de agosto de 1803 foi enviada à casa da moeda urna porf^ de 
oiro das minas de Tete, remettido pelo governador de Mopambique, para ser ensaiado 
no laboratorio da raesma casa pelo dr. José Antonio Monteiro e o tenente coronel de 
engenheria Manuel Jacinto Nogueira da Gama, que deviam informar das suas qualida- 
des e quilates, e se era mais ou raenos puro era relapào ao que vinha do Brazil ^ 

A difficuldade de obter oiro e prata para a amoedapào originou varias providen- 
cias, sendo das principaes o decreto de 31 de outubro de 1807 para a reducfào de 
parte da baixella da coróa, convidando tambem os particulares a seguirem lào patrio- 
tico exemplo^ e o editai do senado de 10 de novembro de 1810, publìcando que na 
casa da moeda se acceitavam quaesquer popas de oiro ou prata, que se pretendesse 
reduzir a dinhciro corrente^. 



< Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xii, foi. 4G. 

« Volkmar Machado, Collecpào de Mcmorias relalivas às vidas dos piiUorcs, ctc, pag. ?81. 

■ Entre grande numero de pegas de ourivesaria que haviara pcrtcncido ao noviciado de Arroios, 
Collegios do Paraizo, de Santo Antào, da ilha do Fayal, de Santarcm e Faro, vinha do thesoureiro dos 
bens conQscados Antonio dos Santos Finto, o seguinte: 

28 f^pias de prata com o peso de 1 marco, 3 ongas e 6 oitavas,- no valor de 9^050 réis 

I dinhciro arabe de oiro com 3 oitavas e 3 graOs (que se Aindio) 4^80 » 

G pardàos de prata com 1 onga e 1 oitava ^840 » 

25 sequins de Ycneza, cm oiro, com 24 oitavas (que se fundiram) 38^400 • 

I I tangas cm prata com duas oitavas e GO graos ^260 • 

3 dinlieiros de prata provincianos ^?20 ■ 

40 moedas antigas de cobre. 

No capitulo que diz testamentaria do Almirante de Castella, que se achou em poder dos deposi- 
tarlos do sequestro feito às cazas dos noviciados de Arroios, Cotovia, e S.Francisco de Borja,sào roen- 
cionadas varias moedas de prata bespanholas, que foram pela maior parte fundidas. (Vrcli. da casa da 
moeda de Lisboa, registo geral, liv. xii, foi. 49 a 51.) Os exemplares que escaparam ao cadìnho encor- 
poraram-sc em 186G na colleccào numismatica da mesma repartigào. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xii, foi. 32. 
' Idem foi. 80. Doc. comprovativo n.« 237. 

• Senado da Gamara em observancia da Real Resolucào de 8 do corrente, tomada cm Consulta 
de 7, manda publicar, quo Sua Alteza Real fora Servido ordenar, que na caza da moeda se aceitasscm 
as pecas de Ouro ou Prata, que se pertendessem reduzir a dinhciro corrente, por aquelle valor a que 
o seu toque corresponder; sendo este hum dos muitos melos por que o mesmo Scnhor Paternalmcnlo 
se digna occorrer ao bcm dos Seus Ficis Vassallos, que se tem rcfugiado nesta Capital. Lisboa 10 de 
Novembro de 1810— Francisco de Mendonca Arracs e Mollo. 'Impresso avulso . 



139 

editai de 3 1 de oulubro de 1811 recomraendou a observancia das leis do reino 
centra a exporlafào do oiro ou prata araoedado ou era barra*. 

Fallando o oiro do Brazil, tratou-se de explorar novamente a antiga mina da Adif a^ 
situada entre Almada e Cezimbra, sendo encarregado da direcfao dos trabalhos José 
Bonifacio de Andrada e Silva; e reconhecendo-se que a sua producpào cobria as des- 
pezas, coraeparam as excavapoes em 4 de julho de 18 14. gasto feilo até fins de abril 
de 1815, nas pesquizas, ediflcios, ferramentas eie., foi de 3:304^810 réis, eoprodu- 
cto em metal bruto 63 marcos, 7 onpas, 6 oitavas e 66 gràos, Beando reduzido, de- 
pois de fundido e aflnado na lei de 22 quilates e IV2 gràos, a 61 marcos, 4 oitavas e 
60 gràos, com valor intrinseco de 6:3 15^520 réis*. 

A priraeira porpào de oiro d'està mina entrou na casa da nrioeda, para ser analy- 
sada, em 31 de outubro do dito anno de 1814; e as mais partidas que para ali foram 
enviadas, até 17 de fevereiro de 1821, produziram depois da primeira fundipào 235 
marcos, 1 onpa, 2 oitavas e 9 gràos, no valor intrinseco de 22:977^947 réis. A re- 
gencia havia mandado em 17 de novembre de 1814, que a escripturapào da lavra da 
Adipa se Qzesse em scparado; e a portarla de 21 de fevereiro de 1821 determinou 
que a casa da moeda pagasse oiro d'ali extrahido pelo seu valor intrinseco, conforme 
otoque, adianlando dos fundos da mesma casa a importancia de dez marcos para cus- 
teio da mina, devendo seu cofre Bear com loda a seguranpa dentro da refenda re- 
partifào ^. 

A portarla da regencia de 17 de maio de 1817 facultou temporariamente a expor- 
tafiio de qualquer por^ào de moeda estrangeira de oiro ou prata, que fosse precisa 
para compra de gencros de primeira neccssidade; e outra portaria de 19 de julho do 
mesmo anno determinou se nào impedisse a salda da dita moeda para porto de Goa*. 

Em 12 de setembro de 1818 preveder da casa da moeda de Lisboa, remettendo 
para erario 3:055/51630 réis em moedas de 1^600 e 480 réis em oiro, e 120, 100, 60 
e 50 réis em prata, tendo na legenda D. Joào VI com titulo de rei, diz: «apezar do 
disveBo e inlelligencia que os oflìciaes da caza empregàrao para a prefeipao das mes- 
mas moedas, a diflìculdade dellas deo motivo a que nera em ludo correspondesse 
effeito aos cuidados que se empregàrao: porem nao so espero que as outras qualidades 
de moedas (que sao nove) hajao de Bear a contento, mas tambem acrescéoo ser multo 
tenue a despeza feita com as couzas que se inutilisarao^». 

Os u,^^ 30, dobra de quatro escudos ou peca; 31, dobra de dois escudos ou meia 
peca; 32, escudo; 33, meio escudo; 34, quartinhOy e 35, cruzado novo, sào os typos 
adoptados para a moeda de oiro desde essa epocha até ao Bm do reinado de D. Joào VI, 
tendo comò principal innovapào escudo assente na esphera, conforme a lei de 13 de 
maio de 1816 havia determinado que fossem as armas do reino unido de Portugal, Bra- 
wl e Algarves ^. 

As cortes geraes, extraordinarias e constituintes, considerando que prefo da 



' J. Fedro Ribeiro, Ind. dir., part. v, pag, 373. 

* J. Boniracio de Andrada e Silva, Memorias da acadeinia real das sciencias, tom. v, pag. 140. 

' Ardi, da casa da moeda de Lisboa, regislo geral, liv. xii, fol. 176 v. e liv. xm, fol. 59 a 61 e 65 v. 

* Liv. VII de D. do coiìselho da fazenda, fol. 27 e 29. J. Fedro Ribeiro, Ind. chr., pari, v, pag. 465 

e 468. 

* Ardi, da casa da moeda de Lisboa, regìsto gcral, liv. xn, fol. 215. 
' J. Fedro Riheiro. Ind. dir.. parL v. pag. 451. 



uo 

nioeda de oiro nào estava proporcionado ao valor do metal no mercado, e procuranda 
evitar o cerceio da mesma moeda, decretaram provisoriamente, em 5 de marfo de 
1822, que o oiro amoedado subisse a 120^000 réiso marco, ùcdLiidodiSdobi'asdequa- 
tro escudos por 7<J500 réis em vez de 6|J400, e as de dois escudos por 3^750 réls em 
logar de SfjSOO. Nas reparlipoes publicas so se receberiam em oiro estas duas especies 
de moeda, quando no seu peso se nao encontrasse falba superior a um grào; mas sco- 
do està maior, poderiam levar-se à casa da moeda para se fundirem, pagando-se ahi em 
boas moedas de oiro ou de prata, a rasào de ì&81b reis cada oìtava, se assim conviesse 
aos portadores, a quem se dariam vales, para depois cobrarem por seu turno, nào pò- 
dendo iogo effecluar-se o pagamento ; e até segunda ordem so se la^Tariam moedas de 
oiro de quatro e duas oitavas, peca e meia peca. Os portos do reino unido ficaram li- 
vres à entrada do oiro e prata amoedada ou em barra, mas com prohibipao absoluta 
da moeda de cobre estrangeira*. 

provedor da casa da moeda, informando do seu rendimento provavel no dito anno 
de 1822, declarou: «... do dinheiro em oiro, que se vai fabricar, nao sómenle se nao 
pode esperar rendimento, mas prejuizo certo, cessando a senhoriagem e brapagem 
della, ou nào se fazendo sensivel, conforme o alvarà de 5 de marpo ultimo, por ser a 
casa obrigada às despezas do fabrico'». 

Pelo que deixàmos escripto, a lei de 5 de marpo suscitava diiQculdades na sua 
execupSo, pois mandando pagar o peso da moeda cerceada pelo seu justo valor, impunha 
à fazenda o encargo das despezas de fundipào e cunhagem, aléra da perda dos dìreilos 
monetarios. A portarla de 4 de junho suspendeu temporariamente a compra do oiro, 
na r^asa da moeda, com exceppào do dinheiro portuguez cerceado. Representou em 
seguida o provedor as duvidas que se Ihe offereciam na interpretapào do artigo iv da 
dita lei de 5 de marpo, que mandava pagar toda a moeda nacional de oiro, tendo ou 
nào devido peso, a 1^5^875 réis a oilava, sem distincpào; e pediu se revogasse a refe- 
nda portarla, pois no Diaiio do governo estava publicada a resolupào do poder legis- 
lativo, para que lodo o oiro amoedado no reino se comprasse na casa da moeda a 
1^875 réis a oitava, e sendo em barra, com o toque de 22 quilates, a 1^800 réis'. 

Quanto à primeira parte da reclamapào, explicaram as cortes geraes que o prepo 
de 120;5ìOOO réis se devia entender s6 para o oiro em moeda portugueza; e sendo 
em barra ou em moeda estrangeira, se regulasse de modo que o marco de 22 quilates 
se pagasse a 115^200 réis^. Relativamente à segunda parte a portarla de 9 de juuho 
diz que a compra de oiro flcava suspensa, emquanto se esperava a decisào das cor- 
tes geraes e extraordinarias, devendo lomar-se por equivoco « que as compras se le- 
mitassem à moeda cerceada, em vez de ser para toda a moeda nacional^». 

Por essa epocha jà se pensou em reduzir a moeda ao systema decimai, sendo a maior 
de oiro de d^z mil réis, e a de prata de mil réis, chamando-lhe o provedor novo di- 
nheiro conslitucional, e propondo uro concurso entre todos os abridores de cunhos da 



• Impresso avulso. Doc. coiuprovativo n.» 241. 

' Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiii, fol. 124 v. 

' Idem, fol. 140. abridor Jose Dubois pediu em marco d'este anno de 1823, que Uie fosse per- 
raittìdo cunhar nos engcnhos da casa da moeda a mcdallia nacional (?) Idem fol. 181 v. 

* Idem. fol. 141. Impresso avulso. Doc. comprovalivo n." 242. 
» Idem, fol. 141 v. 



141 

capital, coro o premio de 57^600 réis ao que apresenlasse os melhores punpoes, até 
8 de agosto*. 

Para tirar da circulapao lodas as moedas de oiro cerceadas de quatro e duas oitavas 

e as fracf oes de escudo, meio esondo, quartinho, cruzado novo e cruzadinho, que 

deixaram de se cunhar e de ter curso pela lei de 5 de marfo de 1822 ; e para apressar 

a sua reducpào, decretou-sc em 17 de julho que nas comarcas do reìno se Irocassem 

a rasào de 1?$875 réis a oliava, nas adrainistrapoes do tabaco, por se haverem pres- 

tado OS seus contratadores, movidos pelo zelo publico, a fazer taes transacpoes ale onde 

permittissem os seus cofres, tornando a si a responsabìlidade das reraessas para a 

capital, sem premio algum; e que se publicassem por editaes estas disposipoes e os no- 

mes das pessoas encarregadas das adminislrapoes dos tabacosnas diversas comarcas*. 

Tornando-se notaveis as irregularidades no fabrico da moeda, coro relapào ao peso, 

ordenou-sc que as de oiro, peca ou mela peca, quando nào tivessera o peso exaclo, se 

inutìlisassciTi^. fiel, que trazia este trabalho arrematado, declarou que fazendoaex- 

periencia em 40 marcos de chapas de oiro, para cumprir a ordem, tivera de graduar 

à lima as laminas depois de cortadas, o que augmenlou a despeza com a quebra da li- 

malha era 1 87 Vio réis por marco, devendo corresponder ao dobro nas meias pepas ; quo 

pelo processo antigo tambem se limavam as chapas, mas admittia-se em cada moeda 

um grào a mais ou a menos, apromptando-se assim tres chapas no mesmo tempo em 

que se conseguia uma com o peso exacto; acrescendo o pagar-se o feilio das moedas 

de quatro oitavas a 300 réis o marco e as quebras a 1^500 a oitava, a cunhagem por 

està fórma saia a 250 réis e indemnisava as quebras do oiro a lj$87S réis a oitava; e 

terminava reclamando que se Ihe pagasse, por amoedar assim cada marco àedobras de 

quatro escudos, 437 réis em vez de 250 que recebia, exigencia com que se conformou 

preveder ^. 

Pela quéda da consliluipào, em 30 de maio de 1823, flcarara de parte osprojectos 
(le reforma da moeda para o systema decimai; e mandando-se reconsiderar todas as leis 
emanadas das cortes, anullou-se a de 5 de marpo e o decreto de 9 de junho de 
1822, e substiluiu-se pela de 24 de novembre de 1823, que, procurando evitar a fa- 
zeoda o prejuizo da execupào dos artigos iv e v, marcava o praso de um mez para ser 



* Tendo Y. Magestade, pela carta de lei monetaria, Mandado rccolher à caza da moeda todo o ouro 
UDoedado no Reyno, para se cunhar em duas novas moedas de duas e de qaatro oitavas, com o valor de 
1:875 rcis por oitava, e se fazer o pagamento aos vendedores na Torma ali determinada: sou informado 
que V. Magestade Ha por bem Mandar estabelecer e flxar hum novo systema de moedas de Ouro, e Praia 
em razad decimai, acomodado à Regcneragad Politica da Monarchia moderada, sendo a mayor moeda 
de ouro do valor de dez mil réis, e a de prata de mil réis: E comò seja assaz conveniente que o novo 
diobeiro constitucional aparega bem fabricado, e com os melhores Pongo^s, e cunbos, julgo do meu 
devcr rogar a V. Magestade aulhorisagaó, para que eu comò Provedor da Caza da Moeda convoquc pelo 
Diario do Governo a todos os Àbridores de cunlios e Medalbas desta capital, a fazerem os melhores 
PoDsoens e cunbos das rcferidas moedas até 8 de agosto proximo, dando-se a quem melhor os flzer, 
barn premio de doze moedas, alem de serem pagas as despezas da fabricagad; manifestando-se publi- 
camentc o merito destinto, e seus talentos pelo modo que V. Magestade julgar mais justo. Digne-sc V. 
Magestade resolver o que houver por bem. Lisboa 25 de Junho de 1822— Provedor da Gaza da Moeda 
Gregorio José de Seixas. (Vrch. da casa da moeda de Lisboa, regi sto goral, liv. xiii. fol. 145.) 

* Idem, fol, 149 s.— Diario do Governo, de 25 de julho de 1822, n." 173.— Doc. comprovativo 
n.» 243. 

* Vimos uma pega cunhada na casa da moeda em 1820, com dez gràos a mais. 

* Vch. da casa da moeda de Lisboa, regislo goral, liv. xin, fol. 150 v. o 151. 



142 

recebido na casa da moeda o dinheiro de oiro nacioaal, que estava nas circumslan- 
cias indicadas, a 1^875 a citava, e terminado o dito praso, s6 se pagaria a 1^800 réis*. 

A amoedapào sera senhoriagem e as quebras na fusào e lamina^ ào do oiro haviam 
produzido, desde a promulgapào da lei de 5 de raarpo ale 29 de julho de 1823, urna 
perda eflìectiva de 9:081^091 réis*. 

Projeclando-se reduzir os guineos a moeda porlugueza, informou o provedor, em 
8 de novembre de 1823, que pelos calculos mais aproximados resultava poder a casa 
da moeda receber, sem receio de perda, cada guineo por 4;51355 réis, para se conver- 
terem nas pef as de 7)51500 ^. 

Em 3 de agosto de 1824 foì extincla a corporapào dos moedeiros*. 

Tendo D. Joao VI assumldo o lilulo de imperador honorario do Brazil em 15 de no- 
vembre de 1825, Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque, entào provedor da casa da 
moeda, ponderou em officio ao ministro da fazenda, que achando-se determinada nova 
fórmiaL nas direcpoes feitas pelas diversas repartifòes, parecia que igual mudanpa de- 
via haver nas legendas monelarias; e que estando a entrar em fabrico os novos cunhos 
para o anno de 1826, lornava-se urgente odecretar-se a substituipào da legenda, tanto 
em volta da effigie comò das armas, e qual o feitio d'estas, sondo conveniente a raaior 
publicidade sobre tal assumpto, para garantir o credito da moeda. A representapào foi 
enviada a secretarla do reino, e em fevereiro de 1826 instou-se novamente pela sua 
solufào ^, que provavelmente a doenpa e a morte do monarcha fez adiar. 

Pela separapào do Brazil as raoedas lavradas para este estado e que ainda existiam 
em deposito na casa da moeda de Lisboa, foram mandadas reduzir a dinheiro corrente 
no reino, pela portaria de 22 de fevereiro de 1826 *. 

Quanto a fabricapào da moeda de prata, os n.^^ 1, cruzado novo; 2, seis vintens; 
3, tres viiiiens; 4, tostào, e 5, meio tostào, foram lavrados de 1799 a 1801, pois os 
algaris'mos d*estes tres annos encontram-se marcados em diversos exemplares do n.® 1. 
Os doze vintens nao se chegaram a lavrar intitulando D. Joao unicamente principe'^. 

A estatistica da casa da moeda indica haverem-se cunhado pela ultima vez no anno 
1800, em moedas de vinlem em prata, 9:907 pepas; mas sondo do mesrao cunho cu de 
typo identico aos de D. Pedro II, D. Joao V, (est. xliii, n.® 52 e 53) e D. José, apenas 
se podem distinguir os dos primeiros dois reinados, por serem mais grossos e com sar- 
rilha. 

A portaria de 18 de Janeiro de 1807 deu ordem para se fabricarem os 6:241 mar- 
cos e 1 Va onpa de prata, que liavia entrado na casa da moeda em 1 1 do mesmo mez, 
proveniente do sequestro feito nas casas reaes, e para o seu producto em moeda ser 
remettido ao erario. 

principe regente no comepo do seu governo mandou fundir multa moeda de prata 
estrangeira, para continuar a cunhagem da moeda porlugueza, principalmente patacas 



' Impresso avulso. Doc. comprovativo n.'' 244. 

' Arcli. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiv, fol. 7. 

• Idem, fol. 19 v. 

• Idem, fol. 31. Impresso avulso. Doc. comprovativo n.o245. 

• Idem, fol. 50 v. e 52. 

• Idem, fol. 53. 

' Idem, liv. XII, fol. 83 v. 



143 

/ 

hespanholas, cuja reducf ào offerecia maior lucro : nos livros da casa da moeda encon- 
ira-se sobre està materia extensa correspondencia officiai*. 

Expulsos de Portugal os francezcs pela convenpào de Cintra, a nova regencia or- 
denou, em 14 de outubro de 1808, a compra de todas as patacas castelhanas, que 
se podessem obter, a 6^800 réis o marco, e que o provedor activasse a sua reducpào 
em moeda nacional. Outra portarla de 18 de setembro de 1810 torna a instar pela fa- 
bricafào da moeda, devendo preferir-se a prata das barras e pepas compradas pelo seu 
valor intrinseco, e na sua falla as patacas hespanholas, comtanto que nào excedesse o 
prefo de 800 réis cada urna, que era por quanto corriam nos mercados^. 

A 20 de marpo de 1812 foi elevado o vencimento do flel do oiro e da prata, de 80 
a 100 réis por cada marco de prata que se lavrasse em moeda ^. 

A portarla de 26 de agosto de 1817 raandou pagar a cunhagem dos cruzados no- 
vos em prata a 65 réis o marco, e as suas fracfoes a 75 ; e quanto às quebras que se 
encontrassem nos balanpos mensaes do novo liei, contratador das fieiras e cunhos, se 
descontariam a 7^500 réis por marco no valor dos feitios, no caso de passarem de 2 72 
por milhar, descontando-se as comprehendidas até esse ponto pelo que a prata custou 
a fazenda, posta na mào do dito contratador; e n'estas condigoes se lavràra respe- 
clivo contralo ^. 

Segundo a informa^ ào do provedor da casa da moeda de Lisboa, n'esta officina nao 
se lavrou dinheiro com anno marcado de 1817, e para fabricado n'este anno ser- 
viram os ferros de 181 6. Os novos cunhos das dezeseis especies de moedas decretadas 
para Portugal (n.°* 30 a 45) abriram-se em 1818, poréra algumas so chegaram a 
cunhar-se em 1819 ^. Os n.®' 36, cruzadonovo; 37, dozevintens; 38, seisvintens; 39, 
ires vintens, 40, tostuo^ e 41, meio tostdo, sào os typos adoplados para as de prata, e 
conservaram-se até à morte do monarcha. 

Da fundipao e cunhagem da prata produzida pelas patacas hespanholas deu pro- 
vedor, em 9 de dezembro de 1818, seguinte resultado, que demonstrava quaes as 
vanlagens que a fazenda tirava da sua reducpào: 125:000 patacas, com peso de 
14:659 marcos, 4 onpas e 6 oitavas, importaram em 100:000^000 réis, a 800 réis 

cada uma, e produziram em moedas portuguezas 1 09: 1 62^518 réis 

despeza com lavramento ^ 1 :974^470 réis 

mioà^patacas 100:000j5(000 » , .^«««,6.-^ 

« 1 1 , ^- /. . , ,. > 108:224?J470 » 

calculando 5 réis a mais pelo cambio pago 

pelo erario 6:250^5(000 » 

Ocou liquido a favor da fazenda^ 945^108 » 

Além d'esle lucro a dinheiro, que variava conforme custo das patacas, havia a 
conveniencia de empregar os operarios da casa da moeda e a de augmentar no mer- 
cado a moeda nacional. 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xii, fol. 45 v. e 67 v. 

• Idem, fol. 99 e 123 v. 
■ Idem, fol. 142. 

• Idem, fol. 195 v. 

' Idem, liv. xiii, fol. 113 v.— No doc. dìz por engano 15 em vez de 16, comò na rcalidade sào, con- 
tando paloM. 

• Idem, fol. l a 2 V. 



144 



Nos seis annos decomdos de 1813 a 1818 foram compradas, para reduzir a moeda 
portugueza, 14.497:047 7s pat^cas ^, as quaes, reputadas a 800réis cada urna, som- 
mavam a quantia de 1 1 .597:638^000 réis. 

Era 24 de seterabro de 1821 representou o provedor que, tendo diminuido consi- 
deravelmente a importa{:ào ddiS patacas, por estarem interrompidas as relap oes com o 
paiz vizinho para evitar o contagio epidemico ; e convindo continuar o lavor da moeda, 
propunha se cunliassem as barras feitas do dinheiro deteriorado, salvo do ediQcio ìd- 
cendiado da junta do commercio; e sendo o valor do marco de oiro de 2^ quilatesréis 
96i$000 e amoedado 102i$400, a prata em barra 6f$000 réis e depois de feita em moeda 
7^500, lembrava, comò certa compensapào à perda que os ìnteressados haviam sof- 
frìdo com fogo, se fabricassem as ditas barras, cujo metal jà havia pago a senhoria- 
gem, apenas com o desconto do feitio, calculado por cada marco da moeda de oiro em 
675 réis, e na de prata 136; conseguindo-se aomesmo tempo dar trabalbo aos opera- 
rios, sem prejuizo da fazenda^. 

José da Cunha Madeira, ouriyes e rei de armas Portugal, apresentou em 1821 um 
projecto para se alterar o valor e peso da moeda nacional e reformar-se a adminisfra- 
{:ao das ofRcinas monetarias. Entre varios alvltres apontados levianamente, propunha 
que a moeda de oiro provincial para o Brazil corresse no reino pelo mesmo prepo; que 
a de prala de 960 réis fosse de dez dinhéiros e 21 graos^ e a de 320 e 1 60 réis apenas 
de dez dinhéiros. provedor da casa da moeda, consultado sobre o projecto, informou 
ter a moeda do Brazil o valor nominai de 1 I2f$640 réis cada marco, e a de Portugal 
102f$400, sendo o valor intrinseco do marco de oiro do mesmo quilate no mercado 
96^000 réis; e que facilmente se apreciavam osestorvos de haverna moeda de prata 

do mesmo reino dois toques differentes. . 

Para provar as suas asser(;oes fez a seguinte propor^ao entre as moedas de oiro e 
as de prata do continente com as do Brazil, que o decreto de 12 de setembro de 1748 
determinou tivessem mais 1 por cento no valor nominai : 



Moeda de oiro para o Brazil 



Moeda de prala para o Brazil 



4i$000réis: 


3,5(636 ^ réi9 de Portugal 


2|$000 » 


: 1(5(818^ » » 


moo » 


909^ » » 


640 réis : 


58 1 fi réis de Portugal 


320 » ; 


290 If » » 


160 » . 


: 145 » » 


80 » : 


72^ » » 



A casa da moeda nào se participou a emissào e o valor intrinseco dos 960 réisem 
prala. A ser em harmonia com o decreto de 12 de setembro de 1748, corresponilia a 
872^ réis da moeda portugueza; corno porém aquella moeda era feita das patacas 
hespanholas recunhadas, e 8^ patacas faziam um marco, deviam valer 882 j^ réis; 



• Arch. da casa da moeda de Lisboa, regislo geral, liv. xni, fol. 5 v. e 10 v. 
' Idem, fol. 104 v. 



145 

advertindo que as patacas tinham apenas 10 dinheiros e 21 graos, ficando por isso 
ijual a 879 J^ réis da moeda de Porlugal *. 

José da Cunha sempre coaseguiu auctorisapao para esludar praticamente o systema 
adoptado nas oificinas monetarias e poder indicar depois as reformas. Na fundi^^ào e 
trabaliios de fieiras ìntroduziu algumas modiflcapoes uleis, mas sem metliodo nem pru- 
dencia, promovendo queixas e intrigas, que deram logar à portarla de 3 de agosto de 
1822, recommendando ao preveder que Ihe aproveitasse os conhecimentos e a pratica, 
mas sem ingerencia na parte administrativa*. Madeira, que sabia mui pouco de me- 
tallurgia e de mechanica, conlinuou a abusar, levando o arrojo a limar os padroes dos 
cruzados novoSy espalhando nas officinas a confusào e a desordem, o que obrigou o mi- 
nistro a dar-lhe por finiias as experiencias. Em 1823 renovou José da Cunha a apre- 
senlapao do seu projeclo de reformas na casa da moeda, que em vez de tratarem de 
processos de docimastica e de medianica, versavam essencialmente sobre administra- 
fào e legislapao. Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque, entao preveder, fez que se in- 
deferissem laes pretensoes, dizendo para o governo : « que o ourives Madeira estava 
muito longe de possuir os conhecimentos docimasticos theoricos ou praticos e os de 
mechanica necessarios, para se Ihe confiar a importante incumbencia das officinas da 
moeda; que o seu caracter pouco pousado e nada soffredor de contradicfòes nào era de 
maneira alguma adequado para aquelle emprego; que a casa da moeda precisava re- 
formas, mas que eslas s6 podiaTi ser uteis, sendo resultado de aperfeipoamentos com- 
binados e successivos, executados sobre um plano maduramente reflectido e regular; 
e que a reinstallac^ào de José da Cunha Madeira nas func^des mencionadas so podia 
conduzir a casa da moeda a desordem e a confusào, e apoz ellas as mais graves per- 
das, empecendo o systema de melhoramenlos regulares que bavia comepado e se prò- 
punha submetter a S. Magestade .. .^n* 

Na conta que deu o preveder da casa da moeda Gregorio José de Seixas, sobre o 
rendimento provavel no anno de 1822, diz que da moeda de prata pouco ou nenhum 
lucro se esperava, pela grande escacez de patacas, e em prepo que nào convinha para 
se reduzirem. mesmo preveder propoz, em 25 de junho, que se lavrassera tambem 
em moeda do reino as patacas hespanholas recunhadas no Rio de Janeiro com o valor 
nominai de 9 60 réis ; e comò augmento de receita lembrava a reducf ào dos cruzados no- 
vos em prata ao peso de quatro oitavas, diminuindo-lhe assim 6 graos, por haver su- 
bido prepo d'este metal no mercado. Foi apenas auctorisado a comprar teda a moeda 
nào corrente nos reinos de Portugal e Algarves, assim come entra qualquer prata, pelo 
seu valor intrinseco, quando resultasse da sua cunhagem utilidade para a fazenda ^. 

A 24 de julho de 1823 mandou-se receber na casa da moeda 17 marcos em di- 
nheiro antigo de prata, remettidos pelo preveder da comarca de Evora, devendo es- 
peeiQcar-se as qualidades e epochas das ditas moedas, para se Ihe dar o destino conve- 
niente ^. 

Em virtude dos calculos e ensaios feitos na casa da moeda para a reducpào do di- 
nheiro estrangeiro a nacional, informou o preveder, em 8 de novembre do dito anno 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rciW1c2~]k
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OUdΚo\g֘1JD=~^ɷp1yQ}
tZcm.m'+?mo{o|WxKTV fàmos pelas nossas indagapoes, servindo muitas vezes os cunhos dos annos ante- 
cedentes; e por isso nao se encontram alguns exemplares correspondentes aos annos 
indicados na estatislica da casa da moeda. D'estas irregularidades nasceram em certos 
casos Irocas de cunhOH, tendo uns no anverso: JOANNES^DEIoGRATIA, e no 
reverso: PORTUGALIìE • ET « ALGARBIORUM- REGINA-1799-; e ou- 
tros: MARIA « I « DEI«GRATIA, e no reverso: PORTUGALIìE ET AL- 
GARBIORUMo Po REGENS 018120 

Este erro jà havia aconlecido com as moedas de cobre de el-rei D. José *. 

n.® 29 representa os tres réis de D. Joao comò principe regente, dos quaes se 
bbrìcaram, em 1604, 123:363 pepas. 

decreto de 25 de setembro de 1800, duplicando valor nominai à moeda de co- 
bre, era urna necessidade reconhecida pelas rasoes ponderadas pelo provedor, que pro- 
punha se reduzisse cada moeda de dez réis pelo menos a dois termos, ou a 96 gràos 
em vez dos 128 que pesava. As divergencias que jà se haviam dado para se executar 
referido decreto, e a invasào fraaceza em 1807, impediram qualquer resolupào, 
nào se cunhando moeda de cobre nas officinas de Lisboa nos annos de 1805 a 1811^. 

Expulsos de Portugal, pela terceira vez, os soldados de Napoleào, tratou a regen- 
cia de organisar a fazenda publica, ordenando, em 1 7 de setembro de 1 8 1 1 , que pro- 
vedor da casa da moeda informasse a respeito dos seguinles quesitos: 1 .^ que quanti- 
dade de cobre se cunhava annualmente para circular no reino, e qual a somma fabricada 
Bos uUimos vinte annos : 2.® por que prepo flcavam n'aquelle tempo as chapas do dito 



preQO que hoje tem cobre^ scgundo a informa^ao que me tcm dado alguns Ncgociantes, Iic 
de 420 athé 440 réis preparado em chapas, comò athé agora, vindo do Norte, e ja se vò entad que so 
quanto ao primeiro prego vem a perder a Rcal Fazenda 80 réis em arratel, alem dos 15 réis do fabrico, 
e mais despezas de cunho, sem contar a perda do direito. 

Pelo que em taes circumstancias parece ser de absoluta necessidade reformar pezo da dita moeda, 
para que entrando maior numero de chapas em cada bum arratel, se venhaO a combinar os interesses 
da Real Fazenda com os do Publico no uzo da dita moeda para as transacQOés occorrentes, sem que 
possa entrar em consideragaO alguma novidade sobre està alteragad; porque, comò a dita moeda gira 
semente no commercio com simplcs qualidadc representativa, sem aiguma attengào ao seu valor in- 
trinseco, parece que a ninguem deve importar seu maior ou menor pezo. 

Com està ponho igualmente na Prezenga de V. Ex.« os modellos de humas chapas com seu res- 
pecdvo pezo, a saber, huma de 48 pegas que vem a produzir 480 réis em arratel, e outra de 50 pe- 
<^ que vem a produzir 500 tambem em arratel, jQcando para as despezas indicadas 50 réis pela pri- 
mcira e 70 réis pela segunda; bem entendido que este calculo he fundado na hypoUicse de nào ter 
subido dito metal a maior prego em rasào da guerra, que Dcos naò permitta se venha a accender 
no Norte. 

A vista do que tenho exposto a Y. Ex.* se servirà designar que se deve obrar sobre este objecto, 
quando haja de se approvar a dita alteragad, a dm de se deverem fazer as encommcndas, ou seja para 
vir do Norte ou haja de rcduzir-sc aquì pelo novo flol desta caza da Moeda, GuiUobel, que se offerece 
a dal-o na forma indicada peios referidos modellos a respeito de 420 réis arratel, advertindo porem, 
que se neste negocio devo ter algum arbitrio, sera este de logo combinar prego por que deve flcar 
a moeda de cobre, ou seja pelo que fica dito de 480, ou de 500 réis, a flm de nào acontecer multìpli- 
car as aitcracoés, quando prego do cobre haja de subir para futuro. 

V. Ex.* mandarà o quo for servido. Lisboa 8 de outubro de 1806.-0 Provedor da caza da Moeda 
— Antonio Silverio de Miranda. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geraJ, liv. xii, foL 74.) 

' Yid. n'oste tomo a pag. 102. - 

' Yid. no firn dos doc. comprovativos a Eslalislica dos moedas de oiro, prala, cobre e bronse, que 
^«' cimharam na casa da vwoda dcsde 1 de Janeiro de 1752 eie. 



148 

metal e a que prepo se poderiam comprar; 3.° qua quanlidade se podia cunhar por anoo, 
sem detrimento da circulafào, sem offensa da lei e sem se suspender o fabrico da moeda 
de oiro e prala, que tinha loda a preferencia; 4.® se a moeda de cobrc darla maior 
utilidade que a de prata e oiro, sendo este calculo fundado no trabalbo annual da 
mesma casa; b° que numero de chapas entravam em cada arratel de cobre para se 
cunharem moedas de dez e cinco réis; 6.° se teria logar a emissào da dita moeda, 
quando se tratava da de bronze, e que quantidades de urna e outra seria possivel cu- 
nhar annualmente sem prejuizo publico; 7.® que indicasse, sobre tal objecto, o mais 
que se offerecesse, para ser lomado na devida considerapao *. 

Nào achàmos nos livros de registo a informapao; mas o que havemos dito sobre a 
moeda de cobre é bastante para suppur qual a resposta dada aos quesitos pelo prove- 
dor, qne em 11 de julho de 1812 teve ordcm de receber do arsenal do exercito 119 
barricas de cobre em chapas, para serem empregadas no fabrico das moedas de dez 
e cinco réis, de vendo pagar-se a sua importancia e a do frete a Joào Bell* ao cambio 
corrente em Londres no dia 20 de abrìl do mesmo anno, pelo producto do dito cobre 
depois de cunhado, e entrar no cofre dos subsidios britannicos na fórma estipuladal 

Os n.°' 27 e 28 sào os typos das moedas que entao se flzeram, lavrando-se com 
39:648 arrateis d'cste cobre, nos annos de 1812 a 1814, 730:800 pepas de dez réis, ^ 
1.386:393 de cinco, produzìndo 14:239^965 réis^ 

provedor da casa da moeda mostrou, em 27 de abril de 1818, a necessidade de 
se lavTar algum cobrc para enlreter os operarios, visto ter de parar por alguns diasa 
cunhagem da prata, em rasào do balanpo a que se estava procedendo; e n'este sen- 
tido foi auclorisado pela portarla de 29 do mesmo mez 5. Os n.®* 43, 44 e 45 sào os 
lavrados por està concessào. 

Fabricaram-se em 1819, 1820, e 1822 a 1824, 942:054 pepas de rfejrJw, 154:257 
de cinco réis, e 1 :065 de tres réis, empregando-se 28:030 arrateis e 3 onpas de cobre, 
dando em moeda réis 10:195^020*. 



• Àrch. da casa da moeda de Lisboa, resisto goral, liv. xn, fol. 135. 

• Vid. tom. I, pag. 128. 

' RelaQad de 119 Barricas contendo chapas de cobre para 10 r.* e 5 r.* moeda Portugueza de 36 
pessas e 72 pessas à Libra portugueza de 7:082 V» graós, preparadas pelo snr R. Boulton, por ordem 
dos Riglìt Honorablc Lords do Conselho, para moeda, estando o mesmo prompto para ser remettido 
para o porto do cmbarquc à sua custa, quando elle o mandar. Soho 3 de Janeiro de 1812. 

G. N.^ 1 a 60=» CO Barricas contendo chapas de cobrc para moedas de 10 r.*, 36 pes- 
sas por Libra I^ortugueza de 7:082 7* graos, pesando 183^*- 3«' 24 ft Inglezes, faz 20:363 'A 
Ubras Portuguezas, 16 V. d.* por Libra l:399-!9«9 

61 a 119 ~ 59 Barricas, contendo chapas de cobrc para moedas de 5 réis, 72 pessas por 
Libra Portugueza de 7:082 V» graós, pezando 175 "^' • 3 «^ » 24 £ Inglezas, faz 19:478 Vi t Portu- 
guezas a 17 <* 'A por £ , 1:400* 3 

£ 2:800 
Dcspcxas do embarrìcar, froto (^W. calculadas a £ 8«17»5 'A por cento 248» 8-3 

Importancia total 3:048' 8*3 

cujas libras rcduzidas a réis, ao cambio de 68 d.« por 1:000 r.» corrente cu lei, importad r." 10:759iSl03. 
Lisboa 28 de Agosto de 1812. — Joao Bell, Dcputado superinlendcnte dos Auxilios Britanicos. (Ardi, da 
casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xii, fol. 146 e 149.) 

• Eslalislica das moedas de oiro, prata, cobre e bronze etc. Vid. no Ara dos doc. compro rati vos. 
' Arch. da casa da moeda tic Lisboa, rcgislo geral, liv. xii, fol. 202 e 202 v. 



149 

aviso de 24 de fevereiro de 1824 mandou comprar, por urna vez sóraente, a 
Francisco Pedro de Sousa urna porpào de cobre em grenalhas, vindo de Inglaterra, 
pelo prefo de 220 réis o arratel, sera que tal transacpào podesse servir de exemplo 
no futuro*. 

Apesar da estatistica da casa da moeda mencionar o comefo da cuDhagem do co- 
bre para o continente, no reinado de D. Joao, era 1819, encontram-se exemplares de 
1818, sondo os tres réis todos d'este anno; o que nos certifica mais uraa vez que o 
anno marcado no cunho nera sempre foi o da cunhagem da raoeda. 

De 1824 a 1828 nào se fabricou moeda de cobre nas officinas de Lisboa. 



Moeda de bronze 

Depois do papel moeda foi creada a moeda de bronzo, de valor estimativo exage- 
rado, incommoda e mal fabricada; medida anti-economica e cujo onus caia princi- 
palmente nas classes menos abastadas. 

governo provisorio embarapado com o mau estado Gnanceiro do paiz leve a in- 
feliz idèa em 18 10 de aproveitar este metal para a cunbagera da moeda, sondo o abri- 
dor Cyprianno da Silva Moreira encarregado de fazer os ensaios^, para 40, 30 e 20 
réis, todos com o mesrao diametro, mas differente espessura, que seria proporcionada 
ao respectivo valor. A regencia so approvou os 40 réis, decretando em 29 de outubro 
de 1811 seu curso forpado, com o fundamento das urgencias da fazenda, mas pro- 
mettendo ser moderada na emissao, que devia attenuar o rebate do papel moeda e 
facilitar o commercio por miudo '. 

Apesar das promessas, o governo, pelos grandes lucros que tirava, lanpou no mer- 
cado quantias enormes d'estas moedas, tornando hoje difBcil a sua substiluipào. 

Os n.®* 22, quaranta réis ou pataco; 23, trirUa réis, e 25, vinte réis, sào os en- 
saios de Cypriano da Silva Moreira. Pela mesfna epoca flzeram-se mais duas provas 
n." 24, trifUa réis e n.® 26, vintem, com raenor diametro, que se nào foram abertas 
pelo mesmo artista, devem ser attribuidas cora a raaior probabilidado a Simào Fran- 
cisco dos Santos ou a Francisco Xavier de Figueiredo: d'estas ultimas provas apenas 
vimos era poder do fallecido segundo abridor Luiz Gonzaga Pereira um unico exemplar 
de cada uma, cujo destino ignoràmos. 

Com exceppào do ultimo tinham o inconveniente de se confundirem entro si sondo 
de diversos valores; e os n.°' 23, 24 e 25 apresentavam o defeito da legenda do re- 
verso ser uraa repetipào por extenso do inscripto era abrevialura no anverso. 

A sirailhanpa do que se praticava cora a moeda de cobre, propoz, em 16 de agosto 
de 181 1, capilào Malheus Antonio ^ fornecer as chapas de bronze para a nova raoeda 
nas seguintes condipoes: 1.^ serera as pcpas de artilheria postas na sua officina à cusla 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rej^isto goral, liv. xiv, foi. 24 v. 

" Carla do presidente do rcal erario ao provedor da casa da moeda. —0 portador deste he o Cypriano, 
ao qual V. S.» mandarà entregar ps Pongoens e cuntios que elle pedir para a factura da nova mix'da 
de Bronze, que se vai emittir. Desejo sempre dar-lhe gesto comò de V. S.» o mais att.» ven.*' — Conde 
do Redondo. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xii, foi. 126 v.) 

' Impresso aMilso. Doc com prò vati vo n.^ 238. 

* As offlcinas de Matheus Antonio para a fundigào de metacs estavam no ediUcio do Thcsouro Ve- 
lilo. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto goral, liv. xiv, foi. 106 v.) 



150 

da fazenda, flcando por sua conta o quebrai-as em pedapos para entrarem no forno, e 
todas as mais despezas de lenha, carvao, jornaes, ferramenias, lavagem da escovilha, 
arrecadapào e peso, pagando-se-lbe 10 réis por cada arratel; 2.^ pela factura das ctaa- 
pas de broDze, promptas a roceber o cunho, se Ihe darla pelo arratel, posto na casa 
da moeda, 1 40 réis; 3.^ que as partldas seriam pagas logo qae fossem entregues; 4.^ 
que bronze da arlilheria teria o abatimento de urna onpa em arratel, quebra que U- 
nha na fusào, corno se vcriflcou em presenpa do escrivào da real fazenda. 

Sobre estes artigos foi ouvìdo o provedor da casa da raoeda, que se conformoa em 
geral com a proposta, ponderando que ainda havia a acrescentar na despezaos 10 
réis na cunhagem de cada arratel de chapa, e a importancia incalculavel da abri^iào 
dos cunhos, por estarem muito sujeilos a quebrarem pela rijeza do metal. 

A esse tempo jà o dito capitào Matbeus tinba fabricado e entregue na casa da moeda 
4:913 arrateis de chapas em circumstancias de receberem o cunbo, levando algumas 
sarrilha ornaroentada, comò se observa n'um exemplar de 1811^ que esiste na collec- 
pao real, a flor de cunho. 

centralo foi confirraado pelo aviso de 8 de novembre de 181 1 *. 

Em seguida fabrìcaram-se tambem cbapas de bronze no arsenal do exercito, encon- 
trando-se a ordem datada de 27 de junho de 1812, para se entregar ao pagador do 
dito arsenal a quantia de 937^120 réis, importancia da despeza feita com a manufa- 
ctura das referidas chapas*. 

capitào Matheus pelo excesso do dispendio com a compra de barras de estanbo 
para o apuramento das escovilhas do bronze que havia fundido, pediu mais 35 réis 
por cada arratel d'estas chapas, o que se Ihe concedeu pelo aviso de 22 de junho de 
1815, ordenando a casa da moeda flzesse pesar as ditas escovilhas, para se nào dar o 
acrescirao por alguin outro bronze que estivesse para fundìr. N'esse anno conside- 
rou-se Ando o centrato com Matheus Antonio, comprando-lhe o governo o balancé de 
ferro com banco de madeira, um engenho para sarrilhar dinheiro, seis caixas com fe- 
chadura, que serviam para a conducpào das chapas, e toda a areia de moldar que exis- 
tisse em arrecadapao^. 

provedor da casa da moeda, attendendo unicamente aos lucros do Ihesouro, es- 
creveu em 7 de julho de 1819 um relatorio fazendo a apologia da moeda de bronze, 
dizendo-a multo estimada do povo, pela facilidade da contagem, e propondo se lavras- 
sera OS 103:000 cruzados que faltavam para perfazer os duzentos contos que haviam 
side decretados, para cuja fabricapao precisava 700 quintaes de bronze; e demonstrava 
que tendo ganbo muito a fazenda com o centrato do capitào Matheus, em que cada ar- 
ratel de chapa cuslava 150 réis, melhor resultado se tirarla, sendo fabrìcada nas oflì- 
cinas da casa da moeda; pois, pelas experiencias feitas, nào devia exceder a 1 06 réis, 
deixando uma senhoriagem muito superior A do lavramento da moeda de prata e de 
olro. provedor tratou o assumptomuiescrupulosamente, descendo aminuciosidades 
de bastante interesse para a historia d'està moeda, comò vai transcripto no respectivo 
documento *. 

governo, apesar dos lucros que Ihe resultavam d*este fabrico, conhecia bem 



' xVrch. da casa da moeda de Lisboa, reglsto geral, liv. xii, foi. 13G. 

* Idem, foi. 147. 

' Idem, foi. 180 e 181 v. 

* Idem, liv. XIII, foi. 20 V. Doc. comprovaUvo n.» 240. 



151 

OS inconvenientes da moeda de bronze, recoramendando na porlaria de 25 de agosto 
de 1819 que so quando a reducgào das patacas hespanholas a moeda portugueza nào 
desse vantagem ao thesouro, se cunhassem os patacos, para conservar os operarios 
em exercicio, devendo empregar-se o bronzo existente na dita casa e o das pe^as de 
artilberia julgadas nos arsenaes incapazes de servir ^ 

Nos annos de 1816 e 1818 nào se cunharam moedas de bronze, e em 1817 apenas 
se lavraram 1:041, provavelmente com os cunhos anteriores, ainda em nome do prin- 
cipe regente, pois so em 7 de setembro de 1819 foram submettidos a approvapào do 
marqaez de Borba, corno presidente do real erario, os novos cunhos com o titulo de 
rei, declarando o dito provedor que o maior numero de abreviaturas nas legendas era 
devido à conveniencia de nào serem àqueiles cunhos iguaes aos das dobras, e que 
quanto maior numero de letras tivessem, mais facilmente se estraga vam na cunhagem ^. 

Os typos d'estas moedas vào representados no n.^ 42^ tendo sìdo os ferros abertos 
por Siroào Francisco dos Santos e Cypriano da Silva Moreira, e approvados pelo go- 
verno, conforme a declarapào do provedor de 9 do mesmo mez e anno ^. 

Em alguns patacos do anno 1822 temos visto urna especie de sarrilha, que nào 
passou de ensaio. 

Levantando-se varìos queixumes contra as irregularidades encontradas no peso 
da moeda de bronze, o ministro da fazenda mandou responder o provedor, que in- 
formou em 24 de julho de 1822 : «Sobre o fabrico da moeda de bronze ja dei ordem 
para se fazer, e com elfeito se faz conforme o padrao de dez oitavas, quarenta e oito 
graos, que o meu anlecessor Alexandre Antonio das Neves déo a fundipao, para se fa- 
zerem do arratel de bronze doze chapas de quarenta reis cada huma, posto que a por- 
tarla de 29 de outubro de 1811, que creou està moeda, Ihe nao determioe o pezo, 
mas que seja emitlìda quazi ao par do seu valor intrinseco, o qual sem duvida he 
muito variavel. Devo dizer aV. Magestade que o artista Malheus Antonio foi o pri- 
meiro que naquelle tempo foi encarregado de fabricar as chapas de bronze do valor 
de 40 reis na importancia de 159:423^320 réis, sem attender a dcterminado pezo, 
pois se faziam vasadas em raoldes, ou fòrmas, o que se seguio tambem nesta caza da 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, iiy. xiii, foi. 25. 

• IlL** e Ex."* Sr. Marqnez de Borba— Levo à Prezenga de V. Ex.* as provas do cunho que se aprom- 
ptou nesta casa da Moeda, com o flm de servir na moeda, que se haja de fazer, de Bronze — Digne-se 
V. Ex.« de mandar declarar-me, se o mesmo Cunho merecc a sua approvacào; ou no cazo contrario^ 
qoaes mudan^as devao fazer-se. E expondo a V. Ex.* que a lenda que deciara o Reynado de Sua Ma- 
gestade tem mais abreviaturas, que o cunlio das dobras: por duas razoès; primcira parecòo que nào 
convinha, que buma moeda vuigar tivesse bum dos cunhos identicos ao da moeda de mayor valor em 
. Ottro; segunda em moeda de bronze as letras quantas mais sào, mais depressa se destroem na occa- 
sìào de cunliar: Lisboa na caza da Moeda 7 de Setembro de 1819. — Provedor da caza da Moeda, 
Alexandre Antonio das Neves. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xin, foi. 25.) 

' Em resulla do officio que deriji ao IH."® e Ex."" Sr. Marquez, Administrador Gcral do Erario Ue- 
?io, em data de 7 do corrente à cerca dos Cunhos apromptados pclos dous AbridoreS desta Gaza, Si- 
niào FransisGO dos Santos e Cypriano da Silva Moreira, para moedas de Bronze, recebi na mesma data 
«icclaragaS do mesmo \\\.^* e Ex."' Snr. Administrador Goral, que ao dito respeito diz assira: —«Vi e 
apresenteì aos meus Collcgas no Governo a amostra do novo Cunho, que a todos parecèo perfeitissìma, 
e na verdade o està: mereccndo a dita araostra geral approvagào » — E para que està approvacào, que 
he semelhante à que pelo mesmo modo foy dada a respeito dos Cunhos de todas as moedas com as 
armas reaes novas, flque constando, para certcza do merecimento dos mencionados abridores, se lance 
a copia desta dcclaracao no Livro do Registo. Lisboa na Gaza da Moeda 9 de Setembro de 1819. — 
Provedor da Caza da Moeda, Alexandre Antonio das Neves. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo 
ffcral, liv. xm, foi. 25 v.^ 



152 

mocda; e por isso ainda hoje se encontram moedas de bronze daqueiia fabrica^ao, 
que apenas tem nove oilavas, cu ainda menos; e que so se flzerara com o sobredilo 
pezo de 10 oitavas e quarenla e oito ^^os, quando se largaram as fórmas, ou moldes, 
e se fundio o bronze em barras, para passarem às fieiras e sacabocados; mas assim 
mesmo sera raro achar-se exacla em pezo huma destas moedas, attendidos aos fortes 
e febres uzados nas cazas da moeda^». 

provcdor representoQ em 13 de selembro sobre a conveniencia de se continuar 
a cunhagem da moeda de bronze; pois os negociantes, vendo a necessidade que bavia 
de comprar as patacas para dar trabalho aos operarios da casa da moeda, exìgiam 
por ellas um pre^^o elevado, o que nào aconteceria, achando-se as oiBcinas habilitadas 
para o lavramento do bronze *. 

A porlaria do real erario de 1 8 de selembro communica ao provedor que no arse- 
nai da marinha nào havia bronze de pepas inuteis, que se podesse vender a casa da 
moeda; e que no arscnal do exercito existia o resto da remessa feita em 27 de juiho 
do 1813 pelo conlramestre da officina de carpinteiro de obra branca, Manuel de Al- 
meida, comò encarregado da extincta casa da fundifào da moeda de bronze \ 

provedor requisilando os 38 */« quintaes d'esle metal jà preparado para sé cu- 
nhar, calculava produzir mais de dois contos de réìs; mas achava exagerado o pro(o 
por que vinha reputado na relapào. bronze foi mandado entregar na mesma data, 
22 de setembro, reservando o administrador geral do erario para mais tarde com- 
binar-se no prepo*. Em 22 de dezembro enviou o mesmo provedor uma conta circum- 
stanciada da amoedapào do bronze vindo do arsenal do exercito, tendo produzido réis 
2:360i$360, incluindo 61f$460 de Tebres ou menos peso nas moedas, e ponderou ane- 
cessidade de se fornecer porj^ào d'este metal à officina monetaria, para se nào sentir 
diminuifào no seu rendimento, porque o seu prepo tendia a subir no mercado, assim 
corno das patacas hespanholas, pelo augmento de exportapào para a Asia. admi- 
nistrador goral do real erario, attendendo a està representa^ao, participou haverem se 
logo passado as ordens convenientes ao arsenal do exercito para entregar duas 



' Ardi, da casa da mocda de Lisboa, registo gcral, liv. xiu, fol. 147 v. 

- 111."* e Ex."" Snr. Marqucz de Borba — Ponho na Prezen^a de V. Ex.« as primeiras amostras da 
Moeda de Bronze, com o cunho das Armas do Ueynado de Sua Magestade: e as ditas amostras tem de 
pezo no total quatro marcos e sessenta grads. Rcpito perante V. Ex.* que de se fabricar ou nad està 
moeda, rezulta ou o abaixar ou levantar o prego das Patacas: ate julbo proximo os Negociantes de Pa- 
tacas as levàraò ao prego que quizeraò; e corno desde esse mez flcou està caza da Moeda livre desta 
oppressào, o couservar-se assim a caza depende de estar habilitada sufflcientemente para continuar o 
fabrico da moeda de Bronze. V. Ex.* me determinare o que julgar conveniente ao Real servigo: Lis- 
boa na Caza da Moeda 13 de setembro de 1819—0 Provedor da Caza da Moeda, Alexandre Antonio 
das Neves. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiii, fol. 25 v.) 

' RelagaO das chapas de bronze para moeda existentes nos armasens do Arsenal do Exercito: 

G quintaes, 22 <& e 6 ongas para moeda de 40 reis, prompta a cunhar-se, valor do arratel 420 r.* 

13 « 28 16 e 6 ongas para moeda de 20 reis, prompta a cunbar-se, valor de cada arratel 420 r.* 
10 * i ^ 25 <iÈ e 14 ongas para moeda de 40 reis, apenas fundida, valor de cada arratel. . 400 r.* 
3 (^ 20 )( liè e 2 ongas para moeda de 20 reis, apenas fundida, valor de cada arratel 400 r.* 
7 • 3($e29|Qem bronze Baslor, GUor, Pegas fundidas, retalbos &; valor de cada ar- 
ratel 260 r.* 

Lisboa 24 de Agosto de 1819 — Miguel Comes Dias. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo 
geral, liv. xni, fol. 26 v.) 

* Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xni, fol. 27. 



153 

pefas de artilherìa, que ali exisliam disponiveis, e cento e vinte arrobas de limalha, 
para nào parar a araoedapào do bronze; e a 28 de marpo de 1820 recebeu-se na casa 
da iDoeda outra porpao igual com o mesmo destino ^ 

A 22 de junho requisitou o provedor mais bronze para a cunhagem da moeda, e a 
28 enviou o resumé do produclo das Ires mil arrobas d'este metal que se tinham lavrado 
COI patacos desde agosto do anno anterior (1819), calculando um lucro para a fazenda 
de 30:000^000 réis. real erario premiou o zeloso funccionario com urna portarla lau- 
daloria*. 

No relatorio que o dito provedor remetteu em 26 de agosto, acompanhado dosres- 
pectivos mappas da amoedafào dos diversos metaes com relapào ao primeiro semestre 
do anno 1820, observa-se ter af&uido ali pouco oiro e prata; que o bronze havia dado 
proporcionabnente maior rendimento ao estado, e que para continuarem estas vanta- 
gens, era preciso que nào fallasse o metal ^. 

Em 18 de julho tornou o provedor a officiar, dizendo que estando demonstrada a 
utilidade e a vantagem de continuar com o lavramento de bronze, pedia se Ihe forne- 
cessem por semestre duas pegas de artilheria das julgadas incapazes no arsenal do exer- 
cito e OS fragmentos do mesmo metal que ali houvesse ìnuteis^. 

enthusiasmo do provedor pela cunhagem d'està moeda locava o fanatismo ; na 
impossibilidade de obter mais artilheria, e em presenta do elevado prepo que tinha no 
mercado o bronze e os metaes que entravam na sua liga, chegou a propdr se laudasse 
mio dos utensilios de cobre e estanho das prìncipaes casas de Lisboa e da real ucharia, 
que estivessem muteis ^. 

Os pedidos nào affrouxaram, e tanta dedicapào em augmentar a receita do thesouro 
molivou aviso de 12 de fevereiro de 1821, renovando os louvores ao zeloso funccio- 
nario e participando-lhe terem-se expedido as ordens ao arsenal do exercito, para man- 
dar entregar na casa da moeda tres pepas de artilheria de bronze, de dois em dois 
mezes, em vez das duas que se enviavam por semestre *. 

Em 31 de julho representou o provedor que,''havendo diminuido a abundancia das 
patacas fiespanholas, se precisava continuar a cunhagem do bronze ; que no projecto 
de José da Cunha Madeira se dizia: a moeda de cobre necessita alguma reflexàOy poi^ 



* Arcb. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. xiii, fol. 32 v. a 34. 
' Idem, fol. 39 e 40 v. 

' Idem, fol. 41 v. a 45. 

* Idem, fol. 45 v. 

* 111."* e Ex."* Snr. Marquez de Borba— Levo à prezeoga de V. Ex.» que parecendo naò poder obter-se 
<lo Arsenal Real do Exercito mais Bronze do que està determinado para a Gaza da Moeda; e sendo muito 
poaco que se acba de venda a prego còmodo: occorre que talvez se possa obter «rande porgào dos 
^nisies de cobre e estanho que naò tenhad jà uzo, nas cazas prìncipaes de Lisboa. E tambem lembro 
que haja alguma porgào pertencente à Beai Ucharìa; digne-se V. Ex.* dar as providencias que forem 
ilo Real servigo, e peto que loca às cazas dos grandes, digne-se V. Ex.* interpòr a sua intervengad. Lis- 
boa na Gaza da Moeda 4 de Setembro de 1820 — provedor da caza da Moeda, Alexandre Antonio das 
Keves. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xni, fol. 47 v.) 

* Tendo apresentado na Uegencia do Beino o Officio que V. M.^^ me dirìgiu em data de ontem, a 
mesma Regencia em Nome de El-Rey, o Senhor D. Joào sexto, manda louvar o zello e circumspecgad 
com que se comporta em tudo o que tem a seu cargo, e communicar-lhe que hoje mesmo se expedi- 
ras as ordens para que do Arsenal Real do Exercito se entreguem na Gaza da Moeda tres pegas d 'Ar- 
Wheria de Bronze de dous em dous mezes: o que participo a V. M.«=* para sua inteligencia. D.' g.** a 
^•M.« Palacio da Regencia em 12 de Fevereiro de 1821— Fransisco Doarte Goelho — Sr. Alexandre An- 
^0 das Weves. (Arcb. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. xui, fol. 58 v.) 



154 

nào embaracar com o bronzo, o qual sefaz(ìe(X)breeUitao{1);estamoeclabemadmi' 
nistrada nào deve evitar ao estado mais de um vintem: que admittiodo estas pala- 
vras differente sentido^ pedia que o auctor eiplicasse : 1 .° se urna moeda de bronze de 
40 réis nào devia custar mais de um vintem; 2.^ se este viotem correspoudia unica- 
mente a todo o fabrico de fundìpao e fleiras, ou se tambem ìncluia o pre£0 do metal; 
3.^ se vintem era so pelo fabrico de cada moeda ou por cada marco ou arratei; pois 
no caso do dito Madeira poder preparar a moeda de bronze com maior utilìdade para 
a fazenda, opinava se Ihe arrematasse a manufactura das chapas, corno se bavia feito 
ao capiiao Matheus Antonio ^ 

ourives José da Cunha Madeira declarou consistir o seu plano em reduzir a urna 
onpa peso do pataco, fundindo o metal em moldes de latào bem desempenados ao 
tomo, para depois de cortadas as rebarbas e polida a chaparecebermelborocunho^ 

Exigindo thesouro publico do provedor da casa da moeda uma conta approii- 
mada de quanto poderia produzir o rendimento d'està repartipào n'aquellc anno cor- 
rente de 1822, responden, com rela^ao ao bronze, que devia deixar de lucro livre 56 a 58 
por cento, calculando produzir n'esta moeda 150:000 arrateis, que deixariam de se- 
nhoriagem 42:000,5000 réis, nao fallando o metal'. 

A portarla de 24 de julho pergunta qual a quantidade da moeda de bronze lavrada 
diariamente, o seu peso, para se conhecer quantas entravam em arratei, e o prefo de 
cada arratei; e recommenda a maior vigilancia para que se nào altere o peso, tanto 
d*esta comò de outra qualquer moeda. provedor informou que se cunhavam por dia 
600 a 700 arrateis de moedas de bronze, entrando em cada um doze chapasdelO 
oilavas e 48 gràos, para correr no prepo de 40 réis cada moeda, saindo a 237 réis o 
arratei de melai; e que nào cessava de recommendar aos operarios a raaior exacjrSo 
no peso da moeda, mas nào podia deixar de haver febres ou fortes, conforme a lei de 
todas as casas da moeda, emquanto se nào ajuslassem à lima uma e uma^. 

Sendo bem notorios os perigos de continuar com a cunhagem do bronze, ordenou- 
se em 30 de dezembro de 1823 que se reduzissem os operarios encarregados da fun- 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiii, fol. 93 v. 

' Qual he a razaó de se poder fabrìcar a Moeda de bronze por prego de 20 reis cada Imma. — A 
moeda de bronze he fabricada muito diflicilmente; tem muito pezo: està moeda naò deve pezar mais 
do que huma onga cada huma, de metal preparado, para que na6 arrebente ao cunhar, entrando em 
cada arratei 16 patacóes, em que a difTerenga deve ser muito pouca: modo de fazer està moeda, de- 
pois de preparado por bum habil Latoeiro de Fundigào, se mandarad fazer os moldes redoodos em La- 
taó; e depois de bem desempenados ao torno, estcs moldes, teraS mais algum pezo dos 16 em arratei 
para a diminuicad do dito pezo que ha em a Fundigad: està opperagad feita por hum babil Latoeiro 
naò preciza mai^ explicagad, e a estcs se cortaò os gislos, e as rebarbas ; e logo sem mais prolixidades 
se metem em arroda, que o mesmo Latoeiro sabe a Constmcgad, e com sarro de Vinho moido, sai e 
agoa se llie dà o polimento, flcando limpos e lustrosos. £sta informagad theorica do modo mais facil, que 
se pode fazer, e desta sorte tirarà o Estado melhores utilidades.— modo pratico o Auctor do Pro- 
jecto farà ver ao Provedor da Gaza da Moeda, para que sendo adoptado pelo Governo, o mandar p^r 
em pratica. E creyo ter prehenchido nesta parte o que me foy intimado — José da Cunha Madeira. iRe- 
cebida na casa da moeda de Lisboa, em 7 de agosto de 1822. — Ucgisto goral, liv. xm, fol. 99). Kste do- 
cumento mostra a razad com que o provedor informou que a Memoria de José da Cunha Madeira era 
redigida com uma tal confusaò de fraze que o fazia declarar em abono da verdade, que mais de bum 
artigo llie fora completamente inintelligivel (Idem liv. xiv, fol. 8). Vid. tambem o quo deixàmos dito a 
pag. 144. 

" Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xni, fol. 124. 

* Idem, fol. 149. 



155 

dì^o deste melai aos precizos para o fabrico do cobre veiho que ali se fosse ofTerecer 
à venda, cessando para tal firn todas e quaesquer corapras de cobre novo^ 

N'este reinado, desde 1811 a 1826 amoedaram-se 1.405:062 arrateis e 4 onpas 
de bronzo, em 17.963:525 palacos, que produziram a importancia de 718:84l9$000 
réis. 

anno cm que a cunhagem da moeda de bronzo attingiu maior desenvolvimento, 
foi no de 1824, pois se lavraram 231:667 arrateis, que deram 3.050:806 j^a/aco^com 
valor nominai de 122:332{51240 réis*. 

Loiz da Silva Mousinho de Albuquerque, preveder da casa da moeda, instando em 
18 de noverabro de 1824 pela reforma dà mesma casa, disse com relapao a cunhagem 
(lo bronze: «Mém de ludo isto e na hypothese ainda de que as materias primas nao es- 
casseassem, tal fabrico, corno muitas vezes o tenho representado, e nunca cessarei de 
repetil-o, produzindo*se indefinidamente e na enorme proporpào de 1 a 1 5 arrobas 
diarias, é essencialmente nocivo ao bem publico, pejando mais e mais a circula^^ào in- 
terior com urna moeda incommoda, e incapaz de figurar nas transacfoes externas, pela 
qaasi nullidade do seu valor corno mercadoria ^. 

MoedaB para os Agores 

aviso de 23 de maio de 1806, declarando haver nas ilhas sufficiente quantidade 
de dinheiro provìncial para o commercio, mandou recunhar em moeda de prata para 
reino os 10:34 lf$975 réis que no mesmo metal se achavam promptos para os Afo- 
res, remettendo-se depois o seu produclo para o erario por conta do rendimento da 
dita casa ^. Eslas moedas devem ter side das cunhadas ainda em nome da rainha. 

Em 18 de outubro de 1801 recebeu a casa da moeda, vindo da ilha da Madeira, 
1:932;$600 réis em dinheiro cortado para se fundir e tornar a cunhar^, e dos Apores 
em 25 de setembro de 1802 e 1 de junbo de 1803, com o mesmo destino, 14:163^393 
réis nominaes, pesando a prata apenas 558 marcos, 3 onpas e 3 oitavas^. 

Moedas estrangeiras oorrentes em Portugal 

As tropas francezas e hespanholas que invadiram o reino em 1807, no intuito de o 
conquistar, e depois as inglezas, que vierara expulsar os soldados de Napoleào, demo- 
rando-se até 1820, deram causa em circumstancias tao anormaesavarias leìs para es- 
labelecer curso às moedas d'estas Ires napoes; asslm o editai de 30 de novembre de 
1807 mandou que ninguem recusasse o dinheiro francez e hespanhol ^, publicando-se 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, regtsto gcral» liv. xiv, fol. 23. 

' Vìd. no firn dos doc. comprovatìvos a EskUislica das moedas de oiro, prala, cobre e bronze, eie, 

' Arch. da casa do moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiv, foL 35 v. 

* Idem, liv. xn, fol. 66 v. 

' Idem, liv. xi, fol. 222 v. 

' Idem, liv. xii, fol. 10 e 29. 

^ Faco sabcr a todos os Moradores desta Capital e seu Termo, que ninguem dove recusar a moeda 
Fraoceza e Uespanhola, com que as tropas de Sua Magestade o Imperador e Rei se oATereccm a com- 
prar OS generos de que precisao: quem assim o naO praticar sera punido com graves pcnas a arbitrio 
da Policìa. E para que assim indefcctivelmente se observc, emquanto o Governo nao dà mais cìrcun- 
^staociadas providcncias, mandei lavrar, e flxar o presente Editai. Lisboa trinta de novembre de 1807— 
Ucas de Seabra da Silva. (Impresso avulso.) 



156 

juQtamente duas relapoes com os seus valores em moeda portugueza, na seguinte pro- 
porpao : 

Moeda (rauceza antiga rz 

Luiz de 24 libras tornezas 3f$640,88 

Diro { Moeda de 2 luizes, de 48 libras tomezas ' 7iS281,76 

Meio luiz, de 12 libras lornezas Ij5820,44 

Escudo de 3 libras 455,1 1 

Moeda de 2 escudos, ou 6 libras 910,22 

Moeda de 24 soldos 182,04 

p .Moeda de 12 soldos 91,02 

Moeda de 6 soldos 45,51 

Moeda de 2 soldos 15,17 

Moeda de If soldo 1 1,37 

Soldo de 12 dinheiros 7,58 

P , l Moeda de 2 liards, 0U7 soldo de 6 dinheiros 3,79 

I Liard de 3 dinheiros 1,89 

. . . i Libra torneza de 20 soldos 151,70 

Imaginarias. . . ]-.... ^' ^ 

° ( Dinheiro 0,63 

Està relapào era acompanhada pela nota seguinte: 

N. B. Para se calcular valor da moeda moderna, basta saber-se que cada soldo 
vale 7 réis e 58 centesimos, e cada franco 151 réis e 70 centesimos; multiplicando- 
se cada franco por este valor, sabe-se importe da moeda, pois ella diz numero dos 
dinheiros, soldos, ou francos que ella mesma contém. 

Calculo da moeda actual : — Para se saber valor da moeda actual, basta multi- 
plicar-se 0,034 de franco por 5 réis. — Cada franco é igual a urna libra torneza. 

Seguem-se duas estampas com as moedas correntes desenhadas, as de oiro colorì- 
das de amarello e as de cobre de escuro, tendo cada uma seu valor marcado por 
cima: 

Napoleào de 40 francos 6^400 

Q. I Napoleào de 20 francos 3j5200 

^^^ ^ Luiz de 48 Ubras 7,J680 

Luiz de 24 libras 3,J840 

Napoleào, ou 5 francos 800 

2 francos 320 

1 franco 160 

Prata / Escudo de 6 libras 960 

Escudo de 3 libras 480 

30 soldos 240 

15 soldos 120 

1 decimo 20 

Cobre ^5 centesimos 10 

12 dinheiros. 15 



Diro 



157 

fìeduccSo 

Moccla hesfMinhoIa ^iq ^»^^ 

Peso duro, ou 1 reales de prata, e 1 quartos ou 20 rea- 

les de velhon 800 

40 reales de velhon IfJBOO 

80 reales de velhon 3|J200 

1 60 reales de velhon 6^400 

320 reales de velhon 12/5800* 

Real de velhon 40 

Melo real de prata provincial, ou S-J- quartos, ou umreal 

de velhon 40 

Real de prata provincial, de 1 real e 1 quarto, ou 2 reales 

de velhon 80 

Real de prata mexicano, por 1 real de prata eb-^ quartos, 

Praia { ou 2^ reales de velhon 100 

4 reales de velhon, ou urna peseta 160 

Peseta coluranaria 200 

Meio peso duro, 5 reales de prata e 5 quartos, ou 1 rea- 
les de velhon 400 

Peso duro, ou pataca castelhana, ou 10 reales de prata e 

10 quartos, ou 20 reales de velhon 800 

1 quarto, ou quatro raaravedis. Vale 4,70 corre por — 5 

2 quartos, ou oilo maravedis. .. Vale 9,41 corre por. . . 10 

Ochavo, ou dois maravedis Vale 2,35 corre por. . . 2-- 

Maravedi de velhon Vale 1,17 (nao corre) *. 



Cobra 



Em 31 de dezembro de 1807 decretou Napoleao que Portugal pagasse urna con- 
Iribuifào de guerra de cera milhoes de francos, para remir as propriedades dos parli- 
culares. Junot, tratando de cobrar o imposto, declarou no artigo iv e v das instrucpoes 
de 1 de fevereìro de 1808 que os objectos de oiro e de prata de todos os teraplos e 
confrarìas do reino se remettessem à casa da moeda; os das igrejas de Lisboa, directa- 
mente pelas pessoas encarregadas da administrapào e guarda d'esses objectos, e os 
das provincias por intermedio dos recebedores da decima ; e no acto da sua entrega 
passarla o thesoureiro da dita casa um recibo bem especiflcado. Foram exceptuadas 
apenas as pepas de prata indispensaveis ao culto, das quaes se envìaria uma lista com 
a sua descripgao; e declarou-se que todo o individuo que sonegasse alguraa das ditas 
pepas, seria obrigado a pagar o quadruplo do seu valor. A exceppào molivou duvidas, 
que general em chefe do exercito francez se apressou a remover, especiflcando os 
objectos que se deviara entender comprehendidos na concessào'. 



* A proporgào estabelccida comprova o que dissemos a pag. 84, sobre a ìgualdadc de valor da 
moeda de oiro hcspanhola com os nossos escudos. 

* Ra estampa anncxa veem os dinheiros coro os pregos qae dcixàmos.indicados, excepto os reales 
^e prata de velhon que téem 50 réis em vez de 40, e o odiavo 3 réls em vez de 2 )(. 

' Constando ao Illustrissimo e Excellcntissimo Senhor Gcocral em Chefe do Exercito Francez em 
Portugal, que a excepcào, authorisada pelos Artigos iv e v do Decreto do primeìro deste mez, das Pc- 
cas de Prata necessarias à decencìa do Culto, tem dado lugar a duvidas na diversa inlelligoncia das 
que devcm considerar-se no caso de serem rescrvadas: Tem Sua Exccllcncia declarado, e Ordcna quo 



158 

Revoltando-se a cidade do Porto contra os francezes, a junta prò visionai do governo 
supremo ordenou, em editai de 14 de julho de 1808, que corresse a moeda deoiro 
ingleza '; e a 18 de agosto mandou tirar da circulapào a moeda franceza^. 

Em 4 de outubro de 1808 os govemadores do reino fìzeram suscitar a obser- 
vancia do alvarà de 20 de outubro de 1 785 para nào correr a moeda eslrangeira de 
oiro, prata ou cobre, a qual s6 poderia negociar-se e receber-se corno genero, a con- 
tento das partes, e pelo prepo em que concordassero ^. 

Antonio Silverio de Miranda, tendo feito proceder a ensaios e exame relativo da pa- 
taca hespanhola, attestou em 1 3 do mesmo mez e anno, a pedido de Joào Erskine, 
commissario em chefe do exercito inglez em Portugal, que o seu valor era de SOOréis, 
sem differenza sensivel no calculo comparativo *. 

Pela representafao do marquez de Torres Vedras, general em chefe dos exercilos 
alliados, exposta pelo ministro de sua magestade britanica em Portugal, resolveu-se 
em 3 de dezembro de 1812, a exemplo do que se praticava com as j;atoca5hespanho- 
Ibas, que o guinéo, que tinha o toque de 22 quilates e o peso de duas oìtavas e 24 graos, 
correspondendo a 3f$73S réis da moeda portugueza, corresse livremenle por està pre- 
po, e meio guinéo por metade d'este valor ^. 

A portarla do thesouro publico nacional de 26 de novembro de 1821 ordenouque 
preveder da casa da moeda communicasse a commissào para o melboramento do 
commercio a noticia dos ensaios feitos na mesma casa em moedas de oiro inglezas, 
francezas e hespanholas, e de outras quaesquer moedas que a dita commissào Ihe eii- 
gisse, pertencendo sómente a refenda casa a despeza dos novos ensaios. Em cuntpri- 



todo Ouro e Prata das Igrejas, GapeUas, e Confrarias he comprehendido na Gontrìboi^aO, exceptnan- 
do-se somente os GaUces, Patenas, e Collierinhas; as Piscides; as Gustodias; os Gofres em que na Se- 
mana Santa se costuma depositar o SaiUissimo Sacramento; as Goroas e Resplandores, qae actnal- 
mente adornad as Imagcns; as Imagens de Nosso Senhor Jesus Chrìsto, e de Nossa Senhora; e os Re- 
licarios, cujo pezo naO exeeder a dous marcos de Prata. que assim se terà entendido por todas as 
Gorporagoés e Pessoas a quem pertencer a execu^^O, para que o cumpraò, levando promptàmente aos 
Lugares designados quaesquer Pe§as, que pela errada inteUigencia tiverem reservado nas Igrejas, Car 
peUas, e Gonfrarias, na certeza de Ihe serem applìcaveis, em cazo de contraven^ad ou fraude, as Pe- 
nas comminadas nos referidos Artigos iv e v do mesmo decreto. Lisboa 25 de fevereiro de 1808. Fran- 
sisco Antonio Herman. (Impresso avulso.) 

' Editai. Em nome do Principe Regente Nosso Senhor. k Junta 'Provisionai do Governo Supremo, 
Tendo sempre em vista a utilidade pubUca a beneficio do Commercio, em que se interessa o bem ge- 
ral da Na^ao Portugueza: Gonhecendo quanto sera util ao mesmo Commercio a admissào das moedas 
de Ouro da Na^5 Britannica, e que tenhad livre curso, e giro dentro deste Reino de Portugal: Deter- 
mina, que as Moedas Brìtannicas de Ouro abaizo indicadas circulem, e corraò livremente, com o valor 
na forma aqui declarada: Guiné por 3i^750 réis, Meio guiné por 1^875, e o tergo de guiné por 1|250 
réis. E para que chegue à noticia de todos, e se nào altere no giro do Commercio o sobredito valor; 
Manda que està ordem se publique por Editaes, a flm de que tenha o seu devìdo cumprimento, e corno 
na mesma se acha estabelecido. Porto 14 de Julho de 1808.— Bispo, presidente govemador. (Impresso 
avulso) 

• A Junta Provisionai do Governo Supremo : Attendendo ao gravissimo prejuìzo, que soffre o Com- 
mercio na introducgaó, e giro da 3ioeda Franceza: Ha por bem prohibir absolutamente a sua circula- 
Caó, para que jamais se possa admittir em quaesquer pagamentos, ou sejaO particulares, ou destinados 
para as arrecadagoés publicas; naó havendo obrigagad alguma de acceitar-se, qualquer que seja asua 
natureza, qualidade, ou valor. E para que chegue à noticia de todos, mandou publicar, pelo presente 
Editai, està Determinac>aó. Dado no Porto a 18 de Agosto de 1808.— Bispo, presidente governador.- Com 
sete Rubricas dos Deputados da Junta Provisionai do Governo Supremo. (Impresso avulso.) 

" Impresso avulso. 

' Idem, tendo ao lado a traducgào era inglez. 

* Idem. Doc. comprovativo n.» 239. 



159 



mento da porlaria foi enviada a seguinte nota, comparando aqucUas moedas com o 
valor intrinseco de 96iS(000 réis que tinha o marco de oiro de 22 quilates. 



Procedencia da moeda 


Valor que se achou 


Km 

numero 

de ensaios 


Valor em moeda 
correspoadeute ao anno 


Maidmo 


Minimo 


Medio 


Inglaterra 

Franca 


96:454 
94:772 
94:227 


96:000 
94:227 
88:772 


96:241 
94:534 
94:466 


9 
12 
26 


96:226-1820 
94:568-1817 
91:366 — 1818 


Hespanha 





Casa da moeda, 27 de novembre de 1821. — preveder, Alexandre Antonio das 
Neves*. 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral. liv. xiii, fot. 117 e 11 8. 



IGO 



D. FEDRO IV (o libertador) 

(I)c 10 de marco de 1826 a 30 de Junho de 1828} 

Nasceu este principe oo palacio do Queluz a 12 de outubro de 1798; acoropaobou seus 
paes na cmigragào para o Brazil em 1807, e ahi se tratou do seu casamento com D. Maria 
Leopoldina Joscfa Carolina >, filha do iraperador d'Austria Francisco I, celebrando-se os des- 
posorios em Vienna a 13 de maio de 1817, e deserabarcando a princeza no Rio de Janeiro a 
6 de novembro do mesmo anno ^. 

D. Joào VI, saindo em 26 de abrìl de 1821 para a Europa, deixou seu filho successor ea- 
carregado da regencia d'aquelles cstados, que o declararam em 13 de maio de 1822 seu de- 
fensor perpetxw; e tornando-se o Brazil indepcndentc da monarchia portugueza em 7 de se- 
tembro, o acclamaram imperador em 12 de outubro, sem renuncia ao throno portuguez. 

Pouco depois de chegar ao Rio de Janeiro a noticia da morte de seu pae, outorgou, em 29 
de abril de 1826, a Carta Constitucional 3, e em 3 de maio seguinte abdicou a coròa portu- 
gueza era sua filha primogenita a senhora D. Maria da Gloria, princeza do Gran-Para, coni a 
disposigdo que em tempo proprio esposaria seu tio D. Miguel. 

A regencia que D. Joào VI havia nomeado em 6 de margo, presidida pela infanta D. Iza- 
bel Maria, prodamou D. Pedro IV rei de Portugal, e enviou ao Brazil uma deputagào composta 
do arcebispo de Lacedemonia, do duque de Lafóes e do dr. Francisco Eleuterio de Paria e 
Mollo para Ihe prestar homenagem. 

noTO codigo politico foi annunciado no reino a 12 de julho de 1826 e jurado solemnc- 
mente em 31 do mesmo mez e anno. Por precaugào ordenou-se que a joven rainhanàosafssc 
do Brazil, antes de ali constar officialmente o juramqnto da carta constitucional, e sem quo 
se houvessem feito os seus esponsaes com o infaufe D. Miguel; de contrario se consideraria 
nulla a abdicagào. 

A 11 de dezembro de 1826 falleceu no Rio de Janeiro a impcratrizD. Maria Leopoldina. 

Em Lisboa o governo da regencia tratava de sufTocar a reacgào. Àlguns regimcntos aquar- 
telados nas provincias haviam-se levantado proclamando o absolutismo, mas perseguidos pe- 
las tropas liberaes acolheram-se à Hespanha, que consentiu que aquelles revoltosos fizessem 
correrias no territorio portuguez, dando-lhes guarida, quando batidos pelas forgas constitucio- 
naes. Em presenta de similhante procedimento, e receìando-se até alguma intcrvengùo ar- 
mada por parte de Fernando VII, reclamou-se o auxilio da Inglaterra em conformidade dos 
tratados, e nos fins do anno de 1826 desembarcou em Lisboa uma divisào ingleza de 6:000 
homens commandados pelo general Clinton. 

A nomeagao, em 3 de julho de 1827, de D. Miguel para logar- tenente e regente do reino, 
e a demissào concedida ao general Saldanha de ministro da guerra, aplanou as difficuldadcs 



' Nasceu em 22 de jaDeiro de 1797. 

' N'esse anno cunhou-se uma medalba allusiva ao casamento, de que exlste um exemplar na col- 
leccào de Sua Magestade El-Rei o senhor D. Luiz, aberla por J. Lang, a qual Lopes Femandes descre- 
veu e fez estampar na sua Memoria das medaiftas e condecoracdes poriuguezas, pag. 1 16, est. xliii, n." 130. 

' Oubois abriu uma medalha commemorando a outorga da carta constitucional, que ofTercceu a 
D. Pedro IV, e de que se cunharam excmplares em varios mctaes na casa da moeda de Lisboa. Vem 
desenhada e descripta na refenda Memoria de Lopes Femandes, est. xxxi, n.*^ 98 e pag. 91. 



161 



ao dominio do partido anti-llberal. iafaQte cntrou noTejo a 22 de feverciro de 1828. Qua- 
tre dias depois prcstou jurameato & carta consti tucioaal, eoi presenta das duas camaras re- 
uoidas DO palacio da Ajuda, e toniou posse do governo. Por inQuencias de sua roàc e por an • 
tigos comprooiissos dissolveu a camara dos deputados em 13 de margo e derribou a consti- 
tuig&o, coavocando as velhas cortes ; e, com o prctexto de ser a isso levado por instancias 
dos poYOS, acclamou-se rei absoluto em 30 de junho. 

Os constitucionacs da cidade iavicta procuraram oppòr-se ao movimento reaccionarìo ; a 
saa gaamicào marchando sobre a capital, para resistir ao numeroso exercito miguelista quc 
Ihe safu ao encontro, teve de occupar as fortes posigOes da Cruz dos Morougos, e, apcsar da 
heroica defeza com que sustcntou o ataque, viu-se obrigada a voltar para o Porto, d'onde 
emigrou a maior parte para Inglatcrra e Galliza. Os absolutistas consideraram cnt&o aniqui- 
lado de todo o systema liberal. 

D. Pedro casou segunda vez no Rio de Janeiro com a senbora D. Amelia, filha do prin- 
cipe Eugenio de Bcaubarnais e de Augusta Amelia de Baviera, duqucza de Leuchtcmbcrg. 

A usurpando feita pelo infante levou seu ìrmào a nomear em 15 de junho uma nova re- 
gencia presidida pelo raarquez de Palmella, e composta do conde de Villa Fior e José Antonio 
Gaerreiro, investida de plenos poderes para governar e admiuìstrar o rcino em nome de sua 
augusta fiiha, e de fazer reconbecer e respeitar os seus legìtimos e inauferiveis direitos. Està 
regcQcia comegou a funccionar em 15 de margo de 1830 na ilba Tcrceira, unica parte do reino 
qae nunca se submetteu t rcaleza de D. Miguel de Braganga. 

D. Pedro abdicou, em 7 de abril de 1831 , o imperio do Brazil em scu fillio o senbor D. Pe- 
dro de Alcantara, actual imperador; e quatro dias depois embarcou para a Europa com o ti- 
tolo de duque de Braganga. 

Os acontecimentos politicos que se seguiram, e em que tomou parte muito activa oste 
monarcha, passarara-se jà no rcinado da senbora D. Maria 11, e abi os indicaremos. A cunba- 
gem da sua moeda comò rei de Portugal terminou em agosto de 1828, e comò imperador do 
Brazil cm abril de 1831. 

Na velha Europa foi D. Pedro o unico monarcba que se arvorou em campeào voluntario da 
liberdade dos seus vassallos, indo alem das grandes reformas do marquez de Pombal, e con- 
tando tambem por advcrsarios a maior parte do clero e da nobreza, que, para sustentarcm 
antigas regalias, especularrm com o fanatismo e ignorancia dos povos, levaado-os a bostili- 
sar a sua propria cmancipagào. Um acto de tao acrisolado patrìotismo e abnegagào bastava 
para apagar alguns defeitos de cducagSo; mas o successor de D. Jo&o VI foi mais longe; 
doando aos filhos os sceptros da rcaleza, empunhou a espada para cmprebender uma Iuta gi- 
gante. Cercado de um punhado de bravos que Ibe baviam ficado fieis, sem olhar ao grande 
nomerò dos contrarios, veiu desfraldar no solo da sua patria o estandarte da liberdade, e 
firme com a saotidadc da causa que defendia, combateu sem descansar os satcllites do dcs- 
potismo até o aniquilar. Nào se embalou com os loiros da Victoria; tendo por principio a pro- 
tec(ào aos fracos, foi generoso com os vencidos, decretando a amnistia geral de 1834. A gra- 
tidào do povo a tao magnanimos sentimentos acha-se patente nos tres famosos monumentos 
qoe se ergueram por subscripgào nas pragas principaes de Lisboa, Rio de Janeiro e Porto ; 
mas acioaa d'estas manifestagOcs ficou a boa memoria do seu nome, que se vae transmittindo 
Teoerada de geragào em geragSo entro os portuguezes e brazileiros. 

D. Pedro era de estatura mais que mediana, constituigfio forte, fronte elevada, cor pallida, 
com alguns signaes de bexigas, e olbar penetrante. Energico e activo, possuia a franqueza e 
08 habitos do soldado intrepido, e no trato algumas vezes apparentava certa dureza, que nOo 
possoia. 

Plihos havidos do prlmeiro malrimoiiif 

D. Pedro : morreu creanga. 

A senhora D. Maria da Gloria, que succcdeu no throno de Portugal. 

T03IO II 11 



162 

D. Joao Carlos, principe da Bcira : nasceu a 6 de niargo de 1821, efallcceu a 4 de feve- 
reiro de 1822. 

senbor D. Fedro de Alcantara: successor no imperio do Brazil. 

A senhora D. Januaria, princeza do Bramii: naSceu a 11 de margo de 1822, e casoua28 
de abril de 1844 com o scnhor D. Luiz Carlos, principe das Duas Sicilias, de quem tem ge- 
ragdo. 

D. Paula Marianna, princeza do Brazil: nasceu a 17 de fevereiro de 1823, emorreualG 
de Janeiro de 1833. 

A senhora D. Francisca Carolina, princeza do Brazil : nasceu a 2 de agosto de 1824, eoa- 
sou em 1 de maio de 1843 com o principe de Joinyille, de quem tem geragào, filbo do rei dos 
francezes Luiz Filippo. 

Fìlha do segnndo mairimonio 

A senhora D. Maria Amelia: nasceu em Paris no dia 1 de dezembro de 1831, efallcceu 
na cidade do Funchal no dia 4 de fevereiro de 1853 p^las quatro horas da manhà, sendode- 
posìtada na capella do palacio até embarcar a 7 de maio de 1853 no vapor Duque de Salda- 
nha, que fundeou no Tejo no dia 11. Os restos mortaes da joven princeza foram conduzidos 
para o jazigo real de S. Vicente. 

Fora do matrimonio teve, entre outros filhos : 

D. Izabcl Maria de Alcantara, que foi legìtimada e feita duqueza de Goiaz, com tratameoto 
de alteza. 

Moedas de D. Fedro IV 

Pre^o estimativo actual 

JMeia pega 4^500 réis 

ÌCruzado novo C. 

Seis vintens 4^000 réis 

Tresvinlens 3^000 réis . 

Tostào 5^000 réis 

Bronxe -Moeda de quaranta réis cu pataco G. 

i. PETRUS IVo D G • PORTUGALIiE o ET • ALGARB • REXo Ca- 

befa laureada do monarcha à diretta; por baixo o anno 1826. 

Qr Annas do reino com escudo do feilio que tinham as moedas de prata, 
cercado por duas palmas de loiro e carvalho. Ensaio monetario. 

2. PETRUS IVo D G PORTUGALIìE o ET » ALGARB • REX^ Ca- 
bega laureada do monarcha à direita; por baixo anno 1828. 

Qr Armas do reino com escudo ovai entre duas palmas de loiro e carvalho. 
Pefa, valia 7j5l500 réis. S — C. 

3. PETRUS IVo D G PORTUGALIìE ET ALGARB o REXo Ca- 
beca laureada do rei à direita; por baixo anno 1827. 

• Quando a dobra de qualro escudos no flm do reinado anlerior passou do valor prirnilìvo de 6^400 
a 7ii500 réis, principiou a ser designada, mcsmo offlcialmente, pepa de scie mil e quinìienlos réis, e no 
publico, peca. 



163 

ly Armas do reino cura o esciulo ovai entre duas palmas de loiro e carvalho. 
Meiapega, valla 3?J750 réis. JiT— 4^500 réis. 

4. PETRUS . IV. D G PORTUG o ET o ALGARB o REXo Armas do 
reino; à esquerda entre dois floroes, 400; a direita, tambem no meio de dois flo- 

roes, anno 1826. 

^ O o IN ^ HOC <o SIGNO :;> VINCES ^ Cruz da ordem do Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo, valia 480 réis, ìR — C. 

5. PETRUS p I V D « G PORTUG ET ALGARB REX Armas do 
reino tendo de cada lado tres floroes. 

l^r o o IN « HOC « SIGNO VINCES o Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Seis vintensj valia 120 réis. JR — 4j$000 réis. 

6. PETRUS . IV. D G PORTUG . ET ALGARB REXo Armas do 
reino tendo de cada lado tres floroes. 

1^ O ® I^ ^ HOC o SIGNO o VINCES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Tres vintens, valia 60 réis. JR — 3^000 réis. 

7. PETRUS . D G . PORTUG o ET ALGARB REX No campo LXXX ; 
por cima a coròa real entre dois floroes, e por baixo um florao no meio de dois 
pontos. 

^ o IN o HOC o SIGNO o VINCES 4» Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Tostào^ valia 100 réis. M — 5^51000 réis. 

8. PETRUS IV D G PORTUG . ET ALGARB REX Cabeca lau- 
reada do rei à direita, e por baixo anno 1827. 

Qr UTILITATI PUBLICiE. Armas do reino com escudo ovai. Quarenta 
réis ou ptUaco, valia 40 réis. BR — C. 



Depois da morte de D. Joào VI um aviso da secrelaria da fazenda, respondendo a 
representapao do provedor da casa da moeda, ordenou que as legcndasnodinbeiro se 
escrevessem conforme às decretadas para os sellos — Petrus IV dei gratia portugor- 
Im et Algarbiorum rex — com as armas do reino do feitio usado antes da caria de lei 
de 13 de maio de 1816; e para nào parar a amoedapào, emquanto se nào aprompta* 
vam OS Dovos cunhos, conlinuassem a servir os do dito anno de 1826, que linhara 
nome do anterior monarcha*. 

desenho para novo cunho foi approvado em outro aviso de 2 de maio do mes- 
mo anno*; e em 27 de junho reraetteramse as provas das moedas de oiro de 7^500 
réis; mas nao agradando a effigie, recomraendou-se, pela secrelaria da fazenda em 22 
dfi julho, que se fìzesse mais similhante possivel ao retralo enviado para modelo, 
devendo depois ser devolvido, servindo para reverso das dilas moedas cunho 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto gcrai, liv. xiv, fol. 55 v. a 56 v. 

' governo destes Reynos, creado pelo Decreto de 6 de Marco do corrente anno, e Prczidido pela 
Serenissiina Senhora Infanta Dona Isabel Maria, Ha por bem approvar desenho junto no incluso Aviso 
que V. M.«« me dirigio; que Ihe partecipo para sua inleligencia, e nesla conformidade fazer proceder 
a aberlura dos respectivos pongòes. Deos guardo a V. M.'« Palacio de Nossa Senhora d'Ajuda em 2 do 
Mayo de 1826 — Conde de Murca — Sor. Luiz da Silva Mouzinho d'Albuquerque. (Idem, fol. 58 v.) 



164 

aberto por Cypriano da Silva Moreira ^ A outra prova da peca foi Irabalho de Simao 
Francisco dos Santos, flcando adoptado apenas o anverso, mas corrigindo-se o punpao 
que liaha pouca parecenga com o rei '. 

n.® 2 deve ser o eosaio do cunho aberto por Simào Antonio dos Santos, do qual 
so se approvou o anverso, sendo preferido o reverso do lavrado por Cypriano da Silva 
Moreira, Ocando a moeda corno vae representada no n.® 1 . Com o mesmo typo se fabri- 
caram as meias pecas, n.^ 3. 

oiro amoedado durante este curto reinado nao soRreu altera^ ào no prefo e toque, 
continuando a lavrar-se pela lei de 5 de marpo de 1822 a rasao de 1 20^91000 réis o 
marco, e pesando cada peca 288 gràos. A sua cunhagem foi pequena ; a estatistica 
da casa da moeda dà no anno de 1826, comprehendendo as de D. Joao VI, 1 0:883 pe- 
cas; e em 1827 teraos no dito documento 1:713 meias pecas. 

Em 28 de novembro de 1826 foi mandado louvar o provedor da casa da moeda 
Luiz da Silva Housinlio de Albuquerque, pelo zèlo, actividade e util economia com que 
se houve no desempenho da importante commissao de apromptar os palacios para a 
reuniào das camaras dos pares e deputados ^. 

A moeda de prata teve apenas *a mudan^a do nome do monarcha, voltando, corno 
se fez com a de oiro, ao typo que tinha antes da carta de lei de 13 de maio de 1816, 
que mandou juntar as armas de Portugal as do Brazil. 

Desde maio de 1 826 a agosto de 1 828 lavraram-se em prata os n.®" 4, cruzado novo; 
5, seis vintens; 6, tres vintens e 7, tostàc. Estas tres fracpòes sào multo raras, nào se 
chegando a cunhar os doze vintens e o meio tostdo. 

marco de prata foi amoedado em prepo de 7^91500 réis, pesando cada ci-uzado 
novo 294^ gràos. 

Em nome de D. Fedro IV nào se chegou a fabricar moeda de cobre. 

A moeda de bronze, n.° 8, dois vintens ou pataco, continuou a cunhar-se sem al- 
terapào no peso, mas com o busto de D. Fedro IV, e a legenda sóraenle de rei de Por- 
tugal, com as armas do reino do feitio das usadas nas moedas de seu pae, quando 
regente. 

' Fiz presente a El-Rei Nosso Senhor o officio que V. M.«* me dirigio na data de 27 do mex proximo 
passado, que acompanhava quatro moedas de ouro do valor cada liuraa de sete mU e quìnhentos réis, 
qne a V. M.<» rcstìtuo cunbadas, segando os novos pongoens que para ellas 'ora5 abertos: E he S. Mag.^ 
servido ordcnar que a Sua Rcal effigie vcnha a ser similhante quanto ser possa À da Estampa que 
a V. M « rcmetto, e que V. M." me tornarà, logo que na Gaza da Moeda nào for necessaria; e o reverso 
das moedas conforme indica a prova inclusa n.» 2 do cunbo que abrio Cyprianno da Silva Moreira. 
que participo a V. M.<» para sua inteligencii e devida execugao. Deos guardo a Y. M.^ Palacio de Nossa 
Senhora d'AJuda 22 de Julho de 1826 — Conde de Murca— Sur. Luiz da Silva Mouzinho d'Albuquerque. 
(Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, iiv. xiv, foi 60.) 

* Em consequencia das ordens do Governo de S. Mag.*** a quera foram prosentes as provas dos Pon- 
soens para o novo cunho, abertas pelos Abrìdores d'està, Simào Francisco dos Santos e Gyprianno da 
Silva Moreira, para as moedas de quatro oltavas de ourq, valor de 7^500 réis ; determino que de oraem 
dìante fica adoptado o Ponsào aberto pelo Abrìdor Simào Francisco dos Santos, e o reverso aberto pelo 
Abridor Cypriano ti a Silva Moreira. Declaro outrosim estar mui satisfeito da perfeigào com que se acbad 
trabalhados os rcferìdos Ponsoens, reconbecendo que a falta de semelhanga que existe no Ponsad do 
Abridor Cypriano deve provir da falta que este teve de bum perfll de El-Rey, soccorro que depois de 
efcctnada a abrigào pelo dito Abridor pude subministrar aos seus companheiros; em consequencia os 
Abrìdores da caza procederào à abricào de cunbos para moeda de ouro na forma por està determinala: 
e està se registarà no iivro de Registo desta caza, dando-se della conbecimento aos Abrìdores para sua 
devida execugào. Lisboa em 24 de Julbo de 1826 — Luiz da Silva Mouzinho de Albuquerqne. (Idem, 
foi. 60.) 

• Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, Iiv. xtv, foi. 63 v. 



165 



D. MIGUEL DE BRAGANQA (intruso) 

(De 30 de junbo de 1828 a 26 de maio de 1834} 

Nasceu este infante no palacio de Queluz a 26 de outubro de 1802; foi gran-prior do 
Cralo; succedeu a seu pae na casa do infantado, e serviu de condestavei no acto da sua accia- 
magào. Bm 1 de junho de 1823 leve a nomeagfio de commandante em chefe do cxercito, cargo 
deqae foi exonerado em 9 de maio de 1824, e tres dius depois saiu para a Alleinanha ^ Logo- 
qiie Ihe constou a morte de el-rci D. Joào VI, cscrcveu a seu irmào em 6 de abrii e 12 de maio 
de 1826, recoahecendo-o corno soberano; jurou a conslituigào peranie o barilo de Villa Secca, 
mioistro de Portugal cm Vienna d'Austria; e a 29 de outubro assigndu o contrato de es[)on- 
saes com sua sobrioba, dando todas as demonstragOes de se conformar com a vontade de 
D. Fedro IV ^ 

Gom titulo de regente, conferido por seu irmSko, desembarcou o infante em Lisboa a 22 
de fevereiro de 1828 ', e a 26 jurou a carta constitucional no pa^o da Ajuda em pres(*nga dos 
priocipaes funccionarios do reiuo, e do corpo diplomatico. 



* Na saa viagem visitoa no dia 28 de jalho do dito anno a casa da moedacm Paris, onde ilie dedicaram 
ama medaliia, sendo o canho aberto por J. Barre.— Lopes Femandes, Memoria das medalhas e conr 
duora^des porluguexas, pag. 90, est 31, n.* 96. 

' Carta qae escreveu à infanta D. Isabe! Maria : «Minha querida mana. Posto que eu deva suppor 
qoe ]à terà cbegado ao seu conhecimento a soberana Resolucào, errcctivamente tomada por Nesso Au- 
gusto Irmào e Rey de me Nomear Seu Lugar Thenente, e Regente nesscs Reynos, para os governar na 
conformidade do que se acha prescripto na carta constitucional, dada por Nesso Augusto Irmào à Na- 
Cào Portugueza, nào posso todavia dispensar-me de Ihe annunciar, que chegou às minlias màos o De- 
creto de tres de Julho do presente anno, em virtude do qual me acho pienamente authorisado para 
ttsunir a Regencia dos Reynos de Portugal e Algarves, e suas depcndencias. — Determinado a mantcr 
iltetts as Leis do Reyno, e as instituìQdes legalmente outhorgadas por Nesso Augusto Irmào, e que to- 
dos joramos manter e fazer observar, e de por eiias reger os sobredictos Heynos, cumpre qae Eu as- 
sim declare, aOm de que a Mana de a està solemne Declara^o a competente publicidade, e que queira 
bier coostar ao mesmo tempo a Qrme Intensào em que me acho de comprimir fac^des, que debaixo 
de qnalqaer pretexto tentem perturbar a tranquilidade publica n'esses Reynos ; desejando Eu, que er- 
ro» de colpas passadas, que possào ter side commcttidas, sejào entregues a bum total esquccimento ; 
e qoe a concordia, e bum perfeito espirlto de conciliaQào succedào às deploraveis agitaQÒes, que tem 
desunido huma Nagào celebre nos annaes da Historia, pelas suas Virtudes, Valor, Lealdade e respeitoso 
apego para com os seus principes.— A flm de levar a elFeito as Regias intensdes de Nesso Augusto Ir- 
mào, Hco-me dispondo para regressar a esse Reyno ; e por tanto, rogo à Mana que sem a menor perda 
de tempo mande apromptar, e sabir para o Porto de Falmouth huma Fragata de guerra e bum Brigue 
a flm de Eu seguir viagem daquelle para esse Porto de Lisboa. — Deus a Guarde, Minha Querida Mana 
08 annos qne ihe apetece seu Mano que multo a ama. — Infante D. Miguel. — Vienna d'Austria aos 19 de 
Oatnbro de 1827. — Està conforme ao originai que flcou em poder de Sua Altcza a Serenissima Senhora 
Infanta Rcgeote. — Candido José Xavier. — Na ausencia do offlcial-mayor.— Joào da Costa Cordeiro. 
(Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiv, foi. 69 v). 

' Em Paris D. Chardigny abrìu uma medalha commemorativa da nomea^ào do infante para regente 
de Porhigal, da qual possue um exemplar o sr. dr. Justino Cumano; e o conde da Lonza D. Diego de Mene- 
Ks mandoQ Tazer urna entra, commemorando a chegada de D. Miguel a Lisboa (Lopes Fernandes, Mt^ 
«nona das medalhas e condecora^des porluguezas, pag. 92 e 93, est. xxxn, n.« 99 e 100). Comreferen- 
cia à segunda encontràmos nos livros do registo da casa da moeda (xiv, foi. 126 v.) o seguinte: — El-Rcy 
2^0880 (Senhor) He Servido Ordenar que na Real Gaza da Moeda se acceite ao abridor della Francisco 



11)6 

partido absolutisla, conspirando sempre contra a cniancipagào do povo, empregou 10- 
das as dilìgcncias, e conseguiu, sem grandcs difficuldadcs, quc D. Miguel, qucbrando tao sa- 
gradas promessas, se fìzesse acclamar rei cm 30 de junbo com o assentimento dos tres estados 
do reino. 

Para distincgào concedcu-se quc os partidarios do rei intruso usassem de urna medalha 
de oiro ou prata, pendente de fìta azul e encarnada, com a sua vera eCBgie, ou a de sua au- 
gusta mào. 

Aos acontecimentos politicos d'aquella epocha nào foi estranha aviuvadeD. Joào VI:do- 
tada de um genio attivo e inquieto, bavia-se recusado em 1822 a prestar o juramento à cod- 
stilui^ào ; por tal motivo cbegou a scr exautorada do titulo de rainha e intimada para sair de Por- 
tugal, que se nào effectuou, porperigar a sua vida, corno os medicos declararam, seempreheo- 
desse a jornada n'aquella occasiào; e por isso se conservou relida no seu paJacio do Rama- 
Ihdo até junbo de 1823, cm que os absolutistas a pozcram em piena liberdade. A imperatrìz 
rainba D. Cariota Joaquina de Bourbon veiu a fallecer no palacio de Queluz a 7 de Janeiro de 
1830, pclas tres boras e tres quartos da tarde, e foi depositada no dia 10 na ìgrejade S. Fedro 
de Penaferrim de Cintrai. 

Os aposlolos da reacgao procuraram consolidar-sc no poder pelo tcrror e intolerancia; 
cncarcerando os liberaes, consenliam e mesmo protegiam as violencias e assassinatos com- 
mettìdos pclos que se diziam amantes do tbrono e do aitar; e para csteio d*estas duas pode- 
rosas alavancas da civilisa^ào faziam repetidos sacrificios com as victimas nos patibuios. 
Arevolugào de Paris, que destbronou Carlos X; a tomada noTejo da esquadra miguelista pc- 
los francezes; a morte de Fernando VII, e as idéas avangadas que se espalhavam pelos povos 
da Europa, tornavam cada vez mais diSìcil um governo que, para sustentar urna causa de si 



de Borja Freirc a quantia de oitenta e doìs mil oitoccntos e oìtenta e cince réis cm Moeda metalica, 
valor dos Metaes constantes da Rciacào inclusa assignada pelo conselbeiro Joaquim Antonio Xavier An- 
nes da Costa, offlcial Maior da Secretarla de Estado dos Negocios da Fazenda, que ao niencionado Fran- 
cisco de Borja Freire forào entrcgues na dita Real Gaza aflm de serem empregados na Medalba offere- 
cida ao Mesmo Augusto Senhor, representando a perpetuagào da memoria da sua feliz chegada ao Tejo 
no dia 22 de feverciro de 1828, por mim ordenada a refenda Medalha, e pelo dito abridor desempe- 
nhada. que participo a V. M« para sua intcltigencia eassim o fazer executar. — Deos GuardeaV.M." 
Palacio de Camera Correa 24 de Maio de 1832.— Condeda Louzàa D. Dìogo. — Sr. Antonio Joaquim 
Alpoim Serrào. 

RelaQào, de que se faz men^o, dos metaes que levàrào as Medalbas feitas e cunhadas na Real Gaza 
da Moeda por ordem do III.™* e Ex."' Sur. Conde da Louzàa D. Oiogo, Ministro e Secretano d'Estado 
dos Negocios da Fazenda e Presidente do Erario Regio, cujos pezos e importancias sào as seguinles, a 
eaber: 

Urna medalha de ouro da Mina d'Adina, do toque de 22 quilatcs, posando 4 ongas e 6 gràos, a 

115^200 réis o marco 57^"^ 

Dez ditas de prata de lei de 1 1 dinhciros, pesando 3 marcos, 3 on^as, 1 ottava e 2 gràos, a réis 

7.^350, 32 V..- marco 24^025 

Pk^zoito medalhas de cobre, pezando hum e mcio arrateis a 140 réis o arratcl ^"^^ 

Somma 82|88o 

Sccrelaria d'Estado dos Negocios da Fazenda, 24 de Mayo de 1832 — Joaquim Anton io Xavier Annes 
(ia Costa. 

A Academia real das sciencias mandou lavrar uma medalha pelo abridor Dubois, dedicada a D. Mi- 
guel cm rcconhecimento de se dignar continuar a ser seu presidente e protcctor. (Vid. Lopes Fernan- 
dos, Memoria cttada, pag. 93, est. xxxii,.n." 101). artista collocou a figura de Minerva em Trentc do rei 
intruso, estando oste assentado n'uma cadeira sobre um estrado, com o pc esquerdo locando o globo e 
pisando os lìvros, para os quaes aponta indilTerente. Os miguelislas tomaram a attilude corno significa- 
tiva do dcsprezo quc o seu monarcha tinha pelas sciencias; e alcunhando Dubois de pedreiro Uvre, o 
obrigaram a sair do reino. para se esquivar à persegui(?ào. 

' Os scus rcslos mortaes foram trasladados para S. Viccnlc de Fora cm 22 de oulubro de 18«>^- 



167 

tao pouco sympatbica, empregava a tyrannia, augmcntaodo o desespero dos contrai*ios. 
A guerra civil que se havia desenvolvido coni todos os scus horrores, tcrminou pela conyengdo 
deEvora fionte assignada em 26 de maio de 1834: n'essc documento obrigou-se D. Miguel a 
safr do reiuo do praso de quinze dias, e a nào voltar a parte alguma da Hespanha oudePortugal 
e seus dominios, recebendo com estas condigòes, attenta a elevada categoria em que bavia 
nascido, a pensào annual de 60:000jl000 réis, n a pcrmissao de dispòr da sua propriedade 
particular. 

decreto de 18 de margo do mesmo anno jà o bavia privado das honras de infante. 

No primeiro de junbo che^ou ao porto de Siaes D. Miguel de Braganga, embarcando no 
mesmo dia na fragata de guerra ingleza Stag^ do commando do capitao Lockyer, que se fez 
lego à véla para a babia de Gascaes, seguindo pouco depois para Genova, terra que o ex-in- 
fante havia escolbido para residir, e onde publicou a 20 do dito mez um manifesto annullando 
pela sua parte a convengao de Evora Monte. 

Por este facto perdeu o direito à pensào estipulada. Foi mais um erro no final da cruenta 
tragedia, que a historia patria tem no futuro de registar com caractercs de luto. Os cbefcs abso- 
lutistas, na maxima parte imprevidentes e maus, apoiados por scquazes ignorantes e fana- 
lisados com os seus actos de ferocìdade, alem de perderem a sua propria causa, tornaram 
abominavel um principe, cuja educagao, quasi exclusivaraente entregue a picadores e a tou- 
reiros, inhabilitava de governar o reìno ou mesmo de cscolber bomens competentcs que o 
fizessem em seu nome, acbando-se a córte intrigada pela rainba, quo de accordo com Fer- 
nando Vn procurava partido contra a liberdade dos povos peninsulares i. 

Moedas de D. Miguel 

Pre^o estimativo actaal 

oiro....!Peca C. 

(Meia pega 4J5500 réis 

Grozado novo C. 

Doze vintens C. 

Seis vintens C. 



• • 



Prata ^ 

]Tres vintens C. 

fTostào C. 

^Meio tostào C. 

Courc-l^^^^^'s C. 

(Cìdco réis C. 

Bronae-Quarenta réis ou pataco G. a 4;S00O réis 

' D. Hi^el de Bragan^^a casou em Ileubach a 24 de setembro de 1851 com a-princcza de Locwcnstein- 
Wertheim de Rosenberg, a senhora 0. Adelaide Sophia Amelia, nascida a 3 de abril de 1831, fllha dos 
prìacipes Constantino José de Loewenstein e de Maria Ignez Henrìquela de Hohcnlobe Langenbargo; e 
morreu em 14 de novembre de 1866. 

FilhOB bavidOB d'este matrimonio 

A senhora 0. Maria das Neves de Bragan^a: nasceu em Heubach a 5 de agosto de 1852, e casou a 25 
de abril de j 871 com D. Alfonso Maria de Bourbon (de Hespanlia). 

senhor D. Miguel Maria de Braganga: nasceu em Heubacb a 19 de setembro de 1853. 

A senhora D. Maria Tlìereza de Braganga : nasceu em Heubacb a 24 de agosto de 1855, e casou a 
23 de juiho de 1873 com D. Garlos Luìz (d'Austria). 

A senhora 0. Maria Josefa Beatriz de Braganca: nasceu no castello de Brombacb em 10 de marco 
de 1857. 

A senhora D. Aldcgundes de Jesus Maria de Braganca: nasceu no castello de Brombacb a 10 de no- 
vembre de 1858, e casou em Salzbourg (Austria) a 15 de outubro de 1876 com o conde Bardi. 

A senhora D. Maria Anna de Braganca: nasceu no castello de Brombacb a 13 de julbo de 1861. 

A senhora D. Maria Antonia de Braganca: nasceu no catello de Brombacli a 28 de novcuibro 
«le 1 62. 



168 

1 . MICHAEL «10 00 00 PORTUGALIiE o ET o ALGARB o REX o Busto 
laureado de D. Miguel de Braganca à direita, com a coirac-a e o manto; por baixo 
anno 1828. 

Qr Armas do reino tendo por ornamento duas palmas com as pontas voltadas 
para dentro. Pefa, valia 7fJ500 réis. N — C. 

2. MICHAEL o 1 D • G PORTUGALIiE ET ALGARB o REX . Busto 
laureado de D. Miguel de Braganga a dìreita, com a coirai e manto; por baixo 
anno i83o. 

Qr Armas do reino com duas palmas voltadas para fora. Pega, valia 7^500 
réis. N — C. 

3. MICHAEL 1 D G cPORTUGALIìE o ET ALGARB . REX . Busto 
laureado de D. Miguel de Braganga à direita, com a coira^a e manto, n'um campo 
radiado, por baixo anno 1829. Ensaio monetario. 

4. MICHAEL 1 D G PORTUGALIiE ET ALGARB . REX . Busto 
laureado de D. Miguel de Braganca à direita, com a coìra^a e manto, por baixo 
anno 1828. 

Qr Armas do reino entro duas palmas voltadas para dentro. Meia pega, valia 
3f>750 réis. N—U500 réis. 

5. MICHAEL o I p D G PORTUGALIiE ET ALGARB . REX » Busto 
laureado de D. Miguel de Braganga à direita com coirai e manto, por baixo anno 
i83i. 

Qr Armas do reino entre duas palmas voltadas para fora. Meiapega, valia 3^750 
réis. N — ifJSOO réis. 

6. MICHAEL 1 D G PORTUG ET» ALGARB» REX» Armas do 
reino, tendo à esquerda 400 entre dois floroes, e à direita, tambem no meio de dois 
floroes, anno i832. 

Qr o o IN o HOC SIGNO o VINCES o Cruz da ordem de Christo can- 
tonado por quatro floroes. Cruzado novo, valia 480 réis. JR — C. 

7. MICHAEL 1 D G PORTUG o ETo ALGARB . REX •Armas do 
reino, tendo à esquerda 400 entre dois floroes, e à direita, tambem no meio de dois 
floroes, anno 1829. 

Qr o o IN o HOC o SIGNO o VINCES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonadapor quatro floroes. Doze viniens, valia 240 réis. JR. — C. 

8. MICHAEL o 1 Do G o PORTUG ETo ALGARB REX Armas do 
reino, tendo de cada lado tres florSes. 

IV o <> IN e HOC o SIGNO o VINCES o Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Seis vintens, valia 120 réis. M — C. 

9. MICHAEL 1 D G o PORTUG ETo ALGARB o REXo Armas do 
reino, tendo de cada lado um florao entre dois pontos. 

IV O IN o HOC o SIGNO e VINCES « Cruz da ordem de Christo canto- 
nada por quatro floroes. Tres vintens, valia 60 réis. A — C. 

10. MICHAEL . 1 D G o PORTUG ETo ALGARB «REXo No campo 
LXXX, tendo por cima a coróa real entre dois floroes, e por baixo oulro florao. 



169 

^r O • IN o HOC o SIGNO o VINCES • Cruz de S. Jorge cantonada por 
qoatro floroes. Tostào, valia 100 réis. JR — C. 

U. MICHAEL o I • D • G o PORTUGo ET • ALG ARB o REX • No campo 
XXXX, tendo por cima a coróa real entre dois floroes, e em baixo um flor5o no 
meio de dois pontos. 

5r ò IN o HOC o SIGNO o VINCES o Cruz de S. Jorge cantonada por 
quatro floroes. Meio tostào, valia 50 réis. M — C. 

12. MICHAEL - 1 - D G PORTUG • ET • ALGARB . REX Armas do 
reino com o escudo ovai. 

Qr O o PUBLICiE • UTILITATI o No campo, dentro de uma coròa de 
loiro, 40, indicativo do valor em réis; por baixo anno 1828. Quarenta réis ou pei- 
taco. BR. Ensaio monetario, 4<$1000 réis. Pertence à coliec^ao do sr. José Lamas- 

13. MICHAEL o I • D G PORTUG . ET • ALGARB • REX • Armas do 
reino. 

Qr mesmo da anterior. Quarenta réis ou pataco. BR — C. 

14. MICHAEL o I o DEI o GRATIA. Armas do reino. 

^ PORTUGALIiE ET ALGARBIORUM REX • No campo, dentro de 
ama coròa de loiro, X, indicativo do valor em réis; por baixo anno i83i. Dez 
réis. 2E — C. 

15. MICHAEL « I o DEI o GRATIA. Armas do reino. 

Qr PORTUGALIiE ET • ALGARBIORUM . REX No campo, dentro 
de uma coròa de carvaiho, V, indicativo do valor em réis; por baixo anno 1829. 
Cinco réis. JE — C. 



D. Miguel de Braganpa nao alterou feillo à moeda de oiro nem toque, peso ou 
valor ; substituiu apenas pelo seu nome de D. Fedro IV. 

Em aviso de 11 de agosto de 1828 foram approvados os desenhos feitos e offere- 
eidos por Simào Francisco dos Santos para os novos cunhos que baviam de servir na 
moeda de oiro, e mandou-se ao mesnjo tempo proceder a sua abertura com a maior 
actividade *. As copias d'estes exemplares sào os n.®* 1, peca, e 2, mela peca. 

José Antonio do Valle foi encarregado de lavrar outro cunho para a pe^ de 
7^500 réis: provedor submettendo a amostra em 14 de Janeiro de 1830 à approva- 
fào regia, pedia a grapa, no caso de ser acceito, de Ih'o fazerem lego constar, para 
mesmo artista abrir outro igual para a meia pega de 3^750 réis^. Parece que nao 
agradou, porque a 10 de fevereiro recebeu se um aviso do conde da Lonza, incumbindo 
Domingos José da Silva de concluir punpao para a moeda de oiro de 7fìl500 réis, que 
seu fallecido irmao Simào Francisco dos Santos bavia deixado por acabar ^. Estes typos 
de peca e meia peca vào representadòs nos n.°* 2 e 5. 

n.^ 3 foi um ensaio de Domingos José da Silva, que teve a idèa de collocar busto 
n'um campo radiado. Felizmente nao passou de ensaio. 



* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, iiv. xiv, foi. 74. 
' Idem, foi. 98 y. 
' Idem, foi. 95 e 98 V. 



170 

A ostalislica da casa da moeda diz haverem-se cunhado no anno de 1828, do pri- 
meiro lypo, 1 :255 pecas, n.® 1 , e 242 meias pepas, n.® 4 ; e do segundo cunho em 1830 
e 1831, 3:892 pecas, n.® 2, e 750 meias pecas, n.® 5. 

Joào José Dubois lambem foi incumbido de abrìr um cunho para a moeda de Diro 
de 7fJ500 réis, permiUindo-lhe o aviso de 17 de novembre de 1828 que tirasse 
provas da rea! effigie nos engenbos da casa da moeda; e a 15 de junbo de 1829 Toram 
mandados archìvar na mesma casa os referidos cunhos, pagando-se por elles 120^000 
réis *. 

De 1830 a 1832 deram entrada na casa da moeda 42 marcos, 1 onc^a, 3 oìtavas e 
7 gràos de oìro, perlencente à mina do Principe regente, do silio da Adipa, a Ora de 
sor reduzido a dinheiro*. 

Durante o governo intruso o oiro amoedado conservou sempre o pref o de 1 20<J000 
réis marco. 

Os n.^'^ 6, cruzaclonovo; 7, doze virUens; 8, seis vintens; 9, tres vintens; 10, tos- 
tao, e 1 1, meio tostào, sao as mocdas de prata que se lavraram a rasao de 7^^500 réis 
cada marco. 

Em 11 de dezembro ordenou-se a reducpao de 10:000 pataoas brazileiras adi- 
nheiro portuguez; e a 3 de agosto de 1830 deu-se igual destino a 3:160 patacashGS' 
panholas, brazileiras e mexicanas ^. 

prò veder da casa da moeda foi autorisado em 31 de maio de 1831 para com- 
prar particularmente no mercado loda a prata lavrada, em barra, ou em moeda estran- 
geira, para se fabricar em dinheiro nacional, quando de similhanle transacpao resul- 
tasse alguma utilidade à fazenda^ 

Em 18 de junho de 1833 ainda se mandaram receber na officina monetaria, em 
prata, 60:438 pat<icas mexicanas, e em oiro, cerceadas, 177 pecas de 7jj500 e 44 
dobrOes de 1 2?5i800 réis, vindos de Braga, para serem reduzidos com loda a brevidade 
possivel a moeda portugueza '. 

Os n.®* 12, dez réis, e 13, cinco réis, sào as moedas de cobre lavradas em nome de 
D. Miguel de Braganpa nos annos de 1829, 1831 e 1833: diz a estatistica da casa da 
moeda que n'estes tres annos se fabricaram 471:217 pepas de dez réis e 54:477 de 
cinco réis. cobre assim amoedado era reputado, comò nos reinados anteriores, a 360 
réis cada arra tei. 

Moeda de bronza 

Em 3 de julho de 1828 ordenou-se a continuapào do Tabrico da moeda de bronze, 
com OS cunhos feitos era nome de D. Fedro IV para o dito anno, a Dm do se nào suspen- 
derem os trabalhos nas officìnas, e emquanto se nào apromptavam os novos cunhos ^. 

typo do pataco foi alterado pelo decreto de 13 de agosto, passando o nome e ti- 
lulos do imperante para o lado das armas, tendo no campo do re verso o valor — 40— 
com anno por baixo, e na orla — PUBLICìE UTILITATI — 7. 

• Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiv, fot. 78 e 84. 
' Idem, foi. 97 V. 100 v. e 131. . 

» Id-:m, fot. 88 v. e 106. 

• Idem, foi. 113 V. 

• Idem, foi. 136. 

• Idem, foi. 73. 

' Dovendo continuar fabrico, e curso da moeda de bronze, estabelecida pela Portarla de Tinte e 



171 

n.*' J 4 é ensaio do novo pataco, apresenlado era 25 de agosto. cunlio aberlo 
por Simào Francisco dos Santos, foi approvado, exceplo o escudo das armas, que se 
mandou reformar conforme o feilio adoptado para a moeda de oiro ^ 

n.® 15 represenla o poUaco posto em circulafào depois de modificado o escudo. 

A quanlidade de moeda de bronze fabricada durante o governo intruso foi consi- 
deravel, corno se observa na estatistica da casa da moeda : nos annos de 1828 a 1833 
cunharam-se 9.632:252 patocos, que somraaram 385:690^^080 réis! Nos lavrados em 
1828 enlram muitos com o nome de D. Pedro IV. 

As moedas de bronze eram recebidas com desconOanpa nos mercados do reino, pela 
muita moeda falsa d'està especie que circulava, e pela diOiculdade que havia em a dif- 
ferenpar, até nas proprias ofBcinas monetarìas. Para bem se avaliar a desconflanpa do 
publico, basta saber que a casa da moeda teve em 5 de julho de 1831 ordem para re- 
ceber dos caixas do centrato do tabaco a quantia de 14:378^960 réis em patacoSy re- 
putados falsos, e a 22 de dezembro acceilou da mesma proveniencia e especie outra 
partida de 4:800f$000 réis'. 



nove de Oatubro de mìl oitocentos e onze; e sendo indispensavel que u'ella se fa^o allera^oens analo- 
gas ao presente Reinado: Sou Servido Ordenar que na Real Gaza da Moeda se contìnue a fabrìcar a re- 
fenda Moeda, passando para o lado do Escudo a Legenda — MICHAEL o I » PORTUGALIìE ET 
ARGARBIORUM REX-e em volta do reverso a Legenda -PUB LICìE UTI LIT ATI - coni 
valor— 40— no meio do ovado, e anno por baixo, a qual correrà comò até agora, sem duvida ou 
reparo algum, debaixo das penas estabclecìdas na supramencionada Portarìa. Gonde da Lonza, D. Dio- 
^, do Conselho d'Estado, Ministro e secretano d'Estado dos Negocios da Fazenda, Presidente do Erario 
Regio, e Delle Lugar Tenente immediato à Minha Real Pessoa, tenha assira entendido, e fa^a executar 
com as ordens nccessarìas. Palacio de Nossa Senbora das Necessidades treze de Agosto de mil oitocen- 
w e vinte e oito. — Com a Rubrica de Sua Magestade El-Rei Nosso Senhor. (Impresso avulso. Arch. da 
casa da moeda, registo geral, iiv. xiv, foi. 74 v.) 

* Foy prezente a El-Rey Nosso Senbor a prova do cunbo aberto pelo Abridor Simào Francisco dos 
Santos, para a Moeda de Bronze, e Houve por bem approval-o, mcnos pelo que pertence ao Escudo das 
*™8, porquanto ordena que seja mesmo que foy approvado para a Moeda de ouro. que parti- 
cipo a V. M.« para sua intelligencia, e se reformar na fórma ordenada, para cujo fim reverte a refenda 
prova.— Deus Ouarde a V. M.«* Palacio de Nossa Senbora das Necessidades a 25 de Agosto de t828— 
Conde da Louzà D. Diogo— Snr. Antonio Carvalho, Escrivào da Gaza da Moeda, servindo de Provedor 
^a raesma caza. (Arcb. da caza da moeda de Lisboa, registo gcral, Iiv. xiv, foi. 75 v.) 

' Idem, foL 115 V. e 132 V. 



172 



A SENHORA D. MARIA II 



(De 7 de maio de 1829 a 15 de novembro de 1853) 

A filha primogenita de D. Fedro IV nasc^u no real pago da quinta da Boa Vista cni 
S. ChristOYdo (Rio de Janeiro) a 4 de abril de 1819. Poi princeza da Beira e do Grào Para 
e succedcu na coròa de Portugal pela abdicagào e cessào de seu pae a 2 de maio de 1826. 

Vindo para a Europa na ìntengào de esposar seu tio, recebeu a noticia d'elle se recusar a 
cumprir as condigòes impostas pelo imperador^ havendo-se feito acclamar rei com pcijurio 
dos mais sagrados compromissos ; o que obrigou a joven rainha a voltar para o Rio de Janeiro, 
d'onde salu pouco depois na fragata franceza La Scine em direcgio a Brest, a encontrar-se 
com seu pae, que havia partido na mcsma occasiào a bordo da fragata ingleza Volage, 

D. Fedro, para reconquistar 'a coróa da sua filba e garantir com a carta coRstilucional a 
liberdade do povo portuguez, salu de Bclle-Isle-en-Mer a 10 de fevcreiro de 1832, aportou à 
liba de S. Miguel a 22 do mesmo mez, e a 3 de margofoi desembarcar na Terceira. Em Augra 
dissolvcu a regt^ncia que bavia nomeado em 15 de junbo de 1829, assumindo o podcr e a di- 
recgào do governo com o titulo de duque de Braganga regente em nome da rainha *. 

Do heroico baluarte da liberdade saiu D. Fedro commandando pouco mais de 7:500 bravos, 
que no dia 8 de julho de 1832 vieram desembarcar no sitio da Amosa de Pampellìdo, pro- 
ximo & freguczia do Mìndello; e marcbando logo sobre o Forto, ahi foram reccbidos no dia 
seguinto com as maìores cxpansòes de cnlhusiasmo. 

A maneira comò a tropa e os habitantes d'aquclla invida cidade se defenderam dos re- 
pctidos ataques das numerosas forgas miguelistas que oscontlnhamem rigoroso cerco; odcs- 
embarque do duque da Terceira no Algarve; a dcslruigào da esquadra do usurpador pela da 
rainha no combate do cabo de S. Vicente; as linhas de Lisboa, e as famosas batalhas da As- 
sciceira e de Santa Maria de Almoster, foram os feilos mais dccisivos para a quéda do governo 
absoluto cm Portugal, e constiluem uma epopeia de gloria e triumphos para a causa liberal. 

imperador com o seu estado maiur entrou a foz do Tejo a bordo do Guilherme IV j no 
dia 28 de julho, sendo recebido com um enthusiasmo que tocou o delirio. A 22 de setembro 
fundeou em frente da praga do Commercio o vapor Sohó, onde fluctuava o pavilhào real, por 
trazer a seu bordo a joven rainha a senbora D. Maria II, a impcratriz e sua fiIba a senbora 
D. Maria Amelia. Vcrifìcou-se o desembarquc no dia seguirne, sendo grandcs as demonstra- 
gòes de alegria com que o povo de Lisboa recebeu a soberana na sua entrada triumpbal na 
cidade. 

Depois da convengào de Evora Monte, fcita em 26 de maio de 1834, reuniram-se as cortes 
geraes, que conGrmaram em 30 de agosto a regencia de D. Fedro, cargo de que se demitliu, 
pelo mau estado da sua saude, a 18 de setembro, declarando-se em seguida a maioridade da 
rainha, que assumiu o governo do reino no dia 20. 

A 24 de setembro do refendo anno, pclas duas boras e meia da tarde, falleceu no pago de 



' À regencia havia decretado em 18 de outubro de 1830 qne a bandeira portugueza fosse bipar- 
tida verticalmente de branco e azul, flcando està cor Junto à baste, com as armas reaes no centro das 
duas cores; e que de igual modo se alterasse o lago uacioaal, para assim se dìstinguircm as tropas 
leaes das do usurpador. 



173 

Queluz, e na tnestna camara eoi que bavia oascido, o duque de Braganga D. Fedro de Alcan* 
tara; o scu cadaver foi sepultado Da noite de 28, com as bonras de general, do jazìgo de S. Vi- 
centc de Fora; e o coragao, corno determinàra eoi testameoto, foi depositado na ìgreja da Lapa 
da cidade do Porto, o que se effectuou a 7 de fevereiro de 1835. 

A senhora D. Maria II casou por procuragao em 1 de dczembro de 1834, e recebeu-se 

pessoalmente a 26 de Janeiro do anno seguinte com D. Augusto Carlos Eugenio NapoleUo, 

duque de Leuchtenberg e de Santa Cruz, principe de Eicbstcedt, filho berdeiro do duque de 

Leuchtenberg e de sua esposa Augusta Amelia de Baviera, o qual bavia nascido a 9 de de- 

• zcmbro de 1810 e morreu de uma angina a 28 de margo de 1835, scm deixar geragSo. 

A mesma augusta senbora tornou a casar por procuragao no dia 1 de Janeiro e em pessoa 
a 9 de abril de 1836 com o senhor D. Fernando Augusto, que nasceu a 29 de outubro de 
1816, Glho primogenito do duque de Saxonia Cobourg-Gotba Fernando Jorge e de sua mulber 
aduqueza Maria Antonia Gabriel. nascimento de um principe investiu o senbor D. Fernando 
do tilalo de rei, ficando o segundo do nome. 

' A primeira rainba constitucional, alem dos grandesembaragosfinanceiros, encontrou em 
luta as parcìalidades politicas creadas durante a emigragào. pronunciamento progressista 
em 9 de setembro de 1836, restabelecendo a constituigdo de 1822; a revolta cartista feita pelos 
dois marccbacs duque da Terceira e Saldanha; a nova constituigdo jurada em 4 de abril de 
1838, com piena amnistia para os cartistas expatriados, na intengdo de barmonisar os dois par- 
tidos; a acclamagUo da carta constitucional no Porlo em 1842; às contrarevolugoes de 1844 
e 1846, que lantos sacrificios custaram, tendo as tropas estrangeìras de invadir o reino para 
Ihes por còbro, cansaram os partidos e acalmaram as paixOès. movimento militar promo- 
vide pelo duque de Saldanba em 1851, estabelecendo uma certa tolerancia politica, apagou 
de todo OS odios inveterados, e firmou em bases solidas o verdadeiro systema liberal. A carta 
constitucional de 1826 foi reformada pelo acto addicional de 5 de julbo de 1852. 

Bstas discordias civis, que succederam rapidamente à implantagào do governo representa- 
ti?o em Portugal, que fariam vacillar um animo virii, provaram mais de uma vez a perseve- 
raoga e a firmeza da rainba, que aconselbada nas diversas crises por bomens dos diflerentes 
grupos politicos, mas em quem reconbecia a maior dedicagào e os relevantissimos servigos 
que haviam prestado & sua causa, soubc, através dos maiores obstaculos, conservar o codigo 
fundamental com que scu pae a coUocàra no tbrono. Alem das virtudes tao geralmcnte co- 
Dbccidas, educou e fez ìnstruir seus fìlhos com sevèro cuidado, garantindo-lbes assim, no 
reino e fora, as immensas sympathias que constituem as bases mais solidas em que assenta 
a realeza. 

A rainba a senbora D. Maria II morreu pouco depois de um parto difBcil, no palacio das 
Necessidades pelas onze horas e meia da manhà do dia 15 de novembro de 1853, e foi de- 
pocitada no jazigo de S. Vicente de Fora, acompanbando-a com o pomposo cortejo real as la- 
grimas de um povo que vcrdadeiramente a apreciava. 



Pllbos havidos do segondo matrimonio 

senhor D. Pedro de Alcantara, successor. 

senhor D. Luiz Filippe, que succedcu a seu irmào, e actual rei. 

A senhora infanta D. Maria : nasceu no palacio das Necessidades em 4 de outubro de 1840, 
e falleccu momentos depois. Jaz em S. Vicente de Fora. 

senhor infante D. Jollo, duque de Beja e de Saxe-Cobourg-Golba, coronel de cavalla- 
ria: nasceu no real pago das Necessidades a 16 de margo de 1842, e morreu no pago de Be- 
leoi n'uoia sexta feira 27 de dezembro de 1861, pelas 8 boras da tarde. seu cadaver foi de- 
positado na igreja de Santa Maria de Belem, sendo depois trasladado para o jazigo da casa de 
Bra|?anga em S. Vicente de Fora. 



174 

A scnbora infanta D. Maria Anna: uasceu no rcai pa^o das Neressidades a 21 de julLo 
de 1843, e casou cni 11 de maio de 1859 com o principe de Saxonia Frcderico Augusto Jor- 
gè, de quem tem geragào, filbo do rei de Saxonia Joào Nepomuceno. 

A senhora infanta D. Antonia Maria Fernanda: nasceu no pago de Belem a 17 de feve- 
reiro de 1845, e casou a 12 de setembro de 1861 com o principe bercditario de Hobenzol- 
Icrn-Sigoiaringeu, Leopoldo Estcvào, major aggregado ao l."" regimenlo de infanteria da 
guarda rcal prussiana, o qual nasceu a 22 de setembro de 1835. Tem a sua residencia do 
castello de Benratb. 

senbor infante D. Fernando Maria, duquc de Saxe-Gobourg- Gotha, tenente de ca^ado- 
res n.° 5 : nasceu no rcal pago de Belem a 23 de juibo de 1846, e morreu no pago das Neces- 
sidades pelas ciuco boras e um quarto da manbàxlo dia 6 de novembro de 1861, sondo deposi- 
tado no jazigo da casa de Braganga em S. Vicente de Fora. 

senbor infante D. Augusto Maria Fernando, duque de Coimbra e de Saxe-Cobourg- 
Gotba, general de brigada bonorario do exercito portuguez: nasceu no pago das Necessida- 
des a 4 de novembro de 1847, e fez parte da expedigào que foi ò, India em 1871 para siip- 
plantar a revolta, que ali se declaràra. 

senbor infante D. Leopoldo: nasceu no palacio das Necessidades pelas duas boras 
e meia da tarde do dia 7 de maio de 1849, e falleceu momentos depois. Jaz em S. Vicente 
de Fora. 

A senbora infanta D. Maria: nasceu no palacio das Necessidades pelas duas boras e meia 
da manbà do dia 3 de fevereiro de 1851, e falleceu em seguida ao baptismo. 

senbor infante D. Eugenio : nasceu no pago das Necessidades a 15 de novembro de 1853, 
vivendo apenas o tempo preciso para se baptisar, morrendo tambem pouco depois sua màc a 
rainba a senbora D. Maria n. cadaver do recem-nascido foi levado particularmente para o 
jazigo de S. Vicente de Fora na noite de 20 de novembro. 



Moedas da Senhora D. Maria II 



Pre5*o estimntivo actanl 

Poca C. a lOiOOO réìs 

Ciro j^^^^ C.a 6^000 • 

"* " jMeiacoròa C. a 3^000 » 

, Quinto de coròa C. 

Cnizado novo C. a 6ii000 réls 

jCoròa C. 

.Meia coròa C. 

'Doìs tostdes C. 

Jostào C. 

ÌVintem C. 

Dez réis C. a 2^000 réis 

Cinco réìs C. a 4J000 • 

Maluco C. 

IMeio tostào (cnsaio monetario para os Agores) 3^000 réis 

iPataco C. 

Vintem (ensaio monetario para os Agores) . . . 3^000 réis 



• • 



1. MARIAoILDoGoPORTUGAL EToALGARBoREGIN. Cabeca da 
joven rainha à esquerda, por baixo o anno i833. 

^ Armas do reino com o manto real formando pavilhao, por baixo PORTO. 
Peca, Ensaio monetario. 



175 

2. * MARIA II a D • G PORT • ET • ALG • REGINA * Armas do reìno, 
formando o escudo superiormente dois bicos; à esquerda entre duas estrellas 400, 
e a diretta, tambem no meìo de duas estrellas, anno i833. 

^r © IN © HOC SIGNO O VINCES O Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por quatro floroes. Cruzado novo. Ensaio monetario, 8:000 réis. 

3. ♦ MARIA • II D • G PORT • ET • ALG • REGINA ♦ Armas do reino 
com escudo do feitio do anterior. 

5f ©OUTILITATIOPUBLICiEO No campo, dentro de uma coròa de 
loiro e carvalho 40, indicativo do valor em réis, por baixo anno i833. Quarenta 
réis ou pataco, BR— C. 

4. ♦ MARIA. Ilo D^Go PORT* ETo ALG. REGINA. Armas do reino, 
tendo esGudo feitio dos anteriores, e posto no meio do anno i833. 

5f ® OPUBLICiEoUTILITATlO No campo, dentro de urna coróa de 
loiro, a coròa ducal; por baixo 20, indicativo do valor em réis. Vintem. Ensaio, 
BR— 1:000 réis. 

5. O MARIA' II .DEI* GRATI A. Armas do reino com escudo do feitio 
dos anteriores. 

Q. PORTUGALIiEoEToALGARBIORUM. REGINA. No campo, den. 
tro de uma coròa de carvalho e loiro X, indicativo do valor, entre dois floroes, 
tendo por baixo anno i833. Dez réis, JE — lj5500 réis. 

6. MARI A. II. DEI «GRATI A. Armas do reino com escudo do feitio dos 
anteriores. 

5r PORTUGALIiEoET-ALGARBIORUM. REGINA. No campo, àen- 
tro de uma coròa de loiro e carvalho V, indicativo do valor, por baixo anno 
i833. Cinco réis, ìE— 1,51500 réis. 

7. MARIA • II . DEI « GRATI A. Armas do reino com escudo ornamentado. 
5r ^PORTUGALIiE. ET. ALGARBIORUM. REGINA. No campo, 

dentro de uma coròa de loiro e entre dois floroes X, indicativo do valor, por baixo 
anno i83o. Dez réis, M — C. 

8. MARIA . II . DEI . GRATI A. Armas do reino com escudo ornamentado. 
5r ^ PO RTUGALIiE. ET. ALGARBIORUM. REGINA. No campo, 

entre dois floroes e dentro de uma coròa de loiro V, indicativo do valor, por baixo 
anno i83o. Ciuco réis, JE — G. 

9. MARIA . II . D . G . PORTUG . ET . ALGARB . REGINA. Cabega da 
rainha a esquerda, por baixo entre duas estrellas anno i833. 

Qr Armas do reino entre um ramo de loiro e outro de carvalho. Pefa, valla 
TtJSOO réis. AT— 10^000 réis. 

10. MARIA. II. D.Go PORTUG. ET. ALGARB. REGINA. Busto da 
rainha com diadema e diiTereute penteado da antecedente. 

^ mesmo da anterior. Pera, vaUa 7^5500 réis. N — C. 

11. MARIA. II.D.G.PORTUG. ET. ALGARB. REGINA. Busto da 
rainha com diadema e uma outra variedade de penteado. 

Qf mesmo das anteriores. Pega, valia lfi5W) réis. N — C. 



176 

12. MARIAoII.DoGoPORTUGoET^ALGoREGlNA. Armasdoreino, 
à esquerda entre dois floròes 400, e à direita tambem do meio de dois floroes 
anno 1834. 

^r O IN §§ HOC §€ SIGNO §g VINGES ^ Cruz da ordem de Christo can- 
tonada por cpiatro floroes. Cruzado novo. Valia 480 réis, JR — G. 

i 3. MARIA • II . D • G • PORTUG • ET ALG • REGINA. Armas do reino. 

^r ^^ PUBLIGiE Si UTILITATI SS No campo, dentro de urna coròa de 
loiro 40, indicativo do valor em réis, por baixo anno i833. Quarenta réis oupa- 
taco, BR— G. 

14. MARIA 96 II §g DEI 9§ GRATIA. Armas do reino. 

^ PORTUGALIiE^EToALGARBIORUM. REGINA. No campo, den- 
tro de urna coròa de loiro X, indicativo do valor em réis, por baixo anno 1837. 
Dez réis, M — C. 

15. MARIA 96 II 9g DEI 9€ GRATIA. Armas do reino. 

5c PORTUGALIiEo ET oALGARBIORUMo REGINA. No campo, den- 
tro de urna coròa de loiro V, indicativo do valor em réis, por baixo anno i836. 
Cinco réis, M. 

16. MARIA • II • PORTUG • ET • ALGARB • REGINA. Cabeca da se- 
nhora D. Maria II à esquerda com diadema, por baixo anno i838. 

Qr Armas do reino, com escudo sob manto real disposto em pavilh3o; por 
baixo valor 6:000 REIS. Corda, N — 6^000 réis. 

17. MARIA «Il «PORTUG- ET • ALGARB • REGINA. Cabepi da rainha 
à esquerda com diadema, por baixo anno i838. 

Br Armas do reino, com escudo sob manto real disposto em pavilhKo; por 
baixo valor 2:5oo REIS. Meia corda, M — 3^000 réis. 

18. MARIA • Ilo PORTUG o ET* ALGARB REGINA. Cabeca da rainha 
à esquerda com diadema, por baixo anno 1841. 

Qr Armas do reino, com escudo sob manto real disposto em pavilhao ; por 
baixo valor 1:000 REIS. Quinto de corda, JS — C. 

19. MARIA II o PORTUG • ET ALGARB REGINA. Cabepa da rainha 
à esquerda com diadema, por baixo w. Wyon e anno i838. 

Qr Armas do reino, com escudo sob manto real disposto em pavilhao; por 
baixo valor 1:000 REIS. Corda de prata, G. 

20. MARIA olio PORTUG • ET • ALGARB • REGINA. Cabepi da rainha 
à esquerda com diadema, por baixo anno 1841. 

Qr Armas do reino, com escudo sob pavilhSo formado pelo manto real, por 
baixo a indica?3o do valor 5oo REIS. Meia corda de prata, G. 

21 . MARIA II PORTUG • ET • ALGARB REGINA. Cabeca da rainha 
à esquerda com diadema, por baixo anpo 1848. 

Qr Dentro de uma coròa de loiro e carvalho, escripto em duas linhas 200 REIS, 
indicando valor. Dois tostòes, A — C. 

22. MARI A • Ilo PORTUG ET ALGARB. REGINA. Cabeca da rainha 
a esquerda com diadema, por baixo anno i853. 



177 

IJ^ Dentro de urna corùa de loiro e carvalho, em duas liiihas loo REIS, indi- 
cando valor. TostàOj C. 

23. MARIA • II «> DEI GRATI A. Armas do reino ornamentadas. 

Q. PORTUGALIiEo ET oALGARBIORUMo REGINA. No campo, den- 
tro de urna coròa de loiro e carvalho XX, indicativo do valor em rèis, no exergo 
anno 1849. Vintem, M — C. 

24. MARIA oli 0^0 DEI «GRATI A. Armas do reino. 

^ PORTUGALIiEoEToALGARBIORUMoREGINA. No campo, den- 
tro de urna coròa de loiro e carvalho X, indicativo do valor em réis, no exergo 
anno i838. Dez réis, JE — C. 

25. MARIA «Ilo DEI oGRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

^ PORTUGALIiE. ET oALGARBIORUMo REGINA. No campo, den- 
tro de uma coròa de loiro e carvalho X, indicativo do valor em réis, no exergo 
anno 1841. Dez réis, M — C. 

26. MARIA «II» DEI «GRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

^ PORTUGALIiEo ET oALGARBIORUM* REGINA. No campo, den- 
tro de uma coròa de loiro e carvalho V, indicativo do valor em réis, no exergo 
anno 1840. Cinco réis, JE — C. 

27. MARIA o II D • G • PORTUG « ET ALG " REGINA. Armas do reino. 
5r UTILITATI §€ PUBLIGiEo No campo, dentro de uma coròa de loiro e 

carvalho 40, indicativo do valor em réis, no exergo anno 1847. Tem superiormente 
um carimbo circular contendo as letras G. C. P. (governo civil do Porto). Quarenta 
réis ou patacOs BR — C. 

Moedas para as ilhas dos Agores e Madeira 

28. * MARIA • II • Do GoPORTo ET ALG «REGINA. Armas do reino 
com escudo ovai cercado de ornamentos. 

5r ^ UTILITATI ì^ PUBLICiE §« O §^ ILHA ì^ TERCEIRA. No cam- 
po, dentro de uma coròa de loiro 80, indicando primitivo valor, por baixo anna 
1829. ^^^^ obsidùmal de bronze de oitenta réiéi (maluco) valeu depois cem réis. 
BR fundido. C- 

29. MARIA olio PORTUG ET «ALGARB -REGINA. Armas do reino, 
tendo de cada lado um ramo. 

Qr * PUBLICiEo UTILITATI. No campo, dentro de uma coròa de loiro 
carvalho e no meio de um circulo de pontos 5o, indicativo do valor em réis, no 
exergo anno i833. Meio tostào, BR. Ensaio monetario, 3^000 réis. 

30. O MARIAo II PORTUGo ET» ALGARB • REGINA. Armas do rei- 
no, tendo de cada lado um ramo. 

^ O PUBLICiE UTILITATI. No campo, dentro de uma coròa de loiro e 
carvalho 20, indicativo do valor em réis, no exergo anno i833. Vintem, BR. 
Ensaio monetario, 3?5000 réis. 

31. MARIA Ilo DEI «GRATI A Armas do reino ornamentadas. 

IV m PORTUGALI^ " ET « ALGARBIORUM « REGINA. No campo, 

TOUO II 12 



178 

dentro de urna corùa de loiro e carvalho 20, indicativo do valor, tendo por cima 
um florao e por baixo anno 1843. Vintem, JE — G. 

32. MARIA o II • DEI GRATI A. Armas do reino omamentadas. 

^ m PORTUGALIiE • ET» ALGARBIORUM REGINA. No campo, 
dentro de urna corùa de loiro e carvalho io, indicativo do valor, tendo por cima um 
florao e por baixo anno 1843. Dez réis, M — C. 

33. MARIA olio DEI «GRATIA. Armas do reino ornamentadas. 

Q. O PORTUGALIiE • ET ALGARBIORUM • REGINA. No campo, 
dentro de urna coróa de loiro e carvalho 5, indicativo do valor em réis, tendo por 
cima e de cada lado um florao e por baixo anno 1843. Cinco réis, M — C. Està 
moeda e as duas anteriore^ téem mesmo desenho das mandadas lavrar por D. Maria 1 
em 1 795, com identico destino. 

34. MARIAoII.D-GoPORTUGoEToALGoREGINA. Armas do reino 
ornamentadas. 

Q. PECUNIA. MADEIRENSIS. No campo, dentro de urna coròa de vi- 
deira XX, indicativo do valor em réis, no exergo anno 1842. Vinterits JE — C. 

34. MARIA . II D G PORTUG • ET • ALG • REGINA. Armas do reino 
ornamentadas. 

Q. PECUNIA» MADEIRENSIS No campo, dentro de uma coròa de videira 
X, indicativo do valor em réis, no exergo anno i852 . Dez réis, M — C. 

36. MARIA«IIoDoG«PORTUG«ET*ALGoREGINA. Armas do reino 
omamentadas. 

Q. PECUNIA «MADEIRENSIS. No campo, dentro de uma coróa de videira 
V, indicativo do valor em réis, no exergo anno i85o. Cinco réis, JE — 4^000 réis. 

As moedas da Senhora D. Maria II rcpresentam duas epochas distinctas; compre- 
bende a primeira as mandadas lavrar em seu nome pela junta provìsoria, pela regen- 
cia da ìiha Terceira e durante cérco do Porlo; e a segunda as fabricadas depois 
da entrada do excrcito libertador em Lisboa. 

Na cidatle do Porlo em 1833 fez-se primeiro ensaio para a moeda de oiro de 
7?J500 réis, fornecendo desenho Joào Baplista Ribeiro; dos cunhos apenas se tiraram 
provas em chumbo, existindo urna no gabinete real da Ajuda, copiada no n." 1, e outra 
em poder do sr. Judice dos Sahtos, com maior diametro e uma pequena diflerenfa na 
legenda. 

Em 30 de julho do mesmo anno ministro da fazenda ordenou verbalmente ao 
preveder da casa da moeda de Lisboa que fizesse abrir, com a brevidade possivel, 
novos cunhos em nome da Senhora D. Maria IP. A portarla de 19 de agosto mandou 
que, alem do oiro em barra, se fundissem os 84 marcos de moedas do mesmo melai 
lavradas pelo governo intruso, e que existiam no cofre da casa da moeda, para que se 
emittisse maior quantidade de moeda de oiro em nome da rainha^. 

A entrega de 300 d'estas pecas de 7^500 réis, determinada em 23 de selembro ^ 

' Àrdi, da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xiv, Tol. 136 v. 
« Idem, fol. 140 e 140 v. 
• Idem, fol. I4fi. 



179 

prova achar-se jà funccionando o novo cunho, n.*' 9, conservando a moeda o mesmo lo- 
que e peso das anterìores. 

desenho do anverso variou com relapào ao relralo da soberana, corno se obscrva 
nosn.*»» 10 e 11. 

Joào Mousinho de Albuquerque propoz em 2 de julho de 1834 a conveniencia das 
raoedas serem um pouco mais espessas e de raenor diametro, pois os cunhos ddiS pecas 
de Giro, que entào se fabricavam, facilmente se arruinavam, porque, encontrando entre 
si urna lamina delgada de metal, a forpa empregada pelo bala/iicé, fazendo-os actuar 
fortemente um contra o outro, os estalava ou abaixava *. A 1 de setembro estabeleceu-se 
curso forpado dos soberanos inglezes por tempo de seis mezes, devendo correr pelo 
valor indicado no artigo 6.° do decreto de 23 de julho*. 

A esse tempo jà se pensava em fazer a reforma monetaria pelo systema decimai, 
a qual se decretou em 24 de abril de 1835, estabelecendo que a moeda de oiro conti- 
nuarla a lavrar-se no toque de 22 quilates e na rasào de 120^000 réis cada marco, 
cunbando-se duas especies coro os valores de cinco mil réis e dois mil e quinhentos. As 
primeiras correriam com o nome de cordai de oiro, tendo de peso duas oitavas e dois 
terfos de oliava, as segundas, meias coróas de oiro, com metade do peso da anteceden- 
te; de modo que uma coróa e uma meta corda de oiro faziam quatro oitavas e valiam 
7ÌÌ500 réis, peso e valor igual d^peca^ que continuarla juntamente em circulapao^. 

Tendo apenas chcgado de Inglaterra a nova machina de cunhar a vapor, ordenou-se 
a 16 de junho que continuassem em circulapao os soberanos de oiro, até ser possivel 
convertelos em moeda nacional*; e conhecendo-se que era impraticavel funccionar 
era breve aquella machina, pelas difficuldades que ofTerecia o seu assentamento, e que 
a suspensào do fabrico causarla grave detrimento aos interesses publicos, determi- 
nou-se a 27 do mesmo mez o lavor das moedas de oiro e de prata do peso, toque, 
valor, fórma e denominapào das qqe ultimamente se eslavam cunhando ^. 

Està é a rasào por que na Estatislica das moedas de oiro, prata, cobre e bronze 
que se cv/nharam na casa da moeda de Lisboa, se encontram comò fabricadas, no anno 
de 1836, 4:318 pecas de sete mil e quinhentos réis, e no anno de 1837, ainda mais 
1:317 ^ Os cunhos que serviram, tinham marcado os annos anteriores, e deixaram de 
se usar, quando a nova machina comepou a trabalhar era 1838. 

A portaria do thesouro publico de 1 7 de junho de 1 835 recommendou actividade na 
amoedapao do oiro e da prata pertencente à fazenda nacional, que existìa em deposito 
na casa da moeda; e em 2 de julho ìndagou-se qual a somma fabricada diariamente 
e a quanto mais se podia elevar, informando o provedor da mesma casa, depois de 
ouvir ilei, que emquanto se nào augmentassem as fieiras, outro banco de ajuste e 
saca-bocados, nào se lavraria mais de 7:500^000 réis por dia; mas introduzidos estes 
melhoramentos nas ofBcinas, poderia chegar-se a 9:000/5000 réis, quando os operarios 
<lo novo admittidos adquirissem a pratica precisa^. 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, regislo geral, liv. xiv, fol. 173. 

* Doc. comprovaUvos n." 264 e 267. 

* Impresso avulso. Arcb. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto goral, liv. xv, fol. 15. Doc. compro- 
nativo II.» 269. 

* Idem, liv. xv, fol. 24 v. Doc. comprovativo n." 270. 
' Idem, liv. xv, foL 28 v. Doc. comprovativo n.* 271. 

' Md. a refenda Estatislica no flm dos doc. comprovativos. 
' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. xv, fol. 29 v. 



180 

Os cuubos das mocdas de oìro de chico mil réis e de dois mil e quùi/ientos mandoii- 
se que fossem aberlos em Londres por Wyon. Os prinieiros chegaram a casa da moeda 
de Lisboa em 9 de agosto de 1836, acompanhados das provas e da recommendacào de 
logo se comef ar a sua cuahagem^ procurando dar a moeda a maior exaclidào do peso. 
Em 8 de oulubro enviaram-se para a niesma casa os punfoes e cunhos dos dois mil e 
quiìdì^'ntos réis com igual recommendapao, lendo jà sido enlregues as provas quatro 
dias anles*. 

A 22 de outubro mandou-se crear no archivo da torre do lombo um gabìnete de 
moedas e medalhas, destinado para uso dos alumaos da aula de diplomatica e estudo 
pratico da numaria e numismatica^. 

No Diario do governo n.® 10 de 1 1 de Janeiro de 1838 publicou-se que era per- 
mittida aos parliculares a amoedapào do oiro e da prata, mediante certa convengo, 
nào podendo exceder o prego do feitio, vindo o oiro em barra e pelo menos no loque 
de 22 quilales, a um e meio por cento ^. 

Apesar das diligencias para abreviar a montagem da nova machina movida a vapor, 
està so póde funccionar em princìpios do anno de 1 838; e a 28 de fevereiro enviaram-se 
as provas da moeda de oiro, as quaes voltaram approvadas no dia seguinte para se 
continuar a amoedap ào ^. No comedo da cunliagem houve algumas difliculdades em 
ajustar o peso da moeda, sendo preciso empregar a lima, o que tornava o seu fabrico 
bastante moroso^. 

A 23 de junbo annunciava o Diario dò goverìio que ale 10 de julho seguinte se 
continuava na casa da moeda a compra de oiro de 22 quilales, pagando-se nas novas 
moedas denominadas coróas e meias coróas, a rasao de 1 18^200 réis o marco, con- 
forme se havia jà annunciado^. 

bibliothecario mór da bibliotheca nacional de Lisboa foi auclorisado, em porta- 
rla de 19 de dezembro de 1844, a abrir n'aquelle estabelecimento esobasuainspec- 
pào, um curso publìco e gratuito de numismatica, encarregando a leitura d'elle ao 
conservador de manuscriptos e antiguidades, o sr. Francisco Marlins de Andrado, con- 
forme programma, que tambem foi publicado no Diario do goverìio '. 

* Arci), da casa da moeda de Lisboa, regislo gcral, liv. x\, Tol. 118 v. e 1 19. As provas nào tinliam 
sarrilha, e o seu peso era inferior ao legai. 

' Impresso avulso. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, regìsto geral, liv. xvi-B, foi. 88. 

* Idem, liv. xvi-A, foL 30, e xvi-B, foL 35. 

* Idem, liv. xvi-B, foL 35. 

* Idem, liv. xvi-B, foi. 44. 

' Programma para o curso de numismaUca.—0 estudo da numismatica é do maior proveito para 
a historia, para a mythologia, e para as artes, e sob estc ponto de vista interessa igualmente ao liis- 
toriador, ao litteralo e ao artista. Està sciencia nào é boje, comò por longo tempo foi, urna sciencia 
conjectural; pelo contrario, assenta sobre bases solldas e principios certos e invariaveis, depois que 
Vaillant, Pellerin, BartheJemy, Eckel, Mionnet e outros, por seus immcnsos trabalbos e proficuas dila- 
cidagòcs, dissiparam as trevas em que se achava envolta, removendo as principaes difflculdades, qoe 
se oppunham ao desenvolvimento e progresso d'este ramo tao interessante dos bumanos conhecirocn- 
tos. A palavra medalha em sua origem nada mais significa do que uma porcào de metal cunhado. 

Para poder transmittir à posteridade o nome e accòes dos bomens celebres, a industria humana 
nada acbou mais conveniente do que os metaes; e é fora de duvida, que um dos primciros testemunlios 
de reconbecimento, com que todos os povos bonraram os beroes, que Ibes pareceram dignos de sor 
clevados à cathegorìa dos deoses, foi o representar na moeda estes mesmos beroes; e por isso Serapis 
Canopo, e Jupitcr Amon figuram frequentemente nas do Egypto e dos povos da Libia. 

Os grogos tinham por costume ornar suas moedas com os objectos mais particulares de suas res- 
pcctivas provi ncias; e em Roma, nos tempos da republica, os triumviros monelarios se arrogaram o 



181 

A juncf ào (las repartifoes do papel sellado e casa da moeda, tendo por chele um 
administrador geral, foi decretada era 28 de julho de 1 845, e a 22 de novembre Ihc foi 
dado novo regulamenlo *. 

Do exarae comparativo da orna de oiro hespanhola e da peca portugueza, feito 
na casa da moeda de Lisboa, remctteu-se em 5 de junho de 1846 o seguinte resultado: 
nas oncas ou dobroes encontrou-se a lei de 20 quilates, 2 gràos e 7 ollavos, e o peso 
(le 7 Vi oitavas ; em cada marco 3:978 gràos de oiro puro, e em cada dobrào 466 
gràos e 171875 millionesimos do mesmo oiro, com o valor intrinseco de 13j$(243 réis, 
mas correntes no mercado de 14^5300 a 145400 réis. A peca do valor de 7^500, com 
a lei de 22 quilates, linha o peso de 4 oitavas, contendo o marco d'estas moedas 4:224 



direito de gravar na mocda os nomes e flguras de scns antepassados, ou os sjmbolos designativos de 
suas mais cclebres acgoes; e por isso a grande varìedade de typos que se eiicontram na cxtensa serie 
das medalhas chamadas consulares, os simulacros das divindades, os retratos das pcssoas illustrcs, e 
OS nomes das priraciras familias romanas, que nos transmittem, sào hoje do maior interesse e conve- 
mencia para o estado da mythoLogia e da historia; para o Qonhccimcnto dos usos e costumes, tanto 
cItìs corno miiitares, dos romanos. 

A serie das colonias e municipios é da maior vantagem para o estudo da geographia antiga, e a 
dos reis, povos e cidades, assim corno a das chamadas imperiaes, nào so ministram os melos mais 
Taliosos para se alcangarem os indicados fins, mas sào iguaimcntc de grande provetto para se obter 
perfetto conliecimento da historia da arte; porquanto com o soccorro d'estes objectos se podem se- 
guir passo a passo as dilTercntes epochas e mudanpas dos estylos, o scu nascimento, perfci'oào e deca- 
dencia. Jà se vò, portante, que sendo a scicncia numismatica de grande transcendcncia, pelo impulso 
que póde dar ao desenvolvimento do espirito humano, nào podia deixar de ser havido no maior apreco, 
e com esniero cultivada n*este seculo de progresso e de grande desenvolvimento intellectual. 

Em consequencta, convencidos todos os governos de que o estudo d'està scicncia póde ministrar 
grandes soceorros à chronotogia, à historia, à geographia, à mythologia, ao conbccimento das lingo&s 
antigas, e dos usos e costumes dos gregos e romanos, teem estabclecido cadeiras da mesma scicncia 
nas universidadcs e bibiiothecas ; e com este intuito se darà comego no dia 24 do corrente, ao meio 
dia, na bibliotheca nacional de Lisboa, a uma serie de prelcccócs oracs àccrca da mesma sciencia. 

Este curso sera feito em dois annos, liavcndo uma so prelccgào por scmana uos primciros quatro 
mezes, e duas nos restantes. 

Sendo o firn principal d'este esludo conhccer a authenticidade das medalhas, descrevci-as e inter- 
pretal-as; e havendo para isso certas theorias, farào estas o objecto das prelccQòes do primeiro anno, 
procurando desenvolver-se, quanto possivel fòr, os variados pontos das mesmas theorias; v. g., meios 
para poder conhecer-se a authenticidade ou falsidade das medalhas, seus flns e usos; se foram ou nào 
moeda corrente; materias em que se cunharam; methodo e processos dos differentes cunhos; historia 
da nYunaria; fórma, nomes e diversas classes em que se subdivi dem as medalhas; o que seja an verso » 
coDsidera^òes àcerca dos symbolos, divindades, principes e personagens illustres, gravados sobre 
aquelle lado da medalha; o que seja reverso; consideraoòes a respeito d'està parte das medalhas, es- 
pecialmente pelo que diz relagào às romanas e italicas cunhadas antes do imperio; t^'pos symbolicos 
das provincias e cidades; das divindades; obscrvagOes àccrca das Icgendas; considcragdes sobre a 
ntilidadc d'este estudo, no que diz respeito à doutrina moral e civil dos antigos povos, à sua historia 
politica e religiosa, e à historia naturai, etc. segundo anno sera destinado ao estudo pratico das me- 
dalhas, fazendo-se a applicagào das theorias, e dando-se maior desenvolvimento aos pontos mais trans- 
ceodentes da sciencia, que no primeiro apenas poderàm ser indicados, v. g., tratar-se-ha da fórma das 
antigas letras gregas, do antiquissimo alphabeto de Cadmo, do comego das Ictras jonicas, da alteragào 
na fórma das letras gregas e suas epochas; da antiga fórma das letras latinas, das gothicas e ninicas; 
dos magistrados, das dignidadcs, dos titulos honorificos, dos privilcgios das cidades, e de outros pon- 
tos do maior interesse, que fora longo enumerar. 

Sào admittidas a seguirem este curso quaesquer pcssoas que o dcscjarem, matriculando-so para 
esse Qm em qnalquer dos dias uteis, ató ao dia 15 de Janeiro de 1845, das nove até às tres horas, no 
cartono da bibliotheca nacional de Lisboa: quanto às lioOes serào dadas no anno de 1845, em todas as 
qointas feiras, às tres horas da tarde, em uma sala do deposito geral das livrarias dos extinctos con- 
ventos.— Bibliotheca nacional de Lisboa, 18 de dczembro de 1844. 

Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xvii-A, foi. 4G v. e rj6 v. Diario do governo 
11/ ^20 de 18 de sctombro do rcfcrido anno. 



182 

gràos de oiro fino, e cada peca 264 gràos de oiro puro, correndo no raercado entre o 
prefo de 7f>720 a 1I>1S0 réis. As coróas de oiro erain do mesrao loque*. 

Pelo decreto de 9 de julho foi perraillida aos parliculares a amoedapào gratuita na 
casa da moeda do oiro e prata quc ali apresentassem^, e a 26 de agosto ordenou-se 
àquella repartipào que recebesse estes metaes de qualquer toque que fossem, aioda 
mesmo inferior aos das respeclivas moedas porluguezas, devendo entregar-se aos 
possuidores urna quantia igual ao producto do melai depois de aiinado na lei eslabele- 
cida, e que os miniraos se pagariam pelo prefo do mercado. A 1 de oulubro decrelou-se 
a suspensào do curso a moeda estrangeira de oiro e prata de 31 de dezembro de 
1846 era diante ^; decreto revogado por outro de 24 de novembre do mesmo anno*. 

Ampliando o decreto de 23 de junho, que admitlira à circulapào as moedas eslran- 
geiras anteriormente mencionadas, estabeleceu-se tambem em 24 de fevereirode 1847 
curso foryado às aguias de oiro dos Estados Unidos da America do Norie, de dez patacas 
cada uma, por 9^5^200, e às meias aguias, de cince patacas, por 4)5600 réis. Aspecas 
de oiro peruvianas, cliilenses, bolivianas, colurabianas e de Buenos-Ayres, de dezeseis 
patacas cada uma, correriam por 14jJG00, as meias (yncas por 7f5300, os quarlos 
de onca d'eslas nafOos e da Hespanha por 3^650 réis, e os meios soberanos inglezes 
por 2^250 5. 

No mesmo mez de fevereiro procedeu-se à analyse comparativa do soberano de 
oiro com a nossa peca de TjJòOO réis, veriQcando-se que o primeiro, sendo de igual 
toque, pesava 2 oitavas e 16 gràos, equivalendo 9 soberanos a 5 pecas de 4 oitavas; 



' * Arcb. (la casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, iiv. xvii-B, fot. 92 v. 

> Gonformando-Me com o pareccr que o Tribunal do Thesouro Publico emìttìu na CoDSulta que ftz 
subir à Miiiha Real Prezenga, cm nove de Junbo ultimo, propondo que, para augmentar a circulacào das 
moedas no Paiz se altere o paragrapho terceiro do artigo segmido, titulo segnndo do Regulamcnto de tìdIc 
e dous de Novembro de 1845, que cstabeleceu a percentagem quc se devia pagar pela amoedacào do ouro 
e da prata : Hei por bem Ordenar, quc de ora em diante, até ulterior resolucào, seja gratuita para os 
particulares a amoedacào na Gaza da Moeda do ouro e prata, que para esse firn al li for apresentada. 
Os Ministros e Secretarios de Estado das diversas Repartigòes o tenbam assim entendido e fagam executar. 
Paco de Belem, 9 de Julho de 1846. — Rainba. — Duque de Palmella. — Luiz da Silva Mousinho de Al- 
buquerque. — Joaquim FiUppe de Soure. — Jozé Jorge Loureiro. — Conde do Lavradio. (Diario do go- 
verno n.» 160. Arcb. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, Iiv. xvii-A, fol. 98 e 100). 

* Idem, Iiv. x vii - A, fol. 107 v, 1 10. Sendo necessario marcar o prazo em que deve cessar nestcs Reinos 
curso legai das moedas estrangeiras, mandadas provisoriamente admittir a circuiamo por Decreto 
de vinte e tres de Junho ultimo: Hei por bem, Conformando-Me com o parecer dos Gommissarios Kegìos 
junto à Direcgào do Banco de Lisboa, e ouvido o Gonselbo de Estado, Determinar que, desde trinta 
e um de Dezembro deste anno em diante, cesse o curso legai das referìdas moedas estrangeiras, que 
pelo citado Decreto havia sido permittido. Os Ministros Secretarios de Estado das diffcrentes Reparticòes 
tenham assim entendido, e facam cxecutar. Paco de Belem, em o primeiro de Outubro de mil oito- 
contos quarenta e seis. — Rainba. — Duque de Palmella. — Luiz da Silva Mousinho de Albuquerque. — 
Visconde de Sa da Bandeira. — Joaquim Antonio de Aguiar ~ Gonde de Lavradio. — Julio Comes da Silva 
Sancbcs. (Diario do governo n.' 232 de 2 de outubro de 1846.) 

' Subsistindo ainda os justlflcados fundamentos que deram legar ao Decreto de vinte e tres de Janho 
deste anno, pelo qual foram mandadas provisoriamente admittir à circulacào nestes Reinos as moedas 
estrangeiras, a que o mesmo Decreto se refere : Ilei por por bem, Revogando o do primeiro de Oulubro 
ultimo, quc marcou o prazo para a mencionada circulacào, Determinar que continue a obsenar-^ a 
tal respeito o que pelo primeiro dos referidos Decrctos havia sido ordenado. Os Ministros Secretarios 
de Estado das diversas RcpartlgOes assim o tenham entendido, e fagam cxecutar. Paco das Neccssidades» 
em vinte e quatro de Novembre de mil oitocentos quarenta e seis. — Ramila. — Visconde de Oliveira.— 
D. Manuel de Porlugal e Castro. — José Antonio Maria de Scusa Azevedo. —José Jacinto Valente fariniio. 
(Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, Iiv. xvii-A, fol. 116 v.) 

• Moni, fol. 122. Diario do governo de 26 de fevereiro, n.« 49. Doc. comprovativo n.» 278. 



183 

e importando os ditos 9 soberanos, a 4ì$500 réis^cada um, em 40^91500, corrcspondia 
a cada peca o valor de 8^1 00 réis*. 

D'estas averiguafoes feitas na casa da moeda resullou o decreto de 3 de marpo, 
que mandou elevar o valor das pecas a 8^000 réis*. Continuaram os recebedores fis- 
caes a ficar responsaveis pelo peso das pe^as, quando a falta excedesse a um grao por 
citava, conforme determina a portarla de 3 de abrii ^. 

Constando que a junta do Porto havia Tabricado moeda, ordenou-se em 16 de marpo 
que tal dinheiro nào tivesse curso legai, e que a pessoa que o recebesse ou coro elle 
pagasse, incorresse nas penas comminadas aos passadores e Tabricantes de moeda falsa^. 

As disposipoes dos decretos de 23 de junho de 1846 e 24 de fevereiro de 1847 
foram amplìadas em 21 de abril do ultimo anno, mandando igualmente admittir à cir- 
culapào, comò moeda corrente, as on^s de oiro mexicanas pelo valor correspondente 
a cada urna d'ellas, em relapao à referida quantia de 1 4^600 réis ; e na mesma occasiao 
dea-se curso às meias pecas portuguezas pelo valor de 4/5000 réis^. 

A elevapào a 8^5(000 réis ddi peca de 7^500,. determinada pelo decreto de 3 de marpo, 
tornou de facto o valor do marco de oiro amoedado igual a 128^000 réis, devendo a 
casa da moeda comprar o metal de 22 quilates em barra por 1 20]^000, para poder tirar 
as despezas da amoedapào; e permìttindo o artigo 6.^ da lei de 24 de abril de 1835 
que so se lavrassem em oiro as moedas de 5^000 e 2^500 réis, as quaes estavam em 
desproporpào desvantajosa com as pe^as, era uma necessidade, para evitar a sua des- 
truifao e salda do reino, augmentar o valor da corda a 5^51333 7* réis e o da mela corda 
a 2^66673 réis, para as harraonisar cora as outras moedas de oiro, ou serem reliradas 
dacircglapào. Para supprir a escassez de numerario pareceu preferivel tornar a fabricar 
as pecas de 7^500, entào elevadas a 8/5(000 réis, e assim foi determinado a 2 de junho 
de 1847, chegando-se a lavrar n'este anno 809 exemplares, servindo os cunhos an- 
ligos •. 

Em 20 de maio mandou-se que fossem admitlidas, comò moedas correntcs no rei- 
no, as oncas de oiro das republicas do Equador e do centro da America por 14^5(600 
réis, e as suas fracpoes pelo valor correspondente a cada uma d'ellas. A 24 do mes- 
mo mez foram igualmente admitlidas a circulapào no reino as micas de oiro da re- 
publica da Nova Granada, tambem por 1 4iJ600, e as suas fracpoes n'esta proporpào ''. 

Verificando-se que as pecas brazileiras de 4 oitavas tinham peso e toque identicos 
aos das pecas portuguezas de 8f$000 réis, ordenou-se em 14 de jullio que corressem 
pelo mesmo valor, e por metade as meias pecas ®. A 2 1 do dito mez foi decretado que 
as moedas de oiro do refendo imperio com 2 oitavas e 18 graos de peso corressem por 

' Àrcb. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xvii-B, foL 113 v. 
' Diario do governo de 5 de marco, n.» 55. Doc. com provali vo n.» 279. 
' Idem de 5 de abril, n.« 79. Doc. comprovalivo n.« 282. 

• Idem de 17 de margo, n.» 65. Doc. comprovaUvo n.* 281. 
' Idem de 23 de abril n.« 59. Doc. comprovalivo n." 283. 

' Manda À Raìoba pela Secretarla de Estado dos Ncgocios da Fazenda auclorisar Àdministrador 
^ral interino da Casa da Moeda e Papel Sellado a fazer cunbar moedas de euro com os cunhos que 
aoteriormcnte à creagào da moeda decimai serviam para a fabricacào das pegas de sete mil e quinhen- 
los réis, cujo valor hoje està elevado a oito mU réis. Pago das Necessidades 2 de junho de 1847.— 
Conde do Tojal,— Idem liv. xvii-A, foi. 129; e liv. xvii-B, foi. 117. Vid. no flm dos doc. a EslcUisUca 
das moedas de oiro, prala, eie. 

' Diario do governo de 20 e 25 de maio, n." 1 19 e 122. Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgislo go- 
ral, liv. xvn-A, foi. 129. Doc. comprovativos n.«« 284 e 285. 

• idem de l(> do julho, w." 1G6. Doc. comprovalivo n." 280. 



184 

4r^500 réis; as dobras portufjuezaSy com o peso de 1 onpa, por 16^000, e os dobròes 
(le oiro, lanibem porluguezes, pesando 1 5 oilavas, circulassem por SOjjOOO réis, de- 
vendo ser estes ultimos previameiUe carìmbados na casa da rooeda, para terem curso 
legai *. 

A marca adoptada para os dobrOes que tinham o peso exacto de 15 oitavas, foi um 



vBpP' 



puD{!ào com as armas do reino sem oroalos 

Do que temos historiado prova-se que os prepos postos às moedas de oiro nacionaes 
(» estrangeiras nera sempre correspondiam ao seu verdadeiro valor intrinseco, resul- 
tando d'aqui irrcgularidades e prejuizos publicos; pelo que se ordenou, em porlaria 
de 3 de dezembro de 1847, que o director da casa da moeda tornasse em considerapào 
tao importante assurapto, propondo uma medida para harmonisar o prepo das coróas 
e meias coróas de oiro porluguezas com as outras moedas nacionaes do raesmo metal, 
pois alem da desproporp ào, os dobròes nào tinham tolerancia alguma, emquanto i&pecas 
de 4 oitavasera permittido correrem por 8^000 réis, quando Ibes fallassem até 4 gràos. 
A 2 1 de marpo de 1848 fizeram-se iguaes recommendapòes a respeito do valor relativo 
das moedas nacionaes de oiro e prata com as estrangeiras dos mesmos metaes admit- 
lidas a circulafào, para depois subir o projecto ao corpo legislativo*. 

Nào encontràmos a soluflo que o director da casa da moeda propoz ao governo 
para se desempenhar de tao transcendente encargo; mas o facto é que a questào mone- 
taria se conservou estacionaria até 15 de Janeiro de 1851, em que uma commissào foi 
incumbida de a estudar e indicar com a brevidade possivel as providencias que as cir- 
curastancias reclamassem em tao importante objecto^. 

A 30 do mesmo mez decretou-se que todas as moedas de oiro estrangeiras deixavam 
de ter curso legai no continente do reino, com excepfào dos soberanos e meios sobe- 
ranos inglezes, que continuariam a correr pelo valor por que entào corriam de 4/51500 
e 2;5250 réis, devendo asta disposipao vigorar em Lisboa oito dias depois e nas pro- 
vincias qulnze, e para a sua execugào deu o governo varias instrucfoes, sendo a prin- 
cipal a portarla de 12 de fevereiro*. 

Em 15 d'esle mez mandou-se que se reduzissem as coróas de oiro ao peso de 2^'* 
oitavas, e as meias coróas a 1 */* oitava, e permittiu-se o fabrico dos quintos de carda 
de oiro com o valor de IjJOOO réis e o peso de */2 oitava. Às duas primeiras moedas 
foi estabelecida a tolerancia de Va grào para mais ou para menos, e */* de grào ao 
quinto de coróa, As coróas e meias coróas de oiro, lavradas pela lei de 24 de abril de 
1835, deixavam de ter curso legai, pagando-as o thesouro na rasao de 2^000 réis 
a oliava ; e o valor total das moedas de oiro entào mandadas cunhar nào podia ex- 

' Diario do governo de 23 de julbo, n.« 172. Doc. comprovativo n.» 287. 

* Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xviii-A, foi. 12 e 22. 

' Doc. comprovativo d.«288. N'este mez de Janeiro veriflcou-se que desde oanno 1750 até 1850 se 
liaviam cunliado na casa da moeda de Lisboa as seguintes quanUas: 

Km oiro 38.736:520^160 réis 

Km prata 30.709:051^270 » 

Km cobrc 469:060^75 » 

Km hronze 1.173:228^280 » 

Somma 71. 087:869 ji585 • 

lArcli. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto gcral, liv. xix-B, foi. 12.) 

* Doc. comprovativo n." 289. Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xix--\, foi. 7 v. 



185 

ceder o das moedas estrangeiras do mesmo metal, liradas da circulapao pela lei de 30 
de Janeiro *. 

A somma de 438:754?5ì900 réis em dinheiro estrangeiro em oiro, que se lavrou em 
moeda porlugueza até 2 de maio, deu um prejuizo à fazenda de 6:744^400 réis, sendo 
a causa principal as oncas que haviam enlrado n'aquella operai ào no valor por que 
corriam de 14^600, precisando o seu oiro de aOnar-se em 22 quilates, pois era apenas 
de 20 quilates e 3 ^/i gràos, termo medio, equivalendo cada uma das ditas moedas a 
14})358 réis, d'onde resultava a perda de IV3 por cento, alem da despeza da fa- 
bricapào*. 

A portarla de 13 de agosto de 1833, procurando evitar a'saida da prata do reinO; 
auctorisou provedor da casa da moeda a comprar as quanlidades d*este metal que 
fossem levadas àquella casa, conforme as disposìfoes do aviso de 31 de maio do 183 1, 
que ficava para esse effeito em pieno vigor ^. 

Aquelle funccionario representou em 9 de novembro os inconvenientes de emittir 
para circulapao os cruzados novos, emquanto as patacas hespanholas e brazileiras ti- 
vessem curso forpado de 940 réis*, que dava um prejuizo, em relapào a moeda 
nacional de prata, de 583,9 réis em marco; as ditas patacas tinham 10 dinheiros e 
21 gràos, e em mil marcos d'estas moedas entravam 906 marcos e 2 onpas de prata 
pura, emquanto nos rail marcos de cruzados novos, de lei de 1 1 dinheiros, havia de 
prata pura 9 1 6 marcos, 4 onpas, 2 oilavas e 48 graos. No peso de mil marcos entravam 
8:529 patacas, que a 940 valiam 8:0 17?5260 réis, sendo apenas seu valor intrinseco 
de 7:433^360 réis, dando comò estimativa 583}5(900 réis, que era em notavel pre- 
juizo da moeda de cruzados iiovos *. 

Infelizmenle nào foi este unico erro economico que se praticou entre nós no pre- 
sente seculo com respeito à moeda, sem se attender que seu valor real eslava e està 
na rasao directa da quantidade de prata pura que ella possue n*um dado peso. 

A portarla do thesouro publico de 5 de abril de 1834 declarou que a troca ^as 
moedas miudas de prata apagadas no cunho, feita com banco de Lisboa, se devia 
entender conforme espirito da resolufào de 19 de marpo de 1751, recebendo banco 
pelas moedas que enlregasse um igual peso do mesmo metal novamente amoedado, 
sem deducfào de senhoriagem nem feitio; e para assim se cumprir se procederla à 
fundipao e cunhagem de taes moedas em cruzados novos^, 

A 13 de agosto do dito anno de 1834 decretou-se que as moedas inglezas de prata, 
chamadas coroas^ livessem curso no reino por 1 5^030 réis cada uma e as meias coróas 
por 515. Centra tal disposipao representou provedor da casa da moeda em 19 do 
mesmo mez, comò havia fello centra as patacas hespanholas e brazileiras, pelo excesso 
de prepo dado a moeda estrangeira em relapào à nacional, resultando, alem dos males 
anteriormente apontados a respeito àdispatacas, a impossibìlidade futura de se poderem 
recunhar em moeda porlugueza, pela enorme perda que resultarla à fazenda publica 



• Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xix-À, fol. 9. Dog. comprovativo n.^ 290. 
^o Diario do governo de 19 de marQo annunciou-sc a compra de coróas e meias coróas de oiro antigas 
a 21000 réis a oitava. 

' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xix-B, fol. 26 v e 32. 

• Idem, liv. xiv, foL 140. 

• Decreto de 20 de agosto de 1832. Doc. comprovativo n.» 257. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xiv, foL 140. 
' Idem, fol. 1G5 v. 



186 

de urna tal opera^ào; e sendo a medida toniada para fazer face a extincfào do papel 
moeda, lam crear-se todos os inconvenientes de urna moeda fraca. As coróas ingle- 
zas eram de 1 l^io dinheiros, contendo-se em mil marcos d*estas moedas 925 mar- 
cos de prata pura; e entrando nos mil marcos 8:372 coróas, approximadamente, som- 
mavam, a lf$030 réìs cada urna, 8:623^160 réis, quando o seu valor ìntriaseco se 
reputava apenas em 7:587f$152 réis, o que fazia nos mil marcos a enorme differenfa 
de 1:036?5(008 réis; flcando por este modo beneficiadas as coróas em relapào aos ci^u- 
zados novos em 155036 réis por marco*. 

Em presenf a de tao notavel desproporpao reconsiderou-se, e mandou-se suspender 
em 21 de agosto o decreto anterior*. 

A carta de lei de 1 de setembro ordenou tambem o curso forpado dos pesos duros 
hespanhoes por tres mezes, devendo-se carimbar na casa da moeda, e correrem depois 
pelo valor indicado no artigo V do decreto de 23 de juiho, ficando prohibido do reino 

giro de outra qualquer moeda de prata estrangeira ^. Este carimbo Ql que enlào 
se imprimiu nas patacas, tinha por iim dar a conbecer ao governo as moedas que 
emittia, e poderem, quando terminasse o praso, ser tiradas da circulapào e reduzidas a 
moeda portugueza. Até 1 1 de setembro, em que se suspendeu a impressào do carimbo, 
foram marcadas 169:976 patacas; e a portarla de 12 de novembro ainda mandou, 
por graga especial, que se carìmbassem mais 1:750 patacas be»panbolas^ 

Em 1 5 de setembro remetteram>se à casa da moeda vinte e dois caixotes, dizendo 
a portarla conterem 61:392 onpas (peso inglez) de prata amoedada, aqual devia ser 
verificada em presenpa do encarregado da entrega, que receberia uma nota do peso 
e valor da prata. Em quatro dos referidos caixotes acharam-se 17:073 cruzados novos 
da lei de 10 dinheiros e 23 gràos, similhantes no typo aos fabricados n*aquella casa, 
mas que os ensaidores e abridores declararam nào terem sido ali cunhados^. Seriam 
estas moedas prò venientes de uma falsiflcap ào apprehendida pelas auctoridades, ou uma 
cunhagem feita fora do reino por conta e ordera do governo?. . A maneira comò foram 
enviadas para a casa da moeda e a sua procedencia de biglaterra^, onde se havia 
contratado em 1830 a factura de uma porpào de moedas de cobre, sao indicios que 
multo nos fazem inclinar a segunda supposipao. 

A lei de 24 de abril de 1835 declara que desde o dia 30 de junho seguinte toda a 
moeda de prata se lavrasse pelo novo syslema decimai, na rasào de 7jj750 réis o 
marco, no toque de 1 1 dinheiros, e nos valores de mil réis, quinhentos, duzentos e ceni : 
as de mil réis, coróas de prata, com o peso de 8 oitavas, 18 gràos e 50 centesimos 
de grào approximadamente, pesando 31 d'estas pepas 4 marcos exactos; as de qui- 
rUientps réis, meias coróas de prata, com metade do peso das anlecedentes, e entrando 
31 pepas em 2 marcos; as de duzentos réis, com o peso de 1 citava, 46 gràos e 93 
centesimos de grào, approximadamente, pesando 155 d'estas moedas 4 marcos 
exactos; e as de cem réis, com metade do valor das antecedentes, e entrando 155 pepas 
em 2 marcos. As moedas cunhadas por està lei vào desenhadas nos n.°* 19 a 22, e 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, regislo geral, liv. xiv, fol. 177 v. 
» Doc. comprovativo n.» 266. 

• Impresso avulso. Doc. comprovativo n.» 267. 

' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, rcgtsto geral, liv. xv, fol. I. 
' Idem, liv. xiv, fol. 184. 

• Idem, liv. XV, fol. 88 v. 



187 

deviam correr pelos prepos indicados, coDjunclamente com as que entào estavam em 
circulafào*. 

Os pesos duros hespanhoes foram maadados continuar em curso for{:ado, atéulterior 
deliberapào das córles, por decreto de 16 de junho do mesmo anno*; e a 27 ordenou-se 
a cunhagem da antiga moeda de prata, cruzados novos, pela demora que offerecia o 
assentamento da nova machina, e por nào ser possivel, sera grande prejuizo dos inte- 
resses publicos, parar o fabrico da moeda ^. 

segundo abridor Francisco de Borja Freire foi o encarregado de fazer os cunhos 
para as quatro especies de moeda de prata decimai; mas tendo-se-lhe ordenado, com 
a maior urgencia, a abertura de cunhos para as pecas de sete mil e quiìihentos réis, 
nào pòde concluirosprimeiros no praso estabelecido. A 19 de julho foram remeltidos ao 
ministerio da fazenda os desenhos e diametros convencìonados para as novas moedas^. 
Os ensaìos dos novos cunhos para a moeda de prata, abertos por Freire, nào agrada- 
ram, o que fez encommendar outros em Londres ao abridor Wyon, que estava jà in- 
cumbido de lavrar os da moeda de oiro. Ao mesmo artista se propoz o aperrei{:oar na 
gravura dos cunhos a Borja Freire ; mas exigindo por similhante servi{:o a quantia de 
200 libraS; procurou-se Taylor, tambem artista multo habil, que tomou esse encargo 
durante seis mezes por 65 libras, inclumdo o aperfeipoamento em desenho ^. 

Em 2 1 de maio de 1 836 participou o primeiro abridor da casa da moeda de Londres 
Wyon acharem-se terminados os punpòes, matrizes e cunhos para a moeda de prata 
de mil réiSy coróa, e multo adiantados os outros, tanto para as de prata corno para as 
de oiro, e perguntava se a casa da moeda jà estava em clrcumstancias de trabalhar 
n'aquelle dinhelro, a flm de ir logo remettendo os cunhos^. 

A portarla de 9 de agosto mandou entregar na casa da moeda os novos cunhos e 
provas das moedas de prata de mil réis, quiìihentos e duzentos, encommendados ao 
mesmo Wyon, que os ha via feito acompanhar de varias instrucpoes, para se comepar 
pela cunhagem das ultimas, por mais faceis ; e ordenou-se que o diametro das respe- 
ctivas provas nào fosse excedldo nas novas moedas, fazendo seis das de mil réis 22 
centimetros, tendo todo o cuidado em Ihes dar o peso estipulado na lei de 24 de abril 
de 18357. 

Os punpoes e cunhos para as moedas de cem réis foram remettidos para a casa da 
moeda, conjunctamente com as suas provas, a 27 de setembro, determinando-se logo a 
sua amoedaf ào ^. 

' Doc, comprovativo n.» 269. 

• Idem, n.o 270. 
' Idem, n.» 271. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, regislo geral, liv. xv, fol. 31 e 33 v. — provedor da casa da 
moeda requìsitou em 10 de julho de 18^ o retrato em meio perfil da Senhora D. Maria li, para se copiar 
no novo pungào, o qual Ihe foi enviado a 22 de agosto, com recommendacào de que o tivesse do maior 
cuidado, e que o devolvesse com a maior brevidade possivel, para se entregar ao seu proprietario Paulo 
Hidosi, que de bom grado o emprestàra a bem do servilo pubiico. (Àrdi, da casa da moeda de Lisboa, 
registo geral, liv* xv, fol. 44 v.) 

' Idem, fol. 94 v. — Durante a ausencia de Borja Freire flcou encarregado do lavor dos 
CQohos tcrceiro abridor Luiz Gonzaga Pereira, que declarou por escripto achar-se babifìtado para isso, 
dando-Ihe o tempo preciso para gravar com pcrfeigào, pois a um so abridor era ìmpossivel satisfazer 
a todas as exigencias do servico da casa da moeda. (xVrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, 
liv. XV, fol. 71 V.) 

•Idem, foL 101. 

' Idem, fol. 1 10. 

'Idem, foL 116 v. 



188 

Em 5 de outubro de 1837 approvaram-se as emendas feitas nas letras que iDdìca- 
vam anno nos cunhos para as coróas e mcias coróas de prata, e ordenou-sc o seu 
fabrìco, declarando-se tambem que os pun{;des e matrìzes dos mesmos cunhos jà esla- 
vam em poder do consul geral em Londres, para serem enviados para Lisboa. por- 
tador d'estas pepas foi o.segundo abridor Borja Freire, quando voUou d'aquella capital 
aperfeipoado na sua arte^ 

provedor da casa da moeda inforraou era 23 de dezembro, que para aquelle esta- 
belecimento fazer a amoeda^^ào da prata aos particulares, necessitava de um fundo 
permanente de ciuco a seis mìl roarcos do mesmo metal, para dar legar a fundi^o das 
sisalhas, sem pararem os trabalhos das fieiras, córte e cunho; podendo entào cootra- 
tar-se coro os particulares, recebendo-se um peso de prata em barras na lei de 11 di - 
nheiros (por ensaio real), entregando-lhes quinze dias depois o mesmo peso em coróas 
com desconto de 4 por cento da quantia que ellas representassem, e talvez o desconto 
ainda podesse ser reduzido*. N'esla conformidade publicou-se o annuncio no dia 28, 
com a declarapao de que o desconto nunca poderia exceder a 4 por cento '. 

A exporta^iào da moeda de oiro e prata e das barras d'estes metaes tomou tal in- 
cremento, que governo em 1841 cuidou seriamente em Ihe por obstaculo*. A prata 
exportava-se principalmente para aproveitar algum oiro que conlinha, pois os proces- 
SOS entao usados na casa da moeda de Lisboa eram tao imperreitos, que davaro um dis- 
pendio superior ao valor do oiro que se exlrahia, adoptando-se por ultimo comò raeio 



' Àrcli. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xvi-À, foK 19 v. e 21 v. As cùróas de prata 
lavraram-se desde 1837 a 1845 em numero de 18:493 pegas. 

' Idem, liv. xvi-B, fol. 29. 

• Idem, fol. 88. 

' Senhora: — Ordena V. Magestade em Portarla do l.« do corrente, expedida pela primelra Reparticào 
da Secretarla de Kstado dos Negocios da Fazenda, que inrorme com o meu parecer sobre a maneira 
legai de se evltarem os inconvenientcs que possào resultar da exportagào de barras de prata formadas 
de cnizados novos, e de moedas cunbadas de ouro e prata, de que trata a copia da carta anonima 
inclusa. A sahida por mar ou por terra de ouro e prata em moeda, ou em barra, sempre foi prohibida 
pelas leis deste Reino, e a Ordenagào no liv. v, n." 12, g 50, e tit. 113, impOe gravissimas penas a quem 
desflzer moeda, e a quem exportar ouro, ou prata, seja amoedado, ou em barra; porem se estas leis 
em outro tempo tiveram inteira execuQào, deìxaram de a ter posteriormente, quando a descoberta das 
minas riquìssimas de ouro no Brazil tomou este metal um dos principaes gencros de exportacào de 
Portugal, e fez necessaria a infracQào da lei. Hoje he geralmente sabido que o ouro e prata, ainda 
mesmo em moeda, sào generos commerciaveis, comò outros quaesquer, e scria impossi vel obstar 
completamente a sua extrac^ào do paiz, pela facilidade com que se podem subtrahir a mais actiya 
flscalisagào. He certo que a extrac^ào ilUmitada e permanente das moedas pode vir a sor damnosa ao 
bem publico, e muito mais quando o Brazil jà nào fomece ouro, nem a Hespanlia prata, para sub- 
stituil-as; mas as causas desta extracQào he que convem evitar, e cstas, segUDdo o meu intender, sào: 
i.« a falla de outro genero que offerega lucro aos commercian|es, para levarem em retomo das soas 
mercadorias, e nào poder Portugal por ora prescindir de saldar as suas contas com algumas pragas 
estrangciras em metaes: 2.' os progos desfavoraveis dos cambios. —A primeira causa bade ir dimiouindo 
na razào do augmento da industria, do melhoramento da agricultura, do melhor aproveitamento das 
Colonias, e da mais proficua e bem entendida applicaQào que os capitalistas hào de tir a dar aos seus 
fundos ; a segunda causa deriva da primeira, e so pode acabar quando Portugal nào for devedor às 
pragas estrangeiras. Em vista do exposto, parece que o meio legai de que conviria langar mào nas 
actuaes circumstancias, nào para obstar totalmente, mas para atenuar a exportagào de metaes, e fazer 
preferivel a de outros generos, seria tornar a dos metaes mais difflcultosa, suscitando-se a execugào 
da lei que a prohibe, mas com penas menos graves, para podcrem ser applicaveis. Vossa Magestade 
porem determinarà o que for mais conveniente. Gaza da moeda, 8 de Fevcreiro de 1841. Provedor 
interino Fernando Joz6 Maria d03 Santos. (Arch. da ca?a da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xvi-P, 
foi. 104 vj 



189 

mais vantajoso do que fundir e cunhar as pef as doiradas dos convenlos, vendel-as em 
basta publica ^ 

banco de Lisboa obrigou-se a fornecer gratuitamente os fundos ou a prata precisa 
para a amoedapao, pelo que se ordenou em 21 de junho do dito anno de 1841 que a 
casa da moeda recebesse do mesmo banco qualquer porpao d'este metal em barra ou 
em dinheiro, e que depois de o fundir, o reduzisse a nova moeda decimai; e duvidando 
provedor incluir na destruipào os cruzados novos, assim Ibe foi determinado, citan- 
do-lhe OS artigos 3.® e 4.** do regimento de 9 de setcmbro de 1686, que perraittìam se 
refundisse qualquer moeda que nào saisse bem cunhada ou que tivesse outra qualquer 
imperfeipao que flzesse desluzir as mais, obviando-se por este modo ao progresso do 
mal que podia resultar da sua circula{;ào; devendo entender^se n'aquelle caso so os 
cruzados novos que por um antigo abuso sairam para o giro com peso superior ao 
estabelecido na lei. dito provedor tornou a ponderar, que apesar do peso medio 
dos cruzados novos recebidos do banco nao exceder o legai, ainda Ihe parecia de van- 
tagem para a fazenda o recunho, porque o seu valor nominai era inrerior ao das 
coróas e suas fracpdes; e que exislindo reconbecida desigualdade no peso dos cruzados 
novos em circula^ào, acontecia irem desapparecendo (»s mais fortes, dando està pratica 
legar a ìnconvenientes que se precisava atalhar; pelo que Ihe Toi determinado, em 



' Ill.Bo e Ex.»« Sr. — Havendo nesta caza huma porgào de prata dourada, pertencentc a diversos 
conventos extinctos, e tendo sido a pratica adoptada até aqui, o vender-se a desta especie em basta 
poblica, pela dirficuldade que offerecia o antigo methodo na extraccào do ouro nella conUdo, que alem 
de moroso, absorvia despezas superiores ao valor do ouro oblido, julguei a proposito por isso, e por 
scr buma anomalia quo na occasiao cm que a Caza da Moeda està comprando prata a venda ao mesmo 
tempo, nào fazer o annuncio da venda da mencionada porcaò de prata. No entanto corno era necessario 
sahir deste embaraco, e so bavia dois meios a seguir, sendo o da venda, ou fundil-a, apartando-se-lbe 
curo pelo methodo antigo, pareceu-me acertado ouvir o Preparador do Laboratorio Chymico desta 
Casa Francisco Mendes Cardozo Leal Junior, a flm de ver se propunha bum outro metbodo por onde 
se conseguisse a apartagad do ouro da prata com mais vantagem para a Fazenda Publica; eUe me 
declarou que pelas suas experiencias jà tinha conbecido que o metbodo até aqui seguido nesta Gaza 
para a aiinagad da prata e apartagaò do ouro, nào so era muito dispendiozo, mas que o ouro que ella 
contivessc naù se aprovcitava todo, o que era em prejuizo da Fazenda, mas que elle se ofierocia a 
propòr lìum novo metbodo para se alcangar aquellc flm com melbor resultado. mesmo Preparador 
passou a demonstrar praticamente por melo de experiencia feita nesta Caza sobre dois marcos de prata, 
e apartou desta oitava e mcia de ouro do toquc de 23 { quilates^^ e se encarregou de cnsinar o novo 
methodo de aOna^aò, e de apresentar por escripto o respectlvo processo, que Junto submetto ao 
conhecimento de V. Ex.*, bem corno o ornamento dos utensilios indispensaveis para este novo metbodo, 
seguido boje em todas as Gazas de Moeda, que se calculam em 1:355|»000 reis; despeza està de pouca 
coQsideracao, attendendo-se a que os ditos utensilios naò so scrviraò para a refinagad e apartagaò da 
mencionada prata, mas para a que de Tuturo Iiouver de se recebcr na Gaza da Moeda, tanto dourada 
comò sem o scr, provenienti de compras. A despeza pelo antigo processo calcula-sc em 14^1765 réis 
sobrc 100 marcos de prata, e pelo novo processo em 11^910 reis, sobre igual quantidade de prata; mas 
corno este ultimo alem da prata aflnada dà mais 60 libras de sulfato de cobre, que vale 4]^800 réis 
(preco medio) e o ouro que qualquer prata possa conter, segue-se que subtraindo-se a importancia do 
eobre, fica sendo a despeza, pelo novo metbodo, Tj^tlO reis, metade da do antigo. A vista do exposto, 
se Y. Ex.' mandar adoptar o mcncionado novo processo, seria conveniente que se authorìsasse està 
ftepartigaó a fazer as despezas dos utensilios constantes do refendo ornamento, susceptiveis de se 
coostruir neste Paiz, à excepgad do alarobique de platina, que se deverà mandar vir de Pari2 ou de 
Londres, segundo o desenbo que houver de olTercccr està Gaza; assim comò autborisacad ao sobredito 
Preparador para debaixo da sua direc^ad se constnilrem os indicados utensilios, e mais arranjos neces- 
sarios para a sua collocacaò. — Deos Ouarde a V. Ex.* Gaza da Moeda 20 de Agosto de 1841.— 111."^ e Ex."* 
Sr. Antonio Jozé d'Avila, Ministro e Secretarlo de Estado dos Negocios da Fazenda e Inspector Geral 
do Thcsouro Publico. — Provedor interino — Fernando Jozé Maria dos Santos. (Arch. da casa da morda 
(In Lisboa, registo goral, liv. xvi-B, fol 112.) 



190 

portarla de t de dezetnbro, que sendo reconhecida a utilidade das moedas guardarem 
entre si perfeita proporpào, se recunhasse toda a que podesse produzir maior numero 
de réis na moeda decimala 

A 27 de agosto de 1841 o mesiuo preveder remelteu a conta da prata com- 
prada durante os mezes de abril, maio e junho, e de quanto produzira na nova moeda, 
encontrando-se centra a fazenda uma differenpa de 14C?J469 réis, por elle atlribuida 
ao metal ser de toque baixo e parte em obra, occasionando maior quebra e despeza 
na afmacào era 1 1 dinheiros'. 

Pelos ensaios e calculos feitos na casa da moeda sobre mil patacas mexicanas, de- 
clarou-se era 12 de agosto de 1845, que o seu valor intrinseco, em relapao a nova 
moeda decimai portugueza, era de 891 réis^. 

Em 29 de dezembro o visconde de Villarinho de S. Romào, admiuistrador da casa 
da moeda, representou a necessidade de se refundir e cunhar de novo a moeda safada 
de prata, que rauitas vezes circulava no commercio em carluxos de 4^800 e 9^600 réis *; 
para tal despeza, inteiramente de utilidade publica, havia o oiro contido n'aquelle 
metal; e lembrou que era preciso augmentar as quatro especies de moeda de prata, 
designadas na lei de 24 de abril de 1 835, cera as fracpoes de 250 e 50 réis, o que multo 
facilitarla os trocos. Propoz que se subslituisse o nome de ccyróas por outro inteira- 
mente nacional, indicando o de lusitanoSy jà lembrado nas cortes de 1822 ; que a effigie 
da soberana ornasse so as moedas de prata de mil réis e de quinlwntos, pois as outras 
fracpoes com o mesmo diametro das de oiro de ciìwo mil réis e de dois mil e quinJien- 
tos, sendo doiradas, prestavam-se a fraudo; que a legenda devia occupar as duas fa- 
ces da moeda, nào so para os caracteres se poderem tornar mais legiveis, mas menos 
faceis de se apagar; e que as armas do reino se fizessem conforme o determinado no 
capitulo 68.** do regimento de 1686, que n'esta parte ainda nào fora derogado, o qual 
prohibia qualquer ornamentapao. Corroborava tambera a necessidade d'estas emen- 
das para a abertura de novos punpoes e matrizes a circumstancia de terem sido lavra- 
dos em Londres os da primitiva moeda decimai; de ostar pouco similhante o retrato da 
rainha, faltando-lhe o adorno dos brincos e do celiar, e produzindo mau effeito o pescopo 
cortado ; e parecia-lhe que a nova moeda deveria center os dois bustos unidos, a simi- 
Ihanpa do que se praticou nas moedas de oiro de D. Maria I e D. Fedro HI, levando a 
posteridade os Deis retratos dos augustos soberanos reinantes, mas com certo primor 
artistico, que os cunbos vindos de Inglaterra nào possuiam. A compra da moeda safada 
devia effectuar-se a peso com o premio de 29 Ve por cento, e nào pelo seu valor repre- 
sentativo, o que darla legar a abusos e grande perda para a fazenda publica ^. 

Os annuncios publicados no Diario do governo em maio de 1846 e marpo de 1847 
offerecem a prompto pagamento pelo marco de prata, alem do seu valor intrinseco 
reconhecido pelo ensaio real, mais vinte e cito por cento ®. 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xvr-A, fol. 83, 87, 96 v. e liv. xvi-B, fol* 
119 V. — Doc. comprovativo n.» 274 de 1 de abril de 1841. 

' Idem liv. xvi-B, fol. 113 v. 
» Idem, liv. xvn-B fol. 41 v. 
' Idem, liv. xvn-B, fol. 66 v. 

• De 1770 a 1833 cunharam-se nas ofBcinas de Lisboa 254:785^550 réis em moedas de 120, 100, 60, 50 
e 20 réis; e calculando-se que desse entrada na casa da moeda para se renovar metade d^esta quantia, 
e que haveria n'eUa 1,5 de oiro por milhar, podia contar-se com 22,5 marcos d'este metal, iguaes a 
2:592)^000 réis, o que garantia as despezas da reduccào. Idem fol. 68. 

• Idem, fol. 91 o 114. 



191 

Procedendo-se a minuciosa analyse Adi^patacas hespanholas, correnles no mercado 
por 910 a 915 réis, julgou-se que podiam ser admittidas na circulapào a 920, para as 
atlrahir ao giro, tornando-se larabem indispensavel elevar o prepo nominai das coróas 
a 1^050 e o dos oruzados novos a 520 réis^, ficando as suas subdivisoes na mesma 
proporpào, evilando-se por este modo a sua fundipào, pois os que tinham o peso legai 
de 4 oitavas e 6 gràos deixavani o lucro de 1 réis, vendidas as barras com o premio 
de 28 por cento, emquanto com o dito augmento, que poderia considerar-se nova 
senhoriagem, havia urna perda de 30 réis. feitio e senhoriagem das coróas de prata 
era de 2973 réis, e assìm o expoz ao governo o admioistrador da casa da moeda em 
5 de junho de 1846, e o repetiu em 1 1 de marco de 1847'. 

Em 18 de setembro determinou-se que as quebras provenlentes dos ensaios, fun- 
dipao, refinapào e amoedapào de prata entregue pelos parliculares na casa da moeda 
para lavrar, Scasse por conta de seus donos, sendo reduzida por calculo a lei de 1 1 
dinheiros, e logo descontadas as quebras na rasào de 5 por milhar. Està disposifào foi 
revogada em 17 de outubro, mandando-se que a casa da moeda acceitasse qualquer 
porpao de oìro ou prata, livre de abatimento ou desconto para feitio ^. 

curso legai das moedas estrangeiras, provisoriamente admittidas à circulapao, 
foi mandado suspender por decreto de 1 de outubro, que devia comepar a ter effeito de 
31 de dezembro do dito anno de 1846 em diante ^. 

Por decreto de 24 de fevereiro de 1847 mandou-se que tambem tivessem curso 
legai as patacas dos Estados Unidos da America do Norie, hrazileiraSy peruvianas, 
chUenses, bolivianas, columbianas e de Buenos Ayres por 920 réis cada uma^. Ilaven- 
do-se procedido a um exarae comparativo da pataca sevUhana com a columnaria, veri- 
Dcau-se terem identico peso e toque, ordenando-se em 10 de marpo o seu curso le- 
gai no reino com o mesmo valor ^. 

A casa da moeda promptiiicou-se, dando-lhe a prata precisa para todas as officinas 
trabalharem ao mesmo tempo nos differentes processos, a amoedar diariamente nove 
adez contos de réis; declarando que a demora no fabrico provinha nào so da falta de 
metal, mas tambem do tempo gasto em Ihe extrahir o oiro; e para obviar a este in- 
conveniente propoz que, quando a prata contivesse até 1 por milhar, reconhecido por 



' A pataca bespanhola ou duro, tinha o peso de 1^ oitavas, ou 478 gràos e 125 millesimos de 
grào de prata fina. toquc era de 10 dinheiros e 15 gràos, e 33 de liga, segundo deu o ensaio real. Um 
marco d'estas paiacas correspoDdia a 4:080 gràos de prata pura no valor de 7JS417 réis, considerada 
em barra, tendo cada pataca o valor intrinseco de 869,179 réis, incluindo os 28 por cento. ~ Ensaio ao 
dinheiral: — Prata lO/d + 18 gr.*; cobre Vd + 6 gr.*— Ensaio analylico:— Prata 12/d, 876 por mil; cobre 
122 por mii; oiro de 24 quilates, 2 por mil.— A coróa de prata pesava 8 oitavas, 18 gràos e 58 raillesiraos de 
grào, tendo um marco d'estas moedas 4:124 gràos de prata fina, que amoedada valla 7^750 réis e em 
barra com o premio dos 28 por cento 7j^680. Uma coróa de 1^000 réis possuia 544 )i gràos de prata pura. 
Os cruiados novos deviam pesar 4 oitavas e seis gràos, peso que raras vezes se achava exacto. A lei 
era igual à das coróas, e segundo o valor da prata em barra com o premio dos 28 por cento corres- 
pODdia cada um a 489,99996 réis, quando tivessem o devido peso, e està circumstancia dava legar à 
soa fondigào em barras, para as venderem a casa da moeda ou para o estrangeiro. (Arch. da casa da 
moeda de Lisboa, registo geral, liv. xvn-B, foi. 92 v.) 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xvii-B, foi. 92 v. e foi. 114. 
' Idem, liv. xvn-A, foi. 108, 112; e Diario do governo n.» 245 da mesma data. 

• Idem, foL 110. 

• Idem, foi. 122. Diario do governo de 26 de fevereiro, n." 49. Doc. comprovalivo n.° 278. 
Idem, foi. 122 v. Diario do governo de 12 de marco, n.» 61. 



192 

ensaio read, se prescindisse do apartamento ; e assim Ihe foi mandado cumprir em 1 9 

de outubro*. 

A necessidade de elevar o pre^o do marco de prata e harmonisar os valores das 
differentes moedas d'este metal em circulapào, tomou-se geralmente reconbecida; os 
cruzados nows linham de senhoriagera 25 por cento, e as coròas 29 */6 ; e nas moedas 
estraDgeiras tambem os pre^os por que tinham sido mandadas correr nào estavam 
proporcionados com os seus valores intrinsecos '. 

A consequencia d'està desigualdade foi a escacez da moeda de prata no mercado; 
e governo, procurando evitar a salda d'este metal para o estrangeiro, elevou, em 
30 de Janeiro de 1851, os direitos de exportapao da prata em bruto ou quebrada, de 
100 a lf$000 réis por marco ^. director da casa da moeda disse^ a este respeito, em 
13 de setembro de 1852, que, alterada a relapào existente entre as moedas de prata e 
oiro, por esle haver sido elevado, por decreto de 3 de marpo de 1847, a 128i>000 réis 
marco, conservando a prata o antigo valor de 7^51750, se produzirao desequilibrio en- 
tre OS dois metaes, o que deu legar a diversas representapoes e a dois projectos de lei 
apresentados na camara dos pares, entregando-se o estudo do assumpto a uma commis- 
sào especial, para sobre a sua proposta se harmonisar o nesso systema monetario ^. 

A portarla de 1 de agosto de 1851 mandou que na casa da moeda se continuasse 
a amoedar a prata em barra, que os particulares ali levassem, em conformidade com 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xvn-À, foi. 112 v. e liv. xvn~B, Tol. 107. 

' Idem, liv. xvn-B, foi. 115 v. e 117 v. 

• Doc. comprovativo n.« 289. 

^ Em 3 de abrìi de 1847 baizou para consulta ao director da casa da moeda um requerìmento de 
José Bernardo da Rosa, pedindo o augmento de prego da moeda de prata, tanto nacìonal comò estran- 
geira admittida à circulagào no reino (Àrcb. da casa da moeda de Lisboa, liv. xvii-À, foi. 124 v.). conde 
da Taipa aprescntou na sessào de 1 de agosto de 1853, na camara dos pares, o segoìnte projeclo de 
lei: «Àrtigo 1.** Às moedas de prata mandadas lavrar pela carta de lei de 24 de abrìi de 1835 contìnua- 
rào a ser da lei de 1 1 dinbeiros, e terào o peso qae Ibc corrcsponder na rasào do valor de 8 J500 réis 
por cada marco de prata.— Àrtigo 2.<> As moedas de prata em circulagào, cunbadas em virtude de leis 
anteriores a lei de 24 de abril de 1835, continuarào a ter curso legai pelo valor que actualmente téem, 
até serem trocadas pelas novas moedas.— Artìgo 3.^ As moedas de prata que foram lavradas ató à data 
d'està lei, por virtude da carta de lei de 24 de abril de 1835, deixam de ter curso legai. governo 
as mandare trocar cm relagào ao seu peso e ao valor de 8i^5(X) réis por cada marco de prata. — Artìgo 
4.<* Kinguem sera obrigado a receber n'esta moeda subsidìaria mais do que 9A000 réis, seja em que 
quantia fòr. Fica i-evogada teda a legislagào em contrario, 1 de agosto de 1853. — t^nde da Taipa.» 

director da casa da moeda declarou que o projccto do conde da Taipa envolvia tres pontos im- 
portantissimos: 1." a miulanca do padrào ou typo da nossa moeda, que tondo sido até ali a prata, pas- 
sava pelo projecto a scr so o oiro, tomando-se assim por unidadc monetaria um metal que offcrecia 
maior contingencia pelos bem fundados receios que inspirava a sua extraordinaria quantidade, encon- 
trada na lavra de novas e ricas minas, dando isto logar a que algumas nagOes Ihe tirassem a qualidadc 
de moeda legai, considerando-o so pelo seu valor intrinseco ou convencional. 2.° Importava a altera- 
Cào do nesso real monetario; pois estando entào o marco de prata amoedado no prego de 7^50 réis, 
conforme o determinado na carta de lei de 26 de abril de 1835, passava para 8i$500, seguindo-se assim 
uma completa mudanga em todos os contratos e transacgdes commerciaes. 3." Era a repentina emissào 
de uma moeda de prata mais fraca do que aquella que tambem continuava em circulagào, e que havìa 
sido lavrada antes de promulgada a citada carta de lei. refendo director concima— que o facto se 
tornava mais coroplicado pela desordem em que se achava o nesso systema monetario, devida 
a diversas causas, e sobretudo depois que se havia alterado a relagào entre as moedas de prata 
e oiro, elevando-se este de 120/^000 réis a 128:^000 réis o marco, pelo decreto de 3 de margo de 1847. 
deixando aquella no seu antigo valor de l^bO réis, de que rcsultou perder-se inteiramente e equilibrio 
tao necessario entre o valor d'estes dois metaes, sempre que representarem moeda corrente. (Arch. da 
casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xix-A, foi. 88 v. e liv. xix-B-2.', foi. 45.) 



193 

decreto de 9 de julho de 1846 * ; e a lei de 18 de agosto de 1853 tornou livre a in- 
Iroducfào, no reino, da raoeda de oiro ou prata, quer nacional quer eslrangeira^. 

As primeiras raoedas de cobre lavradas em nome da senhora D. Maria II téem a 
data de 1830; foram fabricadas em Inglaterra e decretada a sua circulafào pela re- 
gencia do reino, estabelecida na ilha Terceira, em alvarà de 28 de fevereiro de 1831 ; 
vào desenhadas nos n.°* 7 e 8. 

provedor da casa da moeda de Lisboa participou em 5 de maio de 1836 que 
por falla de cobre nào linha em que empregar os operarios, e pediu permissào para 
serem reduzidos a moeda do reino de dez e de.dnco réis^ 5:337 arrateis de cobre, 
que ali existiam em macutas de Angola, cunhadas pelo governo intruso em 1831, o 
que Ihe foi concedido pela portarla de 15 de selembro do dito anno de 1836 3. Os ly- 
pos das moedas que entào se lavraram em cobre sao os n.°* 14 e 15, que depois mu- 
daram para o n.** 24 e mais tarde para os n.®* 25 e 26. 

Da alfandega grande de Lisboa remelteu-se em 23 de abril de 1838 uma por- 
Cào de laminas de latào com o busto de D. Miguel de Braganpa, as quaes se fundiram 
n'uma barra com o peso de 23 marcos, 6 onpas e 3 oitavas *. 

A portarla de 18 de junho de 1844 auctorisou o provedor da casa da moeda a 
cunhar em moedas de d^z e de cinco réis o cobre preciso para com os seus direitos 
de senhoriagem cobrir o deficUj que havia no mesmo estabelecimento, do anno econo- 
mico de 1843-1844, orpado approximadamente em 600j3000 réis; e sondo necessarios 
para isso 3:200 arrateis de cobre, que produziriam o Valor nominai de 1:160^000 
réis, nào haveria da parte do governo desembolso de qualquer quantia, pois os ven- 
dedores contratavam o cobre a prasos, e com a amoedapào do mesmo metal se faria 
depois pagamento ^. 

Em 28 de maio de 1845 mandou-se cunhar uma partida de moeda de cobre até à 
quaatia de 4:000*5000 réis, nas especies que se julgassem mais convenientes para a 
circulapao ^. 

Com pretexto de falta de moeda de cobre ordenou o decreto de 15 de maio de 
1846, referindo-se ao alvarà de 25 de setembro de 1800. o fabrico de 20:000i$000 
réis era moedas de vinte, de dez e de cinco réis; e a portarla de 28 de dezembro de- 
lermiDou que a casa da moeda recebesse da alfandega grande quatro toneladas de 
cobre chegado de Southampton, para a cunhagem da moeda de dez e de vinte réis''. 

Segundo os calculos feitos n'aquelle anno a nova machina podia produzir diaria- 
mente de 200^5000 a 240,^000 réis em moeda de cobre ®. 

Em Janeiro de 1847 forara approvadas pelo governo as primeiras provas da moeda 
de vinte réis em cobre, n° 23, recommendando-se ao administrador goral da casa da 
moeda que, terminada a amoedapào dos 60:000^000 réis em prata, cuidasse com a 
maior urgencia na cunhagem da dita moeda. de cobre ^. 



' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. iix—À—fol. 22. 
' Diario do governo de 2 de setembro, n.» 206.— Doc. comprovativo n.» 291. 
' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xv, fot. 93 v. e 115 v. 
*,ldem, liv. xvi-A, fol. 47 v. e 80. 
» Idem, liv. xvn-A, fol. 22 e liv. xvii-B, fol. 19 v. 

• Idem, liv. xvn-A, fol. 39 v. 
' Idem, fol. 88 V. e 1 18 v. 

• Idem, liv. xvii-B, fol. 107. 

• Idem, liv. xvn-A, fol. 119 v. 

TOMO II 13 



194 

governo coulralou em 21) de selembro com James Oring o fornecimento de 2U 
toneladas de cobra rosa, de qualidade noaleavel, em chapas de doze pollegadas de 
compriraento, sete de largura e cinco oitavos de pollegada de grossura, devendo o 
seu Gusto ser calculado pelo prepo que tivesse o dito metal no dia do embarque, ad- 
dicionando as despezas do soguro, frete e a commissào de 2 ^/i por cento*. 

Desde 1846 a 1852 cunharam-se 227:308(51565 réis em moedas de cobre; fabri- 
cando-se, so no anno de 1847, 138:818 arrateis, que produziram em moedas de tinte 
e de dez réis a quantia de 50:245<J360 réis'. 

Moeda de bronza 

Durante o cerco do Porto as diOiculdades financeiras obrigaram o regente a fabri- 
car a moeda de bronzo, que dava urna senhoriagem muito superior à de qualquer ou- 
tro metal, lavrando-se em 1833^ n'aquella cidade, moedas de quarenta réis, n."3, 
que chegaram a entrar na circulapao, e comò ensaios o viìUem,n.^ 4, e os dez réis e 
cinco em cobre, n."' 5 e 6. Os patacos sao faceis de disUnguir por terem a parte supe- 
rior do escudo terminada em bicos, que sobresaem lateralmente, e a legenda do re- 
verso està assira disposta, UTILITATI PUBLICLE, comò se usava nas mesmas 
moedas antes da alterapào feita pelo governo intruso. 

Depois da entrada do exercito libertador em Lisboa tratou-se logo de fazer cunhar 

moeda em nome da Senhora D. Maria II, e no Qm do anno de 1833 estava em activì- 

dade a cunhagem dos patacos, similhantes aos de D. Miguel, com a mudanpa apenas 

do nome; o n.^ 13 foi lavrado por essa epocha. total das moedas de bronzo feitas 

n'esse anno produziu 65:952^580 réis, empregando-se 117:986 arraleis de metal, 

no custo de 21:720^470 réis, Qcando a favor da fazenda, captivo do feitio, réis 
44:232^110 3. 

Tanto no livro de registo da casa da moeda, comò na sua estatislìca impressa, que 
nào combinam entro si, vera juntas as moedas de bronzo lavradas no anno de 1833 
pelo governo intruso e as que se fizeram era nome da rainha. 

Dos fins de 1833 era 'diante as armas do reino forara postas em sentido inverso à 
marca do valor; mudanpa que causou suspeitas no publico, e deu origem ao annuncio 
de 10 de novembro de 1837 para garantir a altera^ao feita ^. annuncio declara te- 



* Ardi, da casa da moeda de Lisboa, rcg^isto goral, liv. xviii-À, fol. 55 v. 

* Vide a Eslatislica das moedas de oiro, prata, cobre e bronze que se cunharam, otc. no ùm dos 
doc. comprovativos. 

' Arci), da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xiv, foL 169. 

* Ili."»» Snr. Por bem do Publico, rogo a V. S.» haja de inserir no Diario do Governo, por tres dijs, 
incluso annuncio. Dcos Guardo a V. S.' Lisboa e Gaza da Moeda dez de Novembro de 1837. — Escri- 
vào servindo de Provedor— Fernando José Maria dos Santos —IH."" Snr. Rcdactor do Diario do Governo— 
Constando na Gaza da Mocd& que se tcm duvidado acceitar as moedas Icgaes do bronze do valor de 
quarenta réis ali fabricadas dcsdc os flns do anno de 1833, até ao de 1835, em razào da dìlTerenga que 
n'cllas se encontra a respeito das anteriorcs, quando se voltam no sentido horisontal (dìflerenga a que 
vulgarmenle se cliama ter as armas às avessas), cumpre-me declarar para conhecimento do publico 
que està altera^ào foi scguida por ordem de Sua Magestade Imperiai o Senbor Duque de Braganca, nào 
devendo por esse motivo deixar de se roceberem, urna vez que nào occorra algum outro que indiquc 
suspeita de nào sereni amoedadas ncste oslabclecimcnto. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgislo 
goral, liv. xvi-n, foL 20 e 25.) 



195 

rem-se lavrailo aiiula paUtcoa no anno de 1835, o quo nào concorda coni 'àV^mw oulro 
documenlo. 

Era portaria de 25 de Janeiro de 1834 ordenou-se a casa da raoeda que recebcsse 
do banco de Lisboa 1 :403;$200 réis em nooedas de bronze Talsas, a fini de as Tazer re- 
cuDhar segundo o padrào estabelecido ^ 

A 6 de dezerabro deu-se ordem ao provedor da casa da moeda para fazer aprora- 
piar com urgencia 4:800^000 réis era moedas de cobre (?) de quarenta réis cada urna ; 
mas antes de a executar ponderou o mesrao provedor os graves inconvenientes de se 
fabricar tal moeda de bronze, acrescendo n'aquella occasiào ter de parar o lavor do 
oiro e prata, que se reputava tao necessario na circulapào; e que exislindo ainda nos 
cofres da casa 3:000/^000 réis era patacos^ se poderiara requisitar, comprando no de- 
posito do banco de Lisboa o restante, para preencher a quanlia pedida na dita especie 
de moeda *. 

A portaria de 18 do raesmo mez e anno declara que a raoeda mandada apromptar 
era deslinada para os Apores, mas que em vista das rasoes expendidas se suspendesse 
acunhagem do bronze, iicando a quantia existente nos cofres da casa da moeda a dis- 
posipao do ministerio da fazenda ^. 

No decurso do anno de 1834 cunharam-se na casa da moeda 35:395 arrateis de 
bronze que produziram 489:458 patacos na importancia de 19:578/^320 réis ^. 

A lei de 24 de almi de 1835 (arligo 9.°) prohibiu o lavramento da raoeda de 
bronze '. 

A portaria de 4 de agosto do raesrao anno ordenou ao provedor da casa da raoeda 
que informasse quaes os signaes por onde se reconheciam as moedas de quarenta réis 
falsas, ao que respondeu que pela multa variedade das ligas do metal era impossivel 
designarem-se os fabricados n'aquellas olficinas; que os abrìdores declaravara reco- 
nbecer as suas moedas pelos punpoes que tinliara gravado, nào cx)rabinando estes de 
fórma alguma com o cunlio das falsas, por ser multo diflicil aos falsiflcadores fazerem 
urna perfeita imitapao ^. 

ministro nào se deu por satisfeito, ordenando na portaria de 14 do mesrao raez 
e anno que se tornassera mais explicitos os signaes dos patacos falsos, para o publico 
facilmente os distinguir. A resposta era diOlcil, e nào foi mais positiva; os abrìdores 
insisliram, comò no melhor caracleristico de falsidade, na falta de combinapào do de- 
senho da moeda com o do respectivo punpào ^. Este melo de verìOcapào tomava-se ira- 
pralicavel, pois nera os punpoes podiam ir a todas as terras do reino, nera todas as 
moedas suspeitas vir a Lisboa; o que darla era resultado iraraensos processos, e 
grande morosidade em assumptos que tinhara de ser julgados de momento. 

As representapoes, pedindo providencias que obstassem a introducpào da raoeda 
de bronzo falsa, eram repelidas por parte das differentes auctoridades adrainistrati- 
vas, propondo, entro outros arbitrios, que se flzesse recolher a casa da raoeda todos os 
patacos falsos para se fundirera e recunharcra; que se noraeasse urna comraissào para 

* Arcli. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto goral, liv. xiv, fol. 15C. 

* Idem, liv. XV, fol. 5 v. 
' Idem, fol. 6 v. 

* Vid. a EslcUislica no flm dos dee. comprovativos. 

* Impresso avulso, doc. comprovalivo n.* 269. 

* irch. da casa da moeda do Lisboa, roffi.<(o gcral, liv. xv, fol. 40. 
' lUom, fol. 41 V.C 42. 



196 

rcver toclas as moedas de bronze, mandando inutilìsar as falsas ; que se subslìluìss^'m 
as moedas actuaes por outras de maìor peso, e muilas providencias ainda mais dilS- 
ceis de levar a execupao. 

provedor da casa da moeda, tendo sido consultado, respondeu, que o governo, 
emittindo a moeda de bronze, pozera em circulapào urna moeda falsa, cujo valor intrin- 
seco e feilio regrulava por melade do prefo nominai; quo nào tendo os parliculares 
meio, ou devendo suppor-se que o nào tinliam, de distinguir a moeda falsa da verda- 
deira, havia a obrigapào de se Ihe pagar toda a que apresentassem, quando se nào 
provasse serem os introduclores ou falsificadores; quo a moeda de bronze era una fla- 
gello para o commercio, cujos males deviàm crescer em proporr ào superior à demora 
que houvesse em a retirar da circulapào, tornando-se por isso urgente exlinguil-a; 
que uma grande parte d'està moeda existia espalhada pelas classcs pobres, para qucra 
era um vexame eslar em desembolso d'ella por muito tempo; que o Irocal-a por ouira 
moeda seria cortar o mal pela raiz, se o Ihesouro comportasse o dispendio de 3 mi- 
lliòes, quantia a que se suppunha monlarem os patacos em giro; que havia oulro 
meio, nào tao radicai, mas que attcnuaria os males e diminuiria a imporlapào da 
moeda falsa, por baixar os lucros talvez 100 por 100, que consislia era mandar reco- 
Iher toda a moeda de bronze, pagando-se metade do seu valor em oulra moeda, e o res- 
tante com a propria moeda recolhida, quo de novo seria emittida no prepo de 20 réis, 
precisando-se n'este caso apenas de 600:000^000 réis; que exlinguindo-se de todo os 
patacos, seria necessario crear outra moeda para trocos e pequenas Iransacfòes, e 
n'este caso optava pelo meio tostilo em prata e o vinlem em cobre; e que. Anal- 
mente, qualquer expediente que se tomasse, se devia executar rapida e simultanea- 
mente em lodas as terras do reino, para evitar, alem de o'utros inconvenientes, mais 
introducpào d'està moeda falsa; e no caso da reducpao do seu valor, poderia a raesraa 
moeda figurar duas ou mais vezes na Iroca *. 

governo, cada vez mais embarapado com as repetidas reclamapoes centra a 
moeda de bronze falsa, e para facilitar o curso à verdadeira, tornou ainda a ordenar 
ao provedor da casa da moeda que formulasse com a maior exactidào os signaes ca- 
racterislicos para de prompto se conhccerem os patacos falsos. A resposta, que tem a 
data de 6 de dezembro de 1837, é baseada na auctoridade dos dois abridores de et- 
nhos Francisco de Borja Freire e Luiz Gonzaga Pereira, que declararam ser muila a 
variedade nos desenhos e gravuras dos cunhos falsos da refenda moeda, tendo elles 
peritos observado, que os signaes por onde melhor se conhecia era pelo aspero do cir- 
culo da sarrilha, pouca expressào docunho, sondo a maior parte das moedas concavas, 
e muilas com o cunho do reverso posto ao antigo uso e nào invertido, confonne as or- 
dens de Sua Magestade Imperiai. Quanto à legenda UTILITATI PUBLICE ha- 
via deixado de se usar desde 1828 até 1834, substituindo-se pela de PU ELICE 
UTILITATP. 

As portarias de 26 de setembro de 1838 e 15 de fevereiro de 1839 consultaram 
novamente o provedor da casa da moeda sobre as providencias que convinha adoptar 
arespeito da moeda de bronze de 40 réis', ao quo elle assira respondeu a 25 do ultimo 



' Ardi, da casa da moeda de Lisboa, liv. xvi-B, fol. l. 

' Idem, liv. xvi-A, fol. 25 v. N'csla declaracào nào sào incluidos os patacos cunhados dorante o 
cerco na cidade do Porto cm 1833, que téem inscriplo comò os aniigos — UT! IJTATI PljBLlCJE. 
' Ardi, da casa da morda de Lisboa, rovisto ^'(M-al, liv. xvi-A. fol. 48 v. 



1&7 

mez e anno: . . . «que lodas as vezcs que por lei correin raoedas de dilFeronles nic- 
taes, se flxa o seu valor relativo, e 6 permitlido fazer pagaraenlos coro qualquer d'es- 
sas raoedas indislinctamenle ; se o valor altribuido a raoeda de um dos raelaes é su- 
perior ao seu valor intrinseco, està vera a tornar-se o unico melo circulanle. Foi islo 
que succedeu no Brazil com a raoeda de cobre, e nos Afores com a raoeda de bronzo 
fabricada na ilha Terceira (malucos); e se nào acontece o raesrao com a raoeda de 
bronzo de 40 réis, isto 6, se ella nào é (felizraenle) a unica que circula no reino, é 
devido principalmente ao uso que se introduziu no coraraercio de nao se admittir nos 
pagaraentos mais de ura terpo n'esta raoeda, e era parte a repugnancia que ha era a 
acceitar, sobretudo fora de Lisboa: nào deixo de ter era visla, que para isso podia con- 
correr multo nào ser a quanlidade de raoeda de bronzo eraittida sufficiente para sa- 
lisfazer as necessidades do coraraercio; mas estou persuadido que para esse eCTeito 
nada ou rauito pouco concorreu ; porque supponho supprida a falta da quantidade de 
raoeda precisa para as transacfoes coramerciaes pelas grandes somraas de raoeda 
falsa era cìrculafào, e pela enorrae quantidade de notas do valor de 4j5800 réis, co- 
niiecidas pelo norae de notas de cobre, que sào pagas a vista era raoeda de cobre 
ou bronzo, eraittidas pelo banco de Lisboa e pela adrainistrafào do tabaco; eraissào 
cuja legalidade e conveniencia publica deve, segundo entendo, raerecer a seria atten- 
fào do governo de Vossa Magestade, parlicularmente nas actuaes circurastancias flnan- 
ceiras de Portugal. grande peso da raoeda de bronzo tarabera podia ter influido 
alguma cousa para liraitar a sua circulapào, porque torna o seu Iransporte incoramodo 
e dispendioso; raas é provavel que lenha influido rauito pouco para isso era conse- 
quencia da eraissào das notas de cobre era que fallei, cujo transporle é rauito facil. 

«A desproporpào entre o valor norainal e o intrinseco da raoeda de bronzo, que 
deixa ao fabricante d'està raoeda ura lucro de 100 por 100 pelo menos, e a faculdade 
de fazer pagaraentos, ou antes a terpa parte d'elles, cora raoedas d'està ospecie, que 
estende a sua circulafào, e torna por consequencia necessaria uraa quantidade raaior 
d'ella, juntaraente com a facilidade da sua fabricapào, lem sido, e conlinuam a ser a 
causa da introducpào de raoeda falsa, e d'està introducpào nasce a desconflanpa e a 
repugnancia era acceitar raoeda de bronzo, e d'isto resultara erabarapos ruinosos ao 
commercio e à industria. 

«A importancia de toda a nioeda legai, que se erail tiu, ha de andar por 1 .200: OOO^jiOOO 
réis, porque d'està casa sairara 1.179:899j$580 réis, e na cidade do Porto, durante o 
silio, cunhou-se urna porpào de raoeda de bronzo, cuja iraportancia nào consta n'osta 
reparlifào, mas presumo ser rauito pequena. 

«Do que fica exposlo facilraente se concine que a circulapào da raoeda de bronze 
de 40 réis é um mal mui nocivo aos inleresses da napào; que oste raal se vae aggra- 
vando todos OS dias com a sua continuapào, e que é por consequencia de absoluta 
necessidade acudir-lhe com reraedio promplo e efficaz. 

«0 reraedio mais prorapto e cflicaz é sera queslào o relirar quanto antes da circu- 
lafào loda a raoeda de bronze, dando era troca d'ella outra raoeda; raas para osta opc- 
racào sào necessarios 1.200:000?5000 réis, que attentas as circurastancias do Ihesouro 
publico, provavelraenle se nào poderào obter cora a proraptidào precisa; alera de quo, 
para occorrer a falta que na circulafào ha de fazer a raoeda de bronze, deve entrar 
n'aqucUa soraraa uraa quantidade consideravel de raoeda pequena no valor, quanli- 
dade que nào se encontra na circulap ào, e que levarla rauito te^rapo a cunhar. que 



108 

na minha opiniao convein Tazer ó diminuir o valor da mocda de bronzo, pagando aos 
possuidores a differenza corrcspondentc a 40 réis e ao novo valor de cada moeda, e 
limitar o direito de pagar com està moeda depois de reduzido o seu valor. 

«Póde-se reduzir o valor de cada moeda de bronze a 20 réis, e determinar: 
1.°, quc seja permillido pagar em moeda de 20 réis qualquer somma inferior ou igual 
a l?SOOO réis; 2.°, quc em pagamento de qualquer somma quc exceda a 1^000 réis 
ninguem seja obrigado a receber n'esta moeda mais de 1^000 réis ou da decima parte 
da somma quc se houver de pagar, à escolha de dcvedor. Por oste modo se conseguirà 
approximar o valor nominai da moeda de bronze do seu valor intrinseco ; diminuir tic 
100 por 100 lucro dos introductores de moeda falsa, o quc provavelmente farà ces- 
sar a sua inlroducpào ; minorar o inconveniente de se poderera fazcr pagamentos le- 
gaes com moedas de metacs differentes, e tornar mais facil a suppressào completa de 
loda a moeda Tie bronzo (o quc se deve fazcr logo que seja possivel), porque fica re- 
duzido a metade o valor total da que anda em circulapào, e dà-se o tempo necessario 
para cunhar a quantidade da moeda de pequeno valor precisa para supprir a falla da 
moeda de bronze. 

«Para realisar a rcducfào proposta sào necessarios 600:000^000 réis em qualquer 
mooda ; e comò o Ihesouro nào póde naturalmente dispensar està somma, parece-me 
quc governo deve procurar ser habilitado pelo banco de Lisboa (que ha de ter inle- 
rosse em que està operapào so fapa) ou por outra corporafào ou individuo com os 
melos necessarios para a levar a effeito. 

«No caso que o banco se recuse a auxiliar o governo, ou o pretenda fazer com 
condif oes inadmissiveis, e que o governo nao possa obter os melos necessarios de ou- 
tro modo, sou de parecer que, attendendo à necessidade absoluta de tornar providen- 
cias ofljciaes que alalhem o gravissimo mal que està causando a existencia da moeda 
de bronze, é indispensavel : 1 .**, que o governo seja auctorisado a emittir 600:000^^000 
réis em notas de differentes valores desde 1??000 até 5/5000 réis, que sejam recebidas 
pelo seu valor nominai em lodas as repartipoes do estadO; e pelos particulares na tcrpa 
parte dos pagamentos; 2.°, que se estabelepam meios de amortisar estas notas dentro 
de um até dois annos; 3.°, finalmente que se prohiba a circula^ào das notas chamadas 
de cobrc e a emissào de outras quaesqucr da mesma natureza. 

«Póde succeder que eslas notas venhara a soffrer desconto, raas e provavcl quc 
olle nào seja muilo grande, e quando o seja, oste fnal é preferivel ao que està causando 
a circulapao da moeda de bronze. 

«Qualquer quc seja o plano que se adopte para levar a effeito a operapao indicada, 
loda a moeda de bronze lem de ser recolhida ao mesmo tempo em todo o reino nos 
cofres do governo, no valor de 40 réis cada moeda, para poder depois ser emitlida 
na de vinte réis; e comò supponilo do nào ser das intenfoos do governo que a mocda 
falsa seja recebida do mesmo modo que a verdadeira, é necessario que no acto do rc- 
cebimento da moeda de bronze ella seja examinada por pessoas que saibam bcm dis- 
linguir a verdadeira da falsa *.» 

Estes alvitrcs era que insistiu cada vez mais desenvolvidamenie o sr. Antonio Ca- 
brai de Sa Nogueira, entào preveder da casa da moeda, deviam encontrar na pratica 
serios embarapos. Como distinguir no acto da reccppào em todos os cofres publicos 
OS palaros falsos, quando na propria casa da moeda havia difficuldadc em cstabeloror 

' Arrli. da ca«;a da mooda do Lisboa. roKìslo (joral. liv. \vi. Tol. CtT^ \. 



199 

OS seus caracleres differenciaes, corno consta das declarafòes olliciaes anteriormente 
extractadas? mcsmo funccionario, informando, em31 de dezembro do refendo anno, 
sobre o destino de urna porpào de moedas de bronzo e cobre (203^675 réis) apprehen- 
didas a diversos individuos comò falsas, e que por ordem superior Ihe remetteu a al- 
fandega grande de Lisboa, diz que entro algumas reconhecidamente falsas encontràra 
moedas verdadeiras, sondo parte rauito gastas, e que por isso estas nào estavam sujei- 
tas àpenalidade de perda, devendo restituir-se a seus donos, caso fosse possivel conhe- 
cel-os, todo valor nominai; e que aos possuidorcs das falsas assistia o direilo de se- 
rem indemnisados do valor intrinseco, por se nào poderem considerar falsiQcadores da 
moeda ou passadores ^ 

governo resolveu se entregassem n'esta conformidade os ditos valores a quem 
provasse que Ihe pertenciam ^. 

A moeda de bronzo falsa introduziu-se no reino em larga escala; em 1842 foram 
apprehendidas pelos eropregados da alfandega da Barca de Alva duas cavalgaduras 
maiores carregadas com oito sacos, contendo o valor nominai de 305^440 réis em 
7:636 patacos vindos de Ilespanha. 

Pensando o governo em cunhar grande porf ào de moeda de cobre para com a sua 
senhoriagcm resgatar a de bronzo, fez-se na casa da moeda o seguinte calculo no la- 
vor de 1:000^000 réis em cobre. 

Gusto do metal 460^300 réis 

Despezas da amoedafao 128^860 » 

589^160 » 



Ficavam por conseguinte a favor da fazenda 4 1 0^840 réis, quantia com que se com • 
pravara Ì0:21\ patacos, devendo pesar 786 arrateis approximadamente, os quaes re- 
duzidos a barra produziara, a 100 réis cada arratel, 78/5(600 réis, e abatida apenas 
a despeza de 8^190 réis da fundipào, deixavam liquido 70^410 réis. 9 calculo foi es- 
tabelendo na hypothese de se fabricar uma grande partida de cobre, o que se tor- 
nava mais economico, e suppondo que as moedas fossem de d^z réis, pois as de 
cinco, pelo augmento de trabalho, davam menos resultado ^. 

Quando se julgava terminada a emissao da moeda de bronzo, que ameaf ava tor- 
nar-se o unico metal circulante nos mercados do reino, produzindo fataes resultados 
para o commercio interno e externo, a junta do Porto em 1847 tomou a lanpar mào 
d'esle recurso pecuniario, fazendo fabricar nas officinas de Joao Baptista Moreira 
•221:244 patacos, na importancla de 8:849^5760 réis. 

Estas moedas, n.^ 27, que apenas se differenpam das cunhadas em 1834 pelo anno 
marcado e por estarem as armas do reino na mesma relafao do reverso, comò as anti- 
gas, foram prohibidas por decreto da rainha de IG de marpo de 1847 *; e terminada a 
Iuta, mandaram-se recolher e contramarcar com as lelras G. C. P. (governo civil do 
Porto) para terem curso legai ^. 

' Arch. da casa jla moeda do Lisboa, rcgìslo frcral, liv. xvi-R. fol. 89 v. 
' Idem, liv: xvi-A, fol. 62 v. 

• Idem, liv. xvii-A, fol. 3G e xvii-B, fol. 31 v. 

' Diario do Governo de 17 de marco, n.« 05. Doc. comprovalivo n." 281. 

* Aprescntaram-se para sercm carimbados 219:420 palacos; qucbraram-se ao imprimir a marca 
1-Ì37, e flcaram por marcar G78. Os utensìlios d*esta casa de moeda rccolberam à de Lisboa por or- 
flom do froverno em dozombro do 1849. comprcbcndondo om oito volumos dois balancés com todas 



200 



Moedas para as Ilhas 



r»r 



A junta provisoria que governou a ilha Tercoira era nome da Senhora D. Maria li, 
pela escassoz de mcios pecuniarios para supprir as grandes despezas feitas coro a guar- 
nipSo militar, creou em 1829* na cidade de Angra uma officina monetaria, onde se 
reduziram a dinheiro os sinos dos conventos, fundindo-se na areia moedas obsidio- 
naes com o valor de oilenia réis, e que em 21 de maio subiram a cem'^. n.^ 28 é 
a copia de um d'esses exemplares, denominados vulgarmenle malucos; todos téera 
marcado o anno de 1820, e o seu peso varia de 5 a 7 oitavas. modelo cunkado em 
cobre, exisle actualmente na collecf ào de Sua Mageslade, e foi offerecido a El-Rei pelo 
sr. duque de Loulé. 

Extincta a junta provisoria, a regcncia sanccionou em 5 de abril de 1830 a emissào 
e curso d'està moeda de bronzo ^; e pela porlaria de 14 de maio, attendendo a falla de 
numerario, mandou imprimir cedulas representando o valor de 500', 250 e lOO réis, 
para se fazerem os pagamentos por conta do thesouro, devendo circular'no mercado 
comò moeda metalica insulana, incorrendo nas penas da ordenanpa as pessoas que a 
recusassem ou falsiflcassem ; e estas cedulas seriam resgatadas por moeda sonante, 
sera desconto nem diminuii ào alguma, avisando-se previamente por editaes o dia em 
que havia de comepar o pagamento *. 

Em 15 de junho a commisàào encarregada da administrapao da fazenda publica 
dirigiu à regencia um relatorio sobre o paj)el moeda nos Apores. Depois de historiar 
as disposifoes do alvarà de 8 de Janeiro de 1795^, diz que as portarias da extincta 
junta de fazenda de 12 de abril e 30 de dezembro de 1829 tinham posto em circulafào 
39:600>^000 réis nos bilhcles de 7^200 e 4^800 réis, que, juntos aos 129^600 réis, 
que haviam ficado sem se resgatar, sommavam 39:729;$600 réis; e^que no dito anno 
de 1829 a junta provisoria, que entào governava em nome da rainha, emitlira novas 



as pccas prccisas para a cunliagem, dois cylindros, duas sarrilbadciras, uma corfadeira, oito carimbos 
(provavcl mente os que scrviram para marcar os patacos no governo ci vii do Porlo), treze cunhos para 
moeda de bronze^ varias porgoes d'cstc metal e de cbapas de cobre, cortadas com as dimensdes das 
moedas de viale e dcz réis, cspecies que a junta tìnba tcn^ào de mandar fabricar (Àrch. da casa da 
moeda de Lisboa, liv. xviii-B, fol. 83 e 86.) 

' A Junta Provisoria, Encarregada de Mantcr a Legitima Auctorìdade da Rainba a Senbora Dona 
Maria Segunda e da Carta Consti tucional, outborgada pelo Scnhor Dom Pedro 4.** Manda declarar à 
Junta da Fazenda Publica d'està Provincia, que tendo-sc felizmente conseguido o meUior resultado dos 
trabalbos da Casa da Moeda, se acba jà Tabricada bua nào pequena porgào de dinbeiro de Bronze, cm 
moedas de oitcnta róìs, o qua! vai ser entroguc na Tbesouraria Cerai, para entrar em giro: pelo que 
a refenda Junta iìcando-o assim eutendendo, receberà toda e qualquer quantia, que do sobredito està- 
bclccimento Ihc for cnviada com guia assignada pelo Preveder Tbeotonìo d'Omelias Bruges Avilla, e 
procederà a todos os assenlameiitos precisos. Secretarla da Rep.*" da Fazenda em Angra 7 de Mayo de 
\S29. — Pedro tìomein da Costa Noronha. 

Acta n.° 1G8. — Reso!u(?òes do Governo na sessào de 21 de Maio de 1829... Passa de lioje em 
d'ante a nova moeda bronze de 80 réis ao valor de 100 réis, nào obstante o tipo.. . Approvada com as 
rubricas dos Ex."" Cabreira — Ferraz — Torres — Ornellas — Noronba — Alexandre Martins Pamplona. 

Manda a Junta Provisorìa, em Nome da Rainba a Senbora Dona Maria Segunda, participar a Junta 
da Fazenda Publica d'està Provincia, que tcm deliberado, para ter a dcvida exccuQào d'boje em diante; 
corra dinbeiro de bronze de 80 réis fabricado na casa da Moeda. pelo valor de 100 réis cada bum, 
nào obstante a descripcào do scu tipo. Secretarla de Fazenda cm Angra, 21 de Maio de 1829.— Pedro 
lìomem da Costa Noronha. 

* Doc. comprovativo n." 247. 

* Idem n.« 248. 

* Vi<l. pajr. i 17 d'osto tomo e o doc. comprovativo n." M. 



201 

apolices (le 2^400 e Li$200 réis, fazendo um total de 3:360^000 réis, o que dava em 

giro: ,. 

Valor dos bittetes, que ficaram em circula- 

pào depois de marpo de 1828 129^600 

Valor dos bilhetes emitlidos pela junta de 
fazenda em 1829 39:600^000 

Valor das apolices creadas pela junta pro- 
visoria em 1829 3:360j5iOOO 43-089^600 

Valor dos bilhetes que estào reservados nos cofres da 
fazenda publica 200:270j5!400 

Total 243:360^5000 

iV. B. D'estes bilhetes tinham vindo do erario 240:000^000 réis, e haviam sido 
creados nos Apores 3:360^5000 réis. 

Em vista d'està exposipao a regencia deterrainou: 

1.® Que no praso de oito dias a raesma commissào, na presenpa do senadò da 
camara da cidade de Angra, flzesse queimar publicamenle na sala das suas sessoes 
OS bilhetes depositados nos cofres no valor nominai de 200:270^400 réis, lavrando-se 
competente auto, assignado pelos membros da commissào e pelo presidente, verea- 
dores e mais offlciaes da camara que estivessem presentes, raencionando-se o numero, 
especie e valor dos bilhetes. 

2.® Que se cstampassem com todas as cautelas novas apolice3 de 2^5400, 1^5200, 
600 e 300 réis, até a importancia total de 43:089^600 réis, assignadas por dois mem- 
bros e pelo secretarlo da tommissào, para com ellas se substiluirem os bilhetes em cir- 
culapào; e concluidos esles trabalhos e terminado o praso de trinta dias consecutivos 
aDnuQciados por editaes para as trocas, todos os bilhetes flcariam sem valor algum; e 
loda a pessoa que d'elles flzesse uso comò papel moeda, incorreria nas penas dos que 
fabricavam moeda falsa. Findos oito dias, depois de terminado o praso, todos os bi- 
lhetes que tivessem entrado nos cofres da commissào, em troca das novas apolices, 
seriam queimados com as formalidades ordenadas no arligo 1."; e no mesmo acto e de 
igual modo se destruiriam as novas apolices que houvesse de sobejo, por se nào haver 
apresentado numero igual dos bilhetes para troca. 

3.° A amorlisapào dos bilhetes e apolices em circulapao seria feita graduai e suc- 
cessivamente, consignando-se para isso a verba de 1 : 000(5000 réis mensaes, e queiman- 
do-se igual quantia dos sobreditos bilhetes ou apolices no ultimo dia de cada mez, ou no 
dia seguinte, sendo aquelle feriado, comepando a sua execupào em julho immediato. 

4.® A regencia deu comò hypotheca todas as rendas publicas, impostos e direitos 
da ilha Terceira. 

5.^ Tanto os bilhetes que entào circularam, comò as novas apolices por que ha- 
viam de ser Irocados, deviam correr e ser recebidos em todas as transacpoes da fa- 
zenda publica e dos particulares pelo seu valor nominai, nào flcando comtudo pessoa 
alguma obrigada a receber nos ditos bilhetes ou apolices mais da metade da somma 
a cobrar ; e os contratos feitos fora d'eslas condipòes repular-se-iam nullos; assim comò 
aquelle que recusassc receber os bilhetes ou apolices, na fórma determinada, flcaria 
incurso nas penas estabelecidas centra os que engeitavam a moeda real *. 

' Hdc. comprovalivo a." 249. 



202 

fabrico da moeda de brooze foi mandado cessar em Angra a 16 de junho de 1830, 
por se considerar sufficiente a quanlidade emillida^* 

Constando a regencia haver irregularidade na maneira de effectuar os pagamentos 
das arrematapoes por conta da real Tazenda, ordenou em 1 de jùnbo de 1831 que, nào 
havendo ordem em contrario, taes pagamentos se fizessem du(is tercas partes empa- 
pel e urna era metal *. 

Dando-se comò prclexto que a moeda de bronze em circulapao nào bastava para 
as necessidades do commercio, Toi encarregado o inspector do arsenal Antonio José da 
Silva Leào de continuar com urgencia os trabalhos da Tundipào das dilas rooedas. 
corno consta do decreto da regencia de 27 do mesmo mez e anno ^. 

Em 1 7 de setembro foi prohibida a cntrada nas ilhas de qualquer porpào de moeda 
de cobre estrangeira, fosse de que na(ào fosse, devendo ser retida^ até ser reesportada 
para fora dos dominios portuguezes, a que fosse encontrada nos na\ios que aporlassem 
aos Apores *. 

Nào tardou a manifestarem*se no commercio d'aquellas ilhas os gravcs prejuizos 
daemissào dos 1 11:000(91000 réis nas moedas obsidionaes de bronze; aiem d'eslas, 
andavam igualmente em circulaf ào, sem se poderem distinguir, grande numero de ou- 
tras falsas, fabricadas nais mesmas ilhas e nos paizes estrangeiros. seu valor intrìn- 
seco era insignificantissimo em relapào ao nominai, e para terminar similhante flagello 
assignou-se em Ponta Delgada, a 9 de junho de 1832, um decreto mandando cessar 
d'aquella data em diante o curso das ditas moedas de bronze de ceni réis. decreto 
estabeleceu o modo de execupào e o rendimento d'onde havia de sair a indemnisa(ào 
aos possuidores das moedas de bronze, incumbindo de dirigir e flscalisar estes traba- 
lhos a commissdo encarregada de liquidar as dividas do eskido nas illias dos Acores^ 
coadjuvada pelas camaras, provedores e commissoes Qliaes ^. 

decreto de 20 de agosto declarou que a moeda de oìro ingleza soberano, e a de 
prata hespanhola peso duro, tinham curso legai nos Apores ; a primeira por 5^775, e 
a scgunda por 1(51175 réis insulares^ 

A 7 de dezembro do dito anno decretou-se que a commissào creada na mcsma 
data para fazer um emprestimo nas ilhas dos Apores, resgalasse as moedas de bronze 
de cem réis, applicando para este firn a quantia de 40:000/$000 réis em dinheiro cor- 
rente, passando pelo restante titulos com o juro de 3 por cento, comò os oulros titulos 
de divida publica. 

Eslcs pagamentos eram para indemnisafào da differenpa entre o prepo de cem 
réiSy que a moeda de bronze tinha, e o de quarenla réis, valor legai com que conli- 
nuava a correr, devendo està operapào eslar concluida impreterivelmenle no praso de 
Irinta dias depois de installada a commissào, e findos clles as sobredilas moedas nào 
circulariam por mais de quarenla réis ^. A cxecupào dos dccretos para a extincfào 
da moeda de bronze iavrada cm Angra encontrou na pratica grandcs difficuldades. 

alvarà passado na cidade do Porlo em 9 de abril de 1833 auctorisou o prefeilo 



' Doc. comprovalivo n." 250. 
- Iilem n/ 253. 
" Idem n.** 254. 

* Idem n.*» 255. 

* Idem n." 25(>. 

* Idem ns 257. 
' Idem n." 258. 



203 

(la provincia das ilhas clos Apores a fazer cunliar a prata dos cxtiactos conveotos, quc 
cxistia era deposito, era cruzados novos, doze virUense tres virUens, pela raaneira 
mais conveniente aos inteiesses da fazenda publica; e quanto às raoedas de bronze de 
ceni réiSy deterrainou'que depois de fundidas, e obtido ura metal homogeneo, se redu- 
zissem a raoedas de cincoeìUa réis, sirailhantes aos palctcos cunhados era Lisboa. Alem 
d'eslas era permittida a emissào de quaesquer outras raoedas que se julgassera ne- 
cessarias para facilitar as transacpoes e extinguir as raoedas de bronze de cem réis *. 
Da raoeda de prata nào consta que se chegasse a lavrar exeraplar algura, e de bronze 
Dzeram-se doìs ensaios, ura de cincoenta réis, n.® 29, quc tera de peso 730 gràos, e en- 
tro de vinte réis, n.^ 30, cera 343 gràos, nào guardando relapào entre o peso e o va- 
lor. Eslas raoedas nào chegarara a ter curso. 

A emissào das raoedas de bronze de cem réis no valor de quarenta réis produziu 
graves (frabarapos no coramercio da ilha de S. Miguel, e para os deslruir decretou o 
regente era 31 de raaio de 1833, que nào corressera na comarca de Penta Delgada, 
ainda cera a reducpào delerminada na lei de 7 de dezerabro anterior*. 

decreto de 2 de julho, dando curso legai à raoeda de prata hespanhola nos Apo- 
res, marcou o valor de 1^5(200 réis às patacas^ de 600 às meias pataeas ; de 250 às sar- 
rìlhas columnarias e 240 às nào coluranarias; 120 às meias sarrilhas e 60 réis aos 
quarlos de sarrilhaj sendo incluidas n'estas disposipoes as raoedas brazileiras de tres 
patacaSy que ficariara correndo por 1^200 réis ^. 

Era 16 de novembro foi annullado o decreto de 20 de agosto de 1832, e outro 
qualquer que tivesse dado curso forpado aos soberanos de oiro, aos pesos duros e às 
moedas brazileiras de tres pataeas, que d'aquella data era diante s6 seriara recebidas 
nas transacpoes, a apraziraento dos interessados, pelo valor intrinseco, corao se prati- 
cava Cora as outras raoedas estrangeiras *. 

Està raedida originou a representapào do recebedor goral da provincia occidental 
dos Apores, pedindo para continuarera a ter curso n'aqucUas ilhas as raoedas estran- 
geiras que estavara adraittidas, declarando-se, era portarla a 12 de raarpo de 1834, 
ao dito recebedor, que as disposipoes do decreto de 1 6 de novembro so erara appli- 
cavcis nas ilhas dos Apores à parte que dizla respeito à raoeda de oiro ingleza sohe- 
Tarn, devendo continuar era pieno vigor o decreto de 2 de julho de 1833, quanto ao 
giro das outras moedas estrangeiras^. 

A escassez da raoeda raetallica na ilha da Madeira tornava excessivo o cambio sobre 
liOndres, prejudicando multo ocoraraercio e a agricultura ; o valor de 4^120 réis, esta- 
belecido no reino à raoeda de oiro ingleza soberano, nào correspondia ali ao outro di- 
nheiro circulante, e por isso decretou-se era 10 de outubro de 1835, que tanto na ilha 
da Madeira comò na de Porto Santo a dita moeda valesse 4?51600 réis^. 

Nào bastando ainda estas providencias, ordenou-se, era 7 de dezerabro de 1836, 
que Tossem adraittidas à circulapào nas ilhas da Madeira e Porto Santo as palacas me- 
xicanas, pcruvianas, columbianas, bolivianns, chilienses, e de Buenos Ayres, no 
valor de 1^000 réis cada urna, corao tinhara na raesraa provincia as pataeas hes- 

' Doc. coinprovalivo n.* 259. 
' Idem n,» 260. 

* Idem n.» 261. 

* Idem n." 262. 

* Idem Ti." 263. 
' Idem n.'' 272. 



201 

panholas. Mandou-se tambera que tivessem curso legai as oncas de Hespanha por 
IfijJOOO réis, e n'um valor proporcional as meias oncaSy quartos e oitavos^. 

Desde 15 de maio de 1835 a 27 de fevereiro de 1836 entraram na casa da moeda 
de Lisboa 330 caixotes, dizendo-se conterem em moedas de bronze de cem réis (malu- 
cos) valor nominai de 44:760^ 190 réis, achando-se na veriflcapào apenas 44:520?S880 
réis*, fallando portante 239^310 réis. Os 63:684 arraleis que pesavam eslas moedas, 
flcaram reduzidos a 63:454 pela fundipao em barras, que foram arrematadas em lei- 
lao a 3 de julho de 1836 a Luiz Rodrigues Bellas por 75 Vi réis cada arralel, ou pelo 
valor total 4:774j$913 réis^. 

A 20 de agosto de 1836 recebeu a mesma casa mais 20 caixotes, contendo em 
moeda de bronze ìnsulana o valor nominai de 2:628f$240 réis, e a 18 de abril de 1831 
foram ali entregues mais 200 caixotes com 345 quintaes e 14 arrateìs da supprimida 
moeda de bronze de cem réis, provedor n'esse mesmo anno pediu auclorisacào 
para a reduzir a barras, e vender assìm o metal em leilào, o que Ihe foi concedido a 
23 de junho*. 

Para supprir nas ilhas dos Apores e Madeira a falla de trocos, cuidou-se na cunlia- 
gem da moeda de cobre, igual a que se havia fabricado no reinado de D. Maria l, e 
n'este senlido se recommendou na portarla de 3 de fevereiro de 1836 ao provedor da 
casa da moeda, que indicasse os melos mais faceis de se obler o metal preciso para 
essa fabricapào, ao que respondeu lembrando que se aprc^^eilasse o cobre das macu- 
tas, mandadas lavrar pelo governo intruso em 1831 para correrem na provincia de 
Angola, e que ainda se conservavam deposiladas n'aquella casa^. 

Em 27 de fevereiro parlicipou o mesmo funccìonario que se via obrigado a sos- 
pender OS trabalhos nas ofllcinas por falla de cobre; e que, exislindo n'aquella repar- 
tipào.63 caixotes de moeda insulana de cobre (?), alem de maior quanlidade que se 
esperava pela secretarla da marinba^ pedia a permissào do ir fundindo estas moedas 
em barras; e assim o approvou a portaria de 29 do refendo mez®. 

adminislrador geral do districlo de Angra renovou as inslancias para que fosse 
para ali remellida sufficiente porpao de dinheiro em cobre, enviando um typo para 
amostra, que julgava em condipoes de nào convidar a ser exportado d'aquellas ilhas, 
onde se sentia grande carencia de trocos. escrivào da casa da moeda, servindo de 

• Doc. comprovativo n.» 273. 

' Est<a somma nào corresponde ao vfflor de 100 réis, mas ao que tìnhap na primitiva, 80 réis, 
prego por que parecc baverem sido contadas, e n'este caso as moedas eram em numero de 530:011. 

• A.rch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xv, fot. 105 v. Angrense (n« 334, 33J e 
339, publicados no anno de 1842) extrabiu de documentos orilciaes as seguintes notas, com rcspeito à 
fundigào dos sinos dos conventos, mandada fazer pela Junta provi ;oria presidida pelo Dr. Joào Jose 
da CuDba Ferraz, para a factura da moeda de bronze —mcducos— que se comegaram a fabricar em 3 
de abril de 1829: 

96 Sinos de diversas parocbias, conventos e ermidas da ilba Terceira, com o peso de 1:401 arro- 
bas e 19V« arrateìs. 

41 Sinos pertencentes às igrejas do Fayal, pesando G61 arrobas e 20 arrateis. 

47 Sinos vindos das ilhas de S. Jorge, Pico, Flores e Corvo, que pesaram 545 arrobas e 27 7« ar- 
rateis. Total 184 sinos com 2:609 arrobas e 3 arrateis. 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xv, fol. 108, liv. xvi-A, fol. 6 v. e 11, e liv. 
XVI -B, foL 10. 

' Idem, liv. xv, fol. 75 v. 

• Idem, fol. 79 e 79 v. Parecc-nos haver engano no dizer moeda de cobre em vcz de raòeda dr 
bronze, pois foi està, e nào aquella, que o decreto de 9 de junbo de 183..', anteriormente citado, niandou 
tirar da circulagào e reco I ber à casa da moeda de Lisboa. 



205 

provedor, informou em 10 de junbo de 1837, que a proposta do adminislrador geral 
era de maior darano para o povo das ilhas que a mesma falta de trocos, pois sendo a 
tal raoeda de cobre muito fraca em relapao a de prata que ali eirculava, se d'ella se 
flzesse nova emissào, -facili taria a entrada da moeda falsa, o que se nào praticava por 
nào ser possivel imitar as moedas usadas; e corno remedio de moroentO; emquanto 
medidas legislativas nào reformavara o systema monetario das possessoes portugue- 
zas, lembrava se remetl^ssem para os Afores algumas moedas de cobre em circulapao 
no reino, para ali correrem com o augmento de vinte e ciuco por cento : os dez réis 
por doze e ciuco decimos, e os cinco réis por seis e vinte e cinco centesimos, ou elimi- 
nando OS quebrados, as primeiras por doze réis, e as segundas por seis, ou duas moe- 
das de dez réis por vinte e cinco réis *. 

Os alvitres do provedor interino nào foram acceitos, e em 14 de agosto mandou-se 
cunhar para as ilhas dos Apores, Madeira e Porto Santo 12:000^000 réis em moedas de 
cobre, sendo metade em vintens^ 3:000^000 réis em moedas de dez réis, e 3:000j$i000 
réis em moedas de cinco réis '. 

mesmo provedor ponderou, em 17 do mesmo mez, que para servir a nova ma- 
china na cunhagem d'estas moedas, seria preciso diminuir-lhes o diametro e augmen- 
tar-lhes a grossura, remetteudo n'esta conformidade os padroes, para a moeda de cobre 
insulana ficar, comò se Ihe hàvia recommeudado verbalmente, com a mesma differenpa 
de vinte e cinco por cento que tinham as de prata em relapao as do continente, pe- 
sando as de vinte réis 409 Vio gràos, as de dez réis 204 Vio e as de cinco réis 102 Vio 
gràos, produzindo assim cada arratel de cobre 450 réis, para o que se precisava uma 
lei que auctorisasse està alterapào no peso ^. 

A portarla de 19 de setembro de 1838 ordenou ao provedor da casa da moeda, 
que remettesse para o ministerio da fazenda uma tabella do valor comparativo das 
moedas dos differentes metaes cunhados no reinu com as dos mesmos metaes que 
corriam nas diversas provincias ultramarinas. Em relapào as ilhas foi respondido que 
um marco de prata de 1 1 dinheiros produzia em moeda do reino 7^51750 réis, que nos 
Apores e Madeira se reputava por 9/J375 réis; e o arratel de cobre que em Portugal 
se lavrava em 360 réis, corria na ipoeda insulana por 720 réis nos vintens e dez 
réis, e por 600 réis nos cinco réis, pela rasào d'estes serem cunhados nas chapas 
dos tres réis do reino e aquelles nas de dez e cinco réis, tornando assim estas moedas 
mais fracas cincoenta por cento *. 

As duvidas sobre o peso, e a necessidade de uma lei especial que o auctorisasse, 
Gzeram adiar a cunhagem da moeda de cobre insulana. 

As auctoridades das ilhas dos Apores representaram por vezes sobre os embarapos 
era que frequentemente se achavam aquelles povos na compra e venda dos generos 
de primeira necessidade, pela escassez da moeda insulana de cobre, o que levou o 
governo a ordenar, em 13 de julho de 1843, a cunhagem de 3:000/500 réis em moedas 
de vinte, de dez e de cinco réis, que se enviaram para a cidade de Angra. A 28 de se- 
tembro, mandou cunhar nas mesmas moedas mais 3:000-3000 réis; e a 8 de marpo 
dfe 1846, 1:500??000 réis, remettendo-se estas duas quantias para a iiha de S. Miguel; 



' Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, lìv. xvi-B, Tol. 12. 

' Idem, Uv. xvi-A, fol. 16 v. 

" Idem, Uv. xvi-B, fol. 17 v. 

' Idem, Hv. xvi-A, fol. 41 e liv. xvr-B, fol. 57 v. e 12G v. 



20G 

- - — m • 

e a 12 de junho detcrminou que se lavrassem oulros 3:000]$000 réis, sendo melade 
em vinletiSj 1:000(5000 réis em moedas de dez rais e o resto nas de cineo réis^. 

pouco valor intrinseco d'estas moedas em rela^ào ao nominai, e a desproporcào 
em que estavam com as de prata, deu em resultado a sua falsifica; ào em grande escala 
Centra tao grave assumplo represenlaram a associapào commercial e a camara muni- 
cipal de S. Miguel ; e consuKado o provedor da casa da moeda, propoz elle, para acabar 
tao grande mal, dois alvitres: ou fazer correr nas ilhas a moeda de cobre do continente 
com augmento de 25 por cento, cù'culando, para maior commodidade do commercio, 
OS ciuco réis por 6, os dez réis por 12, e os vintens por 25; ou entào fazer cunhar 
moeda especial, cujo peso estivesse para o da moeda do continente da mesma deno- 
minapao na rasao de 4 para 5. primeiro processo tinha a vantagem de uniformlsar 
em todos os dislrictos do reino o typo da moeda, e o segundo era preferivel, por impedir 
a sua exportapao das ilhas para o continente. Para demonslrar o quanto havia de 
absurdo no systema em pratica, eslabeleceu as seguintes proporpoes : Nas ilhas um 
cruzado novo em prala valla 600 réis fracos ou 30 moedas insulanas de virUe réis, 
e estas correspondiam no continente, em peso, a 30 moedas de dez réis, que som- 
mavam 300 réis fortes, emquanto o cruzado novo fazia 480 réis Cortes; o que dava 
nos Apores um augmento de 25 por cento na moeda de prata, e 50 por c^nto na de 
cobre * ! 

A 30 de Janeiro de 1846 delerminou-se o fabrico de 4:000f$000 réis, metade em 
mntens, l:400j5iOOO réis em moedas de dez réis, e o restante nas de cinco réis, que de- 
viam ser enviados para a cidade da Horta; e a 12 de marfo do dito anno mandou-se 
cunhar mais 3:000}J000 réis para a ilha Terceira, sendo dois terfos nas moedas de vin- 
tem, 800(5(000 réis nas de dez réis e o resto nas de cinco réisK 

Parece que estas duas ultimas partidas de dinheìro nào chegaram a lavrar-se, lalvez 
em altenpào às justissimas considerapoes apresentadas ao governo pelo provedor da 
casa da moeda, pois na Estatistica das moedas de ov/ro, prata, cohre e bronzo que se 
cunharam na casa da moeda de Lisboa *, desde o anno de 1845 a 1864, apenas vem 
mencionadas, no anno de 1 852, comò moedas de cobre cunhadas para as ilhas, o numero 
de 267:010 pepas de dez réis, em que se consumiram 7:343 arrateis de metal, produ- 
zindo 2:670;$ 100 réis, mas com o peso igual ao que tinham as fabricadas para o con- 
tinente. 

Em 4 de junho de 1844 receberam-se na casa da moeda mais dez caixotes com o 
peso bruto de 65 arrobas e 30 arrateis de moeda de bronze insulana (malucosj retirada 
da circulapao na ilha do Faial ^. 

A portarla de 10 de outubro de 1848, sobre consulta do tribunal do thesouro, or- 
denou que as patacas, que tinham no continente o valor legai de 920 réis,'corressem 
nos Apores comò moeda fraca por 1(J200 réis^. 

Era maio de 1851 appareceu no districto do Funchal grande quanlidade de moedas 
hespanholas de prata, denominadas sarrilhas e meias sarrUhas, multo cerceadas, as 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xvii-A, fol. 2, 5 v., e, 9 v., 17 e 21 v. 

• Idem, liv. xvii-A, fol. 2, 5 v., 6, 9 v., 17 e 21 v. e liv. xyii-B, fol. 33 v. 

• Idem, liv. xvii-A, fol. 71 e 76. 

• Vid. no firn dos doc. comprovativos. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, regislo geral, liv. xvii-A, fol. 21; e liv. xvn-B, fol. 53. 

• Idem, liv. xix-A, fol. 92. 



207 

quaes o governatlor civil mandou apprehender e pagar pelo valor da prala que- 
brada*. 

A lei de 4 de maio de 1842 admittiu nas mesmas ilhas, conjunctamente com as 
oatras moedas estrangeif as jà ali em circulapào legai, a aguia de oiro de dez patacas 
dosEstados Unidos da America Septenlrional, pelo valor de lOjjOOO réis insulanos, e 
todas as suas frac^es em proporpao relativa; as patacas de prata dos mesmos eslados 
correriam por 1^090 réis da dita moeda da ilba, e em valor correspondente as suas 
fracfoes; determinou que o prepo estabelecido ao soberano inglez ou libra esterlina 
de oiro fosse e^evado a 4^51800 era vez de 4jj600 réis, que Ibe liavia flxado o decreto 
de 10 de outubro de i835, reputando-se por isso os meios soberanos em 2^400 réis; 
e que a moeda de prata da mesma napào corresse a rasào de 20 réis cada penny, equi- 
valente a 240 réis por shelling *. 

A associapào commercial e auclorìdades administrativas da ilha da Madeira nao 
cessavam de representar sobre a fatta quasi absoluta que ali se experimentava de 
moeda de cobre, o que multo difficultava as transacfoes; e para beneficiar o commer- 
cio da mesma ilha ordenou-se, em portarla de 18 de maio de 1842, a cunhagem de 
6:000^000 réis em cobre, sendo metade em moedas de vinte réisy 2:500f>000 réis 
em moedas de dez réis, e BOOjjOOO réis em moedas de ciuco réis, tendo todas o mesmo 
peso e typo das lavradas para o reino, mas no reverso, em vez da coróa de loiro e 
carvalho, uma de videira e a legenda PECUNIA MADEIRENSIS K Os n.«» 34, 
35 e 36 sao os typos adoptados para estas moedas. 

A moeda de cobre para os Apores so foi lavrada em 1843, tendo o mesmo typo e 
peso das que mandàra fazer D. Maria I desde 1 795, determinando a portarla de 13 de 
juiho do dito anno de 1843, que se cunhasse n'estas moedas a quantia de 3:000i$l000 
réis*. Os n.®* 31, 32 e 33 representam o seu desenho. 



Papel moeda e not^s 

A 23 de julho de 1834 foi extincto o papel moeda^^ sendo depois modificado o 
decreto pela carta de lei de 1 de setembro do mesmo anno, sobre a maneira de satis- 
fazer as obrigapoes contrahidas anles da sua extincpao *. 

A crise monetaria que o banco de Lisboa te ve em 1846 originou o decreto de 23 
de maio, pelo qual Ihe foi concedida por tres mezes a suspensào do pagamento das 
suas notas, a que se deu curso forpado. Em 20 de agosto e 1 de outubro prorogou-se 
opraso até ao flm do dito anno de 1846; e a 14 de novembre prohibiu-se que sob 
qualquer pretexto se engeitassem as notas do banco, emquanto tivessem curso forpa- 
do, impondo aos delinquentes, alem da pena de degredo, a multa de 50^000 a 
500^000 réis. 

decreto de 19 de novembre, creando o banco de Portugal, continuou a dar curso 



' Arci), da casa da moeda de Lisboa, rogisto goral, liv. xix-C, foi. 134. 
' Doc. comprovativo n.» 275. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto goral, liv. xvi-A, foi. 103 v. 
' Idem, liv. xvii-B, foi. 16 e 18. 

' Impresso avulso. DoC comprovativo n." 2G4. 

• Wem. Doc. comprovativo n.« 267. 



208 

IL.. - —■ 

legai às notas do banco de Lisboa, flxando a sua importancia em 5.000:000^000 réis; 
estabeleceu-lhes a amortisapào mensal de 18:000^5000 réis, entrando até 30 de junho 
de 1847 na totalidade dos pagamentos; desde està data até 31 de dezembro de 1848 
em dois lerfos, e d*aqui em dianle, até total amortisapào, uà metade. Em 1 de fevereiro 
de 1847 delerrainou-se que as notas do banco de Lisboa representassem conjuncta- 
mente divida do estado e do banco de Portugal ; que a sua amorlisapào, a cargo d'este 
banco, seria garantida pelo estado; e se por qualquer circumstancia o governo amor- 
tisasse algumas das referìdas tio^o^^ a sua importancia se encontraria nas suas dividas 
ao dito banco. 

A progressiva depreciapao das notas do banco de Lisboa, pela escacez de nume- 
rario nos mercados e pela desconflanfa publica, deu logar a varias disposi^ òes legis- 
lativas, com o fim de Ihe diminuir o agio e fazer affluir à circulapào a moedà metallica. 

A carta de lei de 13 de julho de 1848 ordenou que os pagamentos ao estado e 
por conta do estado se fizessem tres partes em metal e uma em notas do banco de 
Lisboa, pelo seu valor nominai, até se extinguirem as mesmas notas, exceptuando os 
contratos celebrados antes da crise do banco, os prets aos soldados e marinhagem, e 
as feriasaos opcrarios, que seriam todos pagos em moeda metallica; creou tambem 
um imposto addicional de 10 por cento, pago em notas pelo seu valor nominai, as 
quaes deviam ser logo inutilisadas; e tornava livre a qualquer estipular nos contratos 
a especie de moeda em que desejasse ser pago. A lei de 20 de abril de 1850, ponde- 
rando a impossibilidade, em muitos casos, de receber o imposto dos 10 por cento em 
notas, jà por nào caber na respectiva importancia a quarta parte n'esta especie, jà 
por nào haver as notas em muitas localidades, onde esses pagamentos se effectuavam, 
mudou imposto addicional em 5 por cento em metal, para constituir um fundo de 
amortisapào das notas; publicando para sua execupào o decreto de 25 do dito mez e 
anno. 

governo de 1846, dando o curso forpado às nota^ do banco de Lisboa, creou ale 
1855 encargo nacional Aopapel moecUiy e renovou, aindaque em menor periodo, 
uma calamidade publica que se liavia acabado com sacriQcio geral em 1834, 



O SENHOR D. FEDRO V 



|De 15 de novemtvo de 1853 a U de nnveitibru de IHCll 

Nasccu esle prÌDcipe em Lisboa a 16 de sctembro de 1837'; a 26 de jiineiro de 1838 
fai recoDhecìdo berdeiro da corOa pelas cortes, e abi prestou o sou juramoDlo de obedicncia 
ìs Iei9, conforme o arligo 79." da carta coTistJtucional, a 8 de jullio de 1852. A morie de sua 
lugusla màe o elevou ao Ibrono a 15 de novembre de 1853, com a rcgencia de seu pae, om- 
quaoto durou a menoridade*. 

joven monarcha saiu a barra do Tcjo, acompaoLado de seu ìrmiio o scnbor irifunlc 
D. Lutz, a 28 de maio, na ÌDteD(ao de percorrer aa principaes cidades da Europa em viagcm 
ile ÌDstruc{!lo; voltou a Lisboa a 15 de setembro do mesmo anno, e tornou a partir para o 



' Fraacisco de Borja Freire abriu por tao Taiislo acootccimento urna medatba, que por ser inedita 
e rara descrevemos e Bzeraos gravar: à esquerda um anjo com a ancora, adiante a cornucopia der- 
nmando o dinbeìro, e à diretta o genio da nagao contemplando de lirai;os aberlos a legenda REFUL- 
SIT SOL, e snstendo a lan;a e o escudo onde se vtem as armas de Portugal. no campo, o mar t^do 
por cima n'um circulo radiado um P (Pedroì coroado. No eiergo, era duas linhas— BENIGNI oNU- 
MINIS--ASTRUM» -fr PETRUS o PRINC o MARI^ • Il . ET FERDINAN . II . PORTUG . 
REO . AUGG . FILIUS . N ASCITUR . DIE -. XVI . SEPT , MDCCCXXXVII . No campo escri- 
plo em qualro linhas e dentro de urna corda, tormada de dois ramos de rosas e carvalho — REGIA 
PROLE — SUSCEPTA . AD — FIRMIOREM . LUSIT . - IMP . STABILIT. 




< Em portarla de 7 de dezembro de 13^3 mandou-se proceder às obras prcclsas para urna cara 
nn Dm do clausira, contigua i capcila mòr do tempio de S. Vìcenlc de Fora, servir iulerinamenle de 
jazigo e camara real dos reslos morlaes dos augusto» monardiax, principe» e mais pe^^soas rcaes da 
^renìssima casa de Eragan^a. A trasloda^o dos caiiOes fez-se a 13 de sctembro de ltf54, assislindo o 
cirdeal patrìarcba, mìnistcrio, mordomo mòr, orQciaes móres, etc. A 29 de sctembro de 1853 Tei ali 
ooliocado o cadaver de D. AfTonso VI, e a 27 de dezembro do mesmo anno o da rainlia D. Marianna 
ilp Austria, mulhcr de D. Joao V, 



210 

mosino destino a 20 de maio de 1855, regressando em 14 de agosto. Coni pietà tido uodilo 
anno o sonlior D. Fedro V dczoito annos, a 16 de setembro, foi n'osse dia solcmncraeute 
arclamado e inveslido do poder regio na sala das cortes *. 

Casou por procuragào, era Berlim, a 29 de abril de 1858, e pessoalmenle em Lisboa na 
igreja das Santas Justa e RuGna, a 18 de maio seguiote, com a senhora D. Estephania Frede- 
rica, filha do principe de Hobenzollera Sigraaringen, e nota materna do duque deBaden, Car- 
los Luiz Frederico2. 

A joven princeza que vciu occupar o solio portuguez,havianascido a 15 de julhodel837, 
e era dotada de virtudes e de angelica affabilidade, que Ihe conquistaram geraes sympatbias. 
Urna angina dìpbtberica fez succumbir a bondosa rainba pela urna bora da tarde de 17 de julho 
de 1859, deìxando inconsolavel o esposo que a idolatrava. No dia 20 foi depositada no jazigo 
da casa de Braganga, era S. Vicente de Fora. 

senhor D. Fedro V era um dos soberanos raais illuslrados da Europa. Alem da csme- 
rada educagào, possuia vaslos conhecimentos das sciencias; e empenbando-se no engrandcci- 
mento do reino, esludou com particular interesse as questOes administrativas e a organisagao 
do cxercito. No seu curto reinado estabeleceu-se a telegrapbia electrica, que comegou a func- 
cionar enlre Lisboa e Santarem, e Lisboa e Cintra no dia em que assumìu o governo do reino, 
conseguindo-se abrir as coramunicagOes com o estrangeiro a 25 de setembro de 1857. A ìnau- 
guragao dos caminbos de ferro leve logar a 28 de outubro de 1856'. No primeiro anniversa- 
rio da morte de sua esposa fundou o bospital de D. Estepbania, na quinta da Bemposta, do- 
tando-o com 30:000^000 réis. Inslituiu o curso superior de letras em 8 de junho de 1859, 
assislindo d sua abertura solcmne em 14 de Janeiro de 1801 , e para a sustenlagào de tres cadei- 
ras doou um fundo especial de 63:800^000 réis. N'cste anno mandou lambem comcgar as 
obras do observatorio da Ajuda. 

As epidemias que assolaram o reino, deram ensejo a patentear-se toda a nobreza da sua 
alma; no centro do terrivel flagello praticou actos de acrysolada piedade e de abnegalo pela 
Vida. Està calamidadc publica, a morte de pessoas a quera era affeigoado desde a infancia, 
a perda da esposa que tanto estremecia, causaram-lhe profundo e continuo sofifrimento de 
espirìto, que a resignag&o religiosa n5o pòde mitigar. A dor denunciava na face que as la- 
grimas corrosivas da saudade Ibe suffocavam o coragào. Tao intimo penar nào podia ir longe. 
joven rei, depois de vinte dias de se Ihe manifestarem os primeiros symptomas de umafebre 
typboide> falleceu no pago das Necessidades pelas sete boras e um quailo da tarde do dia 11 
de novembro de 1861. 

A autopsia e embalsamento fez-se a 13, e a 16 leve logar o imponente saimento. povo, 
apinhandO'Se por todo o transito funebre, assistiu, atràs das fìlas dos soldados, silencioso e 
triste, tributando com o pranto das grandes maguas bomenagem aos restos mortaes d*aquclle 
quo pessoalmenle o havia animado e soccorrido no tremendo contagio; significativo panegy- 
rico a tao sublimes virtudes ! Doataùde pendiam as medalbas que a camara municipal de Lis- 
boa e a sociedade bumaoitaria do Porto l£e haviam votado; ninguem melhor as ganhou por 



* Para commemorar este acto cunhou-se em Bnixellas a seguiate medalba com 71 millim. de dia- 
metro— DON. FEDRO V ROI DE PORTUGAL ET DES ALGARVES. Busto do joven rei 
à esquerda veslido de generalissimo; no exergo — HARToFECITo ^ LISBONNE XVI SEP- 
TEMERE MDCCCLV. No centro, dentro de um circalo omado com 31 pequenas coròas reaes, as 
armas do reino. Existem tres exemplarcs, em oìro, prata e cobre na coilecgào de Sua Magestade £I-Rei 
senhor D. Luiz; poucos se dislribuiram, talvcz pela irregularidade da legenda. 

« Para solemnisar o consorcio, mandou El-Rci gravar por Leopoldo Wiener urna medalha, cu- 
nhada em Bnixellas, em oiro, prata e cobre, a qual Lopes Fcrnandes descreveu e desenhou na Menuh 
ria das mcdalhas e condecoracòes porluguezas, pag. 109, e est. 40, n.» 125. 

• ministerio das obras publicas, commercro e industria mandou abrir por Gerard urna medalba 
commemorativa, que se distribuiu no acto da ccremonia, e aclia-so copiada na dita Memoria das me- 
dallia^, de Lopes Fernandcs, pag. 167, est. 39, n.« 123. 



211 

ados ile coiirraluniiJade : estus duas cundL-curngùL'S pojiubres iiu pdlu <iv. um rei, It-iìtemu- 
uhavam a gralìdSo nacioual, quo ainda se conserva indclcvel no corufuo dos porlugue^cs'. 
sentiiiienlo foi profuodo e geral por tao prematura morie, e as provicicias assoctaram- 
se d capital naa demonslrasOes de pc^ar. Na cidade do Porto os proprieiarios e induslrtacs 
Asi fabricas de fundlgfio e eslamparla, .sJìuadas na rua de Pcrnandes Tbomds, resolverain 
erguer um moDumenlo quo perpetuasse o acrysolado amor quo dcdicavam ù memoria do sabio 
principe, seodo logo comegado a 23 de dezenibro e concluido e inaugurado a 9 de juiho de 
1862. £ siuiples no fcitio, mas grandioso na idia. Os arlistas porluenses levanlaram na prsqti 
da Bataiha ao magnanimo monarcba um famoso monumento, solemnisando com o maior ap- 
parato a sua iDaugura^aonodìall dcjulhndc ldtì~2. A cslaluaé debronze, pesa 1:320 kilos 
e tem 3 metros; representa o rei vestìdo de general, com a cabe^a um poueo pcndida para 
diante, e expressando pela alttlude os sentimcntos de Iristeza, quc na ultima epoclm da sua 
Vida Ibe lorCuraram a alma. todo do monumcnlo mede 10 metros de altura*. 



Moedas do senlior D. Fedro V 

Ì Corèa leiisaioi 
Meia corOa 
Quiiilo de corùa 
Decimo de corda 

ÌCinco lostOes 
Duis loslOes 
Toslào 
Mpìo toptào 



' Aa mesmas duas medaltias, com as compelenlcs Qtas, conscrfam-se uui eiposiijào no gabinclB 
Dumismatìco de Sua Magestade tll-ltei o scnbor U. Luiz, na Ajuda. 

< Por essa occasiào, o gravador Manuel de Moraes da Silva Ramos abriu a seguìntc mcdallia — 
rabeca do joven rei i diretta, entre duaa palmas de toiro; por baixo MORAESoFo — f A MEMO- 
RIA DE D. FEDRO V DEDICÀO OS ARTISTAS PORTUENSES. No campo o monumento 
tendo no pedestal: OS ARTISTAS PORTUENSES— POR GRAT!DÀO— A D. PEDRO V. 
So «tergo da base: iRfe. MORAES F. 1R64. 




212 

i. PETRUS* Vo PO RTUG: ET. ALGARB:REX. Cabeca do joven mo- 
narcha à direita, por baixo as inìciaes do gravador F. A.^C. (Frederico Augusto 
de Campos) e o anno 1 86 1 . 

^ Àrmas do reino com o manto real formando pavilh3o, no exergo a indicacao 
do valor 10:000 REIS. Corda, M. Ensaio monetario de que possue um exemplar 
sr. José Joaquim Alves Chaves, que da melhor vontade facilitou para se desenhar. 

2. PETRUS oVo PORTUG: ET •ALGARB:REX. Cabeca do rei à di- 
reita, por baixo as iniciaes do nome do gravador F. B. F. (Francisco de Borja 
Freire) e anno 1 86 1 . 

^: Armas do reino com manto real formando pavilhao, no exergo a indicacao 
do valor 5:ooo REIS. Meta corda, M — C. 

3. PETRUS • V « PORTUG : ET • ALGARB : REX. Cabeca do monarcha a 
direita, por baixo as iniciaes do nome do gravador F. B. F. e anno i856. 

Qr Armas do reino tendo escudo ornado com manto real em pavilhao, no 
exergo a indicacao do valor 2:5oo REIS. Quinto de corda, N — C. 

4. PETRUS«V.P0RTUG:ET.ALGARB:REX. Cabeca do joven mo- 
narcha à direita, por baixo as iniciaes do nome do gravador F, B. F. e anno 1 856. 

^ Armas do reino com manto real em pavilhao, senindo de ornamento ao es- 
cudo, no exergo a indicacao do valor 1:000 REIS. Decimo de corda, N — C- 

5. PETRUSoV.PORTUG:EToALGARB:REX. Cabeca do joven mo- 
narcha à direita, por baixo as iniciaes do nome do gravador F. B. F. e anno i855. 

Qr Armas do reino com manto real em fórma de pavilhao, servindo de orna- 
mento ao escudo, no exergo a indicacSo do valor 5oo REIS. Cinco tostdes, JR — C. 

6. PETRUS • Vo PORTUG; ET o ALGARB : REX. Cabeca do joven mo- 
narcha à direita, por baixo as iniciaes do nome do gravador F. B. F. e anno 1860. 

^ Dentro de uma corèa de loiro e carvalho, e em duas linhas, 200 — REIS. 
Dois tostdes, JR — C. 

7. PETRUS • V. PORTUG : ET* ALGARB : REX. Cabeca do joven mo- 
narcha à direita, por baixo as iniciaes do nome do gravador e anno 1859. 

^ Dentro de uma coròa de loiro e carvalho, e em duas linhas, 100 — REIS. 
Tostào, JR—C. 

8. PETRUS • V PORTUG : ET • ALGARB : REX. No campo, a coròa real 
tendo por baixo anno 1861. 

^r Dentro de uma coròa de loiro e carvalho, e em duas linhas, 5o— REIS. 
Meio tostào, M — C. 

A araoedapào em nome do Senhor D. Pedro V coraefou depois da carta de lei de 29 
de junho de 1854*, que ordenou a cunhagera da corda, oiro de 916'/3 por mil, 
com peso de 17^,735 (equivalente a 4 oitavas e 67 graos) no valor de lOfjlOOO réis, 
n.® 1; meta corda, com 8«',868 (2 oitavas e 33 Vs gràos) no valor de 5^000 réis, 
n.** 2; quirUo de corda, com 3«',547, no valor de 2f5(000 réis, n.° 3; e os decimos de 
coi^oa, com 1»^,774, no valor de IfJOOO réis, n.° 4. 

» Impresso avulso. Doc. comprovalivo n.« 292. 



2i3 

Por està lei as antigas pecas de oiro, do mesmo toque, contiauavam com o curso 
legai de SjjOOO réis, tendo o peso de U^'jlSS, e n'esta proporpao as meias pecas; os 
soberanos inglezes, com o peso de 7»',981, continuavam comò valor de 4^9500 réis, 
assim comò os meios soberanos, com 3«'',99, por 2jj250 réis. A todas estas moedas de 
oiro foi dada a tolerancia de dois por mil era peso e dois por mil em toque. 

As ayi'óas de oiro e suas divisoes cunhadas pela lei de 15 de fevereiro de 1851 
perderam a condigao de moeda legai, obrigando-se o governo a trocal-as por outras 
pelo seu valor nominai no praso de tres raezes, e para esse efieito seriam recebidas 
nos cofres publicos, nao estando cerceadas. 

Pela roesma occasiào foi concedido aos bancos e aos particulares o fabrico de 
qualquer porpào de oiro, tendo o toque de 916^3 por mil, em coróas, meias coróas, 
quintos de corda e decimos de coróa, pagando IjjOOO réis de feilio por cada kilo- 
gramma. 

Das coróas de 1 0^000 réis apenas se lavraram em 1 862 nove exemplares, dos quaes 
se escolheram dois para a exposipào universal de Londres^, e as restantes foram que- 
bradas. D'aquelles exemplares existe um em poder do sr. Alves Chaves. 

Os decimos de coróa com o nome do senhor D. Pedro V, n.** 4, cunharam-se so nos 
annos de 1855 e 1856 em numero de 68:057. 

Dos quintos de coróa, n.® 3, de 1856 a 1860, fizeram-se 163:550 pepas. 

fabrico das meias coróas, n.® 2, comefou em 1 860, e continuou em 1861 , fazen- 
do-se ao todo 133:359 exemplares*. 

Francisco de Borja Freire foi o encarregado de abrir os cunhos da moeda com a 
effigie do senhor D. Pedro V. Nao tendo ficado parecido o retrato de El-Rei impresso 
nas moedas de 1854, mandou-se abrir um novo punpao no anno seguinte, que foi ap- 
provado em 1 6 de junho '. 

A moeda de prata soffreu tambem reducpao no peso pela dita carta de lei de 29 de 
julho de 1854, conservando o antigo toque de 916^3 por mil. De 125 grammas d'està 
prata cunharam-se 10 pepas de ciuco tostóes, cada uma com 12,5 grammas e represen- 
taodo valor de 500 réis, n.® 5; ou 25 pepas de dois tostóes^ cada uma com 5 gram- 
mas e com valor de 200 réis, n.® 6; ou 50 pepas de tostdo, cada uma com o peso de 
2,5 grammas e com o valor de 100 réis, n.® 7; ou finalmente 100 pepas de meio tos- 
ilo, cada uma com 1,25 gramma e o valor nominai de 50 réis, n.® 8; admittindo-se 
em todas estas moedas a tolerancia de 3 por mil em peso e 2 por mil em liga. 

As coróas de prata e suas divisdes, creadas pela lei de 24 de abril de 1835, assim 
corno OS cruzados novos e suas fracpoes, os tostóes e meios tostóes, e as moedas estran- 
geiras de prata, cuja circulapào estava auctorisada^ perdiam o caracter de moeda legai, 
obrigando-se o governo a trocal-as no praso de tres mezes^ nao estando diminutas no 
peso, e n'estas circumstancias deviam ser recebidas nos cofres publicos. 

Em nenhum pagamento, de qualquer importancia e em qualquer condipào que 
fosse feito, se poderia obrigar o creder a receber mais de 5)$000 réis em moeda de 
prata; e as notas do banco, Ando o referido praso, seriam pagas exclusivamente em 
iQoedas de oiro. 

fabrico e emissào das moedas subsidiarias de prata e cobre ficava reservado para 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xxii-B, foi. 48, 50 e 52. 

' Vide Esiaiisiica das moedas de oiro e prala, etc, no firn dos doc. comprovativos. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xix-B, 2.«, foL 79. Idem, liv. xx-A, foL 12 v. 



2U 

cslailo, (k'vendo a sua iinporlancia scr previamente fixatla pelas cortes, do l.^dc 
Janeiro de 1 855 era diante *. 

Em 27 de maio de 1856 suspendeu-se provisoriamenle a receppào da raoeda do 
oiro antiga^. 

Os typos das novas raoedas de oiro e prata nào soffrerara alterapao, differenpando se 
aponas das do anterior reinado no nome e retrato do soberano. 

direito sobre a exportapào da prata quebrada, em barra ou em moeda, foi resta- 
belecido no anligo prefo de 100 réis por marco, pela carta de lei de 5 de agosto de 
1854 3, annullando assira a de 16 de junho de 1853 que o bavia elevado a IjJOOO réis. 

Nào pode effectuar-se a troca das antigas raoedas raandadas relirar da circulafào 
no praso decretado, principalraente, as de prata que ainda se achavam mais dissemi- 
nadas, pois, alem do tempo preciso para a sua contagr^ra, o governo nào estava habi- 
litado com o capital necessario na nova raoeda para fazer face ao numerario que se 
devia apresentar diariamente no periodo de dois mezes em Lisboa e de quatro nas 
provincias. 

Kstas circurastancias servirani de base ao decreto de 28 de seterabro de 1854, que 
prorogou o praso até 2 de fevereiro de 1855 *, regulando a sua execupào a porlaria de 
29 do mesrao raez e anno. 

Era 1 de fevereiro de 1855 approvou-se e converteu-se em lei o decreto anterior, 
praso para o giro e troca das antigas raoedas foi adiado até 3 1 de Janeiro de 1 856 '^. 

Pela lei de 8 de raaio recebeu o governo auctorisapào para fazer n'esse anno até 
600:0006000 réis era moeda de prata «. 

director da casa da raocula inforraou era 28 de junho, que os 28:872^000 réis 
em cruzados mvos, relirados da circulapào para sercra reduzidos às raoedas de novo 
cunho, creadas pela carta de lei de 29 de julho de 1854, apesar de serera reconheci- 
daraente dos mais fracos que andavam na circulapào, produziram assira mesmo o lucro 
de 3:089^000 réis, que approxiraadamente corresponde a 10 e melo por cento'. 

A portarla de li de agosto incumbiu o director da casa da moeda de comprar prata. 
tanto era raoedas antigas corao era barra, no toque de 1 1 dinheiros, a 8?)030 réis o marco^ 

Era 29 de Janeiro de 1856 forara novaraente prorogados os prasos para o giro 
(? troca da raoeda antiga, até 31 de raarpo de 1857^; e a 24 de abril permittiu-se a 
runhagera de raais 1.000:000^000 réis em prata, e que os bancos e pessoas partieu- 
lares, durante aquelle anno civil, podessem fazer amoedar na casa da moeda qualquer 
porpào de oiro do toque de 916^ 3 de oiro fino por rail, em qutntos ou decimos de corón, 
sem pagarem feitio ^^. 



' Impresso avulso. Doc. compro vai ivo n.«» 292. 

° Ardi, da casa da moeda de Lisboa, regislo geral, liv. xx-A, fot. 41 v. 

' Diario do governo de 18 de agosto, n.« 193. Doc. comprovativo n." 293. 

• Impresso avulso. Doc. comprovativo n.« 294. 
' Diario do governo de 2 de fevereiro, u.» 29. 

• Idem de 9 de maio, n." 108. 

' Arch. da casa da moeda, rogislo-gcral, Uv. xx-B, foi. 42. 

' Idem, liv. xx-A, foi. 52. N'este mesmo anno a 22 de setembro annunciou a casa da moeda quo 
luecisava contratar a aflnacào de 2:000 marcos de prata; e convidava as pessoas a quem conviesso 
tornar tal encargo por emprcitada, a comparecercm na mesma administra^ào ale 20 d'aqiicllc mez. 
I.iv. xx-B, foi. 60.) 

• Diario do governo de 30 de jani'iro, ri.«* 26. 

■" Meni de 20 de ahrii, n." 100. • . 



215 

governador civil do districlo do Fuadial repres^^ntou em tlns do anno de 1856 
sobre a grande quantidatìe de aguias de oiro de dez patacas dos Estados Unidos da 
America septentrional, que se haviam tornado quasi o unico dinheiro circulaote n'a- 
quella ìlha, escasscando a moeda de prata indispensavel para as pequcnas transacf òes. 
director da casa da moeda, sendo ouvido em tao importante assumpto, cìemonstrou 
que estas difllculdades provinham do decreto de 4 de maio de 1842, que mandou dar 
k àlidi aguia o valor de 10/51000 réis, contendo de oiro puro 308 gràos, equivalentes 
a9j5(435, emquanto à pataca se deu o prepo de 1^000 réis, possuindo de prata pura 
43772 gràos, iguaes a 1^050 réis; que convidava os especuladores a importarem 
as aguiaSy trocando cada uma, no valor intrinseco de 9^635, por dez patacas^ que cor- 
respondiam a lOjJBOO; e para attenuar tao grande erro propunha se enviasse coro ur- 
gCDcia para a iiha da Madeira uma porpào da nova moeda de prata naciooal, para ali 
circular com augmento de 25 por cento, nao havendo assim perigo de ser exportada, 
correndo os ciuco tostOes por 625, os dois tosUjos por 250, tostdo por 125, e meio 
tostào, approximadamente, por 65 réis *. 

A falla de moeda de prata tomou-se sensivel em algumas terras das provincias: 
no districto de Braganpa pagava-se de agio pela troca de um soberano 200 réis; e para 
remediar tao grande mal, ordenou a portarla de 8 de agosto que a transferencia de 
fundos para a pagadoria de Chaves se fìzesse em moedas de prata*. 

Em 2 de maio annunciou Diario do governo que a casa da moeda comprava a 
prata de 1 1 dinheiros a 8?5iO0O réis marco; em 10 de setembro foi elevado prepo 
a8j5050; a 4 de oulubro a 8?? 120; a 13 do mesmo mez determinou-se que se pagasse 
a 8?S200; e a 14 de novembro mandou-se suspender a compra, logoque se comple- 
tasse a cunhagem dos 1.000:000-3000 réis que as cortes haviam auctorisado ^. 

Em 27 de marpo de 1857 tomou-se a prorogar praso para giro e troca da 
moeda antiga ale 3 1 de marpo de 1858, concedendo-se ao governo fazer cunhar até 
àquanlia de 1.000:000^000 réis em moedas de prata; e aos bancos e parliculares foi 
renovada a permissào para lavrarem na casa da moeda oiro de 916^/3 por mil, sem 
pagamento de feitio *. 

De 3 de abril é a portarla que restabeleceu na casa da moeda a compra da prata 
de 1 1 dinheiros a rasao de 8^240 réis cada marco ^. 

Em 5 de marpo de 1858 foi governo auctorisado pelas cortes a mandar lavrar 
1.000:000^000 em moeda de prata; e pela carta de lei de 23 de julho permittiu-se 
elevar està quantia até 3.000:000^000 réis, renovando-se n'essa mesraa data a pro- 
rogapao dos prasos para giro e troca da moeda antiga até 3 1 de marpo de 1859 ^, e 
a licenpa para os bancos e particulares poderem cunhar oiro na casa da moeda. 

A 29 de marpo de 1859 foram outra vez adiados os prasos para giro e troca das 
moedas antigas até 31 de Janeiro de 1860, concedendo aos particulares e aos bancos 
a cunhagem do oiro durante dito anno de 1859^ 

A lei de 16 de abril declara que as moedas de oiro inglezas, denominadas soberanos 

' Arch. (la casa da moeda de Lisboa, rcgislo geral, liv. xx-B, foi. 170. 

' Diario do governo de 9 de agosto, n.« 187. 

' Ardi, da casa da moeda de Lisboa, regìsto geral, liv. xx-A, fo!. 38 v., 50 v., 58 v., 59 v. e (i3 v. 

* Diario do governo de 31 de margo, n.* 76. 

' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xx-A, foi. 76 v. 

' Diario df) governo de 3 de maio, 11." 56. 

' Idem de .30 de marco, n." 76. 



216 

ou libras eslerlinas, teriara, d'aquella data em dianle, curso legai nos Afores pelo valor 
de 5^9600 réis, Gcando por este modo exleosiva às mesmas ilhas a disposifào do arligo 3.^ 
e § unico da lei de 29 de julho de 1854 S* e na portarla fìe 17 de dezembro ordenou-se 
quo, Sem embargo de estar a Ondar o praso para o giro e troca das moedas antigas, 
continuassem a ser recebidas nas reparti^des publicas'. 

De 27 de marpo de 1860 é datada a lei em que as cortes auctorisaram um novo 
praso ale 3 1 de Janeiro de 186 1 ; mas o governo prorogou-o primeiramente por decreto 
de 28 de marpo, até 3 1 de outubro, e depois, por decreto de 10 de oulubro, até ao refe- 
ndo dia 31 de Janeiro de 1861. Por essa occasiào concedeu-se igualmenteaosparticu- 
lares e aos bancos o beneficio de mandarem amoedar o oiro a casa da moeda, sem paga- 
rem feitio^ 

Finalmente a lei de 4 de fevereiro de 1861, prolongando ainda o praso até 31 de 
dezembro do mesmo anno, concedeu ao governo a cunhagem de 300:000(9000 réis 
em moedas de prata de 200, 100 e 50 réis, permitlindo tambem aos particulares a 
amoedapào do oiro na casa da moeda, conforme a carta de lei de 24 de abril de 1856 ^ 

No reinado do senhor D. Fedro V nao se lavraram moedas de cobre para o reino 
nem para as lllias da Madeira e Apores. 



' Diario do governo, de 27 de abril, n.« 97. 

• Diario de Lisboa de 28 de dezembro, n." 50. 

• Idem de 28 de marco, n.' 72. 

• Jdnn do de fevereiro, n." 29. 



217 



O SENHOR D. LUIZ I 

(Desde 11 de novembro de 1861) 

Nasceu no real pago das Necessidades a 31 de outubro de 1838. Àos oilo annos de idade 
por sua propria vontade e decidida vocagUo aesentou praga na armada real, scodo nomeado 
guarda marinba em 9 de outubro de 1846; segundo tenente em 19 de maio de 1851; capi- 
tao tenente em 29 de outubro de 1854, e aonos depois commandante bonorario do brigue 
Fedro Nunes; a 24 de margo de 1858 foi promovido a capitào de fragata, e a 12 de julho 
passou a commandar a corveta Bartholomeu Dias. N'este navio fez as seguìntes viagens : 

Em 5 de outubro às ilhas da Madeira e Agores^ voltando a 17 de novembro. 

À 9 de margo de 1859 foi o scnhor D. Luiz nomeado capitSo de mar e guerra, e a 10 de 
abril saiu para Inglaterra a visitar os arsenaes, estaleiros e docas d'aqudla nagllo, voltando 
ao reino em 7 de maio, conduzindo o principe Jorge que vinba casar com sua irm& a se- 
nbora infanta D. Maria Anna; e a 14 tomou a partir para Tnglaterra, levando os augustos es- 
posos, acbando-se de volta em 14 de julho. 

N'estc mesroo anno, a 14 de sctembro, acompanhou seu augusto pae ao imperio de Mar- 
rocos, e ahi tcve occasido de observar os logares onde os portuguezes praticaram actos de 
admiravel bravura. Regrcssou a Lisboa a 21, e no anno seguinte em 1 de agosto saiu a visi- 
tar as nossas possessCes da Africa occidental, aportando em setembro a Angola^ e voltando 
ao reino cm 15 de outubro. 

A 15 de abril de 1861 foi em servigo do estado à ilba da Madeira, para cumprimentar da 
parte de el-rei, seu irmao, a imperatrizde Austria. Ancorou na volta em Gibraltar, e a 13 de 
maio cntrou no porto de Lisboa. A 3 de agosto partiu para Southampton, onde recebeu no seu 
navio principe Leopoldo de Hohenzollem, noivo da senhora infanta D. Antonia, e d'està 
viagem recolbeu a 26 do mesmo mez. 

A 4 de setembro navegou para a barra da cidade do Porto a buscar el-rei seu irmSo, que 
liavia ido ali abrir a exposigdo industriai, e conduzindo-o a bordo da corveta do seu com- 
mando, vciu ancorar no Tcjo no dia seguinte. A 18 do dito mez, acoropanhado pelo senhor 
infante D. Joào, levou a Antuerpia sua irmS a senhora D. Antonia e seu cunhado o principe 
Leopoldo. 

Acceìtando o convite do imperador dos francczes para ir a Toulon assistir com o infante 
seu irmào és manobras de Gompiègne, ao entrarem para o baile que n'essa occasiào Ihcs 
foi offcrecido, tiveram a noticia da morte de seu irmào o senhor D. Fernando. Partiram im- 
mediatamente para Paris e d'ali para Southampton, onde embarcaram no vapor Oneida da 
carreira transatlantica, que largou em seguida para Lisboa. Os infantes entraram a barra do 
Tejo a 14 de novembro, e foram feridos no mais Intimo dos seus affectos com a nefasta nova 
do fallecimento de el-rei o senhor D. Pedro V. 

senhor D. Luiz foi acclamado rei de Portugal, com as solemnidades do estylo, em 22 
de dezembro de 1861 ; casou por procuragSo em Turim a 27 de setembro, e em pessoa em 
Lisboa a 6 de outubro de 1862 com a senhora D. Maria Pia de SaboyaS que havia nascido 

' Para commemorar o seu consorcio mandou el-rei abrir em Italia por D. Ganzani^uns cnnhos 
para nma medalba, de que se tiraram varios exemplares em oiro, prata e cobre; vem desenhada e 
dcscripta na Memoria das mcdalhas e condecoragòes porluguezas, por Lopes Fernandes, pag. 134, n." 141 . 



a 16 de outubro de 1S47, Riha do rei de IlaliaViclor Manuel II e <le sua rallecìda csfiosa h 
rircliìduqucza de Austria Maria Adelaide Frniicisca Clotilde. 



Filhos luTidos do matrimonio 



senbor D. Carlos Fernando, principe, duqi 
nasceu no paro da Ajuda a 28 de sctcmbro de ìi 
à coròa por auto solemne em fevereiro de 1864. 

senbor D. Affonso Henriques, infame de Porlnga! 
da Ajuda a 31 de jullio de 1865. 



de Braganga e de Saxe-Coburgo- Gotha : 
(, e foi reconberido berdeiro e suceessor 



'duquc do Porlo: nascpu iiu paro 



Moedoa do eenhor D. Lniz I 

Pre^o eartlmittivo Betoni 

1 Mela corùa 

iQuinto de corOa 

ÌCinco lotìOea 
Oois lostùes 
Toslào 
Mcìo loslào 

IVintcni 
Dei rtis 
Trcs n^s 



1 . LUDOVICUS » I » PORTUG : ET • ALGARB ; REX. Cabeca do ran- 
iiarcha à esquerda, por baixo as iniciaos do nome do gravador F. A. C, CFi'eilericii 
Augusto de Campos), e o anno 18G2. 

T'da mesma oreasiào Toi lavratJa por Tliermignon a st'guinlemcdaEEia:— MARIA PIA DI SAVOIA 
— LUIGI I RE DI PORTOGALLO— imslos acostailos ilos reaes esposos à dircila, lendn oda 
rainba coroa de tlores e collar; no «ergo. T. THERMIGNON — F.— ».. AGLI AUGUSTI 
SPOSI— OMAGGIO E VOTI DELL'AUTORE. No campo Ogura de mulhcr iltalial vcsli<lar«n 




lima tunica comprilla, cabellos caldos, coroada de caalolloao por cima urna eslrclla; o braw esqucrJp 
IcTaotado, e a inao dircila spettando a de um ituerrcìro cora Baio de mallia, tendo a mio esqucrtla 
110S copos da espada, onde cslA snsperiso cscudo ila." nuina,s. ^n exergn XXVII SETTEMBRt 
MDCCCLXIi. 



219 

I^ Armas do reino entre duas palmas, por baixo a indicafao do valor 5 :ooo REIS. 
Meia coróa, N — C. 

2. LUDOVICUS • I o PORTUG : ETo ALGARB ; REX. Cabefa do mo- 
narcha a esquerda, por baixo as iniciaes do nome do gravador C. W. (Carlos Wiener) 
e anno i866. 

^ Armas do reino com o manto real em fórma de pavilhao, servindo de ornamento 
ao esciido, no exergo a indicacao do valor 5:ooo REIS. Meia coróa, JR — G. 

3. LUDOVICUS«IoPORTUG;eToALGARB:REX. Cabecadomo- 
narcha i esquerda, tendo por baixo as iniciaes do nome do gravador F. A. G. 
(Frederico Augusto de Campos) e o anno 1875. 

^r Armas do reino com manto real em fórma de pavilhao, servindo de orna- 
mento ao escudo, no exergo a indicagao do valor 5:ooo REIS. Meia coróa, N — G. 

4. LUDOVIGUSoIoPORTUG:EToALGARB:REX. Cabeca do mo- 
narcha & esquerda, por baixo a inicial do nome do gravador G. (Campos) e 
anno 1864. 

I^ Armas do reino entre duas palmas, no exergo a indicafao do valor 2 :ooo REIS. 
Quinto de coróa, N — G. 

5. LUDOVIGUSoI»PORTUG:EToALGARB:REX. Cabega do mo- 
riarcha à esquerda, por baixo as iniciaes do nome do gravador F. A. G. e 
anno 187(5. 

^ Armas do reino com manto real em fórma de pavilhao, servindo de orna- 
mento ao escudo, no exergo a indicacao do valor 2:000 REIS. Quinto de coróa, 
X—C. 

6. LUDOVIGUSoIo PORTUG :EToALGARB: REX. Cabega do mo- 
narcha a esquerda, tendo por baixo as iniciaes do nome do gravador F. A. G. e 
anno 1871. 

I^ Armas do reino entre duas palmas, no exergo a indicagao do valor 5oo REIS. 
(lineo toslOfis, JR — G. 

7. LUDOVIGUSo Io PORTUG :ET«ALGARB: REX. Cabeca do mo- 
narcha a esquerda, por baixo as iniciaes do nome do gravador F. A. G. e 
anno 1871. 

^ Dentro de urna coróa de loiro e carvaiho, em duas linhas, 200 REIS. Dois 
tostdes, ^^ — G. 

8. LUDOVIGUS«I-PORTUG:EToALGARB:REX. Cabeca do mo- 
narcha a esquerda, por baixo as iniciaes do nome do gravador F. A. G. e anno 1 868. 

^r Dentro de uma coróa de loiro, em duas linhas, 100 REIS. Tostào, M — G. 

9. ^ LUDOVIGUS • I« PORTUG : ET ALGARB : REX. No campo 
anno 1861 encimado pela coróa real entre duas estrellas de seis raios, e por baixo 
outra estrella. 

^ Dentro de uma coróa de loiro e carvaiho, em duas linhas, 5o REIS. Meio 
tostào, JR — G. 

10. LUDOVIGUS «Io DEI :?^? GRATI A. Armas do reino com o escudo or- 
namentado. 



220 

Q. ^€PORTUGALIiE«ET«ALGARBIORUMoREX^ No campo, den- 
tro de urna coròa de loiro e carvaiho XX, indicativo do valor em réis; porbaixo 
anno 1873. Vintenij JE — C. 

11. LUDOVICUSoIoDEIoGRATIA. Armas do reino com escudo or- 
namentado. 

Qr PORTUGALIiE • ET • ALGARBIORUM • REX. No campo, dentro de 
uma corèa de loiro e carvaiho X, indicativo do valor em réis; por baixo oanno 1871 . 
Dez réisj M — C. • 

12. LUDOVICUS • I • DEI • GRATI A. Armas do reinò com escudo orna- 
mentado. 

Qr PORTUGALIiE» ET •ALGARBIORUM» REX. No campo, dentro de 
uma coròa de loiro e carvaiho V, indicativo do valor em réis; por baixo anno 1867. 
Cinco réisy JE — C. 

13. LUDOVICUS • I • DEI • GRATI A. Armas do reino com escudo oma- 
mentado. 

Qr PORTUGALIiEoET«ALGARBIORUM«REX. No campo, dentro de 
uma coròa de loiro e carvaiho III, indicativo do valor em réis; por baixo o anno 
1868. Tres réis, M—C. 

14. LUDOVICUS I DEI GRATI A. No campo, dentro de um circulo for- 
mado por uma especie de trauma XX — REIS, em duas linhas; por baixo um castello. 

^ ENSAIO MONETARIO. Armas reaes da Belgica, entre duas palmas 
de loiro; aos lados do escudo 2-^ — R, e por baixo anno i863. Ensaio. 

15. LUDOVICUS I DEI GRATI A REX. No campo, dentro de um cir- 
culo formado por uma especie de trancia X — REIS, em duas linhas; por baixo 
um castello. 

^ mesmo da anterior, tendo aos lados do escudo X — R, Dez réis. Ensaio. 

16. LUDOVICUS I DEI GRATI A REX. No campo dentro de um cir- 
culo formado por uma especìe de tranga V — REIS, em duas linhas; por baixo 
um castello. 

^ mesmo da anterior, tendo aos lados do escudo V — R, Cinco réis. Ensaio. 

Moedas para as ilhas dos Agores 

17. LUDOVICUS «I DEI GRATI A. Armàs do reino com escudo do feitio 
que usou D. Maria I. 

^c ^ PORTUGALIiE ET ALGARBIORUM REX. No campo, dentro 
de uma coròa de loiro 20, tendo por cima uma «strella e por baixo anno i865. 
Vintem, JE—C. 

18. LUDOVICUS ol DEI «GRATI A. Armas do reino com mesmo feitio 
das anteriores. 

Qr 2S PORTUGALI^o ET «ALGARBIORUM «REX. No campo, dentro 
de uma coròa de loiro io, tendo por cima uma estrella e por baixo anno i863. 
Dez réis, JE—C. 



221 

19. LUDOVICUS»! DEI «GRATI A. Armas do reino do feilio das anle- 
riores. 

Qr 8g PORTUGALIiEoEToALGARBÌORUM-REX. No campo, dentro 
de urna coróa de loiro e enlre dois floroes 5, por cima urna estrella e por baixo 
anno i865. Cinco réiSs ^E — C. 



A moeda no presente reinado apenas teve a mudanpa da effigie e do nome do sobe- 
rano; e escudo real foi ornamentado com duas palmas de loiro e carvalho entrèla- 
padas. Para està ultima alterapao deu-se por motivo serem as chapas mais delgadas 
depois da lei de 29 de julbo de 1854, e nao deixar a falta de espessura pronunciar bem 
a face do lado da effigie, por causa do manto que ornava o escudo; acceitas estas ra- 
sòes superiormente, foi ordenada a mudan^a de ornamento ^ Em julbo de 1867 re- 
presentou o director da casa da moeda nào haver fundamento para similhante pratica, 
e desde entao na moeda de oiro foi lavrado o escudo sob o manto real disposto em pa- 
viMo, comò se usava no tempo da senhora D. Maria li e do senhor D. Fedro V*. 

Em 26 de novembre de 1861 foi requisilado ao ministerio da fazenda um retrato 
de el-rei, de melo perfll a esquerda, para o abridor comepar os cunhos; pedido que 
se renovou em 17 de dezembro do mesmo anno e a 13 de Janeiro de 1862, e so em 
22 de fevereiro se obteve a photographia de Sua Magestade^. 

As primeiras moedas de oiro que se fabricaram foram as meias coróas, de que se 
remetteram as amostras em 1 4 de abril ^ e se devolveram approvadas poucos dias de- 
pois. Os n.®' 2 e 4 representam os typos entào adoptados. 

A carta de lei de 12 de fevereiro, nào so concedeu prorogalo até 31 de dezembro 
de 1862 do praso, que havia findado, para o giro e troca das moedas antigas e sua 
amoedapào, mas permittiu tambem aos particulares e bancos o beneficio do artigo 2.^ 
da lei de 24 de abril de 1856 ^ 

Até 22 de maio de 1862 tinha-se amoedado aos bancos e particulares a quantia 
de 1.011:503i$l000 réis, custando a fazenda o seu feitio 4:088^012 réis, despeza 
que devia ser attenuada coro o apuraraento das escovilhas ou limalha encontrada nas 
vajrreduras das officinas; calculando-se o prejuizo com tal operasse em quatro por mi- 
Ihar em relapao issommas ja effectuadas, nao contando osjornaes, combustivel e mais 
miadezas que, por serem permanentes e aproveitadas em outras cunbagens a cargo do 
ihesouro, nao era possivcl separar ®. 

n.® 1 é um ensaio feito por C. Wiener, e os n.®* 3 e 5 sào os ultimos cunhos 
deslinados para a moeda de oiro, onde o manto rea! em pavilhào orna o escudo do 
reino. ^ 

Os n.^* 6 a 9 representam os tfpos das moedas de prata devidos ao buri! de Fre- 
derico Augusto de Campos, que hoje lao dignamente occupa o legar de primeiro abri- 
dor de cunhos na nossa officina monetaria. primeiro punpao foi lavrado por Borja 



• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xxii-B, foi. 40. 
' Idem, Ut. xxui-B, foi. 132. 

• Idem, Ut. xxn-B, foi. ^ 1 ^, 26 t e 33. 

• Idem, Ut. xxii-B, foi. 53. 

• Doc. comprovatlvo, n.« 295. 

• Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xxii-B, foi. 60 f. 



222 

Freire; mas Betamio de Almeida, que entào dirigia a casa da moeda, oao iicou satisfeilo 
com as provas e mandou proceder a concurso. N'aquelle certamen artistico revelou- 
se de urna maneira bem positiva o grande merito de Campos. jury, composto de 
professores da academia das bellas artes e de intelligentes amadores, coro excepfào 
de um so voto, deu a preferencia ao trabalho d'esle artista, parecer tarabem conOrraado 
em instancia superior, que mandou adoptar o seu cunho. É mister adverlir que o re- 
trato do soberano, que llie enviaram para servir de modelo, era jà antigo, indicando- 
se em officio as modiilcapoes a fazer para o tornar mais exacto ^ 

Abundando no mercado a moeda de prata autiga, tratou-se, no intuito de apressar 
a sua extìncpào, de reduzir uma parte a barras e exportal-as, para se venderem em 
Londres com vantagem, por Ihes poderem ali melhor aproveitar o oiro que conlives- 
sem. Fizeram-se 90 barras que se enviaram para Inglaterra em 1 de agosto de 1865, 
tendo de peso 2.065,002 kilogrammas, e o valor de 80:500f>000 réis^. 

As leis sobre a moeda de oiro e prata foram, alem da que citàmos anterior- 
mente, a de 8 de julho de 1862 que prorogou ale 31 de dezembro de 1863 a troca e 
giro da moeda de oiro e prata, mandada tirar da circulapào era 29 de julho de 1854, 
e concedeu aos particulares, bancos e associa^ oes a cunhagem gratuita da moeda de 
oiro, na conformidade do artigo 2.° da lei de 24 de abril de 1856; permittindo tani- 
bem ao governo a amoedapào da prata até 200:000?5000 réis^. 

decreto de 13 de agosto de 1862 nomeou uma commissào para elaborar um pro- 
jecto de reforma para a casa da moeda e papel sellado; a portarla de 5 de agosto de 
1863 introduziu diversos melhoramentos no fabrico do numerario; e outra portarla de 
17 de outubro do mesmo anno declarou isenta de direitos de salda ou manifesloa 
moeda que quaesquer passageiros levassem comsigo para as suas despezas de via- 
gem^ 

A carta de lei de 21 de maio de 1864 auctorisou o governo a prorogar até 31 de 
dezembro do mesmo anno os prasos estabelecidos para a troca e giro das moedas man- 
dadas retirar da circulafào, e a fazer cunhar até à quantia de 200:000|J000 réis era 
moedas de prata, e 30:000^000 réis em moedas de cobre para terem carso especial 
nas ilhas dos Apores; e concedia tambem aos particulares, bancos e associa^oes a cu- 
nhagem gratuita do oiro ^. 

decreto de 7 de dezembro de 1864 deu urna nova organisapào à casa da 
moeda ^ 

A carta de lei do 26 do dezembro de 1865 manda prorogar o praso até 30 de ju- 



* Ardi, da casa da moeda de Lisboa, rogisto geral, liv. xxii-B, fol. 124 j^, 125 f e 126. Officio diri- 
gido ao abrtdor Campos. ~ « Nào tendo sido possivel Sua Magestade dispensar algum tempo para se Iho 
podcr tirar um melo perfli, s. ex.* o sr. director encarrega-mc de ihe remelter o modelo junlo, quo 
pòde alcangar, e com o qual se conforma, desejando que se Ihe addicione bigode e suissa, conno Sua 
Magestade usa actuaimente. Deus guarde a v. s.* Casa da moeda e papel sellado, 14 de abril de 1863.— 
III."" sr. Frederico Augusto de Campos. — Antonio Xavier de Abreu Castello Branco.» (Idem, Uv. xxii-B, 
fol. 131 t) 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xxni-B, fol. 28, 32 eH^Diario de Lisboa 
n.® 38, de 17 de fevcreiro. 

* Diario de Lisboa, n.» 1G2, de 22 de julho. 

* Idem, n." 184, de 18 de agosto; n." 174, de 7 de agosto; (l)oc. comprovalivo n.» 296), e n.« 238. de 
23 de outubro de 1863. 

* Idem n.° 118, de 28 de maio. 

« idem, n." ?K^, de 16 de dczonil>ro. 



223 

nlio de 18G7 para a Iroca e giro da moeda antìga, e coutiniia aos particulares, bancos 
e associapòes o beneficio da amoedapao gratuita do oiro, auclorisando o governo a cu- 
nhar em prata até a quantia de 300:000/5000 réis*. 

Outra lei, de 26 de junho de 1867, prolongou as niesmas concessoes até 30 de ju- 
nlìo de 1868, e perraittiu ao governo acunliagem de 500:000^000 réis em moedas 
(le prala, e 10:000)5000 réis em cobre, nas moedas de cinco e de tres réis^. 

A 4 de setembro de 1868 tornou-se a prorogar até 30 de junho de 1869 o praso 
para o giro e troca das moedas antigas, e permiltiu-se lambera aos particulares, ban- 
cos e associafoes a amoedafào gratuita do oiro^. 

Outra lei, datada de 17 de agosto de 1869, renovou as concessoes do giro e troca 
das moedas antigas, e amoedapào gratuita aos particulares e bancos até 30 de junho 
de 1870*. 

Igual auctorisafào foi decretada em 9 de junho de 1870, prolongando o praso até 
30 de junho de 1871 V 

A carta de lei de 27 de setembro de 1871 alongou outra vez o praso até 30 de ju- 
nho de 1872 para a troca e giro das moedas antigas^ mandando continuar comò bene- 
ficio da amoeda^^ào gratuita do oiro; e auctorisou o governo a fabricar 400:000^5000 
réis em prata de novo cunho de 500, 200 e 100 réis, para converter em moedas do 
paiz as de prata brazileiras depreciadas, que corriam no districto de Angra do He- 
roismo ^. 

A 1 4 de maio de 1 872 foi novamente prorogado o praso ale 30 de junho de 1873 ^, 
e n'este anno, nao se tendo resolvido era cortes a prorogapSo de praso para o giro e 
troca da moeda antiga, foi determinado em portarla de 11 de juiho se continuasse até 
futura resolupào com oste beneficio publico. 

A lei de 10 de abril de 1874 continuou as mcsraas concessoes até 30 de junho de 
1875, e deu auctorisacao ao governo para fazer cunhar 6:000^5000 réis em moedas 
de duco réis, e até 9:OOOr5000 nas de tres réis^. 

Outra carta de lei, de 23 de feverciro de 1875, prorogou até 30 de junho de 1876 
praso para o giro e troca das moedas antigas, mandadas tirar dacirculapao em 29 de 
julho de 1854, continuando a conceder aos particulares, bancos e associapoes a amoeda- 
fào gratuita do oiro ; e por essa occasiào foi o governo auctorisado a mandar cunhar réis 
400:000(5000 em prata nas moedas de cinco tostdes, dois, um e meio tostdo, e bem 
assim 12:000^000 réis em cobre nas moedas de cinco réis^. 

A lei de 29 de julho de 1854, que reformou o nesso systema monetario nos dois 
metaes preciosos, diz no artigo 2.** que a peca, tendo o peso de 14 grammas e 188 
railligraramas, e a meia poca, com 7 grammas e 94 milligrammas, continuariam a ter 
curso legai. artigo ainda nao foi derogado, mas estas moedas nào sào acceitas no 
mercado, nem' na casa da moeda, que allega jà haver terminado o praso para a troca 



' Diario do governo n.» 206, de 30 de dezembro. 

* Idem n.* 142, de 27 de junho. 

' Idem n.« 206, de 12 de setembro. 

* Idem, n.« 188» de 21 de agosto. 
' Idem n.' 132, de 15 de junho. 

' Idem n.« 224, de 4 de outubro. 
' Idem n.* Ili, de 18 de maio. 
' Idem n.* 86, de 20 de abril. 
' Idem n.* 46, de 1 de marco. 



224 

e giro das moedas de oiro e prala. Nào achàmos motivo rasoavel para tal recusa, 
quando, alctn de serem exceptuadas bem claramente na lei, o seu valor intrinseco, 
tendo peso, corresponde ao oiro hoje amoedado; e sé em algumas o toque é infe- 
rior, é tambem ao governo que compete garantir as faltas commettidas por urna re- 
parlipào officiai. 

Todas as moedas de cobre no continente do reino Toram lavradas na rasào de 360 
réis arratel, e sendo esle igual a 459 gramraas, éorresponde i moeda de cìtico réis, 
com diametro de 27 millimetros, o peso de 6,375 grammas; à de dez réis, com 32 
milliaielros, 12,750 grammas; e ao vìntemi com 37 millimetros, 25,500 grammas. 
So quando o metal se apresentava quebradipo, se juntava no acto da fusao orna pe- 
quena por(ào de zinco, poucas vezes excedente a 2 por cento, com o flm de o tornar 
malcavel e apto para a amoedapào ^. 

Os n.^^ 10 a 13 sào OS typos das moedas de cobre, que, segundo a carta de lei de 
26 de junho de 1867, se mandaram cunhar para terem curso no continente do reino e 
Africa portugueza. 

A representafiào de alguns dìstrictos admìnistrativos sobre a falla de moeda mìnima 
de cobre foi attendida pelo poder legislativo, mandando lavrar moedas de ciuco réis ^ 
e de tres réis. As ultimas nào se fabricavam desde 1818. 

Para satisfazer integralmente aos pequenos pagamentos, propoz o director da casa 
da moeda, em 22 de marpo de 1 867, o cunhar-se tambem moeda de dois e de um real, 
medida acertadissima que, facilitando as pequenas transacpoes das classes menos abas- 
tadas, influiria de modo favoravel nas variapoes dos prepos dos generos de priroeira 
necessidade '. 

Moedas para as nhas 

Os negociantes e proprietarios de Angra do Hert)ismo representaram em 1 5 de 
julho de 1864, por intermedio do governador civil do mesmo districlo, contra a circu- 
lapàò forpada das meias sarrilhas por 120 réis cada urna, quando nos cofres puLlicos 
as rejeitavara, promovendo grandes embarapos no commercio. absurdo com que as 
proprias auctoridades recusavam a mesma moeda que o povo tinha obrigapao de accei- 
tar em virtude de uma lei, era de per si o bastante para se attender seriamente a ad- 
minislrapao das ilhas dos Apores e Madeira, quo, dizendo-se uma parte da divisào ter- 
ritorial do reino, téem um systema monetario diverso, dando logar a prejuizos e justos 
queixumes. Uma reforma radicai é de ha muito reclaraada para igualar o prepo da 

* Àrch. da casa da moeda de Lisboa, regìsto geral, Uy. xxn-B, fol. 35 v. 

* A emprcza da ponte pensil da cidade do Porto, encontrando grande difficuldade cm obter moe- 
das de cinco réis, para fazer os trocos necessartos no pagamento das passagens, pediu a permissào de 
usar de senhas metallicas, e o director da casa da moeda, que foi consultado sobre està pretensao, in- 
formou favoravelmente, mas propondo que as senhas fossem em numero muito limitado e flxado pelo 
governo; que nos trocos se nào podesse dar mais de uma senha; que o represcntante da empreza se 
devia obrigar a trocar as ditas senhas por moedas de cinco réis logoquc as liouvesse em quantidade 
sufficiente no mercado, condicào que se devia tambem estender à total idade emittida; e que as senhas 
fossem quadradas, sendo o metal vasado em moldes, prohibindo-se o uso de prensa ou balancé. As 
ultimas indicacOes nào se attenderam, pois as senhas que se fizeram, foram redondas e cunbadas. Em 
8 de marco de 1865 mandaram-se fabricar na casa da moeda 5:000 senhas em cobre para se distribui- 
rem aos agnadeiros na occasiào dos incendios, sendo enlregucs a camara municipal de Lisboa, que pa- 
gou toda a despeza. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, rogisto geral, Hv. xxn-A, foL 85 v. e 111, 
e liv. XXII -B, foL255 V.) 

■ Idem, ìiv. xxm-B, foL 119 t- 



225 

moeda insulana com a que circula no continente portuguez, deixando correr a estran- 
gcira^como mercadoria e fazendo desapparecer o abuso do ccrceio e outros, em que 
(le continuo lidam os especuladores. 

Infelizmenle nào se remediou o mal, e os poderes publicos decrelaram em 21 de 
revereirodel865acuahagemde iOrOOOjJOOOréisem moeda de cobre,sendo 0:000/5000 
ora vintens^ 3:500i5ÌOOO era raoedasde clez réis, e SOO^JOOO em moedas de cinco réis, 
Osn.^* 17, 18 e 19 foram os typos entào cunhado3.com destino espccial para os Afo- 
res, iguaes tambem no peso aos mandados lavrar por D. Maria I em 1 794 '. 

Em 1869 sr. Hathias de Carvaiho, na qualidade de director da casa da moeda, 
subraettcu à considerafào do governo um projecto de lei * para se uniformisar a moeda 



< Arcli. da casa da moeda de Lisboa, regislo geral, liv. xxii-A, fol. 109 v. 

• IH."* e Ex."*' Sr.— Tenlio a honra de submctler à elcvada consideraQào de V. Ex.* um tra!)aIlio 
com qual se póde regalar devidamente a questào monetaria das ilhas dos AQores, e uniformisar a 
circulacào, tanto d'este archipelago corno da iiha da Madeira, com a do conUncnte, o que é de reco- 
nhecida vantagem economica e commercial. 

Deus guarde a Y. Ex.» Casa da Moeda e Papel Sellado, 27 de setembro de 1869.— III."" e E.^."" Sr. 
Ministro e Secrctario d'Estado dos Negocios da Fazenda.— Malhias de Carvoiho e Vasconcellos. 

Senhores.— A circuìacào monetaria, tanto no archipelago dos Acores corno na illia da Madeira 
acha-se constituida em opposigào aos bons principios economicos, e em completa desliarmonia coni 
as I)ases estabclecidas na lei monetaria do paiz, ainda que para numerosos e varìados cfìTcitos Icgaes 
as ilbas adjacentes sào de ha muito consideradas corno fazendo parte integrante do conUncnte do reino. 
\ moeda insular que tem.curso legai, póde dizer-se que està hoje reduzida a especies estrangeiras; 
aiem d'isso é uma moeda fraca. Qualquer d'estas consideracòes era sobejo motivo para justificar a ma- 
dida que entendo dover apresentar-vos. Uniformisar a moeda das illias com a do continente do reino, 
é satisfazer a uma imperiosa necessidade. 

Facilitam-se por este modo as relacdes commerciaes entro irmàos, o que é de grande vantagiMn 
para lodos; e podendo as differentes moedas estrangeiras, que actualmente tòem curso legai, continuar 
cm circulaQào corno moeda commercial, nào flcam difQcultadas as transacgòes com os paizes quo ató 
aqui remettiam para os mercados insulares metaes amoedados em troca dos productos da sua expor* 
taQào. Em vista dos motivos que ilcam expostos tenho a honra de submetter à vessa approvagào o se- 
guiate : 

Artigo l.<> No archipelago dos Aoores e na ilha da Madeira, a contar da publicacào da presente tei, 
so terào curso legai as moedas que pela carta de lei de 29 de julho de 1854 floaram oonstituindo a oir* 
culagào legai do continente do reino. 

§ i.« As moedas de que trata este artigo terào nas referidas ilhas os mesmos valores que Ihe foram 
assignados na citada carta de lei. 

§ 2.* As moedas de cobre das ilhas dos Acores continuarào a ter carso legai n'estas ilhas sómentQ, 
e pelos mesmos valores nominaes com que actualmente circulam. 

§ S."* Às moedas de cobre da ilha da Madeira sera applicavel disposigào identica à do § antece- 
dente. 

Art. Z* governo flxarà o praso, que nào deverà nunca exceder tres mezcs a datar da promul- 
8>0ào d'està lei, durante o qual serào recebidas nos cofres publicos, em quaesquer pagamentos ao es- 
tado, ou n'clies trocadas por moeda propriamente dita, as moedas estrangeiras ouja circulagào està 
legalmente auctorisada. 

§ unico. Nas operacdes a que se refere este artigo, as moedas estrangeiras de que n'elle se trata 
^m acceìtas pelo scu valor intrinseco. 

Art. 3.* No pagamento de uma obriga^o de qualquer ordem, contrahida antes dapromulgacào da 
presente lei, o credor so tem direito a receher moeda legai, e em quantia equivalente ao valor intrin- 
seco da somma que n'essa obrigagào tiver side cstipulada em moeda corrente do tempo a que a mesnui 
obrigagào rcspeita. 

Art. 4.0 Para execugào do artigo precedente, e do g unico do artigo 2.**^ fica o governo auctorisado 
a organisar, com relagào à unidade monetaria do paiz, a tabella dos valores intrinseoos das differentes 
moedas que deixam de ter curso legai nas ilhas adjacentes. 

Art 5.0 Os pagamentos devidos ao estado podem ser effectuados, pela sua totalidade, em moedsi 
t^ubsidiaria de prala mandada cunhar em virtude das disposicóes da lei de 29 de Junho de 18.')4. 

TOMO n 15. 



226 

das ilhas dos Apores e Madeira coni a do conlinenlc ; mas, por circumslancias que des- 
conhecemos, nào chegou a urna resolupào favoravel. 

Etn 1875 Q*uma sessào de còrles foi apresentado pelo ministro da fazenda outro 
projecto de lei, para se estabelecer nas mesmas ilbas o systema monetario do conti- 
nente; infelizmenle o projecto, que se devia estender às nossas colonias da Asia e da 
Africa, nao teve seguimento. 

É deploravel a persistencia era prolongar a circulapao da mesma moeda com dif- 
ferentes valores nas ilhas adjacentes e possessoes ultramadnas. Quando as nacionali- 
dades europcas tratam de resolver o grande problema economico da uniformidade da 
moeda, Portugal, que tambem se associou, contimìa a conservar com o maior indif- 
ferentismo varlos syslemas monelarios no continente, ilhas dos Apores e Madeira, 
Angola, S. Thomé e Principe, Mopambique e Goa, corno vamos descrever no 3.** tomo. 



As providencias monelarias legisladas em Portugal no presente seculo nào abonam 
a capacidade economica e adminislrativa dos iegisladores. A faltadeproporpàonopeso 
e toque das differentes moedas enlre si e em relapào ao seu valor intrinseco com o 
das estrangeiras, a que se deu curso forpado, motivaram especulapoes e grandes pre- 
juizos nacionaes. 

decreto de 24 de abril de 1835, estabelecendo o systema decimai na moeda de 
oiro e prata, nào melhorou os defeìtos antigos; e as concessoes para o curso do dinheiro 
do mesmo metal de diversas napoes, com as leis repressivas dos abusos, so consegui- 
ram augmentar a confusào. valor do marco de oiro nas moedas portuguezas estava 
reputado em 128^000, emquanto nas libras esterlinas correspondia a 129^5(400, vao- 
tagem que favorecia a sua importapào e o desapparecimento da moeda de oiro nacio- 
nal. Em presenta d'estas tristes circumstancias a reforma de 29 de julho de 1854 
tornou-se uma imperiosa necessidade, para equilibrar o prepo das diversas moedas, e 
para retirar da circulapao as estrangeiras e as nacionaes antigas, tanto de oiro corno 
de prata, a fim de serem de novo fabricadas com o devìdo peso; e comò peiaaos abu- 
sos na emissào da moeda subsidiaria, tornou dependente de lei das cortes a cunha- 
gem da prata e do cobre. 

Mas està retorma, alem de outros, deixou um mal de que tarde nos poderemos 
emancipar; a continuapào do curso legai do soberano com o valor fixo de 4jj500 réis, 
comò Ihe havia dado a carta de lei de 30 de Janeiro de 1851, foi um erro economico, 



g 1.0 Alem do estado, ningucm é obrigado a receber em pagamento mais de cince mil réis em 
moeda subsidiaria de prata de que trata este artigo. 

§ 2.« A disposi^ào do § antecedente estende-se aos pagamentos de que faz mencio o artigo 3.« 

Art. 6." governo providenciarà por modo que na constituigào normal da circulacào das ilhas 
adjacentes entre a quantidade indispensavel das moedas subsidiarias de prata que admitte a lei mone- 
taria do paiz. 

g unico. Procedendo-se a novas emissòes de moedas subsidiarias de prata em conformi dade com 
este artigo, pubiicar-se-ba successivamente no Diario do governo a iroportancia de cada urna d'ellas. 

Art. 7.** governo darà conta às cortes na proxima sessào legislativa de modo por que foram exe- 
cutadas as disposigòes d'està lei. 

Art. %.^ Fica revogada toda a Icgislacào em contrario. (Arch. da casa da moeda de Lisboa, re^sto 
goral, liv. xxiii-B, foi. 206). 



227 

que teni custado sommas enormcs ao paiz. Antepomos a quaesquer outras reflexoes, 
a que se presta lào imporlanle assumplo, o que escreveu o sr. Malhias de Carvalho * 
no seu relatorio ao governo em 9 de setembro de 1864, inrormando a representapào 
da associafào commercial do Porlo e o parècer que sobre ella dera o banco de PortugaL 
«A moeda de oiro ingleza ficou fazendo parte da circulapào monetaria portugueza 
corno moeda legai do paiz e com um valor fixo e invariavcl de 4^5500 réis. Nào me 
cumpre, por -agora, discutir o valor d'esle preceito; é certo porém que da sua exis- 
tencia combinada com as varia^oes do cambio e com a taxa do desconto do banco de 
Inglalerra, devem resultar correntes monelarias que alimentera ou dosfalquem a cir- 
culapào da nossa moeda de pagamentos. Da exportagào actual do oiro encontra-se ex- 
plicapao completa no que fica dito. cambio sobre Londres abaixou a 53 Ys a novenla 
dias de vista; o banco de Inglaterra elevou o desconto a 8 por cento ao anno; n'eslas 
circumstancias a libra esterlina, estimada em réis, vale em Londres 4^588 réis. A com- 
pra de uro soberano em Lisboa por 4,^500 reis, juntando-lhe 1 por cento de direitos de 
exportafào, '/e por cento de seguro e */8 por cento de frete, entra no banco de Ingla- 
terra pelo prego de 4j5558: desde logo o exportador aufere o beneficio de 30 róls por 
cada libra esterlina exportada, islo é, '/a por cento, beneficio muito superior ao qut» 
resulta da operapào de saques e remessas entro banqueiros, a qual produz, termo me- 
dio */4 por cento. É certo que as circumstancias actuaes de cambio e desconto sào propi- 
cias à exportagào do oiro, mas nào 6 raenos verdade^que, se os exportadores tivessem 
eDconlrado na praga commercial de Lisboa, d'onde tem saldo a grande parte senào a to- 
lalidade do oiro exportado, papel curio sobre Londres ao cambio de 52 ^8, que corres- 
poode a 4?>588 réis por libra esterlina paga em Londres, linham feito remessa de papel 
em vez de numerario. Nem se explic,a o silencio que a direcgào do banco de Portugal 
guarda na sua informagào àcerca d'este remedio, o unico que teria prevenido o mal jà 
feito e obslado a sua continuagào, a nào ser pelo motivo de o nào ter praticado segundo 
assuas forgas. É sabido que o banco de Portugal, que recebe deposilos de que nào paga 
juros, serve-se d'este capital para as compras de papel sobre Ix)ndres. Ha tres raezes, 
pelo raènos, que o cambio se conserva nas proximidades de 53 ^s, e deve suppor-se que 
na carteira do banco de Portugal entrou porgào avultada de papel comprado por este 
cambio. Quando o desconto subiu em Londres a 8 por cento, o que favorecia a exporta- 
fào dos soberanos, se o banco de Portugal tivesse aberto a sua carteira e vendido o 
papel curio ao cambio de 52 Vs, nào tinha saldo de Lisboa urna somma sensivel de nu- 
merario. banco de Portugal linha prestado ao paiz um servigo relevanle, sem perda, 
mas aotes beneficio, em comparagào das suas operagoes ordinarias. É facil demonstral-o : 
lodo papel sobre Londres a noventa dias de vista comprado ao cambio de 53 Vs e ven- 
dido a vista ao cambio de 52 Vs produz um beneficio de 5 7io por cento ao anno, por 
conseguinte superior ao desconto do banco de Portugal, que é de 5 por cento ao anno. 
E deve notar-se que n'este calculo fizabstracgào da despeza inevilavei que o banco de 
Portugal tem de fazer, para importar novamente o oiro de Inglaterra, visto que a expor- 
tagào ha de necessariamente ter afi'ectado a reserva metallica do banco. É voz publica 
que banco de Portugal nào cultiva a operagào da venda do papel que urna vez entrou 
na sua carteira. Como està medida so prejudica os interesses do banco, abslenho-me de 
loda e qualquer reflexào. Comtudo, para prevenir a exportagào do oiro, valla a pena 
inaugurar urna excepgào, que no interesse do banco me parece devia ser regra geral. 

' fcntào director da casa da moeda. 



228 

Mas sf ainda assiin o banco de Portugal nào queria afastar-se das suas regras, oulro 
meio linha à sua disposij'ào coni o qual se conseguia o mesmo resultado, islo é, impe- 
dir a exportafào do oiro. Logo que as circumslancias commcrciaes se apresentavara 
favorecondo a exportafào da moeda ingleza que circula entre nós, o banco de Portu- 
gal tinha a de certo prevenido, pelo menos na maxima parie, annunciando que saccava 
à vista sobre Londres ao cambio de 52 78. Era lodos os paizes os eslabelecimentos 
bancarios que gosara do privilegios, téem sempre a peilo, principalmente ìiasoccasiòos 
crilicas, aplanar as difficuldados que podem perturbar a regularidade das Iransacpoes 
coraraerciaos. Os bancos privilegiados repulam-se obrigados, à custa mesmo de sacri- 
flcios quando é necessario, a prevenir por lodos os meios ao seu alcance qualquer 
abaio commercial, que circumstancias cspeciaes possam acarretar. Mas nera o banco 
de Portugal se impunha a mais leve perda, promptiQcando-se a saccar à vista sobre 
Londres ao cambio de 52 ^g. Com effeilo o resultado d*esta operapao coraparado com 
da compra de papel a 53 ^s que devia existir na carteira do banco de Portugal, e 
tornando em considerafào a despeza de */* por cento com o agente do banco de Por- 
tugal em Londres, apresenta ainda um beneflcio correspondonte a 4*/3 por cento ao 
anno. É possivel que o banco de Portugal guardando em carteira ale à epocha do ven- 
cimento as letras que comprou a noventa dias de vista ao cambio de 53 ^g, e aprovei- 
tando em Londres a importancia d'estas letras para uma operapào de resaques sobre 
a prafa de Lisboa, é possivel, digo, que aufira beneflcios mais avultados. Se està é a 
operafào que o banco de Portugal entende ser aque maislbe convem, seria subversi- 
vo dos bons principios por obstaculos ao pieno exercicio da sua liberdade commercial. 
Nenbuma lei escripta obriga o banco de Portugal a vender, por prefo que Ihe nào agra- 
de, papel que poderia ter sido remettido para Londres, para substiluir a moeda ex- 
portada. Mas havemos de ser coherentes até ao dm, e seguir a risca o preccito que jà 
hoje ninguem discute: os bancos livres no exercicio das suas operapoes, supporlam- 
Ihes as consequencias, quaesquer que ellas sejam. As consideraf Ses que acabo de fazer, 
parece-me que elucidam a questào, e considero-as comò preliminares necessarios para 
entrar no exame dos alvitres propostos pela direcpào do banco de Portugal no seu informe 
àcerca da representaf ào da associapào commercial do Porto. primeiro alvitre que 
propoe a direcf ào do banco de Portugal, ó a rerundifào e amoedafào immediata em 
moeda porlugueza da moeda circulante denominada soberano. Creio que a direcfào do 
banco de Portugal sabe perfeilamente que o thesouro paga todas as despezas de amoe- 
dapao de qualquer porfào de oiro amoedado ou em barra que llie seja conOada. Por 
que nào aproveita o banco d'està faculdadc que a lei Ihe concede, e poe em pratica o 
seu alvitre? Quererà a direcpào do banco de Portugal que seja o governo quem Taf a 
a refundifào? — Em lodo o caso cumpre-me declarar que sou de opiniào contraria. Se 
governo rerundisse e amoedasse em moeda nacional os soberanos que existem em 
circulapào, havia de salr para fora dos cofres do thesouro, alcra da totalidade das des- 
pezas jnherenles a fabricapào, a somma equivalente à perda de peso que aquella moeda ' 
lem experimentado pelo attrito da circulafào. Muito conveniente seria que a circula- 
fào da moeda nacional de pagamenlos se livesse jà elevado ao ponto em que se po- 
desse prescindir da circulapào legai de uma moeda estranha, recebida por uro prefo 
fixo e invariavel. Entendo que se póde e deve quanto antes modificar a lei monetaria 
do paiz, para dar piena satisfapào a està necessidade economica. Porém nas circuroslan- 

9 

cias actuaes nào posso aconselhar ao governo de Sua Magestade a refundifào dos so 
beranos, nem tao pouco a compra de oiro ora barra nos mercados estrangeiros, para ser 



229 

converlido em moeda nacional. Està operapào acarretava uni grande encargo'para o 
Ihesouro, e se a exporlapào do oiro é devida a causas geraes resultantcs do estado 
dos mercados estrangeiros, a exportapào da moeda estranila, que circula entre nós, é 
ìnevilavei, e após està havia de sair a que fossemos cunbando, emquanto se nào mo- 
. dificassem as causas que tìnbam produzido a corrente de exportapào monetaria. 

«Mas se a quantidadè de moeda que lem saido para Londrcs, é devida principal- 
menle a circumstanclas locaes, quo podiam ter deixado de existir senào na totalidade 
pelo raenos em grande parte, a exportapào do oiro constitue um facto economico tran- 
sitorio; e se para reslabelecer a circulafào no mesmo ponto em que se acha, for neces- 
sario fazer alguns sacrificios, nào é de certo ao Ihesouro que cumprc supportal-os. 
Lembra a direcpào do banco de Portugal em segundo legar, comò meio seguro de por 
termo a exportapào dos soberanos, mandar carimbar està moeda. Póde a direcpào do 
banco de Portugal esquecer, mas de corto que o mesmo nào aconlece ao governo de 
Sua Magestade, que a moeda nacional, quanto mais a estrangeira, 6 uma verdadeira 
mercadoria sujeita comò todas as outras às leis da oOerlà e pedido. Nào devo pertanto 
demorar-me na apreciapào d'este alvitre, que so poderia servir para perdermos de con- 
celto entre estranlios. terceiro alvitre, de que faz menfào o informe da direcfào do 
banco de Portugal, é que se legalise a faculdade de pagar em moeda de prata maior 
somma do que a estabelecida pela carta de lei de 29 de julho de 1854! ! Acredito que 
a direccào do banco de Portugal nào reflectiu um instante sequer no alcance do ex- 
pediente que acabo de transcrever.- Nào Ihe póde ser desconliecido que a moeda de 
prata, creada por aquella lei, lem um valor intrinseco ìnferior ao nominai. É uma moeda 
subsidiaria, destinada a. facilitar as transac^oes do uso commum e a perfazer os paga- 
mentos que nào podem ser saldados integralmente pela moeda propriamente dita. 
paiz que sd afastasse d'estes principios acarretaria sobre si a reprovapào goral do mun- 
do civilisado. Por ultimo a direcpào do banco de Portugal entende que se póde mino- 
rar ou mesmo diilicultar a exporlapào do oiro, negando-se o banco absolutamente ao 
desconto que os especuladores para esse fim Ihe apresentassem, ou se fosse para isso 
superiormente auctorisado, exigir para esse desconto um juro que desconcertasse os 
calculos da operarlo. Se o banco de Portugal possue um criterio com que possa des- 
criminar entre as letras que se Ihe apresentam para o desconto, aquellas que levam o 
Oto na exportapào do oiro, negar-lhe o desconto é perfeitamente justo. Mas entrando 
n'asti caminho, póde o banco de Portugal, independentemente da sua vontade, esten- 
der este cxpedìente a muitas letras que, tendo por fim occorrer ao andamento re- 
gular das transacpóes commcrciaes, se nào fossem descontadas pelo banco, collocavam 
commercio n*uma situapào exlremamente penosa. Gonfio na prudencia do banco de 
Portugal, e espero que ha de contribuir para minorar o mal e nunca aggraval-o. Res- 
ta-me fallar do augmento do juro do desconto, com que o banco suppóe poder obstar 
à exporta^ào do oiro. É certo que se a exportapào proviesse unicamente das letras 
descontadas no banco, acabava com a elevapào do juro do desconto; mas a direcpào 
* do banco de Portugal sabe perfeitamente que ha outras fontes sobre as quaes o alvi- 
tre proposto nào lem influencia. Em todo o caso se dependesse de mìm conceder ao 
banco de Portugal a faculdade de fixar o juro do desconto comò multo bem entendes- 
se, nào hesitava um momento em satisfazer aos seus desejos, comtanto que tòdos os 
privilegios do banco Ocassem reduzidos a um so — o privilegio de emissào — . A expor- 
lapào do oiro no ponto em que se acha, é jà um facto economico importante, mas es- 
pcro que nào nos ha de conduzir a uma crise monetaria. Nào pretendo attenuar a im- 



230 

portancia do acontecimento, que merece sèria atlenpào, mas ainda muito mais graves 
soriam as rainhas apprehensoes, se o considerasse exclusivamenle devido ao estado 
desfavoravel dos raercados estrangeiros Era todo o caso, sejam quaes forem as causas 
que produzem perturba^ oes desta ordem, os seus resuUados sào sempre lanlo menos 
Tuneslos, quanto melhor e mais solidamente se achar consliluida a circulapào mone- 
taria do paiz. É para o conseguimento d'este Dm que muitó especialmenle devo cha- 
njar a atlenfào do governo de Sua Mageslade. . .*.» 

Alem das justas pondera^ òes que acabàmos de Iranscrevcr, sera nos fazer cargo 
da doutrina fiduciaria, é raister ponderar que os inglezes, considerando a sua raoeda 
de oiro corno uraa mercadoria, quando Ihe encontram a mais insigniflcanle diminuif ào 
no peso, excedenle à tolerancia, a cortam para se fundir e cunhar de novo, corape- 
lindo esla fiscalisaf ào ao banco de Inglaterra. Corao a perda recàc no possuidor, as li- 
bras csterlinas usadas sào as preferidas para exportar, e se tornam a voltar, sào rece- 
J>idas com indemnisapao da falla no peso. governo porluguez conhece praticametile 
eslas cspeculaf oes de alguns capilalistas. 

Jà lem apparecido annunciado no Diario de Lisboa^ que os coupons da divida ex- 
terna se pagam na junta do credito pubiico ao cambio de 52 dinheiros esterlitws e ^/g 
por 1?5000 réis, reputando a libra era 4$560 réis, eraquanto està a rasào de 4:^500 é 
calculada pelo eambio de 53 dinheiros esterlinos e ^/a por 1^000 réis, e no orpamento 
do estado vera a mesma libra^ a pagar era Londres, reputada por 4^363 era moeda 
porlugueza. Os tres prefos dados ofilcialmenle a libra esterlina tornam se as vezes dif- 
ficeis de cxplicar. 

Outros males conlinuaram a subsistir depois da reforma de 29 de julho de 1 854, 
e chegam a ser urna vergonha pela deraora havida era os remediar. 

A raoeda de bronze, chamada vulgarraonte pataco, acha-se conderaaaBa desde a 
sua creafào. Os mesraos esladistas que lanparara mào de tao mau recurso flnanceiro, 
nunca Ihe poderam encobrir os defeitos. Alem da que anda era circulapào, nos arroa- 
zens do banco de Porlugal existe uraa grande quantidade servindo de garanzia às im- 
mensas notas de cóbre ou bronze que giram no raercado, entrando pela terpa parte 
nos pagamentos, e quando se pretendera trocar isoladamente, soffrem ura agio varia- 
vel. A subida do desconto coincide quasi sempre com a exporlafào de oiro amoedado, 
quando o banco se ve obrigado a recolher as notas representantes d'esle metaK para 
nao embarapar a sua aflluencia à troca, circurastancia que nào receia com as de co- 
bre ou bronze, cujos sacos estào sempre a dispósipào do portador do papel fiduciario, 
que prefere ordinariamente pagar o rebate a transportar tao incommoda raoeda. Este 
onus pesa quasi todo no coraraercio e na populapào da capital, e dà logar a abusos 
especulativos muilo conliecidos, reclaraando a moralidade que os poderes publicos, 
reduzindo a quantidade da moeda subsidiaria, relirem da circulapào as velbas chapas 
de bronze e cobre, disformes e de aspeclo pouco agradavel, que por ahi correm com 
n nome de dinheiro. É provavel que a sua substituipào importe algum sacrificio ao 
thesouro; mas é para lamentar que os governos que se téera succedido, apesar de Ihe 
reconhecerem a urgencia, nào tenhara estudado nera feilo esludar bera a queslào, que 
parece à primeira vista ter raaiores difficuldades de que realraentc tera. 

Està resolufào, à forfa de se esperar, vae tornando visos de inlerminavel. 



' Arcli. fia casa da raoeda do Lisboa, rrg^islo fforaì, lìv. xxii-B, foì. 2G'2. 
• lìc 1 1 do jijlho de 1865. 



» 



» 



231 

Vejamos de relance o que se lem projectado ultimamente. 

Os n.**' 14, 15 e 16 sao uns ensaios feitos na Belgica e trazidos pelo sr. Mathias de 
Carvalho, acompanhados da proposta para a refundipào da nossa moeda de cobre a 
quatni francos por kilogramma. 

Belamio de Almeida, que a esse tempo dirigia a casa da moeda com tanto zèlo comò 
intelligencia, apresentou pela sua parte o seguinte resuUado no custo de 1 kilogramma 
de chapas. 

900 grammas de cobre a 566 réis. . . 510 réis 

n 1 1 vv X- I 50 grammas de eslanho a 580 réis. . 29 » , ^^^ ,. 

Da moeda de XX réis < ^.° , . ,cìa a- n ^ 703 réis. 

50 grammas de zinco a 1 20 réis 6 » 

Trabalho fabrii 158 » 

r, 1 1 V - i Materia prima comò aciraa 545 » ) ^.. 

Da moeda de X reis . . -, k n r i -i n,n 861 

( Trabalho fabnl 3 1 6 )> j 

j. 1 1 V ^-^ I Materia prima comò acima 545 » / 

ua moeda de v reis. • i m , ii - • .i ^r»'> > 1 1 177 

I Trabalho fabnl 632 » \ 

^ ,,!,.. iMateria prima comò acima. . .; 545 » ) ^^^ 

Da moeda de II reis . . i « , „ r i -i i^, 699 » 

/ Trabalho fabnl 154 » ) 

^ , , t , l Materia prima corno acima 545 » / ^,., 

DamoedadeIreal...L, , ..fi .. oao 853 » 

Trabalho fabnl 308 » 



Nos prepos das duas ultimas verbas apenas se contam dois canhadores e dois ser- 
ventes. resto da despeza vae comprehendido no fabrico das moedas, de XX, X e V 
réis, de que as duas ultimas eram accessorio. prepo dos metaes foi calculado em.re- 
lafào ao mercado de Lisboa, geralmcnte escasso. 

A despeza poderia diminuir, reformando-se os processos defeiluosos que aindà se 
usavam nas nossas officinas mo'netarias. A mào de obra nào se mettia em conta, visto os 
operarios terem vencimento permanente *. 

A somma dos patacos em circulapao, tanto dos emitlidos legalmente comò dos in- 
troduzidos por falsificapao, monta a perto de dois mil contos, e pelos calculos feitos o 
seu valor intrinseco é ainda inferior a um lerpo do representati vo^. Betamio de Al- 
meida, que estudou a questào tambem pelo lado economico, requisitou do ministerio 
da fazenda^ em 6 de marpo de 1863, cincoenla moedas de bronze de quarenta réis 
cada urna dos seguintes annos: 1811 a 1815, 1817, e de 1819 al834^;eprocurouem 
repetidos ensaios dar certa homogeneidade à liga dos patncos, no intuito de os apro- 
veitar no fabrico da nova moeda. D'estes trabalhos tiraram-se provas com os cunhos dos 
etneo tostdes, satisfazendo cabalmente em separado; mas a liga das moedas de bronze, 



* Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. xxii-D, fol. 203 v. 

' Vide pag. 199 d'estc tomo. 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. xxu-B, fol. 123 v. 

N'este mcsmo anno de 1863 comprou Betamio de Almeida o pequeno monetario do sr. Joacfuim 
José Collabo, por 320^000 réis (por mal informados dissemos a pag. 102 do 1.® tomo sor o prego réis 
3504000} para Junto com algumas oatras moedas antigas que existiam n'aqucUa reparticào, servir de 
nucleo a urna boa collecgào numismatica, onde se podesscm confrontar os progressos artisticos e a ri- 
queza metallica nas difTerentes phases por que tòem passado a nossa civilisagào. As moe !as que formam 
iDedalheiro da casa da moeda tèem de peso em grammas aa de oiro 2,GS07; as de prata 4,0335 e as de 
robrp 5,500. (Idem, liv. xxii-A, fol. 49 v. e xxii.-n, fol. 170 e 204 v.) 



232 

sendo em proporpoes muilo divorsas, difllcultava a lioniogeneidade, e as cizalhas de- 
pois de fundidas nào deixavam o metal apio para receber o cunho. Estes eslorvos nao 
linhani grande importancia, principalmente nas cizalhas, que poderiam reduzir-se a 
barras e aproveilar-se n*outros misteres, pois a cunhagem da moeda subsidiaria 
nào deverà ultrapassar o indispensavel para trocos, nao se admillindo nos pagamenlos 
quantia superior a 500 réis. 

Em 1870 C. Mercié Uls propoz ao governo portuguez o reformar a moeda de cobn* 
e bronze, em harmonia com as bases adoptadas na commissào monetaria intemacio- 
nal reunida em Paris em 1867, cunhando-sc uma nova moeda de bronze de vinte, de 
dez e de cinco réis, com os pesos de 25, de 10 e de 5 grammas; devendo ter n'uma 
face a effigie de El Rei e no reverso as armas do reino. A moeda velha seria relirada da 
circulapao, a proporpSo que se subsliluissc pela nova. proponente calculava que de 
770:000 kilos de moeda velha seria possivel crear um valor nominai de 1 .400:000^000 
réis em dinheiro novo. 

Pela mesma occasiao prestava-se J. H. Andersson a fornecer o cobre e bronze pre- 
ciso para se fabricarem 1. 000:000^5(000 réis, augmentando assim o numerario n'esles 
metaes que superabundavam no mercado; e J. Colombier frères fez uma outra offer- 
ta, por intermedio de J. de Athouguia da Franpa Neto, para a refundifào das moedas 
de. cobre porluguezas, promettendo com tal operapào grandes lucros ao Ihesouro*. 
N'esta proposta bastante deDciente nào se fallava no nosso principal tropcfo para 
a reforma da moeda subsidiaria, que é a de bronze, pataco. 

No mesmo anno o sr. D. José de Saldanha, actual director da casa da moeda, apre- 
sentou ao ministro da fazenda qualro amostras diversas, feitas com a liga do metal das 
duas moedas de cobre e bronze circulantes no paiz, que Ihe parecia nào ter os inconve- 
niéntes que offerecia sendo so dos patacos, acompanhando-as com o seguinte calcolo: 

«Metal necessario para a amoedapào de 2.000:000iJ000 réis em moedas de 20, de 
10 e de 5 réis, com o peso de 12, de 6 e de 3 grammas, aproveitando o cobre e o 
bronze que anda em circulapào, sendo ligado na seguinte proporpào: 

Kilogramraas de cobre 800:000 

» de bronze 400:000 

1.200:000 

Tcra c) governo em circulaf ào, segundo a esta- 

tislica, desde 1752 a 1867, 793:220 kilo- 

grammas no valor nominai de 63 1:243f5i445 réis 

Idem na moeda de bronze 1.181:694jJ600 » 

Total 1.812:938ji(045 » 

Precisa comprar 5:679,559 grammas de cobre, 

que a 400 réis o kilogramma imporlam em 2:271^51823 » 

Tem a vender 633:750,562 kilogrammas de 

bronze a 260 o kilogramma 164:775f5il40 » 

• 

Fica a favor da fazenda 1 62:503f$3 1 7 » 

' Ardi, fìa casa da moeda de Lisboa, ropsio ^ral, liv. xxni-B, 
fol. 232 V. e 239. 



233 

Tramporte 1 62:503^3 1 7 réis 

LaDf.a no mercado era moeda nova 2.000:000^5(000 » 

Total da receita 2. 162:503f$317 » 

Tera a retirar a moeda velha de cobre e bronzo 

na importancia 1.812:938f5'045 » 

Produclo provavel a favor 349:565??272 » 

Esles calculos variam' era relapào ao prepo dos metaes; e no mesmo livro da casa 
da moeda vem a conta feila com o cobre a 320 e o bronzo a 160 réis*. 

Ha mezes vieram novas propostas da Belgica, Inglaterra e Franca para a reducpào 
da nossa velha moeda dex;obre, que um dos proponenles se ofTerecia a fabricar na nova 
liga metallica, ha pouco descoberta, cbamada argyrina ou argentina. Dizem ser uma 
bella coraposipào branca, ductil, malleavel e inoxydavel comò a prala, prestando-se 
por taes qualidades a immensas applica^ oes industriaes e artisticas. 

Para julgamento das varias propostas e apresentar o seu parecer, foi nomeada uma 
comraissào, cujos membros, apesar de se haverem reunido em diflferentes sessoes, nào 
cbegaram a formular uma conclusào deGniliva. 

Sentimos absoluta repugnancia para que seja lavrada qualquer especie da nossa 
moeda no estrangeiro; parece-nos um grande erro economico e politico. 

Nao podemos encontrar motivo que justiflque a necessidade de se recorrer às oflì- 
cinas estranhas, quando a nacional, aindaque pequena, nào é somenos na perfeìpào dos 
produclos, comò todos podem veriflcar no confronto com o dinheiro de outras naf oes 
que vem ao mercado. Mesmo que o custo da sua fabricapào em Lisboa venha a ser su- 
perior àquelle com que nos é oflerecido de Bruxellas, Londres e Paris, preferimos a 
sua factura em Portugal, pelas vantagens que advem à industria, incentivo às artes e 
Cèrta rasào de patriotismo para a moeda nào ser so portugueza no nome. 

No dinheiro em oiro que circula no nesso mercado raras vezes se encontra o es- 
cudo das quinas e a effigie do rei de Portugal : ainda nào basta està quebra para o brio 
de uma napào livre ; pretende-se que a moeda de cobre venha do estrangeiro, e lal- 
vez jà se penso em mandar vir lambem a de prata! 

governo lem pela sua parte o encargo de justiOcar a conservapào da nossa oflB- 
cina monetaria. 



As convenfòes inlernacionaes para a extradipào dos criminosos, para regular os 
portes dos correios e telegraphos, assira comò as tarifas dos caminhos de ferro, os di- 
reilos das alfandegas, e a garantia da propriedade litteraria, ligaram-se sempre com o 
pensamento de tornar universaes os pesos, as medidas e as moedas. 

Os romanos nos paizes que dominaram, impozeram a sua raoeda, tornando-a quasi 
geral; e no seculo xm a influencia religiosa e comraercial da Italia alcanpou que o seu 
floìim de oiro corresse era toda a christandade. A Hespanha, pela grandeza das suas 
colonias e iraportancia do seu trafico cora as princìpaes napoes, conseguiu que a sua 
moeda circulasse era quasi todos os mercados do mundo. 



' Ardi, da casa da raoeda de Lisboa, Uv. i-A, da corrcspondcncia interna rccebida, fol. 43, e liv. 
xxin-R, Fnl. 224 v. 



234 

Actualmente os reìnos e ìmperios pela rapidez das vias de communicapao acbam-se 
tao proximos, que as barreiras divisorias sào apcnas determinadas pelos seus costu- 
Ines, linguagem e administrat^ào. 

fabrico de urna moeda universal, do mesmo loque, peso e diametro, apenas dif- 
ferente nos typos das diversas nacionalidades, evitando as oscillapoes dos cambios. 
seria de uni interesse economico geral e facilitaria mutuas relapoes. 

tratado de 23 de dezembro de 1865 entro a Franpa, a Italia, a Belgica e a Suissa, 
estabeleceu entro esles paizes a uniformidade dos pesos, medidas e moedas. No intuito 
de alargar tao grandioso pensamento social, reunirara-se dois annos depois em Paris 
representantes da Auslria, Gran-Ducado de Baden, Baviera, Belgica, Dinaraarca, Esta- 
dosUnidos, Franpa, Gran-Bretanha, Grecia, Italia, Paizes Baixos, Porlugai, Prussia, Suc- 
cia, Suissa, Turquia e Wurteraberg. As oilo sessoes que sé Ozeram e às quaes assislimos, 
comeparam em 17 de junho e terrainaram cm 6 de juiho. assumplo era de diffidi re- 
soluf ào, inclinando-se a raaioria a que a libra esterlina se reduzisse ao valor de 25 fran- 
co?, diminuindo-lhe 64 milligrammas, equivalente ao valor de doispc'7ic^5;e que osEs- 
tados Unidos fabricassem o dollar de oiro de 1 ,670 grammas approxiraadamente (menos 
57 */a milligrammas do quo o actual), igualando-o assim à pepa de oiro franceza de 5 
francos, que flcaria sondo padrào universal da moeda de oiro, lavrando n'esta con- 
formidade a Franpa pepas de 25 francosy de 124 em kilogramma, nas condipòes do 
soberano inglez e da meia aguia americana ^ 

A preferencia que a maioria deu a moeda franceza de oiro — ciuco francos — para 
padrào foi, principalmente, pela vantagem de jà estar assim adoptada na Italia, Bel- 
gica, Suissa e Franpa, que contavam sessenta milhoes de habilantes, receiando a crea- 
pào de um systema todo novo, que duplicarla as difficuldades. 

Pedia-se o sacriflcio commum, para conseguir que a moeda de oiro em todas as 
napoes tivesse um determinado toque, peso e diametro, para cora o mesmo valor en- 
trarem no commercio universal sommas enormes sem o encargo dos cambios. A cada 
estado flcava reservado o regular as subdivisoes do padrào adoptado em moedas de 
prata ou bilhào, comò fosse mais conveniente ao seu regiraen interno. A relapào que 
se julgou dever existir entro a moeda subsidiaria de cobre e a populapào foi de 2 
francos por cada individuo. 

A discussào correu larga e interessante, versando os pontos principaes se doverla 
ser acceìta so comò padrào. a moeda de oiro, ou so a de prata^ ou entào se conviria 
que fossem os dois melaes. 

A maioria preferiu so a de oiro. 

Nas ultimas reformas monetarias feitas em Portugal a proporpào entro o oiro e a 
prata tem sido : 

Em 4 de agosto de 1688 de 1:16; 

Em 7 de agosto de 1747 de 1:13,5; 

Em 6 de marpo de 1822 de 1:16 ; 

' Estas trcs grandes nacdes emittiram cm moeda de oiro : 

A Franca dcsde 1793 a 1866 1.180.998:732^600 réìs 

A Inglalerra de 1816 a 18G6 841 .787:305^000 » 

Os Estados Dnidos de 1792 a 1866 760.980:921^900 • 

A reducQào foi feita contando o franco por 180 réis. 

Em Porlugai de 1752 a 1871 ciinharam-sc i 1-. 4 37: 2 89 ^600 . 



233 

Era 24 de abrii de 1835 (fé 1:15,5 ; 
Em 13 de marco de 1847 de 1:16,5; 

E pela caria de lei de 29 de julho de 1854, ainda hoje em vigor, desceu a rasào 
de 1:14,1 1, proporpao inferior a que léem as moedas d'esles metaes em outras na- 
fòes, corno, por exemplo, a Franpa, em que é de 1:15,5. 

A lolerancia no toque da nossa moeda la às vezes alem da praxe eslabelecida, e 
nos ensaios ullìmaraente feilos na casa da moeda verificou-se nas moedas de oiro de 
D. Joào V ale a senhora D. Maria 11 a liga desde 9 1 0,25 a 9 17,5 *. 

A moeda universal encontra na pratica grandes eslorvos, sendo um dos mais im- 
portanles o conservar o peso da moeda padrào. 

Em Inglaterra as pepas monelarias de oiro, perdendo 63 millesimos do seu peso 
legai, ccssam de ter curso*, e o banco encontrando-as com estafallia, é obrigado a cor- 
lal-as e a resli(uil-as aos porladores, que as vendem pelo seu valor intrinseco e sof- 
frcm lodo o prejuizo. Apesar do rigor com que se curaprem as leis inglezas, o resullado 
nào lem corrcspondido ao que se esperava, declarando o chanceller do erario na ca- 
mara dos coramuns, a 6 de agosto de 1869, que 31 Va por cento de lodos os sobera- 
iios e 47 por cento dos meios soberanos giravam com falla de peso. 

levons, que fez um minucioso inquerilo sobre a moeda ingleza, verificou que o meio 
suberano apresenlava quebra no peso no (ìm de dez annos de circulapào, e o soberaiw 
em dezoito, e que a moeda diminuta lendia para as provincias, impondo-lhe assim um 
grande onus. 

No artigo 2.° da convengao de 1865 àcha-se consignado que os estados contratan- 
les se obrigam a retirar da circulagào as moedas de oiro que tenham perdido meio por 
cento da lolerancia eslabelecida, ou 7 millesimos do peso normal para a pepa de 20 
fraìicos; mas nào se tratou do modo de conservar intacto o padrào. 

Se a recunhagem das moedas frustas apresenta difiiculdades, limitada a operapào 
ao reino a que pertencem, o que farà quando o seu curso se tome universal? 

As pepas da America em circulaf ào na Europa, ou vice-versa, quando se encontras- 
sem diminulas no peso pelo uso, quem havia de soffrer a perda? Seria o estado onde 
se houvessem fabricado? 

N'esse caso tornava-se um onus pesadissimo; governos haveria que se esquivas- 
sem a uma amoedapào que, nào Ihc dando lucros, ainda tinha o perigo das quebras, e 
era seu logar lavrariam a moeda subsidiaria de prata, bilhào e cobre, servindo-se da 
moeda de oiro estrangeira. 

Em Porlugal a lei de 24 de abril de 1856 para augmentar a amoedapào do oiro, 
tornou-a gratuita aos particulares, bancos e associapòes, pois sendo o valor do marco 
(le oiro em moeda de 129j5405 réis, nào oflerecia vantagem alguma a sua compra para 
Ihesouro. Na mesma occasiào houve tambem idèa de converter os soberanos em 
moeda nacional, calculando-se que mil (4:500i§000 réis), tendo cada um o peso de 
2 oitavas e 16 gràos e o toque de 22 quilates, davam com os ensaios e quebras in- 
herentes a amoedapào o prejuizo de 18^01 1 réis*. 

Na Russia e na Inglaterra a amoedapào do oiro é tambem gratuita. 

Em Franca, Italia, Belgica e Suissa, que estào ligadas pela convenpào de 1865, pa- 

' Ardi, da casa da. moeda de Lisboa, registo gcrat, liv. t, da correspoDdencia interna rccebida, 
fol. 57 V. 

' Arcb. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. xx-B, foL 192. Doc. comprovativo n.« 295. 



236 

ga-se pelo fabrico do kilogramma de oiro, com a lei de 900 por 1 :000, 6 /"rancos e 70 
centimos. 

Na Prussia o prepo e de V« Por cento, e nos Estados Unidos*, India e Austria é de 
1 por cento. 

Em todas estas napoes ha demora na entrega do dinheiro aos depositantes, o que 
importa augmento nos juros. 

Alem da impossibiiidade de dar urna exactidào mathematica no peso e toque de 
cada moeda isolada, inconveniente que até certo modo se acha compensado, de 
maneira que a media de todas as pe^as emittidas contenha com rigor o loque e o 
peso estabelecido pela lei, temos a considerar que algumas napoes nao liram senhoria- 
gem da moeda de oiro, comò acontece na AUemanha, emquanto na Franca a moeda é' 
de inferior toque e peso ao decretado', e segundo os estudos que se léemTeito os abu- 
sos ainda sào maiores do que vem declarado oflicialmente ^. Bastava està circumstan- 
eia para incutir a desconfianpa entre os outros paizes, e as moedas de similhante origem 
teriam a soflrer desconto, Gcando assim prejudicado o grande pensamento da moeda 
universal. 

A unidade monetaria nào é igual nas quatro na^oes que formaram a convenf ao da 
moeda em 1865 ; na Franpa e na Italia encontràmos quatro varìedades de francos: o 
franco de 9,31 grammas de oiro; o franco de 4,50 graramas de prala; o franco era 
papel moeda italiano, e o franco em papel moeda francez, sofirendo os dois ultimos 
grande agio na troca por oiro ou prata. 

commercio internacional rarissimas vezes se faz pela moeda metallica, geralmente 
é por meio de letras. A verdadeira moeda universal é a barra de oiro fino, e Portugal jà 
assim comprehendia ao presentear os embaixadores que varias potencias Ihe envia- 
vam em missào extraordinarìa ^. 

Concluiremos com o nesso humilde parecer, em assumpto que se presta a vaslas 
dìssertapoes : a unifica^ ào monetaria so a podemos hoje acceitar, tanto no oiro corno 
na prata, na igualdade do toque e em center cada moeda um numero certo de gram- 
mas, para facilitar o seu curso, ficando o valor intrinseco conhecido em relapào comas 
moedas dos mesmos metaes de todos os paizes. A unidade monetaria tornava-se por 
conseguinte a gramma ou uma das suas subdivisoes, tanto no oiro corno na prata, obri- 
gando-se as napoes a guardarem na cunhagem d'esles dois metaes uma dada propor- 
fào, lirada do respectivo valor, e que poderia ser de 1:15. 



' systcma decimai nas moedas foi adoptado nos Estados Unidos, primeiro quo cm outra qualquer 
nagào, quando abondonaram a libra eslerlina e a snl)stitutram pelo dollar, dividido cm cenlinios. 
' Monilmr o/ficiel de 20 de novera bro de 1866. 
' Vide Michel Chevalier, Traile de la monnaie, sedion viii, chapilre l'-^ 
* Vide anteriormente |)aff. 85. 



V° i-lappa do peso, «[uilate e valor das inoedns de uro porlogoeias, e do scu equìtaleDìe na tnoeda acliial 



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85.330 
85.330 

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101.400 
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1*010 
1*516 
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1*011 
1*(H0 
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1*010 
1*516 

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8*087 
4*0(3 


Qnilro croia oi 








Qualro cnuadoi 








lìo* ladm"' 












^''"'lado 








n^^'^r'"' 


liabrill8«3 


















lo,j. 








Udamoeda 




««^ 




Ouarlinl» 






B;:* 




Meiodobrio 

DfriindeoiloeKndiu..... 

Dob»<)edoÌ9tKud««.... 




: 




:::;"!""■-.■■ 




Dobnid«qaalra*scBd(.).. 
Oobradudoiincodoj.... 




li!-"!!." 








Dohra de qualro «Hodai . . 
OobnitioUtKui».... 






u'- '!!; '. 


C™adl»>o 


DobradaqDalioesaidoi.. 

Dabnd«iloU«aidu.... 


(i^Miii 










Dobra de qoaini eicodoi . . 
«obMófdoiieimdoi.... 


3* [ISIin 





Nomi' da iniKdn 



fi) Talor ito OLn> «d^toa^ii^ pefo prcfo of laaj da nurcct dp 



19 



139JS98 
133^081 

JÌ9£(05 
1^758 



I03Ì876 

oiuia multai Dio dio ignil mnludD, o qap «Uribulmoi i imfetlti^ da liga. A ncsoia jrrpjuli 
Cam rrliflo ao pria, o qne ri dnidn Umbmi au uao. S^rìa preleadu mnrln o dclcrmlnar ciini mi 
djBUUa partff da i^unda, a ipnlioriagrni, nJlo tu pelai varianlei quo LeTS, corno por igmranii 
Ii'iM com fabtito da moeila. oirj aaiiwlado angmcnloii progmuviDimto em pccfo : no> n'culo; 

(I) D. Mlniuo HI inlrodoiin do reioo a codUkpid por librai, reputando-se cada nma rm 9) ntl^i, lainbtni n 
cmla, s »1do «ni 11 àinktini, e o itiiduira «n dnu nualAoi, amba) mondai pOHlIvai. marni do olrtj Ano 
lìti oilCDla « mio l^at. od mlt uleccoUi) e SEimla loUoi, repnlaodo-» a narabilma em 1 '/, lilira. 

(3) Mio conila qne ntc monarcba lluuc canbar moeda de i'Ìto. mas a nlrangrira, enUo rarrenle do nino, 
lalor. Vid. lom. i, pa;. ITI. 

((| Cdhi respello i morda de oiro do D, Fedro I e D. FeTnando, vid. o qae diwmot no lom, i, r'i- '^^ " <^ 

(5) Tfo tempo do D. iolo I coEnp^oa alazor-» a coniarmi pelosreiui» qoedepoÌJiflchamaramAfdiiftfl, dIoci 
i)iM«ite moniirba cnnliaiiF miwda de oiro; aatranfeira dell* metal. qncoidocDDitnloicilamtoiiiacirailaiile 
tata di'fiiai allenutiiai pm reJa;9a (om o depreciacncnlo da mocda uaclonil. 

(6) prior do Grato, na H da li dr Julho de IMO (doc. D.° <S|, ele'ou o preja do duro do oiro inwcdidoi 
rati: (m Aogri (ODKrrando-o em ÌOSdOOnan, reduiia-o ao loqno de ISqailalei; o emagoito de 15)1 3 Diandoi 
SCOKanacoDltamarcadeamafAr, dupliundo-lbeoialor, ScaiMiocadarefaem l f OWrtoM. e o marfo ai'^iin ai 
maWOOUmKj. Vid, Ioni. 1, paj. 303. 






h" 2 -lappa da liga, valor e pesa que, scjundu os ilocaDicnlos, deiiam ttr as moedas poriajseus 
de prala e de bilbao, e (joal o sea «jDÌvaleDle iolrìnseu oa aofda de boje 



Noma da DWnla 



I.FcnijDJo l\ ""bulla- 



lUeiabarbiida.. 



RoiliIcS'/ttibnt... 



R«il d«dnmi«<.. 



inll...|lIpiorMl.... 
' Ciii<iiilnho .. 



Tomol.'pag.iU, 1(7,131 

el39... 

TonKil.''pig.l43,l5lell6 

AbrilIKI. Dm. B.*3-*... 

Tomo I ■* pag. IG7 

ìif. ri. Doc. Ii.*31 

Idem. pi;. 176 



x.m-tfo 

in 1 .'<, libelli a pxg. < 



Tnmal.*. pie. 10Si3l«. 



I 



Id.inpig.aiSa»!. .. 

Id.'ni. [Wg. 131 

9deBiar;iidiil((I 

lisi 

16 dt «iMnIimd* 1171. 



241 



Reina do 



0. Manacl. 



Nomo da moeda 



Porlaguóz 

Meio portugaez 

Tostìo 

lodlto 

Real 

Mcioreal 

Cioqaiobo 

MciotosUlo(8). 



D.J<dollI 



TosUo 

Meio losUlo 

iReal 

Meio real 

'Cinqaioho 

[Real porlaguez 

Real portugaes dobrado. 
'Tostao 

Melo losiao 

^ Violem 



iLD.Sebastiào. 



ToslAo (9) 

Meio toiiao 

iVinteni 

Tosiao (10) 

JMeio losISo 

Vinlem 

MeioTinteiD (11) 

Tosiao 

Meio tost&o 

Vintem 

Mrio viDlem . ... 



tToslào 

D.HeDriqQe....JMeioioslào. 
' Vintem. ... 



Goremadore* . . 



Tosiao 

Meio tosiao . 



t>. Aolooio 



Tosiao. . . . . 
[Meio tosiao.. 

[Vintem 

iCruzado (12). 

'Toslào 

Meio tosiao.. 



Tosiao 

Melo tosiao... 

Vintem 

Tostao 

jMcio tosiao... 
Qaalro vintens 

^•fiWppel /Doisvintent.. 

Vintem 

[TosUo 

Meio tostao... 
Quatro vintcns 
Dois Tinteos. . . 
Vinlem 

D. P:i: .. .1 Tostao. 



1 



^''•«Ppe II e)„ . , ., 
( Vintem 



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20 
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40 
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100 

50 

100 
50 
20 

100 
50 
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40 
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200 


23,04 


65.82 


70 


39,4 


117,2 


19.69 


234,4 


9,84 


468.8 


96 


48 


192 


24 


96 


48 


38,4 


120 


19.2 


240 


9.6 


480 


73,72 


62,5 


147.44 


31,25 


177,23 


26 


88,61 


52 


35,44 


130 


177,22 


26 


88,61 


52 


33,44 


130 


193 


24 


96 


48 


38,4 


120 


18.73 


246 


173,88 


26,5 


86,94 


53 


34.77 


132,5 


17,38 


264 


173,88 


26,5 


86.94 


53 


34,84 


132 


173,88 


26,5 


86,94 


53 


115,2 


40 


57,6 


80 


23,04 


200 


384 


12 


96 


48 


48 


96 


173,88 


26,5 


86,94 


53 


34.84 


132 


171.94 


26,8 


85,97 


53,6 


137,55 


33,5 


68,77 


67 


34,38 


134 


164,57 


28 


82,28 


56 


131,65 


35 


65,83 


70 


32,91 


140 


16^,57 


28 


82,28 


56 


32,91 


140 



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2.310 
2.310 
2.310 
2.310 
2.310 
2.310 
2.310 
2.400 

2.400 
2.400 
2.400 
2.400 
2.400 
2.500 
2.500 
2.609 
2.600 
2.600 

2.609 
2.6J0 
2.609 
2.400 
2.400 
2.400 
2.460 
2.630 
2.650 
2.650 
2.650 

2.650 
2.650 
2.650 

2.650 
2.650 

4.000 
4.000 
4.000 
4.800 
4.800 
4.800 

2.650 
2.650 
2.650 
2.680 
2.680 
2.680 
2.680 
2680 
2800 
2.800 
2800 
2.800 
2.800 

2.800 
2.800 
2.800 





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Referencta ao texto 


2 •• 


cu data do documento 


comprovativo 


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Tomol.", pag. 252a256.. 


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» 


*I91 


Tomo l.",pag. 269 


i9383 


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i5l9l 


> 


^076 


» 


^038 


» 


4019 


20 de no\ ombro de 1539. . . 


4146 


— 


4292 


10dejnnhodel553 


4333 


» 


4176 


» 


4070 


Tomo 1.", pag. 283 


4353 


» 


4176 


» 


4070 


a7dejanhodel558 


4383 


» 


4191 


» 


4076 


llddjalliodel569 


4037 


29 do novembro de I3.'3. . . 


4346 


» 


4173 


» 


4069 


» 


4034 


» 


4346 


» 


4173 


» 


4069 


» 


4346 


» 


4173 


14dejulbodel580 


42» 


> 


4114 


» 


4045 


Tomo l.«, pag. 303 


^<87 


» 


4121 




4060 


26 do Janeiro de 1581 


4346 


» 


4173 


> 


4069 


15 de norembro do 1582. . . 


4342 


» 


4171 


» 


4«74 


» 


4i37 


» 


4068 


21 de novembro do 1588 . . 


4327 


» 


4163 


• 


4262 


» 


4131 


» 


4065 


» 


4327 


» 


4163 


» 


4032 



16 



242 



Reioado 



Nome da moeda 



D.JoSolV 



\ 



Tostào 

Meio tosUlo 

Dois viDtCQS 

Viotem 

TosUlo 

Meio tost&o 

IQoatro violens - - 

Oois vintens 

Viotem 

Meio vintem 

Cinquinho (13) • • 

Cruzado 

Meio cnizado • . . 

Tosiao 

Meio toslio 

Oito Tìnlens (13). 
Qaalro Tìnteos . . 
Dois Ttnteos . . . . 
Vintem 



GonceÌ93o(U). 



D. AflòDsoVI...! 



D. Pedrx)II. 



Gmxado 

Meio cnuado. . . 

Tosiao 

Meiotostào.... 
Qaatro Tintens . 
Dois Tioteos . . . 

Vintem 

Grazado v* 

Meio crazado . . 

|ToslÌo 

Meio tosilo — 
Qnalro vintens . 
Dois vintens . . . 

Vintem 

Meio vintem . . . 

I 
Tostào? 

Meio tosilo.... 

Qaalro vintens . 

Dois vìhtens . . . 

Vintem • 

Meio vinlem . . . 

Crozado 

Meio crozado . . 

TosUlo 

IMeiotosUo.... 
Qaatro vintens . 
Dois vintens .. . 

Vinlem 

Grazado novo . . 
Dose vintens. . . 
Seis violens — 
Tres violens. . • • 

Tostfo 

Meio tosilo.... 
Vintem 






D. JoloV 



Grazado novo 

jDoze violens. 

Seis violens. . 

iTres vintens . 

Tosilo 



1 <" 
z 

s 

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•3 

S 
81 


Valor da moeda 
emreaes 


s 

2 


m> 

SS 


Valor do marco 
assim arooedado 


iOO 


164,57 


28 


2.800 




50 


82,28 


5G 


2.800 




40 


65,83 


70 


2.800 




20 


32,91 


140 


2.800 




iOO 


135,52 


34 


3.400 




50 


67,76 


68 


3.400 




80 


108,42 


42.5 


3.400 




40 


54,21 


85 


3.400 




30 


27,10 


170 


3.400 




iO 


13.55 


340 


3.400 




5 


6,77 


680 


3 400 




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460,8 


10 


4.000 




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230,4 


20 


4.000 




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115,2 


40 


4.0G0 




50 


57,6 


80 


4.000 




160 


184,32 


25 


4.000 




80 


92,16 


50 


4.000 




40 


46,08 


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4.000 




20 


23,04 


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460,8 


10 


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4.000 




100 


115,2 


40 


4.000 




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80 


4.000 




80 


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50 


4.000 




40 


46,8 


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4.000 




20 


23,4 


200 


4.000 




400 


368,64 


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5.000 




200 


184,32 


25 


5:000 




100 


92,16 


50 


5.000 




50 


46,08 


100 


5.000 




80 


73,73 


62,5 


5.000 




40 


36.86 


125 


5:000 




20 


18,43 


250 


5.000 




10 


9,21 


500 


5.000 




100 


92,16 


50 


5.000 




50 


46,06 


100 


5.000 




80 


73,73 


62,5 


5.000 




40 


36,86 


li5 


5.000 




20 


18,43 


250 


5.000 




10 


9,21 


500 


5.000 




400 


347.77 


13,25 


5.300 




200 


173,88 


26,5 


5.300 




100 


86,94 


53 


5 300 




50 


43,47 


106 


5.300 




80 


69,55 


66,25 


5.300 




40 


34,77 


132,25 


5.300 




20 


17,38 


265 


6.300 




480 


347,77 


13,25 


C.360 




240 


173,88 


26,5 


6.360 




120 


86,94 


53 


6.360 




60 


43,47 


106 


6.360 




100 


69,55 


66,25 


6.360 




50 


34,77 


132,25 


6.360 




20 


17,38 


265 


6.360 




480 


347,77 


13,25 


6.360 




240 


173,88 


26.5 


6.360 




120 


86,94 


53 


6.360 




60 


43,47 


106 


6.360 




100 


69,55 


66,25 


6.360 



Referencia ao lezio 

on data do docomenlo 

comprovativo 



14ftvereirol641 

> 
27 mar(0 1641 . . 

ljalhol6il.. . 



-a 

2.2 

|i 

> 



8junhoi643 



Tom. 2.*, pag. 23. 
8jonhol643 



^337 
^163 
#131 
*065 
#270 
#135 
#216 
#106 
#054 
#(»7 
#013 
#918 
#459 
#229 

#114 
#367 
#183 
#091 
#045 
l#t47 



22 mar(0 1663 



Tom. 2.*, paf. 59. 



4 agosto 1683. 



#183 
#091 
#146 
#073 
#036 
#018 
#692 
#346 
#173 
#086 
#138 
#069 
#034 
#692 
#346 
#173 
#086 
#138 
#063 
#034 

#692 

#346, 

#173 

#085 

#138 



243 



Reioado 



I 



Nome da moeda 



D.JoSoY 



Meio tostSo... 

Viotem 

Seis vinlens. . . 
Tres TÌnteos . 

TosUo , 

Melo tosUo.. 

Vinlem 

Cnuado novo 
Dote Tintens. 
Seis vìntoos. . . 
Tret violeos . 

TottSo 

Meio tosilo.. 
Vintem. 



1 



O.Joiél. 



' Crazado novo 

.Dose vioteos. 

Seis vintens.. 

TrosTÌDtens.. 

TofUo 

'Meio tostSo. . 
Vintem 



0. Ilaria 1. 



Granulo novo 
Dose TÌntens. 
Seis Tintens. . 
Trei Tintens . 

Tostio 

Meio tosUo. . 



D.JoioYl. 



Grasado doto 

Dose Tintens. 

Seis Tintens. . 

Tres Tintens . 

JTostao 

r Meio tostao . . 
I Vintem 



D. Fedro IV.... 



D. Miguel 



Gratado noTo 
Seis vinlens. . 

(Tres Tintens . 
Tosilo 

Grasado noTO 
Doie Tintens. 
Seis Tintens. . 
Tres Tintens . 

tostio 

Meio tostio. . 



I 



Grazado novo 

iCorda. 

^•Manali /Meia corda.. 

DtiistostOes.. 
Tostio 



I 



Gioco tostOes. 

D.PtdroV jDoistoslOes.. 

Tostào 

Meio tostSo. . 



I 



Gioco tostOos. 
D.Loiii )Doi8tosl5es.. 

Tostto 

Meio tostio.. 



Vi 

f 

a 



ii 

ii 
il 
il 
il 
il 
11 
11 
11 
ii 
il 
ii 
11 
il 

il 
11 
il 
11 
il 
il 
li 

il 
li 
11 
il 
il 
il 

li 
11 
li 
li 
11 
il 
il 

11 
il 
il 
li 

li 
il 
il 
li 
il 
il 

il 
il 
11 
il 
li 

ii 

11 
il 
il 

11 
li 
li 
li 



ti 

a u 

li 

■«3 

> 



50 

20 

120 

60 

100 

50 

20 

480 

2i0 

120 

60 

100 

50 

20 

4g0 

240 

120 

60 

100 

50 

20 

480 
240 
120 

60 
100 

50 

480 

240 

120 

60 

100 

50 

20 

480 
120 

60 
100 

480 
2i0 
120 

60 
100 

50 

480 
1:000 
500 
200 
100 



100 
50 



500 

200 

100 

30 



t 

a 

« 

o 

S 
a. 



34.77 
17,38 
78,99 
39,49 
65,82 
32,91 
13,16 
294,90 
147,45 
73,72 
36,86 
61,U 
30.72 
12,28 

294,90 
147,45 
73,72 
36,86 
61,44 
30,72 
12,28 

294,90 
147,45 
73,72 
36,86 
64,44 
30,72 

294.90 
147,45 
73,72 
36,86 
61,44 
30,72 
12,28 

294,90 
73,72 
36,86 
61,44 

294.90 
147,45 
73,72 
36,86 
61,4i 
30,72 

294,90 
594.5 
297,2 
118,91 
59.45 



500 250.98 
200 100,39 
50,19 
25,9 



250,98 

100,39 

S0,i9 

25.09 



li 

Se 



s 



132,25 
265 

58,33 
116,66 

70 
140 
350 

15,627. 

31,25 

62,5 
125 

75 
150 
375 

15.62 V, 

31,25 

62,5 
125 

75 
150 
375 

15,62 7, 

31.25 

62,5 
125 

75 
150 

15,62 V. 

31,25 

62,5 
125 

75 
150 
375 

15,627. 
62,5 
123 
75 

15,62 7, 

31,25 

62,5 
125 

75 
150 

15.62 7, 
7,75 
15.5 
38,75 
77,5 

18,36 
45.9 
91,8 
183,6 

18,36 
45,9 
91,8 
183,6 



il 

SI 

•Si 

> " 






6.360 
6.360 
7.000 
7.000 
7.000 
7.000 
7.000 
7.500 
7.500 
7500 
7.500 
7.500 
7.50Q 
7.500 

7.500 
7.500 
7.500 
7.500 
7.500 
7.500 
7.500 

7.500 
7.500 
7.500 
7.500 
7.500 
7.500 

7.500 
7.900 
7.500 
7.500 
7.500 
7.500 
7.500 

^7.500 
7.500 
7.500 
7.500 

7.500 
7.500 
7.500 
7..500 
7.500 
7.500 

7.500 
7.750 
7.750 
7.750 
7.750 

9180 
9.180 
9.180 
9.180 

9.180 
9.180 
9.180 
9.180 



Refereneia ao tezto 

OQ data do documento 

comproTativo 



4 agosto 1688. 



40 revcreiro 1734 



7 agosto 1747 



24 abrii 1833 



29julhol85i 



ga 



#069 

m^ 

iJ157 
^8 
*131 
#065 
#032 
#587 
#293 
#146 
#073 
#1M 
#061 
#024 

#587 
#293 
#146 
#073 

#1« 
#061 
#024 

#587 
#293 
#146 
#073 
#122 
#061 

#587 
#293 
#1*6 
#073 
#122 
#061 
#014 

#587 
#146 
#073 
#122 

#587 
^293 
#146 
#073 
#122 
#061 

#587 
1#184 
#592 
#236 
#118 

#500 
#200 
#100 
#0»! 

#500 
#M0 
#100 
#050 



244 



(1) Oj ralcalos oAm rcl.i(lio ao prt^o ila prata foram foilos ropntando o marre : 

de 13 dÌDh<*iros em 10^14 réis 



df>H 




om 


9,^180 


de IO 




cm 


8^345 


de 9 




COI 


um 


do 7 




rm 


5(5842 


de 5 




em 


4^471 


d«! 3 




om 


«^503 


de S 




em 


Ii9669 


do i'A 




em 


1^«51 


de 1 




em 


834 


de V, 




em 


4i7 



Eslas sào as ligas mencionadas cm diversos docamcDlos, qae cilimos nos respectÌTOS reinadoi. Pareoo qoe a morda 
de bilhao tAo soffrea altera(Ìo desde D. Aflòoso 1 a D. Sancho II : o seu peso durante cste periodo n&o se acha t>em deler- 
mioado: pelea indicios qae vem na logisla^io de D. Affonso II] e conrrooto dos eiemplares calcalimo», corno mais proTaref, 
20 grios em cada dinheiro. Nos ensaios qae te tèero fcito, as ligas s3o qaasi sempre inreriores ao designado nas ordoian- 
(as; alem da impcricia e ma fé dos rooedeiros, as flnan^as do cstado leravam muitas vezeso monarcba a lan^ mio d'csle 
recarso, de modo qae boja seria do magaa diflSculdade indicar com precisio essas ligas e pesos. No calcalo relati roi 
moeda aclual inclairoos no pre(0 do dinheiro os ii marcos de cobre. que se iigava ao marco de prata, na ras&o del80réis 
cada marco, e assim successivamente quando a liga passoo de 15 de cobre e 1 de prata, a 17 de cobre e f de prala. Os 
qoebrados nos réis foram desprezados. 

(2) Nas cOrtes de Coimbra coocordoa-se qoe as moedas antigas fossem restìtaidas ao primitivo valor, razemlo 16 das 
novas, de infcrior liga, 12 das antigas, acceitando os povos para compensa^ào uma derrama geral sobre a propriedade. 
Sondo pre(0 do marco do prata 12 libras de dinheiros portaguezes, correspondiam a cada libra 382 grSos de prata fioa, 
ao soldo 19 e ao dinheiro 1,5; proporrlo qae diminaia quando aagmeotara o pref^o da prata, oa melhor do bilbSo 
amoedado. 

(3) A reductio foi na liga e no peso ; 12 dinbeiros vclhos pesararo 240 grSos, e o me«roo nomerò dos noros fazia 
apenas 180, o que estava exactamente ni propor^So de 12 : 9. Em 374 soldos d'estes diobeiros novos baTìa om marco de 
prata fina. 

(I) Nunca vimos estas mordas; Fem&o l^pes diz valer o marco de prata de liga (bilIiSo?) 19 soldos; centrando 
70 tornezes em marco e valendo cada um, comò diz o mcsroo cbronista 7 soldo!!, correspondia o marco a 24 libras e 10 
soldos. 

(5) A ultima reduc^o que tiveram foi de 2 soldos. 

(6) A senboriagem n'estas moedas era de 5 pe^as em marco, tendo este o valor intrinseco de 750 frantoi. Pelas leis 
de 17 de ontubro, 30 de novembre de 1136 e 16 de outabro de 1438, cuslava o marco de prata brìtada apenas 700 reaes 
brancos, e a dobra cruzada 150, o qoe da\a ao oiro da 23 Vi qaiiates o pre^o de 7:500 reaes brancos cada marco. Vid. 
tom. I, pag. 221. 

(7) peso e'Iiga dos reaes brancos de D. Du.irte e da moeda de bilbSo de D. Affonso V sio varìadissìmos; e pela 
falta absoluta do documeolo toma-sc-nos impossivel o determinar aos espaiins e cotrins a liga, e por consegointe a quanto 
correspondiam boje. 

(8) SegunJo o tostemunho ds Damilo de Gocs foram la\rados em 1517, mas o seu peso era proporcìonalmente infe- 
rior ao das outras moedai de prata, e é provavel qoe n'essa occasiio come^asse a amoedar-so o marco d'este metal a 2:400. 
corno se fez nos primciros annos do seguiote reioado. 

(9) Estas tres moedas dislingoem-se pela cniz de Aviz qae téem no reverso. 

(10) D. SebastiSo reduzio a prata amoedada ao antigo valor de 2:400 reaes, madando-lhe por essa oecasiSo a crnz 
de A\iz na de Cbristo. 

(11) Parece qae a este pre(o de 2:460 tambem se chegaram a lavrar tostòes, meios toslòes e vintiiu (Tom. i, pag. 283.) 
Na lei de 13 de Janeiro de 1568 elevon-se o marco de prata amoedado a 2:700 rtau o marco, mas nSo se cbegou a cuibar 
dmheiro aveste pre^ nd tempo de el-rei D. Sebasti&o. (Idem, pag. 285.) 

(12) Em 1583 mandou ìmprimir o carimbo de afOr no cruzado e tottào fabrìca^P em Aogra, para Ihe duplicar o va- 
lor nominai. 

(13) Apenas conhecmos e^tas moedas por virem mencionadas na lei de 8 de jonho de 1643. (Doc. comprovativo 
n.M14.) 

(li) augmento do pre^o n'csta moeda so o podemos eiplicar pela maior despeia no feitio, pela raridade e por 
serem muito procaradas pelos devotos da Senhora da ConceipSo. 

((3) Canharam-fti3 para as ilbas dos A^ores as mesmas moedas tendo o valor marcado de 300 réis, os mai vinUns 
com do 150, e os tres vtntcns com 75 réis. 



245 



N.'' 3 -Tabella redozindo os qailales do oiro e os dinheìros da prata ao^ysiema moderno 

de millesìmos 





Toqne 






Toque 






Toqao 






Toque 




Qnilates 


MiUesi- 


Dinheì- 
ros 


Quilates 


Millesi- 


Dinbei- 
ros 


Qailales 


Hillesi- 


Dinhei* 
ros 


Quilates 


Millcsi- 


Dinhei- 
ros 


31 


IDOS 


grios 


32 


mos 


graos 


32 


mos 


grios 


32 


mos 


grSos 


S4. 


1000 


12. 


22.22 


945 


^ 


_ 


890 


. 


20. 1 


835 


40. 7, 


S3.31 


999 


_ 


22.21 


944 


11. 8 


21.11 


889 


40.16 


— 


834 


— 




998 


11.23 V. 


22.20 


943 


14. 7 7. 


21.10 


888 


— 


20. 


833 


40. 


S3.30 


997 


11.23 


— 


942 


— 


21. 9 


887 


10.15 7, 


19.31 


832 


0.23 V, 


S3.29 


996 


— 


22.19 


941 


11. 7 


"" 


886 


- 


49.30 


834 


— 


S3.S8 


995 


11.22 V, 


22.18 


940 


- 


21. 8 


885 


10.15 


- 


830 


9.23 




994 


.. 


22.17 


939 


11. 6 7. 


24. 7 


884 


lO.U 7. 


19.29 


829 


— 


S3.S7 


993 


li.22 


22.16 


938 


11.6 


21. 6 


883 


- 


19.28 


828 


9.22 y. 


S3.M 


992 


. 


~ 


937 


— 


21. 5 


882 


10.44 


19.27 


827 


— 


23.S5 


991 


11.21 y. 


22.15 


936 


11. 5 V. 


— 


881 


— 


19.26 


826 


9.22 


23.24 


990 


11.21 


22.14 


935 


— 


21. 4 


880 


40.13 7. 




825 


9 21 7, 




989 


» 


22.13 


934 


11. 5 


24. 3 


879 


- 


19.25 


824 


- 


S3.S3 


988 


11.20 V, 


.. 


933 


- 


21. 2 


878 


10.43 


19.24 


823 


9.21 


23.» 


987 


— 


22.12 


932 


11. 4 V. 


— 


877 


40.42.7, 


19.23 


822 


— 


23.21 


986 


11.20 


22.11 


931 


11. 4 


21. 1 


876 


— 


- 


821 


9.20 7. 




985 


~ 


22.10 


930 


- 


24. 


873 


40.42 


19.22 


820 


— 


23.20 


984 


11.19'/. 


. 


9i9 


11. 3 7, 


20.31 


874 


— 


19.24 


849 


9.20 


23.19 


983 


11.19 


22. 9 


928 


- 


— 


873 


40.14 7- 


19.20 


848 


9.49 7. 


23.18 


982 


-. 


22. 8 


927 


11. 3 


20.30 


872 


10.11 


- 


847 


— 




981 


11.18 '/, 


22. 7 


926 


— 


20.29 


, 871 


— 


19.19 


846 


9.49 


23.17 


980 


» 




925 


11.2 7, 


20.28 


870 


10.10 7. 


19.18 


815 


— 


23.16 


979 


11.18 


22. 6 


924 


41. 2 


- 


869 


- 


19.17 


844 


9.18 V, 


23.15 


978 


— 


22. 5 


923 


- 


20.27 


868 


40.10 


49.46 


813 


9.18 


23.14 


977 


11.17 7. 


22. 4 


922 


11. 1 Vi 


20.26 


867 


— 


— 


812 


— 


, 


976 


11.17 


22. 3 


921 


— 


20.25 


866 


40. 9 7. 


19.15 


814 


9.47 V. 


23 13 


975 


mm 


^ 


920 


11. 1 


20.2 V 


865 


40. 9 


19.44 


810 


— 


23.12 


974 


11.16 '/, 


22. 2 


919 


— 


— 


864 


— 


49.13 


809 


9.17 


23.11 


973 




22. 1 


918 


11. 7i 


20.23 


863 


10. 8 V, 


- 


808 


— 


^ 


972 


' 11.16 


22. 


917 


11. 


20.?2 


862 


- 


19.12 


807 


9.16 7. 


23.40 


971 


— 


— 


916 


— 


20.21 


861 


IO. 8 


19.11 


806 


9.16 


23. 9 


970 


, 11.15 7. 


21.31 


945 


10.23 V, 


— 


860 


— 


19.40 


805 


— 


23. 8 


969 


11.15 


21.30 


944 


- 


20.20 


Bò9 


40. 7 7. 


— 


804 


9.43 7. 


_ 


968 


1 


21.29 


913 


1023 


20.19 


858 


10. 7 


19. 9 


803 


— 


23. 7 


967 


11.14 7. 


V 


912 


— 


20.18 


857 


— 


19. 8 


802 


9.43 


23. 6 


966 




21.28 


914 


10.22 7, 


- 


856 


10. 6 V. 


19. 7 


801 


— 


23. 5 


963 


11.14 


21.27 


910 


10.22 


20.17 


855 


— 


— 


800 


9.14 7. 


23. 4 


964 


11.13 7, 


21.26 


909 


- 


20.16 


854 


10. 6 


19. 6 


799 


9.14 


^ 


963 


"" 


21.25 


908 


10.21 7. 


20.15 


833 


— 


19. 5 


798 


— 


23. 3 


962 


11.13 


— 


907 


- 


20.14 


852 


10. 5 7, 


19. 4 


797 


9.13 7. 


23. 2 


961 


— 


21.24 


906 


40.21 


— 


854 


10. 5 


49. 3 


796 


— 


23. 1 


960 


11.12 7. 


24.23 


905 


10.20 7, 


20.43 


830 


— 


— 


795 


9.13 


^ 


959 


— 


21.22 


904 


— 


20.42 


849 


10. 4 V. 


49. 2 


• 794 


— 


23.0 


958 


11.12 


— 


903 


40.20 


20.41 


.848 


— 


19. 1 


793 


9.12 7. 


22.31 


957 


11.11 7. 


21.21 


902 


— 




847 


10. 4 


19. 


792 


9.12 


22.30 


956 


— 


21.20 


901 


10.49 7. 


20.40 


846 


— 


- 


794 


— 


^ 


955 


11.11 


21.» 


900 


— 


20. 9 


845 


10. 3 V, 


18.31 


790 


9.11 7. 


22.29 


954 


-. 


— 


899 


40.49 


20. 8 


844 


10. 3 


18.30 


789 


% 


22.28 


953 


11.10 7, 


21.18 


898 


40.48 7, 


— 


813 


— 


18.29 


788 


9.44 


22.27 


952 


~ 


24.17 


897 


— 


20. 7 


842 


10. 2 7. 


- 


787 


- 


22.26 


951 


11.10 


21.46 


896 


40.48 


20. 6 


841 


— 


18.28 


786 


9.10 7* 


. 


950 


11. 9 7. 


21.45 


893 


— 


20. 5 


810 


10. 2 


18.27 


783 


9.10 


22.25 


949 


— 


-. 


894 


10.17 A 


2U. 4 


839 


10. 1 7. 


48.26 


784 


- 


».24 


948 


11. 9 


21.44 


893 


— 


— 


838 


— 


18.25 


783 


9. 9 7. 


22.23 


947 


. 


21.13 


893 


10.17 


20. 3 


837 


40. 1 


- 


782 


- 


— 


946 


H. 8 7. 


24.1-2 


894 


10.16 7.. 


20. 2 


836 


— 


48.2Ì 


781 


9. 9 



246 





Toqae 






Toquo 


1 

1 

\ 


1 


Toque 






Toque 




Qailates 


Uilcsi. 


Diobci- 
ros 


Qailates 


Milesi- 


Diobei- 
ros 


Quilales 


Milesi- 


Diobei- 
ros 


Quilatcs 


Milosi- 


Oinbei- 
ros 




mos 


„„ 




mos 


.. 


aa 


mos 


m- 


A A 


IDOS 


.. 


32 




gràos 


32 




grios 


32 




grios 


32 




grios 


48.23 


780 


9. 8', 


47. 8 


749 


8.15 


4.V25 


658 


7.21 V. 


„_ 


597 


7. 4 


18.» 


779 


— 


— 


718 


— 


— 


657 


— 


14.10 


596 


~ 


. 


778 


9. 8 


47. 7 


747 


8.44 V. 


45.24 


656 


7.21 


44. 9 


595 


7. 3 V. 


i8.9i 


777 


— 


47. 6 


716 


— 


45.23 


655 


7.20 V. 


44. 8 


594 


7. 3 


48.20 


776 


9. 7 V. 


47. ò 


745 


8.44 


43.22 


654 


— 


- 


593 


— 


48.49 


775 


— 


17. 4 


714 


8.43 V, 


» 


653 


7.20 


44. 7 


592 


7. 2 7. 


~ 


774 


9. 7 


— 


743 


» 


45.24 


652 


— 


14. 6 


591 


— 


48.48 


773 


9. 6 V. 


47. 3 


742 


8.43 


45.20 


654 


7.19 'A 


44. 5 


990 


7. 2 


48.47 


772 


— 


47. 2 


714 


<— 


45.49 


650 


— 


44. 4 


989 


7. 4 V, 


48.46 


771 


9. 6 


17. 4 


710 


8.42 V. 


— 


649 


7.19 


— 


588 


— 


48.45 


770 


-. 


.- 


709 


— 


45.48 


648 


7.48 V, 


44. 3 


587 


7. 4 


» 


769 


9. 5 V, 


47. 


708 


8.12 


16.17 


647 


— 


44. 2 


586 


— 


48.44 


768 


.- 


46.31 


707 


8.14 V. 


15.16 


646 


7.48 


44. 4 


585 


7. 'A 


4&43 


767 


9. 5 


46.30 


706 


— 


45.43 


645 


- 


— 


984 


— 


48.42 


766 


9. 4 7, 


— 


705 


8.11 


— 


644 


7.47 'A 


44. 


983 


7. 


m- 


765 


— 


46.29 


704 


~ 


43.14 


643 


— 


43.31 


582 


6.23 7. 


48.44 


764 


9. 4 


46.28 


703 


8.10 V, 


45.43 


642 


7.47 


43.30 


581 


— 


48.10 


763 


— 


46.27 


702 


— 


45.12 


641 


7.46 V, 


— 


580 


6.23 


48. 9 


762 


9. 3 V. 


46.26 


701 


8.10 


— 


640 


— 


43.29^ 


579 


«- 


.. 


761 


— 


— 


700 


8. 9 •;, 


45.11 


639 


r 7,46 


43.28 


578 


6.22 7. 


48. 8 


760 


9. 3 


46.25 


699 


— 


15.40 


638 


— 


43.27 


577 


— 


48. 7 


759 


9. 2 «A 


46.24 


698 


8. 9 


15. 9 


637 


7.45 'A 


43.26 


576 


6.22 


48. 6 


738 


— 


46.23 


697 


— 


— 


636 


— 


— 


575 


6.24 7. 


48. 5 


757 


9. 2 


— 


696 


8. 8 V. 


15. 8 


635 


7.45 


43.25 


574 


— 


~ 


756 


— 


46.22 


693 


-> 


43. 7 


634 


7.44 V. 


43.24 


573 


6.21 


48. 4 


755 


9. 4 V. 


46.21 


694 


8. 8 


45. 6 


633 


— 


43.23 


972 


— 


48. 3 


754 


— 


46.20 


693 


8. 7 V. 


43. 5 


632 


7.14 




971 


6.20 % 


18. 2 


753 


9. 4 


— 


692 


— 


— 


631 


.- 


43.22 


970 


- 


— 


752 


9. V, 


46.49 


691 


8. 7 


45. 4 


630 


7.43 «A 


43.24 


969 


6.20 


48. 4 


751 


— 


46.18 


690 


— 


45. 3 


629 


— 


43.20 


968 


6.49 V, 


48. 


750 


9. 


46.17 


689 


8. 6 V, 


43. 2 


628 


7.43 


- 


967 


- 


47.31 


749 


_ 


46.46 


688 


8. 6 


— 


627 


7.42 V, 


43.49 


966 


6.49 


-. 


748 


8.23 V. 


-> 


687 


— 


45. 4 


626 


— 


43.48 


965 


— 


47.30 


747 


8.23 


46.45 


686 


8. 5 V. 


45. 


625 


7.42 


43.47 


564 


6.48 7. 


47.29 


746 


— 


46.44 


685 


— 


44.34 


624 


-. 


- 


563 


6.48 


47.28 


745 


8.22 •;, 


46.43 


684 


8. 5 


— 


623 


7.44 'A 


43.16 


562 


— 


— 


744 


~ 


— 


683 


— 


44.30 


622 


7.44 


43.45 


561 


6.47 7. 


47.27 


743 


8.22 


46.42 


^ 


8. 4 V, 


44.29 


621 


— 


43.44 


560 


- 


47.26 


742 


— 


46.44 


681 


8. 4 


44.28 


620 


7.40 «A 


43.13 


559 


6.47 


47.2S 


744 


8.24 V, 


46.40 


680 


— 


— 


619 


— 


— 


558 


— 


47.24 


740 


8.21 


— 


679 


8. 3 'A 


44.27 


618 


7.10 


43.42 


557 


6.46 7t 


— 


739 


~ 


46. 9 


678 


.- 


44.26 


617 


— 


13.44 


556 


6.16 


47.23 


738 


8.20 •/. 


46. 8 


677 


8. 3 


44.25 


616 


7. 9 V. 


43.40 


955 


- 


47.22 


737 


— 


46. 7 


676 


— 


44.24 


615 


7. 9 


- 


554 


6.45 7. 


47.24 


736 


8.20 


_ 


675 


8. 2 V. 


— 


644 


~ 


43. 9 


553 


- 


" 


735 


.- 


16. 6 


674 


8.2 


44.23 


613 


7. 8 V. 


43. 8 


552 


6.43 


47.20 


734 


8.49 •/. 


46. 5 


673 


-. 


44.22 


612 


_ 


43. 7 


554 


— 


47.49 


733 • 


8.49 


46. 4 


672 


8. 4 V: 


44.21 


611 


7. 8 


— 


550 


6.14 V. 


47.48 


732 


— 


46. 3 


674 


— 


— 


610 


— 


43. 6 


549 


6.14 


» 


731 


8.48 V, 


— 


670 


8. 4 


14.20 


609 


7. 7.'A 


43. 5 


548 


- 


47.47 


730 


.- 


46. 2 


669 


— 


44.19 


608 


7. 7 


13. 4 


547 


6.43 7. 


47.46 


729 


8.18 


46. 4 


668 


8. •/, 


44.18 


607 


» 


43. 3 


346 


— 


47.45 


728 


" 


46. 


667 


8. 


.- 


606 


7. 6 V, 


— 


545 


6.43 


47.44 


727 


8.47 7, 


— 


666 


— 


44.47 


605 


~ 


43. 2 


544 


— 


— 


726 


8.17 


45.34 


665 


7.23 V, 


44.46 


604 


7.6 


43. 4 


543 


6.12 V 


47.43 


725 




45.30 


664 


— 


44.15 


603 


.- 


43. 


542 


6.12 


47.42 


724 


8.16 Vi 


45.29 


663 


7.23 


44.44 


602 


7. 5 V. 


- 


544 


— 


47.41 


723 


— 


— 


662 


— 


— 


601 


7. 5 


12.31 


540 


6.11 7. 


— 


722 


8.46 


45.28 


661 


7.22 V, 


44.43 


600 


— 


42.30 


539 


— 


47.40 


721 


— 


45.27 


660 


7 22 


44.42 


999 


7. 4 'A 


42.29 


538 


6.14 


47. 9 


720 


8.45 V. 


45.26 


659 


— 


44.11 


598 


— 


— 


537 


— 



247 





Toquo 






Toque 






Toque 


1 




Toque 




Qailales 


MiUeai. 


Dinbci- 
ros 


Qailates 


Millesi- 


Dinhoi- 
ros 


Qailates 


Milieu- 


Dinhei- 
ros 


Qailates 


Millosi- 


Dinhei- 
ros 




JDOS 


_ 


MA 


mo!) 


~. 


32 


mos 


» 


fftA 


mos 


_ 


39 




grilos 


32 




gr9os 




grftos 


32 




grilos 


12.28 


536 


6.10 7, 


11.13 


475 


^ 


9.30 


414 


_ 


8.15 


353 


^^ 


12.27 


535 


6.10 


11.12 


474 


5.16 V. 


9.29 


413 


4.23 


8.14 


352 


4. 5 7, 


12.26 


534 


— 


ll.U 


473 


— 


- 


412 


— 


- 


351 


4. 5 


12.25 


533 


P. 9 V. 


— 


472 


5.16 


9.38 


411 


4.22 7. 


8.13 


850 


— 


_ 


532 


. 


11.10 


471 


-. 


9.27 


410 


4.22 


8.11 


349 


4. 4 V. 


12.24 


531 


6. 9 


il. 9 


470 


5.15 V, 


9.26 


409 


— 


8.11 


348 




12.23 


530 


e. 8 V. 


11. 8 


469 


5.15 


9.25 


408 


4.21 V. 


- 


347 


4. 4 


12.22 


529 


-> 


— 


468 


— 


— 


407 


— 


8.10 


346 


-> 


_ 


528 


6. 8 


11. 7 


467 


5.14 V, 


9.24 


406 


4.21 


8. 9 


345 


4. 3 7. 


12.21 


527 


— 


11. 6 


466 


.. 


9.23 


405 


4.20 7. 


8. 8 


344 


4. 3 


12.20 


526 


6. 7 V. 


11. 5 


465 


5.14 


9.22 


404 


— 


— 


343 


— 


12.19 


525 


— 


11. 4 


464 


5.13 V, 


— 


403 


4.30 


8. 7 


342 


4. 2 V, 


_ 


524 


6. 7 


~ 


463 


.- 


9.21 


402 


— 


8. 6 


341 


— 


12.18 


523 


6. 6 ", 


11. 3 


462 


5.13 


9.20 


401 


4.19 7. 


8. 5 


340 


4. 2 


12.17 


532 


— 


11. 2 


461 


— 


9.19 


400 


— 


8. 4 


339 


4. 1 7. 


12.16 


521 


6. 6 


11. 1 


460 


5.12 V, 


— 


399 


4.19 


— 


338 


— 


12.15 


520 


-. 


— 


459 


— 


9.18 


398 


4 18 7, 


8. 3 


337 


4. 1 


.. 


519 


6. 5 V, 


11. 


458 


5.12 


9.17 


397 


— 


8. 2 


336 


— 


12.14 


518 


-. 


10.31 


457 


5.1* V. 


9.16 


396 


4.18 


8. 1 


335 


4. 7. 


12.13 


517 


6. 5 


10.30 


456 


— 


9.15 


395 


- 


- 


334 


— 


12.12 


516 


«. * V. 


— 


455 


5.11 


— 


394 


4.17 7. 


8. 


333 


4. 


^ 


515 


— 


10.29 


454 


— 


9.14 


393 


— 


7.31 


332 


3.23 V. 


12.11 


514 


6. 4 


10.28 


453 


5.10 y. 


9.13 


393 


4.17 


7.30 


331 


— 


12.10 


513' 


— 


10.27 


452 


— 


9.12 


391 


4.16 V. 


— 


330 


3.23 


12. 9 


512 


6. 3 V. 


10.26 


451 


5.10 


— 


390 


— 


7.29 


329 


— 


^ 


511 


. 


— 


450 


5. 9 7. 


9.11 


389 


4.16 


7.28 


32i 


3.22 7. 


12. 8 


510 


6. 3 


10.25 


U9 


.. 


9.10 


388 


— 


7.27 


327 


— 


12. 7 


509 


6. 2 V. 


10.24 


448 


5. 9 


9. 9 


387 


4.15 7. 


7.26 


326 


3.22 


12. 6 


508 




10.23 


U7 


•~ 


— 


386 


— 


— 


325 


3.21 7. 


12. 5 


507 


6. 2 


— 


U6 


5. 8 V. 


9. 8 


385 


4.15 


7.23 


324 


— 


.» 


506 


.. 


10.22 


445 


— 


9. 7 


384 


4.14 V, 


7.24 


323 


3.21 


12. 4 


505 


6. 1 V. 


10.21 


444 


5. 8 


9. 6 


383 


— 


7.23 


322 


— 


12. 3 


504 




10.20 


443 


5. 7 7. 


9. 5 


382 


4.14 


- 


321 


320 7. 


12. 2 


503 


6. 1 


— 


442 


-. 


— 


381 


— 


7.22 


320 


— 


^ 


502 


6. V, 


10.19 


Ul 


5. 7 


9. 4 


380 


4.13 7. 


7.21 


319 


3.20 


12. 1 


501 




10.18 


440 


-. 


9. 3 


379 


— . 


7.20 


318 


3.19 7. 


12. 


500 


6. 


10.17 


439 


5. 6 7. 


9. 2 


378 


4.13 


— 


317 


- 


11.31 


499 


^ 


10.16 


438 


5. 6 


— 


377 


4.12 7, 


7.19 


316 


319 


_ 


498 


5.23 V. 


— 


437 


— 


9. 1 


376 


— 


7.18 


315 


— 


11.30 


497 


5.23 


10.15 


436 


5. 5 7, 


9. 


375 


4.12 


7.17 


314 


3.18 7, 


11.29 


496 


_ 


10.14 


433 


~ 


8.31 


374 


— 


7.16 


313 


3.18 


11.28 


495 


5.22 V, 


10.13 


434 


5. 5 


" 


373 


4.11 7. 


— 


312 


— 


.. 


494 


. 


— 


433 


— 


8.30 


372 


4.11 


7.15 


311 


3.17 7. 


11.27 


493 


5.22 


10.12 


432 


5. 4 7. 


8.29 


371 


— 


7.14 


310 


— 


11.26 


492 


— 


10.11 


431 


5. 4 


8.28 


370 


4.10 7. 


7.13 


309 


3.17 


11.25 


491 


5.21 «A 


10.10 


430 


— 


— 


369 


— 


— 


308 


— 


11.24 


490 


5.21 


— 


429 


5. 3 7« 


8.27 


368 


4.10 


7.12 


307 


3.16 y, 


m^ 


489 


» 


10. 9 


428 


— 


8.26 


367 


— 


7.11 


306 


3.16 


11.23 


488 


5.20 V, 


10. 8 


427 


5. 3 


8.25 


366 


4. 9 7. 


7.10 


303 


-> 


11.22 


487 


. 


10. 7 


426 


— 


8.24 


365 


4. 9 


— 


304 


3.15 •/, 


11.21 


486 


5.20 


- 


125 


5. 2 7. 


- 


36i 


— 


7. 9 


303 


— 


~. 


485 


— 


10. 6 


424 


5. 2 


8.23 


363 


4. 8 7. 


7. 8 


302 


3.15 


11.20 


484 


5.19 Vs 


10. 5 


423 


— 


8.22 


362 


— 


7. 7 


301 


— 


11.19 


483 


5.19 


10. 4 


422 


5. 1 7. 


8.21 


361 


4. 8 


— 


300 


3.14 7. 


11.18 


482 


— 


10. 3 


421 


— 


— 


• 360 


— 


7. 6 


299 


3.14 


~ 


481 


5 18 V. 


— 


420 


5. 1 


8.20 


359 


4. 7 7. 


7. 5 


298 


— 


11.17 


480 


~ 


10. 2 


419 


— 


8.19 


358 


4. 7 


7. 4 


297 


3.13 7. 


11.16 


479 


5.18 


10. 1 


418 


5. 7: 


8.18 


357 


— 


7. 3 


296 


— 


11.15 


478 


— 


10. 


417 


5. 


— 


356 


4. 6 7, 


— 


295 


3.13 


ll.li 


477 


5 17 V. 


— 


416 


— 


8.17 


355 


— 


7. 2 


294 


— 


— 


476 


5.17 


9.31 


415 


4.23 '/. 


8.16 


354 


4. 6 


7. 1 


293 


3.12 7, 



248 



Quilatcs 
32 

7. 

6.31 
6.30 
6.29 

6.28 
6.27 
6.26 
6.25 

6.24 
6.23 
6.22 

6.21 
620 
6 19 

6.18 
6.17 
6.16 
6.(5 

6.14 
6.13 
6.12 

6.(1 
6.10 
6.' 9 

6. 8 
6. 7 
6. 6 
6. 5 

6. 4 
6. 3 
6. 2 

6. 1 

6. 
5.31 

5.30 
5.29 
5.28 

5.27 
5.26 
5.25 
5.24 

5,23 
5.22 
5.21 

5.20 
519 
5.18 



Toqae 



mos 



292 
£91 
290 
289 
288 
287 
286 
285 
284 
283 
282 
281 
280 
279 
278 
277 
276 
275 
274 
273 
272 
271 
270 
269 
268 
267 
266 
265 
264 
263 
262 
261 
260 
259 
258 
257 
236 
255 
254 
253 
252 
251 
250 
249 
248 
247 
246 
245 
244 
243 
242 
241 
240 
239 
238 
237 
236 
235 
234 
233 
232 







DìdIìoì- 




ros 


Quilates 


gr9os 


32 


3.12 


, 


— 


5.17 


3.11 V. 


5.16 


— 


5.15 


3.11 


5.14 


3.10 V. 


5.13 


3.10 


5.12 


— 


15.11 


3. 9 7, 


- 


— 


5.10 


3. 9 


5. 9 


3. 8 V. 


5. 8 


3. 8 


5. 7 


— 


5. 6 


3. 7 V* 


5. 5 


— 


5. 4 


3. 7 


— 


3. 6 V. 


5. 3 


— 


5. 2 


3. 6 


5. 1 


3. 5 «A 


5. 


— 


4.31 


3. 5 


4.30 


3. 4 V. 


— 


— 


4.29 


3. 4 


4.28 


— 


4.27 


3. 3 «A 


4.26 


3. 3 


4.25 


3. 2 V« 


4.24 


— 


4.23 


3. 2 


— 


— 


4.22 


3. 1 V, 


4.31 


— 


4.20 


3. 1 


— 


3. V. 


4.19 


— 


4.18 


3. 


4.17 


— 


4.16 


2.23 7, 


— 


2.23 


4.15 


— 


4.14 


2.22 7. 


4.13 


2.22 


4.(2 


— 


4.11 


2.21 7. 


4.10 


2.21 


— 


— 


4. 9 


2.20 7. 


4. 8 


— 


4. 7 


2.?0 


— 


— 


4. 6 


2.19 V, 


4. 5 


2.19 


4. 4 


- 


4. 3 



Toquo 



Millcsi- 

mos 



231 
230 
229 

218 
227 
226 
225 
224 
223 

ZZs 

221 

320 

219 

218 

217 

316 

213 

214 

213 

212 

211 

210 

209 

208 

207 

206 

205 

204 

203 

202 

201 

200 

199 

198 

197 

196 

193 

194 

193 

192 

191 

190 

189 

188 

187 

186 

185 

184 

183 

182 

181 

180 

179 

178 

177. 

176 

175 

174 

173 

172 

171 



Dinhei- 
ro3 


Quilates 


gr303 


32 


2.18 V, 


^^ 


— 


4. 2 


2.18 


4. 1 


— 


4.0 


2.17 7. 


«- 


2.17 


3.31 


— 


3.30 


2 16 7. 


3.29 


2.16 


3.28 


>. 


3.27 


2.15 7, 


3.26 


2.15 


3.25 


"^ _ 


.- 


?.14 7! 


3.24 


— 


3.23 


2.14 


3.M 


2.13 7. 


— 


— 


3.21 


2.13 


3.20 


— 


3.19 


2.12 V, 


— 


— 


3.(8 


2.12 


3.17 


2.11 V, 


3.16 


— 


3.15 


2.11 


~ 


— 


3.14 


2.10 7. 


3.13 


— 


3.12 


2.10 


-. 


2. 9 «A 


3.11 


— 


3 10 


2. 9 


3. 9 


2. 8 7, 


3. 8 


- 


3. 7 


2.. 8 


3. 6 


2. 7 7. 


3. 5 


2. 7 


3. 4 


— 


3. 3 


2. 6 7. 


3. 2 


2. 6 


— 


— 


3. 1 


2. 5 7. 


3. 


— 


2.31 


2. 5 


._ 


— 


2.30 


2. 4 7e 


2.29 


2. 4 


2.28 


2 3 V. 


2.27 


— 


2.26 


2. 3 


2.25 


— 


2.24 


2. 2 7. 


— 


2. 2 


2.23 


— 


2.22 


2. 1 7« 


2.21 


— 


— 



Toquo 



Mìllesi- 
mos 



Diiiliri 
ros 

gr3i08 



170 
169 
168 
167 
166 
163 
164 
163 
162 
161 
160 
i59 
158 
157 
156 
153 
154 
153 
152 
151 
150 
149 
148 
147 
146 
145 
144 
143 
142 
141 
140 
139 
138 
137 
136 
135 
134 
133 
132 
131 
130 
129 
128 
127 
126 
123 
124 
123 
122 
121 
120 
119 
118 
117 
116 
113 
114 
113 
112 
111 

no 



3. 1 

2. •/, 
2. 

1.23 7, 

1.23 

1-22 7, 
1.22 

1.21 7. 

«,21 
*.20 7t 

1.20 

1.19 V. 

1.19 
1.18 7i 

1.18 

1.17 7, 

1.(7 
1.16 7. 

I.IG 

1.15 7. 

1.13 
1.14 7. 

1.14 

1.(3 V. 

1.13 
1.12 7. 

1.12 

1.11 V, 

1.11 

1.10 7* 
1.10 

«.9 7, 
1. 9 

1. 8 7. 
I. 8 



Quilates 
32 



2.20 
2.19 
2.18 

2.17 
2.16 
2.15 
2.14 

2.(3 
212 
2.11 

2.10 
2. 9 
2. 8 

2. 7 

2. 6 

2 3 

2. 4 

2. 3 
2. 2 

2. 1 

2. 
1.31 
1.30 

1.29 
1.28 
1.27 
1,26 

1,23 
1.24 
1,23 

1.22 
1,21 
1,20 

1.19 
1,18 

1.17 
1,(6 

1.13 
1.14 
1,13 

1.12 

1.11 
1,10 

1. 9 
1.8 
1, 7 

1. 6 



Toque 



Millesi- 
mos 



Dinbei- 
ros 

grios 



109 

106 

107 

106 

105 

104 

103 

102 

101 

100 

99 

98 

97 

96 

93 

94 

93 

92 

91 

9J 

89 

88 

87 

86 

83 

84 

83 

82 

81 

80 

79 

78 

77 

76 

■**• 

io 
74 
73 
72 
71 
70 
69 
68 
67 
66 
63 
64 
63 
62 
61 
60 
59 
58 
37 
55 
53 
54 
53 
52 
51 
50 
49 



1. 7 7i 
1. 7 

1. 6 7. 
1. 6 

t. 5 7, 
1. 5 

1. 4 7, 
1. 4 

1. 3 7. 
1. 3 

1. 2 7. 

1. 2 

1. 1 7. 
1. 1 
1. 07. 

1. 
0.23 V, 

0.23 

0.23 7, 

0.22 
0.21 7, 

0.21 

0.20 7, 

0.20 
0.19 7, 

0.19 

0.18 7, 
0.18 

17 •;, 

0.17 

0.16 7, 
0.16 

0.15 7, 

0.13 

0.14 7. 
0.14 



249 





Toqne 


DiDhei- 
ro9 


Qailates 


Toque 
Hiilesi- 


Dinhei- 
ros 


Qailates 


Toqae 
Millesi. 


Dinhei- 
ros 


Qoilates 


Toque 
Millesi- 


Dinhei- 
ros 


Qailales 


Millesi- 


39 


mos 


grios 


32 


mos 


grtos 


32 


mos 


grSos 


32 


mos 


grios 


1. 5 


48 


^^ 


0.28 


36 


0.1U Vi 


.^ 


24 


0. 7 


.0.9 


12 


0. 3 V, 


1. 4 


47 


0.13 V, 


0.27 


35 


0.10 


0.18 


23 


0. 6 V. 




11 


— 


1. 3 


46 


^ 


0.26 


34 


— 


0.17 


22 


— 


0. 8 


10 


0. 3 


-> 


45 


0.13 


0.25 


33 


0. 9 7. 


0.16 


21 


0. 6 


0. 7 


9 


0. 2 V. 


1. 3 


U 


— 


— 


32 


— 


0.15 


20 


— 


0. 6 


8 


— 


1. 1 


43 


0.12 •/, 


0.24 


31 


0. 9 


— 


19 


0. 5 V. 


0. 5 


7 


0. 2 


1. 


42 


0.12 


0.23 


30 


0. 8 V. 


0.14 


18 


— 


— 


6 


— 


— 


41 


— 


0.22 


29 


— 


0.13 


17 


0. 5 


0. 4 


5 


0. 1 V. 


0.31 


40 


0.11 V. 


— 


28 


0. 8 


0.12 


16 


0. 4 V. 


0. 3 


4 


— 


0.30 


39 


— 


0.21 


27 


— 


— 


15 


~ 


0. 2 


3 


0. 1 


0.29 


38 


0.11 


e.2o 


26 


0. 7 V. 


0.11 


14 


0. 4 


— 


2 


0. 7. 


— 


37 


— 


0.19 


25 


^ 


0.10 


13 


— 


0. 1 


1 


— 



250 



N.'' 4 -Tabella io faior do kìiograiniua de oiro segando a soa lì(|a, na coDrormidade 
do disposto Da caria de lei de 39 de jaiho de Ì8S4 ^ 



3 



1000 
999 
99B 
997 
996 
995 
994 
993 
992 
991 
990 
989 
96:$ 
987 
986 
985 
984 



981 
981 
980 
979 
978 
977 
976 
975 
974 
973 
973 
971 
970 
9G9 
968 
967 
966 
965 
964 
963 



Valor 



615^116 
614(9500 
6131^885 
613^i70 
612i9655 
612^040 
611^425 
610^^810 
610^195 
609(^579 
608f^964 
608,9349 
607^734 
607^119 
è06i9504 
605i9889 
603<^274 
604^659 
604^^043 
603^428 
602^^813 
602i9198 
601^583 
6001^968 
600^353 
599(^738 
599^122 
598i^507 
5974892 
597^277 
596i9662 
596^047 
393i$432 
594i98i7 
594(9202 
593(9586 
592(9971 
592^356 



2 


Valor 


ti 


Valor 


962 


591(9741 


924 


568*367 


961 


591^126 


923 


567*752 


960 


590^511 


922 


567*136 


959 


589 896 


921 


566*521 


958 


589(9281 


920 


565*906 


957 


588(9666 


919 


565*291 


956 


588(9050 


918 


564*676 


955 


587^435 


917 


564*061 


954 


586i9820 


916 


663*U6 


953 


586^205 


915 


562*831 


952 


583^590 


914 


562*216 


951 


584^975 


913 


561*600 


950 


584^360 


912 


560*985 


HO 


583i9745 


911 


560*370 


948 


583^129 


9'0 


553*735 


947 


582i95(4 


909 


559*140 


946 


581i989i) 


908 


558*525 


945 


581^284 


907 


557*910 


944 


580^669 


906 


557*295 


943 


580(9054 


905 


556*679 


942 


579^9439 


904 


556*064 


941 


578^824 


903 


555*449 


940 


578^309 


902 


554*834 


939 


577i9593 


SOI 


554*219 


938 


576^978 


900 


553*604 


937 


576^363 


899 


532*989 


936 


575^748 


898 


532*374 


935 


575,9133 


897 


531*759 


934 


574^518 


896 


551*143 


933 


573^903 


895 


550*528 


932 


573^288 


894 


549^913 


931 


572^672 


893 


549*298 


930 


572^9057 


892 


5(8^683 


929 


571i9U2 


891 


548*068 


928 


570*827 


890 


547*433 


927 


570*212 


889 


546*838 


926 


569*597 


888 


546*223 


925 


568*982 


;887 


545*607 



(9 

te 



Valor 



886 
885 
884 
883 
882 
881 
880 
879 
878 
877 
876 
875 
874 
873 
872 
871 
870 
869 
868 
867 
866 
865 
864 
863 
862 
861 
860 
859 
858 
857 
856 
855 
854 
853 
852 
851 
830 
'849 



544*992 
544*377 
543*762 
543*147 
542^^532 
541*917 
541*302 
540*686 
540*071 
539*456 
538*841 
538*226 
537*611 
536*996 
536*381 
535*766 
533*150 
534*535 
533*920 
533*305 
532*690 
532*075 
531*460 
530*845 
530*229 
529*614 
528*999 
5i8*384 
527*769 
527*154 
526*539 
525*924 
523*309 
524*693 
524*078 
523*463 
322*848 
322.>233 






848 
847 
846 
845 
SU 
843 
842 
841 
840 
839 
838 
837 
836 
835 
834 
833 
832 
831 
830 
829 
828 
827 
826 
825 
824 
823 
822 
821 
820 
819 
818 
817 
816 
815 
814 
813 
812 
811 



Valor 



521*618 
521*003 
520*388 
519*773 
519*157 
518*542 
517*927 
517*312 
516*697 
516*082 
515*467 
514*852 
514*236 
513*621 
513*006 
512*391 
511*776 
511*161 
510*346 
509*931 
509*316 
508*700 
508*083 
507*470 
506*835 
506*240 
505*625 
505*010 
5041^395 
503*780 
503*164 
502*549 
501*934 
501*319 
500*704 
500*089 
499*474 
498*839 



ri 
m4 



810 
809 
808 
807 
806 
803 
804 
803 
802 
801 
800 
799 
798 
797 
796 
795 
794 
793 
792 
791 
790 
789 
788 
787 
786 
785 
784 
783 
782 
781 
780 
779 
778 
777 
776 
775 
774 
773 



Valor 



498^243 
497*628 
497*013 
496*398 
495*783 
493*168 
494^553 
493*938 
493*323 
492*707 
492*092 
491*477 
490*862 
490*247 
489*632 
489*017 
488*402 
487*786 
487*171 
486*556 
485*941 
483*326 
484*711 
484*096 
483*481 
482*866 
482*250 
481*635 
481*020 
480*405 
479*790 
479*173 
478^560 
477*945 
477*330 
476*714 
476*099 
475*484 



ti 
•-ti 



772 

771 

770 

769 

768 

767 

766 

765 

764 

763 

762 

761 

760 

75J 

758 

737 

736 

755 

754 

753 

752 

731 

730 

749 

748 

747 

746 

745 

744. 

743 

742 

741 

740 



Valor 



474*869 
474*254 
473*639 
473*024 
472,^409 
471*793 
471*178 
470*563 
469*948 
469*333 
468*718 
468*103 
467*488 
466*873 
466*257 
463*642 
463*027 
46^*412 
463*797 
463*182 
462*367 
461*952 
461*337 
460*721 
460^106 
459*'»91 
458*876 
458*261 
457*646 
437*031 
456*416 
455*800 
4'>5*185 



' iNos calculos foram dc.-prezados os millcsimos. Liga da mocda 916,666: importa o kilogramma 
CHI Ó63;fi850 réis. 



N.» OS 

1641 - PE VBREIRO - 14 

Eu el Rey fago saber a uós Antoaio Cabide^ meu escrivùo da Gamara, que scrvis de tlie- 
sourcìro da casa da moeda, que porquanto algumas pessoas zelosas do meu seruigo e do bem 
publico trazem à arca do tbesoureiro mor a sua prata para me eu servir della, e mandar ba- 
ter em moeda, para acudir às necessidades prezentes do susteuto da guerra e defengaO des- 
tes Reynos; Hey por bem e vos mando que toda a prata que pelo meu dito tbesoureiro mor, 
ou por qualquer outra pessoa vos for entregue, fa^aes por em ley de onze dinbeiros e lavrala 
em moedas de tostóis, meios tostdis da cruz de Ghristo; e de cada marco de prata se faraO 
dois mil e oitocentos réis em qualquer das ditas moedas, das quaes ficaraO na dita casa cem 
r.' de cada marco para o feitio dellas, e outras despezas que se fazcm em seu lavramcnto, 
que se carregaraO em receita com a dita declara^aO, e para o mesmo effeito; e dos ditos tos- 
toès se farà de cada marco de prata vinte e oito pegas, e terà cada tostaó de pezo duas oita- 
vas e vinte grads e nove catorzavos, e tcrà de bua parte a cruz acima dita com bùas letras que 
digaO IN HOC SIGNO VINCES e da outra parte o escudo das armas reaes com bQas letras 
ao redor que digam: IOANNES QVARTVS DEI GRATIìE REX PORTVGALI^; as quaes 
moedas bey por bem e mando que se recebaù nos ditos pregos em meus reynos e senborios, 
que saò os roesmos que ategora correraó desdc o anno de mil e quinbentos e oitenta e oito, 
pelia provizaO passada em vinte e bù de novembro do mesmo anno, sem se alterar couza aU 
gua; e todo o dinbeiro que pela dita maneira proceder do lavramento da dita prata, exepto 
tostào de cada marco que se uos ba de carregar em receita, comò fica dito, bireis entre- 
gando assim comò se for lavrando; a saber, o que for de partes que levarem a sua prata ò, 
dita caza, òs roesmas partes, e ao meu tbesoureiro mor o que proceder da prata que elle vos 
entregar, de que tirareis conbecimento em forma das quantias que o dito tbesoureiro se for en- 
tregando para nossa conta ou da pessoa a que tocar. Està provisaO se cumprirà inteiramente 
sem duvida nem contradigaO algua e vaìerà corno se fosse carta feita em meu nome e pas- 
sada pella minba cbancellaria, posto que por ella nào passe, sem embarguo das ordenagoés 
em contrario; e se registarà nos livros da dita caza adonde se registaO os semclbantcs. Ma- 
nuel Antunes a fez em Lisboa aos 14 de fcverciro de 1641. Affonso de Barros Gaminba o fez 
escrever. Rey.— D. Miguel d'Almeida^ 



]V.° oo 



1641 - M ARgO — 27 



Eu ElRey fago saber aos que cste Alvarà virem, que porquanto por provizaò minba de ca- 
torze de fevereiro deste anno prezente de seiscentos e quarenta e bù annos, mandey que na 
caza da moeda se lavrassem tostuis e meios tostOis da prata que para isso se levasse, com de- 
claragao dos toslOis e meios tostOis que se baviaò de lavrar de cada marco de prata, pondo-a 
na ley de onze dinbeiros, e por nad se dcclarar nella que se fabricasscm outra caiidade de 
moedas, sendo taO necessarias pera o bom governo e meneyo das couzas, Hey por bem e me 
praz que da prata que se levar à casa da moeda para della se lavrar a mesma moeda, se fa- 
brique a quarta parte em moedas de dous vintens, e de vintcns, e que todo o ouro, que à dita 

' Àrdi, da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 200. 



254 

caza se levar, se fabrique em moedas de quatro e dous cruzados, tudo com o pezo e valor 
da ley, e com os cunhos com que ategora se fabrìcavaò, mudaodo-se-lhes o nome de Phel- 
lippus a Joannes quartus. Pelo que mando ao tbesoureiro da caza da moeda, Juiz della, o 
faga assini executar, scm duvìda nem contradi^ad algua, e este valerà corno se fosse carta 
feita em meu nome e passada pela minha cbancellaria, posto que por ella nào passe, sem em- 
bargo da ordenagaó do reìrio, liv. S."" cap. iv, que dispoem o contrario, o qual sere registado 
nos livros da minba fazenda e da dita caza da moeda aonde se registaó os semelbantes. fier- 
tolameu d*araujo o fez em Lisboa aos 27 de margo de 1641 annos. Alfonso de barros Cami- 
nha fez escrever. — Rey. * 



N.^ lOO 

1641-JUL.HO-l 

Dom Ioam por Graga de Deos Rey de Portugal, & dos Algaracs daquem, & dalcm Mar em 
Africa, Senbor de Guinè, & da Conquista, nauegagfto, comercio de Elbiopia, Arabia, Persia, 
& da India, &c. Pago saber a quantos està minha ley virem que eu roandey ver com parti- 
cular atengào, & consideragòes do que mais conuem a meu seruigo, & bem commum de meus 
Reynos, & vassdllos, & ù. continnagao, & facilidade do comercio, o que se deuia ordenar so- 
bre valor da moeda corrente destes Reynos, i\ pellas ditas consideragdes podia auer nella 
altcragào, & mudanga preuenindosse os damnos, & inconuenientes, que se experimentauSio, 
auendo de correr no valor, que de presente tem, & feito sobre tudo diligencia & exame, db 
tendo tambem respeito ao valor das moedas de que vsào as nagOes estrangeiras que nestes 
Reynos comerceao ouue por bem rcsolucr, que daqui em diante se fagào de cada Marco de 
prala de ley de onze dinheiros trinta & quarto tostoes, com os fobres ordinarios, & que des- 
tes se dem, & paguem às partes donos da prata por cada marco que entregàrem sendo de 
prata de ley vìnte & nouc tostòes em lugar dos vinte & sete que atègora se Ibe daua5& pello 
marco de prata laurada em tostOes, que se tornnrem a fundir, tres mil reis, & que de bua, 
& outra cousa se fagào assentos separados, & receitas ao Thczoureiro, para que abbatidas as 
despezas que se Gzercm com a fabrica (que se suprirào dos febres) fìque para minha fazenda 
resto liquido, que sera na prata em pasta quinbentos reis^ & na de moeda quatrocentos reis, 
& que se possa fundir todo o genero de moeda destes Reynos, ou dos de Castella, sem em- 
bargo de quaesquer leis, ou prouizóes, que aja em contrarlo, & o Thezoureiro, & Officiaes da 
moeda recebào para este effcito toda a prata, ou moeda, que se Ibes entregar para se laurar 
em outra nona, na forma que fica dito, & que a este respeito dandose à noua moeda de prata 
de ley de ooze dinheiros valor de vinte por cento mais do que pezar, se laurem tostòes, & 
meios lostues, quatro vintèis, dous vintéis, vintèis singellos, meios vintéis, & sinquinhos, 
com meu cunho, & nome na forma custumada acrecentando sòmente em todas as moedas 
anno, em que se laurarào, ao pè da cruz com que se cunhdo, & que passado seis mesesda 
publicagOo desta ley, que concedo para se gastar a moeda q atègora corria, naó possa correr 
nem valer nestes meus Reynos outra algua de prala mais q aquella, que na forma sobredita 
se laurar de nouo com o meu cunho, & nome, tirados os reales castelhanos de oito, & qua- 
tro, corno nao sejào os que tem por cunho Plus vltra, & jugo, & selas, os quaes na5 valeram, 
nem correrào. E por quanto os reales castelhanos, que chamSo cerceados, & vinlés nauarros, 
& bambas, sad de muito menos pezo, & as pessoas que os tiuerem perderlo muito em os fun- 
dir, & laurar de nouo, ordcno, & mando que dos que se trouxerem à Gasa da moeda para se 
Inurarom se responda às parles com o seu diuheiro sem gànho atgum para minha fazenda , 

< Ardi, da casa da moeda de Lisboa, registo geral, )iv. i, fol. 201. 



255 

& a rubrica desta moeda se pagarà dos febres. PcUo que mando ao Thesoureiro, & Officiaes 
da Casa da moeda que nesta coaformìdade a laure, & fundSo da publicagdo desta leyem dìante 
cm minha Ghancellaria, & mando ao Regedor da Gasa da supplicagào, Gouernador da Casa 
do Porto, Dezembargadores das ditas Casas, & aos Corregedores do crime de minha Corte, & 
aos Corregidores, & luizes do crime desta Cidade de Lisboa, & a todos os mais Corregedo- 
res, & Ouuidores do Mestrado, & luizes de todas as Cidsidcs, Villas, & iugares de meus Rey- 
nos que cumpraO, & guardem, & fagào cumprir, & guardar està ley, corno nella se contem. 
E mando outrosi ao Doutor Fcrnào Cabrai do meu Concelbo, & Chanceiler mòr dos ditos Rey- 
nos a faga publicar na Chancellaria, & enuie logo cartas, com o treslado delia, sob meu sello, 
& seu Sinai aos ditos Corregedores, & Ouuidores das Comarcas & aos Ouuidores de terras 
de senhores, em que os Corregedores nào entraO por correigào para que a fagào publicar em to- 
dos OS Iugares de suas Comarcas, & Ouuidorias para que a todos seja notoria, & està ley se 
registrare no liuro da Mesa do despacbo dos meus Dezembargadores do Pago, & no Concelho 
de minha fazenda, & nos das Casas da Supplicag[io,»& do Porto, em que se registram seme- 
iliantes Icys, Balthazar Rodriguez de Àbreu a fez escreuer cm Lisboa ao primeiro de lulho de 
rail sciscentos quarenta & bum. — El Rey ^ , 



]V.« lOl 

1641-JULHO-19 

Eu El-Rey fago saber aos que està provisaó virem, que por aver entendido que he neces- 
sario encurtar muito mais o prazo que se asignalou de seis mczes para o consumo da moeda 
que ategora corria, cm quanto a està cidade mandci passar a prezentc, pela qual mando e 
ordeno que passado hu mez de tempo depois da provisaó desta em diante, que concedo para 
se gastar a moeda que ategora corria, naO possa correr nem valler nesta cidade moeda al- 
guma que naò for cunhada em meu nome e cunho e declaragào do anno, na forma da ley 
passada, Gcando o prazo dos seis mezes para os outros Iugares do Reyno ; para que mando 
ao Regedor da caza da suplicagaó, e dezembargadores della e c(y*regedores do crime de mi- 
nha corte, e corregedores e juizes do crime desta cidade de Lix.' que cumpraO e guardem 
està provisaO comò se nella conthera, e mando outro sy ào meu chanceiler mor dcstes Rey- 
nos que a faga publicar na chancellaria mor, para que a todos seja notorio, e se registarà no 
livro da meza do despacho dos meus dezembargadores do Pago, e no conseUio de minha fa- 
zenda, e no da caza da suplicngaò em que se costumaò registarassemelhantes. B." Comes a 
fez em Lix.* aos dezanove de julho de 1641 , B." Roiz xlabreu a fez escrever. — Rey '^. 



N.^ lOS 



ie42~FEVEREIRO-l 



Ev El Rey fago saber aos qve estc regimento virem, que pera se dar A execusaO a ley Q 
tenho mandado publicar sobre se auer de Cunhar a moeda antiga, correte desles meus Rey- 
nos, cO a breuidade que se requcr, & co menos molestia, & custo de meus vassallos, ordeno, 
dt màdo, que se assentem as casas era quo se ha de cunhar, nas cidades, & villas seguintes. 

' No liv. I do registo goral ila casa da raocda de Lisboa, fol. 201 v , vem a mesma lei datada de 
2 de Jaiho de 1641. Impresso avulso. 

• Arch. nac, liv. w das leis, fol. 54 v. 



256 

1 Na cidadc do Porto, pera a Prouincia danlre douro, & niinlio, na de Mìràda, peraade- 
tràs OS Montes ; nas Vìllas de Tràcoso, & Castello branco, pera a da Beìra, na Cidade de Coim- 
bra, & villa de Tornar, pera a da estrcmadura, nas Cidades de Euora, & Beja, pera a de Alen- 
tejo, & na Cidade de Tauira, pera o Reyno do Algarue, naò probibindo aos moradores das 
ditas Prouincias irò leuar o scu dinbeiro a cunbar às casas, q Ibe ficarem mais accdtnodadas 
posto que nào estejaO no seu destricto. 

2 Em cada bua das ditas cidades, e villas se ajùtarào cm Camara os officiaes della cO o 
luiz de Fora, e Prouedor da Comarca, ou què scu cargo seruir, e tomàrào bua casa no lugar 
q Ihe pareccr mais cOucniète, fecbada co grades de ferro, na cóformidade das casas onde se 
cunba a moeda ncsta cidade, pera se cunbar a q a ella for Icuada, tornado pera isso ìnfor- 
magào dos officiaes q leuào os ferros. 

3 E porq nas ditas terras, nà ba oSciais, q saibH cunbar moeda, irà desta Cidade pera 
cada bua das ditas casas bù dos ^ cunba na da moeda de maior còfìSga, e satisfaga, pera cu- 
nbar a q entrar na dita casa, e quàdo for tata a q elle nà possa dar expediéte, os oRciacs da 
Camara buscara outro oGcial, ou oficiaes q o ajudé, sendo da mesma còfìàga, & satisfagdo. 

4 Pera cada bua .das ditas casas, nomearei bua pessoa de multa satisfagao, & cOfianga, 
q assista co os ditos cunbadorcs na casa, & scja olbeiro della, & entre, & saia co elles se se 
apartar da fabrica, até se tornar a fecbar a porta q terà duas cbaues, bua o assistente, & ou- 
tra cunbador. 

5 Os mesmos officiaes da Camara, co os luizes de Fora & Prouedores elegerào tbesou- 
reiros, a q se aja de entregar a moeda q entrar nas ditas casas: & escrluàes de receita, & 
despeza, pessoas de muita coufìanga, & verdade; co apercebimento; que se os ditos officiaes, 
assi eleitos, derem algum damno a minba fazenda, ou das partes, se cobrarù pela dos que 

05 elegerào. 

6 Às pessoas q ouuerc de ir assistir à fabrica, leuarao desta Cidade liuros assinados, & 
numerados pelo luiz das lustiGcagóes de minba fazenda na cóformidade dos q seme na casa da 
moeda desta Cidade, nos quais os ditos escriuàcs carregarào em receita aos tbesoureìros todo 
dinbeiro q entrar nas ditas casas nomeàdo a pessoa q o entregou, o lugar onde be morador, 

6 dia, mes, & anno, & a moeda em q fez enlrega, de q se farà assento assinado pelo tbe- 
soureiro, & pessoa que entregar o dinbeiro, & ao pé deste assento se deixarà papel braco 
bastate, pera fazer o termoMia entrcga, & nelle se dcclararà o q ficar liquido para minba fa- 
zenda, descontandose o que a parte ba de leuar de auangos do dinbeiro, que entregou. 

7 Por se bào os cunhos nos tostoès velhos q nao forem dos q agora de nono se fundirào, 
& valerà cada tostaó seìs vinteis, & nos meios tostoès velbos, & valerà cada bu delles tres 
vinteis, & nas moedas de quatro vinteis, q tiuereji justo pezo, & valerà cada bua dellas sinco 
vinteis: & nas moedas de dous vinteis de justo pezo, & valerù cada bua dellassincoentareis, 
& nas patacas, & moedas de oito vinteis, se naò porào cunhos, por se entender q o valor in- 
trinseco, que lem, sera de mais proueito a meus vassallos. 

8 Àuerà em cada bua das ditas casas bum cofre de tres cbaues forte, & grande, das quais 
bua terà o Tbcsoureiro outra o luiz de Fora, & outra o Escriuào aonde se melerà todo o di- 
nbeiro, q as partes leuarè a cunbar, & nelle estarà o liuro da receita, & despeza. 

9 E se nào poderà abrir o dito cofre, sem estaré presentes todos tres, & o Prouedor da 
Comarca terà particular cuidado de vigiar, se se cùpre inteiramète este capitulo; porque da 
obscruancia delle depende a seguranga de minba fazenda, & das partes. 

10 Nesta Cidade se faraO os ferros de cunbar co as deuisas de cento & vinte, cento, ses- 
senta, & sincoéta por figuras de algarismo, pera se differengare de todos os mais cunbos, 
assi antigos, corno modernos de maneira q se possaó conbecer cO certeza bus, e outros; e 
feilos OS ditos ferros q pareceré necessarios para cada bua das ditas casas, todos no mesmo 
tempo, leuarào os ditos assistentes, & Cunbadores que bào de ir, a cada bua das ditas casas, 
ferbados em bua boceta, com certidào do luiz, & Escriuào da moeda desta Cidade, em que so 
doclarc os ferros que leuào, & a forma dolles; a qual boceta se nào abrirà para os tirarem. 



257 

seiiùo depois da casa estar coiicertada, & preparada pera se fa/er obra, & estarào os ditos 
ferros fccliados em bua arca de tres cbaues, das quais hùa tei'à o assistente, outra oTiiesou- 
reiro» outra o escriuào, na mesma casa onde se ha de cunbar, sem della se podercm tirar por 
nenhum caso, sob pena de encorrer a pessoa que se prouar que os tirou da dita casa, nas pen- 
nas em que pelas Ordenagócs do Heyno encorré os q fazé moeda falsa. 

11 Tanto q a casa estiucr feita, em cada bua das ditas cidades, ou villas, o Prouedor da 
Gomarca, logo no mesmo dia màdarà Idgar pregocs e partes publicas, & custumadas, de ma-; 
neìra que possa vir a noticia de todos, que dentro em vinte dias sejtio obrìgados os morado- 
res da mesma villa, ou cidade, a leuar à dita casa toda a mocda de prata que tiuercm, de 
qualquer sorte que seja (excepto patacas, & mcias patacas, vinteis, & dczreis de prata) & dos 
prcgoés assi langados farà por cditaes nos lugares publicos, & costumados, & mandare ca- 
minbeiros a todos os luizes de Fora, & Ordinarios de sua Gomarca, pera que elles na mesma 
forma mandem langar os pregoós, que do dia em que se langarem a sessenta dias continuos 
primeiros scguintes, leuem às casas da moeda todo o dinbeiro na forma sobredita; & pera 
melbor vir ù. noticia de todos se langarào tambem aos Domingos, & dias Saoctos em sahindo 
da Igreja Malriz, onde todos se ajuntad & os ditos luizes serào obrigados a mandar certidoés 
ao Prouedor da publicagào desta ordem logo tanto que a publicarem sem dilagSo algùa. E 
nesta Gidade de Lisboa, pela grandeza della, sera o termo de quarenta dias. 

12 E porq as casas se naò assétaO em todas as Gomarcas do ReynO; senHo nas que Ocdo 
nomeadas, o Prouedor da Gomarca, aonde estiuer a casa passarà logo precatorios pera os Pro- 
uedores mais vizinhos, c5 o tfaslado deste Regimento que Icuaraò os assistentes, pera cada 
bua das ditas casas, pera que nesta conformidadc ordené os luizes de seus districtos, fag&o 
a publicagdo na forma sobredita, & Ibe enuiem della certidoés, as quais os Prouedores de to- 
das as Gomarcas terào obrigagao de mandar ao Gonselbo de minba fazèda com toda a breui- 
dade possiuel, & rellagaO fella por menor das certidoés, & declaragdo dos lugares. 

13 Mando aos ditos Prouedores, luizes de Fora, & ordinarios, q o disposto nestes capitu- 
los proximos neste Regimento cumprào inteiramente sem duuìda, ne dilagdo algiia sob penna 
de se Ibe dar em culpa em suas residcnclas qtialquer piquena omissaò, ou discuido que nisto 
liuerem, & sercm por elle grauemente castigados, & nos capitulos das residencias que pela 
mesa do Dczembargo do Pago se mandarem tomar aos Prouedores, & luizes de Fora, se acre- 
centai*ao estes, pcUos quaes perguntarào os syndicantes mui particularmente, e nas deuagas 
q se tiraO dos luizes ordinarios q seruiraO o anno proximo, se porgutarà tambem pelo pi*oce- 
dimèto que ellcs tiueraó na obseruancia deste capìtulo. 

14 E pera q meus vassallos cu melhor vólade Icué o dinbeiro q tiueré ùs casas de cunbar; 
Bey por bè de Ibe fazer mercé de dous por cèto mais da quàtia q trouxerfi, corno alegora so 
Ibcs daua da moeda noua, & q os pagamétos se Ibe fagao na mesma moeda velba, nouamète 
cunbada co boa orde, & auiaméto, & a menor dilagào q puder ser. 

15 E nos pregOes q se langitrè na forma ordenada no capitulo onze, e doze se dcclararà 
q toda a pessoa de qualqr calidade, & còdigaò q seja, a q for ncbado dinbeiro em sua casa, 
ou poder, seja cGdehada è perdimelo delle, & no tresdobro, & dez annos de degredo pera o 
Brazil; das quaes penas seraO luizes os Prouedores das Gomarcas, comò còtadores de minba 
fazéda, & tomaraO as denunciagoés, & sentécearaò os culpados brcue, & summariaméte, 
dando appellagào, & aggrauo, pera o còselbo*de minba fazéda. 

16 E porq as leis geraes, feitas pelos Principes seculares em ordem ao bé publico, & de- 
fensào do Reyno, cdprebédem as pessoas ecclesiasticas ; Decloro q elles seraò obrigados a 
mandar às casas da moeda cunbar a q tiueré dentro no termo assima limitado: &nào a man- 
dado encorrera5 em perdimento della co o tresdobro. E assi da mesma maneira, q pelo forai 
das Àlfandegas os q desencaminbùo as fazédas de sello som so Ibo impor outra penna crime. 
E cstas pennas de perdimèto; & tresdobro, se poderaó pedir diante dos Vigairos Géracs, ou 
da vara, do districto donde foré moradores, q tornarlo a denunciagjio dellas, & sétécearaò na 
forma sobredita; & encarrego multo aos Hispos, & mais prelados superiores, q fagdo dar ù 

TOMO II 17 



258 

execu^aO o disposto neste Hogimèto na parte <) toca aos ecclesiasticos, pois he pera beni seu, 
<& defensao de suas pessoas, casas, & fazendas, & coDforme a direito. 

17 E porQ alguas das ditas mocdas de oitenta, & quaréta reis, saO cerceadas, & gasladas, 
ou falidas, Q nào tè o pezo justo, & he {nìnha teogào Q as partes nào recebdo damoo, antes 
que <} ouuer seja de mìnha fazéda: Ordeno, & mando, q as pessoas Q as tiueré as leué às 
ditas casas, & entregué por pezo ao Thesourciro, & q se Ibe de por cada marco tres mil, & 
quatrocètos reis, entràdo nellas quàtas baste pera fazer o pezo do marco, ou menor, a res- 
peito delle : & estas moedas se depositario do cofre apartadas, carregandose em rcceila em 
titulos apartados sobre o thcsom'eìro, para virem à casa da moeda desta Gidade depois de ter 
sabido a contia dellas, aonde se fundiraó na forma q tenho ordenado, & o pagamento se farà 
do dinbeiro do cofre pertécente a minha fazenda ed declaragao feita do liuro do que se pagou, 
& marco, q o thesoureiro recebeo. 

18 loda a pessoa q Bzer sello falso, ou vsar delle, ou de moe(]a cunhada cO elle, ou o 
nào reuelar (sabédoo) encorrerà em todas as pcnnas postas pela Ordenagùo aos que fazem 
moeda falsa. 

19 E porq os o£Bcjaes q haO de cunhar podé leuar moedas nas algibeiras, ou.em outra 
parte escondìdas pera cunharé à volta das q Ihc cntregaré, & as trazerc se se tirare os vinte 
por cèto, se Ibc darà busca à entrada, & sahida da casa pelo assistete, escriuao, & tbesou- 
reiro, & acbàdoselhe algua moeda cunhada, ou por cunhar encorrerà nas pennas dos que fa- 
zem moeda falsa. 

20 E tato q se acabar de cunhar loda a moeda os assistétcs, e cunhadores q foraci inula- 
dos desta Gidade se tornarào a ella, e trarao todos os ferros q leuarà. E em caso q algus se 
quebrè no cunhar os trarlo qbrados co certidà do escriuao, thesoureiro, e assistete corno se 
qbrar&o na fabrìca do cunhar, e do tèpo q fizerè entrega ao luiz, e cscriuà da casa da moeda 
desta Gidade, se farà cOferencia co os liuros da entrega, se sào os mesmos ferros q clles Ihe 
derùo. 

21 Prouedor da Gomarca corno cotador q he de minha fazèda, madarù pagar aos officìais 
da fabrìca, & mais despezas q se Azere do (\ ficar liquido para minha fazèda, e auèdose nes- 
tes pagamétos cO moderala q as nccessidades presètes reqré, de q darà cOta ao Gdsclho de mi- 
nha fazèda. 

22 Ós caminheiros ^ os Prouedores mandare aos lugarcs aonde se bade fazer a publica- 
gad desta lei seraò pagos à custa dos rèdimètos dos cOselhos delles, e estas despezas IcuaraO 
en conta aos thesoureiros que os Gzerem. 

23 E porq OS thesoureiros had de vir cO os liuros de seu recebimèto dar cOta nos cOtos 
do Reyno se Ibe assioarà o sellarlo q parecer justo c6forme a cOtia do recebimèto, e distàcia 
do lugar dode vieré, fazèdo peligà ao Guselho da fazèda, q com estas consideragoès me con- 
sullard corno tambem o sellarlo que se ouuer de pagar aos escriuaès da receita, & despcza, 
& assistentes. 

24 Os ditos Prouedores do destricto dóde estào as casas màdarà relagào ao Gdselbo da 
fazèda, cada oìlo dias pelos correios do dinbeiro q està no cofre, vedo pera cste efifeito os li- 
uros pera se me auisar, e eu mandar dispor delle comò o ouuer por meu seruigo, por mi- 
nha prouisaO, ou do Gonselho de minha fazenda. 

25 Nos lugares onde nào ouuer correios pera està Gidade, màdarà caminheiros ao q for 
mais perto; pera os Tenètes do Gorreio mór encaminharè a està cidade as ditas relagoès, co 
todo cuidado, e diligècia, e as despezas q fizerè com os caminheiros màdarào pagar os Pro- 
uedores do rendimelo dos conselhos na forma, que assima fica dito. 

26 E 8ó este meu Regimèto, bey por bè q se cupra, e guarde tà inteiramète, comò nelle 
se còte se duuida, né cOtradigà algua, o qual ficarà na casa da moeda desta cidade de Lisboa, 
e registado nos liuros della, e delle se passaram none treslados autèticos, cOcertados pelos 
escriuaès da dita casa e assinados pelo Védor de minha fazèda, da repartigào, a q toca, q se 
remeterào cO os cunhos a cada bua das ditas Gomarcas: aos quais bey por bé q so de (àoin- 



259 

teira fé, e credito, corno <\ se fosse o inesmo originai, e q vallia corno q se fo:sse corta fella 
é meu nome, e passada por minba Chàccllaria postoq por ella nà passe, sé embargo das Or- 
denagoés do 2. liuro tlt. 39. e 40. q dispoé o cGtrario. Manuel Antunes o fez cm Liboa ao 1 
de Feuereiro de 1642 annos. Afonso de Barros Caminha a fez escreuer. REY *. 



]V.° IO 3 

le^S-FEVERElRO-ri 

Uom Ioam por graga de Deos Rey de Portugal, & dos Algarues daquem, & daleni mar em 
Africa, Scnbor de Guìnè, & da conquista, nauegagSo, comercio da Btbiophia, Arabia, Persia, 
& da India, &c. Pago saber a todos os quc està minba ley virem, que eu mandei publicar 
h&a ley, por decreto de 27 de lunbo do anno passado de 1641 sobre a fabrica da nona 
moeda corrente de prata dcstes meus Reynos, para se auer de fundir toda de nono com o 
cunho de minbas armas, & posto que nella se teue toda a consideragào a se auer de ajustar 
com a razào, & conueniencias, & bom gouerno, & conseruagaò destes meus Reynos, & con- 
forme ao que se vsa nos outros de Europa comtudo por a moeda q ategora corria fabricada 
antcs desta nona, & particularmente os tostoés, & meios tostoès, quatro vinteis, & dous vin- 
teis portugueses, terem a mesma valìa extrinseca, que siio intrinsecamente, sendo de prata 
da ley, se leuào para fora com grande pressa, pello ganho que della se segue tirandossc a 
meus vassallos, & à minba fazenda as ylilidades que da redugdo da moeda antiga à nona se 
Ihes auilio de seguir por nflo ser possiuel em tempo breue laurarse de nono toda a copia de 
moeda antiga que ba nestes Reynos, nem se offerccer outro meio, pera se atalhar effectiua- 
mente damno tao irreparauel, auèdo communicado, & conferido a materia com toda a cìr- 
cunspecgdo, que a calidadc, à importancia della requere, & respeitando principalmente, que 
vem a ser o mesmo valor (sic) bum tostdo nono sinco vinteis pezando elle quatro, que bum tostdo 
antigo peza (sic) sinco vinteis, valer seis, & que com dar à moeda antiga o valor a este respeito, 
fica toda em bum mesmo estado igual, & com a breuidade, que se requere se poderà toda re- 
duzir a elio, ccrràdo a porta a que se Iene pera fora, & recebèdo as partes, & minba fazenda 
mesmo ganbo que tcm na moeda que se vai laurando de nouo. Hey por bem, & mando, que 
em toda a moeda antiga de tostòes, meios tostOes, quatro vinteis, & dous vinteis da moeda 
portuguesa, se ponba bum nouo cunbo, no qual se declare cO figura de algarismo, que os 
tostoès valem seis vinteis, & os meios tostoés tres vinteis, as moedas de oitenta reis portu- 
guesas sinco vinteis, & as de dous vinteis, meio tostào, & que da moeda antiga, que assi se 
cunbar de nouo se de a seus donos a dous por cento, de ganbo comò agora se faz de nouo a 
moeda, & o mais fique para minba fazenda para se empregar na deffensa destes Reynos, & 
porq sem dilagào, nem molestia considerauel das partes se execute: Ordeno, & mando se 
ponh5o alguas casas em que està moeda se cunbe em algus lugares das Comarcas destes 
Reynos guardandosse em tudo o mais o Regimento que mandei fazer sobre està nona fundi- 
gfio, que irà assinado por Francisco de Lucena, de meu Gonselbo, & meu Secretarlo de Es- 
tado, & màdo ao Regcdor da casa da Supplicagao, & Gouernador da Casa do Porto, & aos 
Dezembargadores das ditas casas, & a todos os Corregedores, Prouedores, Ouuidores, luizes, 
& mais justigas de meus Reynos & Senborios, que cumprào, & guardem, & fagào cumprir, 
& guardar està minba ley comò nella se contem : pelo quc mando ao meu Cbanceler mòr a 
faga logo publicar na Cbancelaria, na foi*ma q em ella se custumaO publicar semelhaotesleys, 
& sob'seu sinal, & meu sello. Mandarà passar a copia della aos Corregedores, Prouedores, 
Ouuidores, luizes, & mais lustigas dos ditos meus Reynos, & Senborios, aos quacs mando 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, iiv. i, foi. 212 v. Impresso avulso. 



2(>0 

quc tanto que u reri^bcrcni a fayào publicar eni suas (lomarcas, & destriclos, para quc possa 
vir à notìcia do todos, a qual se registarà nos liuros do Dezébargo do Pago, conseiho da fa- 
zéda, Casa da supplicagào, & Reiagào do Porlo ondo semelhantcs loys se cuslumao registar. 
Dada cai Lisboa aos 3 de Feuereiro. Baltbesar Comes a fez anno do Nascimento de nosso 
Sonbor lesu Christo de mi! & sciscentos corenta & dous. Ballhcsar Rodrigues de Abreu a fez 
escreuer. RKY^ 



IV.<> 104 



1042-FBVERE1R0-19 



Ev Et Hey fago saber aos que este Aluarà virem que eu mandcy fazer Regiméto do modo 
& forma em Q se ba de cunhar a moeda de prata de meus Reynos em primeiro deste mes de 
P'euereiro de 1642. & pera melhor se cumprir, & guardar o que nelle està disposto: hey por 
bem declarar, & acrecentar os eapitulos seguintes. No capitulo 15, se conlcm que toda 

a pcssoa de qualquer calidade, & condigào que seja a que for achado dinheìro em sua caza, 
ou poder, seja condenada em perdimento delle, & do tresdobro, & em dcz annos de degredo 
pera o Brasil; & que das ditas penas serào luizcs os Prouedores das Comarcas, & que toma- 
rad as denunciagues, & sentencearam os culpados breue, & sQmariamcte dado appellagào & 
aggrauo pera o Cdselbo de minba fazéda. Declaràdo, & acrecétado o dito capitulo, ey 

por bem que nas ditas penas encorraó as pessoas, a que for achada moeda por cunhar assi 
nesta Gidade de Lisboa, corno nas mais partes do Reyno depois de passado o termo, que por 
este Regimento foy assinado, pera dentro nelle leuarem a que tiuerem a cunhar às casas pera 
isso deputadas. E pera quo as pessoas, quc tiuerem noticia dos que encubriraO moeda, 

& a nào leuaraO a cunhar dentro no tempo prefinido, possaó com mais facilidade, & melhor 
voutade dar denunciagoès ; m&do qne as tomem tambcm os luizes de fora, & ordinario» das 
Cidades, & Villas destes meus Reynos, & os Corregedores das Comarcas accumulatiuamente 
aonde mais prouuer aos denùciantes; & os luizes ordinarios depois detomadas, asremeteraO 
aos Corregedores, ou Prouedores da Comarca, <} estiuerem mais porto oà quaes todos as sen- 
tencearaò na forma, que se conte no dito capitulo: & a terga parte das pennas pecuniarias 
do principal, & tresdobro sorà pera os denùciantes, & as duas partes pera minha fazenda 
assi nas denunciagOes, que se derem diate dos luizes seculares, comò dos Ecclesiasticos na 
forma que tenho disposto no capitulo 16 deste Regimento. E da mesma maneira ha- 

uoraO a terga parte os denunciantes da fazeoda quc por suas denunciagoès for confiscada a 
pessoas a que se acliar, que fizoraO sello falso, ou vsaraò delle, ou de moeda cunhada com 
olle, ou nSio reuelarad sabendoo na forma que està disposto no capitulo 18 deste Regi- 
mento & das que a leuaré pera fora do Reyno contra forma da Ordenagao do liuro quinto 
tit. 113. Nosta Cidadc de Lisboa tomaraC as denùciagoòs os luizes dos feitos de minba 

fazenda, os Corregedores da Corte do crime, & ciuel, & todos os mais julgadores letrados 
desta Cidade de Lisboa accumuiatiuaméte, & perguntaraO as testerounbas que os denuncian- 
tes derem, & depois* de perguntadas, remeteraO os autos aos luizes dos feitos de minha fa- 
zéda & OS viraO despachar em final no COselho della, comò despachào os mais feitos tocantes 
a minha fazenda. E posto que pela dita ordenagao do liuro quinto tit. 113. està pro- 

uido bastàtemente com as penas, em que hào de encorrer os Q tirarem moeda pera fora do 
Reyno, as quaes mando que se executem com todo o rigor, comò estaòimpostas pela dita ley 
Bom se poder diminuir a pena della. No §. 2. que comega (& assi encorreraO &c.) està 

disposto que as pessoas, que leuarem dinheiro pera sua despeza naò encorreraó nellas; Or- 
dono, & mòdo que passado o dito termo pera se cunhar a moeda, as pessoas, que se achar 

' Impresso avulso. 



21)1 

quc leuùo pera fora do Reyno por cunbar aioda quo scja pera sua despeza encorrào nas 
mesmas «pcDas impostas pela dita ordenagiio, & se execularaO ncUas. E porquc lenho ordc- 
nado que este Regimento se imprima pera se mandar a todas as partcs deste Reyno, & se ter 
perfcita noticia do disposto nelle: Ey por bcm (\ aos impressos, que forò assinados pelo Mar- 
quez de Montaluào do meu Conselho destado; & Veedor de minha fazenda desta reparti^Ao se 
dee inteira fee, & credilo, corno ao originai, & a este Aluarà. E os impressos mandare o luìz 
da moeda às Casas deste Reyno onde se bade cunbar, & ey por escusados os treslados, quc 
pelo capitulo vltimo mandey fazer. Este valerà corno carta passada por minba Cbriceilaria, 
posto quc por ella nao passe, sem embargo das ordenagOes em contrario, & se cumpiirà taO 
inteiramente comò nelle se contem sem duuida neni contradigSio algua. Manoel Antuncs a fez 
em Lisboa a 19. de Feuereiro de 164^. Alfonso de Barros Caminba a fez escreuer. REY *. 



1642 -PEVBREIRO- 26 

D. Joam por graga de dcos Rei de portugal, dos Algarves daquem e dalem Mar eni Afri- 
ca, senbor de guiné &c. Pago saber a vós provedor da comarca de Miranda, que porquanto 
a ley que sobre o novo cunlio fcontramarca) da moeda mandei fazer, passada a tres de feve- 
reiro deste presente anno de 1642, dispoem que as moedas porluguczas de quatro e dous 
vintcns se cunbem (cwìtramarquem) y e o regimento feito sobre o mesmo regimento no cap. 
7 naO faz dififerenga das portuguezas às castelbanas, antes todas manda c\xx\)iiiv (carimhar) ^ 
tendo justo pezo, comcordando a dita ley com o regimento e conforme as minbas ordens 
declaramos que se cumpra a lei, e ponba o cunbo (carimho) somentc nas moedas portugue- 
zas de dous e quatro vinlens, e que todas as castelbanas do mesmo valor cerceadas ou falidas 
que nào tenbaO peso justo se levem &s cazas onde se ham de cunbar, e se entreguem nellas, 
e se de por cada marco, às partes, a tres mi! e quatrocentos reis, conforme ao capitulo decimo 
septimo do dito regimento, e pelas que tiverem peso justo a tres mil reis ^ por marco, se 
virào fundir à caza da moeda desta cidade, na forma que està ordenado, e declarando mais 
a lei na outra parte que dispoem que os regimentos que forem assignados por Francisco de 
lucena, do meu concelbo, e meu secretano de estado, se desse tanta fé e credito comò ao 
originai, e no al vara que depois se passou em 19 do dito mez de fevereiro se disse que iriaO 
assignados pelo marquez de Montalvào comò veador da fazenda desta repartigào, e no caso 
que seja necessario o dinbeiro antes de o aver do cunbo para a fabrica que se ba de fazer da 
caza, vós o tomareis por emprestimo do rendimento do concelbo, ou das tergas, e do primeiro 
que se cunbar o tomareis a restituir, e o cunbo se porà da parte da cruz, em que se declara 
cap. 7 do regimento, e os dous por cento que baO de levar as partes que trouxerem moeda 
ao cunbo se intende no cap. 14, que quem trouxer cem mil reis por cunbar levarà cento e 
dous cunbados, e assy a respeito quem trouxer mais ou menos, o que cumprireis sem duvida 
nem conlradigào algùa. ElRey nosso senbor o mandou pelo marquez de Montalvào^ do seu 
concelbo de estado e veador de sua fazenda. Manuel Antunes o fez em Lisboa a 26 de feve- 
reiro de 642. AfTonso de barros caminba a \iz escrever. marquez de Montalvam: diz e em- 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 215 v. Impresso avulso. 

' Està differenga de prego quc tinha por flm indemnisar em parte os possuidoros dos rcales lies- 
panhoes ccrccados, pagando-Uros pelo prego da prata amoedada, emquanto os de justo peso crani 
rcputados corno a moeda portugueza de prata mandada tirar da circulagào, convidava os espccitlado- 
res a fazerem o ccrccio, lucrando 400 hms em cada marco ! doc. està confuso pela .sua rcdar(;ao, 
ompropanrln as palavras cui\hn o nwlinr por contramarcn r mnlramarcar. 



262 

mendacio prego. E cu Joào fransìsco oscrivào da dita caza tresiadei a dita copia e os regiineo- 
tos acima e atraz, e o conccrtei com Baltezar ferreira, escrivao da dita caza da mocda, os 
quaes toraou a levar felicio Honteiro Pereira, thesoureiro da dita caza e assignou aqui bem 
corno OS Icvou. Lisboa 3 de maio de 642. Joaò Francisco. Felicio Monteiro Pereira. Baltazar 
Fcrreira*. 



N.^ lOO 



16412 - MAPgO - 20 



Dom Joam por graga de Deos Rey de Portugal, & dos Àlgarucs, daquem, & dalem, Mar 
cm Àfrica, Senhor de Guiné, & da conquista, nauegagào, comercio de Ethiopia, Arabia, Per- 
sia, & da India, &c. Fago saber aos que està minha ley virem que hauendo cu mandado ver, 
coni particular atengào, corno se poderia remediar o grande damno, que se segue a roeus 
Reynos, & vassallos da continuagào, & publicidade com que as moedas de Ouro, que nelle 
se lauram antigas, & modernas, & as que nelles de outros entrào se leuao pera Reynos es- 
tranhos cuja saida as tem feito subir de prego em tanta contia, que valendo o Ouro por ley 
quatrocentos, & scsenta, & olto reis a oitava, tem crecido a seiscentos, seiscentos, & vinte, 
& seiscentos, & quarenta a arbitrio dos Ouriues sem outro fundamento, nem ordem que do 
interesse que da venda, & tirada das moedas delle se recebe & apurandosse bem està mate- 
ria, & que mais conucm a meus Reynos, & vassallos. Hey por bem, & mando que lodo o 
ouro, cm moeda de qualquer genero, calidade, & prego que seja se lene a casa della, e se 
laure de nono nella cm moedas Portuguezas, de quatro cruzados, & meas moedas, & quar- 
tos, & que sejào do mesmo pezo, & tamanho que as velhas tem, que saó tres oitauas, ^ 
trinta gràos, sendo cada oitaua de setenta, & dous graòs, acresentando-lbe sómcnte o meu 
nome, & a declaragao do anno em que forem feitas ao pé da Cruz com que se cunbào, & que 
as taes moedas que assi de nono se iaurarem tenhaO, as de quatro cruzados valla exlrinsica 
de tres mil reis, mil, & quinhentos a mea, & setecentos, & sincoenta reis o quarto della com- 
respondendose aos donos que as Icuarem à casa da moeda a rezào de dous mil, & quinben- 
tos reis, por cada bua, ficando os sinco tostoés restantes pera minba fazenda, saindo os gas- 
tos da nona fabrica dos febres que seraO os menores que for possiuei, & as pessoas que le- 
uarem 4 casa dobrOes ou moedas de mais ou menos sobido quilatc se Ibe comrespondcrà ao 
dito respeito feita a conta pelos o£Bciaes della, & as (} entregarem Ouro, em pasta, pegas, ou 
baiTUS pera se Ibe tornar cm moedas se Ibe de satisfagào com o crecìmento refendo entrega- 
doo ellas na ley de vinte^ & dous quilates, & aos que leuarem a vender t casa da moeda 
Ouro, em barras, pegas, ou pastas se Ibe compre com o dinhciro na mào, pagandosselhe a 
rezani de seiscétos, & scsenta reis por oitaua com mais tres por cento, para que com este 
proucito se disponbào ao vender cO milhor vótade, & por està prczente bey por reuogadas 
todas as leys que em contrario aja com declaragao que do dia em que se publicar em diantc 
valere o Marco de ouro de vinte, & dous quillates, que he o em que ha de correr geralmente 
quarenta, & dous mil duzentos, & quarenta reis, a seiscentos, & scsenta, por oitaua Gcando 
crccimento a seus donos por Ibes fazer graga, & mercé, assi o bey por bem, & aos mora- 
dores, & residentes nesta Cidade Ibes concedo bum mes de tempo pera leuarem todas as 
'moedas de Ouro que tiucrem de qualquer sorte; & calidade que sejào ù. casa della pera se 
Iaurarem de nouo em as dilas moedas Portuguezas; & receberem a vtilidade & crecimenlo 
q Ibes cabe, & aos das comarcas do Reyno quatro mezes com declaragao que passados elles 
ndo bào de correr mais, & as pessoas que por aprehengào, ou denunciagao Ibe forem achadas 
sorSo condenadas em o perdimento delia, & no tros dobros, & dez annos de dcgrcdo para 

• Arch. dsTcn&R da monda de Lisboa, rcgislo gei al, liv. i, fol. 215 e 216 v. 



263 

Brasil. Pelo que maudo ao thesoureiro, & officiaes da casa da moeda quo aesta couformi- 
dade a laureni, & fundaO dapublicagdo desta Icy (em diate), em minha chancellaria» & m&do 
ao Rcgedor da casa da Supplicagào, & gouernador da casa do Porto & aos Dezembargadores 
das dilas casas, & aos Corregedores do crime da minha Corte, & aos Gorregedores, & luizes 
do crime desta Gidade de Lisboa, & a todos os mais, Corregedores, & Ouuidores do meslra- 
do, & luizes de todas as Cidades, Villas, & lugares de meus Reyoos, que cumpraò, & fagdo 
cumprir, & guardar està ley corno nella se conthem, & mando outrosi ao Dezembargador 
Feroào Cabrai do mcu Conselho, & Chanceller mór destes Reynos a faga publicar na cbance- 
laria, & depoìs de publicada remctcrà copias authenticas sob seu sinal, & meu cello ao con- 
selbo de minha fazenda para por sua ordcm se mandarem a todas as comarcas do Rcyno 
para tambem se publicar nellas para que a todos seja notoria, & se registarà no liuro da 
mesa do Dezembargo do Pago, & no Conselho de minha fazenda, & nos das casas da Supplì- 
cagào, & do Porto em que se registam semelhàtes leys. Dada em Lisboa aos 29. dias do mes 
de Margo. fialthezar Comes a fez anno do Nacimento de N. Senhor lesu Cbristo de 1642. Bal- 
thezar Rodriguez de Abreu a fez escreuer. REY ^ 



1G42-ABHIL -O 

Porquanto dentro dos quarcnla dias que se asslnalaram para acodir todo o dinheiro ii 
casa da moeda, n§o foi possivel ir, publiquem outros quarenta dias mais de perrogagam para 
cujo effeito o farà assim C3(ecular o thesoureiro da casa da moeda, registando-se csle despa- 
cho nos livros da dita casa. Lisboa 9 de abrìl de 642, o qual està rubrìcado por o marquez 
de Montalvdo. Anrique Correa e Antonio das Povoas^. 



1642 - ABRlL. - 25- 

Tendo consideragad ao que coostou, pelas informagoès que de novo ouve sobrc o Javor 
das moedas de quatro cruzados, meas e quartos, e se achar ser em beneficio de minha fa- 
zenda recunfaarem-se as que entrarem na caza d'ella com o meu nome e anno em que se 
lavram na forma da lei que mandei pagar de mais da brevidade e facil expedigaC com que 
se podem todas rcduzir ao nosso cunho, felicio Monteiro Pereira, juiz e tbesourciro da caza 
da moeda o faga asy executar, posto que das recunhadas, se naO tire o oitavo pera minha 
fazenda, por coanto Gca scudo multo maior a utilidade do que se forra em se nao fundirem, 
e porque os dilos dobrois sam de lei de vinte e dous quilates que he a das moedas que de 
novo se had de fazer per fundigaO, se descontarà o oitavo aos donnos delles pois se Ihes ha 
de dar a rezaO de dous mil e quinhentos reis por moeda, comò se o ouro das que Ihe tornaO 
tivera, e porque se lem alcangado que o ouro que se entregar na dita caza pera se tornar 
a seus donos em moedas vem a ter mais designai conta na valìa da oitava, pois fica sendo 
de sete sentos e triota e dous reis e meio, sendo a ordinaria de seis sentos e sesenta, seraO 
as partes obrigadas a por o ouro em a ley de vinte e dous quilates em barra das ensaiadas 

' Impresso avulso. Arch. da casa da moeda de Lisboa, rcgisto geral, liv. i, 216 v. 
* Arch. da c^sa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 216 v. 



264 

com a marca do cnsaiador por sua conta, de quo logo se possam bater as luoedas que Ihc 
ham de entregar, fazendo-sc a redu^aO do oìtavo na forma que fica dito nos dobroés, pois 
ainda asy 6cam com grande avanzo, e por ser o ouro dos portuguezes e moedas de duas ca- 
ras {?) e outras grandes dos reis antigos de mui subido quilate, as quaes se estimam e goar- 
daO mais comò pessas que corno dinbeiro corrente, em que se perderà na fundigaò senruti- 
lidade de minha fazenda e de meus vassallos; Bey por bem que as ditas calidades se naó 
fundam salvo se os donos dellas o quizerem fazer por sua vontade, e de cada bua couza des- 
tas se faraO nos Jivros assentos separados para se proceder com a clareza que be necessario. 
Km Lisboa a 25 de abril de 1642 — HEY '. 



TV.^ lOO 



1642 -MAIO- 30 



Eu Ellley fago saber aos que esle alvari virem que sondo eu informado que no intendi- 
mento e pratica da ley, que em 29 de margo deste anno de seis sentos e quarenta e dous, 
mandei passar sobre a nova fabrica da moeda de ouro se moveraò aigùas duvidas que con- 
vem declarar para maior satisfayaò das partes, e mais facìl despacbo e expediente da caza 
da moeda, e querendo prover na materia era tal forma que se consigam estes efeitos, Bey 
por meu servigo e mando que todo o ouro de moedas, de qualquer genero calidade, cunho 
e prego que seja, que em cumprìmento da dita ley se levar à dita caza da moeda, pesando-se 
primeiro e pondo-se na ley de vinte e dous quilates, se lavre de novo nella em moedas das 
que cbbmaO de coatro cruzados portuguezas, meas e coartos, que sejam do mesmo tamanho 
e pezo que as velhas tem, que sad trez oitavas e trinta grads, valendo daqui em diante por 
prego certo e ordinario cada oitava de ouro de ley de vinte e dous quilates seissentos e se- 
senta reis, e dando o cunho comò se ordena na dita ley, valla extrinsica às novas moedas 
de tres mil reis, as meas de mil e quinhentos, e aos coartos de sete sentos e cincoenta reis; 
das quaes moedas despois de assira lavradas se faraO, em cumprìmento da dita ley, seis par- 
tes, as ciuco para os donos do ouro e a sexta pera minha fazenda, e que da mesma maneira 
se proceda com as pessoas que levarem à caza da moeda ouro em pessas, pasta ou barras 
para se aver de lavrar em novas moedas, escuzando-se daqui em diante por evitar emleos 
e desigoaldades a ultima parte de se Ihes comprar o dito ouro a prego de seissentos e se- 
centa reis por oitava com mais trez por cento de ganbo conforme ao que na dita ley estava 
disposto, a qual nesta parte revogo com decIaragaO que do ouro que asy se levar à caza para 
se aver de lavrar de novo ou seja em moeda ou em pessas, pasta e barras, locando mais de 
vinte e dous quilates, ou menos delles se farà a conta pelos ofiBciaes da caza da moeda para 
no pezo Ibe dar a valia a razaO de vinte e dous quilates em que se ha de por, de modo que 
todo ouro que se lavrar (ique ìgual, asy no prego comò nos quilates; e a este respeito se 
responda aos donos delle com o que ajustadamente, conforme ao que dito he, Ihes perten- 
cer em pezo, quilate e valia eslrinsica das novas moedas, e que os custos da fabrica dellas 
se fagaO por conta de minha fazenda, guardando-se nas entradas e sahidas a mesma ordem 
e forma que mandei dar para a fabrica dos novos tostoés e com estas declaragoés e modera- 
gocs quero e mando que a dita ley de vinte e nove de margo passado se cumpra e guarde, 
e que conforme a ella e a este alvarà, declaragoés e consideragoès delle procedaó o juiz e 
ofiìciaes da dita caza da moeda o qual se registarà nos livros do desembargo do pago e con- 
selho de minha fazenda, e valerà e terà forga e vigor e se cumprirà conio ley, posto que seu 
efeito aja de durar mais de hum anno, e que naO passe pela chamchelaria, sem embargo da 

' Arrh. da casa da moeda do Lisboa, rpjrislo jroral, liv. t, rei. 218 v. 



265 

ordenagaO do liv. '2.'' tit.^ 39 e 40, quc o contrario dispoem. Baitezar Koìz Goelbo o fez eni 
Alcantara a trinta de mayo de mil e scis sontos e coarenta e dous. Eu fransisco de luccna o 
fiz escrcvcr. REY ^ 



IV.» HO 

16-42 -JULHO-2G 

Eu £1-Rcy fago sabcr aos que estc alvura virem, quc eu mandei passar outro a dozc de 
julho corrente eoi que se declara o prego por que bavìaO de trocar as moedas de ouro que as 
partes leuasscm às cazas de cunbar; e que pellas moedas de Sào Vìcente se dessem a mil 
e tre/entos reìs; e por que pello supperintcndente da caza do cunho da Villa de Santarem 
fui informado, que as partes duuidauaO trazer as dilas moedas a trocar por Ibe naò darem 
OS auangos que às mais moedas; mandei pe^ar as ditas moedas na caza della desta cidade, 
e feita computagào a respeito das outras se acbou que se deuiaO dar a mil trezentos e oiten- 
ta reis, e pellas meas a respeito. Pello que mando que a esse prego se troquem em todas as 
cazas deste Reyno, tlrado a desta cidade de Lix.* sem embargo do que estaua ordenado no 
Àluara refendo, que nesta parte bey por derrogado; e este se cumprirà sem embargo de naò 
ser passado pela cbancellaria. Manuel Antunez o fez em Lix.* a xxvi de Julbo de 1642. Af- 
fonso de Barros. . . o f ez escrever. Rey • •; • Marquez de montaluaO ^. 



N.« 111 

1642 - DEZEMBBO - 9 



Por ser grande a falta que se padece nestes Reinos de moeda de cobre, tad necessario 
para o uzo ordinario e compra de todas as couzas, e descjar multo que se remedeie o encom- 
mendo e encarrego multo ao desembargado do Pago que veja, e elle consulte com brevida- 
de, corno se podere fazer em benefìcio de Minba fazenda e de meus vassallos. Em Lisboa a 
9 de Dezembro de 1642. E vira por maOs de Pedro Vieira. Rey '. 



IV.*^ 11» 

1643 -JANEIRO -31 

Sendo presente a V. Mag.**' a grande falta que neste reino se padege por nào aver nelle 
moeda de cobre, tam necessaria para o uso ordinario, e compra de todas as cousas, e para 
soccorro dos pobres aquem a dita falta mais ebega, por em rezaO della naO acbarem esmolas, 
no8 eocomenda e encarrega V. Mag."*' por seu decreto do primeiro des*e mez de Janeiro tra- 
temos do meo que se nos offerecer mais prompto para que a este particular se acuda e re- 
medoe com a breuidade que conuem. 



' Areb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 219 v. 

* Livro de provisocs e capitulos de cortes da camara de Goùnbra, fol. 185; coliecgào de cortes da 
Acad. real das scicnciaSf liv. v, foL 123. 

' Manuscripto da roUcccào olir, da Leffisla(;ào portugucza, collipida por F. J. Pereira e Sousa; J. 
P. Ribciro, Ind. chr., part. vr, fol. 8 da ^.» sec^o dos addii. 



266 

Tratando esle senado da execugad deste ncgocio corno taO interessado nelle, e quc por 
taotas vescs o tcm lembrado a V. Mag."*' maodou fazer deligencia por alguns de seus mìoìs- 
tros a que o encarregoUi para que tratando-o com pessoas praticas e ìnteligentes xiesta ma- 
teria, e officiaes da casa da mocda de V. Mag.^^ se assentasse o meo mais conueniente para 
a dita moeda se fazer, de gortc quc naO fosse tao pequena que dos Reinos estranhos se me- 
tessc Deste, nem que por grande a fundissem os caldeireiros; e aueriguando o que mais com- 
uem para ella se fazer sem o prejuizo de hù, e outro dano, nem so fìcar perdendo nem in- 
teressando nella nada, tem cste senado comprado algu cobre que ha na Àlfandcga, em q en- 
tra alg& que veo da Suegia jà cortado para o dito effelto e por q isto he cm ordem ao bcm 
comù e remedio de pobres. 

Pedimos a V. Mag."** prostrados a seus pés seja V. Mag."*® seruido mandar se passe ordera 
ao Prouedor da Alfandega para que daquelle cobre que se comprar para a dita moeda se nad 
pague dìreìtos à fazenda de V. Mag.^' e aos officiaes da mocda para que possaG comcssar a 
obrar a que por ora se ouuer de fazer assy com o dito cobre da Àlfacdega corno com o mais 
quc para este effeito for necessario. V. Mag.*** avendo respeito ao refendo mandarà deferir a 
este particular com a breuidade que o negocio pede, e sobre tudo o que mais ouuer por seu 
seruigo. Lisboa 31 de Janeiro de 1643. Paulo de Garvalho. De Cantanbede. F. Rebello. Fran- 
sisco de Valladares Soutomaior. P. Gouvea de Mello. D. Joad Luiz Gomes. JoaG Gomes 
d'Abrcu & '. 



N.« 113 

16-Ì3 — FB VBRBIRO - 26 

Ev ElRey fago saber aos qve este meu Àluarà virè, q auendo respeito ao grande dano^ 
que se seguia a meus Reynos, & vassallos de se leuarem delles as patacas, & meas patacas, 
pela Ytilidade que se recebia na qualidade, & bondade da prata, & considerando o meio, 
com que se podia atalbar, ouue por hem de resoluer que os ditos reales fpaiacas) se cunbcm 




co està marca ^ * & que valha cada pataca quatroccntos & oitenta reis, & cada raea 

a esse respeito, que he o valor extrinseco, que ha de ter cada bua, & que depois de cunhadas se 
responda a seus donos, por cada bua quatroccntos reis, & a duzentos por cada mea, & que 
OS mais crescimentos, que vem a ser a vinte por cento fiquem para mìnba fazenda, & para 
OS gastos do mesmo cunho, & 4 para esse effeito aja nesle Reyno tres Gasas, demais da desta 
cidade, em que os ditos reales se cunhem, a saber, na Cidade do Porto, na Cidade de Cuo- 
ra, & na ae Faro no Reyno do Àlgarue; & fora delle, nas conquistas, nas Cidades do Salua- 
dor, Bahia de todos os Sanctos, & no Rio de Janeiro, do Estado do Brasil, & no MaranhSo, 
Ilhas de Sao Thome, Cabo Verde, Terceiras, Sao Miguel, & da Madeira. Pelo que mando a 
todas as pessoas dos ditos meus Reinos de qualquer calidade, & condigSo, que scjào, leué 
às ditas Gasas da moeda todas as patacas, & meas patacas, que tiucrem, dentro de quatro 
meses, que se comegarào a contar do dia da publicag&o desta cm diante, q serù, assi nesta 
Gidade, comò em todas as mais Villas, & lugares destes Reynos, & conquistas, para quc 
se cnuiarào os treslados authenticos deste meu aluarà, a que se dahì tao inteiro comprimen- 
to, comò ao originai, ed comminagao que sendo passado dito termo de quatro mescs, todas 
as patacas, & jneas patacas, que forem achadas sem dito cunho, scrào tomadas por pcrdi- 
das &s pessoas, que as tiucrem, & encorrerào nas mais penas, que por minhas leys saO da- 
das, a qucm he achada a moeda falsa, & este se registarà na Gasa da mocda desta Gidade, 

' Ardì, da camara municipal de Lisboa, liv. i, de D. Joào IV, fol. 235. 



367 

no liuro onde se registrao os semelliantes, & valcrà corno se fosse carta feita ein meu nome, & 
passada pela minha Cbancellaria, posto que por ella nào passe, sem embargo das Ordena^Oes 
do 2. lib. tìt. 39. & 40. eni contrario. Paschoal de Azeuedo o fez era Lisboa a 26 de Feue- 
reiro de 1643. loSo Pereira de Betancor o Bz escreuer. — REY. — Marquez de Montaluào '. 



Posto qve no Àlvarà atràs escrito se declare, que depois de cunbadas as patacas, se res- 
ponda a scus donos, por cada bua a quatro cratos reis, & a duzenlos por cada mea, & que 
OS mais cresciracntos, que vera a ser vinte por cento, fiquom para minba fazenda, declaro 
que considerando o valor intrinseco de cada bua dellas, que saO trezètos & vinte reis, dan- 
dose aos donos bum cruzado, & quatro vinteis para minba fazenda, vem a scr a vìnte cinco 
por cento, & nào a vinte, que era sustancia he o que se contem no dito aluarà, o qual com 
està apostilla se cumprirà ta6 ìntciraméte, comò nella se contem sem duuida, nera cdtradi- 
gao algùa. Bertbolameu Daraujo o fez era Lisboa a 8 de Margo de 1643. Lisboa a 10 de Margo 
de 1643. —BEY. — Marquez de MontaluSo 



2 



]V.° 114 

16-45~JUNHO-8 

Kv ElRey fago saber aos qve éste meu aluarà virem que consideràdo o prejuizo, & dauo 
que recebiaO mcus Vassallos, & meus Reynos, & Senborios, era se tirar a prata, & rooeda 
dellcs para Reynos estranbos, querendo prouer sobre a materia comò a importancia della pe- 
dia, a mandey ver com particular atengào, por Ministros de experìencia, & letras, & que se 
me consultassem os meyos que poderia auer, para se euitarem os ditos danos, & sendo vista, 
& consideradas as circunstancias della, se assentou, que conuinba subir o valor extrinsico 
da moeda, que de presente corria no Reyno, sobre o que mandey passar bua prouisam era 
dous de lunbo' do anno de seiscentos & quarenta & bum, porque ouue por bè, q de cada 
marco de prata, da ley de onzc dìnbeìros, se fizcssc trinta & quatro tostOìs co os fcures oi*di' 
narios, comò mais largamète se declara na dita prouisao. E porque a expcriencia tem roos- 
trado, que nào foi bastante a dita preucngaó para se deixar de tirar a prata, & moeda destes 
mcus Reynos, & que som embargo de se auer subido o valor extrinsico da dita moeda na 
forma asima refenda se lena muita para fora do Reyno, & assi mesmo a prata laurada, man- 
dey tornar auer està materia, & assi mesmo era rezào dos enconuenientes q se offereciaó era 
auer dinbeiro mai-cado, & por marcar de que rcsultaua embarago no vso delle, & tambem 
peila* dififerenya que auìa na valia dos reales de oito & quatro de Castella, & principalmente 
para que de todo se euite o grande dano que resulta da saca do dinbeiro, & prata, parcceo, 
que conuinba que para o euitar, & a moeda fìcar toda vniforme, & com igualdade no valor 
extrinsico se dcuia fundir de nono toda a moeda de que bora se vsa nestes meus Reynos, & 
Senborios de qualquer calidade que seja cxcepto os ditos reales de oito & quatro, & desejando 
eu por todos os meios possiueis dar modo, & forma com que se atalbe tara grande dano, & 
tao prejudicial a meu seruigo, comò be o da saca da dita moeda, & prata, & que meus Vas- 
sallos a tenbaò de tara boa calidade que nao baja embarago no vso della, & se conserue com 
toda a igualdade, por Ibcs fazcr merco ; Ouue por bem de resoluer, & mandar, & mando que 

' Ardi, da casa da raooda de Lisboa, registo goral, liv. i, Tol. 222. Impresso avulso. 
• Impresso avulso. 
' Alias Jullio. 



268 

loda a moeda de qualquer sorte, & calidadc que seja se funda de oouo, & se faga de cada 
marco de prata posto na ley de onze dinheiros quarenla tostois, & oi tenta roeios tostoìs, & a 
este mesmo respeito mocdas dobradas de crusados, & meios crusados que scjào de quatro, & 
de dous tostois, de oito, & de quatro vinteìs, & de dous, & bum, & para mais breue cxpe- 
diente, & se euitarem as molestias, que meus vassallos podcri^io receber em està fundìgào se 
fazer somente na casa da moeda desta Cidade, o Consclho de minba fazenda ordenarà que se 
faga mais outra na Cidade do Porto com ministros de loda a conBanga, & satisfagaO por quem 
haja de correr a fabrica da nona fundigaO naquella Cidade, consultandomc pessoas para ella ; 
E de todo dinbeiro que se fundir de nono nas ditas casas, se daraO a seus donos por cada 
marco a tres mil & seiscentos & vinte reis, da moeda que de nono se fabricar, ficando o res- 
tante para minba fazéda real, & a prata laurada, & em pasta que se quiser leuar às ditas ca- 
sas da moeda sendo posta na ley de onze dinbeiros se pagarà a seus donos a rezào de trinta 
& seis tostois por cada marco, ficando tambem o restante para minba fazenda. E para que os 
nouos tostois que mando fundir, fiquem com dififerenga dos que jà por meu mandado se fùdi- 
raò, a Cruz delles se farà sem pontas na mesma forma que se faz nas moedas de Ouro de tres 
mil reis, & os mais cunbos seraó corno os q atégora se puserSo, & nas cruzes das moedas 
dobradas de cruzados, & meos cruzados sera a Cruz com pontas na forma da dos tostois anti- 
gos, & destas moedas se farà semente a desima parte da fundigào. E bey por bcra () loda a dita 
moeda se funda dentro de seis meses que se come^^araò a contar do dia da publicagào deste 
nesta Cidade, & em cada bua das cabegas das comarcas do Reyuo em diante, & passados elles 
nenbua outra moeda correrà mais que a que se fundir de nono. E a pessoa a que for acbada a 
perderà pera minba fazenda, & encorrerà nas penas da ordenagào do 1. 5. titul. 12. §. 3. 
Pelo que mando aos Vedores de minba fazenda, que assi o fagào executar, & mandem publi- 
car por todas as Cidades, Villas, & lugares de meus Reynos, & Senborios, enuiando as copias 
autenticas deste Aluarà que se mandarà emprimir, aos Prouedores, ou Corregedores das ditas 
Comarcas para q cada bum em sua jurisdigao o faga publicar, & outra tal a dita casa da 
moeda da Cidade do Porto, a que se darà tao inteira fé, & credito (sendo assinada por bum 
dos ditos Vedores de minba fazenda) comò a este originai que ba de fìcar' na dita casa da 
moeda desta Cidade; & o tbesoureiro, & oflBciaes della o cumpram, & guardem tam inteira- 
mente comò nelle se contem, & valerà comò se fosse carta feita em meu nome passada por 
minba Cbancellaria, postoque por ella nào passe sem embargo da Ordenagào do l. 2. titul. 39. 
& 40. que dispoem o contrario, & se registarà nos liuros da dita casa da moeda, & em todas 
as mais partes aonde cumprir. Bertolamcu de Àraujo o fez em Lisboa a bìij de junbo de 1643. 
loào Pereira de Belancor, o fiz escreucr. — REY. — Marquez de Montaluào *. 



IV.« IIS 



16-Ì3 - tìETEMBRO - 22 



£v EIRey fago saber aos que este Aluarà viré, que tendo respeito às consìderagOes que 
se me representarào, para se subir o valor extrinsico da prata, & ouro, assi amoedado, corno 
por amoedar, em rezào de se euitar a saca que se fazia de bua, & outra cousa, pelos estran- 
geiros, leuando toda a prata, & ouro que podiào bauer, pera Reynos estranbos, fazendo mer- 
cadoria disto, pelo muito interesse que Ibes resultaua; & tambem, para que a q sabisse de 
Castella, entrasse neste Reyno, acbando aqui a mesma valia que bia buscar aos estranbos; 
entendédose bora, que nào acodé jà à Casa da moeda desta Cidade, patacas, nem ouro con- 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 223. Impresso avulso. Esla lei vcm 
citada em J. V. Riboiro, trazendo poj: ong^ano o anno do 1642 vm vcz do Ifii'^. 



269 

siderauc], para se marcar, & fundìr, corno se vio da iiirormaQdo q se toaiou do Tbesourciro 
da dita Casa. Hcy por bem, & mando declarar por ley, que todas as patacas, & meas patacas, 
ainda que ndo sejào marcadas tcnbSo a roesma valia, que tem as marcadas, para que assi 
acudào de fora a csle Reyno, que be a segunda razào em que se fundou o acrecentamento da 
maior valia, que se Ibe deu; & que o mesmo seja nos dobroés castcibanos, que entrarom no 
Reyno, & que corrào a respeito do prego da valia extrinseca, que fuy seruido mandar que ti- 
uesse ouro que de nono se fuudio; por quanto se entende que està declaragào serà de 
grande cffeito, pera entrar no Reyno quantidade de prata, & ouro : E cste se cuprirà corno se 
nelle contem, sera duuida, nera contradigdo alguma, & valerà corno carta; sera embargo da 
Ordcnagdo do 2. liuro, titulo 40. que dispoc o contrario, o qual se reglstrarà nos liuros das 
Casas da moeda desta Gidade de Lisboa, & da do Porto, onde se publicarà, para vir ù. noti- 
eia de todos. Hanoel Antuncs o fez era Lisboa a 22. de Seplcmbro de 1643. loììo Pereira de 
Belancor o fiz escrcuer. — REY— Dora Miguel Dalmeida ^ 



]v.« Ile 

iQ44 - FÉ VEHEIRO - 31 



Ordera do conselbo da fazcnda para se obscrvar a resolugao de se fuudir toda a prata, 
excepto as patacas e mcias patacas, cbamadas reaes castelbanos de oito e quatro, ainda que 
nào sejam raarcadas (collecgao de cortes da Acaderaia, tom. xii, pag. 24 v.) 



1644 - FEVEnEIRO - 1>0 

Ev El-Rey fago saber aos que està minha Ley virem, que Eu sou informado, que com se 
leuantarem as patacas ao prego que fui seruido resoluer, se raetem no Reyno grande canti- 
dade dellas cerceadas, <& falidas, com menos pezo de que deuerlLo ter, segundo sua verda- 
deira estimagào, & porque conuctn atalbar dano tao prejudicial a meu scruigo, & bem com- 
mum do Reyno, Hey por bem, & me praz, que nenbùa pessoa de qualquer estado, & condig(&o 
que for, seja obrigada a aceitar pataca, que nào seja de pezo, saluo se for pelo que ella jus- 
taraentc pezar, & valer respeito do nouo crescimento da moeda, & as que tiuerem cste pezo 
correraO liuremente, & serào todos meus vassallos obrigados a aceitallas, & os que o con- 
trario fizerem do que por està minha ley ordeno, encorrerSo em bum caso, & oulro, nas 
penas de minba Ordenagào. E mando aos Dezembargadores, Corregedores, Prouedores, luizes, 
& lustigas, officiaes, & pessoas de meus Reynos, & Senborios, que assi o fagào executar, & 
coraprir inteiramente, corno nesta minba ley be declarado, a qual para vrr t noticia de todos, 
& se executar pontualmente sem se podor alegar ignorancia, se regislariì nos liuros do De- 
zembargo do Pago, & nos das Casas da SupplicagSo, & Relagào do Porto, onde semelbantes 
leys se costumdo registar, & ao Cbancellcr mór que a faga publicar na Cbancellaria, & en- 
uiar cartas com copia della sob meu sello, & seu sinal aos Corregedores das Comarcas, para 
se coraprir inteiramente, comò nella se contem. Antonio de Moraes a fez em Lisboa a vinte 
& seis de Feuereiro de mil & seiscentos & quaranta & quatro. Baltbazar Rodriguez d'Abrcu 
a fez escreuer.= REY ^. 

' Arclì. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, foi. 225. Impresso avulso. 
* Impresso avulso. 



270 



1644 - FÉ VERBIRO- 29 

thesoureiro da moeda, fdicio monteiro percira, fa^ por editos na caza da moeda que 
toda a moeda de ouro de coatro cruzados corra pelia valia de tres mil réis, corno as que de 
novo se ftndìrào nella, sem embarguo de nSo serem levadas à dita caza da moeda. Lisboa, 
29 de fevereiro de 644 annos. A qual ordem tem tres nibricas dos mìnistros do conselbo da 
fazenda, D. Miguel dalmeida, francisco de carvalbo, Jorge de araujo estacioi. 



]V.* HO 



1644-MARgO-5 



Felicio Monteiro Pereira, juiz e thesoureiro da casa da moeda desta cidade, faga apregoar 
nos lugares publicos dela que os dobroes cx)rram a mil e seis sentos réis, sendo de valor 
justo, e OS que o nào forcm nào sejam obrigados a se tomarem senào por mercadoria, por asy o 
resolver S. Mag."*' Lisboa 5 de margo de 1644. A qua! ordem tem tres rubricas dos ministros 
do cons.* da fazenda, D. Miguel dalmeida, francisco de carvalho, lorge daraujo'. 



IV.^ i»o 

1644-ABRIL-ie 

Felicio Monteiro, juiz da moeda ponha editaes e faga pregoar nesta cidade que os tostoìs 
dos Reis pagados valham seis vinteis e os melos tostois velbos que estiverem por marcar 
comò se marcados fossem, e que as moedas de coatro vinteis que forem Portuguezas corram 
por tostdo, comò correm as marcadas, posto que o nào sejam, e para o Reyno pagare nesta 
conformidade as ordens necessarias com toda a brevidadc. Lisboa 18 de abrii 644. E o mesmo 
se entenda nos dous vinteis e meos tostoes portuguezes. A qual ordem tem tres rubricas dos 
ministros do conselbo da fazenda, D. Miguel dalmeida, francisco de carvalho, Jorge de Araujo 
Estago'. 



]v.« lai 

1644-JULHO — 8 



juiz e thesoureiro da casa da moeda desta cidade de Lisboa, felicio Monteiro Pereira, 
faga logo publicar : que toda a moeda de tostois, e meos tostois, quatro vinteis e dous, mar- 



' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, llv. i, foL 226 v. J. P. Rlbeiro, no Ind. cbr. ; 
part. VI, secgào 2.* dos addit., pag. 197, cita estas mesmas disposigdes no alvarà de 1 de margo do 
mesroo anno. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 226 v. 

• Idem, fol. 228. 



271 

cados e por marcar, vcnbam à dita caza dentro de dous mezcs para nela se fundircm, corno 
està mandado por tantas vezes^ sob pena que as pessoas em cuja mào e poder forem achadas 
as ditas moedas screm castìgadas cm perdimento dellas e com as mais penas crimes que 
parccer, e assy mais faga publicar que em nenhuà maneira corram as moedas de setas e co- 
lunas, e que se executem as pcnas dos editaes que estam pagados sobre cstas moedas nào 
correrem : em Lix.* 8 de julho de 1644. A quoal ordem tem duas rublicas dos menistros do 
consclbo da fazenda, marquez de mootalvào, francisco de carvaiho^ 



1044 - SETEMDHO - 22 

V. Hag.*** com seu catholico zelio e animo Real que Ibe occorre para o bem comum 
destes seus Reynos, nos enuiou dizer por seu especial decreto do 1.** de Janeiro do anno pas- 
sado que por ser grande a falla que se padecia nos mesmos Reynos de moeda de cobre, tao 
necessaria para o uso ordinario, e compra de todàs as cousas, o que V. Mag.^*" desejaua se 
remediasse por todos os meos possiueis, e que cm rezào disto encomendaua V. Mag."*** muito 
e encarregaua ao Presidente, e ycreadores desta camara que com as noticias que tinbaó desta 
materia ouuindo as pessoas praticas, e inteligentes della, consultassemos logo a V. Hag.^' o 
meo que se nos offeregesse mais prompto, para que se remediasse e acodisse com breuidade 
a està falla. 

Vindo dito decreto a este senado e sendo-lhe tuo notoria a neccssidade que auia de 
moeda de cobre nestes Reynos assy em rezào do comercio comù, comò das esmolas com que 
se costumaua acodir aos pobres, por razdo do que os ministros delle por muitas vezes em 
tempos passados tinbaó Icmbrado a V. Mag.*** quanto conuinha dar-se remedio a està falla 
pellos meos mais cOucnientes e menos custosos por razào da impossibiJidade das rendas da 
camara e se acbar que ora necessario mui grande cabcdal para por sua conta se auer de ba- 
ter a dita moeda de cobre, contudo tratou de ver se podia dar remedio a este particular, e 
feitas diligencias acbou que bum mercador tinha na Alfandega desta cidade certos barris de 
cobre ja batido e cortado em moedas sem cunbos, e parecendo que este cobre era o que 
cOuinha por cstar quasi bcnefficiado, se consertarlo os ministros deste senado (a que o nego- 
ciò se cncarregou) com o dito mercador em prego de seis vinteis cada arratel se o livrassem 
dos dii*eitos de V. Mag.**** a quem (vendossc que este prego era o mais acomodado para se 
euitar o perigo de se trazer de fora por ficar igual ao intrinsìco do dito cobre) se fez logo so- 
bre està materia a consulta cuja copia vai inclusa, a que se naO diferio, mas porem nos veo 
a noticia que V. Mag."** gcral.nente o tinba libertado dos ditos direitos, e querendo este se- 
nado tornar a tratar da exccugaO desta obra se nad proseguìo nella por no consclbo da fa- 
zenda de V. Mag.**' se tratnr de fazer moeda de estanbo. 

Agora veo a este Senado outro decreto de V. Mag.*' posto em bua petigaó de Jorge Lopes 
de neg."" pella qual se ofTerecia a dar feita em sinco annos 50jl arrateis da dita moeda de 
cobre, des mil arrateis em cada bum, com todos os custos della por prego de 160 reis o arra- 
tei, encaregendo este benefBcio muito, e esperando por razào delle que V. Mag.^' Ibe fizesse 
m.'*" corno ludo mais largamente se mostra da dita petigaO q com està torna. 

E porque V. Mag."** nos manda responder ao que nella se Ibe propoz, se ordenou bua 
junta de pessoas praticas e expcrimentadas a que se com(un)icou este negocio propondosse 
todas as circustancias delle, e pella mayor parte dos vottos se resolveo que neste prego de 
160 r.' era muito grande, e com elle se daua logar ao incdueniente que se podia temer que 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, Uv. i, fol. 228 v. 



272 

era mctcrsc dus partes do norte Deste Heyno inuita tjuaotidade da dita inoeda, ou batcrse 
nelle faigameiìle. 

E corno OS meabros deste senado trataO de dar cumprimento a sua obrìgagaO e do que 
mais comuem ao beni comum e seruigo de V. Mag."^' juatos em camara se toraou a praticar 
com atengaó deuida este Degocio e se assentou por mais vottos que^e langasse mad do outro 
cobre que atraz se faz meogaO que he de JoaO Hals, mercador estrangeiro, visto estar jà em 
cslado que so Ibe falta o cuuhar-se, e por nolo qucrer dar por cento e dcz r.' cada arratel, 
que com oìto ou dez que pode fazer de custo o cunhar da moeda Oca o negocio mais seguro, 
e scm risco de se meter dinheiro de fora, e sem scr necessario a està camara fazer dispen- 
dio algum, porq fica sendo quasi igual o prego da moeda com o do cobre, e comforme a isto 
nos pareccu q V. Mag."^* tendo respeito a està necessidade taO goral deuc ser seruido dar li- 
cenga para se langar maO deste cobre peJlo prego refendo para se cunhar comò a moeda an- 
tigua ; em quanto na6 temos faculdade para se comprar o cobre inais barato, mandando-o 
buscar fora do Reyno para assy ficarmos liures dos dittos incomuenientcs. 

Pedimos a V. Hag.'*'' que tendo consideragSLo ao refendo se sima de mandar diferir a este 
particular com a breuidade que requere negocio de tanta importancia do beni comù destes 
Reynos, e de mais disso porque o mercador a pede por razaò do pcgamento da Alfandega com 
a descarga dos asucares que ora se descarregaO, e se esperaó q se haO de por por ssìma do 
dito cobre, com o que ficarà dilatada a execug5o deste negocio sobre que V. Mag.**' raandarà 
que mais ouuer por seu seruigo. Lisboa em camara 22 de settembro de 1644. Paulo de 
Garvalho. Bastiad de Souza, D. Joad de Castiibo, Fransisco de Valladarcs Souto-maior, Fran- 
sisco Rebello Homem, Luiz Comes de Carvalbo, Estevam Monteiro de Sa'. 



1644 - SETEM DBO - 26 

Felicio monteiro, juis da moeda faga por edilaes nas partes coslumadas, e apreguar pella 
cidade que nliùa pessoa de coalquer calidade que seja na6 uze da moeda por marcar nem 
marcada de prata, salvo da moeda nova fundida, por ser acabado o tempo que se Ihe deu 
pera a poderem levar à moeda, e quem o contrario fizer perderà todo o dinheiro que se Ihe 
achar, e nas penas crimes impostas aos que uza6 de moeda falsa, e isto se nao entenderà nas 
patacas, nem meias patacas, nem nas moedas de ouro. Lix.* 26 de setembro de 644. À coal 
ordem e mandado tem tres rublicas dos menistros do conselho da fazenda, D. Miguel dalmei- 
da, fransisco de Garvalho, Jorgc de araujo estacio^. 



1644-OUTUBllO — 20 

Felicio Monteiro Pereira, mande langar pregoés que se prorroga mais bum mez para que 
corra a moeda de prata, apcrcebimento que pagado elle nào con^a. Lisboa 29 de oulubro 644. 
A quoal ordem tem tres rublicas dos menistros do conselho da fazenda, Dom Miguel dalmei- 
da, Jorge de araujo Estago, fransisco de Garvalho '. 

' Arch. da camara municipal de Lisboa, 11 v. i de D. Joào IV, pag. 288. 
' Arch. da casa da moeda de Lisboa, rogislo goral, liv. r, fol. 229 v. 
' Idrm, fol 2.10. 



273 



iGA4 - DEZEMBRO - 3 

juiz da mocda foga apregoar pellas parttes publicas corno se prorroga mais a liccnga 
de bum mcz para o cunbo da moeda desta cìdade de Lisboa, 3 de dczembro 644 : Visto en- 
irarein os dias da festa; o quoal pregad se darà depois de acabado o tempo da prorrogagam 
antecedchte, a quoal ordem tem tres rublicas dos menistros do consclho da fazenda, Dom 
Miguel dalmeìda, Jorgc daraujo Estago, fransisco de Carvalbo'. 



1645- JANEIRO- 14 

Por coanto Sua Mageslade, por rcsulugam Sua de trinta de dezembro proximo pagado, 
foi servido resolver que as moedas de ouro Sam. Vicentes teoham de vailor mil e aovc sentos 
reis cada bua, e as de quiabenttos reis valbam a nove senttos e siacoenta reis, e bum por- 
tug(u)ez a respeito da redugdo tenba de valior nove mil e trezenlos reis, e bum calvario com 
a redugào tenba de vailor oito senttos e oitcnta reis, com que parece HcaO as dittas moedas 
em valor conveniente a este Reino, felicio Monteiro o faga asy publicar e dar à execugdo 
comò Sua Magestade manda. Lix.* 14 de Janeiro de 645, A quoal ordem tem tres rublicas 
dos jnenistros do conselbo da fazenda, Dom Miguel dalmeida, fransisco de Garvalbo e Jorge 
daraujo Estago ^. 



1645-MARgO-24 

Felicio Monteiro Pereira, thesoureiro da caza da moeda, faga lavrar a moeda de cobre 
que està na dita caza de JoaO Aiens, de maneira que amoedado saia cada arratel de vailor 
de seis vinteis comforme a resoluQaò de Sua Magestade. Em Lix.* a vinte e coatro de margo 
de seis sentos coreuta e sinco. A quoal ordem tem tres rublicas dos ministros do conselbo 
da fazenda '. 



1G45 — SETEMBRO - 2 

juis e tbesoureiro da caza da moeda desta cidade, fransisco gedes Pereira, faga logo 
apregoar polas pragas publicas desta cidade que toda a pegoa de qualquer coalidade que seja 
que tiver dinbeiro velbo tostois, meos tostois, quoatro e dous vinteis, marcados e por mar- 
car, e tostois e meos que se lavraram nos annos de seissentos e coreuta e bum, coreuta e 

' Arch. da casa da moeda de Lisboa, regrìsto geral, liv. i, fol. 230. 
* Idem, fol. 230 v. 
' Idem, fol. 248 v. 

TOMO n * 18 



274 

dous, OS levcm à caza da moeda, aonde se Ibe darà outro tanlo dinheiro do quo de prezeute 
se lavra, que vem a ser vallor por vallor, e do dia da publìcagdo por diante se na6 uzarà do 
dito dinbeiro, comprando ou vendendo còm eie, dando ou aceitando em pagamento, e a pe- 
goa que o contrario fìzer emcorrerà em perdimento da cantidade que se Ihe acbar da tal 
moeda; as duas parttes pera Sua Magestade e bua pera o denunciaàor, e os que retiverem 
dito genero de dinheiro sem o levarem à caza da moeda, dentro de tres mezes da publica- 
gad, ou pelo menos o nad manifestarem neste tempo, emcorrerà na mesma pena, e o mesmo 
se entenderà nas pessoas que o levarem ou mandarem para Torà vendendo-o ou desfazcndo-o 
cmcorrerad nas mesmas penas, alem das que teeqp por disfuzerem moeda de Sua Magestade, 
e as denunciasois e roanifestos se faram pcrante o juis da moeda de que se farà acento por 
bum dos escrìvoés da dita caza e o dinbciro que assìm levarem as parttes à caza da moeda, 
da data deste em diante pera se Ibe dar vallor por vallor, se contarà pclos contadores da 
caza, e depois de contado e saber a contbia que bc se pezarà, e por pczo e conta se carre- 
garà em receita, e a deminuigad e dano que ouver na pantidade de dinheiro que levarem as 
parttes deste genero às dittas cazas da moeda sem embargo que naO peze a mesma contbia 
se Ibe darà satisfagad por inleiro sem demenuigaò do procedido que vem à fazenda real do 
lavor da moeda que se lavrar nas ditas cazas pera que fìquem as parttes recebendo do mes- 
mo<seu dinheiro vallor por vallor, comforme Sua Magestade tcm mandado, e a cantidade que 
niso se despender se farà dispeza, e pera Ibe ser levado em conta se farà provizaO; e nesta 
mosma comformidade se pagaraò as ordens ncsesarias pera as cazas da moeda do Reìno: em 
Lix.* a 2 de setembro de 645. A quoal ordem tem tres rublicas dos menistros do conselho 
da fnzenda, o marquez de montalvaO, Dom Miguel de Almeida, Jor^e daraujo Estago^ 



]V.<^ ISO 

16-Ì5 - NOVEMBBO - 6 

Felicio Monteiro, thesoureiro da caza da moeda, mande receber o cobre que se Ihc en- 
tregar por ordem de Joam Hales, e o fuga cunbar em moeda na forma da ordem que tem, e 
que se montar no dito cobre a rezaO de sento e dez reis o arratel Ihe pague no mesmo co- 
bre lavrado em moeda, e o restante, avendo-o, pague primeiro os custtos, entregue ao the- 
soureiro-mor. Lix.* seis de novembro de seis sentos e coreota e sioco. A quoal ordem tem 
tres rublicas dos menistros do conselho da fazenda ^. 



N.** 130 

1646 - FEVEREIRO - 15 

juis e thesoureiro da caza da moeda desta cidade de Lix.* ordene que no ouro que deste 
dia endiantc entrar nu dita caza para se fazer em moeda se responda aos donos dele a rrezaó 
de sete sentos e secenta e sinco reis por oitava, que he mais trinta e dous reis e meo por oir 
tava do que atbé o presente se Ihe dava, a quoal ventagem se Ihe darà dos direitos que vi- 
nham à fazenda real de cada marco de ouro que se lavrava em moeda, ficando so por estu 
modo para os direitos sete mil duzentos e noventa reis por marco, com declaragaO que na 

' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo goral, liv. i, fol. 235. 
' Idem, fol. 248 v. 



275 

Icy do ouro, que he de sincoeata e sei$ inil duzentos e sincoeiita reis por marco naò ha al- 
teragaO alguma e no mesroo estado fiquc, e da sexta parte que dcUes vinbaó & fazenda real 
dos direitos do lavor da moeda se ha de tirar a ventagem que Sua Magestade he servìdo te- 
nhaò as pessoas que meterem ouro nas ditas cazas para se Ihe lavrar em moeda, comò Sua 
Magestade resolveu cm consulta que se ]he fez em yinte e sinco de Janeiro proximo pagado, 
e desta ordem e resolugaO se pasarà prouizaò que se registarù no livro do Registo da dita 
caza. Lisboa 15 de fevcreiro de 1646. A quoal ordem tem coatro rublicas dos mcnistros do 
conspiho da fazenda, '. 



IV.^ 131 

1646--FEVERE1RO- 15 

juiz e tesoureiro da caza da moeda desta cidadc de Lisboa faga langar pregois em nome 
de Sua Magestade, que toda a pessoa de qualquer calidade que seja que tiver moeda veiha 
de tostois e meios tostois, coatro e dous vinteis, marcados e por marcar, e toslois e meios 
tostois que se lavraram nos annos de scis sentos coreuta e hù e coreuta e dou3, leve tal ge- 
nero de moeda ò. caza delia, onde se Ihe darà outra da que de prezente se lavra, a rezaO de 
tres mii e setesentos reis por marco, que he mais oitenta reis por marco do que de antcs se 
dava, OS coais se abateraò dos direitos que vcm à fazenda rcal do lavor da moeda, ao eoa! 
prego quer Sua Magestade corresponda ùs partes que levarem o tal dinheiro à caza da moeda, 
comò resolveu em consulta que se Ihe fez em vinte e sinco de Janeiro proximo passado tendo 
respeilp ao beneficio que se segue ao Beino de se extinguir o dito genero de moeda velha, 
pella falsificagào que nella ha; e pera que de todo se recoiha, e se nào uze della de mais das 
penas iropostas se declararà que a dita moeda naò terà valor algù fora da dita caza da moeda 
do dia da publicagùo d'oste cm diante, o que farà noteficar aos thesoureiros e almoxarifes e 
asentistas pera que levem a que tiverem à caza da moeda, e ndo a aseitem ncm fagam nella 
pagamentos, e nesta comformidadc se pasem as ordens nesesarias para as cazas da moeda 
das cidades do porto e Evora, pasando-se para este efeito as provizois nesesarias. Lisboa 15 
de feuerciro de J646. A coal ordem ^em sinco rublicas dos ministros do consciho da fa- 
senda^ 



TV.« 13S 

1646 -MAIO -19 

Eu Bi-Rey fago saber aos que este alvarà virem que tendo consìderagaO ao multo excesso 
a que subio o ouro amoedado contra minhas leys, em grande pcrjuizo do commercio e bem 
commum de meus vassalos, e que isto pede remedio prompto, bei por bem, que nestes 
meus reinos e senhorios de portugal possam correr os dobrois a mil e seis sentos reis, e as 
moedas de tres mil reis a tres mil e quinhentos, e a este respeito as mais moedas de ouro 
da mesma calidade maiores e menores, e que os tesoureiros, almoxarifes e recebcdores, as 
possSo roceber e paguar pellos ditos prcssos pellas convéniencias que nisto se consideraó, e 
que se nSo possa alterar a dita estimagào, e que quem o contrario fizer pague anoveada a 
contia do dinheiro quo der e receber, as duas partes pera minha fazenda, e a outra para o 

* Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 237. Soasa^ Hisloria genealogica, 
tom. IV, pag. 439. 

* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 237 v. 



276 

(lenuQciador, e vaa servir ùs fronteiras à sua custa atbé minila mercé ; e mando quc estc 
meu alvarà se cuinpra e guardc nesta cidade cm seiido passado pela chancelaria e nella 
publicado e dos mais lugarcs do Reyno, e quc outro sy se cumpra e valba, posto que o cffeito 
delle aja de durar mais de bù anno, sem embargo da ordenagdo em contrario. Luiz da Costa 
fez eiQ Lisboa a 19 de maio de mii seis sentos coreuta e seis annos: e eu JoaO Pereira de 
betancor o fiz escrever. — REY. — Dom francisco de faro^ 



]V.« 133 

m 

Ì640-JUNH0-0 

juis e tbesoureiro da caza da moeda desta cidade de compimento à resolu^O de Sua 
Magestade posta na copia do seu papel adiantc escrito roblicado pelo escrivaò da fazenda desta 
repartigaO. Lìk.' 6 de junho 646: com trcs rubiicas dos ministros do cooselho da fazenda. 

4 

Copia do papel de franslsco Gedes Pereira 

Snr. — Depois de publicada a provisaO que V. Magestade foi servido passar sobre os pregos 
dos dobrois e moedas de ouro portuguezas, tratarad algùas pessoas de meter dobrois nesta caza 
da moeda pera se desfazerem e se fazerem em moedas das que oellas se lavraO, o coal in- 
tento entretive com dizer que naO podia desfazer dobrois sem dar primeiro conta a V. Mages- 
tade, comò Oz dando-a no conselho da fazenda, donde se me ordenou fizesse bua relagaO por 
cxtenso das convenientias que se seguiad à fazenda de V. Magestade, e aos enteresados, as 
quaes saO as seguintes : 

Ào Reino se segue dous interesscs, o primeiro be acodirem aqui mais dobrois que a fram- 
ga, se tiver efeito a redugaó delles, porque comò vaO a entercsar sento e trìnta reis em cada 
hù pelo modo que se segue, rcspeito de em framsa naò valere mais de mil e seis sentos réis, 
e naò ir d% bu presso ao outro o exceso em que o geral o aria posto de dous mil reis. 

A segunda he o desfazerem-se os dobrois e fazerem-se em moedas das quc se lavrad no 
Reyno, de que se segue o naO entrarcm dobrois serseados, e os que entrarem de peso naO 
poderem sair, se se ouverem de desfazer na moeda que se lavra, por naO ter conta para sp 
aver de levar fora do Reyno. 

À utilidade que se segue aos intercsados desia rcduyaO de dobrois a moedas he acqui- 
rirem mais por ellas sento e trinta reis em cada dobrad, alem dos mil e seis sentos reis por 
quo correm, com que fìcaO. recuperando em parte a perda quc tiveraO cm se Ibe abaixarem 
de dous mil reis em que os tinhaO postos a mil e seis sentos reis. 

interesse que se segue ù. fazenda de V. Magestade he de sinco mil novesentos vìnte e 
sinco reis por marco e os febres quc se acbarem na moeda, os coais intereses se comsigui- 
raO mandando V. Magestade se dee à execusaO o que aqui aponto ; e he que V. Magestade 
deve mandar que nesta caza da moeda se possa6 asseitar dobrois por pezo pera se desfaze- 
rem e fazer na moeda que nella se lavra, e que has partes se responda a oito sentos reis por 
citava, que he mais trinta e sinco reis por oitava do por quc se responde ao ouro de pasta 
que He a sete sentos e sesenta e sinco reis por oitava, e pera se vir milhor no conbecimenio 
desta redugaò e intereses della a declaro aquy por cxtenso. 

Trinta e coatro dobrois e meio pezaO hù marco que vai, a rczaO de mil e seis sentos reis 
por dobrao, sincocnta e sinco mil e duzentos reis, e pagando-se este marco de ouro ùs partes 
a oito sentos reis por oitava naò vem a importar mais que soo sincocnta e hù mil e duzentos 

* Arch. da casa da moeda (]c Lisboa, rogisto geral, liv. i, fol. 240. Sousa, Historia genealogica, tom. p-, 
png. 358. 



277 

reis, e por està conta parece quo veni as parles a perder coatro niil reìs por marco, mas 
pagando-sc-lbe o dito marco de ouro, que saO sincoenta e bù mi! e duzcntos reis em moedas 
a tres mil reis, comforme a lei e uzo da caza, ficaO entcrcssando ero cada marco oito mil e 
quinhentos reis, a rezaO de quinbentos reis por moeda, os coais juntos aos sincoenta e bu 
mil e duzentos reis que vai o marco de ouro, a rezaó de oito sentos reis por oitava, Ihe fica 
sabindo cada marco por sincoenta e nove mil sete sentos reis em que emteresaO coatro mil 
e quinbentos reis, que repartidos pelos trinla e coatro dobrois e meio, de que se ba de com- 
por marco, Ibe fica saindo cada dobraO por mil sete sentos e trinta reis, e a rezad be que 
de cada marco de ouro se fazem desoito moedas e tres coartos, das coais bad de vir às partes 
a rezaO de oito sentos reis por oitava, e ile tres mil reis por moeda, desasete moedas e du- 
zentos reis. 

Pera os direilos de V. Magestade fica bua moeda e tres coartos menos duzcntos reis que 
se tiraO pera ajustamento das desasete moedas e duzentos reis que baO de levar as partes. 

Em bua moeda e tres coartos menos duzentos reis a tres mil reis por moeda vai sinco 
mil e sincoenta reis, que tantos rende direitus ò, fazenda de V. Magestade de cada marco de 
ouro, e com a crescensa que ba em cada moeda de quinbentos reis fìcaO sobindo os direitos de 
cada marco a sinco mil novesentos vinte e sinco reis, tem mais V. Magestade os febres que 
se acbarem na moeda, que delles e dos direitos se bào de fazer as despezas de fundigaO e la- 
Yor da moeda. 

Parece que tendo as partes o enteresc de sento e trinta reis em cada dobraò, saindo-lho 
vendido por este modo a mil setesentos e trinta reis, quereraO antes trazellos à caza da moeda 
que mandarem-nos para fora do Reyno, com o que se seguiraO as utilidades que tenbo refe- 
rìdo à fazenda de V. Magestade, ao Reino e aos entercsados, as coais couzas me obrigaraò 
a buscar todos estes meios para se conseguirem, Icuado do zelo do servigo de V. Magestade 
que mandarà o que mais convier a seu scrvigo e bem de seos vasalos. Lix.* vinte e oito de 
maio de seis sentos e coreuta seis. francisco gedes percira; comcorda coro o originai que 
fica em meu poder. JoaO pereira. 

Na real presenta de Sua Magestade 
foi servido resoluer que as pessoas que quizerem levar dobrois à caza da moeda pera se del- 
les fazerera moedas de tres mil reis, meias moedas e quartos dellas, Ibos mande receber fran- 
cisco gedes p.* juis e tezoureiro da dita caza, e lavrar nas ditas moedas por a maoeira con* 
tenda em este seu papel. Lix.* seis de junbo de seis sentos coreuta e seis. Joaò p.* 

E eu Bartbolameu p.* escrivaO da caza da moeda desta cidade de Lix.* por ElRey nosso 
senhor, tresladei a dita ordem da propria a que me reporto e a concertei com JoaO francisco^ 
outrO sy escrivaO da dita caza e a propria tornou a levar fransisco gedes p.* e asinou aqui 
de comò a levou. Li x.* oito de junbo de mil seis sentos corentae seis annos. Bertholameu 
p.*, Fransisco gedes Pereira, Joao fransisquo. * 



ISJ" 134 

1646--JUNHO-6 

Eu ElRey fago saber a vos francisco gedes pr.* juiz e tbesoureiro da caza da moeda desta 
cidade de Lix.* que tendo consideragaO ò, conveniencia e beneficio que resulta a meus Reinos 
e vassallos de se redusirem os dobroes bas moedas de ouro que de presente se lavram uà 
dita caza; Hey por bem e vos mando que todos os dobroes que quoaisquer pessoas a ella le* 
varem pera se Ibe fazerem delles as ditas moedas, os recebacs e fagaes carrogar nos livros da 

l Arcli. da casa da moeda do Lisboa, regislo ffcral, liv. i, fol. 240 v. 



278 

dita caza na forma costumada, e que se Tuadam e fayam em inocdas, meas moedas e quoar- 
to8 dellas de prego e valor de Ires mil reis cada mocda, e a esc respeito as meas e quoartos 
corno tenho ordenado, e por cada ottava de ouro que assy meterem as ditas pessoas ncsa 
caza Ihes fareis o pagamento a razào de oito seotos rcis por cada oitava oas moedas que dos 
mesmos dobrocs se fizerem a respeìlo de tres mil reis. corno se vìo por vosa iuformagaò; e 
este se registarà dos llvros da dita caza da mocda pera a todo o tempo se saber comò assy 
bey por bem, o quoal quero que valba posto que seu efeito dure mais de bum anno e naO 
passe pela cbanselaria sem embargo da ordenagaò do liv. ii, tit. 39 e 40 e de quoaiquer 
provizaO ou regimeoto em contrario. Antonio Velosso estago a fez em Lix.* a seis de junbo 
de selssentos coreuta e seis annos. E eu Joam Pereira de betancor o fiz cscrever. — Rey — 
conde de Odcmira. * 



ie46-DEZEMBllO-4 

Eu ElRey fago saber a vos fransisco guedes Pr.* Juiz e Thesoureiro da casa da moeda 
desta cidade de Lisboa, que eu bey por bcm que pelo ouro que deste dia en diente emtrar 
na dita caza para se fazer em moeda, se responda aos donnos delle arrezaO de sete sentos se- 
centa e sinco reis por oitava que he mais trinta e dous reis e meio por oitava do que atbé o 
prezente se Ibc dava, a quoal ventagem se Ibe darà dos direittos que vinbam à minba fazen- 
da de cada marco de ouro que se lavra em moeda, Ocando so por este modo para os direitos 
sete mil duzentos e noventa reis por marco, com declaragaó que na lei do ouro que he de 
gincoenta e seis mil duzentos e sincoenta reis por marco nad aja alteragad alguma, e no mes- 
mo estado fique, e da sexta parte que delles vinbam à minha fazenda dos direittos do lavor 
da moeda se ha de tirar a ventagem que bam de ter as pessoas que meterem ouro nu dita 
caza para se Ibe lavrar em moeda; pelo que vos mando que assy o ordcncis e cumpraes e 
fagais Inteiramente cumprir corno nesle se comthem, o quoal quero que valba posto que nad 
seja pagado pela cbanselaria e seu efeito dure mais de bum anno sem embargo da ordeuagaO 
do 2.° liv. tit."' 39 e 40, e de qualqucr provisaO ou regimento em contrario, e que este se re- 
giste no livro da dita caza da moeda para a todo o tempo se saber corno asy o bey por bem. 
Luiz da Costa o fez cm Lix.* a coatro de dczcmbro do seis sentos e coreuta e seis annos. 
E eu JoaO Pereira de betancor o Gz escrever. — Rey. — conde de Odemira*. 



16-«7-NOVKMBHO~13 

Eu ElRey fago saber aos que està minba ley virem que tendo cousideragad a se ter alcan- 
gado por noticias certas e experiencias que se fizeram aver-se fabricado patacas à imitagaO 
das que se lavraó em de castella deminutas em peso e ley de onze dinhoiros, 

que he a de que se uza neste rcino, nos de castella e franga, as coais patacas se metem neste 
Heino, de que a elle e a nossos vazallos se segue grande prejuizo e dano que se deve alalhar 
com a brcvidade possivel, pelo que ordeno e mando que nenbùa pesoa de qualquer calidade 
que seja meta neste reino as ditas patacas da nova fabrica, nem outro coalquer dinheiro asim 

' Arch. da casa da mocda de Lisboa, rcgisto gcral, tiv. i, fol. 243 v. 

' Idem, fo|. 245. M 



279 

• 

(le ouro comò de prala que naO seja da lei, ou ouro de vinte e dous quìlates, e a prata de 
onze dinheiros; e a pesoa que o comtrario fizcr etncorrerà em penna do perdimento do dito 
dinheìro que asy meter, a metade para o acuzador e oulra pera minha fazenda, e asy mais 
nas pennas dos que fazem e uzaO de rooeda falsa, e porque pode acomteser vir algum dì- 
nheiro, que naO seja desta ley, a entregar a aigùas pesoas moradoras neste reino sem que 
ellas tcnbam noticia da calidade della; mando que as pesoas a qucm vier dinheiro de fora o 
va6 logo denunciar às alfandeguas pera se fazer com elle os cxames necessarios pelos offi- 
ciais das cazasda moeda mais circumvesinhas ao porto por onde entrar, pera verem se o tal 
dinheiro he do proibido, e sendo se fundirù e farà na moeda que se uza neste reino por conta 
dos donos delle, sem que sejaO obrigados a pagar mais que o custo que se fìzer na fundigaò 
e lavor, e semdo dinbeiix) da lei se deixarà levar livromente a seus donos sem dilagaò aigùa 
nem despezas, e porque lambem se tem alcangado quo se mete neste reino muitas patacas 
e dobrois dominutos cm peso, gobce que tcnbo provido que as mocdas asy de ouro comò de 
prata que naO forem do pczo na5 tenhaO vallor de moeda senaO de ouro e prata em barras, 
pera o que toda a pesoa q quizer reseber o tal dinheiro por pezo o poderà fazcr, e a pesoa 
que 6zer o pagamento sera obrigada a fazer a entrcga por pezo, e nao o qucrendo fazer cm- 
correrà em perdimento da moeda que asy deixar de entroguar, pelo que mando quo està ley 
se de à execugaO, publicando-se primeiro em minha chancelaria e nas cidades, villas e luga- 
res deste reyno, e se cumprirà sem embargo de coalquer ordenagaO ou rògimènto que cm 
contrario aja. Luiz da Costa a fez em Lisboa a treze de novembro de mil e seis sentos coreuta 
e sete annos. Jorge da fonseca coutinho a Gz escrever. — Rey K 



1O40-JANEIHO -5 

Juiz e thesoureiro da caza da moeda desta cidade de Lix.* faga logo laugar pregOes e 
por edittos pellas parttes costuroadas, que nenhùa pessoa de quoalquer cah'dade que seja posa 
comprar, nem vender, nera mandar pera fora do reino dinheiro velho, nem tostois da hera 
que Sua Magestade tem mandado lecolher, com penna de perdimento delle, as duas partes 
para a fazenda de Sua Magestade, e outra para o acusador. Em Lix.Va trez de Janeiro de seis 
sentos corenta e nove. A quoal ordem tem sinco rublicas dos silrs. Menistros do conseiho da 
fazenda ^ 



ISr." 138 

1 OoO - NOVEMBRO — IO 

Juiz da caza da moeda desta cidade faga por editais n'os lugares publicos della pera 
que venha à noticia de todos com que se evile entrarem neste Reino patacas, por a noticia 
que se lem da baixa dellas asim na calidade comò no pezo reduzido ludo a multo menos va- 
lor do que tinhad, tendo-se concideracaO ao grande danno que se pode seguir a este Reino 
de entrar nelle a dita moeda, asim demenuida e falsifìcada e se nao reseberaó sob penna de 
serem pcrdidas, naO se manifestando logo pera irem à dita caza da moeda e se examinarem 

' Àrcb. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, fol. 251 v. Arch. nacionaK Liv. tv de 
leis. fol. 197. J. P. Ribeiro, Indice chronologico, part. i, pag. 155. 
* Arch. da casa da moeda de Lisboa, registo gcral, liv. r, fol. 256. 



280 

nella e se proceder conliti quein de outra maoeira reseber, tiver e uzar deste tal dinlieiro, 
corno contra quem uza, lem, e faz moeda falsa e a despcnde. Ux.' 16 de novembro de 650. 
A coal ordcm tem coatro rublicas dos menistros do consclho da fazonda'. 



IGoO - DEZKMBHO— 5 

Por quanto Sua Magestade foi scrvido mandar que se lavrassem moedas de ouro e prata 
com a imagcm jsanta da vìrgem santissima nossa scnbora da conceipgaò, feitas no engenbo 
que velo de franga; o juis da moeda faga lavrar logo as ditas moedas na forma e mancìra 
que jà se lavravaó asin de ouro corno de prata, procurando se lavrem e fagaO algùas, as mais 
quo ser possa, athé oito deste mes de dezembro, dia da conccipgào, para o que se Ibe passare 
Alvarà. Lix.* 5 de dezembro de 650. A coal ordem tem coatro rublicas dos menistros do 
concollio da fazenda-. 



isr.^ 140 

iooi-MAio-20 

Mandey uer e comunicar està materia co pessoas de muìlo zelo e inteligencia, e co q 
me informaraOfuy seruido resoluer que todas as patacas de qualquer sorte e calidade q sejad 
se leuem A caza da moeda para se fundirem e fazerem cm cruzados moeda do Reyoo, as que 
forem boas, e as ruins se desfarad dando a seus donos valor que ti?ci*em, as que tiverem 
algum, e bua e outra couza se farà ed tanta justificagaO para as partes que fìquem inteiradas 
so Ibe fez justiga e fauor, porque os officiaes da caza da moeda Ibes farad os q aponta pa- 
pcl do scnado da camara, cuja copia sera cO este despacbo, no que for possivel, e posto que 
desta rcsolugaO receberà grande dano minba fazenda pellas patacas de ruim calidade que se 
acbaraO cm meus Almoxarifes e recebedores, meu intento he evitar que na moeda que be 
a fee publica das nagoès nào haja engano ou falsidade edl meus Reynos, e para conseguir 
bc este meyo mais seguro, porq naO faz impedimento a entrarem no Reyno as patacas boas, 
e so faz naO virem as ruins que nad conuem se rccebào; nesta conformidade se execute 
pello conselbo, e se passem despachos para se fazerem cazas da moeda nos lugares em que 
proximamentc as ouue, e conselbo limitarà às partes para trocarem as patacas termo que 
Ibe parecer, e farà os despacbos co as circunstancias mais conuenientes ao intento. Em Al- 
cantara a 26 de maio de 1651 ^ 



TV.*» 141 

1G51 — JUNHO-O 

Doni Ioaui por Gra^a de Deos Rcy de Portugal, & dos Algarues, daquem, & dalem mar 
om Africa, Senbor de Guiné, & da Conquista, nauega^ò, comercio de Ethiopia, Arabia, Per- 

' Ardi, da casa da moeda de Lisboa, rcgisto gcral, iiv. 1, fol. 257 v. 

- Idem, fol. 258. 

• Arrli. da camara municipal de Usboa. Copia autlieiitica do Iiv, w de I). Joào IV, fol. 59. 



281 

sia, & da India, &c. Pago saber aos quo osta minha ley vireni, quc tendo mandado por ou- 
tras bua de trezc de Nouembro de scisccntos quarcnta & sete, & em sua conGrmaQaó por 
outra de vinte sinco de Feuereiro deste anno presente nau corressem nestes meus Reynos, 
& Scnhorios de Portugal, as patacas de nona fabrica do Perù que se achassem falidas na ca-^ 
lidade, & pczo, ou fosseni ém todo falsas por as noticias, & informagoès que aula de o se- 
rem muitas, & de terem grande diminuigaO no pezo, & calidade, mandando fossem às casas 
da moeda para se fundircm, & reduzirem nellas à vzual, impondo penas dos que tem, & vsad 
de moeda falsa aos que tìuessem, & vsasseni das ditas patacas falidas, ou falgas comò mais 
largamente se continba, & declaraua nas ditas leìs; porquanto elias naO foraO bastantes 
para se remedear o dano quc se exprimenta destas patacas indo em muito mayor crecimento, 
por a maior cantidade dellas q depois foi entrando neste Reyno tanto em seu perjuizo, & con- 
tra que conuem, & pede a fè.publica, justo valor, & pczo da moeda por a qual corre one- 
godo, & se fazem com mais ajustamento os contratos; atentando ao bem destes meus Rey- 
nos, & senborios, & de todos meus vassallos^ ouue por bem depois de se fazerem os ensayos 
necessarios em muitas destas patacas de mandar ver negocio de tanta importancia por pes- 
soas de prudencia, experiencla, & de todo o bom conhecimento nesta materia, & q se visse, 
& consultasse no Conselbo de minha fazenda, no Senado da Gamara desta Cidade, & no Con- 
scibo de Estado, & sendo assi confcrìdo, cOsultado, & visto, tendo consideragaO ao que pelos 
mcsmos respeitos se fez & resolueo, neste mesmo negocio em outros Reynos conGnantes aos 
de Castella, & ao q nos de sua Coroa se tem mandado, & ordenado, & atentando, a que sen- 
do dano taO considerauel, pede se naò continue, antes se procure euitar por todos os meyos 
posto que custosos sejaO, fui seruido de resoluer, & mandar por està ley que dcsde logo nes- 
tes meus Reynos, & Senborios, naO corraO, nem vsem as ditas patacas de fundigaO, & fa- 
brica do Perù, nona, ou antiga, q nos circulos tem bus cordoés, ou rosarios de qualquer 
sorte, ou calidade q sejaO, nem se recebaO, né dem em pagamento por moeda corrente, & de 
ley, assi as q jà sad entradas, comò as que de nono entrarem, por se auer q as da noua fun- 
digaO saO muito falidas no pezo, & calidade da prata, & muitas falsas, & as da antiga fun- 
digaO do Perù, posto q sejào boas se uaO deferen(;ad das q de nono se fundirào, & fabricaraó, 
& em todas ha conbecido perigo. Pelo q mando, & ordeno se leuem às casas da moeda desta 
Cidade, Euora, & do Porto, para nellas se fundirem, & reduzirè a moeda do Reyno, & em 
seu justo prego se tornar a seus donos o q tiuerem de prata sem mais dano, & custo q o da 
fundigaO, & lauor q sera o menps q ser possa, auendo na redugaò a boa conta necessaria 
sem q em se fundiré minha fazenda fique interessando cousa algùa, & porquanto em todas 
as mais patacas q nad saO as do Perù, & de sua fabrica noua, ou antiga, a saber, as de Se- 
goiiea, Mexico, & Seuilla q naO tem os ditos cordoés, & rosarios, naO ouue fundigHio q as 
faga de roim sospeita em pezo, ou calidade, & se deferengaO muito das do Perù por naò te- 
rem OS ditos circulos, e se tem por de toda a boa conta, & ley por essas as bey, & mando q 
corraO, se vsem, dem em pagamèto, & se tome por moeda corrente, sob as penas da Orde- 
nagau liuro 4, tit. 22. Pelo q mando se de està minha ley & execugaO, & q naO valhaO as de 
Irezc de Noucbro de 647 & de 25 de Feuereiro deste anno, porq ficaO cessando com està : 
& se publique em a minha Cbancellarìa, nas Cidades, Villas, & lugares^do Reyno, & se cum- 
j»ra, & guarde, sem embargo de qualquer OrdenagaO, ou Regimento que em contrario baja. 
Luis da Costa a fez em Lisboa a seis de lunho de seisceotos & sincoenta & bum annos. E eu 
Francisco Guedes Pereira o fiz escreuer. REY'. 



Ardi, da casa da niooda de Lisboa, rcgislo goral, liv. i, fol. 262 . Impresso avulso. 



282 



1651-O0T0DRO-9 

Eu ElRey fago saber aos qoe este Alvarà virem que Bu hei por bem e me praz qne a? 
moedas de ìmagem de nosa seoliora da conceipgaO, que ora ouve por meu servigo mandar 
se lavrassem, tcnbaò de valior extrìoseco as que forem de ouro doze mil rcìs cada bua, tendo 
de pczo doze oitavas, e as que forem de prata seis tostois, pomdoee pello molde mais gros- 
so, e tendo cada bua de pezo bua onga e que ncsta forma pogaO correr em meus Reinos e 
senborios, corno a mais moeda uzua], vista a informagad do juis e thesoureiro da caza da 
mocda desta cidade; pelo que mando aos vedorcs de minha fazenda que na forma acima dita 
fagaO cumprìr e guoardar o contbeudo neste Alvara, pagando pera ese efeito as ordens que 
necessarias forem, com todas as clausulas, condissois, pcnnas e obrìgagols, corno se de cada 
bua dellas se fizera cxprega mengaO e decIaragaO. As quoais bei aqui por cxpregas e decla- 
radas, e pera milbor cumprìmento deste se farau publicar em minba chanselaria e registar 
nos livros das cazas de moeda, para a todo o tempo se saber de corno assy o bei por bem, 
quoai quero que valba, tenba forga e vigor, posto que o seu efeito dure mais de bum ano, 
sem embargo da ordenagaO do liv.° 2.° tit. 40 em contrario. Luiz da costa correia o fez em 
Lix.* nove de outubro de seis sentos sincoenta e bum annos. E eu fransisco gcdes pereira o 
fiz escrever. Rey. o conde de catanbede *. 



IV.^ 143 

1652 - OUTUBRO — d 

Eu ElRey fago saber aos que este Alvaró virem que tendo em consideragaO a utilidade 
que se segue a estes meus Reinos de entrar prata nelles para se lavrar em moeda na caza 
della, fui servido fazer mercé que se desse às pessoas que a metesem de mais da lei de onze 
dinheiros, para o efeito refendo, a trezentos reis por marco de mais dos tres mil e seis sen- 
tos reis, que por lei corre a prata em pasta, e para baverem està maioria dos dìreitos que 
vem & minha fazenda do valor da dita moeda, depois das despezas della, se Ibe pagassem prò- 
visois para iso. E tendo ora respcito ao que àserca deste particular me representou o con- 
selbo da minba fazenda que alguas pessoas deixaraO de metcr a dita prata por se escuzarem 
dos requerìmentos desta maioria, dcsfazendo-se della por ou tra via sem ir à caza da moeda; 
bey por bem que as pessoas que meterem prata na caza da moeda de mais de lei de onze di- 
nheiros, pera, reduzidos a ella, se lavrar na moeda do Reino, bajaO trezentos reis por mar- 
co, do procedido da prata que meterem, alem dos tres mil e seis sentos que por lei avia6 de 
aver, os quoais se Ibe am de dar dos direitos que pertencem à minba fazenda do lavor da 
mesma moeda, sem ser necessario para iso mais outra provizam, a quoal maioria Ibes man- 
do dar por Ibe fazer mercé em rczam de trazerem a dita prata de fora do Reino, ficando po- 
rem a lei em seu vigor que nau hei por derogada, pelo que mando aos vedores de minha fa- 
zenda fagam cumprìr este meu al vara corno nelle se comtbem, e ao juis e thesoureiro da 
caza da moeda desta cidade, que na forma acima dita de e entregue os trezentos reis a mais 
por marco, alem dos tres mil e seissentos reis da lei, a cada bua das pessoas que metcr na 
caza da moeda a tal prata, e por o trcslado deste que sera registado nos livros da minba fa- 

•Arch. da casa da mocda de Lisboa, regislo perai, Uv. r, fol. 258 v. Arch. nacional, Hv. iv de 
Iris, fol. 210 V. 



283 

zenda, e nos da dita caza, e certìdam do escrivaó do seu cargo, eoi que se dcclare a pessoa 
que meteo està caìidade do prata e a cantidadc della, « o que ìmportou a maiorìa e conheci- 
mento da sobredita pegoa, de corno a recebeo, Ihe sera levado cm conta o que por està 
maiorìa acim entregar, pondogc verba no assento da cntrada da prata que a tal pegoa meteo 
para se lavrar em moeda, de corno ouvc està maiorìa em rezào da mercé que della Ihe Oz por 
este alvara que terà forsa e vigor, posto que seu efeito dure mais de bum ano, sem embargo 
da ordcoagaó do liv. 2.° tit. 40 em contrario, e de naO passar pela cbancellaria. Luis da 
Ciosta Ciorreia o fez em Lix.* a nove de outubro de Beìssentos sincocnta e dous annos, e eu 
fransisco gedes pereira o ùz escrever. Rey. condè de catanhede ^ 



leSS - NOVEMBKO - a 

CoDsnita sobre moedas de eobre 

Sor. — Toda a mudan^a e novidade na moeda he arrìscada, e prejudicial ao bem comun 
pellos paradeiros sabidos, e certos precepicios a que lena hu Rcyoo inteiro, por isso os Principes, 
e fìespublicas mais puliticas, e bem gouvernada^ guardam neste particular toda a modera^aO, 
sem se uencer do engano de algua res^O apparente, ou de algù interesse escondido que faz 
perder mais do que aproueita e do que prometc. 

QuestaO de que desputad os DD. se pode o Prìncipe mudar o valor e estìma^aò do dinheiro, 
e Aristoteles diz que no poder do Principe e da Republica està mudar a moeda q hùa vez man- 
daraO cunbar, e de que usauaO, tornando-a inutil daly por diaote; nSo seduvidaquesejajii- 
reito do Prìncipe Soberano, e Regalia sua a faculdade de a fabricar e de dar L/' que se fa- 
brique,'e alguns a estendem ao direito de poder aumentarlhe, e deminuirlbe o valor. 

Mas todos conuem q a mutagaò sera licita se se fizerem cortes de consentimento do povo, 
e daquelles a quem resulta prejuizo desta mudanga. E os q a premitem sem este consenti- 
mento naO a consentem sem justa causa, e ed prejuiso do Pouo; a justa causa he porq a ma- 
teria do dinheiro se gastou, ou se fez mais vii, ou mais preciosa na commù estimagaO dos 
Homens. André de Sernìa escreue que he licito aos Principes aumentar, ou subir o prego e 
valor da moeda em tempo de necessidade pubiica, com condigaO q sessando ella se faga res- 
tiluigaO aos subditos do dano q nisso Ihe fez o Principe. Santo Thomas admoesta que por seu 
gosto proprio a naO mudem : porq corno o uso della pertence a todos, he necessario que aja 
aprouagaò de todos. Paulo Laymano tcm por opiniaO que na5 pode hù Princepe no foro da 
conciencia causar ta6 grauc dano ao Pouo sem seu consentimento e q pecarà mortalmente se 
sem justa causa, e por seu comodo, e utillidade fizer alteragaO na moeda, e a resào he porq 
o supremo poder e jurisdicgaó naó se ade exercitar em dano dos subditos, pois que o Rey he 
por amor do Pouo, e nào o Pouo por amor do Rey. 

Os Reys de Aragau jurauaO quando se coroauaO q naO violariaO as leis da moeda antìgua 
que occasionou o cap. quarto de jurejurando em q o Papa Innocencio 3.* escreueo a Pedro 2.*, 
Rey daquelle Reyno, lembrandolhe a obrigagaO que tinha de emmendar o dano dado pello 
mao conselho de seus ministros. 

ElRey de Castella conuocou a cortes que se celebraraO em Madrid no anno de 1628 para 
baixar a moeda que se tloha levantado no de 1602, e para a redusir assy a seu valor c5 
consentimento dos Pouos. 

Dos Snrea Reis deste Reyno se refere por notavel exemplo que assi o faziaO e obseniauao 

' Àrch. da casa da moeda de Lisboa, registo geral, liv. i, Tol. 259. ^ 



284 

Inviolavelmenle, e quc o S/ Rei D. Affonso 4." de consentimento do Pouo e do Bstado Eccle- 
siastico mudou valor da moeda cO condigaó q ao diaotc se naò mudasse mais : quc dos 
ìnstrumcntos quc sobre Islo se fizerau mandou guardar os treslados autenlicos na Sé de 
Braga, e da Guarda, no Rea! convento de Alcobaga. 

Do s/ Rey D. Fernando diz Duarte Nunes de Liaò as palavras seguintes « Com estas guer- 
ras, e desconcertos delRey foram os grandes thesouros do Reyno, que os Reys passados ajun- 
taraO, consumidos com grande sentimento do Pouo que se temia uiesse EiRey a haver mister 
as fazcndas de seus VassaloS; comò de effeito foi, porq mudou, e desfés todas as moedas an- 
tigas do Reyno, e leuantando as valias das nouas de maneira, que moedas de muìto pouco 
pezo tinbaO tanta valia corno as antigas de muito, o que causou uir grande copia do moeda 
cunhada fora do Reyno furtadamente, pello muito que se nisso ganbaua, e a troco de moedas 
de pouca valia leuauaó ouro e prata, e mercadorias de muito prego, a qual uindo-se depois a 
bater, e reduzir ao que justamente deuia ualler, empobreceo muìtos dos que cO aquellas moe- 
das se acharaO, comò nos nossos dias se fez neste Reyno por outro tao m&o conselbo. A outra 
perda notauel que se seguio da mudanga que GlRey D. Fernando fez foi levantarem-se os 
pregos das couzas, que be couza consequente a semelbaotes mudangas, e feitio de nouas 
moedas. » 

que Duarte Nunes diz aquy dos nossos dias deuia ser quando se altcrou a moeda de 
cobre^ ou quando se abateo de 10 a sinco reis, e de sinco a real e meyo. A prìmeira fez tra- 
zer de fora abundancia de moeda escondidaroente, e a segunda obrigou a desfazer-se e gas- 
tar-se toda em caldeiras, e outras fundigoés. 

Aquelle mào gouerno do s/ Rey D. Fernando deu aso a bum artigo dos pouos nas cortes 
que celebrou o mesmo Rey que tcmos no L.^ dos pregos nesta forma. 

Primeiramcnte ao dizerem que daquy ero diante nem fagamos guerra nem moeda, ncm 
outros nenhuns de que se possa seguir dano ha nossa terra, salvo ed conselbo dos nossos ci- 
dadaOs, e naturais, e quc em rasom da moeda guardemos aquello que pcllos Reys dante 
nós foi ordenado, e prometido por sy e por seus sucessores de se guardar, e porque estas 
moedas que ate quy por nós forom feitas se fizerom a nossa perda, e a dano, e agravo do 
nesso Pouo, e que daguisado parece que aquel que sente a prol da causa deue soster o en- 
cargo della, e que daquy em diante nom fagamos mais as ditas moedas, ou cada bua dellas, 
e que para emmendarmos aquello em q os agrau&mos que recebamos as ditas moedas que 
por nós feitas forem por aquel prego, em que as demos ao pouo, pagando Ibes primeiro 
aquello que em elias montar da moeda dos dinheiros que ante andauao, e que se mais moeda 
quizessemos fiizer que a fagamos segundo aquello que por os Reys dante nos foi ordenado. 

A este artigo dizemos que queremos bauer acordo cO ellos sobre està mesma propozigaO 
podem fazer os Pouos a V. Mg.'** nas cortes prezentes e esperar de sua benignidade, e cle- 
mencia que preuistos os danos se remedeem, e atalhem logo, e que se satisfaga a perda de 
todos em goral, antes que os inconuenientes, e incomodos sejaO iniuitaueis. 

Jà se reconbecem e experimentaO os que se seguiraò das mudangas que V. Mag.'* man- 
dou fazer nas moedas antiguas de prata, e ouro sem cortes, e sem consentimento do Pouo a 
que tocaua a perda e dano. Agora cbegou à nossa noticia (sem V. Mag.**' o bauer mandado 
comunicar a este senado) que nesta cidade se estavaC fundindo, ou cunbaodo muitas moedas 
de cobre, de toda a sorte, e de muito mau cobre, e de pior forma, e que o concelbo da fa- 
zenda ordenàra ao contador das sete cazas que leuassem por bua vez 60 -f'-*''* (cruzadas) em 
prata à caza da moeda para trazerem a mesma soma em cobre para o pagamento das partes, 
corno fizeraO e uaO fazendo: E consta que a mesma deligencia se faz nos mais Almoxarifa- 
dos, contra a forma que deu a ord. do Reyno liv. iv.* tit. 21, in princip., dispondo os paga- 
mentos que se ouuerem de fazer em moeda de cobre, e naO està derrogada. 

Dez mil cruzaéos era o mais que se podia repartir por todo o Reyno em moedas de cobre 
miudas, e de boa iey, comò a cidade em outra occasiaO pedio a V. Mg.'* polla falta que dellas 
auia para os (rocos per causa das sacas de alguns particularcs, e de outras negociagocs mer- 



285 

caiitis e usurarias, e sempre deuia sor cO consideragaò de valor intrìnzico e cstiina^^ò que 
se Ihe daua, e cO acordo deste senado, e dos pouos, para que os estrangeiros e naturais nào 
introduzìssem outras quantìas mayores à conta desta, e co prete^^to daquella necessidadc. 

ElRey de Castella escreueu a este Senado no anno de 1622, que tendo entendido o tra- 
balbo que se padecia nesta cidade pella fatta que bauia de moeda miuda de cobre, e que 
mandando tratar do remedio co a aplicacaO deuida, se julgara a proposito que a camara desse 
pre^tados 20 jl ou 30 jl cruzados do real dagoa para se Ibe tomarero, e laurarem em moeda 
de cobre miuda. 

Depois por carta de 14 de setemljro de 1624 escreveu aos gouernadores deste Reyno so- 
bre a mesma materia encommendando-lbes que para rc'medio desta urgente necessidade, se 
pedissem prestados ù, camara do dinheiro do real dagoa 20$ até 30|l cruzados para se laurar 
a mesma quantia cm moeda de cobre miuda, e da sorte que mellior parecesse, e que loguo 
se tratasse &c. 

Em 25 de mayo de 1635 rcspondeu a bua carta da Duqueza de Mantua, e a bua consulta 
da camara cm que Ibe pedia licenga para se laurarem buSLs amostras de moeda miuda de co- 
bre, para que aprouandoas o dito Rey se laurassem logo, e encomenda que se laure so a 
aroostra para uer, e que se enuiasse co ella consulta cm que declarassem as resOes e funda- 
mentos que bauia para se bauer de laurar moeda daquella sorte &c. De nenhùa destas vezes 
se logrou o intento, posto que hauia interesse particular que o condusia pelo ganbo da ma- 
nifactura. 

Os danos, e incouenientes deste cobre que comessa jà cO tanta forga, e cautela saò gran- 
des, e irremediaucis, o primeiro, e principal be aquelle mesmo cO que Castella, sendosenbora 
das Minas, e montes de prata e ouro se uio em pouco espago de tempo toda de cobre, e de 
velbon; que os mesmos seus inimigos Ihe metiaO em caza tirando-lhes dos galeoés, antes, e 
dipois de ancorar os mctais preciosos, que so toca cO a boca, e nad Ibe entraó na garganta. 

Neste Reyno sera ainda mais prejudicìal este dauo porque perdemos a Mina, e nfto lemos 
serro de Potosy na nossa demarcagaó, né as Indias occidentaes sad da nossa conquista, e 
as oriontaes leuarad sempre as patacas que uinbaO de Castella. 

Outro grande prejuizo be bauer de pagarse em cobre Utis Àlfandegas e Àlmoxarifados os 
juros que os vassalos comprarlo cO a sua prata, e nos contratos particulares com este medo 
logo se comessaraó a fazer nouas clausulas e condigoés para os depositos, corapras, e uen- 
das, retros, dotes, testamcntos e outras Escrituras e disposigocs para se auer de pagar na 
mesma moeda, e da mesma especie que se entregar, porque a sentenga commu dos DD. nesta 
materia be que quando a obrigagaG se contranio em certa especie de moeda nad està obri- 
gado acredor a recebcr outra de diuersa materia, ainda que seja muito boa de rcceber. 

Daquy se segue que fallando a prata e ouro para os pagamentos grandes, sera forga com* 
pral-o com perda, ou buscal-o eò os ganhos, e intereces da Praga, e cambios das letras comò 
uemos em Castella. 

JoaO Bautista Larrea, conselbeiro da fazenda delRey D. Gilippe IV em bum livro das nouas 
decizoès que impremio ba pouco tempo, trata co multa doutrina e erudlgad està materia na 
disputagaO 12 cO outras seguintes muito digna de lersc e considerarsc toda. Nella aponta 
com Laymano inuitos danos que se seguem da mudanga da moeda, e dìz que o mayor que se 
experimeota em Hespanba procede de nSo igualar o valor do metal da moeda, aotes o exce- 
der as mais das vezes: e assy naO ponderando o valor intrinzico com o extrinzico, e scudo 
a suposta cstimagào mayor que o valor do metal, uem a uenderse as mercadorias pello arbi- 
trio, e auansa dos vendedores sem rcgra algùa, e co muita comfusSo, carestia, e f erda pu- 
blica. Refere de varios AÀ.os trabalhos, danos e imfortunios que se seguiràoaos Reys e Rey- 
nos pela alteragào e mmlanga da moeda. 

Sirvasse V. Mg.^*' de mandar considerar cO toda a aplicagao està materia por ser a mais 
perigosa das que temos entre maos, e se ndo se atalbar logo co remedio promto, e efBcàs^ 
tememos bQ grande mal a que ojo so pode acudir e daqui a pouco tempo nào : aegundo o$ 



286 

exames quo se tem feito, e o valor intrinzico e extrinzico desta nioeda, o quo mais conueni 
ao Remigo de V. Mg."*^ e ao bem coma destes seus Rcynos (que tanto pendem do comercio, 
e que tanto se arrìselo com cstas nouidades) he mandar extinguir, e fundir està mocda, ou 
que se abaixe conforme ao valor intrinzico della e sua manifactura^ ordenando que a de sinco 
reis vaiha tres, e a de tres bum e meyp, e a de bum e meyo bù somenle, e esto cntcndemos 
que he o mais verdadeiro* e pronto remedio que se deue aplicar ao mal presente, e ao dano 
que nos ameassa con tantos excmplos das nagoés grandes mais remotas e mais vesinbas. 

Os ministros delRey de Castella nao acbarao què bauia outro rémcdio dipoìs de hauer 
subido a mocda no anno de 1602 que baixala ao antigo valor no de 628. mesroo bauia 
feito Henrique 2,° nas c<^rtes que celebrou em Touro no oytauo anno do seu reynado, o mes- 
mo fez Jacobo de Àragào, e o mesmo mandou fazer Innoceocìo d."" a Fedro Rey do mesmo 
Beyno, e ainda assy comfessao os castelbanos que alalbar&o grandes danos, sendo o mayor o 
da moeda que Ibe metiào os olandezes escondidamcnte enganandoos ed grandes auangos, e 
contudo se nào uirào de todo liures de cobre. 

A quantbia que pode ser uinda, e que està oje repartida pelos particulareà nao deixa fa- 
zer a perda tao grande corno sera dentro de pouco tempo, introduzindo os mercadores de fora 
e de dentro muitas cantidades cO a serteza do ganbo, e co o interesse do cambio. Assy espe- 
ramos que V. Mg.'*' o remedee nao perraitìndo en tanto risco e prejuizo tantos danos publicos. 
Lx.* em camara 6 de novembro de 653 ^ 



N.*^ 140 



1654 - SETEMBRO - 16 



Em decreto de uinte de Juibo deste presente anno, mandou V. mg.***", que se uisse neste 
Conselbo, a copea do capitulo dos geraes, que nestas cortes offerccera a V. mg.'* o estado 
dos pouos, que uay incluso, com a resposta que V. mg/'' Ihe mandou dar e que na confor- 
midade della, se pasassem logo as ordens necessarias para se dar à execug&o. 

loformaram o Juiz e officiaes da casa da moeda desta cidade, a quem se pedio informa- 
g&o para se satisfazer o que v. mg.'* mandaua, e diceram, que pellas rnforraassoés, que to- 
maram, acbaram, que cada arratel de cobre laurado, ualia nesta cidade XH^nto e sessenta, e 
cento e setenta reis, e as moedas lauradas de sinco, tres reis, e real e meio, que oje corriào, 
erào a cento e quarenta reis cada arratel, e por està rezao nùo podiào os estrangeiros meter 
moeda neste Reyoo, por n§o terem nenbum auango nella, senao perda, deyxando os riscos, 
e penas que tem de a trazcrem; e em caso, que tiueram algum lucro de meterem este cobre, 
feito em moeda, nào tinba conta o leuarem a prata deste Reyno, por quanto se perdia sin- 
coenta por cento, alem de que, de prezente tinbao por informagào, que o cobre leuantara 
nas partes do norte mais tres por cento, assym que por estas rezoens tQdas, nào poderiào 
OS estrangeiros meter a moeda de cobre neste Reyno, antes tinbdo por informagào, que nào 
aueria quem fizesse outro assento, pello prego de cento e quarenta reis cada arratel. 

Ouue uista o Procurador da fazenda, e respondeo, que com estas noticias, se deuia re- 
presenlar a V. mg.'* que nào conuinha abayxarsc o cobre: e quando fora conueniente seria 
melbor tomal-o para a artilbaria e fundigào, porque abaixandosse no pouo perderla elle todo 
ualor, e ficaria todo o lucro aos caldeireyros, que o faziào e fundiào em obra : e que nào 
auendo razoens publicas, que obrigassem a ser conueniente està baixa da moeda de cobre, 
comò se propunba em cortes que auia, antes sondo pello contrario, comò informauào os oflS- 

* Ardi, da camara municipal, liv. i de registo de consultas e decretos de D. Joào IV e D. Affònso VI, 
fol. 126 V. a 128 v. 



287 

ciaes (la caza da moeda, liào era justo fazcr perder aos donos, que se aebaudo com o cebre, 
ualor delle, nem nestos termos era seguro fazerse tal bayxa. 

Pareceo ao conselho reprezenlar a V. rog.**^ que pella grande falta que bauia de moeda 
de cobre, para o trato uzual, se tratou de se mandar laurar, e por se achar ìmpocìbillidade, 
em razào do custo que fazìa respeito do que ualia o cobre em pasta, e o do lauor da moeda, 
se fez diligencia com alguns mercadores estrangeìros, a mandassem uir de fora laurada, para 
ca se cunhar, porquc corno naquellas partes se laura com augoa, fazia mcnos custo, e tinba 
melhor conta; tralousse com Joào Als a mandasse uir de real, real e meo, e Ires reis, a cento 
e dez reis o arratel por cunbar, e com dez reis do cunho uinba a sabyr a cento e uinte reis; 
mandou uir algum para aoiostra, e por nào Ihe achar conia, nào quiz mandar uir mais; e o 
mcsmo se fez com Jorge Lopes de Negrciros, que tambem mandou uir aigùa por amostra de 
dous e quatro reis e mandosse por a do quatro a trcs e a de dous a real e meo, comò Ihc 
nào achou conta n&o mandou uir mais; ultimamente se fez assento no anno de seis centos e 
quarenta e outo com fransìsco guterres estocb, e Fedro estalpart, precedendo as informassoés 
necessarias, e auendo v. mg/* por bem na resolugào da consulta inclusa, para mandarem 
uir desta moeda em reaes, reaes e meos, tres e sinco reis quinhentos quintaes a prego de 
cento e trinta reis o arratel para aqui se cunhar na caza da moeda por sua conta e com os 
dez reis do cunho uem a ser a cento e quarenta o arratel, as quaes moedas maodarain uir a 
està cidadc e a Setuual, e as meteram na caza da moeda para -se cunbarem aprouadas, onde 
se mandaram examinar na calìdadc do cobre, pezo, e sortes dellas, com assistencia do juiz 
do pouo, para que sendo conforme ao assento se cunbarem, que era o ualor intrìnzico dellas 
com cunho, a cento e quarenta reis o arratel, e porque alguas naò ajustauam no conto 
com pezo se reprouaram, e querendo elles que se mandassem correr as que estauam ajus- 
tadas, depois de largas informassoés, e cxperiencias, se ordenou ao Juiz da caza da moeda, 
que ajustando o conto com o pezo dos generos das moedas, a que estiuesse ajustada com o 
ualor se cunhasse, e a mais que o naò tiuesse, a Qzcsse remetter à fundigau, para se fundir 
em artilharia, de sorte que destes quinhentos quintaes se separou bua grande parte por cu- 
nbar, para ir à fundigau: Senhor, para se fazer este assento precederam todas as dilìgencias 
necessarias, indosee com grande concideragad, porque de bua parte o ualor da moeda antiga, 
que até agora conia era de cem reis o arratel, que uinba a sayr cunhoda a doze mii e outo 
centos reis o quìntal, e o prego por que de prezente corre em pasta, he a dezasseis mil reis, 
em rezaò do que os caldeyreiros, e cerralbeiros a fundiaO; por Ibe ter grande conta, de que 
naceo o consumi^se, padecendo por està causa o comum grande detrimento, o que uisto se 
tratou de que o prego della, naO tiuesse conta para se desfazer, nem os estrangeims para a 
mandarem uir, e leuarem prata em seu lugar, acomodandose para isso o uulor intrinsìco 
da moeda, com as despezas da manifactura, quebras do ajustamento do pezo fundigaO, ualor 
do cobre em pasta, ualor da moeda de prata, que tem de quebra sincoenta por cento, fretes, 
condugaO, e seguro, subida dos metaes, e mais cousas a respeito da prata, que ualendo bum 
marco em moeda dous mil e setecentos reis antigamente oje ual a quatro mil reis ; com que 
posto de prezente bum arratel de cobre laurado em moeda, a cento e quarenta reis, uem a 
ser seu ualor intrinsìco com o cunho, e nào fica lugar de metcrem por este prego moeda, 
com tanto custo, pouca ganancia, e muito risco; tendosse respeito ao ualor que a moeda de 
cobre tem em Franga, olanda e em outras partes do norte, ser maior que o quo tem neste 
Reyno, que tudo se uio e ajustou, com que parece naò tem lugar o proposto a v. mg."^* no 
capilulo dezouto dos geraes, que nestas cortes fez a y. mg.*** o cstado dos pouos, por nào 
terem as noticias e informagoés referidas ; e abaixandossc o cobre corno elle diz, a saber, as 
moedas de sinco reis a tres reis, e as de tres a real e meo, tanto mais em breue se exlingui- 
riam de todo està moeda, na fundigaò, que os caldeireiros faraò della, pollo grande auango 
que tem, poes ficaò comprando bum arratel de cobre de moedas de sinco reis, por outenta e 
quatro reis; e de moedas de tres reis por setenta, uendendoo laurado de sento e sessenla thè 
cento e sotenta, alcm de que o dano desta bayxa, uem cair sobro o comuni do pouo, princi- 



288 ' • 

palmentc nas pcssoas quc ueiidcm, que corno seu cabedal bc pouco, ainda quc o dauo o seva 
sintiraG muito, por sercm pobres, e tambem o Assentista rccorreraO contra a fazcnda de 
V. mg.^' pcdiodo satisfagaO desta bayxa da moeda que tiuer de ser cunbada por se Ihc que- 
brar seu contrato, pello que v. mg/* se deuc seruir de mandar que ella corra corno ategora 
scm bayxa algua, em Lx.* 16 de setembro de 1654 ^ 



lOoo-JUNHO-lT 

Gu ElRey fago saber aos quc oste meu aluarà vireni, qnc sendo informado que pellas 
frouteiras deste Heyno entrauào nelle dos Reynos de Castella algùas palacas, & meas patacas 
da noua fundìgào do Perù de cunbo de duas coluronas, mandei fazer ensayo dellas, na casa 
da moeda desta cidadc, onde se achou sereni boas, assi no pezo, corno na calidade da prata: 
que visto, & o bem que se segue a meus Reynos de entrar nelles moeda laurada, princi- 
palmente a desta calidade, com quc se comercea em minhas Clonquistas, Hey por bem, & 
mando, que em todos os meus Reynos, & Scnborios, corrào as ditas patacas, & meas patacas 
de duas columnas da noua fundigào do Perù, e se vse dellas comò da mais moeda que de 
presente corre em meus Reynos, sem a isso se por duuida, nem contradigaO aigùa, & as 
pessoas, que recuzarem aceitallas em quaesquer pagamentos em que se Ihe derem, encorrc- 
rào nas pennas que estaO poslas em semelhante caso, & as justigas as obrigaraO a que as 
aceìtom inuiolauelmente : por bem do que mandey passar este Àluarà, que serA publicado 
em minba Chancellaria, onde se registrare, & se imprimirù, remetendose as copias ìmpressas 
aos Prouedores das Comarcas, para as fazerem publicar nellas, para deste modo vir à noti- 
eia de todos està minha resolugad; & sera outrosi registrado nos liuros da Casa da moeda, 
& quero que nella tenba forga, & vigor posto que seu effeito dure mais de hum anno sem 
embargo da Ordenagao do liuro 2. tilulo 40. em contrario. Luis da Costa Correa o fez em 
Lisboa a dezasete de Junbo de mil & seiscentos sincoenta & sinco annos. E eu Francisco 
Guedes Pereira a fiz escreuer. REY ^. 



1650 - DEZEMBRO t- O 

Por quanto se tem entendido se leva muito ouro para fora do reino em barras, pasta e 
pegas por terem maìor interesse do que lavrando-se em moeda na caza delia, desta cidade, 
e que serù grande meio para se evitar esse dano tam prejudicial, comresponderem-lhe por 
elle na mesma caza comò se faz aos dobroès que nella se lavram em moeda, o juiz e the- 
soureipo da dita caza faga coresponder deste dia em diante ao fundidor e mais pessoas que 
meterem ouro das sortes referìdas na mesma caza sendo de lei de vinte e dous quilates, que 
constarà por ccrtidaó do ensaìador, a outo sentos reis por oitava, pago nas mesmas moedas, 
que delle se fìzerem, na forma em que se faz aos dobroès, que nella entra para o mesmo 
cfeito, de se lavrarem em moeda do reino, por assim o resolver Sua Magcstade em vinte e 

* Ardi, da camara municipal de Lisboa. Copia autbenlica no Uv. i de consultas e decretos dei-rey 
n. Affonso VI, fol. 83 a 84 v. 

- Ardì, (la casa da moeda de Lisboa, registo geral, Hv. i, foL 280. Impresso avulso. 



289 

oito de iiovcoftbro deste presenle anno, em consulla que se Uie fez por csle conselho; cste 
se registarà nos livros do rogis(o da caza, dando elle tbesoureìro noticia delle ao fundìdor e 
mais pessoas que trataó ncste genero para acodirem com o ouro que tivcrein (a dita caza para 
efeito refendo. Lisboa nove de dezembro de mi! e seis sentos e sincoenta e nove; com tres 
rubricas dos senhores minislros do conselho da fazenda, a qual ordem tresladei. . . J. 



lOOO-OUTUDRO 

Juiz do Pouo e caza dos 24 obrigado de seus clamores, zeloso do bem publico e con- 
scruagaO da Reepublica, reprezenta a V. S.* corno cabega della as rezoés que por parte do 
mesmo Pouo se oferese, em ordem a suspender, e naO a consentir o crescimenlo do ualor 
exlrìnziquo que se diz quererge dar à moeda, cuio intento posto que paressa aiuslado e diri- 
gido a firn de se podcrem soportar cO o procedido os dispendios da guerra, naó conuem com 
ludo permitir este meyo, antes be impraticaucl, comò se mostra pellas rezoés seguintes: 

He multo notorio quanto tem deminuido de aigùs annos a està parte o dinheiro do Bei- 
no; e sendo a materia do crescimento delle de tanto danno e cstrondo, be para ressiar que 
chegado a esperiensia que impossibilito e naO remcdee, deuendosse temer que ocultem 
grande parte delle, e ainda dado que fora suGcientc a quantia que deste crescimento se ti- 
rasse, se seguirla bua mina total do comercio, e em consequencia bù pirigo ìminente do es- 
tado. 

Os cambios entro os mercadores se regulaO peUo valor Rea! e intrinsiquo da moeda de 
cada Roino, e cbamando ao cambio balanga, em que se pezaO os lucros de todos os comcr- 
cios da Europa com que se pode dizer ser o cambio aliserse de loda a mcrquansia, e naó 
obsta dizer crescido nos pregos das fazendas os uinte por sento da estimagaO da moeda in- 
tentada para que com o mesmo feruor sustentem os comercios, porque para os retornos de 
suas fazendas se multiplicau as difìculdades, porque comumente naO podem ser as ganam- 
cias taes que saluem com o lucro o primeiro posto do cabedal com que infastiados os cs- 
trangeiros das perdas uiraó a deixar o comcrsio deste Reino; donde se seguirà bua demi- 
nuigaò nas Alfandegas de S. Mg.' maior do que com o discurso se pode conhecec E se este 
damno he reparauel a S. Mg/ em suas rendas, e no preiuizo de seus vagalos, naó sera me- 
nor o que se seguirà a respeito das grandes somas de dinheiro que todos os annos manda 
fora do Reino, ia para as asistensias das cmbaxadas, e ia para o prouimento das monigoès, 
emxarsias e mais materiaes de que se negessita para a guerra terreste e maritima, e se an- 
tes da felice aclamagau de S. Mg/ que Deus tem em gloria, por cada cruzado dauaó por cam- 
bio em olanda quatro sentos e oitenta reis, e alterada a moeda diminuio quasi a metade, se 
deve considerar que sevo, agora auendo nouo crescimento nella, de que resultare taO grande 
preiuizo à fazenda de S. Mg/ que scia tanta a perda de bu anno, comò pode ser o auango 
em todo o crescimento da moeda, que no damno que se seguirà em todo o Reino be imcom- 
paravel, porque deuemos temer nos falle ludo que neccssitamos do norie para a guerra, e 
por està falla cheguemos a algua estremidade, de que sera causa este crescimento da moeda, 
que sera emtaO ireparauel, asy o entenderaO todos os Reis e Reepublicas da Europa, El-Rei 
de Inglaterra Carlos primeiro nos apertos em que o poz a guerra siuil co sous Vagalos inten- 
tou praticar o crescimento da moeda naquelle Reino, a que acudirao muilos homens inteli- 
gentes co taes resoés que cedeo El-Rei do intento, dizendo que era milbor morrer do mal, 
que do remedio; os cstados de olanda a quem a continuagau dos trabalhos e necessidades da 

* Ardi, da casa da moeda de Lisboa, rcgisto gcral. liv. i, foi. 286. 

TOMO n 19 



290 

loiiga guerra fizoraO intentar ludo naó langaraó maO deste mcio, atendendo-As coniuenien- 
cias do comersìo que totalmente se perderia se o puzessem em effeito. El-Rey de franga, 
uendosse apertado nestes tempos por dinheiro, principalmente nos annos de quorenta e noue 
athé anno de sincoenta e dous que duraraò as guerras siuis, uunqua se quiz valer deste 
melo que a ser conueniente o admiteria. 

E ultimamente por duas rezoés politicas naó he este meio praticauel, a primeira porque 
naO scudo admitido de nenhù estado daf Europa, sera em grande descredito desta Croa, e de 
suas forgas uzar delie; e a segunda porque uendosse o pouco que delle se consigiu, se ficarà 
conhecendo demostratiuamentc o pouco que temos, e os Reys e estados no niundo conser- 
uaòsse tamtu pella opiniaò comò pella realidade. 

P a V. S.* auendo respeito ao refendo, por seruisso de Deus e bem deste Povo, e monar- 
chia, queira propor por via de consulta o requerlmento prezente a S. Mg.' e de tal eGcassia 
que se diGra a elle co a breuidade que coriuem a todo o comum deste Reino. E. R. m." 

Juiz do Pouo — Domingos de Castro i. 



Senhor. CO o deuido acatamento se faz prezente a V. Mg.* pelo papel incluso hQ reque- 
rimento co que o Juiz da Caza dos 24 recorre a este senado corno tribunal a que pretence 
bouuir as queixas do Pouo, e dar conta a V. Mg.* c5 as razocs quo àcerca dellas Ihe parece, 
comò tudo mais que pode resultar em prol, ou dano do bem commum por ser este o prin- 
cipal cncargo de nossas obrigagoés, co que os senhores Reys deste Reino, e V. Mg.* nos 
manda que o siruam e por sua grandeza en todas as materias que tocauad ao comù deste 
P jVO, e aos mais do Reino foraó sempre seruidos que se vissem primeiro neste senado, an- 
tés de nellas se tomar resolugaó algùa. 

Co este fundamento pareceo ao senado que podia ser intenpestiua a queixa do Juiz do 
Pouo emquanto V. Mg.* naO era seruido mandar comferir nelle materia taO grane que corno 
por todos se rcconhece, he a de mayor importancia que no governo destes Principes se pode 
mouer e por em pratica. 

Senhor, o dano, e prejuizo que ao Reino 6e pode seguir de se acrecentar, e bolir no va- 
lor da moeda principalmente no estado em que hoje està he taO patente e notorio corno deue 
ser presente ao conselho de V. Mg." e seus Ministros (e comò he certo cO mayores fundamen- 
tos que aquelles que por nós se podem apontar) e assy deixando os mais que sobre està ma- 
teria se podem dizer, com o deuido respeito lembra o senado a V. Mg.* em primeiro logar: 

Quando o succeso das viclorias he taO dontingente comò a experiencia dos cazos de que 
mundo està tao cheyo tem mostrado, parece que naO admite a razaO que por hù dano 
que se teme, e que se pode duuidar, nos expunharaos a outro cuja roina he tao certa, e o 
mal tao irreparauel. 

Os senhores reis D. Affonso o 5.* e D. SebasliaO, que santa gloria hajaò, para a guerra 
de Castella e Àfrica se valeraO de meyos taO violentos, e nociuos ao Pouo que naó premilirà 
Deus que a V. Mag.* Ihe seja necessario uzar delles em tempo algum, e cOtudo sendo desta 
calidade os succidios cO que os Pouos naquellas occasioés concorrerad, puderaO co o tempo 
repararse, e tiueram restituigaO porque eraO capazes della; porem o dano que resulta de se 
accrecentar a moeda he tao incapaz de remedio dìpois de passada a occaziaO, que cO o tempo 
cresce, e cada vez mais se consomera os vassallos, e o Reino, e naO parece conueniente que 
alcansando (comò todos esperamos em Deus N. S.) vencimento contra as arraas de Castella, 
fìquemos vencidos do remedio que conira nos mesmos inuentamos. 

Alem do que se deue considerar que a moeda deste Reino tem sobido 50 por 100 mais 
do valor que tinha, e ainda que na moeda do tostaO se naó acrecentou mais que hù vintem 

Àrch. da camara municipal de Lisboa, liv. i de consultas e dccretos de D. AfTonso M, fol. 440. 



291 

foi a rcspeilo da demenujgaò do valor intrinsiquo ou quc ticou correndo lodo a 50 por 100 
mais, corno claraniente se deixa ver co o valor por que corre a pataca. 

que supposto dcue V. Mg.* ser seruido mandar por pessoas desinteressadas, e cO acis- 
tencias dos Mcnistros que mais conuier, fazer hù examc do que na moeda se podc accrecea- 
tar, e do auaQso que nesta forma se pode tirar do acreccntar della, e feita està delligencia 
haveudosse tambem consideragaO a que no tempo em que o valor do dinheiro se accrecen- 
tou estaua o Reino muito mais prospero, e havia nelle mayores cabedaìs, e nos vassalos 
mayor descuido nesta materia de que resultou entrar na caza da mocda bua soma muito dcs- 
igual, e sem comparagam algQa do que boje se ba de meter nella. 

E ed està informagaO sera prezente a V. Hg.® que he tanto maior o dano que ba de re- 
sultar ba propria fazenda de V. Mag.* deste arbitrio que naO-tenba comparagaO algùa cO o lu- 
cro que delie se pode tirar; porque he certo que as mayorias dos pregos das inxarseas ba 
abatimentos, e tudo o mais que necessariamente se ha de conduzir do Norte, e o prouimento 
dos nossos cmbaixadores ha de fazer bua grande ventagem ao interece que da moeda se pode 
alcangar, e assy o aOrmaraO melhor os Menistros da fazenda de V. Mg.' que no estado pre- 
zente Ihe custaO 100 reis postos em Inglaterra 160 réis da moeda deste Reino. 

E porque o Senado entende que todas estas razoés se deuem ter apontado e visto com a 
considcragaO que cemelbante materia pede, e cOtudo parece que a occasiaO prezente neces- 
sita de remedio prompto, e cO toda a breuidade, e o Pouo desta cidade se naO escusa co o 
zello que costuma de seruir a V. Mg.* com tudo o que suas forsas possaò alcansar, acceitando 
corno leais Vassalos mais succidios daquelles co quc podem por dar exemplo aos mais pouos 
do Reino que de prezente estam todos izentos na mayor parte delles, comò a V. Mg.* he no- 
torio. 

Parece ao Senado que V. Mg.* deue ser seruido mandar de cada hQa das cabegas de co- 
marcas nomear hùa pessoa para que juntos nesta corte co os Menistros della que V. Mg.* 
houuer por bcm de nomear, se apontem os meyos que podem hauer mais conuenientes, e 
suaues de que se tire equiualente quantbìa ha que se achar que poderà dar de auanso o lu- 
cro da mayorìa que da moeda se pode tirar. V. Mg.* mandarù o quc mais for seu seruigo. 
Lx.* 11 de outubro de 660 — Paulo de Garualho Ant.* Joaquim de Souza, Miguel de Mello, 
Antonio Pereira de Viueiros — Antonio JoaO, M.** franco, Luiz franco — Joaó M.* 

Em cima e à margem tem: Agradego muito ao senado o zello desta consulta e tenha en- 
tendido que a necessidade e aperto he grande segundo os repctidos auisos do inìmigo, a que 
he necessario acudir sem perda, para o qual se necessita da quantia de dinheiro que parece 
se pode tirar da noua fundigaO da moeda, o qual tem os incouenientes que a todos saO pre- 
zentes, mas a falta de dinheiro a tudo obriga e apontando o senado meios pello que toca à 
utilidade se poderà tratar dos que tocarem às comarcas do Reyno. A 13 de outubro de 1660. 
Gom a rubrica de S. Magestade i. 



Adverteneia a EIR. de Portagal em f se mostra comò sem lefantar efectivam.^ a moeda e som perda 
se podem facilm.^ romediar todls as desordens e jnntam.^ evitar $ daqoi em diante se altere 
a moeda o so leve fora do Reyno e islo com angmento e melhora do Comercfo ^. 

Senbor. — 1 No meio das infinitas excelencias q tenho observado em Portugai despois 
demais de dous mezes q chegamos com o felice agrado de V. M., acbo ^ so se podem deze- 
jar duas couzas p.* Lisboa chegar a ser a melhor, e a mais agradavel habitagau do Mundo. 



• Arch. da camara municipal de Lisboa, Uv. i de consQltas e decretos del-rey D. Affonso VI, fol. 439. 

■ Este documento é ama copia sem assignatura nem data. Nos §§ 1." e 5.« refere-se à chegada do 
marechai Frederico Armando Schomberg, o qual entrou em Lisboa eom o conde de Soure a 1 1 de no- 
vembro de 1660, commandando um corpo de tropas francezas, vindas comò auxiliares centra a Hes- 



292 

2 A primeìra be ^ corno os arcs lempcrados, a cituagaO, e fertiiìdade da terra prodozcm 
com abundaocia, e naturalm.^ lodo o necesario p.* a vida, seria coavenicnte q a arte humana 
se aplicase com maior estudo em ajudar està natureza tao parcialm/® beneGca, () parece am- 
biciosa de acreditar so com os Portuguezes os seus primorcs. 

3 A segunda he Q se acabase de por remedio aos iaconvenieotesdamocdapemiciozissi- 
roos ao Comercio domestico, e estranho. 

4 Por estes dous melos tdo faceis na experìencia, comò na excogitagaò farà V. H. atodos 
OS seus Vassalos ricos, e tao fclises q naò se poderìa dezejar maior ventura q ser subdito de tal 
Rey; nem gloria maior do ^ ser Rcy de tais subditos. 

5 Sabendo poisq V. M. juntam/*" com os prudeutissimos Miu."^ do seu Conselho tractaO 
actualm.*' deste remedio, seria eu ìndiguisimo da parte Q a mim me cabe das benigoas demon- 
stragoèns com (^ V. M. acolheo ao Mariscbal de Scomberg meu amo, se faltàra de oferecer as 
luzcs, e as noticias q tenho adquirido na minha asistencia a tres dos maiores Min/*", q desde 
m.*** annos teve o R."° de Franga. 

6 Scndo dinheiro a alma do Comercio tratarei em primeiro lugar da moeda, e do re- 
medio da q experimentou os estragos do cergeio. 

7 Dous aspectos tem o Comercio de bum estado: bum p.' si rocsmo, coutrop.'os cstra- 
nhos, e por quanto o poder de bater moeda be a mais percioza joia da Coroa Real e por con- 
sequencìa o objecto mais digno dos cuidados de bum Prìncipe, he precizo q os de V. M. se 
empenbem em q naO falte a moeda meuda p.* o Comercio domestico nem a de maior va- 
lor, p.* facilitar a paga das grosas partidas dos negociantes. 

8 E sou de parecer q a moeda miuda se lavre no mesmo tempo q a outra, tanto pella ur- 
gente nccesidade q se tem della, comò pello caminho mais facil q com ella se abrirà às ou- 
tras de mais prego : o q farei constar a V. M. logo despois da sua Real dcterminagào ncste 
particular. 

9 So direi de passagem q eu quizera q està moeda miuda fosse de muy baixaLey, e feita' 
de maneira q naO so se naò podese imitar mas tambem de nenhum modo podese correr fora 
do Reyno, o q se poderà facilm.** executar. 

10 Quercndo pois agora tratar so das grogas especies da moeda de Portugal asim do Ouro, 
comò da Prata, porq se naò pode separar a conversaO da moeda sem m.*°* inconvenientes. Duas 
couzas temos q evitar, a sabida fora do Reyno, e a alteragao intrinseca pello cerceio d*estes 
uUimos annos, 

11 Em quanto à altcragaO, ou cerceio das moedas, o remedio he facil. Basta q a moeda 
nova se faga toda de fórma ou moinbo ^ e muito singelo, e isto impedirà tambem a falcifica- 
gào da moeda comò a experiencia dos Inglezes o tem moslrado. 

12 Mas impedir q se leve fora do Reyno he couza de maior cuidado. Porq em pri- 
meiro lugar be precizo atentar q a nova moeda q se hade fazer seja asim no fino, comò no 
pczo equivalente no "valor à moeda dos Estrangeiros com os quais se tem maior correspon- 
dencia. 

13 De mais disto convem (podendo ser) ter mais q vender aos Bstrang."", q comprar del- 
les a q dìreitam.'* respeita o Comercio, de q^ despois falaremos, tratando por bora so dos meios 
precisos p.' a proporgao da moeda deste Reino com a dos Vizinhos. 



panha. Diz o auctor, que nos parece ser secretarlo do conde de Schomberg, haver escripto estas ad- 
vertencias depois de mais de dois mezes que haviam chegado; praso de certo muito curto para um 
estrangeiro estudar o systema monetario do paiz e as suas relagOes economicas; mas corresponde à 
epocha em que o governo, embaragado com os aprcstos da guerra para se oppor à nova invasào do 
exercito castelbano, procurava urna receita com a elevagao do prego da moeda de oiro e prata. (Vide 
n'este tom. pag. 35 a 40.) 

conde de Schomberg retirou-se de Portugal, depois da concluida a paz com Castella, em 1C68. 

' MùtUin, engenho ou machina. 



293 

14 De ordinario loda a mocda da Europa se fas a rezào de onze dinliciros de boa Ley 
cm quanto a prata, à qual a deste Reynò e estado, e a q Ihc vein de Castella corresponde j& 
com bastante ìgualdade, e so falta proporcionala em ordem ao pezo, e ao vzo. 

15 E por^i pello exame () tenho feito do pczo do marco desta Gidade tenho achado quesó 
peza sete onsas e meia daquelle de Paris^ e q asim a difcrenga ^ vai de buoi a outro he de hurna 
sexta decima parte» q o marco de prata de Franga naócontbendo mais q nove escudos (\ va- 
lem sincoenta e quatro tostoins desta mocda, o de Portugal naO deve valer mais q sincoenta 
e bum tostaO: e nesfa forma fica bavendo igualdade e proporgaO. 

16 Gomtudo seria de pareccr ^ està nova moeda de Prata subise a sincoenta e dois tos- 
toins e por marco, C[ faraO treze cruzados justos, por q aiem de q aqui se lavra a moeda mais 
rectam.*' a onze dinbeiros de boa Ley do 5 em Franga bom sera pegarse sempre ao melbor. 

17 Mas eu com licenga dos bomens de negocio d'està Cidade naò acbo razaO algumap.* 
([ se levante mais està nova mocda de Prata. 

18 Verdade be /} por bum escudo de Franga de seis tostoins sedSohoje em Lisboa atbè 
sete tostoins porcauza da diferenga do Cambio oq comò pertendem houvera ainda de acre- 
sentar de mais nove tostoins por marco a nova moeda deste Rcino p.^ nesta forma o igualar com 
de Paris. 

19 Mas q." sepode asegurar da continuagaò do Cambio neste cstado jà q naOfoi sempre 
asim e q dantes se tem visto nao valerem aqui os escudos de Franga mais q seis centos rcis 
comò quinhentos e sincoenta q.'^^ por elles se daO boje sete tostoins. 

20 Logo se por outra inconstancia deste Cambio (ordinario acbaque do Comercio de q 
depende) tornasem as couzas ao mesmo ser de seiscentos reis so por um cscudo de Franga, 
quero dizer q o Cambio fose iguul, darò està q està nova moeda de Portugal levantada a se- 
senta e bum tostaò por marco cbegaria.a bum prego exorbitante e entào se veria V. M. por 
està so razào obrigado comò boje a mandala fundir de novo p.* a tornar a proporcionar com 
estes Cambios, a ìsto se expoem os q sobre fundam.'*" variaveis edificaO. 

21 De mais de q a mcsma razaO do Comercio (] sem embargo da proporgaO dos cruzados 
de Portugal com os escudos de Franga em quanto aos quilates e ao pezo fas a desigualdade so 
do Cambio, tambem be cauza q por este mesmo escudo de Franga se daO boje em Lisboa sete 
tostoins em lugar de seis tostoins. Alem de q està mesma razaO bem ponderada no seu prin- 
cipip poderia produzir outros efeitos peiores no Cambio e no Comercio, se comò querem os ne- 
gociantes desta Praga V. M- comprebenderà na avaliagào da nova mocda q tem tengaO de fa- 
bricar a perda do Cambio daqui p.* Franga. 

22 A estas razoeus se acresenta bua sensivel experiencia do q nestcs nossos dias temos 
visto na moeda de Franga com a qual V. M. quer formar a do seu Reyno; pello anno de 1650 
e nos seguintes q se comesaraG a fabricar em Paris escudo de moinho, a bizarria desta moeda 
e a facilidade com q corria no Comercio cabindo na graga dos Povos jà eùfadados de bua grande 
quantidade de outras expecies antigas, feitas com o martelo e quazi todas cerceadas e ligei- 
ras, elles mesmos sobirad estes mesmos escudos de seis tostoins ao valor de sete e melo, ainda 
q uà moeda de BIR. nào corresem senaò pcUos seis tostoins em q pello editai da sua fabrìca 
bavia6 sido avaliados. 

. 23 A està desordem acudio a prudeucia dos Min."" daquelle' Reyno com a dìsimulag&o, 
mostrando ignorar està popular confianga e juntam.^ com a paciencia tolerando a todo o tempo 
q Ibe parcceu bem p.* o estad